quarta-feira, fevereiro 22, 2017

"AVENIDA Q", O MUSICAL


AVENIDA Q

“Que merda que eles são”. Eles são os actores de “Avenida Q” e é assim que iniciam a representação de cada dia. Um a um aparecem em palco e vão cantando “Que merda que eu sou”. Referem-se às suas capacidades interpretativas? Não. Falam enquanto personagens do musical. Ou seja, cada um deles considera-se uma merda porque não consegue realizar os seus sonhos. Um tirou um curso, fez mestrado, etc, e não arranja emprego, outra sonha com uma escola para “monstrinhos”, outro não sai do armário apesar de ser gay, outros ainda não têm meios para casarem, e assim por diante. É conveniente não esquecer ainda a Paula Porca que faz as delicias de quem com ela se cruza.
Elas são as personagens que vivem nesta avenida Q que durante hora e meia vão representar, dançar e cantam as desditas, mas também a esperança de cumprirem os seus sonhos, e verdadeiramente encantar o público que esgota as sessões diariamente do Teatro Trindade.
Dizem os promotores do espectáculo que “Avenida Q” “é o musical mais estúpido e genial de todos os tempos - uma Rua Sésamo em esteróides, que junta à estética Muppets uma linguagem tão adulta, que só funciona mesmo porque a vida é uma longa marcha de tédio em direção à campa. Ah, e porque as músicas são bestiais”.
Na verdade, os actores surgem em palco acompanhados cada um por uma marioneta que recorda obviamente os Marretas ou a Rua Sésamo, mas a linguagem é manifestamente outra. Muito mais abrasiva, mas tão bem-disposta e tão natural que não choca (ou choca na medida certa) o público que a ouve. Soa a crítica certeira e actual a muitos dos problemas que a sociedade em que vivemos enfrenta, do racismo ao preconceito, da dependência da internet à do sexo, da falta de emprego a etc. e tal. É um bom retrato de um mundo um pouco à deriva.
“Avenida Q” estreou na Broadway e tem sido um sucesso ali e por todos os países por onde tem passado. O texto é de Robert Lopez, Jeff Marx e Jeff Whitty, foi traduzido por Henrique Dias com graça e uma ou outra adaptação ao caso português muito a propósito, tem uma cuidada encenação de Rui Melo, que aproveita a encenação americana, mas o faz com eficácia e alguma originalidade, tem tradução e adaptação de canções dos mesmos Henrique Dias e Rui Melo, direção musical de Artur Guimarães e desenho de luz de Paulo Sabino. Do elenco, muito jovem, muito homogéneo, muito inspirado, fazem parte Ana Cloe, Diogo Valsassina, Gabriela Barros, Inês Aires Pereira, Manuel Moreira, Rodrigo Saraiva, Rui Maria Pêgo, Samuel Alves, Artur Guimarães, Luís Neiva e André Galvão. Uma produção “Força de Produção” que aconselho vivamente.

Dizem que a juventude não gosta de musicais. Pois desloquem-se ao Trindade e assistam in loco ao desmentir dessa (falsa) conclusão. De resto, algo se passa no teatro em Portugal. Nos últimos tempos fui quatro vezes ao teatro, ver “As Árvores Morrem de Pé”, “A Noite de Iguana”, “Amália” e “Avenida Q” em salas que não se pode dizer que tenham poucos lugares, Politeama, São Luiz e Trindade. Todas as sessões completamente esgotadas. Público que se pode muito bem afirmar em histeria no final, aplaudindo de pé. O teatro está vivo. 

sábado, fevereiro 18, 2017

“AMÁLIA”, LA FÉRIA, (OPUS 2)



“AMÁLIA”, LA FÉRIA, (OPUS 2)



“Amália” regressou e voltei a emocionar-me muito com este espectáculo de Felipe La Fèria. Deve haver algo errado em mim (ou se calhar não), mas confesso que me emociono com a sobriedade e o rigor constantes no antigo Teatro da Cornucópia, com tantas das criações dos “Artistas Unidos”, com fabulosas encenações dos maiores criadores do mundo, como com alguns dos grandes espectáculos do La Féria. São concepções completamente diferentes, eu sei, apelam por vezes a públicos diversos (quando não antagónicos), mas, que querem?, sou assim e, o que é mais grave, é que gosto de ser assim.
Posto isto, falemos um pouco deste “Amália” que sendo muito semelhante à versão de 1999, traz muitas novidades e algumas diferenças.  O elenco é muito semelhante, Alexandra e Anabela (que eu vi, mas que divide o papel de Amália jovem com Liana e Carolina) à cabeça de um grupo muito homogéneo e de boa qualidade. Dotes vocais a pedir meças, um verdadeiro desafio de pulmão, com garra e sentimento. Filipa Ferreira e Madalena Gil (que alternam, eu vi a última), são Amália em criança a cantar pelas ruas e a ganhar rebuçados e os aplausos do público, o de então, nas ruas, o de agora, na sala do Politeama.
Carlos Quintas (Frederico Valério), Alberto Villar (vários pequenos papeis), Francisco Sobral (Alfredo Marceneiro), Carlos Veríssimo (Ricardo Espírito Santo), Filipe de Moura (Alberto Ribeiro), Cristina Oliveira (Berta Cardoso), Patrícia Resende (Celeste Rodrigues), Eduardo Ricciardi (Hugo Rendas), Tiago Diogo (Alain Oulman), Mafalda Drummond (a secretária de Amália), e  Paula Marcelo (a costureira Lili) são alguns dos cerca de 50 fadistas, atores, bailarinos e músicos que vão surgindo neste compacto de vida e obra de Amália. É difícil destacar nomes, mas não quero deixar de sublinhar Francisco Sobral Filipe de Moura, Cristina Oliveira, Hugo Rendas e Tiago Diogo, muito pela importância das suas personagens particularmente marcantes e pela forma como as defendem.  
Quanto à encenação há que dizer que ganhou ritmo, foi encurtada (desapareceram algumas cenas da infância de Amália, e, que me recorde, uma cena no Café Luso, onde surgia António Ferro e algumas personalidades do Estado Novo, que me parece fazer falta para se perceber por que razão era Amália acusada de ser “fascista” depois de 74). Não foi só quanto aos cortes, porém, que “Amália” encurtou.  Isso também de fica a dever ao ritmo imposto por La Féria, galopante. O espectador não ganha fôlego neste desdobrar de cenas, nesta verdadeira cavalgada em tom de epopeia de uma vida. Será por vezes um pouco excessivo? Talvez, mas a verdade é que a emoção brota, o público comove-se, a lágrima que Amália pedia aí está. Logo que o pano de boca sobe e surge Amália escoltada por todo o elenco, o fado parte à desfilada levando consigo a emoção mais pura. Eu pecador me confesso: gosto muito de fado. E de Amália Rodrigues, uma voz única.  
Quantos aos vídeos que acompanham e definem as situações, o tempo histórico, mesmo as emoções, seguem o figurino da versão de 1999, mas vivem agora das possibilidades técnicas que, de então para cá, foram surgindo. Quase sempre certos e imaginativos, aqui e ali talvez excessivos. As janelas da Maluda que se abrem umas sobre as outras começam por ser bonitas e significativas, depois caem no exagero e perdem intenção; a animação do quadro de Malhoa é divertida, mas creio que abafa a canção e a acção; e podem citar-se um ou outro exemplo).
De resto, um belíssimo espectáculo, popular sem ser popularucho, que certamente vai permanecer em cartaz muitos meses (anos?) na Rua das Portas de Santo Antão. Longa vida à Rainha!


"AMÁLIA", O REGRESSO (1)



O REGRESSO DE “AMÁLIA” (1)
Foi em 2000 que escrevi este texto que agora aparece de novo no programa do Teatro Politeama, numa altura em que Filipe La Fèria repõe este enorme sucesso, com algumas novidades e um elenco ligeiramente retocado (17 anos de diferença impõem algumas variantes. Há actrizes que permanecem, mas em 1999 tinham 12 anos e eram Amália em miúda, agora são mulheres de 29, obviamente num outro papel.  Mas recordemos o que então escrevi, numa época que que o meu filho Frederico dava os primeiros passos no teatro, e assinado logo os vídeos desse belíssimo espectáculo que marcou o teatro musical em Portugal). 


“Eu sei, meu amor, que tu não chegaste a partir...”.

“Amália”, de Filipe La Féria, estreou na Madeira em finais de Novembro de 1999. Tive a sorte de lá estar, de acompanhar momentos de alguns dos derradeiros ensaios, e de assistir à estreia, gloriosa por aquelas bandas. Acompanhei depois, passo a passo, ainda que de longe, a estrondosa carreira deste musical que foi esgotando sucessivas lotações quase até à noite de Natal, altura em que o La Féria achou por bem devolver o Frederico à procedência, cansado mas feliz pela experiência que vivera.
Fala-se em boca de cena nos teatros. Amália Rodrigues era a boca do Fado e foi durante anos a boca por onde Portugal cantou. No Funchal, na sala do Casino Park, “Amália” começou por rasgar uma boca na boca de cena do teatro, estendendo por três mega écrans o grito nostálgico da Diva. Três écrans por onde foram passando a imagem única e as imagens múltiplas de Amália e do Fado Português do último século. Para o bem e para o Mal, para a consagração e para a polémica, Amália esteve ligada à História de Portugal deste final de milénio. Ela foi a Voz, ela deu consistência à música, ela conviveu com poetas, escritores, artistas, ela atravessou os salões do poder, ela foi política, negando que o fosse, foi a imagem de Portugal passeando pelos palcos mundiais, ela foi a nossa Glória e a nossa Tristeza, o nosso Portugal dos Pequeninos e o nosso verdadeiro Quinto Império
Enquanto no palco, um elenco de muito bom nível, ritmado pela cadência galopante de La Féria, escrevia a história de Amália Rodrigues, desde a sua humilde infância até à consagração nacional, percorrendo um itinerário de sucesso que se foi cruzando com a dor, como é destino dos imortais, nos três écrans vão surgindo frases, fotos, desenhos, pinturas, excertos de filmes ou vídeos que colocam Amália no seu tempo e o tempo de Amália nos nossos olhos. Nascida com a 1ª República, cresceu com (e para) o Estado Novo, foi condecorada por Marcelo Caetano, acusada de “colaboracionista” e perseguida em 74, condecorada por Mário Soares, levada em triunfo pelos seus 50 anos de carreira, e desceu à terra acompanhada por milhões de portugueses que a choram em Cerimónia Nacional. O filme dessa história pessoal é o filme da nossa história colectiva e passa por detrás dos actores que cantam o melhor de Amália, nas inspiradas melodias de Frederico Valério, Carlos Santos Gonçalves, José Fontes Rocha, Alain Oulman e tantos outros.
E falando de filmes, deve dizer-se que Amália no cinema também está documentada através de dois momentos importantes, “Capas Negras”, de Armando Miranda, onde aparece ao lado de Alberto Ribeiro, e “Fado, História de uma Cantadeira”, de Perdigão Queiroga, contracenando com Virgílio Teixeira. Mas a contribuição da fadista no cinema nacional ficou ainda marcada por “Fado Corrido”, de Jorge Brum do Canto, e “Ilhas Encantadas”, de Carlos Villardebó. Em todos se confirma um pressentimento: Amália poderia ter sido uma grande actriz, se bem dirigida, e esta certeza leva-nos a lamentar o diminuto número de obras onde ela aparece. Mas também no cinema, Amália deixa uma presença forte.
Os murais de Almada, o casario de Botelho, o pitoresco boémio de Stuart, as cores puras de Mário Eloy, a filigrana policroma de Vieira da Silva, a intimidade fechada de Maluda, o fado de Malhoa, a solitária emoção de Lauro Corado cruzam-se com o preto e branco das fotos, com o grafismo dos cartazes e anúncios marcando a passagem da cantora pelo Retiro da Severa, pelo Parque Mayer, pelo Olympia de Paris, por Nova Iorque, Tóquio ou Rio de Janeiro, pelo mundo. Por momentos, a imagem são os olhos de Amália, onde nos revemos. Olhos nos olhos, quem foste tu, Amália, quem somos nós, portugueses? Fado do mesmo fado, angústia da mesma angústia, pecado do mesmo pecado, paixão que nos consome, com a grandeza das coisas pequenas e íntimas.
O segredo deste musical que Filipe La Féria concebeu e encenou com brilhantismo, e que marca talvez um dos pontos mais altos da sua carreira, está na unidade conseguida, na coerência da proposta, na conjugação de todos os elementos em redor de uma figura, e na força poderosa e avassaladora desta evocação. Uma personagem que são vários rostos: agora, Alexandra, Liana, Patrícia Resende ou Marline Costa, em Lisboa. O mesmo princípio do caleidoscópio que, através da diversidade, restitui a unidade. Um puzzle que se organiza à nossa frente, convidando à intervenção do espectador. Um mosaico no empedrado das ruas de Lisboa que nos traz ecos de uma mulher singular. Afinal, o Fado cumpre-se. “Eu sei, Meu Amor, que tu não chegaste a partir...” Os imortais, não partem. Viajam e regressam continuamente. Como Amália Rodrigues, que agora vemos comovidamente em “Amália”. (Lauro António, 2000). 

                                                                                                              

terça-feira, fevereiro 14, 2017

BFTA 2017



BFTA 2017: “LA LA LAND” À FRENTE

A Academia Britânica de Artes da Televisão e Cinema entregou os BAFTA 2017, prémios maiores do cinema britânico, tendo em linha de conta também a produção hollywoodesca. “La La Land” arrecadou estatuetas em cinco categorias, entre elas melhor filme, melhor realizador (Damien Chazelle) e melhor atriz (Emma Stone). O filme, indicado em dez categorias da premiação da Academia Britânica de Artes do Cinema e da Televisão, ainda foi o escolhido como melhor fotografia e melhor canção original.

Aqui fica a lista completa:
Melhor Filme
La La Land
Melhor Filme Britânico
Eu, Daniel Blake
Melhor Realizador
Damien Chazelle – La La Land
Melhor Actor
Casey Affleck – Manchester by the Sea
Melhor Actriz
Emma Stone – La La Land
Melhor Actor Secundário
Dev Patel – Lion
Melhor Actriz Secundária
Viola Davis – Fences
Melhor Argumento Adaptado
Lion
Melhor Argumento Original
Manchester by the Sea
Estreia Notável de Um Cineasta Britânico
Babak Anvari, Emily Leo, Oliver Roskill, Lucan Toh – Sob as Sombras
Melhor Filme em Língua Não-Inglesa
Filho de Saul
Melhor Documentário
13th
Melhor Filme de Animação
Kubo e a Espada Mágica
Melhor Fotografia
La La Land
Melhor Montagem
La La Land
Melhor Penteado e Maquiagem
Florence
Melhor Guarda-Roupa
Jackie
Melhor Design de Produção
Animais Fantásticos
Melhores Efeitos Visuais
Mogli: O Menino Lobo
Melhor Banda Sonora Original
La La Land
Melhor Som
A Chegada
Melhor Curta Britânica
Home
Melhor Curta de Animação Britânica
A Love Story
EE Rising Star Award
Tom Hollan

GLOBOS DE OURO, 2017



GLOBOS DE OURO, 2017:

"LA LA LAND" DOMINA

Os Globos de Ouro 2017 foram entregues e "La La Land" foi o grande vencedor. O filme protagonizado por Ryan Gosling e Emma Stone ganhou nas principais categorias: "Melhor Comédia/Musical""Melhor Realizador", "Melhor Ator de Comédia/Musical", "Melhor Atriz de Comédia/Musical", "Melhor Argumento", "Melhor Banda Sonora" e "Melhor Canção Original""La La Land" venceu todos os prémios aos quais estava nomeado, num total de sete, a maior vitória de sempre na história dos Globos de Ouro.
Ainda nos prémios de Cinema, "Moonlight" venceu o troféu de "Melhor Filme", na categoria Drama, Casey Affleck ganhou o globo de "Melhor Ator", por "Manchester By The Sea", e "Isabelle Huppert" o de "Melhor Atriz", por "Elle", filme que ganhou também o prémio de "Melhor Filme Estrangeiro". Já Viola Davis e Aaron Taylor Johnson ganharam os troféus de "Melhor Atriz e Ator Secundários" de Drama, por "Fences" e "Animais Nocturnos", respetivamente.
Nas categorias de Televisão, a grande vencedora foi a mini-série "O Gerente da Noite", que recebeu os prémios de "Melhor Ator", para Tom Hiddleston, "Melhor Atriz Secundária", para Olivia Colman, e "Melhor Ator Secundário", para Hugh Laurie. Já as séries "The Crown", "Atlanta" e "O Povo contra O. J. Simpson" ganharam dois Globos de Ouro cada.

Mas um dos grandes momentos da noite foi quando Meryl Streep, homenageada com o prémio de carreira Cecil B. de Mille, fez um discurso anti-Trump sem, no entanto, nunca ter sequer proferido o nome do presidente eleito dos EUA. «Hollywood está cheia de forasteiros e se os expulsarmos a todos não terão nada para ver a não ser futebol ou combates de artes marciais», afirmou a atriz, que lembrou, ainda, o momento em que Donald Trump imitou um jornalista deficiente, em plena campanha eleitoral, referindo que «este exemplo, dado por uma pessoa tão poderosa, permite que as pessoas desrespeitem os outros. O desrespeito leva ao desrespeito, a violência incita violência».
As atrizes Carrie Fisher e Debbie Reynolds também foram lembradas, numa cerimónia apresentada por Jimmy Fallon.

Esta é a lista de principais vencedores dos Globos de Ouro 2017:


CINEMA
Melhor Filme, Drama
VENCEDOR: Moonlight
Hacksaw Ridge
Hell or High Water
Lion
Manchester by the Sea

Melhor Filme, Comédia/Musical
Vencedor: La La Land
20th Century Women
Deadpool
Florence Foster Jenkins
Sing Street

Melhor Atriz, Drama
VENCEDORA: Isabelle Huppert, Elle
Amy Adams, Arrival
Jessica Chastain, Miss Sloane
Ruth Negga, Loving
Natalie Portman, Jackie

Melhor Ator, Drama
VENCEDOR: Casey Affleck, Manchester by the Sea
Joel Edgerton, Loving
Andrew Garfield, Hacksaw Ridge
Viggo Mortensen, Captain Fantastic
Denzel Washington, Fences

Melhor Atriz, Comédia/Musical
VENCEDORA: Emma Stone, La La Land
Annette Bening, 20th Century Women
Lily Collins, Rules Don't Apply
Hailee Steinfeld, The Edge of Seventeen
Meryl Streep, Florence Foster Jenkins

Melhor Ator, Comédia/Musical
VENCEDOR: Ryan Gosling, La La Land
Colin Farrell, The Lobster
Hugh Grant, Florence Foster Jenkins
Jonah Hill, War Dogs
Ryan Reynolds, Deadpool

Melhor Atriz Secundária
VENCEDORA: Viola Davis, Fences
Naomie Harris, Moonlight
Nicole Kidman, Lion
Octavia Spencer, Hidden Figures
Michelle Williams, Manchester by the Sea

Melhor Ator Secundário
VENCEDOR: Aaron Taylor-Johnson, Nocturnal Animals
Mahershala Ali, Moonlight
Jeff Bridges, Hell or High Water
Simon Helberg, Florence Foster Jenkins
Dev Patel, Lion

Melhor Realizador
VENCEDOR: Damien Chazelle, La La Land
Tom Ford, Nocturnal Animals
Mel Gibson, Hacksaw Ridge
Barry Jenkins, Moonlight
Kenneth Lonergan, Manchester by the Sea

Melhor Filme de Animação
VENCEDOR: Zootopia
Kubo and the Two Strings
Moana
My Life as a Zucchini
Sing
 
Melhor Banda Sonora Original
VENCEDORA: "La La Land"
"Moonlight"
"Arrival"
"Lion"
"Hidden Figures"
Melhor Canção Original
VENCEDORA: "City of Stars," La La Land
"Can't Stop the Feeling", Trolls
"Faith", Sing
"Gold", Gold
"How Far I'll Go", Moana

TELEVISÃO
Melhor Série, Comédia/Musical
VENCEDORA: Atlanta
Black-ish
Mozart in the Jungle
Transparent
Veep
 
Melhor Série, Drama
VENCEDORA: The Crown
Game of Thrones
Stranger Things
This Is Us
Westworld
 
Melhor Mini-série ou Telefilme
VENCEDOR: The People v. O.J. Simpson
American Crime
The Dresser
The Night Manager
The Night Of

Melhor Atriz, Série Drama
VENCEDORA: Claire Foy, The Crown
Caitriona Balfe, Outlander
Keri Russell, The Americans
Winona Ryder, Stranger Things
Evan Rachel Wood, Westworld

Melhor Ator, Série Drama
VENCEDOR: Billy Bob Thornton, Goliath
Rami Malek, Mr. Robot
Bob Odenkirk, Better Call Saul
Matthew Rhys, The Americans
Liev Schreiber, Ray Donovan

Melhor Atriz, Comédia/Musical
VENCEDORA: Tracee Ellis Ross, Black-ish
Rachel Bloom, Crazy Ex-Girlfriend
Julia Louis-Dreyfus, Veep
Sarah Jessica Parker, Divorce
Issa Rae, Insecure
Gina Rodriguez, Jane the Virgin

Melhor Ator, Comédia/Musical
VENCEDOR: Donald Glover, Atlanta
Anthony Anderson, Black-ish
Gael Garcia Bernal, Mozart in the Jungle
Nick Nolte, Graves
Jeffrey Tambor, Transparent

Melhor Atriz, Mini-série ou Telefilme
VENCEDORA: Sarah Paulson, The People v. O.J. Simpson
Felicity Huffman, American Crime
Riley Keough, The Girlfriend Experience
Charlotte Rampling, London Spy
Kerry Washington, Confirmation

Melhor Ator, Mini-séries ou Telefilme
VENCEDOR: Tom Hiddleston, The Night Manager
Riz Ahmed, The Night Of
Bryan Cranston, All the Way
John Turturro, The Night Of
Courtney B. Vance, The People v. O.J. Simpson

quarta-feira, fevereiro 01, 2017

TEATRO: A NOITE DE IGUANA



JORGE SILVA MELO: 

A NOITE DE IGUANA



Há já alguns anos vi no Teatro Maria Matos, numa encenação de João Paulo Costa, "A Noite da Iguana", peça de Tennessee Williams, numa produção conjunta daquele teatro e do ACE/Teatro do Bolhão. Nessa altura escrevi sobre a peça: “Não me parece que “The Night of Iguana” seja uma das melhores peças de Tennessee Williams, mas sei que deu um belíssimo e intenso filme com a assinatura de John Huston e desempenhos memoráveis de Richard Burton, Ava Gadner, Sue Lyon e, sobretudo, dessa espantosa Deborah Kerr. Era um elenco explosivo. Conta-se que o velho e divertido cineasta (um dos meus preferidos!), antes de iniciar as filmagens com tão “poderoso” elenco (e ainda com a presença de Elisabeth Taylor, a “controlar” o seu então marido) resolveu presentear os protagonistas, e também Elisabeth Taylor, com uma pistola e quatro balas douradas onde haviam sido previamente gravados os nomes dos demais actores. Felizmente, ninguém chegou a precisar de usá-las. Mas isto dizia bem, ainda que de forma irónica, do grau de tensão que existia entre o elenco. O mesmo se verificou entre as personagens, no resultado final.
A intriga não tem muito que contar. Lawrence Shannon (Richard Burton), ex-pastor protestante e admirador de uma boa bebida, trabalha agora como guia turístico, e dirige uma excursão formada por professoras bem entradotas na idade, que se fazem acompanhar por uma jovem, Charlotte Goodall (Sue Lyon, a “Lolita” de Kubrick), obcecada em seduzir o ex-sacerdote.


Tudo se irá concentrar numa perdida aldeia da costa mexicana, num motel a cair de podre, com uma vista soberba, dirigido por uma viúva que se faz acompanhar nos seus banhos nocturnos por dois efebos a tocar marimbar (é o mínimo que se pode antever). Aí se juntam em refúgio Lawrence Shannon, mais o grupo de excursionistas enraivecidas, dirigidas por uma recalcada e puritana Miss Fellowes (Grayson Hall), que não perdoa a Lawrence ter seduzido, ou ter sido seduzido, pela jovem Charlotte. Para culminar surge uma outra dupla extravagante e falida, composta por Hannah Jelkes (Deborah Kerr) uma pintora empreendedora, e o seu avô, poeta, que arrasta os seus muitos anos numa cadeira de rodas.
O ex-padre ressente-se da fé abalada, esforça-se para juntar os pedaços de uma vida despedaçada, e vê-se encurralado por três mulheres que o cortejam cada uma à sua maneira. Neste jogo de vida ou de morte, de salvação ou perdição, Huston conseguia alguns bons momentos de quente sensualidade na tumultuosa paisagem mexicana. Os actores ajudavam bastante a retirar tensão dramática neste embate de destroços, mas o talento de Huston apadrinhava muito na direcção de actores, e no aproveitamento das suas potencialidades, enquadrando-os em excelentes cenários, fabulosamente fotografados a preto e branco. Nos Óscares do ano ganharia um para o melhor guarda-roupa, Dorothy Jeakins, e foi nomeado para outros três que não venceu, melhor actriz secundária, Grayson Hall, melhor direcção artística, Stephen B. Grimes, e melhor fotografia, para mestre Gabriel Figueroa”.
Quando abordava aqui a encenação então vista, acrescentava: “deve dizer-se que a cenografia de Paulo Oliveira é bonita e funcional, os figurinos de Ana Teresa Castelo interessantes, a iluminação eficaz, mas tudo o resto deixa algo a desejar”.  
Surge agora uma nova versão encenada por Jorge Silva Melo, uma co-produção dos Artistas Unidos/SLTM/TNSJ e a minha apreciação é totalmente diversa. A encenação de Jorge Silva Melo é, como se esperaria, muito interessante, criando momentos de tensão, sublinhando aspectos importantes da obra teatral, mantendo um ritmo certo e ajustado, cuidando da interpretação dos actores, alguns dos quais bastante bons, destaques especiais para Nuno Lopes (Lawrence Shannon), Maria João Luís (Maxine Faulk), Catarina Wallenstein (Charlotte Goodall) e, para mim uma revelação, Joana Bárcia (Hannah Jelkes), mas com duas ou três reservas, que lamento. Não gosto muito do cenário de Rita Lopes Alves e Luz Pedro Domingos, que me parece pobre e pouco adequado à obra, sobretudo as paredes frontais da pensão, pobre mas ao tanto!, e julgo as aparições do grupo de estouvados jovens para-nazis um pouco “garridas” demais, digamos assim, quebrando (era isso que se pretendia, eu sei) o clima de algumas cenas. Mas parecem-me excessivas e não muito consentâneas com os propósitos.
De resto, e apesar de continuar a achar esta peça menos interessante que outras do mesmo autor, como “A Gata em Telhado de Zinco Quente” ou “O Doce Pássaro da Juventude”, trata-se obviamente de uma obra a considerar, o que me leva a agradecer a Jorge Silva Melo a sua opção por colocar à disposição do público português este magnífico ciclo Tennessee William (onde ainda coube “Jardim Zoológico de Vidro”). Ficamos à espera de “Subitamente no Verão Passado” e, sobretudo, “Um Eléctrico Chamado Desejo”.


A NOITE DA IGUANA. Texto de Tennessee Williams; Tradução Dulce Fernandes; Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves, Luz Pedro Domingos; Som André Pires; Coordenação Técnica João Chicó; Produção João Meireles; Assistência de Encenação Nuno Gonçalo Rodrigues e Bernardo Alves; Encenação Jorge Silva Melo; Uma produção Artistas Unidos/SLTM/TNSJ; Intérpretes: Nuno Lopes (Lawrence Shannon), Maria João Luís (Maxine Faulk), Isabel Muñoz Cardoso (Judith Fellowes), Joana Bárcia (Hannah Jelkes), Pedro Carraca (Hank Prosner), Tiago Matias (JakeLatta), João Meireles (Herr Fahrenkopf), Vânia Rodrigues (Frau Fahrenkopf), Pedro Gabriel Marques (Pancho), Catarina Wallenstein (Charlotte Goodall), Américo Silva (Nonno), João Delgado (Pedro), Bruno Xavier (Wolfgang) Ana Amaral (Hilda). Em exibição no São Luiz Teatro Municipal, Lisboa, até 5 de Fevereiro; no Teatro Nacional de São João, Porto, de 9 a 26 de Fevereiro de 2017.