












As meninas e senhoras que descobrirem o nome dos quatro filmes, ganham um beijo no dia dos namorados. (este concurso é puramente virtual. inflizmente.) Os senhores um abraço de parabéns!
Alguns anos depois, o mesmo Michael, agora estudante de Direito, assiste ao julgamento de umas quantas alemãs acusadas de serem responsáveis por mortes sistemáticas de mulheres judias em campos de concentração, nomeadamente durante um incêndio numa igreja depois de um bombardeamento. Elas controlavam o grupo como elementos das SS. Foram denunciadas pela publicação de um livro, escrito por uma das raras sobreviventes. Uma dessas alemãs acusadas é Hanna, que, não querendo confessar que é analfabeta, prefere assumir a mais pesada pena como autora de um ofício altamente comprometedor. Michael poderia intervir, mas não o faz. Por respeito para com a vontade de Hanna? Por vergonha de confessar a sua relação clandestina com aquela mulher? Ou seria pelo “embotamento” (como se lhe refere Bernhard Schlink) em que se encontravam os herdeiros desse pesadelo?
O romance, adaptado ao cinema de forma muito fiel pelo dramaturgo inglês David Hare, procura julgar a responsabilidade pessoal nos crimes do nazismo, adiantando uma explicação para muito do que aconteceu: o comum das pessoas era pouco mais de analfabeta e, por falta de cultura e da ausência de uma consciência de si e dos outros que ela traz, não teve a percepção dos seus actos. Hanna parte do sexo puramente físico para a descoberta do amor, Hanna começa a tomar conhecimento de si e do mundo que a rodeia, primeiro ouvindo ler, depois lendo e escrevendo. Mas, como sempre, todos preferem o silêncio e o segredo.
A segunda, e mais visível, é a forma como o filme se estrutura, numa toada de melodrama lamechas que se torna para o fim insustentável. O que no romance nunca acontece, escrito com uma sobriedade e austeridade notáveis. Não está em causa o melodrama, nem o melodrama social (“A Troca” é-o de forma brilhante), está em causa este tipo de melodrama sem densidade, de rodriguinho, de estereótipo, de situações sem a grandeza humana que justificam o drama. A realização é culpada do parcial falhanço, mas a interpretação é-o igualmente. Sobretudo a personagem de Michael, desde que atinge a idade adulta (e passa a ser representado por Ralph Fiennes, aqui estranhamente insuportável).
Tecnicamente, “The Reader” tem bons apontamentos (nomeadamente a fotografia), mas as interpretações são muito desiguais, inclusive no próprio registo de um mesmo actor, caso de Kate Winslet, que é brilhante de início, e depois se vulgariza, com uma caracterização de velhice que não se coaduna com o nível do filme, ou do já citado Ralph Fiennes, normalmente muito bem (quem não o recorda dirigido por Cronenberg?), aqui muito frio e apagado. “Embotado”? David Kross, o jovem, esse sim é uma revelação certamente a acompanhar de futuro.
O LEITOR
Título original: The Reader ou Der Vorleser
Realização: Stephen Daldry (EUA, Alemanha, 2008); Argumento: David Hare, segundo romance de Bernhard Schlink ("Der Vorleser"); Produção: Jason Blum, Donna Gigliotti, Anthony Minghella, Henning Molfenter, Redmond Morris, Arno Neubauer, Sydney Pollack, Michael Simon de Normier, Nora Skinner, Bob Weinstein, Harvey Weinstein, Charlie Woebcken; Música: Nico Muhly; Fotografia (cor): Roger Deakins, Chris Menges; Montagem: Claire Simpson; Casting: Simone Bär, Jina Jay; Design de produção: Brigitte Broch; Direcção artística: Christian M. Goldbeck, Erwin Prib; Decoração: Eva Stiebler; Guarda-roupa: Donna Maloney, Ann Roth; Maquilhagem: Ivana Primorac; Direcção de Produção: Jan Enderlein, Jennifer Lane, Aaron Levine, Jeff Maynard, Arno Neubauer; Assistentes de realização: David Blazina, Carlos Fidel, Mara Fiedler, Tarik Karam, Josh Newport, Miguel Pate, Tonja Schürmann, Richard Styles; Departamento de arte: Susann Belaval, Katja Clos, Gabriele Roß, Anu Schwartz; Som: Blake Leyh; Efeitos especiais: Michael Apling, Adolf Wojtinek; Efeitos visuais: Peter Chiang, Paulina Kuszta, Jim Rider; Companhias de produção: Mirage Enterprises, Neunte Babelsberg Film, The Weinstein Company; Intérpretes: Kate Winslet (Hanna Schmitz), Ralph Fiennes (Michael Berg), Bruno Ganz (Professor Rohl), Lena Olin (Rose Mather / Ilana Mather), Vijessna Ferkic (Sophie), Jeanette Hain (Brigitte), David Kross (Michael Berg, em jovem), Susanne Lothar (Carla Berg), Alissa Wilms (Emily Berg), Florian Bartholomäi (Thomas Berg), Friederike Becht (Angela Berg), Matthias Habich (Peter Berg), Frieder Vénus, Marie-Anne Fliegel, Hendrik Arnst, Rainer Sellien, Torsten Michaelis, Moritz Grove, Joachim Tomaschewsky, Barbara Philipp, Hans Hohlbein, Jürgen Tarrach, Kirsten Block, Vanessa Berthold, Benjamin Trinks, Fritz Roth, Hannah Herzsprung, Jacqueline Macaulay, Volker Bruch, Karoline Herfurth, Max Mauff, Ludwig Blochberger, Jonas Jägermeyr, Alexander Kasprik, Burghart Klaußner, Sylvester Groth, Fabian Busch, Margarita Broich, Marie Gruber, Lena Lessing, Merelina Kendall, Hildegard Schroedter, Alexandra Maria Lara, Martin Brambach, Michael Schenk, Ava Eusepi-Harris, Nadja Engel, Anne-Kathrin Gummich, Carmen-Maja Antoni, Petra Hartung, Linda Bassett, Beata Lehmann, Heike Hanold, Bettina Scheuritzel, Robin Gooch, Rich Odell, Sam Luca Scollin, etc. Duração: 124minutos; Distribuição em Portugal: Zon Lusomundo; Classificação etária: M/ 12 anos; Estreia em Portugal: 12 de Fevereiro de 2009;
BAFTA 2009
MILK
São esses registos que se vão intercalando na acção do filme e introduzindo novos capítulos. Como por exemplo, decorria o ano de 1970, o seu encontro com Scott Smith (James Franco) que se torna seu amante e uma personagem de forte impacto na sua vida. É com ele que deixa N.Y. em 1972, a caminho de São Francisco, onde abrem uma loja de fotografia na chamada área Castro, uma rua, ou um bairro, inteiramente dominada pela comunidade gay. É também aí que, anos mais tarde, conhece Cleve Jones (Emile Hirsch), um prostituto de Phoenix, com quem mantém uma relação, que terminará de forma trágica, é aí que inicia a sua acção de activista, sobretudo através de uma actuação junto do sindicato dos camionistas, impondo o emprego de gays, e oferecendo, em contrapartida, o apoio dos bares gays ao boicote a uma marca de cerveja.
Mas o fim de Milk estava à vista, quando o vacilante polícia Dan White (Josh Brolin), católico de ascendência irlandesa, e que chegara mesmo a ser considerado “um dos nossos” pelos gays, resolve tomar uma atitude drástica, subir as escadarias da City Hall de São Francisco e esvaziar um revólver nos corpos do “mayor” e do supervisor Milk. Seguiu-se uma das maiores vigílias de que há memória em São Francisco, com milhares de pessoas descendo as avenidas com velas nas mãos, partindo de “The Castro” em direcção ao City Hall.
Gus van Sant, o realizador, nascido nos EUA, em 1952, é autor de uma vasta obra, muito pessoal, onde a homossexualidade ocupa destacado lugar (o cineasta é assumidamente gay). Entre os seus títulos mais conhecidos contam-se “Mala Noche” (1985), “Drugstore Cowboy” (1989), “My Own Private” Idaho (1991), “Even Cowgirls Get the Blues” (1993), “To Die For” (1995) “Good Will Hunting” (1997), “Psycho” (1998), “Finding Forrester” (2000), “Gerry (2002), “Elephant” (2003), “Last Days” (2005), “Paris, je t' Aime” (episódio "Le Marais") (2005), “Paranoid Park” (2007) ou “Milk”).
Em 1984, já havia sido realizado um filme documental sobre o mesmo período e a mesma personagem. “The Times of Harvey Milk”, dirigido por Rob Epstein, ganharia o Oscar de melhor documentário de longa-metragem de 85. Escrito por Harvey Fierstein e o próprio Rob Epstein, tinha narração de Judith Coburn e apresentava imagens autênticas de arquivo onde se podiam ver Harvey Milk, Anne Kronenberg, Tory Hartmann, Tom Ammiano, Jim Elliot, Henry Der, Jeannine Yeomans, Bill Kraus, Sally M. Gearhart, John Briggs, Jerry Brown, Jimmy Carter, Dianne Feinstein, David Fowler, Joseph Freitas, Terence Hallinan, George Moscone ou Dan White.
MILK
A 5 de Agosto de 1955, morre Carmen Miranda em sua casa (Los Angeles, Beverly Hills, Bedford Drive, 616), aos 46 anos de idade, vítima de um colapso cardíaco, após filmar com Jimmy Durante um programa para a televisão. A 12 de Agosto, o corpo embalsamado chega ao Brasil, para ser velado na antiga Câmara de Vereadores do Rio. Das 13 horas desse dia até às 13 horas do dia 13, mais de 60.000 pessoas desfilaram em preito de gratidão e homenagem. No dia seguinte, Carmen Miranda seria sepultada no Cemitério de São João Batista, num lote cedido pela Santa Casa de Misericórdia. Fala-se que entre 500.000 e um milhão de pessoas acompanhou o enterro, que foi considerado o mais concorrido de toda a história do Rio de Janeiro. O Brasil chorava a diva que Portugal tinha oferecido ao mundo.
Em 26 de Setembro de 1926, a revista "Selecta" publica o retrato de CM, na secção de cinema do jornalista Pedro Lima, sem citação de seu nome. Três anos depois canta num festival, organizado pelo baiano Aníbal Duarte, no Instituto Nacional de Música no centro do Rio. Josué de Barros, compositor e violonista baiano, interessa-se por esta voz e promove-a junto de estações de rádio, clubes e discográficas. No mesmo ano, canta na Rádio Educadora e na Rádio Sociedade. Em Setembro, grava o seu primeiro disco na Brunswick (Lado A: "Não Vá Sim'bora", samba, Lado B: "Se O Samba É Moda", chôro), lançado no fim do ano, e, em Dezembro, volta a gravar, pela etiqueta Víctor, com "Triste Jandaia" e "Dona Balbina".


NO BRASIL
Carmen Miranda: "Nasci em Portugal, mas me criei no Brasil e, portanto, considero-me brasileira. O local do nascimento não importa, nem sequer o sangue. O que importa é o que os americanos chamam de "environment", a influência do país e dos costumes em que vivemos, se bem que sempre existe um grau de gratidão e fidelidade aos pais que nos geraram. Da minha parte, sou mais carioca, mais sambista de favela, mais carnavalesca do que cantora de fados. O sangue tem uma certa importância, mas só no temperamento, não na maneira de sentir as coisas."
Heitor Villa Lobos, compositor: "Nenhum brasileiro pode ignorar o que Carmen fez por nós lá fora. Ela espalhou nossa língua, ensinou pessoas que nunca ouviram falar da gente a cantar nossas músicas e a amar nossos ritmos. Ela irá sempre significar muito para nós."
Kevin Stayton, vice - director do Brooklyn Museum: “Carmen Miranda era uma portuguesa que virou brasileira e levou a sua música e as suas fantasias - temperadas com elementos e ritmos dos escravos - para os Estados Unidos, e ainda conquistou a América através do cinema. E tudo isso em plena Segunda Guerra Mundial.”
"A Vida Privada de Salazar"
Quando ouvi falar na rodagem de “A Vida Privada de Salazar”, antecipei o pior, depois de livro de Felícia Cabrita, que oferecia pistas para uma escabrosa história de sexo e poder. Quase todos os portugueses sabiam do que se pretendia ter sido um “flirt” platónico com a jornalista francesa Christine Garnier que, no Verão de 1951, veio a Portugal fazer-lhe uma entrevista que deveria durar umas horas e acabou numa longa estada no retiro do Vimeiro, que culminaria num livro, “Vacances avec Salazar”. Mas, para lá desta aventura sentimental (e sexual), muitas outras se foram depois conhecendo a Salazar. Depois e antes, logo desde o seu tempo no seminário. É isso que esta mini-série de 180 minutos (dividida em dois episódios de 90’) pretende contar, partindo obviamente do livro de Christine Garnier que, apaixonada pelo ditador, tudo a ele entregou, a honra pessoal e a honra literária, e de algumas outras obras biográficas entretanto aparecidas.
O resultado, porém, é uma agradável surpresa. A realização de Jorge Queiroga é de uma enorme sobriedade e eficácia, delicada e subtil nas sugestões (mesmo que aqui e ali force o tom erótico, por força do apelo comercial). A narrativa evolui com alguma argúcia, por entre diversas épocas e rostos de mulheres. Falta-lhe apenas, o que é grave, uma maior contextualização política e social. Os diálogos não ofendem. A reconstituição histórica, de ambientes e personagens, muito boa, credível e de bom gosto. (Quando não inventam quedas na banheira, que nunca existiram). Boas a fotografia e a partitura musical. E a interpretação bastante uniforme e bem conseguida, discreta, interiorizada, contida, feita de olhares e de gestos esboçados, conferindo ao todo uma consistência inusitada. Haverá quem não goste de ver esta “Vida Privada de Salazar”, mas tecnicamente e artisticamente, esta é definitivamente uma aposta ganha.
Título original: A Vida Privada de Salazar
QUEM QUER SER BILIONÁRIO?
Da Índia o cinema deu já centenas de olhares, muitas vezes complementares. Quem viu "Calcutta", de Louis Malle, viu uma Índia. Quem assistiu a “Pather Panchali”, de Satyajit Ray, ou "Salaam Bombay!", de Mira Nair, uma outra. Vista de dentro. "A Passage to India", de David Lean, ou "Gandhi", de Richard Attenboroug, refere uma Índia diferente, com o seu vestígio colonial, bem como “India Song”, de Marquerite Duras, desta feita numa perspectiva francófona. Uma obra-prima como “Rio Sagrado”, de Jean Renoir, apresenta um outro olhar, e quase todos estes são olhares cruzados, provenientes de diferentes civilizações e culturas (muitas vezes de culturas que se identificam ora com colonizados, ora com colonizadores). Haveria centenas de filmes a referir, porque a índia sempre foi cenário apetecível para o cinema, do mistério ao romantismo, do teror ao exotismo.
A forma inteligente e ágil como Danny Boyle entrelaça estas duas realidades, mercê de uma montagem nervosa, sincopada, de ritmo por vezes avassalador, é um dos méritos desta película que conta ainda com uma excelente interpretação, nomeadamente dos actores mais jovens e do seu protagonista. A fotografia é igualmente notável, oferecendo-nos as cores de uma Bombaim (ou Mumbai) cheia de contrastes, onde o “straigth for life” fomenta as formas mais atrevidas de procurar alimento, de chegar até um ídolo da canção, de roubar turistas ou o vizinho do lado. O dinheiro é o fito maior, a miragem da independência, mesmo quando só serve para encher de notas sem préstimo uma banheira onde se espera a morte anunciada. A tiros de revólver.
QUEM QUER SER BILIONÁRIO?


Mas há mais a considerar. Sócrates desce um pouco na popularidade, mas é, ainda assim, e sem rival perto, o mais popular (saldo positivo de 20, 6%; desce 3, 2), e Manuela Ferreira Leite desce para os -10, 5. Um dos piores resultados de sempre do PSD. Francisco Louça mantém um saldo positivo de 4,3%, Paulo Portas fica-se pelos 3,1%, positivos, Jerónimo de Sousa tem um saldo negativo de 5,8%.
(Veja tudo no Expresso de 8.2.2009)
Veja mais dados sobre esta e outra sondagem no blogue Da Literatura.
Apeteceu-me reler a obra, uma das suas que pela primeira vez descobri, ainda adolescente.
Que assombração! Que deslumbramento!
Como se escreve límpido e profundo, como se ficciona e se filosofa.
Como se pensa a vida na inevitabilidade da morte. Como se pensa a vida e a morte “do interior de mim”.
Um exemplo:
“E, todavia, sei-o hoje, só há um problema para a vida, que é o de saber, saber a minha condição, e de restaurar a partir daí a plenitude e a autenticidade de tudo – da alegria, do heroísmo, da amargura, de cada gesto. Ah, ter a evidência ácida do milagre do que sou, de como infinitamente é necessário que eu esteja vivo, e ver depois, em fulgor, que tenho de morrer. A minha presença de mim a mim próprio e a tudo o que me cerca é de dentro de mim que a sei – não do olhar dos outros.”
(Aparição, 1959).
Corvos - Alabama Song