terça-feira, outubro 27, 2009

NOVA REVISTA: INUTIL

:
INÚTIL
Saiu uma nova revista.
Chama-se "Inútil", é dirigida pela Maria Quintans,
João Concha e Ana Lacerda.
Graficamente, não é uma revista, é uma obra de arte.
Para folhear com prazer, lentamente,
ler poesia, prosa, textos avulsos,
e admirar fotografias e desenhos
(por vezes prodigiosos).
Quase todos os seus autores têm blogues.
Uns nasceram neles para a escrita ou a arte,
outros aterraram neles.
Há para todos os gostos, e para muitos bons gostos.
Raros são os desgostos, que também os há.
Mas, globalmente, é uma surpresa admirável
e um acto de coragem editorial fabuloso.
Anda por lá perdido um texto meu,
sobre a "Ira" que dá o mote ao número,
número que se deseja o primeiro de uma longa série.
Pessoalmente sinto-me imensamente feliz por este parto.
Que, de certa forma, é fruto dos "Vavadiando"
e dos convívios que neles se foram estabelecendo.
Direi mais sobre esta "Inútil",
mas para já fica o desafio: não percam a revista,
só há 500 exemplares à venda,
não percam nem um,
porque vai esgotar rapidamente,
e vai constituir raridade bibliográfica.
Vejam a lista de colaboradores
(é só clicar na imagem para ler melhor)
e imaginem o que será.
Pois bem, é muito melhor que isso.

segunda-feira, outubro 26, 2009

CINEMA E LITERATURA

:
A começar hoje, na Reitoria da Clássica
entrada livre neste módulo

CINE ECO 2009 - PRÉMIOS

:
“PARE, ESCUTE E OLHE”,
DOCUMENTÁRIO DE JORGE PELICANO
CONQUISTA 3 GRANDES PRÉMIOS
DO CINE’ECO 2009,
XV FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA E VÍDEO
DA SERRA DA ESTRELA, SEIA, PORTUGAL


O Documentário “Pare, Escute e Olhe”, de Jorge Pelicano foi o grande vencedor do Cine’Eco 2009 – XV Festival Internacional de Cinema de Ambiente de Seia ao arrebatar os três principais prémios do Festival. A obra foi distinguida pelo Júri Internacional com o Grande Prémio do Ambiente (Câmara Municipal de Seia) – Campânula de Ouro, que é o prémio maior do Festival. O Júri da Lusofonia atribuiu-lhe também o Grande Prémio da Lusofonia e Campânula de Ouro e o Júri da Juventude, destacou-o com o Prémio Especial da Juventude.

“Pare, Escute, Olhe” é uma viagem por um Portugal profundo e esquecido, conduzida pela voz soberana de um povo inconformado, maior vítima de promessas incumpridas dos que juraram defender a terra. O povo ficou isolado no único distrito do país sem um único quilómetro de auto-estrada.

O Júri Internacional, onde pontuam nomes como os actores Laura Soveral, Ricardo Pereira, Anabela Teixeira, Susana Borges, Silvina Ribeiro e a Directora do Festival de Cinema de Ambiente de Washington, atribuiu os seguintes Prémios:

- Prémio Educação Ambiental - “Morrer na Abundância” de Yougos Avgeropoulos (Grécia)
- Prémio “Água” - “Um Rio Invisível”, de Renata Druck (Brasil)
- Prémio Valorização de Resíduos - “Viver com Vergonha”, de Huaqing Jin (China)
- Prémio “Vida Natural - “A Árvore da Música”, de Otávio Juliano (Brasil)
- Prémio “Polis” - “Em nome da Terra”, de Rita Saldanha (Portugal)
- Prémio Antropologia Ambiental - “A Dádiva da Pachamama”, de Toshifumi Matsushita (Bolivia, Japão)
- Vídeo Não Profissional - “Dá-me um abraço”, de Geert Droppers (Holanda)
- Prémio Camacho Costa - “Não é Grave”, de Sersar Yacine (França)
Prémios Especiais do Júri Internacional:
- “Arrakis”, de Andrea Di Nardo (Itália)
- “Nadar Livremente” de Jennifer Galvin (EUA)
- “O Espírito do porco”, de Chico Faganello, Dauro Veras (Brasil)

O Júri da Lusofonia, constituído pela escritora Brasileira Denise Godoy, o Antropólogo, António Colaço, o cantor e compositor Angolano Mano Ray, a Jornalista Licínia Girão e o Empresário Alberto Toscano atribuiu os seguintes Prémios:

- Grande Prémio da Lusofonia - “Pare, Escute e Olhe”, de Jorge Pelicano (Portugal);

- Prémio Ambiente de Lusofonia – “Direitos dos Animais”, de Pedro Barbosa

Menções Honrosas:
- “Os Últimos Moinhos” de Luís Silva (Seia, Portugal);
- “A Árvore da Música”, de Otavio Juliano
- “Kalunga” de Luís Elias, Pedro Nabuco e Sylvestre Campe

O Júri da Juventude, atribuiu os seguintes Prémios:

Grande Prémio da Juventude: “Pare, Escute e Olhe”, de Jorge Pelicano (Portugal) pela consciencialização social e política, pela questão da macrocefalia e pela magnificência do nível técnico.
Menção Honrosa: “ Arrakis”, Andrea Di Nardo (Itália), pela visão conceptual e poética.

Menção Honrosa: “É proibido respirar”, de Ricky Farina, Pietro Menditto e Diego Fabrício (Itália) pela sensibilização dos malefícios do Consumo desregrado e pelo seu cariz experimental.

Decidiu ainda atribuir o Prémio para o melhor filme de animação a “Peripheria”, de Barelli Barcel (Suiça).

O Júri das Extensões atribuiu os seguintes Prémios:
- Prémio “CineEco em Movimento” – “Milho”, de José Barahona (Portugal);
Menção Honrosa – “Condomínio da Terra – Organizar a Vizinhança Global”, de Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza (Portugal).

sexta-feira, outubro 16, 2009

TEATRO: SEIS PERSONAGENS À PROCURA DE AUTOR

:


“SEIS PERSONAGENS À PROCURA DE AUTOR”

Com “Seis Personagens à Procura de Autor”, Luigi Pirandelo (1867-1936) revolucionou por completo o teatro no inicio do século XX, colocando-o no centro da própria intriga teatral. A peça, escrita em 1921, não será certamente a primeira que introduz o artifício de chamar a estrutura cénica ao centro da acção teatral, mas é seguramente a primeira que o faz de forma consciente e debatendo profundamente as relações entre realidade e fantasia, entre autor e personagem, entre o palco e a vida. Entre Personagem, Actor, Autor e Encenador.
O próprio Pirandelo, num prefácio à sua peça, explica a sua génese, afirmando que a “Fantasia teve, alguns anos atrás, a pérfida inspiração ou o malfadado capricho de conduzir a minha casa uma família inteira, descoberta não sei onde nem como, mas que, em seu entender, poderia fornecer-me o tema para um magnífico romance.”
“Na minha frente deparei com um homem à roda dos cinquenta anos, de casaco escuro e calças claras, de aspecto sombrio e olhar amargurado pelas mortificações sofridas; uma pobre viúva vestida de luto, segurando por uma mão uma menina de quatro anos e pela outra um rapazinho de pouco mais de dez anos; uma rapariga insolente e provocante, também de negro vestida, mas com uma ostentação arrogante e equívoca, toda ela um frémito de irónico desdém contra aquele pobre homem mortificado e contra um rapaz de vinte anos que se escondia atrás dos outros, fechado em si como se os outros lhe não causassem senão desprezo. Em suma, aquelas seis personagens tal como aparecem no palco, no princípio da peça, E ora uma ora outra, e às vezes procurando interromper-se umas às outras, empenhavam-se em narrar-me os seus tristes sucessos, gritar-me as suas razões, atirar-me ao rosto as suas desordenadas paixões, mais ou menos como fazem na peça ao desventurado Director de cena.”
Assim é na peça: quando o público entra na sala o palco está aberto, a cena sem cenários, e meia dúzia de técnicos deambulam por ali, com um ar apressado, preparando um ensaio que irá acontecer a seguir. Entram depois os actores e o encenador, e principia o ensaio, quando subitamente irrompe no palco um grupo de seis personagens que “procuram um autor”. Foram recusados até aí por um autor, mas não se conformam, querem viver a sua vida de personagens e não desistem dela. Impõem-se lentamente perante o grupo que os olha atónito. Actores e encenador não sabem o que fazer diante de personagens que começam a desfiar dramas pungentes, acusações, silêncios dolorosos, existências trágicas, inexistências, vinganças, recriminações, abusos, invenções sonhadas ou realidades vividas. Eles têm uma história e querem-na tornar pública, querem que o público os ouça através da sua assunção como “personagens”. Não querem que os “actores” os interpretem. Querem ser eles próprios “a serem eles próprios”. O que cria uma certa tensão dramática no palco, porque nunca se vira assim personagens à solta, libertas de um autor, sem a direcção de um encenador, sem o enquadramento de um palco, sem prévios ensaios que os encaixem numa estrutura pré-estabelecida. Estes “seis personagens” são rebeldes indomáveis, sobretudo o pai que conduz a revolta e a enteada que funciona como contraponto do que o pai vai afirmando. A mãe limita-se a estar presente, o filho de vinte anos, esse nem quer estar presente, e os dois filhos mais novos “não estão presentes”, são ausências, fantasmas de mortos. Mas o grupo entra como um todo, como se de uma unidade única se tratasse e lentamente vai-se fragmentando, ocupando o palco, até se retirar no final como sombras. Ainda Pirandelo: “Qual é o autor que poderá dizer alguma vez como e porquê nasceu na sua fantasia uma personagem? O mistério da criação artística é o mesmo mistério do nascimento natural. Uma mulher que ama pode desejar ser mãe; mas esse desejo apenas, por mais intenso que seja, não basta. Um belo dia ela descobrirá que vai ser mãe, sem uma advertência precisa de quando tenha acontecido. Assim também um artista, vivendo, acolhe em si germes inúmeros de vida, e nunca poderá dizer como nem porquê, em dado momento, um desses germes vitais, fecundado pela fantasia, se transforma numa criatura viva, situada num plano de vida superior ao da volúvel existência quotidiana.” “Posso apenas dizer que, sem tê-las de maneira nenhuma procurado, encontrei diante de mim aquelas seis personagens que ora se vêem em cena, vivas ao ponto de poder tocar-lhes e ouvir-lhes a respiração. E as seis, na minha frente, esperavam, cada uma com o seu tormento interior e secreto, irmanadas pelo nascimento e pelo entrelaçar das suas vicissitudes recíprocas, que eu as introduzisse no munda da arte e com as suas pessoas, as suas paixões e os seus casos compusesse um drama, um romance ou pelo menos uma novela. Nados vivos, aspiravam a viver.”
É esta obra, absolutamente genial, e ainda hoje perturbadora, que Jorge da Silva Melo encenou e estreou no Teatro São Luiz. Num espectáculo que vale sobretudo pela reposição da peça em Portugal. Eu já a vira em duas versões magníficas, uma, absolutamente fora de série, trazida pela brasileira Cacilda Becker, ao lado de Paulo Autran, numa curta temporada no Teatro Monumental, se é que me recordo bem. Outra no Teatro Avenida, na Companhia “Teatro de Sempre”, numa encenação de Gino Saviotti, com Rogério Paulo, Adelina Campos, Cármen Dolores, Samuel Dinis, Madalena Sotto, Mário Pereira, Constança Navarro, Fernanda Alves, Armando Caldas, entre outros.
A versão de Jorge Silva Melo é escorreita, tem algumas boas soluções (a aparição das seis personagens, a evocação de Madame Pace, o final). Entre os actores, João Perry no pai é brilhante, Lia Gama na mãe deverá ter um dos papéis mais ingratos da sua carreira, mas consegue “estar em situação” durante toda a peça, mostrando-se igualmente uma excelente actriz. Já Silvie Rocha, uma actriz talentosa, que já vimos fazer papéis muito interessantes, aqui destoa em toda a linha numa composição cuja razão de ser não compreendemos. Finalmente, o restante elenco, muito jovem, com uma ou outra excepção, é fraco. Saúde-se a aparição de Mariema.

Luigi Pirandello, Prémio Nobel de Literatura em 1934, nasceu Agrigento, Sicília, Itália, a 28 de Junho 1867, e faleceu em Roma, a 10 de Dezembro 1936. Dramaturgo, poeta e romancista. Para lá de “Seis Personagens à Procura de Autor” outras obras importantes de Luigi Pirandelo são, “Para Cada um sua Verdade”, “Esta Noite Improvisa-se”, “Um, Ninguém e Cem Mil”, “Henrique IV”, “A Bilha”, “Ele Foi Mattia Pascal” (ou “O Falecido Mattia Pascal”), “O Marido de Minha Mulher”, entre muitos outras.

“Seis Personagens à Procura de Autor”, no Teatro de São Luiz. Texto: Luigi Pirandello. Tradução: Mário Feliciano e Fernando José Oliveira. Encenação: Jorge Silva Melo. Cenografia e Figurinos: Rita Lopes Alves. Luz: Pedro Domingos. Com: João Perry, Lia Gama, Sylvie Rocha, Pedro Gil, Cândido Ferreira, Pedro Luzindro, Alexandra Viveiros, John Romão, Vânia Rodrigues, António Simão, João Meireles, João Miguel Rodrigues, Joaquim Pedro, Miguel Telmo, Pedro Carraca, Pedro Lacerda, Rita Brütt, Diogo Correia, Jéssica Anne, João Delgado, Luís Godinho, Pedro Lamas, Ricardo Batista, Rui Rebelo, Sara Moura, e a participação especial de Mariema.


segunda-feira, outubro 12, 2009

AUTÁRQUICAS DE NOVO, CÁ POR COISAS

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ALGUMAS CONCLUSÕES A QUENTE

Fechado o ciclo eleitoral de 2009, há algumas conclusões a extrair muito curiosas:
- Uma derrota estrondosa do PSD nacional, encabeçado por Manuela Ferreira Leite, que agora, nas autárquicas, foi amplamente confirmada. Alguns dos autarcas do PSD eleitos com maiorias expressivas não podiam ser mais cáusticos em relação a MFL (veja-se, a título de exemplo, Luís Filipe Meneses, em Gaia, e Moita Flores, em Santarém, chegando este último a dizer publicamente que não votaria em MFL nas legislativas). Depois, a (escassa) vitória do PSD em número de Câmaras ganhas não pode, nem de perto nem de longe, ser atribuído à direcção nacional, mas sim ao carisma e ao bom trabalho de muitos autarcas (Sintra, Cascais, Faro, Famalicão, etc. seriam autarquias ganhas obviamente pelos candidatos laranjas, com ou sem ajuda de MFL, e a do Porto foi ganha por Riu Rio, “apesar” de MFL).
- Uma derrota esmagadora do Bloco de Esquerda que demonstrou na prática que não vale nas autarquias (isto é, no “campo”, no trabalho prático) um terço do que pareceu valer a nível nacional, nas europeias e legislativas. Uma coisa é o blá, blá contestatário, onde vale tudo para arregimentar descontentes, que vende bem e engana ingénuos e papalvos a nível de Parlamento (“deixem lá chegar ao Parlamento estes gajos refilões, para animar a malta!”, terão pensado alguns, enquanto outros, fervendo de raiva, iam votar nos que “mais mal” diziam do governo), mas já não vende a nível autárquico, pois sabe-se bem quem trabalha e é competente e não vive só de bazófia.
- A CDU no poder local mantém a influência que lhe advém de algumas boas experiências. Não é um partido que incha e desincha ao sabor do vento, tem obra feita que o ilustra, e viu-se o resultado: ganhou e perdeu, mas manteve uma impressionante estabilidade.
- Uma vitória saborosa do PS e aliados em Lisboa, mostrando que “quem une ganha, quem desune perde”, como foi dito, e bem, por António Costa. Refira-se que Pedro Santana Lopes não se finou ainda desta vez, aguentou-se bem, e vai “continuar a andar por aí”, como vereador ou não. Aposto que como vereador (porque tem visibilidade), mas sem terminar o mandato (porque é assim mesmo). A ver vamos.
- Sublinhe-se a vitória de Rui Rio no Porto, um homem que enfrentou vários “núcleos duros” de interesses criados no concelho, nomeadamente ao nível do futebol, e que conseguiu trazer alguma transparência à administração autárquica. Os portuenses reconhecerem o esforço e a coragem, e alguns portistas de certeza que também o fizeram.
(Pessoalmente congratulo-me ainda com as claras vitórias de Armindo Costa, em Famalicão, de Norberto Patinho, em Portel, e de Carlos Filipe Camelo, em Seia. Do que sei, pelos contactos pessoais e profissionais mantidos com todos eles, bem merecem os resultados.)
(Volto a colocar este post, dado que o mesmo desapareceu durante a noite do meu Facebook. Estranho, não é?)

O QUE AS AUTÁRQUICAS DISSERAM, II

:

ALGUMAS CONCLUSÕES A QUENTE

Fechado o ciclo eleitoral de 2009, há algumas conclusões a extrair muito curiosas:
- Uma derrota estrondosa do PSD nacional, encabeçado por Manuela Ferreira Leite, que agora, nas autárquicas, foi amplamente confirmada. Alguns dos autarcas do PSD eleitos com maiorias expressivas não podiam ser mais cáusticos em relação a MFL (veja-se, a título de exemplo, Luís Filipe Meneses, em Gaia, e Moita Flores, em Santarém, chegando este último a dizer publicamente que não votaria em MFL nas legislativas). Depois, a (escassa) vitória do PSD em número de Câmaras ganhas não pode, nem de perto nem de longe, ser atribuído à direcção nacional, mas sim ao carisma e ao bom trabalho de muitos autarcas (Sintra, Cascais, Faro, Famalicão, etc. seriam autarquias ganhas obviamente pelos candidatos laranjas, com ou sem ajuda de MFL, e a do Porto foi ganha por Riu Rio, “apesar” de MFL).
- Uma derrota esmagadora do Bloco de Esquerda que demonstrou na prática que não vale nas autarquias (isto é, no “campo”, no trabalho prático) um terço do que pareceu valer a nível nacional, nas europeias e legislativas. Uma coisa é o blá, blá contestatário, onde vale tudo para arregimentar descontentes, que vende bem e engana ingénuos e papalvos a nível de Parlamento (“deixem lá chegar ao Parlamento estes gajos refilões, para animar a malta!”, terão pensado alguns, enquanto outros, fervendo de raiva, iam votar nos que “mais mal” diziam do governo), mas já não vende a nível autárquico, pois sabe-se bem quem trabalha e é competente e não vive só de bazófia.
- A CDU no poder local mantém a influência que lhe advém de algumas boas experiências. Não é um partido que incha e desincha ao sabor do vento, tem obra feita que o ilustra, e viu-se o resultado: ganhou e perdeu, mas manteve uma impressionante estabilidade.
- Uma vitória saborosa do PS e aliados em Lisboa, mostrando que “quem une ganha, quem desune perde”, como foi dito, e bem, por António Costa. Refira-se que Pedro Santana Lopes não se finou ainda desta vez, aguentou-se bem, e vai “continuar a andar por aí”, como vereador ou não. Aposto que como vereador (porque tem visibilidade), mas sem terminar o mandato (porque é assim mesmo). A ver vamos.
- Sublinhe-se a vitória de Rui Rio no Porto, um homem que enfrentou vários “núcleos duros” de interesses criados no concelho, nomeadamente ao nível do futebol, e que conseguiu trazer alguma transparência à administração autárquica. Os portuenses reconhecerem o esforço e a coragem, e alguns portistas de certeza que também o fizeram.
(Pessoalmente congratulo-me ainda com as claras vitórias de Armindo Costa, em Famalicão, de Norberto Patinho, em Portel, e de Carlos Filipe Camelo, em Seia. Do que sei, pelos contactos pessoais e profissionais mantidos com todos eles, bem merecem os resultados.)
(Volto a colocar este post, dado que o mesmo desapareceu durante a noite do meu Facebook. Estranho, não é?

domingo, outubro 11, 2009

O FEITICEIRO DE OZ, NO CINEMA E NO TEATRO

:
O FEITICEIRO DE OZ (The Wizard of Oz)
DE HOLLYWOOD À RUA DAS PORTAS DE SANTO ANTÃO
“O Feiticeiro de Oz”, de Victor Fleming, é, segundo estatísticas certamente falíveis, mas que se julgam mesmo assim irrecusáveis, o filme mais visto de sempre, e seguramente um dos mais amados. Tendo em conta as vezes sem fim em que continua a passar pelos ecrãs de televisão de todo o mundo, esta é uma afirmação que não sofre grande contestação. Isto apesar de a sua estreia não ter sido gloriosa. O sucesso inicial não foi tremendo, como se poderia hoje imaginar, mas “O Feiticeiro de Oz” acabaria por ser reconhecido através dos tempos e julga-se hoje em dia que será o filme mais visto de sempre mercê das suas múltiplas passagens em canais de televisão de todo o mundo, com uma periodicidade regular e intensa. Gerações e gerações de pais e filhos já viram, no cinema e na TV, repetidas vezes até, “O Feiticeiro de Oz”, e preparam o caminho para outras tantas gerações que aí estão prontas a assistirem às aventuras de Dorothy, uma rapariga do Kansas que, pela magia do cinema, consegue viajar “para lá do arco íris”.
“The Wizard of Oz”, rodado em 1939, e assinado por Victor Fleming, é uma adaptação de um romance de L. Frank Baum. Conta com uma fabulosa partitura musical assinada por Harold Arden e E.Y. Harburg. Nas canções e na música adicional destaca-se Herbert Stothart que, conjuntamente com George Stoll, conduziu a orquestra da M.G.M. nas sessões de gravação em estúdio. Mas sabe-se que mais nove compositores tiveram relevantes contribuições, escrevendo e orquestrando excertos desta lendária partitura. Estão neste caso George Bassman, Murray Cutter, Bob Stringer, Paul Marquardt, Leo Arnaud e Conrad Salinger, além de Roger Edens e Ken Darby, que se ocuparam dos arranjos vocais.
Se a génese musical desta obra foi complicada, não menos terá sido a realização. Em 1939, a MGM, então uma das mais poderosas “majors” de Hollywood, tinha em produção, entre outros, dois mega espectáculos: este “O Feiticeiro de Oz” e ainda “E Tudo o Vento Levou”. Curiosamente, ambos os filmes aparecem assinados por um mesmo realizador, Victor Fleming, ainda que em ambas as obras tivessem surgido vários outros cineastas. Uma história que merece ser recordada...
Falemos então da realização de “O Feiticeiro de Oz”. O arranque inicial é dado por Richard Thorpe, um realizador que no princípio da carreira se especializou em filmes de série B, ligado a quase toda a excelente série Tarzan, interpretado por Johhny Weissmuller, e que se tornará notado, nos anos 50, pelas suas aventuras históricas – “Ivanhoe”, “O Prisioneiro de Zenda” ou “Os Cavaleiros da Távola Redonda”. Richard Thorpe filma durante doze dias, mas nada do que registou em película seria aproveitado na versão definitiva. Segue-se-lhe George Cukor, que ainda está menos tempo à frente do projecto, mas que acaba por ter uma contribuição decisiva na forma como dirige Judy Garland, ou não fosse Cukor um excelente director de actrizes. Cukor sai da realização de “O Feiticeiro de Oz” para ir tomar conta de “E Tudo o Vento Levou” e traçar o perfil de Scarlet O’Hara. Para a direcção de “O Feiticeiro de Oz” vem então Victor Fleming que assina 90% do material filmado. Mas, quando começam igualmente a surgir problemas com George Cukor e Sam Wood na realização de “E Tudo o Vento Levou”, a MGM envia Victor Fleming para acabar este filme e coloca o seu amigo King Vidor a terminar as sequências de “Oz”. Curiosamente, todas as cenas filmadas por King Vidor são das mais célebres desta obra – o arranque no Kansas e a sequência do tornado, ou a despedida de Dorothy de Munchkindland.
Victor Fleming, nascido a 23 de Fevereiro de 1883, veio a falecer a 6 de Janeiro de 1949. Inicialmente piloto de carros de corrida, Fleming estreou-se no cinema como fotógrafo, trabalhando com realizadores como Allan Dwan e David W. Griffith e actores como Douglas Fairbanks. Em 1919 passa a realizar as suas próprias obras. Mas foi entre as décadas de 30 e 40 que assina as suas obras mais conhecidas, como “O Médico e o Monstro”, uma versão interpretada por Spencer Tracy e Ingrid Bergman, “A Star is Born”, “E Tudo o Vento Levou”, “O Feiticeiro de Oz” ou “Joana de Arc”, seu derradeiro título, de 1948.
“O Feiticeiro de Oz” foi adaptado ao cinema por uma vasta equipa de que faziam parte os escritores e argumentistas Noel Langley, Florence Ryerson e E.A. Woolf, mas a que se haveria ainda de acrescentar a colaboração de alguns outros não incluídos no genérico oficial, como Arthur Freed, Herman Mankiewicz, Sid Silvers ou Ogden Nash. L. Frank Baum fora o autor de “The Wonderful Wizard of Oz” (romance escrito em 1899 e publicado no ano seguinte), que estaria na base do filme.
Mas antes de surgir no cinema, passara pelo teatro, num “musical” que percorreu os EUA entre 1902 e 1903. A estreia deu-se na Grand Opera House, em Chicago, a 16 de Junho de 1902, com actores de “vaudeville” como David Montgomery (O Homem de Lata) e Fred Stone (O Espantalho). A 21 de Janeiro de 1903, o mesmo show aparecia na Broadway, no Majestic Theatre, de Nova Iorque, para uma prolongada estadia de 290 representações (o maior êxito do ano!), que se estenderia depois a uma “tournée” pelos EUA que duraria até 1911.
Mark Evan Swartz, autor do livro “Oz Before the Rainbow”, aparecido em 2000, estabelece uma compilação das diferentes adaptações para cinema e teatro conhecidas antes da versão de 1939, e depois, definindo ainda uma listagem de obras directamente influenciadas pelo filme de Fleming. Entre as versões cinematográficas citam-se: “The Wizard of Oz” (1908), “The Wonderful Wizard of Oz” (1910), com Bebe Daniels, uma criança de nove anos no papel de Dorothy, e ainda mais duas versões do mesmo ano, produzidas pela Selig Polyscope Company, uma “Dorothy and the Scarecrow in Oz” (1910), e outra “The Land of Oz” (1910). Em 1914, o próprio escritor, L. Frank Baum, produz três versões, todas oriundas da sua companhia, a Oz Film Manufacturing Company, “The Patchwork Girl of Oz”, “The Magic Cloak of Oz”, e “His Majesty, the Scarecrow of Oz”, que afirmam ser a que de mais perto segue o livro. Em 1921, surge mais uma “The Wizard of Oz” e em 1925 outra, da Chadwick Pictures, com Bucha e Estica, sendo a realização de Larry Semon. Mas muitas versões mais se poderiam acrescentar à longa lista: “The Scarecrow of Oz” ou “The Land of Oz” (1931), uma curta-metragem de fantasia, uma versão canadiana, de 1933, sem diálogos e com algumas cenas a cores e em animação, e uma outra versão de 1938, igualmente em animação.
Depois do filme que imortalizou Judy Garland, apareceu uma versão animada da cadeia de TV ABC, com o título “Off to See the Wizard” (1967) e Sidney Lumet, em 1978, dirigiu “The Wiz”, adaptação do musical da Broadway, de William F. Brown e Charlie Smalls, com Diana Ross na protagonista, e Michael Jackson na personagem do “Espantalho”.
Sendo um dos filmes mais célebres e citados da história do cinema, natural é que seja igualmente dos mais parodiados e homenageados noutras obras de cinema. The Muppet Movie (1979) é uma delas, com uma viagem iniciática de Kermit a Hollywood (a sua Terra de Oz), onde para lá de outras referências surge uma versão actualizada de “Somewhere Over the Rainbow”, “The Rainbow Connection”. Mas podem referir-se muitas outras citações: “Under the Rainbow” (1981), “Ozu no Mahotsukai” (1982), animação de Takayama Fumihiko, “Return to Oz” (1985) com Fairuza Balk na figura de Dorothy, numa produção não musical e em imagem real dos estúdios Disney, o belíssimo filme de David Lynch, “Wild at Heart” (1990), que refere Oz, tal como a superprodução de Jan de Bont, “Twister” (1996), onde Dorothy é o nome do tornado. Também Robert Zemeckis, em “Contact” (1997) não esquece Oz, nem a canção "Over the Rainbow", ou um balão de ar quente com a inscrição impressa “This Way To Oz". Em “Face/Off” (1997), de John Woo, "Over the Rainbow" é a canção que se ouve durante uma das cenas chave da película.
O caos que reinou durante as filmagens inspirou Steve Rash para realizar “Under the Rainbow” (1981), uma comédia louca com Chevy Chase, Carrie Fisher e Eve Arden, ambientada nos bastidores da rodagem do filme de 1939.
No teatro, há uma versão da Royal Shakespeare Company, em 1987, e, em 2003, estreia, na Broadway, um novo musical, desta feita criado por Stephen Schwartz, intitulado “Wicked”, e baseado no romance de Gregory Maguire, de 1995, “Wicked: The Life and Times of the Wicked Witch of the West”. No Radio City Music Hall de Nova Iorque todos os anos há uma curta série de espectáculos com uma versão musical que recupera o filme de 1939, da MGM. Muito por onde escolher, portanto, mas nenhuma destas inúmeras citações faz jus à fama e celebridade deste filme, cuja canção "Over the Rainbow" foi considerada a melhor canção de sempre aparecida num filme. ”O Feiticeiro de Oz” é, pois, há muito um filme verdadeiramente “de culto” na história do cinema.
O livro de L. Frank Baum começa assim: "Dorothy vivia no meio das grandes pradarias do Kansas, com o tio Henry, que era agricultor, e a Tia Em, que era a mulher do agricultor.” Muitos insistem na veracidade da inspiração do escritor, que tinha referências bem reais para as suas personagens. Mas deve dizer-se também que o romance se baseia vagamente em Lewis Caroll e na sua “Alice”. “O Feiticeiro de Oz” principia por uma sequência a preto e branco, realista, sendo a protagonista a pequena Dorothy, deixando os campos do Kansas, com o seu pequeno cão Totó, levada para um mundo de fantasia, essa Munchkindland de que fala a lenda, depois de um tornado ter devastado a sua aldeia. A seguir é a viagem encantatória, “beyond the rainbow”, por um mundo de fadas, feiticeiros, magos, onde os animais e as plantas falam e dançam, sempre na mira de chegar a Oz, referência final para o seu regresso à realidade e a casa. Na companhia de um espantalho, de um homem de lata e de um leão, Dorothy percorre um universo deliberadamente de estúdio, artificial, reconstruído, insólito e maravilhoso, onde muitas das pessoas com quem se cruza diariamente no Kansas se transformam inconscientemente em personagens de um mundo imaginado, sonhado. Judy Garland é Dorothy, Ray Bolger o espantalho, Bert Lahr, o leão amedrontado, Jack Haley, o homem de lata. O encontro com os pequenos Munchkins e a visita ao castelo do feiticeiro de Oz são momentos de eleição desta obra-prima do cinema em feliz incursão pelos terrenos da fantasia.
É Dorothy quem explica esse mundo onde não existem problemas, “um lugar onde não se vai de barco ou comboio”, “um lugar longe, longe, para lá da lua, para lá da chuva”:
“Somewhere over the rainbow, way up high
There's a land that I've heard of, once in a lullaby
Somewhere over the rainbow, skies are blue
And the dreams that you dare to dream
Really do come true
Some day I'll wish upon a star
And wake up where the clouds are far behind me
Where troubles melt like lemon drops
Away above the chimney tops
That's where you'll find me
Somewhere over the rainbow, blue birds fly
Birds fly over the rainbow
Why then, oh why, can't I?”
Depois de percorrerem a estrada que conduz à Terra de Oz, a Yellow Brick Road, depois de terem derrotado a Bruxa Má do Oeste, Dorothy e os amigos são premiados pelo Feiticeiro de Oz que lhes permite cumprir os seus desejos mais íntimos – para Dorothy será o regresso a casa e à realidade a que procurou furtar-se e onde torna enriquecida pela experiência iniciática de uma viagem (tal como Alice). Maravilhosa, como o filme, e a voz de Judy Garland.
A cerimónia de atribuição dos Oscars de 1939 ficou marcada por uma produção cinematográfica de altíssima qualidade. Vejam-se só os nomeados para a categoria de melhor filme do ano: “Dark Victory”, de Edmund Goulding, “Gone With the Wind”, de Victor Fleming; “Goodbye Mr. Chips”, de Sam Wood, “Love Affair”, de Leo McCarey; “Mr. Smith Goes to Washington”, de Frank Capra; “Ninotchka”, de Ernest Lubitch; “Of Mice and Men”, de Lewis Milestone; “Stagecoach”, de John Ford, “The Wizard of Oz”, de Victor Fleming e ainda “Wuthering Heighs”, de William Wyler. No campo da comédia musical, “O Feiticeiro de Oz” ganhou tudo o que tinha a ganhar: melhor banda sonora, da autoria de Herbert Stohart, e melhor canção, “Over the Rainbow”, de Harold Arlen, música, e E.Y. Harburg, letras. Mas o filme seria ainda nomeado, como já vimos, na categoria de melhor filme do ano (produtor Mervyn LeRoy), perdendo para “E Tudo o Vento Levou”, do mesmo Victor Fleming, para lá de disputar os Oscars de melhor decoração de interiores, para Cedric Gibbons e Wiliam A. Horning, melhor fotografia a cores, para Hal Rosson, e melhores efeitos especiais, de som e imagem. Judy Garland ganharia ainda uma estatueta miniatura, destacando o seu trabalho como actriz jovem. Caso raro nos Oscars, um realizador competiu consigo próprio: Victor Fleming encontrou-se em competição com… Victor Fleming de “Gone With the Wind”.
Num dos números da revista “American Quarterly” de 1967, o estudioso Henry M. Littlefield estabelece uma curiosa versão para a interpretação do romance de L. Frank Baum, “The Wonderful Wizard of Oz”, ligando-o a uma parábola política sobre o populismo, associando-o mesmo à eleição presidencial de 1896 e ao movimento populista do virar do século XIX para o XX. As conotações e referências directas são múltiplas. Aqui ficam apenas algumas: o Espantalho refere-se aos sensatos mas inocentes agricultores do Oeste; O Homem de Lata remete para os operários das fábricas de Este e a sua desumanização, a Bruxa Má do Oeste seria um símbolo dos industriais e banqueiros do Oeste que controlavam o povo (os Munchkins), as Bruxas boas do Norte e do Sul destinam-se aos poderosos movimentos populistas, o feiticeiro de Oz tanto poderia ser o Presidente Grover Cleveland, como o candidato republicano William McKinley , e o Leão medroso poderia ser lido como referência ao candidato democrata, William Jennings Bryan. Dorothy seria a natureza bondosa e saudável do povo norte-americano. Oz poderia ser a abreviatura de “ounce” (pequeno) e Emerald City seria Washington, D.C. Enfim, como em todas as viagens iniciáticas, a simbologia abre-se às mais diversas interpretações.
Uma verdadeira obra-prima da cinematografia norte-americana, que não deixa de nos surpreender a cada vez que a vemos e nos deixamos seduzir por esse mundo mágico que cavalga nas ondas de um tornado e põe a descoberto muitos dos fantasmas, dos medos, das ilusões, das fantasias, das esperanças e dos pesadelos da raça humana. As obras únicas e imperecíveis têm esse condão – falam-nos do que de mais íntimo se passa no coração do Homem. Por vezes de forma tão aparentemente simples como se de uma comédia musical se tratasse.
Agora pela mão de Filipe La Féria, lá vamos nós também, e de novo, a caminho de Oz. Ou a caminho do Politeama, em Lisboa, onde o musical acaba de subir a cena. Com o sucesso habitual.
Mais uma vez o talento de la Féria se manifesta sob diversos pontos de vista. Antes de mais, na forma inteligente como concentra a história em cerca de sessenta minutos, para a tornar mais apetecível para os mais jovens. Nada de muito essencial se perde (obviamente que os adultos prefeririam uma maior densidade de personagens e de situações) e o texto ganha em ritmo e em fluência. Depois a encenação, que é de difícil concepção e não pode perder o encantamento próprio a este género de obras (especialmente esta), é inventiva e “maravilhosa”. A cena do tufão envolve-nos, o mundo dos pigmeus diverte e encanta, a bruxa má e os macacos voadores surpreendem, o palácio de Oz produz o efeito desejado. O guarda-roupa é sumptuoso e de muito bom gosto, para lá de engenhoso. Já o mesmo não me parece ser o efeito da animação que percorre quase toda a acção e a situa. Os desenhos são demasiado “barbie” para o meu gosto, e julgo que toda a “feérie” do musical merecia um outro traço, de maior personalidade e vigor. Curiosamente, guarda-roupa e vídeos são assinados pela mesma pessoa, Marta Anjos.
O elenco muito jovem é bom e homogéneo. Cátia Garcia é Dorothy, trabalho que executa com graça natural, boa voz, e uma elegância muito especial. Ela e o cão Totó, encantam. David Ventura é um excelente e esforçado Leão, Ruben Madureira é o elástico Espantalho e Arménio Pimenta o couraçado Homem de Lata, os três a viver momentos de tortura no interior dos seus fatos, mas a justificarem plenamente as palmas finais. Helena Montês, a Tia Emily, Tiago Isidro, o Feiticeiro de Oz, Carla Janeiro, Glinda, a Bruxa Boa do Norte, e Sofia Cruz, a Bruxa Má do Oeste, completam o grosso da companhia que é, como já disse, jovem e se recomenda. La Féria encena, a coreografia é da responsabilidade de Inna LisniaK, a direcção musical de Telmo Lopes, a direcção vocal de Tiago Isidro. O assistente de La Féria é aqui de casa, Frederico Corado, que ali se iniciou no teatro, há dez anos, criando os vídeos para “Amália”.
As crianças já sabem que têm ali um espectáculo à sua altura, isto é, sendo tratadas com a dignidade e o respeito que merecem, coisa que raras vezes acontece nos espectáculos para crianças que não raro se vêem por esses palcos e pseudo-palcos portugueses. Há duas pechas gritantes em muitos espectáculos que se concebem, especialmente vocacionados para crianças: um é tratá-las como publico débil, jogando com interpretações idiotas e infantilizadas; outra é organizar a coisa com “meia bola e força”, porque para quem é, chega. Filipe La Féria até pode nem sempre acertar, mas procura sempre fazer o melhor. E o melhor é, por exemplo, este “O Feiticeiro de Oz”.


sexta-feira, outubro 09, 2009

CINE ECO 2009 JÚRIS

:
Júri da Competição Internacional

Laura Soveral, actriz
Flo Stones, directora do Festival de Cinema de Ambiente de Washington (EUA)
Suzana Borges, actriz
Anabela Teixeira, actriz
Silvina Pereira, actriz
António Escudeiro, realizador e director de fotografia de cinema
Ricardo Pereira, actor
Maria José Garcia, Advogada e Agente Cultural (Espanha)
Victor Alves, professor da Escola Secundária de Seia
Maria Elizete de Azevedo Fayad (Brasil)
José Gonçalves Tavares, Academia Sénior De Seia
João Pedro Vaz Pinheiro Estêvão
Luís Filipe Fontes
Mauro Costa Couceiro

Júri da Competição Lusófona

João Pereira Bastos, musicólogo
António Colaço, antropólogo
Denise Godoy, escritora (Brasil)
Licinia Girão, jornalista
Mano Kuango, cantor (Angola)
Alberto Toscano, gestor

Júri das Extensões
Sandra Silva, representante, Sec. Regional Ambiente, Açores
Susana Isabel Rocha Ribeiro, representante, Dep. Ambiente, Câmara Municipal De Lisboa
António Caetano de Maües-Colaço, antropólogo
Roda Darte, ecoteca do Faial, Açores

Júri da Juventude
Catarina Silva
Helder Magalhães
Francisco Reis
Graziela Abc
Miguel Pedro Couceiro Da Costa
Nuno Ramos
Catherine Boutaud
Vanessa Pelerigo
Cláudia Almeida

APRESENTAÇÃO DO CINE ECO 2009

uma realização de Frederico Corado, com excertos de obras a concurso

Cine Eco 2009 - PROGRAMAÇÃO A CONCURSO

CINE ECO 2009

Entre 17 e 24 de Outubro, o Cine Eco 2009 vai apresentar, no auditório do CISE, a concurso e extra-concurso, um conjunto notável de obras que a seguir se reportam:

Between October 17 and 24, Cine Eco 2009 will screen, in the auditorium of CISE, in contest and extra-contest, a remarkable set of works, as follows:

CONCURSO INTERNACIONAL – HORÁRIO
International contest - programme

por ordem alfabética do título português
by alphabetical order of the Portuguese title

+1ºC, de Dénes Ruzsa (Hungria) 2’
(En)Terrados, de Alex Lora Cercos (Espanha) 12’
O Acidente, de André Marques, Carlos Silva (Portugal) 7’
Aqua de Selva (Água da Selva), de Juan António Rodriguez, Ramon Campoamor (Espanha) 26’
La Minaccia (A Ameaça), de Luca Bellino, Sílvia Luzi (Itália) 86’
O Areal, de Sebastião Sepúlveda (Brasil) 54’
Arena, de João Salaviza (Portugal) 15’
Arraki, de Andrea Di Nardo (Itália) 23’
A Árvore da Música, de Otavio Juliano (Brasil) 78’
Barco-Escola Chama-Maré, de Pedro Barbosa (Brasil) 22’
Biodiversidade em Estilo, de Carlos Domingomes, Joana Rão (Portugal) 14’
Bode Rei Cabra Rainha, de Helena Tassara (Brasil) 48’
El Club de los Sin Techo (O Clube dos sem Tecto), de Cláudia Brenlla (Argentina) 55’
Colisão, de Maria Zara Soares Nogueira (Portugal) 5’
Condomínio da Terra, de Quercus (Portugal) 6’
Cordão Verde, de Hiroatsu Susuki, Rossana Torrres (Portugal) 33’
The Choir (O Coro), de Michael Davie (Austrália) 90’
Costa do Cemento (Costa do Cimento), de Robert Harding Pettman (Espanha) 26’
Farming Our Future (Cultivando o nosso Futuro), de Venu Nair (Índia) 26’
El Regalo de la Pachamama (A Dádiva da Pachamama), de Toshifumi Matsushita (Bolivia, Japão) 102’
Gimme a Hug (Dá-me um Abraço), de Geert Droppers (Holanda) 14’
China’s Unnatural Disaster: The Years of Sichuan Province (O Desastre Antinatural da China: os Anos da Província de Sichuan), de Jon Alpert, Matthew O’Neil (EUA) 38’
Pannonian Desert (O Deserto da Panónia), de Szabolcs Mosonyl (Hungria) 29’
The Forgotten District (O Distrito Esquecido), de Olivier Dickinson (França, Inglaterra) 52’
Vietato Respirare (É Proibido Respirar) Chissiotte (Itália) 30’
Em Nome da Terra, de Rita Saldanha (Portugal) 50’
Espírito de Porco, de Chico Faganello, Dauro Veras (Brasil) 51’
A Evolução de Darwin, de Pedro Sena Nunes (Portugal) 38’
Falken im Kloster (Falcões no Mosteiro), de Wieland Lippoldmuller (Alemanha) 44’
A Força da Terra, de André Martins (Portugal) 22’
Fragmentum Natura, de Pedro Sena Nunes (Portugal) 7’
Gigantes, de Pedro Barbosa (Brasil) 25’
Holodomor – Eminsee Ukrajnaban (Holodomor – Fome na Ucrânia), de Igor Hidvegi, Istvan Hegedus (Hungria) 48’
Homo Toxicus, de Carole Poliquin (Canadá) 52’
Kalunga, de Luis Elias, Pedro Nabuco, Sylvestre Campe (Brasil) 77’
Die Dunkle Seile des Lichls (O Lado Negro da Luz), de Anja Freyhoff, Thomas Uhlmann (Alemanha) 50’
A Lua Partida ao Meio, de Humberto Martins (Portugal) 3’
Dyingi in Abundance (Morrer na Abundância ), de Yougos Avgeropoulos (Grécia) 54’
Free Swim (Nadar Livremente), de Jennifer Galvin (EUA) 50’
C’ Est pás Grave (Não é Grave), de Sersar Yacine (França) 10’
Auf der Leisen Spur der Schnabelwale (No Encalço das Vozes Silenciosas), de Stefan Geier (Alemanha) 44’
Pa Verdens Bund (No Fim do Mundo – 1 -The Beggars of Addis Ababa), de Jacob Gottschau (Dinamarca) 28’
Night Over Parma (Noite sobre Parma), de Anatoly Baluev (Rússia) 13’
Pare, Escute, Olhe, de Jorge Pelicano (Portugal) 90’
Exotic Homeland (Pátria Exótica), de Anne Mesecke (Alemanha) 52’
Percepção de Risco, A Descoberta de um Novo Olhar, de Sandra Alves, Vera Longo (Brasil) 77’
Peripheria, de Barelli Marcel (Suíça) 8’
Pimenta, de Juan Ortelli, Mariano Fernandez Russo (Argentina) 3’,11
A Próxima Mordida, de Ângelo Lima (Brasil) 25’
Ressignificar, de Sara Vitória (Brasil) 16’
Um Rio Invisível, de Renata Druck (Brasil) 24’
Robô, de Juan Ortelli, Mariano Fernandez Russo (Argentina) 2’,7
Saudades da Terra, de Carlos Brandão Lucas (Portugal) 50’
Si Loin, Si Proche (Tão Longe, Tão Perto), de Barbier Olivier (França) 25’
Os Transformadores, de Carlos Silva e João Paulo Dias (Portugal) 6’
Wa Quan (Viver com Vergonha), de Huaqing Jin (China) 20’
Zerzura, de Ruben Vermeersch (Bélgica) 19’

CONCURSO LUSOFONIA – HORÁRIO
lusophony contest - programme

Concurso Lusofonia / Por ordem alfabética
Lusophony contest by alphabetical order

Bombeiros de Seia – 75 Anos
Café, de João Fazenda, Alex Gozblau (Portugal) 7’
Direitos dos Animais, de Pedro Barbosa (Brasil) 31’
Elvas, Chaves do Reino, de Carlos Brandão Lucas (Portugal) 17’
Festas de Nossa Senhora de Fátima~Castelo Mendo, de José Hortêncio, Mánagé d’ Almeida Melio (Portugal) 19'
Gato sem Nome, Um de Carlos Cruz (Portugal) 15’
Gente de Fajã, de António João Saraiva (Portugal) 58’
Grafitti em Ruínas, de João Novais (Brasil) 20’
Hospital de São João: Um Lugar de Esperança, de Hugo Manuel Correia (Portugal) 30’
Jardim Botânico, de Pedro Barbosa (Brasil) 25’
L.A.P.A. , de Cavi Borges, Emílio Domingos (Brasil) 75’
Living in the Tree II, de Vitor Lopes (Portugal) 1’,30
Milho, de José Barahona (Portugal) 54’
Natureza como Criadora de Recursos, A de Pedro Sequeira, Alexandre Martins, Vítor Roque (Portugal) 20’
PretaRouca, de José Costa Barbosa (Portugal) 90’
Sete Vidas, de Marcelo Spomberg, Zé Mucinho (Brasil) 10’
Torres del Paine, de Júlio Mourão (Brasil) 20’
Últimos Moinhos, Os, de Luís Silva (Portugal) 53’

Concurso Lusofonia incluído no Concurso Internacional / Por ordem alfabética
Lusophony contest included in the International Contest / by alphabetical order


Acidente, O de André Marques, Carlos Silva (Portugal) 7’
Areal, O de Sebastião Sepúlveda (Brasil) 54’
Arena, de João Salaviza (Portugal) 15’
Árvore da Música, Ade Otavio Juliano (Brasil) 78’
Barco-Escola, Chama-Maré, de Pedro Barbosa (Brasil) 22’
Biodiversidade em Estilo, de Carlos Domingomes, Joana Rão (Portugal) 14’
Bode Rei Cabra Rainha, de Helena Tassara (Brasil) 48’
Colisão, de Maria Zara Soares Nogueira (Portugal) 5’
Condomínio da Terra, de Quercus (Portugal) 6’
Cordão Verde, de Hiroatsu Susuki, Rossana Torrres (Portugal) 33’
Em Nome da Terra, de Rita Saldanha (Portugal) 50’
Espírito de Porco, de Chico Faganello, Dauro Veras (Brasil) 51’
Evolução de Darwin, A de Pedro Sena Nunes (Portugal) 38’
Força da Terra, A de André Martins (Portugal) 22’
Fragmentum Natura, de Pedro Sena Nunes (Portugal) 7’
Lua Partida ao Meio, A de Humberto Martins (Portugal) 3’
Percepção de Risco, A Descoberta de um Novo Olhar, de Sandra Alves, Vera Longo (Brasil) 77’
Próxima Mordida, A de Ângelo Lima (Brasil) 25’
Ressignificar, de Sara Vitória (Brasil) 16’
Saudades da Terra, de Carlos Brandão Lucas (Portugal) 50’
Transformadores, Os de Carlos Silva e João Paulo Dias (Portugal) 6’

EXTRA - CONCURSO – HORÁRIO
Extra contest - programme
Balada das Abelhas, A (Honeybee Blues), de Stefan Moore (Austrália) 52’
Cidadão Boileson, de Chaim Litewski (Brasil) 93’
Encruzilhada de Energias (Energy Crossroads, a Burning Need of Change Course), de Christopher Fauchére (EUA) 58’
Floresta de Pinheiros de Birkin (brikin Pine Wood), de Tsvetkova Liudmila (Rússia) 39’
Karearea: o Falcão do Pinhal (Karearea: The Pine Falcon), de Sandy Crichton (Nova Zelândia) 49’
Manual de Uso Para uma Nave Espacial (Manual de Uso Para una Nave Espacial), de Horácio Alcalá (Espanha) 98’
Ovinos, Caprinos e e a Brucelose (Dzemo, Kosa I Bruceloza), de Nisvet Hrustic (Bosnia e Herzegovinia) 19’
Revolução Azul em Lakshadweep (Blue Revolution in Lakshadweep), de Venu Nair (Índia) 28’
Rota dos Dólmenes (Domen Route), de Jongtok Chu (Coreia do Sul) 52’
Sangue de Kouan Kouan, O (The Blood of Kouan Kouan), de Yougos Avgeropoulos (Grécia) 64’
Sob as Florestas Verdes (Banada Neralu), de Umashankar Swamy (Índia) 105’
Sou Mais uma Árvore que um Homem (I Am More A Tree Than a Man), de Topmas Domanski (Polónia) 8’
Últimos Gigantes – Oceanos em Perigo, Os (The Last Giants – Oceans in Danger), de Daniele Grieco (Alemanha) 90’
Vida Solitária dos Guindastes, A (The Solitary Life of Cranes), de Eva Weber (Inglaterra) 27’

sábado, outubro 03, 2009

Da "Nouvelle Vague" à Actualidade

:
HISTÓRIA DO CINEMA, III
COMEÇA TERÇA-FEIRA, DIA 6 DE OUTUBRO

dos anos 60 à actualidade
Data 6 Out 2009 a 9 Fev 2010
Local Rua de Santiago, 18, Lisboa

Carga Horária 28 horas
Preço 257€ + 26€ (Insc) + 2,50€ (Seg) (200€ - alunos do Ar.Co)
Condições de Admissão: Sem requisitos. Por ordem de inscrição.
Horário: 3ª feira das 18h30 às 20h30
Tipo semestral
Programa Uma perspectiva rápida da evolução da história do Cinema Mundial, desde a "Nouvelle Vague" até final do século XX, com particular incidência nalguns dos principais movimentos estéticos da última metade do século XX.

Visionamento comentado de algumas das obras charneiras deste período.
Professor:
Lauro António

quarta-feira, setembro 30, 2009

UMA COMUNICAÇÃO AO PAÍS

:

Ou eu me engano muito, ou a declaração ao País que parece não ter dito nada de novo e que demonstra, pelo menos, que Cavaco Silva não lê os livros de Stieg Larsson (a fabulosa trilogia do Millennium), nem tem os mais rudimentares conhecimentos de informática, vai dar ainda muito que falar e possivelmente provocar uma das mais graves e imprevisíveis crises institucionais no País.
Qual a razão para esta declaração opaca na data em que foi feita?
Antes de ouvir os partidos, antes de indigitar o novo Primeiro-Ministro?
E se o Senhor Presidente da República achar que não tem confiança política no previsível novo Primeiro-Ministro e não o empossar, passando a bola à Dr.ª Manuela Ferreira Leite, apadrinhada pelo Dr. Paulo Portas?
Acham impossível, e que isso seria um golpe de Estado?
Pois se calhar seria, ou se calhar será.
Esperemos a sinopse nos novos capítulos, e desejamos ardentemente não regressar a um Verão Quente, memo que seja no Outono.
O povo na rua é bom a festejar acontecimentos que o mereçam, não a guerrear-se por infantilidades de políticos medíocres.

domingo, setembro 20, 2009

É A CULTURA, ESTÚPIDOS!

CULTURA: ZERO
Eu sei que quem tem fome não se preocupa com a cultura, eu sei que quando há desemprego ninguém lê livros ou vai ao cinema ou ao teatro, muito menos visita museus ou ouve música. Eu sei que o TGV é muito mais importante para escoar produtos “vendáveis” do que obras de autores nacionais, eu sei que os bancos falidos por operações crapulosas são alvos mais visíveis de subsídios, eu sei que mandar bocas sobre escutas é algo que fica bem a qualquer governante de uma integridade acima de toda a suspeita, eu sei que os portugueses querem é saber sobre as pequenas e médias empresas (desde que nada tenham a ver com a cultura), eu sei que a Justiça, a Saúde, a Economia, a Educação, a Agricultura, etc. etc., são tudo temas dignos dos maiores debates, a merecer até a atenção dos gatos, fedorentos de preferência, mas, que diabo!, tenho visto, lido e ouvido debates constantes para todos os gostos e feitios, e até hoje nunca ouvi falar de Cultura. Somos um País assim tão desinteressante em matéria de Cultura? Paula Rego, Maria João Pires, Manoel de Oliveira, Siza Vieira, Mariza, José Saramago, e etc. e etc. e etc. e ou outros que vêm logo a seguir, em todos os ramos da literatura, da arte, da cultura, e todo o nosso património histórico, humano, geográfico, todo ele tão ligado à cultura, não justificava uma palavrinhas?
No São Luiz havia uns debates a que chamaram, que me lembre, “É a Cultura, Estúpido!”
Agora é mais “É a Cultura, Estúpidos!”

terça-feira, setembro 15, 2009

MANUELA FERREIRA LEITE "ASFIXIA"

:
MANUELA FERREIRA LEITE
E A "ASFIXIA DEMOCRÁTICA"

Manuela Ferreira Leite tem sido acusada por alguns de dizer não importa o quê e de não ser muito coerente. Nada de mais errado. O seu pensamento é de uma coerência total e o seu maior pecado será ser tão sincera. Alguns avaliam essa sinceridade como virtude, mas não: expõe-se demasiado. Deixa ver o jogo todo.
Há dias andou pela Madeira, de João Jardim, e congratulou-se pela democracia plena que por lá se vive. Na Madeira, segundo MFL, não há “asfixia democrática” (a tal que, como todos sabem, existe no continente em doses maciças) e se por acaso existe algo semelhante está legitimado pelo sufrágio universal de que saiu vencedor por diversas vezes o seu Presidente do Governo Regional. Portanto, toda a actividade política de Hitler, que ganhou eleições, está igualmente legitimada, e o Governo de Manuela Ferreira Leite sê-lo-á igualmente se, por vontade dos portugueses, sair triunfadora das próximas eleições. Poderá então por em prática aquela teoria dos “seis meses sem democracia para endireitar o País” (e depois logo se verá se são ou não precisos mais alguns meses, ou anos, ou décadas, o Prof. Salazar também começou assim):
Há já sintomas alarmantes: Manuela Ferreira Leite julga que vai ser a escolhida e assegura, desde logo, apontando para Sócrates: “Daqui a dez anos o senhor já não estará cá…” Enfim, Sócrates pode ter cometido alguns erros, mas uma medida tão drástica não me parece de saudar. Assim como não julgo de bom tom acusar o Primeiro-ministro de ser como aqueles “que matam o pai e a mãe para se puderem dizer órfãos”. O ataque à família de Socrates tem sido constante e sistemático, mas, que Diabo!, fiquem-se pelos tios e primos.
Mas MFL teve também momentos de irrepreensível clarividência e, neste aspecto, o ataque aos espanhóis foi brilhante, algo que não se via por estas bandas desde o celebrado Santo Nuno Álvares Pereira. É preciso, de quinhentos em quinhentos anos, alguém que os tenha no sítio (e não será seguramente Carlos Queiroz nem a nossa frágil selecção nacional de futebol). Miguel de Vasconcelos que se cuide, por que vem aí uma nova defenestração. Desta feita alguém sai pela janela do banco Banestro. Ai sai, sai.
Esperemos que não nos caia ao colo como Primeira-ministra.
(a imagem foi encontrada na Net, de autor - inspirado - anónimo)

sexta-feira, setembro 11, 2009

CINEMA: SACANAS SEM LEI

:
SACANAS SEM LEI
“Sacanas sem Lei”, último filme de Quentin Tarantino, tem uma história por detrás da própria história do filme, que é interessante conhecer para melhor se perspectivar a obra.
Na verdade, “Inglourious Basterds” inscreve-se numa longa lista de filmes sobre a II Guerra Mundial, onde um grupo de “patifes” ou “sacanas” a contas com a justiça militar se vê envolvido numa acção contra os nazis, tornando-se heróis sem muito bem perceberem como. O primeiro grande filme desta onda foi “Os Doze Indomáveis Patifes” (The Dirty Dozen), de Robert Aldrich (1967), com um elenco notável e uma moralidade evidente, para lá da história e das peripécias decorrentes. O que se procurava testemunhar era a possibilidade de uma “segunda hipótese” que permitisse a redenção de um grupo de proscritos que afinal só precisava de uma nova oportunidade para se regenerar.
Muitos outros filmes se seguiram e procuraram reproduzir o sucesso desta obra, que ela própria teve sequelas, nenhuma delas tão brilhante como o original.
Nas décadas de 60 e 70, os estúdios italianos tinham, por bom ou mau hábito, copiar, com pequenos orçamentos, e em jeito de série B, os grandes sucessos de aventura, acção, terror ou horror que se afirmassem em qualquer outro país, nomeadamente no universo anglo-saxónico. Tendo sido sobretudo os êxitos norte-americanos pirateados até à saciedade. Em filmes que, por vezes, tinham algum interesse (há muitos westerns deste período com uma qualidade inequívoca, que deram a conhecer realizadores como Sergio Leoni e lançaram a carreira de actores como Clint Eastwod), mas a maioria era de péssima qualidade, de um aproveitamento sem escrúpulos das emoções mais primárias que existem no mais fácil dos espectadores.
Não foram só os westerns que foram “revisitados” ou, melhor, “vampirizados”, pelos realizadores italianos (quase sempre com pseudónimos anglicizados), mas também os filmes de terror (que nos deram surpresas agradáveis como Dario Argento, por exemplo) ou de horror (onde o canibalismo e os mortos-vivos bateram recordes de mau gosto). Igualmente os filmes bélicos tiveram o seu auge e uma das obras mais referenciadas é um filme de 1978, assinado por Enzo G. Castellari (que também ficou conhecido por Stephen M. Andrews, Enzo Girolami Castellari, Enzo Castellari, Enzo Girolami, Enzo Girollami, E.G. Rowland ou Enzo G. Rowland), com o título original italiano “Quel Maledetto Treno Blindato”. Nos EUA teve várias outras designações, como “The Inglorious Bastards”, “Counterfeit Commandos”, “Deadly Mission”, “G.I. Bro” ou Hell's Heroes”, para lá de nas Filipinas se ter chamado “The Dirty Bastard”. Em Portugal terá sido “Seis Gloriosos Patifes" e, no Brasil, “Assalto ao Trem Blindado”.
Ora bem, Quentin Tarantino tem desde sempre uma preferência muito especial por séries B, quer sejam americanas, quer sejam de outras origens, das europeias às asiáticas. Quase todos os seus filmes, de “Cães Danados” a “À Prova de Morte”, são demonstrações disso e muito ligadas ao imaginário popular, dos romances de “pulp fiction” aos “comics”, mas sobretudo aos filmes de sessão dupla em salas de bairro. Mais uma vez, isso acontece em “Inglourious Basterds” que, desta feita de forma explícita e por demais publicitada pelo próprio cineasta, se vai basear no já referido “The Inglorious Bastards”, do também já citado italiano Enzo G. Castellari. O que temos é uma “homenagem” de Tarantino a um realizador da acção pura, que faz filmes baseados numa estética (se de estética estamos falando) que tem a ver sobretudo com acção e violência sem muitas explicações históricas ou sociológicas com um enredo diminuto, reduzido a uma ténue linha narrativa que permita fazer suceder, com alguma lógica, as referidas cenas de “Kiss, Kiss, Bang, Bang” (aqui mais “Bang, Bang” e “Pum, Pum”, do que “Kiss, Kiss”). Este género de obras não se preocupa com plausibilidade de situações ou densidade psicológica de personagens, mas com a possibilidade de mandar pelos ares muitos soldados inimigos, ao som de estridentes explosões, que levam consigo tanques ou camionetas de prisioneiros militares. Este o caso da obra de Enzo G. Castellari.
“Quel Maledetto Treno Blindato” é uma película de guerra, de um sub-género muito explorado no cinema, a II Guerra Mundial, ou “os filmes de nazis”. O argumento é de Sergio Grieco e do realizador, o elenco conta actores popularizados neste tipo de filmes, como o sueco Bo Svenson, o afro-americano Fred Williamson, entre outros. Estamos no verão de 1944, na Europa, mais precisamente em França, num acampamento americano. Alguns militares, condenados por crimes graves, são encaixotados numa camioneta rumo ao seu destino mais previsível, o fuzilamento.
Um desertor, Burl (Jackie Basehart), um ladrão, Nick Colasanti (Michael Pergolani), um assassino, Fred (Fred Williamson), um revoltado, Tony (Peter Hooten) e um tenente, Jaeger (Bo Svenson), constituem este grupo de soldados americanos condenados que partem de um acampamento nas Ardenas. Durante a viagem a coluna é bombardeada por aviões alemães e os prisioneiros conseguem libertar-se e fugir. Querem chegar à Suíça. Na deslocação encontram um desertor alemão que se junta ao grupo, formando os “Seis Gloriosos Patifes” da versão portuguesa. Mas, quando são encontrados por membros da resistência francesa são confundidos com um comando que vem efectuar uma perigosa missão de sabotagem, tendo que assaltar um comboio alemão com o objectivo de roubar um dispositivo que alimenta os famigerados V2. E o grupo aceita a missão e “gloriosamente” cumpre-a na íntegra.
Os “westerns spaghetti” (filmes do Oeste, rodados na Europa, sobretudo em Itália e Espanha, entre 60 e 70) tinham criado um estilo. Não havia heróis, mas anti-heróis, personagens romantizadas sem passado nem futuro, andrajosos mas fotogénicos (veja-se Eastwwod com o seu fósforo ou palito ao canto da boca), que atravessavam histórias de uma violência epidérmica, com vilões da pior espécie. A música inspirada de Morricone (e outros continuadores) e uma fotografia densa e soturna criavam o ambiente. E a mística destas obras que tiveram o efeito de projectar o estilo para outros géneros. O filme de guerra, por exemplo.
Em “Quel Maledetto Treno Blindato” não há heróis impolutos, mas patifes contra vilões, assassinos e ladrões contra psicopatas institucionalizados num sistema político que queria dominar o mundo. Obviamente que o público está do lado dos maus simpáticos contra os péssimos antipáticos. O tom destas obras era de violência extrema, mas quase trabalhada ao nível da violência dos cartoons (Speedy Gonzalez contra o demónio da Tasmânia) o que acarretava um humor distanciador. Depois repisavam-se receitas retiradas de outras obras de referência imediata para o grande público. No caso do filme de Enzo G. Castellari são óbvias as citações de “Os Doze Indomáveis Patifes” (Robert Aldrich, 1967), “O Desafio das Águias” (John Sturges, 1973), “Heróis por Conta Própria” (Brian G. Hutton, 1970), “Cruz de Ferro” (Sam Peckinpah, 1877), entre muitos outros. Olhando a obra não me parece que estas referências sejam tanto de uma cinefilia de homenagem, mas fundamentalmente um ingénuo aproveitamento de receitas comprovadas em filmes de grande espectáculo e grande sucesso de bilheteira. O caso de Quentin Tarantino é distinto. Trata-se de uma cinefilia óbvia de um entusiasta por este tipo de filmes de série B, que ele consumiu abundantemente e aprendeu a amar quando ainda era empregado num vídeo clube e se alimentava dessa matéria-prima. Mas, as diferenças são visíveis. Logo nos títulos que parecem idênticos e não são. “The Inglorious Bastards” é o título americano do filme de Castellari, “Inglourious Basterds” é o do filme de Tarantino. A troca do a pelo e, o o acrescentado sublinham a diferença.
Quentin Tarantino escreveu o projecto e diga-se que, tanto ao nível da escrita do argumento como na sua concretização em imagens, o efeito é brilhante. Estamos ao nível do melhor Tarantino.
O cenário é novamente a II Guerra Mundial, quase ao cair do pano, e a história começa na França sob ocupação alemã, onde um oficial das SS, o coronel Hans Landa (Christoph Waltz) dizima traiçoeiramente uma família de judeus. Mas, Shosanna (Mélanie Laurent), uma das filhas, consegue fugir e será ela que mais tarde, sob o nome de Emmanuelle Mimieux, irá dirigir um cinema em Paris. Entretanto, do lado dos Aliados, e entre as tropas americanas, organiza-se um grupo especial de judeus, comandados pelo tenente Aldo Raine (Brad Pitt), conhecido por “Aldo, o Apache” (dado o seu particular gosto por escalpes) que vai liderar este bando de sádicos soldados americanos, numa cruzada que espalha o terror entre os nazis. Uma das espias que colabora com a resistência francesa é a famosa actriz Bridget von Hammersmark (Diane Kruger) que todavia não tem um futuro risonho. Mais perto do fim da guerra, na sala de cinema de Emmanuelle Mimieux, onde se estreia "O Orgulho da Nação", um filme de propaganda nazi, na presença do próprio Adolf Hitler, de Joseph Goebbels e dos principais líderes do III Reich, reúnem-se os “basterds” e o coronel Hans Landa, além de Shosanna, que vai engendrar finalmente a sua vingança, numa pirotecnia brutal que pretende logo ali destruir o III Reich.
Ao contrário do filme de Castellari, Tarantino constrói uma obra extremamente palavrosa, com diálogos infindáveis, onde – o próprio o confessa – testa o seu poder de criar suspense e de o manter. A sequência da taberna francesa com a actriz e os militares alemães é bem exemplar deste propósito. Esta alteração é particularmente significativa para se compreenderem as intenções de Tarantino e a sua base cultural, diversa da de Castellari. Este é um técnico competente para criar cenas de acção, Tarantino é um cinéfilo com uma preparação cinematográfica muito mais apurada. Castellari nunca foi seleccionado para Cannes (nem nunca concorreu, se calhar, é o mais certo), Tarantino é-o quando quiser e declararam-no desde logo o grande acontecimento do Festival desse ano. Um é olhado como um mero tarefeiro, o outro como um pós-moderno. Toda a diferença. O filme de Tarantino organiza-se em redor de uma sala de cinema e da história do cinema. A sala do cinema é o lugar físico onde irá acontecer o momento final, capital, da obra. É nessa sala de cinema, e através de bobines de filmes, que se irá construir a História. Uma História que tem pouco a ver com a verdadeira História, mas que marca bem a diferença entre a realidade (que existe) e a ficção (que tudo torna possível). Mas não será só nessa sala de cinema que o cinema constrói a História, pois o próprio filme é construído pelo cinema, pela sua História (raros filmes terão tantas citações de outros filmes, desde cenas, personagens, referências no diálogo, cartazes, fotografias, legendas, temas musicais, etc.). Este é um filme que vampiriza o cinema, como outrora o fizeram os cineastas italianos dos anos 60 e 70. Curiosamente nessa altura os italianos copiavam os americanos, agora é um americano que se volta para o cinema italiano e nele vai beber inspiração. Círculo fechado.
Diga-se que ao nível de intenções elas prolongam-se de um realizador para o outro. Tarantino realiza um filme onde não há bons e maus, mas maus e mais maus. Uns são péssimos por tradição (os nazis), outros são maus por vingança e sadismo. Pelo meio há alguns inocentes que morrem ou traem, franceses ocupados a bem ou a mal, e resistentes que se esforçam, mas estamos num mundo onde não há ideologias ou causas. Onde parece não haver grandes diferenças comportamentais ao nível ético. Os nazis matam judeus como ratos, os “basterds” matam nazis escalpelizando-os com gozo evidente. Claro que há uma ironia forte a tratar o tema, claro que os diálogos são divertidos, claro que todos percebemos que Tarantino se diverte e nos diverte. Claro que Tarantino não acredita em nada a não ser no cinema. No seu cinema. De acção e diversão. Sem outras pretensões. Claro que é bom nisso, claro que a realização é brilhante, o argumento bem escrito, os actores notáveis (fabuloso Christoph Waltz, no papel do coronel Hans Landa), a banda sonora muito bem escolhida (recorrendo a muitos temas musicais de filmes antigos que Tarantino cita e homenageia). Claro que “Sacanas sem Lei” é um filme a não perder. Mas fica claro também que este não é o “meu” cinema. Apesar de me ter divertido muito a vê-lo. Mas a verdade é que, no final, algo me incomodava (por exemplo: ser levado a achar “porreiros” e “simpáticos” caçadores de escalpes nazis).

SACANAS SEM LEI
Título original: Inglourious Basterds
Realização: Quentin Tarantino (EUA, Alemanha, 2009); Argumento: Quentin Tarantino; Produção: Lawrence Bender, Christoph Fisser, Henning Molfenter, Charlie Woebcken, Bruce Moriarty, William Paul Clark, Lloyd Phillips, Pilar Savone, Erica Steinberg, Bob Weinstein, Harvey Weinstein; Fotografia (cor): Robert Richardson; Montagem: Sally Menke; Casting: Simone Bär, Olivier Carbone, Jenny Jue, Johanna Ray; Design de produção: David Wasco; Direcção artística: Marco Bittner Rosser, Stephan O. Gessler, Sebastian T. Krawinkel, Andreas Olshausen, David Scheunemann, Steve Summersgill, Bettina von den Steinen; Decoração: Sandy Reynolds-Wasco; Guarda-roupa: Anna B. Sheppard; Maquilhagem: Howard Berger, Jake Garber, Pamela Grujic, Grady Holder, Susanne Kasper, Emanuel Millar, Gregory Nicotero, Heba Thorisdottir, Khanh Trance; Direcção de Produção: Tina Anderson, Christopher Berg, Gilles Castera, Philipp Klausing, Arno Neubauer, Michael Scheel, Gregor Wilson; Assistentes de realização: Delphine Bertrand, Jerome Borenstein, William Paul Clark, Carlos Fidel, Mara Fiedler, Scott Kirby, Ariane Lacan, Bruce Moriarty, Jill Moriarty, Julien Petit, Gabriel Roth; Departamento de arte: Robert Blasi, Sabine Engelberg, David R. Evans, Michael Fissneider, Stephanie Rass, Steve Summersgill; Som: Harry Cohen, Ann Scibelli; Efeitos especiais: Gerd Feuchter, Uli Nefzer; Efeitos visuais: John Dykstra, Rodney Montague, Viktor Muller; Agradecimentos especiais a Enzo G. Castellari, John Milius, Tom Tykwer; Companhias de produção: Universal Pictures, The Weinstein Company, A Band Apart, Zehnte Babelsberg Film, Visiona Romântica; Intérpretes: Brad Pitt (Lt. Aldo Raine), Mélanie Laurent (Shosanna Dreyfus), Christoph Waltz (Col. Hans Landa), Eli Roth (Sgt. Donny Donowitz), Michael Fassbender (Lt. Archie Hicox), Diane Kruger (Bridget von Hammersmark), Daniel Brühl (Pvt Fredrick Zoller), Til Schweiger (Sgt. Hugo Stiglitz), Gedeon Burkhard (Cpl. Wilhelm Wicki), Jacky Ido (Marcel), B.J. Novak (Pfc. Smithson Utivich), Omar Doom (Pfc. Omar Ulmer), August Diehl (Major Dieter Hellstrom), Denis Menochet (Perrier LaPadite), Sylvester Groth (Joseph Goebbels), Martin Wuttke (Adolf Hitler), Mike Myers (General Ed Fenech), Julie Dreyfus (Francesca Mondino), Richard Sammel, Alexander Fehling, Rod Taylor (Winston Churchill), Soenke Möhring, Samm Levine, Paul Rust, Michael Bacall, Arndt Schwering-Sohnrey, Petra Hartung, Volker Michalowski, Ken Duken, Christian Berkel, Anne-Sophie Franck, Léa Seydoux, Tina Rodriguez, Lena Friedrich, Ludger Pistor, Jana Pallaske, Wolfgang Lindner, Michael Kranz, Rainer Bock, André Penvern, Sebastian Hülk, Buddy Joe Hooker, Carlos Fidel, Christian Brückner, Hilmar Eichhorn, Patrick Elias, Eva Löbau, Salvadore Brandt, Jasper Linnewedel, Wilfried Hochholdinger, Olivier Girard, Michael Scheel, Leo Plank, Andreas Tietz, Bo Svenson, Enzo G. Castellari, Anastasia Schifler, Michael August, Noemi Besedes, Alex Boden, Bela B. Felsenheimer, Guido Föhrweißer, Jake Garber, Samuel L. Jackson (Narrador), Gregory Nicotero, Aleksandrs Petukhovs, Vitus Wieser, etc. Duração: 153 minutos; Distribuição em Portugal: Zon Lusomundo; Classificação etária: M/ 16 anos; Locais de filmagem: Babelsberg, Potsdam, Krampnitz, Nauen, Rüdersdorf (Brandenburg), Bad Schandau, Görlitz, Sebnitz, Elbe Sandstone Mountains, (Saxónia), Berlin (todos na Alemanha), Paris (França); Estreia em Portugal: 27 de Agosto 2009.

Os filmes de Quentin Tarantino: “Cães Danados” (Reservoir Dogs, 1992), “Pulp Fiction” (1994), “4 Quartos” (Four Rooms) (um episódio, 1995), “Jackie Brown” (1997), “Kill Bill - A Vingança Kill Bill: Vol. 1” (2003), “Kill Bill 2 Kill Bill: Vol. 2” (2004), “Sin City - A Cidade do Pecado” (Sin City, 2005), “Grindhouse” (2007), “À Prova de Morte” (Death Proof, 2007) “Sacanas Sem Lei” (Inglourious Basterds, 2009).

SEIS GLORIOSOS PATIFES
Título original: Quel maledetto treno blindato
Realização: Enzo G. Castellari (Itália, 1978); Argumento: Sandro Continenza, Sergio Grieco, Franco Marotta, Romano Migliorini, Laura Toscano; Produção: Roberto Sbarigia; Música: Francesco De Masi; Fotografia (cor): Giovanni Bergamini; Montagem: Gianfranco Amicucci; Direcção artística: Pier Luigi Basile, Aurelio Crugnola; Guarda-roupa: Ugo Pericoli; Maquilhagem: Giancarlo De Leonardis, Maggi, Giovanni Morosi; Direcção de Produção: Ennio Di Meo , Pino Mangogna; Assistente de realização: Mario Maffei; Departamento de arte: Enrico Sanchini; Som: Nick Alexander, Domenico Dubbini, Mario Ottavi; Efeitos especiais: Gino De Rossi; Companhias de produção: Films Concorde; Intérpretes: Bo Svenson (tenente Jaeger), Peter Hooten (Tony), Fred Williamson (Fred), Michael Pergolani (Nick Colasanti), Jackie Basehart: Burl), Michel Constantin (Veronique), Debra Berger (Nicole), Raimund Harmstorf (Adolf), Ian Bannen (coronel Buckner), Flavio Andreini, Peter Boom, Vito Fornari, Manfred Freyberger, Joshua Sinclair, Mike Morris, Donald O'Brien, Gerard Schwarz, Bryan Rostron, Massimo Vanni, Bill Vanders, Mauro Vestri, Nick Alexander, Enzo G. Castellari, Larry Dolgin, Rocco Lerro, Edward Mannix, Pietro Plinio Quinzi, Franco Ukmar, etc. Duração: 99 minutos; Classificação etária: M/ 12 anos.

segunda-feira, setembro 07, 2009

A SELECÇÃO E CARLOS QUEIROZ

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MAIS UM EMPATE
A selecção jogou bem durante muito tempo, mas mais uma vez jogou contra uma equipa, a Dinamarca (não muito forte), contra um árbitro (que se esqueceu de um penalti) e sobretudo contra o seu treinador (Carlos Queiroz). Desta vez o treinador escolheu um novo sistema de jogo, que funcionou muito melhor, e que tinha em mente ter na frente atacantes que não perdoassem. Fez tudo bem, para jogar com um jogador como Liedson, mas depois acobardou-se e deixou-o no banco. O resultado viu-se: uma exibição (quase) de luxo, mas de uma ineficácia total. O “melhor do mundo” esteve muito melhor (percebe-se por que joga mal na selecção: porque está mal posicionado) e a equipa mostrou que merecia estar no Mundial onde tudo leva a crer que não vai estar. A culpa é só uma: Carlos Queiroz (por muita simpatia que eu tenha, e tenho, por ele e pela sua obra nas camadas mais jovens). Mas Queiroz não é o treinador ideal para esta selecção.
Devo concluir que os jogadores fizeram tudo quanto sabiam e podiam para vencer. Nada a acusá-los, a não ser de falta de pontaria.