domingo, novembro 22, 2009

TEATRO NACIONAL DE D.MARIA II - 3 PEÇAS

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No Teatro Nacional de D. Maria II vi três espectáculos muito diferentes, mas cada um deles a recomendar por variadas razões. Dois infelizmente já não se encontram em cena, mas gostaria de sobre eles deixar aqui ainda exarada uma opinião. Passemos ao rápido relance:
O CAMAREIRO

“The Dresser”, de Ronald Harwood, é uma excelente peça sobre o mundo fascinante do teatro, com as luzes do o palco vistas do seu interior e dos bastidores. O que possibilita um jogo de claro-escuro que permite toda a magia do espectáculo. Dois homens dialogam em palco, o actor, encenador, empresário, vedeta shakespeariana que é designado por Sir, e o seu camareiro, amigo e confidente Norman. Eles são respectivamente Ruy de Carvalho e Virgílio Castelo, ambos com duas soberbas interpretações, daquelas para perdurar na memória. Se do primeiro nada de diferente seria de esperar, já a interpretação de Virgílio Castelo ultrapassa tudo o que dele viramos até hoje.
“Sir” é um daqueles actores maiores que a vida, grandiloquentes, excessivos, decadente já, à beira da morte, mas em cena até ao fim, na sua dupla função de actor-encenador e de empresário. Parece que foram muito frequentes em Inglaterra, não o são tanto em Portugal. Vivem do e para o teatro, são majestosos e excêntricos, brilhantes e intoleráveis, explorados e exploradores. Quase sempre têm a seu lado alguém que os mima e acarinha, um camareiro por exemplo, para quem o actor é tudo em que se espelha, em que se revê. Norman é a bengala em quem o actor se apoia, o homem que o carrega às costas quando desmaia nas ruas da cidade onde estão instalados. Mas também aquele que não perdoa uma traição, porque se o seu amor é total e a devoção igual, não admite o desprezo ou a indiferença.
No cinema, Peter Yates havia adaptado esta peça ambientada durante a II Guerra Mundial e originalmente estreada em 1980, três anos depois da sua estreia em palco, tendo como principais actores dois fabulosos Albert Finney e Tom Courtenay, muito bem acompanhados por Edward Fox, Zena Walker, Eileen Atkins e Michael Gough. A adaptação a guião fora da responsabilidade do próprio dramaturgo Ronald Harwood, homem muito habituado a escrever para cinema igualmente (são dele guiões de obras tão importantes quanto “A High Wind in Jamaica” (1965), “Diamonds for Breakfast” (1968), “One Day in the Life of Ivan Denisovich” (1971), “The Browning Version” (1994), “The Pianist” (2002), “The Statement” (2003), “Being Júlia” (2004), “Oliver Twist” (2005), “The Diving Bell and the Butterfly” (2007) ou “Austrália” (2008). Ronald Harwood parece ter baseado esta criação na sua própria experiência pessoal, pois fora em tempos camareiro de um famoso actor-empresário inglês, Donald Wolfit (1902-68). O filme era muito interessante, justificando as nomeações para melhor filme do ano, realização, argumento adaptado, e actores (Albert Finney, Tom Courtenay).
Se o filme era excelente como retrato de uma época e como reflexão sobre o teatro, a encenação de João Mota no Nacional de D. Maria II era igualmente notável, figurando desde já como um dos melhores espectáculos do ano e palcos portugueses. João Mota, falando da peça, considerava-a "uma excelente oportunidade de conhecer o teatro por dentro, os bastidores, os problemas, as tricas, as coscuvilhices, e até a ternura e a amizade que se estabelece frequentemente". Exacto. Uma grande peça, um grande espectáculo, duas grandes interpretações e um gosto acre-doce que fica depois de atravessar este universo povoado por pesadas sombras e iluminado por fulgurantes luzes candentes.
"O Camareiro" estreou no D. Maria II a 10 de Setembro, e ainda por lá devia estar. Merecia-o bem.



DARWIN... TRA LE NUVOLE
No início do ano de 2009, o Piccolo Teatro Milano encenou "Darwin... Tra le Nuvole" para dar a conhecer Charles Darwin através do teatro e do imaginário, numa linguagem imediata, divertida e sempre atenta à exactidão científica. A encenação era de Stefano de Luca, e foi esse mesmo espectáculo que deu à costa lisboeta, para três únicas representações, a 31 de Outubro e 1 de Novembro, na sala Garrett do Teatro Nacional Dona Maria II.
Trata-se de uma encenação muito simples, com poucos adereços, certamente para permitir grande mobilidade em deslocações, cinco actores e uns telões, uma fabulosa redacção de texto, inventivo e cheio de graça, e um resultado surpreendente. A peça talvez se dirigisse sobretudo a públicos jovens (em idade escolar, certamente), mas a verdade é que todas as idades aderiam a esta extraordinária versão da viagem de Beagle, por ignotas terras do Brasil, da Patagónia, do Peru ou da mítica Terra do Fogo.
A ideia central é um ovo de Colombo muito bem desenvolvido: na actualidade, duas jovens amigas descobrem uns textos de Darwin que as fascinam e partem numa viagem pelo tempo para acompanhar a vida do cientista, ainda jovem, e a viagem que ele fez a bordo do Beagle, viagem que iria estar na base da escrita de “A Origem das Espécies”.
O Piccolo Teatro di Milano, que se formou no final da década de 40 do século XX, tinha como finalidade apresentar ao seu público personagens credíveis e próximas da realidade social que se vivia então, acompanhando desta forma as temáticas cinematográficas do mesmo período em Itália, nomeadamente o neo-realismo. Com base numa ideia de Luca Boschi (epistemólogo), Stefano de Luca (encenador) e Giulio Giorello (professor catedrático de BD) o espectáculo procurava documentar a vida do cientista, que comemorava este ano 200 anos do seu nascimento, e 150 sobre a edição de “A Origem das Espécies”.
Com interpretação notável de um grupo de jovens actores (Clio Cipolletta, Gabriele Falsetta , Andrea Germani, Adrea Luini e Silva Pernarella), "Darwin... Tra le Nuvole" tinha uma muito simples e eficaz cenografia de Marco Rossi, desenho de luzes de Cláudio de Pace e figurinos de Luísa Spinatelli.



O ANO DO PENSAMENTO MÁGICO

Depois do regresso de Ruy de Carvalho ao D. Maria II, temos a volta de Eunice Muñoz, no monólogo “O Ano do Pensamento Mágico”, da escritora norte americana Joan Didion, baseado num romance do mesmo nome que, por sua vez, recolhia dolorosas memórias íntimas da sua autora. Tanto a peça como o romance se encontram publicados em Portugal, e devo confessar que nem uma nem outro me entusiasmam por aí além. O caso humano é obviamente trágico para quem o viveu, mas não me parece que o seu tratamento dramatúrgico ultrapasse o caso pessoal. Se o faz, é ao nível de uma obra de auto-ajuda, que também não é o meu género preferido.
Mas tudo bem, seja, um monólogo sobre uma mulher que no mesmo ano perde o marido e a filha, ele vítima de um fulminante ataque cardíaco, quando se encontrava a jantar, a filha depois de um prolongado sofrimento, internada numa clínica. "Sentam-se para jantar e a vida como a conhecem termina". Percebe-se o trauma da escritora, casada com John Gregory Dunne (igualmente escritor e argumentista, autor de um “best seller” adaptado a cinema, "True Confessions"), mãe de Quintana Roo Dunne Michael, ambos falecidos no ano de 2006, com poucos meses de intervalo.
A peça tem a vantagem de não se assumir como uma vitimização de princípio a fim, contém alguma distanciação e aqui e ali até joga com um leve humor que ajuda a suportar a descrição da tragédia, mas nunca aderi a este monólogo a que falta sobretudo garra e genialidade (o que o faria certamente diferente). É um texto bem escritinho, a puxar ao comovente.
Eunice Muñoz, que nasceu na Amareleja, a 30 de Julho de 1928 (oitenta e um anos, a maioria dos quais dedicados a representar no teatro, na televisão e no cinema, onde tive a sorte de a ter como Dona Estefânia, no meu filme “Manhã Submersa”), não tem, portanto, um texto de alto nível para defender, mas é sempre um prazer vê-la e tudo o que faz é digno de admiração incondicional.
A encenação de Diogo Infante é sóbria e eficaz, deixando a actriz representar a solo e encher um palco, apesar de estar quase sempre sentada numa poltrona, bem no centro da cena. Um espectáculo intimista, uma hora e dez minutos a beber as palavras ditas por Eunice. Vale sempre a pena, acreditem.
No mesmo teatro, “Eunice - Retrato(s) de uma Actriz”, exposição sobre a actriz Eunice Muñoz, patente ao público até dia 31 de Dezembro. Horário: 4ª a dom. das 15H às 18H30.



domingo, novembro 15, 2009

JÁ HÁ TREINADOR!


SPORTING JÁ TEM TREINADOR!
José Eduardo Bettencourt anunciava ontem:
"Treinador será uma surpresa" ("Record" de hoje)
Hoje sabe-se que o treinador é Carlos Carvalhal.
Surpresa?
Não foi José Eduardo Bettencourt quem contratou Caicedo e Angulo?
Onde está a surpresa?
O Sporting está cada vez mais homogéneo.
Havia adeptos sportinguistas que não gostavam de Paulo Bento?
Na verdade, Paulo Bento estava a mais.
Agora os adeptos devem estar felicíssimos.
A ver vamos onde iremos parar.
Ficaria muito feliz se me enganasse...

sexta-feira, novembro 13, 2009

34º JANTAR VAVADIANDO - INÚTIL

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UM VAVADIANDO COMPLETAMENTE "INÚTIL"

O "Vavadiando" vai regressar com um jantar dedicado ao nº 1 de uma revista INÚTIL. Esplendidamente INÚTIL.
Directores e muitos colaboradores saíram dos anteriores Vavadiandos. E vão estar presentes.Vamos, pois, admirar a revista, que vos afianço que vale a pena!, e rever caras amigas. Sexta feira, 20 de Novembro, pelas 20,00 horas.
Nada melhor para combater a crise que um bom jantar de amigos, falando de artes e letras. E tretas.

quinta-feira, novembro 12, 2009

ROBERT McKEE NA FNAC

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Robert McKee
Há poucos anos passou por salas de cinema um filme norte-americano, assinado por Spike Jonze, chamado “Adaptation” no original, “Inadaptado” em português, que contava com um complexo e fascinante argumento assinado por dois irmãos gémeos, Charlie e Donald Kaufman. O filme abordava a escrita de um guião que adaptava uma obra literária. Sobre orquídeas, o que não vem agora para o caso. O que nos interessa é que os dois irmãos se debatiam com problemas diversos na escrita de guiões para cinema. Um deles, mais expedito e menos angustiado com as suas tarefas, socorria-se de um workshop sobre escrita para cinema e recomendava-o mesmo ao outro irmão, que recusava a ideia, afirmando mais ou menos que há coisas que não se ensinam, e escrita criativa é uma delas. Se é criativa não pode conter o ensino de regras que tornam os filmes não originais, mas todos semelhantes.
Mas Charlie Kaufman acabava mesmo por ir assistir às lições do mestre em “Story”, “substância, estrutura, estilo e os princípios da escrita para cinema e televisão.” Teve uma discussão pública com o mestre, mas acabaria por esperá-lo à saída e com ele tomar um copo que haveria de se revelar particularmente proveitoso para o futuro do argumento que tinha entre mãos. O mestre chamava-se Robert McKee, era precisamente este que temos aqui connosco, ainda que interpretado por um actor, Brian Cox, que funcionava com um alter-ego prefeito.
Deve dizer-se que Charlie Kaufman é um dos mais prestigiados argumentistas americanos da actualidade, recentemente passado a realizador com o inquietante “Synecdoche, New York”, e sobretudo um homem que não pactua em nada com o conformismo da grande produção industrializada de Hollywood. Uma referência a Robert Mckee numa obra sua só pode assumir-se como uma homenagem. Que partilhamos.
Também ensinei durante quase duas décadas, e ainda o faço esporadicamente, escrita de argumento nas universidades. Mas devo dizer que uma das actividades que mais me desagrada comentar é a chamada “escrita criativa”, quer seja literária ou para audiovisual. Há compêndios e workshops de “escrita criativa” para todos os gostos e formatos, a maior parte dos quais “ensinam” como criar o verdadeiro guião de sucesso garantido, desde que tenha os seus momentos choque bem doseados, os plots e os ganchos distribuídos com dosagem certa, que logo ali explicam como se faz. Ora eu acho que essas regras não existem em escrita criativa, quanto muito podem existir em escrita industrial.
O que me agrada sobretudo no trabalho de Robert McKee é que também ele é contrário às regras, o que fica definido logo na abertura da sua “Story”, por muitos considerada a bíblia da actividade. Diz ele “Story é uma questão de princípios, não de regras.” Uma regra diz: “Isto tem de ser feito assim.” Um princípio diz: “Isto funciona… e sempre funcionou desde que há memória.” A diferença é crucial. O vosso trabalho não tem de ser moldado conforme a peça “bem feita”; deve antes ser bem feito dentro dos princípios que dão forma à nossa arte. Os escritores ansiosos e inexperientes obedecem às regras. Os escritores rebeldes, instintivos, quebram as regras. Os artistas dominam a forma.”
Julgo que nesta citação se concretiza muito do saber de Roberty Mckee, a que se junta uma outra característica para mim sábia. Robert McKee ensina a escrever analisando estruturas de guiões que se tornaram clássicos, como por exemplo o de “Casablanca”, que ele considera “o melhor argumento alguma vez escrito”. Também eu penso que escrever se aprende sobretudo a ver e a estudar grandes obras literárias e escrever para cinema ou televisão se aprende vendo filmes clássicos, e há clássicos para todos os gostos, de John Ford a Godard, de Hitchcock a Marguerite Duras, de Steven Spielberg a Manoel de Oliveira. A tarefa do mestre não será nunca a de impor um caminho, mas a de despertar, no interior de cada aluno, a sua vocação encoberta. E de ajudá-lo a encontrar as ferramentas que a tornem possível. Lendo Robert Mckee aprende-se sobretudo a amar o cinema, as suas histórias, a compreender as suas estruturas, a distinguir estilos, a perceber como foi feito, para depois cada um fazer à sua maneira.

Robert McKee, nascido em 1941, tornou-se conhecido sobretudo desde que, como professor na Universidade da Califórnia do Sul, criou o seu popular "Story Seminar". Mas a sua vida artística começa cedo, aos nove anos, como actor, em Detroit, sua cidade natal. Forma-se em Literatura Inglesa, antes de cursar “artes teatrais” e fazer algumas temporadas como actor na Broadway. Dirige uma companhia de teatro, a Toledo Repertory Company, e passa por director artístico do Aaron Deroy Theater. Viaja até Londres, trabalha no National Theater e estuda as produções shakespeareanas no Old Vic. De regresso a Nova Iorque volta à Broadway, como actor e encenador, onde permanece sete anos.
Decide mudar o rumo da sua vida e interessa-se pelo cinema. Frequenta a Cinema School na Universidade do Michigan, e dirige duas curtas metragens, “A Day Off” e “Talk To Me Like The Rain”, esta última adaptando Tennessee Williams. Os dois filmes ganham vários prémios e participam em vários festivais.
Em 1979, McKee muda-se para Los Angeles, começa a escrever argumentos para cinema e televisão, e é contratado para analisar guiões para algumas produtoras, como United Artists ou NBC.
Em 1983 inicia a sua já referida actividade como professor de escrita de guiões, e cria cursos públicos, de três dias e trinta horas que vai dispensando por todo o mundo. Desde 1984, Robert McKee trabalhou com mais de 50.000 estudantes em cidades como Los Angeles, Nova Iorque, Londres, Paris, Sidney, Toronto, Boston, Las Vegas, São Francisco, Helsínquia, Oslo, Munique, Telavive, Singapura, Barcelona, Lisboa e muitas mais.
De resto, julgo que haverá entre nós algumas diferenças (eu acho que o autor de um filme é o realizador, ele acha que é o argumentista, segundo li algures), mas nada disso impede que saúde aqui a presença entre nós de um dos grandes nomes que animam o panorama audiovisual mundial e que nele tanta influência tem exercido ao longo das últimas décadas.

Texto da apresentação de Robert McKee, hoje na Fnac do Chiado, pelas 18,30 horas.

sábado, novembro 07, 2009

4ª MOSTRA DE CINEMA BRASILEIRO

4.ª Mostra de Cinema Brasileiro

A decorrer, entre 5 e 8 de Novembro, no Cinema São Jorge, em Lisboa, a 4.ª Mostra de Cinema Brasileiro, organizada pela Fundação Luso-Brasileira, apresenta 12 filmes contemporâneos, não exibidos no circuito comercial: Entre eles, dois dias dedicados a homenagens, uma ao realizador Domingos de Oliveira, outra ao actor Matheus Nachtergaele.
Hoje, 6 de Novembro, foram projectados três filmes, enquadrados na Cinematografia Brasileira Contemporânea: “Romance”, “Santiago” e “Chega de Saudade”. À última da hora, não foi exibido “Meu Nome não é Johnny”. Uma falha que só foi anunciada às 23, 30, quando a sessão devia ter começado às 23, com uma lotação esgotada à espera no hall e que foi devolvida à rua, porque a cópia não terá sido revista a tempo de se ter remediado a falha. Enfim, alguma falta de profissionalismo, numa iniciativa que até agora mostrou muito bons filmes, e que atraiu muito público nas suas sessões da noite.
Romance
Realização: Guel Arraes (Brasil, 2008), com Wagner Moura, Letícia Sabatella, Andréa Beltrão, Marco Nanini, Vladimir Brichta, José Wilker, Bruno Garcia, Edmilson Barros, Tonico Pereira, etc. (105 min)
“Romance”, baseado no “Romance de Tristão e Isolda”, é uma complexa história de amor que reflecte igualmente sobre a paixão e a criação artística, neste caso o teatro e a televisão. Um encenador e actor de teatro, Pedro (Wagner Moura) apaixona-se por Ana (Letícia Sabatella), actriz com quem contracena na peça “Tristão e Isolda”. Enquanto no palco os assaltam dilemas da história que deu origem à ideia do amor romântico, nos bastidores, o casal esbarra nos obstáculos do amor actual, muito mais condimentado com paixão, ciúme, rotina, trabalho, arte e indústria... É possível um amor feliz? Do teatro e de um falhanço sobre o seu próprio amor, passa-se para a televisão e uma segunda oportunidade: Ana propõe a Pedro que a dirija num especial de fim de ano para a TV. A história escolhida é precisamente “Tristão e Isolda”, agora adaptada ao Nordeste brasileiro.
Filme inteligente e delicado, por vezes aqui e ali um pouquinho artificial na sua construção demasiado intelectual, sobretudo ao discutir o amor “no interior do amor” e as relações entre a arte e o comércio, tem todavia óptimos actores, e acompanha-se com agrado na sua construção e na ironia com que aborda o mundo da televisão, carregado de compromissos (é conveniente saber-se que Guel Arraes é um apreciado autor de mini-séries de tv, como “O Auto da Compadecida”, que passa igualmente nesta mostra).
Santiago
Realização: João Moreira Salles (Brasil, 2007)
Documentário (80 min) “Santiago” é um documentário sobre um filme inacabado. Santiago, uma personagem inesquecível, um homem de vasta cultura e memória prodigiosa, era mordomo em casa de um diplomata, pai do realizador João Moreira Salles que ali viveu a meninice, e cujas recordações o levaram, há uns anos atrás, a tentar dirigir um filme que não conseguiu terminar na altura. Anos depois, retoma o filme em busca das razões que o fizeram falhar. “Santiago” é um filme sobre memória, identidade e a própria natureza do documentário. Uma jóia cinematográfica, arrisco-me a considerá-lo uma obra-prima que não desmerece a cada nova visão e leitura (sobre o mesmo já escrevi aqui , quando o descobri no Brasil, em 2008).

Chega de Saudade
Realização: Laís Bodanzky (Brasil, 2008), com Leonardo Villar, Tônia Carrero, Cássia Kiss, Betty Faria, Stepan Nercessian, Maria Flor, Paulo Vilhena, Elza Soares, Marku Ribas, Conceição Senna, Marcos Cesana, Clarisse Abujamra, Luiz Serra, Miriam Mehler, Marly Marley, etc. (92 min)
“Chega de Saudade” é nome de clube de dança, na noite de São Paulo. Nessa sala de baile, frequentada predominantemente pela terceira idade, acompanhamos amor e ciúmes, dramas e alegrias, aventuras e desventuras de cinco núcleos de personagens que frequentam habitualmente aquela sala. Tudo começa quando a sala abre, pelas cinco da tarde, o pano corre quando a sala fecha por volta da meia-noite. Tudo se passa em meia dúzia de horas, crescendo a intensidade dramática (e erótica) à medida que as horas decorrem, os chopes e o whisky desaparecem, e os olhares se vão cruzando com um furioso desejo que mistura impotência e impetuosidade incontida. E repetidas frustrações. E alegrias breves, “uma hora de cama vale bem uma vida sem nada”. A condição humana concentrada num laboratório de análise, prefigurado numa sala de baile, como já o havia feito Ettore Scola, em “O Baile”, mas com outras intenções, ou Sydney Pollack, em “Os Cavalos Também se Abatem”, mas num outro contexto, ou “O Baile dos Bombeiros”, de Milos Forman, mas por detrás da “cortina”.
Esta é a segunda longa-metragem de Laís Bodanzky (que, em 2000, dirigira “Bicho de Sete Cabeças”), e trata-se de um verdadeiro sucesso, com um naipe de actores a roçar o genial (Leonardo Villar, intimista, Tônia Carrero, sublime, Cássia Kiss, magistral, Betty Faria, tocante, Clarice Abujamra, fulgurante, Stepan Nercessian, sem mácula, Maria Flor, de uma candura a rondar a perversidade, entre outros).
Laís Bodanzky cria uma envolvência emocional notável, com planos de conjunto e outros, aproximados, cerrados sobre rostos ou pormenores, com movimentos de câmara insidiosos e reveladores, com olhares trocados e pensamentos expressos pelo rosto ou o gesto. Emocionante e belo. Com um daqueles “puzzles” admiráveis de Robert Altman, mas com o sabor da música brasileira a envolver o pacote. Elza Soares e Marku Ribas são os cantores de serviço, de uma banda sonora para não esquecer. Notável a fotografia de mestre Walter Carvalho.
Sobre a terceira idade, o desespero e a recusa de ser “enterrado à espera da morte”, só vindo do Brasil nos poderia chegar um filme tão cheio de optimismo, no meio da solidão e da decrepitude. Mas com um calor humano que ultrapassa qualquer barreira de angústia existencial.

quarta-feira, novembro 04, 2009

MARIA JUDITE DE CARVALHO


Colloque International
Maria Judite de Carvalho:
thèmes, représentations, genres, style -
50 ans après la parution de ‘Tanta Gente…Mariana !’

Université de la Sorbonne /Paris IV,CRIMIC Université de Lisbonne/Faculté de Lettres,CEC, Université Paris Ouest Nanterre La Défense,

CRILUS, Chaire Lindley Cintra de l’Institut Camões/ Paris Nanterre,
l’Université Paris 8 saint-Denis
Direcção- Geral do Livro e das Bibliotecas ( DGLB)
Centre Culturel Calouste Gulbenkian/Paris
4 -5-6 novembre 2009

aux Universités de Paris 8 / Saint –Denis, la Sorbonne /Paris IV
et Centre Culturel Calouste Gulbenkian

Maria Judite de Carvalho (1921-1998) est l’une des voix les plus secrètes da la littérature portugaise depuis 1959, date de la publication de son premier recueil de nouvelles, Tanta Gente…Mariana ! Bien connue par ses chroniques par le public lecteur de périodiques, activité que Maria Judite pratique de 1968 à 1984, son œuvre est à présent constitué par seize titres, dont trois posthumes. Cependant elle est un écrivain presque inconnu et ses œuvres sont épuisées ou se trouvent difficilement dans les librairies. Ecrivain de ceux qui n’ont pas de parole, souvent en situation de profonde solitude et d’incommunicabilité extrême, ses personnages sont pour la plupart des bannis qui vivent des situations sans issue. Ecriture épurée, fine et percutante, percée par une fine ironie, où l’on peut déceler une vison désenchantée du monde et au même temps une hyper lucidité critique et moderne, une sorte de pulsion vitale face à un monde plein de débris et d’inhumanité A fin de susciter des travaux scientifiques qui mettent en valeur sa place incontestable dans la L.P. , ce colloque mettra en évidence, dans le cadre des études littéraires, histoire littéraire, approches comparatiste de gender ou d’autres les axes suivants :

1. thèmes
2. représentations
3. style
4. genres

Participants :

1 - Paula Morão (Université de Lisbonne, Portugal), « Maria Judite de Carvalho, héritière de Irene Lisboa ?
2 - Helena Buescu (Université de Lisbonne, Portugal): “Maria Judite de Carvalho: hors temps”
3 - Cristina Almeida Ribeiro (Université de Lisbonne, Portugal) « De contos e colectâneas : Maria Judite de Carvalho e a narrativa breve »
4 - Ruth Navas (Enseignant, chercheur, Lisbonne, Portugal) « À la recherche de l`oeuvre journalistique de Maria Judite Carvalho »
5 - Carina Infante do Carmo (Université d’ Algarve, Portugal) “ O trabalho da mémoria em Maria Judite de Carvalho”.
6- Ana Filipa Prata (Université de Lisbonne, Portugal): “ ‘Habitar a cidade em ruínas’. O espaço urbano nas crónicas de Maria Judite de Carvalho”
7 - José Nobre da Silveira ( Université d’Anvers, Belgique): « Maria Judite de Carvalho et la construction de la littérature: formes d’élaboration du réel "
8 - Maria João Amaral (Université de Seoul, Corée du Sud) : «’Les machines à apprivoiser le temps’ : peinture et écriture chez Maria Judite de Carvalho
9 - Vincenzo Arsillo ( Université de Venise): "Fenêtres sans horizon: regard et destin dans l’écriture de Maria Judite de Carvalho"
10- Jane de Freitas (Université de S.Paulo, Brésil): "En tissant le fil des heures: le temps chez Maria Judite de Carvalho".
11 - Teresa Abelha ( Université Fédérale Rio de Janeiro, Brésil): “Sous la tutelle de Pênia: négativité et vide chez Maria Judite de Carvalho”
12 - João Amadeu Silva (Université Catholique de Braga, Portugal): «Havemos de Rir?: l’espace limité de l’ humain»
13- Cândido Oliveira Martins (Université Catholique de Braga, Portugal): "Représentations du féminin dans la fiction de Maria Judite de Carvalho »
14 - Luiza Leal ( Univ de Caceres, Espagne), “Pseudonymes et mondes intérieurs: de João Falco (Irene Lisboa) à Emília Bravo (Maria Judite de Carvalho)”
15 - Pedro Serra ( Université de Salamanque, Espagne): “Chroniques du temps. Maria Judite de Carvalho et la chronique »
16 - José Manuel Esteves ( Université Paris Ouest Nanterre La Défense): « L’œuvre de Maria Judite de Carvalho : ‘Une façon de dire adieu’ »
17- Maria Graciete Besse ( Université de Paris- Sorbonne/Paris IV) : « Le corps souffrant des femmes chez Maria Judite de Carvalho »
18- Fernando Curopos (Université de Paris-Sorbonne/Paris IV) : « Maternités marginales dans l’œuvre de Maria Judite de Carvalho »
19 - Maria Araújo da Silva (Université de Paris-Sorbonne/Paris IV) : « Maria Judite de Carvalho : une écriture sur fond de silence »
20- Maria Helena Carreira ( Université Paris 8) : «Le rôle de l’ambiguïté dans la construction du sens textuel chez Maria Judite de Carvalho ».
21- Graça Costa ( doctorante Paris IV), « Le fantastique dans l’œuvre de Maria Judite de Carvalho)
22- António Manuel Ferreira (Université de Aveiro, Portugal, Departamento de Linguas e Culturas , aferreira@dlc.ua.pt ), “Les contes de Maria Judite de Carvalho: la mélancolie du réalisme”
23 – Pedro Calheiros ( Université de Aveiro, Portugal), “ Maria Judite de Carvalho e Machado de Assis”
24- Lauro Antonio (cinéaste); “A escrita imagética de Maria Judite de Carvalho”

Organisation :
CRIMIC – Université de la Sorbonne/Paris IV
CEC – Centro de Estudos Comparatistas (FLUL, Portugal)
Département d’Études Lusophones, CRILUS (Centre de Recherches Interdisciplinaires du Monde Lusophones), Cátedra Lindley Cintra/Instituto Camões de l’ Université Paris Ouest Nanterre La Défense
Collaborations : Lectorats de portugais de l’Institut Camões aux universités da la Sorbonne Nouvelle/Paris III, Sorbonne/Paris IV et Paris 8/Saint-Denis;
Centre Culturel Calouste Gulbenkian, Paris
Association des étudiants lusophones de Paris X Nanterre
BN –Lisbonne

terça-feira, outubro 27, 2009

NOVA REVISTA: INUTIL

:
INÚTIL
Saiu uma nova revista.
Chama-se "Inútil", é dirigida pela Maria Quintans,
João Concha e Ana Lacerda.
Graficamente, não é uma revista, é uma obra de arte.
Para folhear com prazer, lentamente,
ler poesia, prosa, textos avulsos,
e admirar fotografias e desenhos
(por vezes prodigiosos).
Quase todos os seus autores têm blogues.
Uns nasceram neles para a escrita ou a arte,
outros aterraram neles.
Há para todos os gostos, e para muitos bons gostos.
Raros são os desgostos, que também os há.
Mas, globalmente, é uma surpresa admirável
e um acto de coragem editorial fabuloso.
Anda por lá perdido um texto meu,
sobre a "Ira" que dá o mote ao número,
número que se deseja o primeiro de uma longa série.
Pessoalmente sinto-me imensamente feliz por este parto.
Que, de certa forma, é fruto dos "Vavadiando"
e dos convívios que neles se foram estabelecendo.
Direi mais sobre esta "Inútil",
mas para já fica o desafio: não percam a revista,
só há 500 exemplares à venda,
não percam nem um,
porque vai esgotar rapidamente,
e vai constituir raridade bibliográfica.
Vejam a lista de colaboradores
(é só clicar na imagem para ler melhor)
e imaginem o que será.
Pois bem, é muito melhor que isso.

segunda-feira, outubro 26, 2009

CINEMA E LITERATURA

:
A começar hoje, na Reitoria da Clássica
entrada livre neste módulo

CINE ECO 2009 - PRÉMIOS

:
“PARE, ESCUTE E OLHE”,
DOCUMENTÁRIO DE JORGE PELICANO
CONQUISTA 3 GRANDES PRÉMIOS
DO CINE’ECO 2009,
XV FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA E VÍDEO
DA SERRA DA ESTRELA, SEIA, PORTUGAL


O Documentário “Pare, Escute e Olhe”, de Jorge Pelicano foi o grande vencedor do Cine’Eco 2009 – XV Festival Internacional de Cinema de Ambiente de Seia ao arrebatar os três principais prémios do Festival. A obra foi distinguida pelo Júri Internacional com o Grande Prémio do Ambiente (Câmara Municipal de Seia) – Campânula de Ouro, que é o prémio maior do Festival. O Júri da Lusofonia atribuiu-lhe também o Grande Prémio da Lusofonia e Campânula de Ouro e o Júri da Juventude, destacou-o com o Prémio Especial da Juventude.

“Pare, Escute, Olhe” é uma viagem por um Portugal profundo e esquecido, conduzida pela voz soberana de um povo inconformado, maior vítima de promessas incumpridas dos que juraram defender a terra. O povo ficou isolado no único distrito do país sem um único quilómetro de auto-estrada.

O Júri Internacional, onde pontuam nomes como os actores Laura Soveral, Ricardo Pereira, Anabela Teixeira, Susana Borges, Silvina Ribeiro e a Directora do Festival de Cinema de Ambiente de Washington, atribuiu os seguintes Prémios:

- Prémio Educação Ambiental - “Morrer na Abundância” de Yougos Avgeropoulos (Grécia)
- Prémio “Água” - “Um Rio Invisível”, de Renata Druck (Brasil)
- Prémio Valorização de Resíduos - “Viver com Vergonha”, de Huaqing Jin (China)
- Prémio “Vida Natural - “A Árvore da Música”, de Otávio Juliano (Brasil)
- Prémio “Polis” - “Em nome da Terra”, de Rita Saldanha (Portugal)
- Prémio Antropologia Ambiental - “A Dádiva da Pachamama”, de Toshifumi Matsushita (Bolivia, Japão)
- Vídeo Não Profissional - “Dá-me um abraço”, de Geert Droppers (Holanda)
- Prémio Camacho Costa - “Não é Grave”, de Sersar Yacine (França)
Prémios Especiais do Júri Internacional:
- “Arrakis”, de Andrea Di Nardo (Itália)
- “Nadar Livremente” de Jennifer Galvin (EUA)
- “O Espírito do porco”, de Chico Faganello, Dauro Veras (Brasil)

O Júri da Lusofonia, constituído pela escritora Brasileira Denise Godoy, o Antropólogo, António Colaço, o cantor e compositor Angolano Mano Ray, a Jornalista Licínia Girão e o Empresário Alberto Toscano atribuiu os seguintes Prémios:

- Grande Prémio da Lusofonia - “Pare, Escute e Olhe”, de Jorge Pelicano (Portugal);

- Prémio Ambiente de Lusofonia – “Direitos dos Animais”, de Pedro Barbosa

Menções Honrosas:
- “Os Últimos Moinhos” de Luís Silva (Seia, Portugal);
- “A Árvore da Música”, de Otavio Juliano
- “Kalunga” de Luís Elias, Pedro Nabuco e Sylvestre Campe

O Júri da Juventude, atribuiu os seguintes Prémios:

Grande Prémio da Juventude: “Pare, Escute e Olhe”, de Jorge Pelicano (Portugal) pela consciencialização social e política, pela questão da macrocefalia e pela magnificência do nível técnico.
Menção Honrosa: “ Arrakis”, Andrea Di Nardo (Itália), pela visão conceptual e poética.

Menção Honrosa: “É proibido respirar”, de Ricky Farina, Pietro Menditto e Diego Fabrício (Itália) pela sensibilização dos malefícios do Consumo desregrado e pelo seu cariz experimental.

Decidiu ainda atribuir o Prémio para o melhor filme de animação a “Peripheria”, de Barelli Barcel (Suiça).

O Júri das Extensões atribuiu os seguintes Prémios:
- Prémio “CineEco em Movimento” – “Milho”, de José Barahona (Portugal);
Menção Honrosa – “Condomínio da Terra – Organizar a Vizinhança Global”, de Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza (Portugal).

sexta-feira, outubro 16, 2009

TEATRO: SEIS PERSONAGENS À PROCURA DE AUTOR

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“SEIS PERSONAGENS À PROCURA DE AUTOR”

Com “Seis Personagens à Procura de Autor”, Luigi Pirandelo (1867-1936) revolucionou por completo o teatro no inicio do século XX, colocando-o no centro da própria intriga teatral. A peça, escrita em 1921, não será certamente a primeira que introduz o artifício de chamar a estrutura cénica ao centro da acção teatral, mas é seguramente a primeira que o faz de forma consciente e debatendo profundamente as relações entre realidade e fantasia, entre autor e personagem, entre o palco e a vida. Entre Personagem, Actor, Autor e Encenador.
O próprio Pirandelo, num prefácio à sua peça, explica a sua génese, afirmando que a “Fantasia teve, alguns anos atrás, a pérfida inspiração ou o malfadado capricho de conduzir a minha casa uma família inteira, descoberta não sei onde nem como, mas que, em seu entender, poderia fornecer-me o tema para um magnífico romance.”
“Na minha frente deparei com um homem à roda dos cinquenta anos, de casaco escuro e calças claras, de aspecto sombrio e olhar amargurado pelas mortificações sofridas; uma pobre viúva vestida de luto, segurando por uma mão uma menina de quatro anos e pela outra um rapazinho de pouco mais de dez anos; uma rapariga insolente e provocante, também de negro vestida, mas com uma ostentação arrogante e equívoca, toda ela um frémito de irónico desdém contra aquele pobre homem mortificado e contra um rapaz de vinte anos que se escondia atrás dos outros, fechado em si como se os outros lhe não causassem senão desprezo. Em suma, aquelas seis personagens tal como aparecem no palco, no princípio da peça, E ora uma ora outra, e às vezes procurando interromper-se umas às outras, empenhavam-se em narrar-me os seus tristes sucessos, gritar-me as suas razões, atirar-me ao rosto as suas desordenadas paixões, mais ou menos como fazem na peça ao desventurado Director de cena.”
Assim é na peça: quando o público entra na sala o palco está aberto, a cena sem cenários, e meia dúzia de técnicos deambulam por ali, com um ar apressado, preparando um ensaio que irá acontecer a seguir. Entram depois os actores e o encenador, e principia o ensaio, quando subitamente irrompe no palco um grupo de seis personagens que “procuram um autor”. Foram recusados até aí por um autor, mas não se conformam, querem viver a sua vida de personagens e não desistem dela. Impõem-se lentamente perante o grupo que os olha atónito. Actores e encenador não sabem o que fazer diante de personagens que começam a desfiar dramas pungentes, acusações, silêncios dolorosos, existências trágicas, inexistências, vinganças, recriminações, abusos, invenções sonhadas ou realidades vividas. Eles têm uma história e querem-na tornar pública, querem que o público os ouça através da sua assunção como “personagens”. Não querem que os “actores” os interpretem. Querem ser eles próprios “a serem eles próprios”. O que cria uma certa tensão dramática no palco, porque nunca se vira assim personagens à solta, libertas de um autor, sem a direcção de um encenador, sem o enquadramento de um palco, sem prévios ensaios que os encaixem numa estrutura pré-estabelecida. Estes “seis personagens” são rebeldes indomáveis, sobretudo o pai que conduz a revolta e a enteada que funciona como contraponto do que o pai vai afirmando. A mãe limita-se a estar presente, o filho de vinte anos, esse nem quer estar presente, e os dois filhos mais novos “não estão presentes”, são ausências, fantasmas de mortos. Mas o grupo entra como um todo, como se de uma unidade única se tratasse e lentamente vai-se fragmentando, ocupando o palco, até se retirar no final como sombras. Ainda Pirandelo: “Qual é o autor que poderá dizer alguma vez como e porquê nasceu na sua fantasia uma personagem? O mistério da criação artística é o mesmo mistério do nascimento natural. Uma mulher que ama pode desejar ser mãe; mas esse desejo apenas, por mais intenso que seja, não basta. Um belo dia ela descobrirá que vai ser mãe, sem uma advertência precisa de quando tenha acontecido. Assim também um artista, vivendo, acolhe em si germes inúmeros de vida, e nunca poderá dizer como nem porquê, em dado momento, um desses germes vitais, fecundado pela fantasia, se transforma numa criatura viva, situada num plano de vida superior ao da volúvel existência quotidiana.” “Posso apenas dizer que, sem tê-las de maneira nenhuma procurado, encontrei diante de mim aquelas seis personagens que ora se vêem em cena, vivas ao ponto de poder tocar-lhes e ouvir-lhes a respiração. E as seis, na minha frente, esperavam, cada uma com o seu tormento interior e secreto, irmanadas pelo nascimento e pelo entrelaçar das suas vicissitudes recíprocas, que eu as introduzisse no munda da arte e com as suas pessoas, as suas paixões e os seus casos compusesse um drama, um romance ou pelo menos uma novela. Nados vivos, aspiravam a viver.”
É esta obra, absolutamente genial, e ainda hoje perturbadora, que Jorge da Silva Melo encenou e estreou no Teatro São Luiz. Num espectáculo que vale sobretudo pela reposição da peça em Portugal. Eu já a vira em duas versões magníficas, uma, absolutamente fora de série, trazida pela brasileira Cacilda Becker, ao lado de Paulo Autran, numa curta temporada no Teatro Monumental, se é que me recordo bem. Outra no Teatro Avenida, na Companhia “Teatro de Sempre”, numa encenação de Gino Saviotti, com Rogério Paulo, Adelina Campos, Cármen Dolores, Samuel Dinis, Madalena Sotto, Mário Pereira, Constança Navarro, Fernanda Alves, Armando Caldas, entre outros.
A versão de Jorge Silva Melo é escorreita, tem algumas boas soluções (a aparição das seis personagens, a evocação de Madame Pace, o final). Entre os actores, João Perry no pai é brilhante, Lia Gama na mãe deverá ter um dos papéis mais ingratos da sua carreira, mas consegue “estar em situação” durante toda a peça, mostrando-se igualmente uma excelente actriz. Já Silvie Rocha, uma actriz talentosa, que já vimos fazer papéis muito interessantes, aqui destoa em toda a linha numa composição cuja razão de ser não compreendemos. Finalmente, o restante elenco, muito jovem, com uma ou outra excepção, é fraco. Saúde-se a aparição de Mariema.

Luigi Pirandello, Prémio Nobel de Literatura em 1934, nasceu Agrigento, Sicília, Itália, a 28 de Junho 1867, e faleceu em Roma, a 10 de Dezembro 1936. Dramaturgo, poeta e romancista. Para lá de “Seis Personagens à Procura de Autor” outras obras importantes de Luigi Pirandelo são, “Para Cada um sua Verdade”, “Esta Noite Improvisa-se”, “Um, Ninguém e Cem Mil”, “Henrique IV”, “A Bilha”, “Ele Foi Mattia Pascal” (ou “O Falecido Mattia Pascal”), “O Marido de Minha Mulher”, entre muitos outras.

“Seis Personagens à Procura de Autor”, no Teatro de São Luiz. Texto: Luigi Pirandello. Tradução: Mário Feliciano e Fernando José Oliveira. Encenação: Jorge Silva Melo. Cenografia e Figurinos: Rita Lopes Alves. Luz: Pedro Domingos. Com: João Perry, Lia Gama, Sylvie Rocha, Pedro Gil, Cândido Ferreira, Pedro Luzindro, Alexandra Viveiros, John Romão, Vânia Rodrigues, António Simão, João Meireles, João Miguel Rodrigues, Joaquim Pedro, Miguel Telmo, Pedro Carraca, Pedro Lacerda, Rita Brütt, Diogo Correia, Jéssica Anne, João Delgado, Luís Godinho, Pedro Lamas, Ricardo Batista, Rui Rebelo, Sara Moura, e a participação especial de Mariema.


segunda-feira, outubro 12, 2009

AUTÁRQUICAS DE NOVO, CÁ POR COISAS

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ALGUMAS CONCLUSÕES A QUENTE

Fechado o ciclo eleitoral de 2009, há algumas conclusões a extrair muito curiosas:
- Uma derrota estrondosa do PSD nacional, encabeçado por Manuela Ferreira Leite, que agora, nas autárquicas, foi amplamente confirmada. Alguns dos autarcas do PSD eleitos com maiorias expressivas não podiam ser mais cáusticos em relação a MFL (veja-se, a título de exemplo, Luís Filipe Meneses, em Gaia, e Moita Flores, em Santarém, chegando este último a dizer publicamente que não votaria em MFL nas legislativas). Depois, a (escassa) vitória do PSD em número de Câmaras ganhas não pode, nem de perto nem de longe, ser atribuído à direcção nacional, mas sim ao carisma e ao bom trabalho de muitos autarcas (Sintra, Cascais, Faro, Famalicão, etc. seriam autarquias ganhas obviamente pelos candidatos laranjas, com ou sem ajuda de MFL, e a do Porto foi ganha por Riu Rio, “apesar” de MFL).
- Uma derrota esmagadora do Bloco de Esquerda que demonstrou na prática que não vale nas autarquias (isto é, no “campo”, no trabalho prático) um terço do que pareceu valer a nível nacional, nas europeias e legislativas. Uma coisa é o blá, blá contestatário, onde vale tudo para arregimentar descontentes, que vende bem e engana ingénuos e papalvos a nível de Parlamento (“deixem lá chegar ao Parlamento estes gajos refilões, para animar a malta!”, terão pensado alguns, enquanto outros, fervendo de raiva, iam votar nos que “mais mal” diziam do governo), mas já não vende a nível autárquico, pois sabe-se bem quem trabalha e é competente e não vive só de bazófia.
- A CDU no poder local mantém a influência que lhe advém de algumas boas experiências. Não é um partido que incha e desincha ao sabor do vento, tem obra feita que o ilustra, e viu-se o resultado: ganhou e perdeu, mas manteve uma impressionante estabilidade.
- Uma vitória saborosa do PS e aliados em Lisboa, mostrando que “quem une ganha, quem desune perde”, como foi dito, e bem, por António Costa. Refira-se que Pedro Santana Lopes não se finou ainda desta vez, aguentou-se bem, e vai “continuar a andar por aí”, como vereador ou não. Aposto que como vereador (porque tem visibilidade), mas sem terminar o mandato (porque é assim mesmo). A ver vamos.
- Sublinhe-se a vitória de Rui Rio no Porto, um homem que enfrentou vários “núcleos duros” de interesses criados no concelho, nomeadamente ao nível do futebol, e que conseguiu trazer alguma transparência à administração autárquica. Os portuenses reconhecerem o esforço e a coragem, e alguns portistas de certeza que também o fizeram.
(Pessoalmente congratulo-me ainda com as claras vitórias de Armindo Costa, em Famalicão, de Norberto Patinho, em Portel, e de Carlos Filipe Camelo, em Seia. Do que sei, pelos contactos pessoais e profissionais mantidos com todos eles, bem merecem os resultados.)
(Volto a colocar este post, dado que o mesmo desapareceu durante a noite do meu Facebook. Estranho, não é?)

O QUE AS AUTÁRQUICAS DISSERAM, II

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ALGUMAS CONCLUSÕES A QUENTE

Fechado o ciclo eleitoral de 2009, há algumas conclusões a extrair muito curiosas:
- Uma derrota estrondosa do PSD nacional, encabeçado por Manuela Ferreira Leite, que agora, nas autárquicas, foi amplamente confirmada. Alguns dos autarcas do PSD eleitos com maiorias expressivas não podiam ser mais cáusticos em relação a MFL (veja-se, a título de exemplo, Luís Filipe Meneses, em Gaia, e Moita Flores, em Santarém, chegando este último a dizer publicamente que não votaria em MFL nas legislativas). Depois, a (escassa) vitória do PSD em número de Câmaras ganhas não pode, nem de perto nem de longe, ser atribuído à direcção nacional, mas sim ao carisma e ao bom trabalho de muitos autarcas (Sintra, Cascais, Faro, Famalicão, etc. seriam autarquias ganhas obviamente pelos candidatos laranjas, com ou sem ajuda de MFL, e a do Porto foi ganha por Riu Rio, “apesar” de MFL).
- Uma derrota esmagadora do Bloco de Esquerda que demonstrou na prática que não vale nas autarquias (isto é, no “campo”, no trabalho prático) um terço do que pareceu valer a nível nacional, nas europeias e legislativas. Uma coisa é o blá, blá contestatário, onde vale tudo para arregimentar descontentes, que vende bem e engana ingénuos e papalvos a nível de Parlamento (“deixem lá chegar ao Parlamento estes gajos refilões, para animar a malta!”, terão pensado alguns, enquanto outros, fervendo de raiva, iam votar nos que “mais mal” diziam do governo), mas já não vende a nível autárquico, pois sabe-se bem quem trabalha e é competente e não vive só de bazófia.
- A CDU no poder local mantém a influência que lhe advém de algumas boas experiências. Não é um partido que incha e desincha ao sabor do vento, tem obra feita que o ilustra, e viu-se o resultado: ganhou e perdeu, mas manteve uma impressionante estabilidade.
- Uma vitória saborosa do PS e aliados em Lisboa, mostrando que “quem une ganha, quem desune perde”, como foi dito, e bem, por António Costa. Refira-se que Pedro Santana Lopes não se finou ainda desta vez, aguentou-se bem, e vai “continuar a andar por aí”, como vereador ou não. Aposto que como vereador (porque tem visibilidade), mas sem terminar o mandato (porque é assim mesmo). A ver vamos.
- Sublinhe-se a vitória de Rui Rio no Porto, um homem que enfrentou vários “núcleos duros” de interesses criados no concelho, nomeadamente ao nível do futebol, e que conseguiu trazer alguma transparência à administração autárquica. Os portuenses reconhecerem o esforço e a coragem, e alguns portistas de certeza que também o fizeram.
(Pessoalmente congratulo-me ainda com as claras vitórias de Armindo Costa, em Famalicão, de Norberto Patinho, em Portel, e de Carlos Filipe Camelo, em Seia. Do que sei, pelos contactos pessoais e profissionais mantidos com todos eles, bem merecem os resultados.)
(Volto a colocar este post, dado que o mesmo desapareceu durante a noite do meu Facebook. Estranho, não é?

domingo, outubro 11, 2009

O FEITICEIRO DE OZ, NO CINEMA E NO TEATRO

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O FEITICEIRO DE OZ (The Wizard of Oz)
DE HOLLYWOOD À RUA DAS PORTAS DE SANTO ANTÃO
“O Feiticeiro de Oz”, de Victor Fleming, é, segundo estatísticas certamente falíveis, mas que se julgam mesmo assim irrecusáveis, o filme mais visto de sempre, e seguramente um dos mais amados. Tendo em conta as vezes sem fim em que continua a passar pelos ecrãs de televisão de todo o mundo, esta é uma afirmação que não sofre grande contestação. Isto apesar de a sua estreia não ter sido gloriosa. O sucesso inicial não foi tremendo, como se poderia hoje imaginar, mas “O Feiticeiro de Oz” acabaria por ser reconhecido através dos tempos e julga-se hoje em dia que será o filme mais visto de sempre mercê das suas múltiplas passagens em canais de televisão de todo o mundo, com uma periodicidade regular e intensa. Gerações e gerações de pais e filhos já viram, no cinema e na TV, repetidas vezes até, “O Feiticeiro de Oz”, e preparam o caminho para outras tantas gerações que aí estão prontas a assistirem às aventuras de Dorothy, uma rapariga do Kansas que, pela magia do cinema, consegue viajar “para lá do arco íris”.
“The Wizard of Oz”, rodado em 1939, e assinado por Victor Fleming, é uma adaptação de um romance de L. Frank Baum. Conta com uma fabulosa partitura musical assinada por Harold Arden e E.Y. Harburg. Nas canções e na música adicional destaca-se Herbert Stothart que, conjuntamente com George Stoll, conduziu a orquestra da M.G.M. nas sessões de gravação em estúdio. Mas sabe-se que mais nove compositores tiveram relevantes contribuições, escrevendo e orquestrando excertos desta lendária partitura. Estão neste caso George Bassman, Murray Cutter, Bob Stringer, Paul Marquardt, Leo Arnaud e Conrad Salinger, além de Roger Edens e Ken Darby, que se ocuparam dos arranjos vocais.
Se a génese musical desta obra foi complicada, não menos terá sido a realização. Em 1939, a MGM, então uma das mais poderosas “majors” de Hollywood, tinha em produção, entre outros, dois mega espectáculos: este “O Feiticeiro de Oz” e ainda “E Tudo o Vento Levou”. Curiosamente, ambos os filmes aparecem assinados por um mesmo realizador, Victor Fleming, ainda que em ambas as obras tivessem surgido vários outros cineastas. Uma história que merece ser recordada...
Falemos então da realização de “O Feiticeiro de Oz”. O arranque inicial é dado por Richard Thorpe, um realizador que no princípio da carreira se especializou em filmes de série B, ligado a quase toda a excelente série Tarzan, interpretado por Johhny Weissmuller, e que se tornará notado, nos anos 50, pelas suas aventuras históricas – “Ivanhoe”, “O Prisioneiro de Zenda” ou “Os Cavaleiros da Távola Redonda”. Richard Thorpe filma durante doze dias, mas nada do que registou em película seria aproveitado na versão definitiva. Segue-se-lhe George Cukor, que ainda está menos tempo à frente do projecto, mas que acaba por ter uma contribuição decisiva na forma como dirige Judy Garland, ou não fosse Cukor um excelente director de actrizes. Cukor sai da realização de “O Feiticeiro de Oz” para ir tomar conta de “E Tudo o Vento Levou” e traçar o perfil de Scarlet O’Hara. Para a direcção de “O Feiticeiro de Oz” vem então Victor Fleming que assina 90% do material filmado. Mas, quando começam igualmente a surgir problemas com George Cukor e Sam Wood na realização de “E Tudo o Vento Levou”, a MGM envia Victor Fleming para acabar este filme e coloca o seu amigo King Vidor a terminar as sequências de “Oz”. Curiosamente, todas as cenas filmadas por King Vidor são das mais célebres desta obra – o arranque no Kansas e a sequência do tornado, ou a despedida de Dorothy de Munchkindland.
Victor Fleming, nascido a 23 de Fevereiro de 1883, veio a falecer a 6 de Janeiro de 1949. Inicialmente piloto de carros de corrida, Fleming estreou-se no cinema como fotógrafo, trabalhando com realizadores como Allan Dwan e David W. Griffith e actores como Douglas Fairbanks. Em 1919 passa a realizar as suas próprias obras. Mas foi entre as décadas de 30 e 40 que assina as suas obras mais conhecidas, como “O Médico e o Monstro”, uma versão interpretada por Spencer Tracy e Ingrid Bergman, “A Star is Born”, “E Tudo o Vento Levou”, “O Feiticeiro de Oz” ou “Joana de Arc”, seu derradeiro título, de 1948.
“O Feiticeiro de Oz” foi adaptado ao cinema por uma vasta equipa de que faziam parte os escritores e argumentistas Noel Langley, Florence Ryerson e E.A. Woolf, mas a que se haveria ainda de acrescentar a colaboração de alguns outros não incluídos no genérico oficial, como Arthur Freed, Herman Mankiewicz, Sid Silvers ou Ogden Nash. L. Frank Baum fora o autor de “The Wonderful Wizard of Oz” (romance escrito em 1899 e publicado no ano seguinte), que estaria na base do filme.
Mas antes de surgir no cinema, passara pelo teatro, num “musical” que percorreu os EUA entre 1902 e 1903. A estreia deu-se na Grand Opera House, em Chicago, a 16 de Junho de 1902, com actores de “vaudeville” como David Montgomery (O Homem de Lata) e Fred Stone (O Espantalho). A 21 de Janeiro de 1903, o mesmo show aparecia na Broadway, no Majestic Theatre, de Nova Iorque, para uma prolongada estadia de 290 representações (o maior êxito do ano!), que se estenderia depois a uma “tournée” pelos EUA que duraria até 1911.
Mark Evan Swartz, autor do livro “Oz Before the Rainbow”, aparecido em 2000, estabelece uma compilação das diferentes adaptações para cinema e teatro conhecidas antes da versão de 1939, e depois, definindo ainda uma listagem de obras directamente influenciadas pelo filme de Fleming. Entre as versões cinematográficas citam-se: “The Wizard of Oz” (1908), “The Wonderful Wizard of Oz” (1910), com Bebe Daniels, uma criança de nove anos no papel de Dorothy, e ainda mais duas versões do mesmo ano, produzidas pela Selig Polyscope Company, uma “Dorothy and the Scarecrow in Oz” (1910), e outra “The Land of Oz” (1910). Em 1914, o próprio escritor, L. Frank Baum, produz três versões, todas oriundas da sua companhia, a Oz Film Manufacturing Company, “The Patchwork Girl of Oz”, “The Magic Cloak of Oz”, e “His Majesty, the Scarecrow of Oz”, que afirmam ser a que de mais perto segue o livro. Em 1921, surge mais uma “The Wizard of Oz” e em 1925 outra, da Chadwick Pictures, com Bucha e Estica, sendo a realização de Larry Semon. Mas muitas versões mais se poderiam acrescentar à longa lista: “The Scarecrow of Oz” ou “The Land of Oz” (1931), uma curta-metragem de fantasia, uma versão canadiana, de 1933, sem diálogos e com algumas cenas a cores e em animação, e uma outra versão de 1938, igualmente em animação.
Depois do filme que imortalizou Judy Garland, apareceu uma versão animada da cadeia de TV ABC, com o título “Off to See the Wizard” (1967) e Sidney Lumet, em 1978, dirigiu “The Wiz”, adaptação do musical da Broadway, de William F. Brown e Charlie Smalls, com Diana Ross na protagonista, e Michael Jackson na personagem do “Espantalho”.
Sendo um dos filmes mais célebres e citados da história do cinema, natural é que seja igualmente dos mais parodiados e homenageados noutras obras de cinema. The Muppet Movie (1979) é uma delas, com uma viagem iniciática de Kermit a Hollywood (a sua Terra de Oz), onde para lá de outras referências surge uma versão actualizada de “Somewhere Over the Rainbow”, “The Rainbow Connection”. Mas podem referir-se muitas outras citações: “Under the Rainbow” (1981), “Ozu no Mahotsukai” (1982), animação de Takayama Fumihiko, “Return to Oz” (1985) com Fairuza Balk na figura de Dorothy, numa produção não musical e em imagem real dos estúdios Disney, o belíssimo filme de David Lynch, “Wild at Heart” (1990), que refere Oz, tal como a superprodução de Jan de Bont, “Twister” (1996), onde Dorothy é o nome do tornado. Também Robert Zemeckis, em “Contact” (1997) não esquece Oz, nem a canção "Over the Rainbow", ou um balão de ar quente com a inscrição impressa “This Way To Oz". Em “Face/Off” (1997), de John Woo, "Over the Rainbow" é a canção que se ouve durante uma das cenas chave da película.
O caos que reinou durante as filmagens inspirou Steve Rash para realizar “Under the Rainbow” (1981), uma comédia louca com Chevy Chase, Carrie Fisher e Eve Arden, ambientada nos bastidores da rodagem do filme de 1939.
No teatro, há uma versão da Royal Shakespeare Company, em 1987, e, em 2003, estreia, na Broadway, um novo musical, desta feita criado por Stephen Schwartz, intitulado “Wicked”, e baseado no romance de Gregory Maguire, de 1995, “Wicked: The Life and Times of the Wicked Witch of the West”. No Radio City Music Hall de Nova Iorque todos os anos há uma curta série de espectáculos com uma versão musical que recupera o filme de 1939, da MGM. Muito por onde escolher, portanto, mas nenhuma destas inúmeras citações faz jus à fama e celebridade deste filme, cuja canção "Over the Rainbow" foi considerada a melhor canção de sempre aparecida num filme. ”O Feiticeiro de Oz” é, pois, há muito um filme verdadeiramente “de culto” na história do cinema.
O livro de L. Frank Baum começa assim: "Dorothy vivia no meio das grandes pradarias do Kansas, com o tio Henry, que era agricultor, e a Tia Em, que era a mulher do agricultor.” Muitos insistem na veracidade da inspiração do escritor, que tinha referências bem reais para as suas personagens. Mas deve dizer-se também que o romance se baseia vagamente em Lewis Caroll e na sua “Alice”. “O Feiticeiro de Oz” principia por uma sequência a preto e branco, realista, sendo a protagonista a pequena Dorothy, deixando os campos do Kansas, com o seu pequeno cão Totó, levada para um mundo de fantasia, essa Munchkindland de que fala a lenda, depois de um tornado ter devastado a sua aldeia. A seguir é a viagem encantatória, “beyond the rainbow”, por um mundo de fadas, feiticeiros, magos, onde os animais e as plantas falam e dançam, sempre na mira de chegar a Oz, referência final para o seu regresso à realidade e a casa. Na companhia de um espantalho, de um homem de lata e de um leão, Dorothy percorre um universo deliberadamente de estúdio, artificial, reconstruído, insólito e maravilhoso, onde muitas das pessoas com quem se cruza diariamente no Kansas se transformam inconscientemente em personagens de um mundo imaginado, sonhado. Judy Garland é Dorothy, Ray Bolger o espantalho, Bert Lahr, o leão amedrontado, Jack Haley, o homem de lata. O encontro com os pequenos Munchkins e a visita ao castelo do feiticeiro de Oz são momentos de eleição desta obra-prima do cinema em feliz incursão pelos terrenos da fantasia.
É Dorothy quem explica esse mundo onde não existem problemas, “um lugar onde não se vai de barco ou comboio”, “um lugar longe, longe, para lá da lua, para lá da chuva”:
“Somewhere over the rainbow, way up high
There's a land that I've heard of, once in a lullaby
Somewhere over the rainbow, skies are blue
And the dreams that you dare to dream
Really do come true
Some day I'll wish upon a star
And wake up where the clouds are far behind me
Where troubles melt like lemon drops
Away above the chimney tops
That's where you'll find me
Somewhere over the rainbow, blue birds fly
Birds fly over the rainbow
Why then, oh why, can't I?”
Depois de percorrerem a estrada que conduz à Terra de Oz, a Yellow Brick Road, depois de terem derrotado a Bruxa Má do Oeste, Dorothy e os amigos são premiados pelo Feiticeiro de Oz que lhes permite cumprir os seus desejos mais íntimos – para Dorothy será o regresso a casa e à realidade a que procurou furtar-se e onde torna enriquecida pela experiência iniciática de uma viagem (tal como Alice). Maravilhosa, como o filme, e a voz de Judy Garland.
A cerimónia de atribuição dos Oscars de 1939 ficou marcada por uma produção cinematográfica de altíssima qualidade. Vejam-se só os nomeados para a categoria de melhor filme do ano: “Dark Victory”, de Edmund Goulding, “Gone With the Wind”, de Victor Fleming; “Goodbye Mr. Chips”, de Sam Wood, “Love Affair”, de Leo McCarey; “Mr. Smith Goes to Washington”, de Frank Capra; “Ninotchka”, de Ernest Lubitch; “Of Mice and Men”, de Lewis Milestone; “Stagecoach”, de John Ford, “The Wizard of Oz”, de Victor Fleming e ainda “Wuthering Heighs”, de William Wyler. No campo da comédia musical, “O Feiticeiro de Oz” ganhou tudo o que tinha a ganhar: melhor banda sonora, da autoria de Herbert Stohart, e melhor canção, “Over the Rainbow”, de Harold Arlen, música, e E.Y. Harburg, letras. Mas o filme seria ainda nomeado, como já vimos, na categoria de melhor filme do ano (produtor Mervyn LeRoy), perdendo para “E Tudo o Vento Levou”, do mesmo Victor Fleming, para lá de disputar os Oscars de melhor decoração de interiores, para Cedric Gibbons e Wiliam A. Horning, melhor fotografia a cores, para Hal Rosson, e melhores efeitos especiais, de som e imagem. Judy Garland ganharia ainda uma estatueta miniatura, destacando o seu trabalho como actriz jovem. Caso raro nos Oscars, um realizador competiu consigo próprio: Victor Fleming encontrou-se em competição com… Victor Fleming de “Gone With the Wind”.
Num dos números da revista “American Quarterly” de 1967, o estudioso Henry M. Littlefield estabelece uma curiosa versão para a interpretação do romance de L. Frank Baum, “The Wonderful Wizard of Oz”, ligando-o a uma parábola política sobre o populismo, associando-o mesmo à eleição presidencial de 1896 e ao movimento populista do virar do século XIX para o XX. As conotações e referências directas são múltiplas. Aqui ficam apenas algumas: o Espantalho refere-se aos sensatos mas inocentes agricultores do Oeste; O Homem de Lata remete para os operários das fábricas de Este e a sua desumanização, a Bruxa Má do Oeste seria um símbolo dos industriais e banqueiros do Oeste que controlavam o povo (os Munchkins), as Bruxas boas do Norte e do Sul destinam-se aos poderosos movimentos populistas, o feiticeiro de Oz tanto poderia ser o Presidente Grover Cleveland, como o candidato republicano William McKinley , e o Leão medroso poderia ser lido como referência ao candidato democrata, William Jennings Bryan. Dorothy seria a natureza bondosa e saudável do povo norte-americano. Oz poderia ser a abreviatura de “ounce” (pequeno) e Emerald City seria Washington, D.C. Enfim, como em todas as viagens iniciáticas, a simbologia abre-se às mais diversas interpretações.
Uma verdadeira obra-prima da cinematografia norte-americana, que não deixa de nos surpreender a cada vez que a vemos e nos deixamos seduzir por esse mundo mágico que cavalga nas ondas de um tornado e põe a descoberto muitos dos fantasmas, dos medos, das ilusões, das fantasias, das esperanças e dos pesadelos da raça humana. As obras únicas e imperecíveis têm esse condão – falam-nos do que de mais íntimo se passa no coração do Homem. Por vezes de forma tão aparentemente simples como se de uma comédia musical se tratasse.
Agora pela mão de Filipe La Féria, lá vamos nós também, e de novo, a caminho de Oz. Ou a caminho do Politeama, em Lisboa, onde o musical acaba de subir a cena. Com o sucesso habitual.
Mais uma vez o talento de la Féria se manifesta sob diversos pontos de vista. Antes de mais, na forma inteligente como concentra a história em cerca de sessenta minutos, para a tornar mais apetecível para os mais jovens. Nada de muito essencial se perde (obviamente que os adultos prefeririam uma maior densidade de personagens e de situações) e o texto ganha em ritmo e em fluência. Depois a encenação, que é de difícil concepção e não pode perder o encantamento próprio a este género de obras (especialmente esta), é inventiva e “maravilhosa”. A cena do tufão envolve-nos, o mundo dos pigmeus diverte e encanta, a bruxa má e os macacos voadores surpreendem, o palácio de Oz produz o efeito desejado. O guarda-roupa é sumptuoso e de muito bom gosto, para lá de engenhoso. Já o mesmo não me parece ser o efeito da animação que percorre quase toda a acção e a situa. Os desenhos são demasiado “barbie” para o meu gosto, e julgo que toda a “feérie” do musical merecia um outro traço, de maior personalidade e vigor. Curiosamente, guarda-roupa e vídeos são assinados pela mesma pessoa, Marta Anjos.
O elenco muito jovem é bom e homogéneo. Cátia Garcia é Dorothy, trabalho que executa com graça natural, boa voz, e uma elegância muito especial. Ela e o cão Totó, encantam. David Ventura é um excelente e esforçado Leão, Ruben Madureira é o elástico Espantalho e Arménio Pimenta o couraçado Homem de Lata, os três a viver momentos de tortura no interior dos seus fatos, mas a justificarem plenamente as palmas finais. Helena Montês, a Tia Emily, Tiago Isidro, o Feiticeiro de Oz, Carla Janeiro, Glinda, a Bruxa Boa do Norte, e Sofia Cruz, a Bruxa Má do Oeste, completam o grosso da companhia que é, como já disse, jovem e se recomenda. La Féria encena, a coreografia é da responsabilidade de Inna LisniaK, a direcção musical de Telmo Lopes, a direcção vocal de Tiago Isidro. O assistente de La Féria é aqui de casa, Frederico Corado, que ali se iniciou no teatro, há dez anos, criando os vídeos para “Amália”.
As crianças já sabem que têm ali um espectáculo à sua altura, isto é, sendo tratadas com a dignidade e o respeito que merecem, coisa que raras vezes acontece nos espectáculos para crianças que não raro se vêem por esses palcos e pseudo-palcos portugueses. Há duas pechas gritantes em muitos espectáculos que se concebem, especialmente vocacionados para crianças: um é tratá-las como publico débil, jogando com interpretações idiotas e infantilizadas; outra é organizar a coisa com “meia bola e força”, porque para quem é, chega. Filipe La Féria até pode nem sempre acertar, mas procura sempre fazer o melhor. E o melhor é, por exemplo, este “O Feiticeiro de Oz”.


sexta-feira, outubro 09, 2009

CINE ECO 2009 JÚRIS

:
Júri da Competição Internacional

Laura Soveral, actriz
Flo Stones, directora do Festival de Cinema de Ambiente de Washington (EUA)
Suzana Borges, actriz
Anabela Teixeira, actriz
Silvina Pereira, actriz
António Escudeiro, realizador e director de fotografia de cinema
Ricardo Pereira, actor
Maria José Garcia, Advogada e Agente Cultural (Espanha)
Victor Alves, professor da Escola Secundária de Seia
Maria Elizete de Azevedo Fayad (Brasil)
José Gonçalves Tavares, Academia Sénior De Seia
João Pedro Vaz Pinheiro Estêvão
Luís Filipe Fontes
Mauro Costa Couceiro

Júri da Competição Lusófona

João Pereira Bastos, musicólogo
António Colaço, antropólogo
Denise Godoy, escritora (Brasil)
Licinia Girão, jornalista
Mano Kuango, cantor (Angola)
Alberto Toscano, gestor

Júri das Extensões
Sandra Silva, representante, Sec. Regional Ambiente, Açores
Susana Isabel Rocha Ribeiro, representante, Dep. Ambiente, Câmara Municipal De Lisboa
António Caetano de Maües-Colaço, antropólogo
Roda Darte, ecoteca do Faial, Açores

Júri da Juventude
Catarina Silva
Helder Magalhães
Francisco Reis
Graziela Abc
Miguel Pedro Couceiro Da Costa
Nuno Ramos
Catherine Boutaud
Vanessa Pelerigo
Cláudia Almeida

APRESENTAÇÃO DO CINE ECO 2009

uma realização de Frederico Corado, com excertos de obras a concurso

Cine Eco 2009 - PROGRAMAÇÃO A CONCURSO

CINE ECO 2009

Entre 17 e 24 de Outubro, o Cine Eco 2009 vai apresentar, no auditório do CISE, a concurso e extra-concurso, um conjunto notável de obras que a seguir se reportam:

Between October 17 and 24, Cine Eco 2009 will screen, in the auditorium of CISE, in contest and extra-contest, a remarkable set of works, as follows:

CONCURSO INTERNACIONAL – HORÁRIO
International contest - programme

por ordem alfabética do título português
by alphabetical order of the Portuguese title

+1ºC, de Dénes Ruzsa (Hungria) 2’
(En)Terrados, de Alex Lora Cercos (Espanha) 12’
O Acidente, de André Marques, Carlos Silva (Portugal) 7’
Aqua de Selva (Água da Selva), de Juan António Rodriguez, Ramon Campoamor (Espanha) 26’
La Minaccia (A Ameaça), de Luca Bellino, Sílvia Luzi (Itália) 86’
O Areal, de Sebastião Sepúlveda (Brasil) 54’
Arena, de João Salaviza (Portugal) 15’
Arraki, de Andrea Di Nardo (Itália) 23’
A Árvore da Música, de Otavio Juliano (Brasil) 78’
Barco-Escola Chama-Maré, de Pedro Barbosa (Brasil) 22’
Biodiversidade em Estilo, de Carlos Domingomes, Joana Rão (Portugal) 14’
Bode Rei Cabra Rainha, de Helena Tassara (Brasil) 48’
El Club de los Sin Techo (O Clube dos sem Tecto), de Cláudia Brenlla (Argentina) 55’
Colisão, de Maria Zara Soares Nogueira (Portugal) 5’
Condomínio da Terra, de Quercus (Portugal) 6’
Cordão Verde, de Hiroatsu Susuki, Rossana Torrres (Portugal) 33’
The Choir (O Coro), de Michael Davie (Austrália) 90’
Costa do Cemento (Costa do Cimento), de Robert Harding Pettman (Espanha) 26’
Farming Our Future (Cultivando o nosso Futuro), de Venu Nair (Índia) 26’
El Regalo de la Pachamama (A Dádiva da Pachamama), de Toshifumi Matsushita (Bolivia, Japão) 102’
Gimme a Hug (Dá-me um Abraço), de Geert Droppers (Holanda) 14’
China’s Unnatural Disaster: The Years of Sichuan Province (O Desastre Antinatural da China: os Anos da Província de Sichuan), de Jon Alpert, Matthew O’Neil (EUA) 38’
Pannonian Desert (O Deserto da Panónia), de Szabolcs Mosonyl (Hungria) 29’
The Forgotten District (O Distrito Esquecido), de Olivier Dickinson (França, Inglaterra) 52’
Vietato Respirare (É Proibido Respirar) Chissiotte (Itália) 30’
Em Nome da Terra, de Rita Saldanha (Portugal) 50’
Espírito de Porco, de Chico Faganello, Dauro Veras (Brasil) 51’
A Evolução de Darwin, de Pedro Sena Nunes (Portugal) 38’
Falken im Kloster (Falcões no Mosteiro), de Wieland Lippoldmuller (Alemanha) 44’
A Força da Terra, de André Martins (Portugal) 22’
Fragmentum Natura, de Pedro Sena Nunes (Portugal) 7’
Gigantes, de Pedro Barbosa (Brasil) 25’
Holodomor – Eminsee Ukrajnaban (Holodomor – Fome na Ucrânia), de Igor Hidvegi, Istvan Hegedus (Hungria) 48’
Homo Toxicus, de Carole Poliquin (Canadá) 52’
Kalunga, de Luis Elias, Pedro Nabuco, Sylvestre Campe (Brasil) 77’
Die Dunkle Seile des Lichls (O Lado Negro da Luz), de Anja Freyhoff, Thomas Uhlmann (Alemanha) 50’
A Lua Partida ao Meio, de Humberto Martins (Portugal) 3’
Dyingi in Abundance (Morrer na Abundância ), de Yougos Avgeropoulos (Grécia) 54’
Free Swim (Nadar Livremente), de Jennifer Galvin (EUA) 50’
C’ Est pás Grave (Não é Grave), de Sersar Yacine (França) 10’
Auf der Leisen Spur der Schnabelwale (No Encalço das Vozes Silenciosas), de Stefan Geier (Alemanha) 44’
Pa Verdens Bund (No Fim do Mundo – 1 -The Beggars of Addis Ababa), de Jacob Gottschau (Dinamarca) 28’
Night Over Parma (Noite sobre Parma), de Anatoly Baluev (Rússia) 13’
Pare, Escute, Olhe, de Jorge Pelicano (Portugal) 90’
Exotic Homeland (Pátria Exótica), de Anne Mesecke (Alemanha) 52’
Percepção de Risco, A Descoberta de um Novo Olhar, de Sandra Alves, Vera Longo (Brasil) 77’
Peripheria, de Barelli Marcel (Suíça) 8’
Pimenta, de Juan Ortelli, Mariano Fernandez Russo (Argentina) 3’,11
A Próxima Mordida, de Ângelo Lima (Brasil) 25’
Ressignificar, de Sara Vitória (Brasil) 16’
Um Rio Invisível, de Renata Druck (Brasil) 24’
Robô, de Juan Ortelli, Mariano Fernandez Russo (Argentina) 2’,7
Saudades da Terra, de Carlos Brandão Lucas (Portugal) 50’
Si Loin, Si Proche (Tão Longe, Tão Perto), de Barbier Olivier (França) 25’
Os Transformadores, de Carlos Silva e João Paulo Dias (Portugal) 6’
Wa Quan (Viver com Vergonha), de Huaqing Jin (China) 20’
Zerzura, de Ruben Vermeersch (Bélgica) 19’

CONCURSO LUSOFONIA – HORÁRIO
lusophony contest - programme

Concurso Lusofonia / Por ordem alfabética
Lusophony contest by alphabetical order

Bombeiros de Seia – 75 Anos
Café, de João Fazenda, Alex Gozblau (Portugal) 7’
Direitos dos Animais, de Pedro Barbosa (Brasil) 31’
Elvas, Chaves do Reino, de Carlos Brandão Lucas (Portugal) 17’
Festas de Nossa Senhora de Fátima~Castelo Mendo, de José Hortêncio, Mánagé d’ Almeida Melio (Portugal) 19'
Gato sem Nome, Um de Carlos Cruz (Portugal) 15’
Gente de Fajã, de António João Saraiva (Portugal) 58’
Grafitti em Ruínas, de João Novais (Brasil) 20’
Hospital de São João: Um Lugar de Esperança, de Hugo Manuel Correia (Portugal) 30’
Jardim Botânico, de Pedro Barbosa (Brasil) 25’
L.A.P.A. , de Cavi Borges, Emílio Domingos (Brasil) 75’
Living in the Tree II, de Vitor Lopes (Portugal) 1’,30
Milho, de José Barahona (Portugal) 54’
Natureza como Criadora de Recursos, A de Pedro Sequeira, Alexandre Martins, Vítor Roque (Portugal) 20’
PretaRouca, de José Costa Barbosa (Portugal) 90’
Sete Vidas, de Marcelo Spomberg, Zé Mucinho (Brasil) 10’
Torres del Paine, de Júlio Mourão (Brasil) 20’
Últimos Moinhos, Os, de Luís Silva (Portugal) 53’

Concurso Lusofonia incluído no Concurso Internacional / Por ordem alfabética
Lusophony contest included in the International Contest / by alphabetical order


Acidente, O de André Marques, Carlos Silva (Portugal) 7’
Areal, O de Sebastião Sepúlveda (Brasil) 54’
Arena, de João Salaviza (Portugal) 15’
Árvore da Música, Ade Otavio Juliano (Brasil) 78’
Barco-Escola, Chama-Maré, de Pedro Barbosa (Brasil) 22’
Biodiversidade em Estilo, de Carlos Domingomes, Joana Rão (Portugal) 14’
Bode Rei Cabra Rainha, de Helena Tassara (Brasil) 48’
Colisão, de Maria Zara Soares Nogueira (Portugal) 5’
Condomínio da Terra, de Quercus (Portugal) 6’
Cordão Verde, de Hiroatsu Susuki, Rossana Torrres (Portugal) 33’
Em Nome da Terra, de Rita Saldanha (Portugal) 50’
Espírito de Porco, de Chico Faganello, Dauro Veras (Brasil) 51’
Evolução de Darwin, A de Pedro Sena Nunes (Portugal) 38’
Força da Terra, A de André Martins (Portugal) 22’
Fragmentum Natura, de Pedro Sena Nunes (Portugal) 7’
Lua Partida ao Meio, A de Humberto Martins (Portugal) 3’
Percepção de Risco, A Descoberta de um Novo Olhar, de Sandra Alves, Vera Longo (Brasil) 77’
Próxima Mordida, A de Ângelo Lima (Brasil) 25’
Ressignificar, de Sara Vitória (Brasil) 16’
Saudades da Terra, de Carlos Brandão Lucas (Portugal) 50’
Transformadores, Os de Carlos Silva e João Paulo Dias (Portugal) 6’

EXTRA - CONCURSO – HORÁRIO
Extra contest - programme
Balada das Abelhas, A (Honeybee Blues), de Stefan Moore (Austrália) 52’
Cidadão Boileson, de Chaim Litewski (Brasil) 93’
Encruzilhada de Energias (Energy Crossroads, a Burning Need of Change Course), de Christopher Fauchére (EUA) 58’
Floresta de Pinheiros de Birkin (brikin Pine Wood), de Tsvetkova Liudmila (Rússia) 39’
Karearea: o Falcão do Pinhal (Karearea: The Pine Falcon), de Sandy Crichton (Nova Zelândia) 49’
Manual de Uso Para uma Nave Espacial (Manual de Uso Para una Nave Espacial), de Horácio Alcalá (Espanha) 98’
Ovinos, Caprinos e e a Brucelose (Dzemo, Kosa I Bruceloza), de Nisvet Hrustic (Bosnia e Herzegovinia) 19’
Revolução Azul em Lakshadweep (Blue Revolution in Lakshadweep), de Venu Nair (Índia) 28’
Rota dos Dólmenes (Domen Route), de Jongtok Chu (Coreia do Sul) 52’
Sangue de Kouan Kouan, O (The Blood of Kouan Kouan), de Yougos Avgeropoulos (Grécia) 64’
Sob as Florestas Verdes (Banada Neralu), de Umashankar Swamy (Índia) 105’
Sou Mais uma Árvore que um Homem (I Am More A Tree Than a Man), de Topmas Domanski (Polónia) 8’
Últimos Gigantes – Oceanos em Perigo, Os (The Last Giants – Oceans in Danger), de Daniele Grieco (Alemanha) 90’
Vida Solitária dos Guindastes, A (The Solitary Life of Cranes), de Eva Weber (Inglaterra) 27’

sábado, outubro 03, 2009

Da "Nouvelle Vague" à Actualidade

:
HISTÓRIA DO CINEMA, III
COMEÇA TERÇA-FEIRA, DIA 6 DE OUTUBRO

dos anos 60 à actualidade
Data 6 Out 2009 a 9 Fev 2010
Local Rua de Santiago, 18, Lisboa

Carga Horária 28 horas
Preço 257€ + 26€ (Insc) + 2,50€ (Seg) (200€ - alunos do Ar.Co)
Condições de Admissão: Sem requisitos. Por ordem de inscrição.
Horário: 3ª feira das 18h30 às 20h30
Tipo semestral
Programa Uma perspectiva rápida da evolução da história do Cinema Mundial, desde a "Nouvelle Vague" até final do século XX, com particular incidência nalguns dos principais movimentos estéticos da última metade do século XX.

Visionamento comentado de algumas das obras charneiras deste período.
Professor:
Lauro António