terça-feira, novembro 25, 2008

POR TERRAS DO FUNDÃO

No velho seminário do Fundão, com Vergílio Ferreira, em 1979.

NO SEMINÁRIO DO FUNDÃO
NO HOTEL "PRÍNCIPE DAS BEIRAS"

O exterior do seminário no filme "Manhã Submersa" (1980)
A convite do Agrupamento de Escolas da Serra da Gardunha, no Fundão, estive a falar sobre Vergílio Ferreira e a sua (e minha) “Manhã Submersa”. Foi algo de emocionante e único. Passo a explicar a razão:
Vergílio Ferreira escreveu “Manhã Submersa” inspirando-se em muito do que viveu e viu viver a outros no seminário do Fundão, entre 1926-1932. Depois licenciou-se em Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (1940). Foi professor de Português e de Latim em várias escolas do país, mas sobretudo em Évora e Lisboa (Camões). Nasceu em Melo, na Serra da Estrela, em 1916, e faleceu em Lisboa, em 1996. A sua escrita começa por ter uma feição neo-realista, de que depois se afastou para enveredar por um caminho mais pessoal, intimista, aproximando-se dos existencialistas, de Malraux sobretudo, e do “nouveau-roman”. Foi, e é, um dos maiores ficcionistas portugueses de sempre, num tipo de narrativa austera e rigorosa que cruzava o romanesco e o filosófico com rara exigência e sedução. O romance “Manhã Submersa” saiu em 1953, e logo por essa altura eu o li, e me impressionou fortemente. Teria eu onze anos ou doze anos. Em 1979, quando pude realizar a minha primeira longa-metragem de ficção, zarpei até Linhares da Beira com uma equipa, de técnicos e actores, para iniciar a rodagem deste filme. Antes, com uma outra equipa, reduzida, quatro pessoas e maquinaria de 16 milímetros, tinha percorrido os caminhos de Vergílio Ferreira adolescente, a sua casa em Melo, onde ainda viviam a mãe e uma tia, o seminário por onde passara, numa curva de estrada próximo do Fundão, e depois a sua casa e jardim em Fontanelas (Sintra), onde discutíamos sobre literatura. O filme, que se chamou “Vergílio Ferreira numa “Manhã Submersa” destinava-se a funcionar como “episódio zero” da mini-série “Manhã Submersa” a emitir na RTP. Assim aconteceu.
Nesse filme, de que não tenho pejo em dizer de que gosto muito, e que julgo um documentário essencial para compreender a obra do escritor, um dos capítulos era composto por um longo périplo de Vergílio Ferreira, percorrendo o espaço já dessacralizado do velho seminário (entretanto já substituído nessa altura por outro, situado não muito longe daquele), onde se procuravam traços da sua antiga existência física e espiritual. Em finais de 1979, o edifício, em ruínas, guardava várias famílias de retornados com os quais Vergílio Ferreira estabelecia conversa, no filme, qual entrevistador de uma cadeia de TV. Depois passeava pelos corredores, a estrada, o quintal, os espaços onde outrora estiveram a capela, a cozinha, as camaratas, as salas de aula… Foi assim que aprendi a geografia e que tentei penetrar no espírito do lugar, que retive para sempre. Depois, sempre que por ali fui passando, lá estava o velho edifico, a ruir…
Desta feita, noventa alunos e muitos professores esperavam por mim para falar sobre “Manhã Submersa”, o filme que tinham visto anteriormente nas suas aulas. Foi emocionante discorrer para aquela plateia que sabe o que é ser professor e aluno, que expandiam a escola para fora do edifício de pedra, que procuravam dar um outro sentido às palavras ensinar e aprender. Falei disso mesmo, da emoção que sentia em estar ali, onde hoje é um hotel (Hotel Príncipe das Beiras), da possibilidade de viver no espaço onde há oitenta anos respirara Vergílio Ferreira, onde se passaram a maioria das peripécias que eu relatava no meu filme. Um hotel? É verdade, um hotel espaçoso, cuidado, de linhas direitas e superfícies brancas e lisas (Siza Vieira a deixar marcas da sua arquitectura um pouco por todo o lado), relativamente bem decorado, com sobriedade. Bons profissionais a tomar conta dele, mas uma negligência espantosa: quase nada de Vergílio Ferreira e do anterior seminário ali é recordado.
A verdade é que raros hotéis possuem a hipótese de se transformarem em objectos de culto, em referências da História e da Cultura portuguesa. Este, que deveria, desde logo, ter sido baptizado com o nome de Vergilio Ferreira, pouco mais faz para relembrar o grande escritor do que reservar-lhe uma sala, a mais distante e discreta, ao lado de outras, bem mais grandiosas, com os nomes de Aquilino Ribeiro, António José Saraiva ou José Nuno Figueiredo. Este hotel que poderia recordar um autor e uma obra impares na cultura portuguesa esconde-se timidamente neste aspecto, talvez com vergonha de ter sido anteriormente seminário, sem uma única foto, uma frase, uma indicação histórica. E tanto se poderia fazer para transformar este belíssimo edifico e este hotel numa jóia que muitos gostariam de visitar para se sentirem no interior de um espaço histórico-literário privilegiado.
Mas foi bom estar ali, ouvir e responder a perguntas de jovens visivelmente curiosos, que tinham feito, sem esforço, o seu trabalho de casa”, jantar depois na cantina da escola com um grupo de professores muito interessantes, cativantes na sua simpatia e na sua devoção. Manuel Abelho e Pedro Rafael distinguiam-se na direcção dos acontecimentos. No dia seguinte continuámos a jornada, por aldeias históricas, e, pela noite fora, numa tertúlia à procura do valor da palavra em Castelo Novo. (A seguir)

Imagens actuais do hotel "Príncipe das Beiras", no antigo seminário do Fundão.

ver mais em Agrupamento de Escolas da Serra da Gardunha

FALAR DE VERGÍLIO FERREIRA
NO FUNDÃO

quinta-feira, novembro 20, 2008

FIM DE SEMANA PELO FUNDÃO

Sábado, dia 22 de Novembro de 2008
em Castelo Novo



Sexta -feira, dia 21 de Novembro de 2008
no Fundão

HOJE NO VAVADIANDO


PORTUGAL, SELECÇÃO Ahhhhhhhhhhhhhh!!!

Bons tempos em que jogava o Pauleta, e os adversários se mostravam "macios.
BRASIL, 6 - PORTUGAL, 2
A equipa portuguesa esteve bem, logo desde o guarda-redes, muito bom a ir buscar as bolas ao fundo das redes, passando pelos defesas (muito antibiótico se toma por aqui, para assim ficarmos “sem defesas”), pelo meio campo (que organização!), finalizando nos avançados, exímios a atacar a baliza, por alto e pelos lados. O banco foi excelente (Queirós leva as mãos à cabeça de uma forma inigualável!). Os brasileiros que estavam em crise (não marcavam golos em casa, a ninguém, a alguns jogos!) tiveram pela frente uma equipa verdadeiramente amiga, uma daquelas que os psicanalistas contratam para elevar o moral. Cristiano Ronaldo (e alguns portugueses mais) que joga que se farta em Inglaterra (quando tem uma equipa a jogar com ele e um treinador a “formar” essa equipa), aqui anda aos papéis, tanto faz jogar com a Albânia como com o Brasil.
Ao Brasil não foi preciso jogar senão a passo, nunca fez pressão, deixou jogar, e teve tempo para os floreados que sabe e quis desenvolver. A plateia gritou “olé”. A contratação de Carlos Queirós revelou-se um verdadeiro tiro na “mouche”. José Mota ainda é capaz de levar Portugal ao “mundial”.


Queirós quando ainda julgava que tinham sido "só" cinco. No final, foram seis!

quarta-feira, novembro 19, 2008

6 MESES DE DITADURA


O TRIUNFO DA VONTADE

(depois de seis meses de ditadura)

Já sabíamos que tínhamos alguns nostálgicos de um Estado “musculado” ou mesmo de uma “ditadura paternalista” (os salazaristas de antanho), já sabíamos que no Parlamento havia adeptos de “democracias populares”, que preconizaram durante décadas a “ditadura do proletariado”, já sabíamos que havia franjas de maoistas e mesmo saudosos de Enver Hoxha e outros que tais. Soubemos agora que, para a líder do PDS, Manuela Ferreira Leite, nada melhor do que o país colocar de lado a democracia “durante seis meses” e ser governado em ditadura. Nada mau. São estes os “heróis” que conduzem as bandeiras dos professores nas manifestações das 120.000 alminhas a descer as avenidas.
Nunca me senti tão mal neste País de anedota. Nem no tempo da ditadura (nesse tempo, eu julgava que a ditadura era temida, mas odiada pela maioria). Eu não pertenço a esta gentinha! Não sei onde pára a decência. E se fechassem para obras? Sobretudo se fechassem as bocas, se não sabem o que hão de dizer!

PS: Socrates: já sei por que alguns lhe querem tão mal. É muito brando! Devia pedir no mínimo um ano de ditadura, "para pôr a casa em ordem".
Adenda: lido (com proveito) no Hoje há Conquilhas:
PS,2
Alguém que diz rigorosamente o que eu também penso:

terça-feira, novembro 18, 2008

CINEMA: ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, II

UM FINAL, DOIS FINAIS
Tentemos explicitar melhor por que gosto mais do filme do que romance, por que acho o romance redundante e o filme não. Agarre-se no final do romance. O médico e a mulher estão na sua sala e falam. A mulher vai à janela.
Lê-se no livro: “Porque foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Sim, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que vendo, não vêem.
A mulher do médico levantou-se e foi à janela. Olhou para baixo, para a rua coberta de lixo, para as pessoas que gritavam e cantavam. Depois levantou a cabeça para o céu e viu-o todo branco, Chegou a minha vez, pensou. O medo súbito fê-la baixar os olhos. A cidade ainda ali estava.”
Este o final do livro. Depois de 300 páginas de uma parábola muito interessante, mas óbvia, o autor ainda sentiu a necessidade de sublinhar: “Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que vendo, não vêem.” Totalmente desnecessário, inútil, uma confissão de desconfiança nas capacidades dos leitores: será que todos perceberam, vamos lá dizê-lo outra vez.
No filme, o médico retoma a vista, outros se seguirão, a mulher do médico chega à janela, e olha uma paisagem de cores garridas (a única paisagem realista do filme, julgo que de São Paulo, com os jardins em primeiro plano e a paisagem urbana lá ao fundo) e afirma qualquer coisa como “Agora vou cegar eu!?”. Mas a paisagem continua lá. Admirável, de cor, de vida.
Este final é superiormente inteligente e abre para uma nova leitura da obra que nunca está contida no filme: imagine-se que o que o livro e o filme afirmam até aqui é que nesta terra de supostos cegos, a única que “vê”, mas em sentido simbólico, é esta mulher (isto é. ela é a única que “vê”, que sente os males do mundo e os procura ultrapassar, solidarizando, oferecendo-se para viver com os cegos, em constante iminência de contágio, perdoando actos de infidelidade, oferecendo o seu corpo á violência nas horas más, pegando em armas contra a tirania, quando tudo se torna insuportável, etc.). Mas agora podemos ir mais longe: todo o filme é o resultado da imaginação dela, tudo não passou de um pesadelo (por isso a fotografia é negra, irrealista, ao longo de todo o filme, até aqui). Ela chegou à janela, olhou a cidade e a paisagem, e pensou na brutalidade do dia a dia, na competição feroz, na desumanidade, no aviltamento de uns pelos outros, e imaginou este mundo de injustiças constantes levado a extremos, se as circunstancias o facilitassem, por exemplo, se todos fossem cegos. Por um momento (que para nós espectadores dura duas horas, o tempo de projecção do filme) imagina esse pesadelo. Lá dentro está o marido, que ela pensou ser o primeiro atingido. Regressada à realidade, olha a fabulosa paisagem que tem à sua frente, e coloca a questão angustiosa, “E se agora for eu?”, isto é, E se agora cegar eu, Deixar eu de sentir esta solidariedade e esta humanidade que me tem acompanhado até agora? Questão que dela passa para os espectadores, sem demagogia, nem constrangimento. Com subtileza e inteligência. Tanta ou tão pouca que vejo muitos críticos a acusar o filme de fraquezas que não deslumbro, mas não vi nenhum ainda abrir a obra a leituras novas.

segunda-feira, novembro 17, 2008

CINEMA: ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA
A história da literatura, a do cinema, enfim toda a história da arte está repleta de utopias e de antecipações catastróficas do futuro. Umas e outras querem no fundo significar o mesmo: que o presente que se vive não é exemplar e que, de uma forma ou outra, urge modificar as coisas para que a vida do Homem na Terra possa ser melhor (o que anunciam as utopias, pelo lado positivo) ou para que a vida na Terra não seja um pesadelo (o que as antecipações catastróficas prevêem). O romance de José Saramago, “Ensaio sobre a Cegueira” é do segundo tipo, podendo colocar-se ao lado de outras obras de antecipação como “O ÚIltimo Homem sobre a Terra” ou alguns romances e filmes de “mortos-vivos”, de “Metrópolis” ou de “Blade Runner”. Com algumas características a diferenciá-lo, certamente. Enquanto quase todos os outros partem de antecipações catastrofistas de cunho popular, esta assume o seu lugar erudito. Todas querem dizer mais ou menos a mesma coisa: que, se não se arrepiar caminho, o futuro do Homem é sombrio, mas em Saramago não há simbologias associadas a vampiros ou mortos-vivos. Há cegos, com tudo o que a palavra comporta igualmente de simbólico (cegos = os que não vêem, os que ignoram o que os rodeia). Imagine-se que, um certo dia, uma epidemia de cegueira grassava entre os humanos. Não numa cidade particular ou país em especial, mas na Terra, na Humanidade. Por isso o filme de Fernando Meirelles, rodado entre São Paulo (Brasil) e Montevideu (Uruguai), não precisa nunca qual a cidade em que estamos, e procura reunir um pouco de todas as raças, dos brancos aos negros, dos latino-americanos aos japoneses. A parábola diz respeito à Terra na sua globalidade, e à Humanidade. Se atentarmos melhor no discurso, percebe-se que se dirige a aspectos que constituem a essência do ser humano, no que este tem de pior: a necessidade de poder, a avidez, a tendência endémica para a maldade, a perversidade, a cupidez. Quando todos ficam cegos, há logo quem se imponha, se auto nomeie “Rei” e submeta pela força os restantes, ou procurando roubar-lhes as riquezas (a propriedade privada) ou impondo-lhes a indignidade (as mulheres são obrigadas a entregarem-se aos senhores da camarata que detêm o poder, o revólver, por um lado, e a sabedoria, o cego de nascença que sabe como ninguém conviver com a desgraça da escuridão, ou da luz branca). A parábola é óbvia, basta acompanhar com alguma atenção o percurso do livro ou o do filme: o homem tem de ser solidário para sobreviver, e, se for caso disso, os lobos têm de ser abatidos para que os cordeiros se salvem.
De uma crueldade invulgar, com cenas que psicologicamente roçam o insuportável, o filme de Fernando Meirelles (que nos dera “”O Fiel Jardineiro” e “Cidade de Deus”, entre outros) assume-se como um exercício de escrita coerente e compacto, sem grandes deslizes e uma progressão dramática tensa e obsessiva. A parábola da cegueira mexe com os espectadores, tal como mexe com os leitores (mas no cinema a cegueira é mais “visível”), pois continua a ser uma das ameaças mais temidas. Por isso livro e filme adquirem tamanho impacto e desespero. Depois, o significado torna-se muito claro. Os propósitos do livro eram demasiados evidentes, os do filme são-no igualmente. Não é preciso pensar muito para se chegar onde os autores querem chegar.
Neste aspecto, acho José Saramago um óptimo e fortíssimo inventor de boas histórias com moralidades sociais mais ou menos evidentes. Depois, dependendo dos títulos, a sua escrita tem pouco de subtil, não deixa grande lugar ao leitor, manipula-o deliberadamente com um maniqueísmo óbvio, esgrimindo “lições” compulsivas, que o tornam por vezes demasiado demagógico. É uma opinião pessoal, obviamente. Devo dizer que é um autor que não perco, mas que nem sempre chego ao fim. O livro retirado deste seu romance é, porém, uma adaptação fiel ao espírito da obra, mas algo que me quadra melhor. Não será uma obra-prima perfeita, longe disso, mas é um filme que consegue marcar os espectadores de forma indelével. Os monólogos do velho negro são escusados, mas as personagens são muito bem trabalhadas, os actores bons, Julianne Moore brilhante (fico a aguardar pelas nomeações para a ver incluída na lista e é bem capaz de haver mais umas quantas surpresas, argumento adaptado, por exemplo). Há cenas magníficas, a violação colectiva, a mulher morta a ser lavada, a insurreição da camarata 1, a cena de amor entre o médico e a mulher dos óculos escuros, logo a cena inicial do primeiro anúncio de cegueira, que nos introduz num ambiente de cortar à faca, e algumas mais. A segurança de Meireles a segurar a tensão num plano altíssimo é de assinalar. A fotografia colabora enormemente para este clima, não só de cegueira colectiva, como de morbidez e viscosidade contagiante. No que a direcção artística funciona bem, igualmente. As cenas de ruas, com os amontoados de carros e lixo, o cenário desolador de porcaria acumulada nos corredores das camaratas, e no interior das mesmas, os supermercados esventrados, tudo contribui para restituir um ambiente de fim de mundo convincente e brutal.
Normalmente a imagem é mais demagógica que a palavra, porque mais evidente, porque mostra em vez de sugerir. Neste caso, porém, o cuidado de Fernando Meirelles e da sua equipa em manter o filme num nível de grande plausibilidade consegue tornar uma aposta difícil e perigosa numa aposta ganha.
ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA
Título original: Blindness ou Ensaio Sobre a Cegueira
Realização: Fernando Meirelles (Canadá, Brasil, Japão, 2008); Argumento: Don McKellar, segundo romance de José Saramago (“Ensaio sobre a Cegueira”); Produção: Andrea Barata Ribeiro, Niv Fichman, Sonoko Sakai, Bel Berlinck, Sari Friedland, Simon Channing Williams, Gail Egan, Akira Ishii, Victor Loewy, Tom Yoda, Claudia Büschel, Aeschylus Poulos, Chris Romano, Austin Wong, Nicolas Aznarez; Música: Marco Antônio Guimarães; Fotografia (cor): César Charlone; Montagem: Daniel Rezende; Casting: Deirdre Bowen, Susie Figgis; Design de Produção: Matthew Davies, Tulé Peak; Direcção artística: Joshu de Cartier; Decoração: Erica Milo; Guarda-roupa: Renée April; Maquilhagem: Debra Johnson, Janie MacKay, Susan Reilly LeHane, Micheline Trépanier, Anna Van Steen, Catherine Viot; Direcção de produção: Marcelo Cotrim, Andrezza de Faria, Ivan Teixeira; Assistentes de realização: Adam Bocknek, Penny Charter, Joana Cooper, Tyler Delben, Walter Gasparovic, Tomas Portella, Flavia Zanini; Departamento de arte: Mary Arthurs, Daniel Fernandez, Steve Stack; Som: Guilherme Ayrosa, Alessandro Laroca, Eduardo Virmond Lima; Efeitos visuais: Martin Cobelo, Madhava Reddy, Andre Waller, Andre Waller; Companhias de Producção: Rhombus Media, O2 Filmes, Bee Vine Pictures, Alliance Films, Ancine, Asmik Ace Entertainment, BNDES, Corus Entertainment, Fox Filmes do Brasil, GAGA Communications, IFF/CINV, Movie Central Network, Téléfilm Canada;
Intérpretes: Julianne Moore (mulher do médico), Mark Ruffalo (médico), Alice Braga (mulher dos óculos escuros), Yusuke Iseya (primeiro cego), Yoshino Kimura (mulher do primeiro cego), Don McKellar (ladrão), Jason Bermingham, Maury Chaykin, Mitchell Nye (rapaz), Eduardo Semerjian, Danny Glover (negro com olho tapado), Gael García Bernal (o “rei”), Joe Pingue, Susan Coyne, Fabiana Guglielmetti, Antônio Fragoso, Lilian Blanc, Douglas Silva, Joe Cobden, Daniel Zettel, Mpho Koaho, Tom Melissis, Tracy Wright, Amanda Hiebert, Jorge Molina, Patrick Garrow, Gerry Mendicino, Matt Gordon, Sandra Oh, Anthero Montenegro, Fernando Patau, Otávio Martins, João Velho, Marvin Karon, Joseph Motiki, Johnny Goltz, Robert Bidaman, Niv Fichman, Oscar Hsu, Martha Burns, Scott Anderson, Michael Mahonen, Joris Jarsky, Billy Otis, Linlyn Lue, Toni Ellwand, Mariah Inger, Nadia Litz, Isai Rivera Blas, Rick Demas, Kelly Fiddick, Matt Fitzgerald, Mike G. Yohannes, Norman Owen, Jackie Brown, Victoria Fodor, Agi Gallus, Bathsheba Garnett, Alice Poon, Plínio Soares, Rodrigo Arijon, Mel Ciocolato, Heraldo Firmino, Carol Hubner, Fernando Macário, Eduardo Parisi, Rodrigo Pessin, Domingos Antonio, Ciça Meirelles, Katherine East, Katia Kieling, etc.
Duração: 120 min; Classificação etária: M/16 anos; Distribuição em Portugal: Lusomundo; Data de estreia: 13 de Novembro de 2008 (Portugal).

domingo, novembro 16, 2008

CINEMA: DESTRUIR DEPOIS DE LER

DESTRUIR, DEPOIS DE LER
Não custa muito acreditar que certa crítica tenha ficado um pouco desasada coma última película dos irmãos Joel e Ethan Coen. Para muito boa gente, “Este País Não é Para Velhos” era apenas um grandioso e seriíssimo filme de uma violência sem limites, sobre a violência sem limites, esquecendo que os Coen são uns brincalhões, uns humoristas, por vezes muito negros, que, no que eu me lembre, nunca fizeram um filme sem uma ponta de ironia e de sarcasmo. Não está nos seus genes essa coisa de não se rirem, mesmo do que parece não ter graça nenhuma. Quando a coisa não tem graça, eles inventam-na. Uma vez por outra falham (desastroso o remake de “O Quinteto era de Cordas”), mas quase sempre acertam.
Umas vezes pode pender mais para o sério, outras mais para a galhofa, mas nunca anda o grave e o austero sem a sua quota de ironia, nem o humor sem a sua parcela de crítica inteligente e corrosiva. O que se passa em “Burn After Reading” é um curioso equilíbrio entre a crítica a uma certa e despudorada actual sociedade norte-americana e a sátira a essa mesma sociedade, num filme em que todos os seus intervenientes se divertiram magnificamente, uns a escrever e realizar, outros a interpretar figuras de uma imbecilidade total, todas elas ligadas a aspectos essenciais da actualidade ianque.
Há o agente da CIA, o inspector de finanças, a médica, a escritora, os empregados de um ginásio, os directores da CIA, e afins. Estamos em Washington (e por alguma razão os Coen escolheram a capital política do País), e esta gente toda, como num filme de Robert Altman, começa sem se conhecer entre si, mas, à medida que a acção progride, os cordelinhos vão-se interligando. São todos frustrados e estúpidos como as portas, andam todos engalfinhados sexualmente uns com os outros e, no meio das infidelidades que se cometem a toda a hora, vai girando um CD com dados aparentemente reservados de um agente da CIA que está a escrever as memórias e cuja mulher lhe rouba os segredos do PC, sobretudo para lhe escamotear as contas bancárias. Os segredos vão parar à Embaixada da Rússia, em busca de uma boa recompensa que dê para esticar as mamas e adelgaçar o rabo e as pernas à empregadota de meia idade do ginásio, que leva consigo, a reboque, um mais que idiota "personal trainer" do mesmo estabelecimento. Não vale a pena imaginar a confusão, vale a pena mesmo ver in loco.
O filme é divertidíssimo, interpretado com um humor irresistível por um grupo de excelentes actores que não só trabalham bem, como gostam de se divertir à grande e à americana: Brad Pitt, quase irreconhecível, com um humor de caricatura a roçar Jerry Lewis, George Clooney, como sempre a parodiar-se a si próprio e à imagem do garanhão que se lhe colou, John Malkovich, mais louco de que alguma vez já aparecera, Frances McDormand, numa personagem tão forte e convincente como a que interpretara em “Fargo”, Tilda Swinton, fria e distante, mas muito bem integrada no grupo, e ainda as breves aparições de J.K. Simmons, um dos chefes da CIA que não sabe nada de nada do que se passa na sua casa, são apenas os rostos principais de “uma conspiração colectiva” que aterrou nos EUA e nos oferece um retrato bem inquietante da América de Bush. Esta era nitidamente a intenção dos Coen. Conseguida. Ainda por cima através de uma divertida paródia que nos remete para algumas das obsessões e traumas da sociedade actual, dos encontros marcados via “chats” da Internet à mórbida dependência das cirurgias plásticas. Tudo em nome de encontrar um grande amor, o que quase todos procuram, mas nenhum consegue. Aparelhos imaginosos para provocar mecanicamente o prazer, almofadas para melhor orientar as “orgias” ou corridas pedestres de oito quilómetros para manter o físico são alguns artifícios vislumbrados, mas ineficazes.
De resto, nada disto parece ter importância, nenhuma destas intrigas que provoca assassinatos e loucuras representa o que quer que seja, se vistas de longe, lá do cima, do majestoso universo, como nos indicam os planos iniciais e finais de "Burn After Reading". Quando a câmara se afasta rumo à vastidão do desconhecido, a imbecilidade dos homens dilui-se numa paisagem liliputiana.
Os Coens informaram que com esta obra deram por terminada a sua trilogia dos idiotas (os títulos anteriores tinham sido, segundo eles, "O Brother, Where Art Thou?", 2000, e "Intolerable Cruelty", 2003). A verdade é que quase toda a filmografia destes irmãos cineastas é composta por filmes que não nos falam senão de idiotas em momentos de crise, que os levam a desbloquear situações de uma violência incontrolável. Uns mais sérios, outros mais parodiantes. Mas todos “loucos”.
Não é uma obra-prima mas sabe muito bem.

sábado, novembro 15, 2008

EDGAR ALLAN POE NO CINEMA

Regressa à actividade o blogue "Meia Noite Fantástica" com temas dedicados à literatura e ao cinema fantásticos. Preparando um ciclo cinematográfico que o Famafest 2009 irá dedicar ao extraordinário escritor, neste meu outro blogue se irão reunindo textos consagrados a Poe e às adaptações que conheceu ao longo de toda a história do Cinema. Aqui fica o inicio do texto agora publicado no aludido blogue.



NOTAS SOBRE EDGAR ALLAN POE
NO CINEMA
Ao analisar de forma muito rápida e sucinta a filmografia extraída de obras de Edgar Allan Poe, cumpre desde logo fazer ressaltar algumas ideias chaves. A primeira é a de que, apesar deste escritor ser um dos expoentes máximos da literatura fantástica e um dos mestres da literatura mundial, mais ainda um dos iniciadores da literatura moderna, um poeta admirável, um contista exemplar, um precursor do romance policial, poucos foram os grandes mestres da História do Cinema que dele se aproximaram buscando inspiração para obras suas. Há casos, certamente, Griffith e Fellini são dois exemplos possíveis, mas nem os filmes daí resultantes foram dos mais conseguidos, nem dois ou três títulos em mais de duas centenas de filmes são marca significativa.
Vejamos então quem se tem interessado pela obra de Edgar Allan Poe no campo do cinema. Não erraremos muito se os juntarmos em três grupos: alguns, não muitos, vanguardistas europeus e norte-americanos, ligados a escolas surrealistas ou expressionistas (Jean Epstein, Robert Florey, Edgar G. Ulmer, etc.), alguns mestres de série B, que representam o que de melhor a inspiração de Poe nos legou no cinema (nomeadamente Roger Corman, Gordon Hessler, ) e um grupo vasto de artesãos de série Z, mais interessados no negócio do que em arte, mas que não deixa de ser significativo preferirem Poe em tantas ocasiões, umas por oportunismo, servindo-se do nome e do prestígio do escritor, outras por sincero interesse literário, nem sempre devidamente vertido em imagens, é certo!.
Outro aspecto curioso a sublinhar: as obras de Edgar Allan Poe raras vezes são adaptadas de forma muito fiel à intriga e ao esquema dramático das mesmas, preferindo-se-lhes uma adaptação ao espírito, à atmosfera, às obsessões do escritor. Nem por isso, no entanto, muitas das adaptações não serão conseguidas, sobretudo na forma como continuam ou prolongam o clima gótico de uma indisfarçável estranheza e mistério.
O texto segue em "Meia Noite Fantástica". Para aceder basta clicar na ligação, ou no link colocado na coluna esquerda deste blogue.

sexta-feira, novembro 14, 2008

ENCONTRO DE BLOGUES

Hoje, às 15 horas, na Universidade Católica:
UMA NOVA FORMA DE CULTURA:
A BLOGOSFERA NA PRIMEIRA PESSOA DO SINGULAR
Minhas Senhoras e Meus Senhores,
Quando gostosamente aceitei participar neste Encontro Sobre Blogues, em particular no painel “Blogues Culturais e Educação”, fi-lo pensando apostar essencialmente na minha experiência pessoal, quer como bloguer, ou como frequentador de blogues, quer ainda como defensor de uma nova comunicação que irá ter – já tem, neste momento – os blogues como um dos centros nevrálgicos desse percurso inter-pessoal.
Gostaria, pois, de falar em nome pessoal, isto é, na primeira pessoa do singular, por várias razões:
1 - porque os blogues são uma forma de escrita, ou de outro tipo de comunicação mais diversificada, essencialmente, individual;
2 - porque os blogues, lidos num computador, são uma forma de leitura, ou de comunicação mais vasta, igualmente individual;
3 - porque os blogues pressupõem uma forma de responsabilização pessoal específica, do autor do blogue;
Mas porquê este interesse especial no “eu”, numa altura em que tudo parece canalizar-se para o “nós”? Qual o significado sociológico deste “eu” numa matriz cultural contemporânea?
Pois bem, desde o alvorecer do mundo até à actualidade a história da comunicação social partiu do “eu” para chegar ao “nós”, com assinaláveis progressos e resultados práticos. Na pré-história comunicava-se por sinais e figurinhas incrustadas nas paredes, depois começou-se a falar e a transmitir-se a informação, o conhecimento, a emoção, a fantasia ou a realidade através da palavra, contaram-se histórias de um para um, ou de um para um grupo restrito, que se foi alargando até chegar a multidões, quando se iniciou a impressão de jornais, revistas e livros. Depois veio a rádio, que voltou a impor a comunicação oral do “um”, mas agora para muitos, para massas humanas, para essas multidões que foram arrastadas, de forma exemplar, pela fabulosa manipulação extraterrestre de Orson Welles, que inventou, com a ajuda de Herbert George Wells, marcianos a aterrar em território norte-americano. Da rádio passou-se à televisão, do “nós” para o “nós”, entrou-se abertamente na globalização, na sociedade da informação, na comunicação omnipresente, na demasiada informação e comunicação que é já ruído que se sobrepõe à compreensão da mensagem.
Hoje estamos aqui, numa sociedade onde quase nada se ouve, porque múltiplos são os estímulos e estrondosos de ruído. Jornais, revistas, livros, rádios, televisões, satélites, cabos, computadores tudo serve para veicular a informação, o comentário, a opinião, tudo parece servir para adormecer o agente receptor e deixá-lo estupefacto. Tudo muito rápido, muito ritmado, legendas por cima de imagens, com locução off, imagens sobrepostas, ilusões sobre fantasia, realidade trabalhada, manipulada como virtualidade, virtualidade oferecida como coisa tangível, “segunda vida”, apoteose do gótico gongórico, não dando ao leitor-ouvinte-espectador qualquer hipótese de pensar, de analisar criticamente, de usufruir de uma emoção, de se sentir projectado na notícia. Vertigem em lugar de análise ou fruição.
Na voragem do tempo, perderam-se vários valores, encontraram-se outros. Nada de saudosismos descabidos. Os tempos são os tempos que temos e vivemos. É neles que teremos de encontrar a nossa felicidade e de procurar interagir com a dos outros. Em busca do que de melhor há nele, nesse nosso tempo novo. As maravilhas da tecnologia impuseram-se em toda a linha, hoje os periódicos são “full colours”, os canais de televisão são às centenas, vindos de todo o lado e para todos os gostos, temáticos e generalistas, cinema, desporto e porno, soft e hard, mas começaram quase todos a serem iguais uns aos outros e a disputarem os mesmos públicos. E a serem disputados pelos mesmos poderes controladores. A multiplicidade de informação não diferencia as mensagens, já que por detrás da grande maioria dos grupos de comunicação se encontram grupos económicos que alinham todos pelo mesmo diapasão. Diferenciações políticas? Divergências ideológicas? Nada disso: uniformização económica e financeira. A globalização ao serviço do lucro, e se possível do lucro fácil. Não esperes por amanhã para lucrares com o que podes ganhar hoje.
A crise da comunicação é visível. Não falemos dos grandes periódicos que perdem terreno dia a dia. Fiquemo-nos por algo mais comezinho. A crise levou ao desaparecimento de muitos jornais de província, e à completa reformulação de muitos outros. Os semanários regionalistas, onde se sabia do obituário da cidade ou da vila, onde se publicitavam casamentos e baptizados, onde se escrevia em palavra de forma o diz-se diz-se das vizinhas que, ao fim da tarde, se sentavam na soleira das portas das casas da aldeia e punham em dia as (raras) novidades do dia, esses semanários regionalistas desapareceram ou snobizaram-se. Já não dão conta do casamento da prima, do falecimento do sogro, do baptizado da afilhada, nem sequer publicitam o fim de curso de fulano de tal, recém regressado de Coimbra, com o canudo debaixo do braço.
Neste universo sem tempo para o tempo, o computador veio trazer mudanças complexas na estrutura das sociedades. A troca de emails e as conversas em chats em tempo real foram um meio de ligar continentes, famílias, amigos, profissões, assim como de compensar solidões, de extravasar a timidez de uns tantos (deles mas, sobretudo, delas), de psicanalisar sem divã nem psicanalista pago à hora. Num mundo com rostos ou sem rostos, com nomes próprios ou disfarçadas em nicknames, as pessoas foram-se entendendo e/ ou desentendendo profissionalmente, criando amizades ou inimizades, namorando ou inventando o sexo virtual, ou simplesmente matando o tempo com um ou uma desconhecida com quem se discorre ao longo de uma noite. Foi uma caixa de Pandora que se abriu, com o fascínio do proibido sob disfarce e o perigo que resulta do anonimato sem escrúpulos. Foi um tempo que não passou, mas que cedeu lugar à coqueluche o momento, os blogues e a blogosfera.
O que são os blogues?
São poisos individuais a que cada um dá o seu serviço. Em Londres, no Hide Park, havia (não sei se caiu totalmente em desuso, nos últimos dois ou três anos, agora com os blogues), o cantinho do orador (the Speaker’s Corner). Antigamente era uma área de certo prestígio, onde se discutiam questões prementes da sociedade inglesa. Depois foi-se resumindo a um centro de peregrinação de turistas em busca do exotismo exibicionista local, isto é o sítio onde se podiam ouvir loucos varridos pregar no deserto, para gáudio de públicos sem pudor. Mas o princípio, nos seus melhores tempo, era o mesmo do dos blogues de agora: dar a voz a quem quer que seja que a queira tomar, para a usar da forma que pretender. Muito democrático, na aparência. Tal como os blogues. Estes com uma vantagem, ou desvantagem, consoante o prisma: podem ser anónimos.
Construir um blogue é facílimo; alimentá-lo depende do engenho e das intenções de quem o criou. Por isso “existe” e “não existe” “uma” blogosfera. Claro que existe uma blogosfera global, no interior da qual tudo é possível, uma blogosfera anárquica, pirata, onde se pilham fotos e textos como qualquer pilha-galinhas de outrora. Diga-se que não me atormenta muito essa majestosa nave de piratas, navegando no espaço etéreo, que se vai alimentando de uma enormíssima comunidade de dadores-consumidores que constantemente se renova.
Fazendo apenas um pequeno parêntesis: outras questões me atormentam e algumas de sentido contraditório. O que me preocupa é que se regularize, se regulamente, se normalize, se transforme numa plataforma do “politicamente correcto”, este armazém de energias diversas onde se sente palpitar a vida. Por outro lado, o que me põe fora de mim é algo diametralmente oposto: é o uso do anonimato e da cobardia para se transformar a blogosfera numa selva de ofensas públicas e privadas, de arruaça mesquinha, de vingança pessoal. Por isso espero que a liberdade continue a ser integral, mas a responsabilidade que o seja por igual total. Aplaudo de cada vez que um energúmeno sem nome nem rosto é descoberto e levado a julgamento e condenado, se se provar que agiu de má fé e deu mau uso á liberdade de opinião. A liberdade total só existe na total responsabilidade. Quem não tem unhas para tocar guitarra, ou quem não tem cara para apanhar um bom par de estaladas, como nos velhos tempos de Eça e Ramalho, não se deve meter onde não é chamado. Quem quer usufruir de direitos (e a liberdade é um dos mais sagrados) terá de responder com deveres (e a responsabilidade sobre o que se diz e se faz é um dos mais elementares).
Fechado o parêntesis, que me parece essencial, volto à comunidade de dadores-consumidores da Blogosfera.
Que se pode esperar dela? Tudo, e quase tudo será bem-vindo. O blogue é um espaço vazio que será preenchido pela essência de cada um. O blogue é um retrato de quem o cria. Há blogues para todos os gostos e feitios, e em quase todos encontro razões para por eles me interessar num momento ou noutro da minha viagem pela blogosfera.
Há o diarista, que conta o que o seu autor faz hora a hora, ou dia a dia; há o ensaísta, em que rigorosamente só se escreve sobre um tema predilecto (e devo dizer-vos que sobre cinema há muitos e muito interessantes, por vezes muito mais estimulantes do que a escrita institucional dos críticos encartados da comunicação social); há o rebelde, que passa da confidência pessoal, do registo de factos, à escrita opinativa, ao ensaio, ao lembrete (de certa forma confesso incluir-me neste campo); há os amorosos e românticos, que curtem paixões passadas à espera de novas oportunidades; há os de engate, mais ou menos claros, os ostensivos e os tímidos, que falam de poesia ou de filosofia, à espera que lhes apareça o “príncipe encantado” nos “comentários” do dia; há os ofensivos, irados, grosseiros, que não hesitam frente a nada, e que normalmente são anónimos, como está bem de ver; há os marginais, alternativos, uma imagem a preto e branco, uma frase entrecortada, uma referência muito intelectual apenas entrevista, para os super-dotados descobrirem e se sentirem super-dotados, tal como o autor do blogue se sente quando os evoca; há os diligentes, que se querem de “serviço público”, onde se lêem livros, vêem filmes, anotam estreias, inaugurações, lançamentos de livros, e se põe a circular uma autêntica agenda cultural de valor incontestável; há os poético-sornas, que transcrevem simplesmente poemas de outros e imagens de flores de jarras vizinhas; há os snobs, literariamente bem burilados, com estilo, pompa e circunstância; há os políticos, que tudo contestam, porque na contestação é que está o ganho, e há os outros políticos que defendem a ordem estabelecida, qualquer que ela seja, ou se ela está de acordo com a sua filiação partidária; há as franjas dos fanáticos de sado-masoquismo, do nazismo, das ditaduras, da Ku Klux Klan, do terrorismo, das bombas caseiras; há os desportivos, com o emblema que tem sempre razão encimando os comentários semanais a mais uma jogatana, injustamente perdida por causa de interposto árbitro; há os blogues de professores, os que organizam aulas e oferecem matérias de reflexão aos alunos e os que manifestam a sua repulsa pelo Ministério, qualquer que este seja; há os científicos, onde se trocam ideias e conceitos; há os literários, de “escrita criativa”, como agora se chama a essa disciplina que pode ser ensinada (para deixar de ser criativa); há os confessionais, congregando lamúrias sobre a vida e os infortúnios dos amores, choramingando baba e ranho a cada post; há os vitalistas, que se levantam cheios de energia e, antes de saírem para “a mágica manhã luminosa”, ainda conseguem tempo para anotar um pensamento positivo para o dia lhes correr bem; há... a variedade possível da infinita diversidade do ser humano.
Não se conhecem muitas vezes os rostos, não se sabe normalmente se há ou não batota na identificação do sexo, da idade, da profissão, e, todavia, na sua extrema fragilidade são seres humanos que procuram exprimir-se, falar de si, fazerem-se ouvir, mal ou bem, com erros gramáticas ou não. Professores universitários ou empregadinhas de caixa de supermercado, políticos ou estudantes em busca de veia literária, todos dispõem de um sítio onde se expressam. Realmente muito democrático, tanto mais que depois cada blogue ganha o crédito da sua própria qualidade e do seu poder de intervenção. Tudo muito relativo, até: quem me diz que o blogue do político muito mediático com 3000 visitas diárias tem mais importância real do que o blogue de uma ignorada cidadã que com um comentário certeiro salva o dia de alguém desesperado ou alimenta um sorriso num rosto desconhecido?
Todos podem ter uma função e ai de quem duvidar dessa possibilidade. Esta parece-me a grande revolução que irá desencadear uma profunda transformação cultural. Não mais existe o conselho redactorial ou a “agenda” do jornal ou do canal de TV. Não mais a censura do editor chefe que faz os cortes que entende em nome do espaço e do interesse que julga a notícia ou o comentário possuire. No blogue escreve-se o que entendemos, como entendemos. Escreve-se todos os dias, todas as semanas, mas sobretudo quando apetece. Escreve-se muito ou pouco e espera-se apenas que quem tiver interesse leia ou olhe: ninguém obriga ninguém a consumir. O produto está ali, à espera de quem o desfrute, mas não há drama se não aparecer clientela, nesse dia ou no outro.
Mais: uma das características dos blogues é que quase todos são construídos com enorme devoção e o saber e a intuição própria de cada um. Há os sóbrios e os góticos, há os das florinhas e os dos fundos brancos, há os que explodem de cor e os beges discretos, há os que levam aos seus proprietários horas a escolher uma imagem e os que publicam a que primeiro aparece na pesquisa do google; há os que escrevem uma frase burilada ao longo de um dia de pensamento e os que redigem testamentos sobre um tema que os assalta de momento. Há principalmente a diversidade que urge respeitar, porque é dessa diversidade que nasce o fascínio desta nova cultura, profundamente democrática, se bem entendida (e lá volta a maior liberdade para a maior responsabilidade).
Tal como na sociedade onde vivemos o nosso dia a dia, casa, automóvel, emprego, casa, televisão, computador, nesta nova sociedade dita “virtual” (porém “real”, bem “real”, pois nada mais é do que o reflexo mais profundo, mais íntimo e mais significativo de uma “consciência colectiva” que é o somatório de todas as consciências individuais) há de tudo. Navegar na Internet, surfar pelos blogues impõe uma mentalidade nova e um rigor cada vez maior. A ingenuidade não é mais possível e essa é uma das características para que urge alertar o consumidor passivo destas novas ferramentas tecnológicas. Sabe-se como jornais e canais de televisão podem manipular abertamente para atingirem os seus fins, quer sejam políticos, económicos, ou culturais. Podem até manipular apenas por ignorância, que é cada vez maior, ou por maldade, que sempre foi congénita ao ser humano. Há provedores dos leitores, dos ouvintes, dos telespectadores, há conselhos de redacção, há entidades reguladoras, há um manancial de entidades que procuram corrigir os erros, os lapsos, as mais grosseiras falcatruas, e, todavia, elas perssitem, cada vez mais subtis, mais maliciosas, mais traiçoeiras.
Na blogosfera não há nenhuma dessas ajudas, nenhum desses zeladores pelo bem público e a causa democrática. A blogosfera é terra de ninguém, terreno de pacatos cidadãos e de desordeiros flibusteiros. É importante ter muita atenção com o que se lê e no que se acredita. Há os blogues inofensivos. Que podem ou não ser anónimos. Nada me move contra um senhor ou uma senhora que queira compartilhar anonimamente o seu desgosto de amor, a sua propensão lírica, o seu gosto pela culinária, os cães e os gatos, as suas fantasias eróticas ou as suas meditações religiosas ou estéticas. O anonimato só é obsceno quando alguém se serve dele para atingir a dignidade de outro.
Por isso já me preocupo, e muito, com a escrita torpe, a manipulação das consciências e das boas fés, a defesa do indefensável, a apologia da devassidão entre jovens impreparados, o grotesco espectáculo do que há de mais infame no ser humano. A blogosfera, que vem dos homens, reflecte tudo o que há neles, do sublime ao maremoto da ignomínia. Eu que não acredito em censuras, acredito na educação, acredito na experiência, acredito que ao longo dos tempos sempre venceu o que há de melhor no Homem, nessa luta titânica e diária contra o Mal. Se assim não tivesse sido, há muito que a existência do Homem teria desaparecido da face da Terra. Mas, para meia dúzia de energúmenos que vão aperfeiçoando as armas do crime, há sempre batalhões de gente de bem que oferece o seu corpo às balas de toda a espécie para defender a dignidade, a liberdade, a justiça, o progresso.
Na blogosfera assim será. Sem optimismos desmedidos, mas tendo a noção de que se fala muito do Mal porque se conta pouco do Bem, que não é notícia, acredito que a blogosfera será um passo imenso no futuro da comunicação social. Cada um escrevendo como quer o que quer, cada um assumindo a responsabilidade do que coloca no ar, cada um procurando um outro que o leia e partilhe informações, conhecimentos, ideias, procurando um outro ou outra e com ele ou ela dividir a solidão, com ele ou ela comungar uma nova amizade, com ele ou ela descobrir um novo amor. Com ele ou ela, com eles ou elas construir projectos comuns, defender causas colectivas, impor rupturas na sociedade. Cada vez mais os políticos apelam à comunicação virtual, e significativamente são os que têm causas e valores a defender que a utilizam com maior empenho e melhores resultados.
Mas também com ele ou ela do outro lado da blogosfera cada um de nós continua a descobrir-se a si próprio. Descobrir-se a si próprio, eis o que penso ser um dos pontos essenciais da blogosfera. Não é acaso que o ecrã do computador, em atmosferas menos iluminadas, mais escuras, mais íntimas, reflecte o nosso rosto, o rosto de quem bate as teclas e olha o monitor, para ler o que acabou de escrever. Ao escrever o que pensa e ao publicá-lo no seu blogue, o bloguer está a dar-se a conhecer ao mundo (ao “mundo”, vasto ou diminuto, que o adopta, que o aceita, que o procura) e está a receber de volta essa imagem. Mais do que num jornal ou num livro ele reflecte-se ali por inteiro, e interage com outros “mundos” que o comentam, o adicionam às suas listas de links, o ignoram, o tentam seduzir, o contradizem, ou simplesmente o lêem em silêncio. Cada um de nós deve aprender que, na blogosfera, se aprende, e sobretudo se aprende a ler, olhar, respeitar, compreender, amar o outro, o igual a nós mas também o diferente, o que nos lê e compreende e o que nos lê e não nos aceita porque é diverso de nós.
A blogosfera por vezes irrita (irrita-me) quando a sedução mesquinha do comentário “amigalhaço” impera. Não devemos agenciar a unanimidade, sobretudo quando ela é apenas tradução de hipocrisia ou delicadeza de ocasião e nada representa de sincero e autêntico. A blogosfera é um terreno ímpar para se conhecer o que pensa o nosso vizinho do lado, mas também o desconhecido da Índia, dos EUA, do Afeganistão ou da China. Muitas vezes basta lê-los, deixar um comentário, se for caso disso. Trocam-se pontos de vista, em português, com a nossa amiga do Rio ou de Goiás, com o companheiro de trabalho que vive em Angola, com a Presidente da Câmara da cidade caboverdiana. E assim se sabe da saúde, da família, dos problemas, das ideias, do futuro, olhando o blogue. Perceber a sensibilidade tão distinta que se reflecte num blogue de uma brasileira extrovertida ou de uma snobérrima e recatada francesa são momentos importantes, ajudam-nos a compreender o mundo na sua diversidade e a aceitá-lo como tal, da mesma forma que outros nos aceitam a nós. A blogosfera tem de tender a ser essa terra de respeito mútuo, de construção colectiva, de utopia possível.
Numa altura em que quase todas as utopias ruíram, em que os valores se afundam, em que o materialismo guerreiro se tenta instalar com os resultados que todos vemos, é importante reinventar novas utopias, que sendo utopias todos sabemos não cumpridas a cem por cento no futuro, mas prováveis de concretizar em larga medida. Procuremos levar para a blogosfera a nossa diferença, o nosso contributo, descobrir dentro de nós a grandeza que cada homem e cada mulher comportam dentro de si.
A blogosfera é, por definição, dádiva. Haverá certamente, por vezes e em muitos casos, muito de humanamente mesquinho no acto de arquitectar um blogue. Não tenho ilusões que em muitos casos são sentimentos ruins que estão por detrás desse comportamento. Mas, na maioria dos casos, é de dádiva que se trata – é o caso de alguém que escreve, que cria, que movimenta ideias, palavras, imagens e sons para oferecer a um outro qualquer que, também maioritariamente, não conhece. É uma oferta ao desconhecido que fica a vogar da éterosesfera, em busca de um leitor possível para um texto que se escreveu dolorosamente, à procura de um ouvinte para uma área musical que se ama, para uma imagem que nos diz muito.
Delicadamente, discretamente, amorosamente alguém pesquisou uma área de uma ópera e a colocou no seu blogue. Acto aparentemente de pouco alcance, é certo. Acto de uma total gratuitidade. De uma enorme generosidade também. Quando clico no link e saltam do nada da noite as primeiras notas, percebo que é alguém de um ponto perdido no universo que me oferece uma mão e me toca com o seu carinho. Não me digam que evoluo num mundo de príncipes e fadas, porque não é verdade. Se há alguém causticado nalgumas intempéries da vida eu não deixarei de ser um deles. Mas é urgente não desbaratar esse potencial de generosidade que permanece no interior de cada um de nós e que transforma a blogosfera num universo de oportunidades invulgares.
Tudo o que é possível está à nossa frente. Tudo depende de uma opção nossa. Tudo provém da nossa liberdade de escolha. Eu sei que a liberdade deve ser dos valores mais difíceis de se viverem. A imposição de uma opção que se habita hora a hora, minuto a minuto, que remete para o mais profundo de nós, cansa e por vezes dói. Mas é essa liberdade que nos distingue e faz de nós seres diferentes. Porque entre o que se acha correcto e o que se sabe ignóbil vai a distância da nossa escolha. A blogosfera, porque se concebe apenas no confronto de mim comigo, é um território altamente pessoal, individual, de opção secreta e íntima. Aliciante, mas difícil. Não há chefe de redacção nem director, nem estagiário, nem livro de estilo, nem compêndio de ética que nos salve nos momentos de crise. Somos nós perante nós próprios. Um perigo. Um desafio.
Finalmente, o lado sumamente gratificante de escrever e ver publicado o que se compôs. Quando era miúdo vivi durante anos paredes-meias com dois jornais regionais, onde passava grande parte do meu tempo dito livre. Escrevia notícias, fazia pequenas entrevistas, apanhava sobretudo o bichinho da escrita e da leitura, bem assim como o vício de “fazer” jornais. Em casa escrevia-os à mão, dobrava-os e mostrava-os aos meus pais. Na tipografia dos hebdomadários, escrevia primeiro a notícia, quase sempre sobre cinema e as actrizes que já nessa altura me apaixonavam, e os realizadores que me emocionavam, e depois tentava compô-la, em caracteres de chumbo, para depois a ver impressa. Era uma autêntica alegria que, não tendo seguido eu a carreira de tipógrafo, julgava para sempre ter desaparecido do meu horizonte. Ledo engano. Muitos anos depois, volto a escrever, a compor, a paginar, a ilustrar, a musicar se assim o entender, e a publicar de imediato o que, com maior ou menor engenho, gerei. É uma alegria intensa, que vale o esforço, que compensa as horas despendidas.
Depois sente-se a liberdade do voo da ave.
Não se fica à espera da remuneração devida, ou de qualquer medalha por serviços prestados à comunidade, mas aguarda-se que alguém, secretamente, leia, abane com a cabeça, que sim ou que não e que comente ou não (mas por favor não comentem apenas porque sim, porque faz parte das regras da etiqueta, porque manda a sedução da praxe comentar aqui para receber a paga no blogue que deixa a marca). Comentar não se ensina. Comenta-se o que se acha que se deve comentar. E é perfeitamente legitimo comentar com um olá um amigo ou amiga que não vemos há tempos. Mas esvoaçar diariamente de blogue em blogue para deixar a marca da sua passagem, para receber horas depois a paga no seu espaço, não me parece muito sincero, e abomino hipocrisias. Mas se calhar, neste enorme divã de psiquiatra, esta é uma forma reconfortante de adormecer diariamente, imaginando os quantos amigos se tem, espalhados pelo mundo. A mim irrita-me, devo confessá-lo, mas quem sou eu para julgar estas miudezas sem especial significado?
E assim tenho de chegar ao fim deste depoimento pessoal que tempo não abunda e há mais contribuições a ouvir, já a seguir.
Muito obrigado pela atenção e uma última informação: ao fim da tarde, ao princípio da noite de hoje, já estará, em letra de forma, este texto disponível no meu blogue. Sirvam-se, se fazem favor.
Lauro António / 14 de Outubro de 2008
fotos do blogue Indústrias Culturais, de Rogério Santos, onde se pode colher muita informação sobre o "Encontro"

MANIFESTAÇÕES

Quem disse que há crise de ensino?
Quem disse que os alunos não aprendem?
Quem disse que os professores não ensinam?
Quem disse que os bons exemplos não devem ser seguidos?

terça-feira, novembro 11, 2008

MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O ENCONTRO

comunicado da organização:
IV ENCONTRO DE BLOGUES
14 e 15 de Novembro de 2008
Universidade Católica Portuguesa
É já esta sexta-feira, dia 14 de Novembro, que tem início o IV Encontro de Blogues, um acontecimento que conta com a presença de inúmeros conferencistas, entre os quais se destaca José Luís Orihuela, um dos mais antigos e conceituados autores de blogues. O encontro realiza-se na Universidade Católica (Lisboa) e estende-se até ao próximo sábado, dia 15 de Novembro, com diversos ateliers de formação em Photoshop e Ferramentas de Web 2.0.
Desde 2003, que os blogues se assumiram como um novo meio de comunicação presente no quotidiano. Ferramenta da internet fácil de construir, tornou-se um meio de expressão de muitas pessoas, até aí sem possibilidades de expressão pública. Inicialmente, os blogues tinham apenas disponível a ferramenta de escrita de textos. No entanto, mais recentemente, existem blogues que usam a imagem (fixa, em movimento, em slide) e som, o que os torna num meio multimédia, com grandes potencialidades de edição.
No primeiro dia do IV Encontro, 14 de Novembro, será focada em especial a questão dos blogues de cultura, segundo três painéis: blogues e segmentação da blogosfera, blogues culturais e educação e blogues e negócio. O dia 15 de Novembro, é totalmente dedicado à formação e conta com ateliers de Photoshop e Ferramentas de Web 2.0.
O IV Encontro de Blogues conta com a presença de José Luís Orihuela (Universidade de Navarra), um dos mais antigos e conceituados autores de blogues e com bibliografia publicada, nomeadamente La revolución de los blogs (2006).

Prazos e preços
Inscrições no Encontro – até dois dias antes da sua realização;
Encontro
· Estudantes UCP – gratuito;
· Estudantes de outras instituições – 10 euros;
· Outros – 20 euros.

Atelier (cada um)
· Estudante UCP – 20 euros;
· Outros – 30 euros.

Para além da conferência inicial, que conta com a participação de José Luís Orihuela, o programa integra ainda os seguintes conferencistas:
1º Painel – Blogues e segmentação da blogosfera
11:00-13:00
Moderador: Prof. Fernando Ilharco
1) Portal Sapo
2) Mariana Pinto e Sara Bica (UCP), A Interacção entre os Adolescentes e a Blogosfera – Estudo comparativo entre Oeiras e Caldas da Rainha
3) Pedro Andrade (CECL, UNL), O discurso da wikipedia sobre a blogosfera
4) Carla Cerqueira e Luísa Teresa Ribeiro (Un. Minho), Os bloggers têm sexo?
Contributo para o mapeamento da participação feminina na blogosfera
5) Ana Paula Lemos (Associação Europa Viva), O blogue como instrumento de comunicação cultural e associativo

2º Painel – Blogues culturais e educação
14:30-16:30
Moderadora: Mestre Carla Ganito
1) Nuno Galopim ou João Lopes (Sound+Vision)
2) Mário Pires (Retorta), Para uma cultura da colaboração em rede
3) Lauro António, “Uma Nova Forma de Cultura: a Blogosfera na Primeira Pessoa do Singular”
4) Dora Santos Silva (UNL), A “e-Biblioteca de babel”. Contributos dos blogues culturais para uma ampliação da definição e política do jornalismo cultural
5) Rogério Santos (UCP), Blogues, responsabilidade social e comunicação pública

3º Painel – Blogues, cultura e negócio
17:00/18:30
Moderador: Prof. Rogério Santos
1) Paulo Querido
2) Booktailors, Blogues profissionais: a blogosfera como plataforma de comunicação (caso Blogtailors)
3) Ricardo Tomé (RTP), Os blogues no processo de produção de televisão e rádio
4) Elisabete Barbosa (Un. Minho), As agências de comunicação portuguesas na blogosfera: temáticas e propósitos
5) Pedro Lains (ICS), Blogues e cultura económica

Mais informações disponíveis nos sites



segunda-feira, novembro 10, 2008

MANIFESTAÇÕES

AS MANIFESTAÇÕES DOS PROFESSORES
E A EX-MINISTRA DA EDUCAÇÃO

Se há coisa que eu goste de ver é a Senhora Dr.ª Manuela Ferreira Leite e os sindicalistas do PC (com os seus “compagnons de route”) a encabeçarem unitariamente as manifs dos professores. Eu sei que os professores têm razão nalguns aspectos, mas também sei que os sindicatos se têm aproveitado desse descontentamento para fazerem arruaça politica e tentarem a golpada de rua para descompensar o governo. O que acho de um flagrante oportunismo politico e espanta-me como uma classe que se diz tão esclarecida se deixa levar por manifs, como as de 75, ou recuando mais uns anos, como as da época do salazarismo (autocarros, demagogia, vitimização e etc.). Ora se os professores têm razão nalguns aspectos e eu compreendo muitas das suas reclamações, porque não sentam à mesa com a Ministra ou os seus representantes e apresentam projectos de avaliação alternativos e tudo o mais que os preocupa?
Calculo que os sindicatos e os partidos na oposição não querem por nada desta vida o diálogo, sobretudo em vésperas de eleições (vejam-se os discursos, os slogans, as professoras com os óculos pintados a dizerem “não voto PS!”). Mas será que há 120.000 professores míopes ou andam todos com os óculos pintados? Será que gostam de ser manipulados como marionetas desta forma tão escandalosamente óbvia?
Há muita coisa que não concordo com a actuação deste governo, há muita coisa em que compreendo e apoio os protestos dos professores. Há, sobretudo, uma classe que até agora tenho respeitado acima de todas: os professores. Os (bons) professores não recebem quanto deviam, os (bons) professores dão aulas, preparam-nas, fazem e corrigem testes, trabalham nas secretarias e reúnem (muito reúnem os professores, minha nossa!), e enfrentam uma profissão de risco. De risco cada vez maior, se não se impuser alguma disciplina e ordem nas escolas. Se não se acabar com essa ideia peregrina, herdado do pós 25 de Abril, de que “estudar é divertido”, estudar “é um jogo”, “os meninos brincam e passam o ano” (quando estudar é trabalhar no duro, e aprender que se tem de trabalhar na vida!). Ser professor é também optar por uma carreira (que se julga fácil, e é fácil para os medíocres e os pouco exigentes!) quando não se tem jeito para mais nada (e para ser professor também não!).
Depois da escola da reguada, castradora, puritana e dogmática do salazarismo, tivemos a escola à balda, tudo ao molho e fé na Revolução (qualquer que ela seja, desde que dê para a balda), a escola do panfleto, da passagem administrativa, das reuniões gerais, parciais, grupais, das reuniões de dois ou de cem, das manifs por dá cá aquela palha. Compreensivo até certo ponto esta viragem de 180 graus, mas, que diabo!, somos adultos e vacinados, dá para perceber que não se pode caminhar mais nesse sentido, senão o abismo é irremediável. O ensino em Portugal estava (e ainda está) uma miséria. Os alunos não sabem escrever, não sabem ler, não sabem pensar. Chegam à Universidade (os que chegam, a grande maioria dos que vou apanhando nas minhas aulas) com gravíssimas lacunas. Os (bons) professores devem ser os primeiros a exigir um melhor e mais exigente ensino. Devem procurar valorizar os (bons) professores e obrigar os maus e os medíocres a melhorarem ou a então a escolherem outras profissões (por exemplo: banqueiro. Ganha-se muito bem, não se faz muito, e se nos enganarmos, e se trapacearmos o necessário para se fazer fortuna, somos nacionalizados e acabam por pagar todos pelos nossos erros e falcatruas!). Mas o corporativismo nas escolas é aberrante. Por um lado existem as invejas e as promiscuidades que são o pão nosso de cada dia, as sacanices entre colegas são o que mais se apregoa, mas também a corrupção na divisão das regalias, o assédio na promoção, e sobretudo o compadrio e a “defesa da classe”, quando se sentem ameaçadas nalguns privilégios.
Mas, sobretudo, quando os professores se misturam com os políticos, ficam muito mal na fotografia. Porque os políticos sabem-na toda, começaram a ler todos pela mesma cartilha, e os professores deixam-se levar naquilo que (se calhar) têm de mais puro: uma certa ingenuidade. Quero acreditar que assim seja. Mas já só é ingénuo quem quer, quando se vê a Senhora Dr.ª Manuela Ferreira Leite, ilustríssima e adoradíssima ex-Ministra da Educação deste País, colocar-se ao lado dos sindicatos na véspera de uma manif e todos juntos saírem à rua, com “a revolta” da boca. Quem não se lembra das manifestações, à beira do seu Ministério, certamente de apoio á sua política, semana sim, semana não, promovidas pelos mesmo sindicatos com que agora sai à rua de braço dado? (falo em sentido figurado, obviamente. A Senhora ex-Ministra manda sair, não se mistura com a gentalha). Alguém não tem vergonha nenhuma, e não sou eu de certeza.

sexta-feira, novembro 07, 2008

BARACK OBAMA

Comecemos por uma transcrição do meu correio electrónico de ontem:

Barack Obama para eu
Lauro --
I'm about to head to Grant Park to talk to everyone gathered there, but I wanted to write to you first.
We just made history.
And I don't want you to forget how we did it.
You made history every single day during this campaign -- every day you knocked on doors, made a donation, or talked to your family, friends, and neighbors about why you believe it's time for change.
I want to thank all of you who gave your time, talent, and passion to this campaign.
We have a lot of work to do to get our country back on track, and I'll be in touch soon about what comes next.
But I want to be very clear about one thing...
All of this happened because of you.
Thank you,
Barack
Obviamente que sei que não foi Barack Obama quem me escreveu. Mas é curioso o cuidado. Há umas semanas atrás, na emoção da luta eleitoral que se passava nos EUA, mas que dizia respeito a todo o mundo (e continua a dizer, cada vez mais), inscrevi-me no site oficial de Obama, para receber notícias, e, sobretudo, num quixotesco acto de longínquo apoio, que nada queria dizer em termos de votação americana (nem sequer pude contribuir com 15 dólares para a campanha, pois só aceitavam contribuições de americanos!), mas que para mim importava como afirmação. Sei lá, o dactilógrafo ou o informático que lessem o apoio de mais um português, podiam ficar mais motivados. Sei lá! (riso).
Sei que Obama ganhou e tenho a certeza que a Internet desempenhou um papel essencial nesta campanha. A mensagem que recebi diariamente, em nome pessoal, com informações diversas, tornava milhões de seres uma comunidade reunida em redor de um homem e de um projecto. De mudança. Foi muito agradável este convívio virtual, que tornou certamente possível uma vitória e uma mudança.
Não tenham dúvidas: mudança vai haver. Aquele caminho por onde iam os EUA não se poderia continuar a percorrer, sob pena de se cair num abismo internacional. Mas há por aí muito senhor e muita senhora que afirmam não acreditar em “grandes mudanças”, que “esperam para ver”. Não tenham dúvidas também a esse respeito, e espero que ainda bem. Obama é americano, democrata, defensor de um mundo livre, não vai seguramente transformar os EUA numa “república democrática” á moda das de Leste. Se esperam para ver isso, o melhor será não esperarem. Graças a Deus ou à simples vontade dos homens.
O que espero é que haja mais respeito nas relações dos EUA com os outros povos, que os negociantes do petróleo percam poder junto de Washington, que deixem de ser eles a definir a política externa. Espero que se resolva esta crise financeira que é uma tremenda injustiça para os mais fracos, os mais humildes, os que para ela em nada contribuíram. Espero que se controle este capitalismo desenfreado que tudo leva à frente e tudo destrói com o lucro rápido em mira. Espero que se calem esses idiotas do neo-liberalismo que nunca aceitaram o Estado intervencionista, mas que agora andam por ai com o rabinho entre as pernas, ó pai, ó pai, paga-me os prejuízos! Espero que se lute por mais justiça social, por mais liberdade, por mais bem-estar, por melhor saúde, melhor educação, mais e mais cultura. Afinal que se lute por se consolidar aquilo que melhor tem a América que eu sempre admirei, a sua literatura, a sua música, o seu teatro, o seu cinema, a sua generosidade na luta pela democracia e a liberdade. Há quarenta anos na América lutava-se por direitos humanos para os negros. Hoje está um negro na Presidência da República. Com todos os seus defeitos (e são muitos!), não há, porém, muitos outros países assim. É esta América que eu quero que continue a existir e a lutar contra a outra América das trevas e do conservadorismo mais retrógrado. É essa América que nos pode inspirar. E que poderemos inspirar.
Falando de conservadorismo, há mesmo assim que fazer ressalvas. McCain foi um bom candidato republicano, pena foi ter atrás de si aquele indivíduo que manchou para sempre o historial dos elefantes. O comportamento de McCain na campanha, e após a derrota eleitoral, é de saudar. Esteve à altura de alguns republicanos que admiro, e que vão de John Ford a Clint Eastwood.
Posto isto, boa sorte a Barack Obama e obrigado à série televisiva “24” por mostrar que os EUA podiam ter um Presidente negro. Não esquecer que a série era produção Fox, o canal mais republicano dos EUA. Afinal, às vezes, escreve-se direito, por linhas tortas. Tento tentou defender a política Bush que acabou por ajudar a colocar Obama na Presidência.
Palavras de Barack Obama:
«Anunciei que disputaria a eleição por conta daquilo que Martin Luther King definiu como 'a feroz urgência do agora'.
O momento é agora.
Não quero passar os próximos 4, 8 ou 12 anos assistindo às mesmas discussões, travadas da mesma maneira e com a mesma falta de resultados. Não quero opôr os conservadores aos liberais, quero liderar os Estados Unidos da América...(...)
Em cada momento histórico surgiu uma geração capaz de se erguer e imaginar algo de melhor para este país, uma geração disposta a lutar e a se sacrificar pelas próximas gerações. Agora chegou a nossa vez de lutar.Foi por isso que decidi disputar a candidatura. Não só porque eu tenho confiança na minha capacidade de liderar o país, mas porque tenho confiança em vocês...(...)
Confio em que vocês sintam nos vossos corações a necessidade de agir de um modo melhor. Prometo-vos que se decidirem unir a mim, eu garanto: não só venceremos uma eleição mas mudaremos a face deste país.»
Barack Obama

quarta-feira, novembro 05, 2008

MILÚ

Milú (Maria de Lurdes de Almeida Lemos)
(Lisboa, 24 de Abril de 1926 - cascais, 5 de Novembro de 2008)

Foi uma mulher lindíssima, uma actriz cujo talento chegava rápido ao público, uma personalidade encantadora. Hoje, no dia em que o seu corpo deixou de respirar, recordo-a a sentar-me aos seus pés, quando os meus pais a visitavam, tinha eu oito ou dez anos e ela era uma deslumbrante vedeta, uma "star" à proporção portuguesa, e eu a olhava com os olhos do encantamento mágico. Há um ano e uns meses, no São Luiz, foi homenageada e nessa altura escrevi umas palavras que agora recordo. Aqui. Como não deixarei de a recordar nunca, nem eu nem os portugueses que a continuarão a ver e ouvir nos filmes que a imortalizaram.

ANTÓNIO TABORDA

António Taborda no Vavadiando com Irene Pimentel
ANTÓNIO TABORDA
António Taborda no último Vavadiando, ao lado de Alice Vieira
No dia 29 de Outubro, no Vavadiando com Alice Vieira, lá estava ele, atento e interveniente como sempre. António Taborda, professor, era uma das presenças constantes e estimadas destes jantares tertúlias que vão acontecendo há dois anos e tal no Café Vavá. Foi aí que o conheci, foi ai que aprendia a estimá-lo, foi através desse convívio que o convidei a depor no meu documentário sobre Humberto Delgado e as eleições de 1958, onde ele ofereceu um emocionante e comovente testemunho sobre a fraude eleitoral numa assembleia de voto onde se encontrava como representante da oposição. Foi numa dessas tertúlias iniciais que o conheci, foi na última dessas tertúlias que dele me despedi, sem o ter pressentido. Partiu ontem, subitamente. Há amigos que se fazem sem se saber como acontece a amizade. António Taborda era um amigo, de uma vasta cultura, de um generoso convívio, de uma afabilidade que não esquecerei. Um homem que gostava de falar, mas que gostava também de ouvir. Partiu na manhã de ontem. Informaram-me no Vavá, a nossa casa comum.

António Taborda preparndo-se para prestar testemunho no documentário "Humberto Delgado: Obviamente, Demito-o!"

terça-feira, novembro 04, 2008

ENCONTRO DE BLOGUES


IV Encontro de blogues

Decorre nos próximos dias 14 e 15 de Novembro de 2008, na Universidade Católica, em Lisboa, o IV Encontro de Blogues, sob o lema “Blogues e Cultura”, com o seguinte programa:

Dia 14
9:00 – Recepção
9:30 – Sessão de abertura
9:35 – Comunicação de José Luis Orihuela (Universidade de Navarra)
11:00 – 1º painel – Blogues e a actual segmentação da blogosfera
14:30 – 2º painel – Blogues culturais e educação
17:00 – 3º painel – Blogues, cultura e negócio
18:30 – Encerramento dos trabalhos do primeiro dia

Dia 15
9:30 – Ateliê de Photoshop – monitor: Dr. Mário Barros
Ateliê de Ferramentas de Web 2:0 – monitor: Dr. Gonçalo Silva

Os painéis de debate previstos para dia 14 compreendem as seguintes participações / intervenções:

1º Painel – Blogues e segmentação da blogosfera
11:00-13:00 - Moderador: Prof. Fernando Ilharco
1) Portal Sapo
2) Mariana Pinto e Sara Bica (UCP), A Interacção entre os Adolescentes e a Blogosfera – Estudo comparativo entre Oeiras e Caldas da Rainha
3) Pedro Andrade (CECL, UNL), O discurso da wikipedia sobre a blogosfera
4) Carla Cerqueira e Luísa Teresa Ribeiro (Un. Minho), Os bloggers têm sexo? Contributo para o mapeamento da participação feminina na blogosfera
5) Ana Paula Lemos (Associação Europa Viva), O blogue como instrumento de comunicação cultural e associativo
6) Catarina Rodrigues (UBI), A informação fragmentada: questões e desafios

2º Painel – Blogues culturais e educação
14:30-16:30 - Moderadora: Mestre Carla Ganito
1) Nuno Galopim ou João Lopes (Sound+Vision)
2) Mário Pires (Retorta), Para uma cultura da colaboração em rede
3) Lauro António
4) Dora Santos Silva (UNL), A “e-Biblioteca de babel”. Contributos dos blogues culturais para uma ampliação da definição e política do jornalismo cultural
5) Rogério Santos (UCP)

3º Painel – Blogues, cultura e negócio
17:00/18:30 - Moderador: Prof. Rogério Santos
1) Paulo Querido
2) Booktailors, Blogues profissionais: a blogosfera como plataforma de comunicação (caso Blogtailors)
3) Ricardo Tomé (RTP), Os blogues no processo de produção de televisão e rádio
4) Elisabete Barbosa (Un. Minho), As agências de comunicação portuguesas na blogosfera: temáticas e propósitos
5) Pedro Lains (ICS), Blogues e cultura económica
6) José Gabriel Andrade (CECC, UCP), Blogues como ferramentas da comunicação organizacional

Pode consultar informações adicionais no blogue especificamente criado a propósito deste evento.

PROFESSORES E SINDICATO

Passei pelo blogue do meu amigo Tomás Vasques, "Hoje há Conquilhas..." e surpreendi uma citação de um outro blogue, "O Voo das Palavras", de António Garcia Barreto, com a qual estou inteiramentre de acordo. Leia-se então também aqui:
«Uma das razões, porventura a mais forte, que contribui para a imagem que se tem hoje dos professores, o desrespeito de que são alvo por parte de alguns alunos e encarregados de educação, sobretudo de gente menos avisada, deve-se às políticas sindicais protagonizadas pelo sindicalista Nogueira, que transformaram uma classe digna em carne para canhão de políticas reivindicativas antigovernamentais. Hoje olha-se para um professor e vemo-lo colocado ao nível de um administrativo ou um auxiliar de educação. É a tendência para o basismo total.»
Eu sei que não é politicamente correcto concordar com esta conclusão, por demais óbvia, mas custa-me ver uma classe que tem dentro de si tanto e tão bom material humano, ser amesquinhada diariamente mercê de uma política sindical de todo em todo mal conduzida.
Os professores - classe a que desde sempre me orgulhei de pertencer! - eram uma das classes mais prestigiadas em Portugal, antes desta inglória polémica, onde ninguém tem a razão absoluta pelo seu lado, mas onde a actividade oratória do sindicalista Nogueira coloca a maioria do lado oposto aos professores. O Ministério da Educação não poderia ter melhor aliado. É que já se sabe sempre, com dias de antecedência, o que a "cassete" vem dizer. O desprestigio da politica é total em casos como este.
Acrescento fora de horas: ver Hoje Há Conquilhas.