domingo, outubro 11, 2009

O FEITICEIRO DE OZ, NO CINEMA E NO TEATRO

:
O FEITICEIRO DE OZ (The Wizard of Oz)
DE HOLLYWOOD À RUA DAS PORTAS DE SANTO ANTÃO
“O Feiticeiro de Oz”, de Victor Fleming, é, segundo estatísticas certamente falíveis, mas que se julgam mesmo assim irrecusáveis, o filme mais visto de sempre, e seguramente um dos mais amados. Tendo em conta as vezes sem fim em que continua a passar pelos ecrãs de televisão de todo o mundo, esta é uma afirmação que não sofre grande contestação. Isto apesar de a sua estreia não ter sido gloriosa. O sucesso inicial não foi tremendo, como se poderia hoje imaginar, mas “O Feiticeiro de Oz” acabaria por ser reconhecido através dos tempos e julga-se hoje em dia que será o filme mais visto de sempre mercê das suas múltiplas passagens em canais de televisão de todo o mundo, com uma periodicidade regular e intensa. Gerações e gerações de pais e filhos já viram, no cinema e na TV, repetidas vezes até, “O Feiticeiro de Oz”, e preparam o caminho para outras tantas gerações que aí estão prontas a assistirem às aventuras de Dorothy, uma rapariga do Kansas que, pela magia do cinema, consegue viajar “para lá do arco íris”.
“The Wizard of Oz”, rodado em 1939, e assinado por Victor Fleming, é uma adaptação de um romance de L. Frank Baum. Conta com uma fabulosa partitura musical assinada por Harold Arden e E.Y. Harburg. Nas canções e na música adicional destaca-se Herbert Stothart que, conjuntamente com George Stoll, conduziu a orquestra da M.G.M. nas sessões de gravação em estúdio. Mas sabe-se que mais nove compositores tiveram relevantes contribuições, escrevendo e orquestrando excertos desta lendária partitura. Estão neste caso George Bassman, Murray Cutter, Bob Stringer, Paul Marquardt, Leo Arnaud e Conrad Salinger, além de Roger Edens e Ken Darby, que se ocuparam dos arranjos vocais.
Se a génese musical desta obra foi complicada, não menos terá sido a realização. Em 1939, a MGM, então uma das mais poderosas “majors” de Hollywood, tinha em produção, entre outros, dois mega espectáculos: este “O Feiticeiro de Oz” e ainda “E Tudo o Vento Levou”. Curiosamente, ambos os filmes aparecem assinados por um mesmo realizador, Victor Fleming, ainda que em ambas as obras tivessem surgido vários outros cineastas. Uma história que merece ser recordada...
Falemos então da realização de “O Feiticeiro de Oz”. O arranque inicial é dado por Richard Thorpe, um realizador que no princípio da carreira se especializou em filmes de série B, ligado a quase toda a excelente série Tarzan, interpretado por Johhny Weissmuller, e que se tornará notado, nos anos 50, pelas suas aventuras históricas – “Ivanhoe”, “O Prisioneiro de Zenda” ou “Os Cavaleiros da Távola Redonda”. Richard Thorpe filma durante doze dias, mas nada do que registou em película seria aproveitado na versão definitiva. Segue-se-lhe George Cukor, que ainda está menos tempo à frente do projecto, mas que acaba por ter uma contribuição decisiva na forma como dirige Judy Garland, ou não fosse Cukor um excelente director de actrizes. Cukor sai da realização de “O Feiticeiro de Oz” para ir tomar conta de “E Tudo o Vento Levou” e traçar o perfil de Scarlet O’Hara. Para a direcção de “O Feiticeiro de Oz” vem então Victor Fleming que assina 90% do material filmado. Mas, quando começam igualmente a surgir problemas com George Cukor e Sam Wood na realização de “E Tudo o Vento Levou”, a MGM envia Victor Fleming para acabar este filme e coloca o seu amigo King Vidor a terminar as sequências de “Oz”. Curiosamente, todas as cenas filmadas por King Vidor são das mais célebres desta obra – o arranque no Kansas e a sequência do tornado, ou a despedida de Dorothy de Munchkindland.
Victor Fleming, nascido a 23 de Fevereiro de 1883, veio a falecer a 6 de Janeiro de 1949. Inicialmente piloto de carros de corrida, Fleming estreou-se no cinema como fotógrafo, trabalhando com realizadores como Allan Dwan e David W. Griffith e actores como Douglas Fairbanks. Em 1919 passa a realizar as suas próprias obras. Mas foi entre as décadas de 30 e 40 que assina as suas obras mais conhecidas, como “O Médico e o Monstro”, uma versão interpretada por Spencer Tracy e Ingrid Bergman, “A Star is Born”, “E Tudo o Vento Levou”, “O Feiticeiro de Oz” ou “Joana de Arc”, seu derradeiro título, de 1948.
“O Feiticeiro de Oz” foi adaptado ao cinema por uma vasta equipa de que faziam parte os escritores e argumentistas Noel Langley, Florence Ryerson e E.A. Woolf, mas a que se haveria ainda de acrescentar a colaboração de alguns outros não incluídos no genérico oficial, como Arthur Freed, Herman Mankiewicz, Sid Silvers ou Ogden Nash. L. Frank Baum fora o autor de “The Wonderful Wizard of Oz” (romance escrito em 1899 e publicado no ano seguinte), que estaria na base do filme.
Mas antes de surgir no cinema, passara pelo teatro, num “musical” que percorreu os EUA entre 1902 e 1903. A estreia deu-se na Grand Opera House, em Chicago, a 16 de Junho de 1902, com actores de “vaudeville” como David Montgomery (O Homem de Lata) e Fred Stone (O Espantalho). A 21 de Janeiro de 1903, o mesmo show aparecia na Broadway, no Majestic Theatre, de Nova Iorque, para uma prolongada estadia de 290 representações (o maior êxito do ano!), que se estenderia depois a uma “tournée” pelos EUA que duraria até 1911.
Mark Evan Swartz, autor do livro “Oz Before the Rainbow”, aparecido em 2000, estabelece uma compilação das diferentes adaptações para cinema e teatro conhecidas antes da versão de 1939, e depois, definindo ainda uma listagem de obras directamente influenciadas pelo filme de Fleming. Entre as versões cinematográficas citam-se: “The Wizard of Oz” (1908), “The Wonderful Wizard of Oz” (1910), com Bebe Daniels, uma criança de nove anos no papel de Dorothy, e ainda mais duas versões do mesmo ano, produzidas pela Selig Polyscope Company, uma “Dorothy and the Scarecrow in Oz” (1910), e outra “The Land of Oz” (1910). Em 1914, o próprio escritor, L. Frank Baum, produz três versões, todas oriundas da sua companhia, a Oz Film Manufacturing Company, “The Patchwork Girl of Oz”, “The Magic Cloak of Oz”, e “His Majesty, the Scarecrow of Oz”, que afirmam ser a que de mais perto segue o livro. Em 1921, surge mais uma “The Wizard of Oz” e em 1925 outra, da Chadwick Pictures, com Bucha e Estica, sendo a realização de Larry Semon. Mas muitas versões mais se poderiam acrescentar à longa lista: “The Scarecrow of Oz” ou “The Land of Oz” (1931), uma curta-metragem de fantasia, uma versão canadiana, de 1933, sem diálogos e com algumas cenas a cores e em animação, e uma outra versão de 1938, igualmente em animação.
Depois do filme que imortalizou Judy Garland, apareceu uma versão animada da cadeia de TV ABC, com o título “Off to See the Wizard” (1967) e Sidney Lumet, em 1978, dirigiu “The Wiz”, adaptação do musical da Broadway, de William F. Brown e Charlie Smalls, com Diana Ross na protagonista, e Michael Jackson na personagem do “Espantalho”.
Sendo um dos filmes mais célebres e citados da história do cinema, natural é que seja igualmente dos mais parodiados e homenageados noutras obras de cinema. The Muppet Movie (1979) é uma delas, com uma viagem iniciática de Kermit a Hollywood (a sua Terra de Oz), onde para lá de outras referências surge uma versão actualizada de “Somewhere Over the Rainbow”, “The Rainbow Connection”. Mas podem referir-se muitas outras citações: “Under the Rainbow” (1981), “Ozu no Mahotsukai” (1982), animação de Takayama Fumihiko, “Return to Oz” (1985) com Fairuza Balk na figura de Dorothy, numa produção não musical e em imagem real dos estúdios Disney, o belíssimo filme de David Lynch, “Wild at Heart” (1990), que refere Oz, tal como a superprodução de Jan de Bont, “Twister” (1996), onde Dorothy é o nome do tornado. Também Robert Zemeckis, em “Contact” (1997) não esquece Oz, nem a canção "Over the Rainbow", ou um balão de ar quente com a inscrição impressa “This Way To Oz". Em “Face/Off” (1997), de John Woo, "Over the Rainbow" é a canção que se ouve durante uma das cenas chave da película.
O caos que reinou durante as filmagens inspirou Steve Rash para realizar “Under the Rainbow” (1981), uma comédia louca com Chevy Chase, Carrie Fisher e Eve Arden, ambientada nos bastidores da rodagem do filme de 1939.
No teatro, há uma versão da Royal Shakespeare Company, em 1987, e, em 2003, estreia, na Broadway, um novo musical, desta feita criado por Stephen Schwartz, intitulado “Wicked”, e baseado no romance de Gregory Maguire, de 1995, “Wicked: The Life and Times of the Wicked Witch of the West”. No Radio City Music Hall de Nova Iorque todos os anos há uma curta série de espectáculos com uma versão musical que recupera o filme de 1939, da MGM. Muito por onde escolher, portanto, mas nenhuma destas inúmeras citações faz jus à fama e celebridade deste filme, cuja canção "Over the Rainbow" foi considerada a melhor canção de sempre aparecida num filme. ”O Feiticeiro de Oz” é, pois, há muito um filme verdadeiramente “de culto” na história do cinema.
O livro de L. Frank Baum começa assim: "Dorothy vivia no meio das grandes pradarias do Kansas, com o tio Henry, que era agricultor, e a Tia Em, que era a mulher do agricultor.” Muitos insistem na veracidade da inspiração do escritor, que tinha referências bem reais para as suas personagens. Mas deve dizer-se também que o romance se baseia vagamente em Lewis Caroll e na sua “Alice”. “O Feiticeiro de Oz” principia por uma sequência a preto e branco, realista, sendo a protagonista a pequena Dorothy, deixando os campos do Kansas, com o seu pequeno cão Totó, levada para um mundo de fantasia, essa Munchkindland de que fala a lenda, depois de um tornado ter devastado a sua aldeia. A seguir é a viagem encantatória, “beyond the rainbow”, por um mundo de fadas, feiticeiros, magos, onde os animais e as plantas falam e dançam, sempre na mira de chegar a Oz, referência final para o seu regresso à realidade e a casa. Na companhia de um espantalho, de um homem de lata e de um leão, Dorothy percorre um universo deliberadamente de estúdio, artificial, reconstruído, insólito e maravilhoso, onde muitas das pessoas com quem se cruza diariamente no Kansas se transformam inconscientemente em personagens de um mundo imaginado, sonhado. Judy Garland é Dorothy, Ray Bolger o espantalho, Bert Lahr, o leão amedrontado, Jack Haley, o homem de lata. O encontro com os pequenos Munchkins e a visita ao castelo do feiticeiro de Oz são momentos de eleição desta obra-prima do cinema em feliz incursão pelos terrenos da fantasia.
É Dorothy quem explica esse mundo onde não existem problemas, “um lugar onde não se vai de barco ou comboio”, “um lugar longe, longe, para lá da lua, para lá da chuva”:
“Somewhere over the rainbow, way up high
There's a land that I've heard of, once in a lullaby
Somewhere over the rainbow, skies are blue
And the dreams that you dare to dream
Really do come true
Some day I'll wish upon a star
And wake up where the clouds are far behind me
Where troubles melt like lemon drops
Away above the chimney tops
That's where you'll find me
Somewhere over the rainbow, blue birds fly
Birds fly over the rainbow
Why then, oh why, can't I?”
Depois de percorrerem a estrada que conduz à Terra de Oz, a Yellow Brick Road, depois de terem derrotado a Bruxa Má do Oeste, Dorothy e os amigos são premiados pelo Feiticeiro de Oz que lhes permite cumprir os seus desejos mais íntimos – para Dorothy será o regresso a casa e à realidade a que procurou furtar-se e onde torna enriquecida pela experiência iniciática de uma viagem (tal como Alice). Maravilhosa, como o filme, e a voz de Judy Garland.
A cerimónia de atribuição dos Oscars de 1939 ficou marcada por uma produção cinematográfica de altíssima qualidade. Vejam-se só os nomeados para a categoria de melhor filme do ano: “Dark Victory”, de Edmund Goulding, “Gone With the Wind”, de Victor Fleming; “Goodbye Mr. Chips”, de Sam Wood, “Love Affair”, de Leo McCarey; “Mr. Smith Goes to Washington”, de Frank Capra; “Ninotchka”, de Ernest Lubitch; “Of Mice and Men”, de Lewis Milestone; “Stagecoach”, de John Ford, “The Wizard of Oz”, de Victor Fleming e ainda “Wuthering Heighs”, de William Wyler. No campo da comédia musical, “O Feiticeiro de Oz” ganhou tudo o que tinha a ganhar: melhor banda sonora, da autoria de Herbert Stohart, e melhor canção, “Over the Rainbow”, de Harold Arlen, música, e E.Y. Harburg, letras. Mas o filme seria ainda nomeado, como já vimos, na categoria de melhor filme do ano (produtor Mervyn LeRoy), perdendo para “E Tudo o Vento Levou”, do mesmo Victor Fleming, para lá de disputar os Oscars de melhor decoração de interiores, para Cedric Gibbons e Wiliam A. Horning, melhor fotografia a cores, para Hal Rosson, e melhores efeitos especiais, de som e imagem. Judy Garland ganharia ainda uma estatueta miniatura, destacando o seu trabalho como actriz jovem. Caso raro nos Oscars, um realizador competiu consigo próprio: Victor Fleming encontrou-se em competição com… Victor Fleming de “Gone With the Wind”.
Num dos números da revista “American Quarterly” de 1967, o estudioso Henry M. Littlefield estabelece uma curiosa versão para a interpretação do romance de L. Frank Baum, “The Wonderful Wizard of Oz”, ligando-o a uma parábola política sobre o populismo, associando-o mesmo à eleição presidencial de 1896 e ao movimento populista do virar do século XIX para o XX. As conotações e referências directas são múltiplas. Aqui ficam apenas algumas: o Espantalho refere-se aos sensatos mas inocentes agricultores do Oeste; O Homem de Lata remete para os operários das fábricas de Este e a sua desumanização, a Bruxa Má do Oeste seria um símbolo dos industriais e banqueiros do Oeste que controlavam o povo (os Munchkins), as Bruxas boas do Norte e do Sul destinam-se aos poderosos movimentos populistas, o feiticeiro de Oz tanto poderia ser o Presidente Grover Cleveland, como o candidato republicano William McKinley , e o Leão medroso poderia ser lido como referência ao candidato democrata, William Jennings Bryan. Dorothy seria a natureza bondosa e saudável do povo norte-americano. Oz poderia ser a abreviatura de “ounce” (pequeno) e Emerald City seria Washington, D.C. Enfim, como em todas as viagens iniciáticas, a simbologia abre-se às mais diversas interpretações.
Uma verdadeira obra-prima da cinematografia norte-americana, que não deixa de nos surpreender a cada vez que a vemos e nos deixamos seduzir por esse mundo mágico que cavalga nas ondas de um tornado e põe a descoberto muitos dos fantasmas, dos medos, das ilusões, das fantasias, das esperanças e dos pesadelos da raça humana. As obras únicas e imperecíveis têm esse condão – falam-nos do que de mais íntimo se passa no coração do Homem. Por vezes de forma tão aparentemente simples como se de uma comédia musical se tratasse.
Agora pela mão de Filipe La Féria, lá vamos nós também, e de novo, a caminho de Oz. Ou a caminho do Politeama, em Lisboa, onde o musical acaba de subir a cena. Com o sucesso habitual.
Mais uma vez o talento de la Féria se manifesta sob diversos pontos de vista. Antes de mais, na forma inteligente como concentra a história em cerca de sessenta minutos, para a tornar mais apetecível para os mais jovens. Nada de muito essencial se perde (obviamente que os adultos prefeririam uma maior densidade de personagens e de situações) e o texto ganha em ritmo e em fluência. Depois a encenação, que é de difícil concepção e não pode perder o encantamento próprio a este género de obras (especialmente esta), é inventiva e “maravilhosa”. A cena do tufão envolve-nos, o mundo dos pigmeus diverte e encanta, a bruxa má e os macacos voadores surpreendem, o palácio de Oz produz o efeito desejado. O guarda-roupa é sumptuoso e de muito bom gosto, para lá de engenhoso. Já o mesmo não me parece ser o efeito da animação que percorre quase toda a acção e a situa. Os desenhos são demasiado “barbie” para o meu gosto, e julgo que toda a “feérie” do musical merecia um outro traço, de maior personalidade e vigor. Curiosamente, guarda-roupa e vídeos são assinados pela mesma pessoa, Marta Anjos.
O elenco muito jovem é bom e homogéneo. Cátia Garcia é Dorothy, trabalho que executa com graça natural, boa voz, e uma elegância muito especial. Ela e o cão Totó, encantam. David Ventura é um excelente e esforçado Leão, Ruben Madureira é o elástico Espantalho e Arménio Pimenta o couraçado Homem de Lata, os três a viver momentos de tortura no interior dos seus fatos, mas a justificarem plenamente as palmas finais. Helena Montês, a Tia Emily, Tiago Isidro, o Feiticeiro de Oz, Carla Janeiro, Glinda, a Bruxa Boa do Norte, e Sofia Cruz, a Bruxa Má do Oeste, completam o grosso da companhia que é, como já disse, jovem e se recomenda. La Féria encena, a coreografia é da responsabilidade de Inna LisniaK, a direcção musical de Telmo Lopes, a direcção vocal de Tiago Isidro. O assistente de La Féria é aqui de casa, Frederico Corado, que ali se iniciou no teatro, há dez anos, criando os vídeos para “Amália”.
As crianças já sabem que têm ali um espectáculo à sua altura, isto é, sendo tratadas com a dignidade e o respeito que merecem, coisa que raras vezes acontece nos espectáculos para crianças que não raro se vêem por esses palcos e pseudo-palcos portugueses. Há duas pechas gritantes em muitos espectáculos que se concebem, especialmente vocacionados para crianças: um é tratá-las como publico débil, jogando com interpretações idiotas e infantilizadas; outra é organizar a coisa com “meia bola e força”, porque para quem é, chega. Filipe La Féria até pode nem sempre acertar, mas procura sempre fazer o melhor. E o melhor é, por exemplo, este “O Feiticeiro de Oz”.


sexta-feira, outubro 09, 2009

CINE ECO 2009 JÚRIS

:
Júri da Competição Internacional

Laura Soveral, actriz
Flo Stones, directora do Festival de Cinema de Ambiente de Washington (EUA)
Suzana Borges, actriz
Anabela Teixeira, actriz
Silvina Pereira, actriz
António Escudeiro, realizador e director de fotografia de cinema
Ricardo Pereira, actor
Maria José Garcia, Advogada e Agente Cultural (Espanha)
Victor Alves, professor da Escola Secundária de Seia
Maria Elizete de Azevedo Fayad (Brasil)
José Gonçalves Tavares, Academia Sénior De Seia
João Pedro Vaz Pinheiro Estêvão
Luís Filipe Fontes
Mauro Costa Couceiro

Júri da Competição Lusófona

João Pereira Bastos, musicólogo
António Colaço, antropólogo
Denise Godoy, escritora (Brasil)
Licinia Girão, jornalista
Mano Kuango, cantor (Angola)
Alberto Toscano, gestor

Júri das Extensões
Sandra Silva, representante, Sec. Regional Ambiente, Açores
Susana Isabel Rocha Ribeiro, representante, Dep. Ambiente, Câmara Municipal De Lisboa
António Caetano de Maües-Colaço, antropólogo
Roda Darte, ecoteca do Faial, Açores

Júri da Juventude
Catarina Silva
Helder Magalhães
Francisco Reis
Graziela Abc
Miguel Pedro Couceiro Da Costa
Nuno Ramos
Catherine Boutaud
Vanessa Pelerigo
Cláudia Almeida

APRESENTAÇÃO DO CINE ECO 2009

uma realização de Frederico Corado, com excertos de obras a concurso

Cine Eco 2009 - PROGRAMAÇÃO A CONCURSO

CINE ECO 2009

Entre 17 e 24 de Outubro, o Cine Eco 2009 vai apresentar, no auditório do CISE, a concurso e extra-concurso, um conjunto notável de obras que a seguir se reportam:

Between October 17 and 24, Cine Eco 2009 will screen, in the auditorium of CISE, in contest and extra-contest, a remarkable set of works, as follows:

CONCURSO INTERNACIONAL – HORÁRIO
International contest - programme

por ordem alfabética do título português
by alphabetical order of the Portuguese title

+1ºC, de Dénes Ruzsa (Hungria) 2’
(En)Terrados, de Alex Lora Cercos (Espanha) 12’
O Acidente, de André Marques, Carlos Silva (Portugal) 7’
Aqua de Selva (Água da Selva), de Juan António Rodriguez, Ramon Campoamor (Espanha) 26’
La Minaccia (A Ameaça), de Luca Bellino, Sílvia Luzi (Itália) 86’
O Areal, de Sebastião Sepúlveda (Brasil) 54’
Arena, de João Salaviza (Portugal) 15’
Arraki, de Andrea Di Nardo (Itália) 23’
A Árvore da Música, de Otavio Juliano (Brasil) 78’
Barco-Escola Chama-Maré, de Pedro Barbosa (Brasil) 22’
Biodiversidade em Estilo, de Carlos Domingomes, Joana Rão (Portugal) 14’
Bode Rei Cabra Rainha, de Helena Tassara (Brasil) 48’
El Club de los Sin Techo (O Clube dos sem Tecto), de Cláudia Brenlla (Argentina) 55’
Colisão, de Maria Zara Soares Nogueira (Portugal) 5’
Condomínio da Terra, de Quercus (Portugal) 6’
Cordão Verde, de Hiroatsu Susuki, Rossana Torrres (Portugal) 33’
The Choir (O Coro), de Michael Davie (Austrália) 90’
Costa do Cemento (Costa do Cimento), de Robert Harding Pettman (Espanha) 26’
Farming Our Future (Cultivando o nosso Futuro), de Venu Nair (Índia) 26’
El Regalo de la Pachamama (A Dádiva da Pachamama), de Toshifumi Matsushita (Bolivia, Japão) 102’
Gimme a Hug (Dá-me um Abraço), de Geert Droppers (Holanda) 14’
China’s Unnatural Disaster: The Years of Sichuan Province (O Desastre Antinatural da China: os Anos da Província de Sichuan), de Jon Alpert, Matthew O’Neil (EUA) 38’
Pannonian Desert (O Deserto da Panónia), de Szabolcs Mosonyl (Hungria) 29’
The Forgotten District (O Distrito Esquecido), de Olivier Dickinson (França, Inglaterra) 52’
Vietato Respirare (É Proibido Respirar) Chissiotte (Itália) 30’
Em Nome da Terra, de Rita Saldanha (Portugal) 50’
Espírito de Porco, de Chico Faganello, Dauro Veras (Brasil) 51’
A Evolução de Darwin, de Pedro Sena Nunes (Portugal) 38’
Falken im Kloster (Falcões no Mosteiro), de Wieland Lippoldmuller (Alemanha) 44’
A Força da Terra, de André Martins (Portugal) 22’
Fragmentum Natura, de Pedro Sena Nunes (Portugal) 7’
Gigantes, de Pedro Barbosa (Brasil) 25’
Holodomor – Eminsee Ukrajnaban (Holodomor – Fome na Ucrânia), de Igor Hidvegi, Istvan Hegedus (Hungria) 48’
Homo Toxicus, de Carole Poliquin (Canadá) 52’
Kalunga, de Luis Elias, Pedro Nabuco, Sylvestre Campe (Brasil) 77’
Die Dunkle Seile des Lichls (O Lado Negro da Luz), de Anja Freyhoff, Thomas Uhlmann (Alemanha) 50’
A Lua Partida ao Meio, de Humberto Martins (Portugal) 3’
Dyingi in Abundance (Morrer na Abundância ), de Yougos Avgeropoulos (Grécia) 54’
Free Swim (Nadar Livremente), de Jennifer Galvin (EUA) 50’
C’ Est pás Grave (Não é Grave), de Sersar Yacine (França) 10’
Auf der Leisen Spur der Schnabelwale (No Encalço das Vozes Silenciosas), de Stefan Geier (Alemanha) 44’
Pa Verdens Bund (No Fim do Mundo – 1 -The Beggars of Addis Ababa), de Jacob Gottschau (Dinamarca) 28’
Night Over Parma (Noite sobre Parma), de Anatoly Baluev (Rússia) 13’
Pare, Escute, Olhe, de Jorge Pelicano (Portugal) 90’
Exotic Homeland (Pátria Exótica), de Anne Mesecke (Alemanha) 52’
Percepção de Risco, A Descoberta de um Novo Olhar, de Sandra Alves, Vera Longo (Brasil) 77’
Peripheria, de Barelli Marcel (Suíça) 8’
Pimenta, de Juan Ortelli, Mariano Fernandez Russo (Argentina) 3’,11
A Próxima Mordida, de Ângelo Lima (Brasil) 25’
Ressignificar, de Sara Vitória (Brasil) 16’
Um Rio Invisível, de Renata Druck (Brasil) 24’
Robô, de Juan Ortelli, Mariano Fernandez Russo (Argentina) 2’,7
Saudades da Terra, de Carlos Brandão Lucas (Portugal) 50’
Si Loin, Si Proche (Tão Longe, Tão Perto), de Barbier Olivier (França) 25’
Os Transformadores, de Carlos Silva e João Paulo Dias (Portugal) 6’
Wa Quan (Viver com Vergonha), de Huaqing Jin (China) 20’
Zerzura, de Ruben Vermeersch (Bélgica) 19’

CONCURSO LUSOFONIA – HORÁRIO
lusophony contest - programme

Concurso Lusofonia / Por ordem alfabética
Lusophony contest by alphabetical order

Bombeiros de Seia – 75 Anos
Café, de João Fazenda, Alex Gozblau (Portugal) 7’
Direitos dos Animais, de Pedro Barbosa (Brasil) 31’
Elvas, Chaves do Reino, de Carlos Brandão Lucas (Portugal) 17’
Festas de Nossa Senhora de Fátima~Castelo Mendo, de José Hortêncio, Mánagé d’ Almeida Melio (Portugal) 19'
Gato sem Nome, Um de Carlos Cruz (Portugal) 15’
Gente de Fajã, de António João Saraiva (Portugal) 58’
Grafitti em Ruínas, de João Novais (Brasil) 20’
Hospital de São João: Um Lugar de Esperança, de Hugo Manuel Correia (Portugal) 30’
Jardim Botânico, de Pedro Barbosa (Brasil) 25’
L.A.P.A. , de Cavi Borges, Emílio Domingos (Brasil) 75’
Living in the Tree II, de Vitor Lopes (Portugal) 1’,30
Milho, de José Barahona (Portugal) 54’
Natureza como Criadora de Recursos, A de Pedro Sequeira, Alexandre Martins, Vítor Roque (Portugal) 20’
PretaRouca, de José Costa Barbosa (Portugal) 90’
Sete Vidas, de Marcelo Spomberg, Zé Mucinho (Brasil) 10’
Torres del Paine, de Júlio Mourão (Brasil) 20’
Últimos Moinhos, Os, de Luís Silva (Portugal) 53’

Concurso Lusofonia incluído no Concurso Internacional / Por ordem alfabética
Lusophony contest included in the International Contest / by alphabetical order


Acidente, O de André Marques, Carlos Silva (Portugal) 7’
Areal, O de Sebastião Sepúlveda (Brasil) 54’
Arena, de João Salaviza (Portugal) 15’
Árvore da Música, Ade Otavio Juliano (Brasil) 78’
Barco-Escola, Chama-Maré, de Pedro Barbosa (Brasil) 22’
Biodiversidade em Estilo, de Carlos Domingomes, Joana Rão (Portugal) 14’
Bode Rei Cabra Rainha, de Helena Tassara (Brasil) 48’
Colisão, de Maria Zara Soares Nogueira (Portugal) 5’
Condomínio da Terra, de Quercus (Portugal) 6’
Cordão Verde, de Hiroatsu Susuki, Rossana Torrres (Portugal) 33’
Em Nome da Terra, de Rita Saldanha (Portugal) 50’
Espírito de Porco, de Chico Faganello, Dauro Veras (Brasil) 51’
Evolução de Darwin, A de Pedro Sena Nunes (Portugal) 38’
Força da Terra, A de André Martins (Portugal) 22’
Fragmentum Natura, de Pedro Sena Nunes (Portugal) 7’
Lua Partida ao Meio, A de Humberto Martins (Portugal) 3’
Percepção de Risco, A Descoberta de um Novo Olhar, de Sandra Alves, Vera Longo (Brasil) 77’
Próxima Mordida, A de Ângelo Lima (Brasil) 25’
Ressignificar, de Sara Vitória (Brasil) 16’
Saudades da Terra, de Carlos Brandão Lucas (Portugal) 50’
Transformadores, Os de Carlos Silva e João Paulo Dias (Portugal) 6’

EXTRA - CONCURSO – HORÁRIO
Extra contest - programme
Balada das Abelhas, A (Honeybee Blues), de Stefan Moore (Austrália) 52’
Cidadão Boileson, de Chaim Litewski (Brasil) 93’
Encruzilhada de Energias (Energy Crossroads, a Burning Need of Change Course), de Christopher Fauchére (EUA) 58’
Floresta de Pinheiros de Birkin (brikin Pine Wood), de Tsvetkova Liudmila (Rússia) 39’
Karearea: o Falcão do Pinhal (Karearea: The Pine Falcon), de Sandy Crichton (Nova Zelândia) 49’
Manual de Uso Para uma Nave Espacial (Manual de Uso Para una Nave Espacial), de Horácio Alcalá (Espanha) 98’
Ovinos, Caprinos e e a Brucelose (Dzemo, Kosa I Bruceloza), de Nisvet Hrustic (Bosnia e Herzegovinia) 19’
Revolução Azul em Lakshadweep (Blue Revolution in Lakshadweep), de Venu Nair (Índia) 28’
Rota dos Dólmenes (Domen Route), de Jongtok Chu (Coreia do Sul) 52’
Sangue de Kouan Kouan, O (The Blood of Kouan Kouan), de Yougos Avgeropoulos (Grécia) 64’
Sob as Florestas Verdes (Banada Neralu), de Umashankar Swamy (Índia) 105’
Sou Mais uma Árvore que um Homem (I Am More A Tree Than a Man), de Topmas Domanski (Polónia) 8’
Últimos Gigantes – Oceanos em Perigo, Os (The Last Giants – Oceans in Danger), de Daniele Grieco (Alemanha) 90’
Vida Solitária dos Guindastes, A (The Solitary Life of Cranes), de Eva Weber (Inglaterra) 27’

sábado, outubro 03, 2009

Da "Nouvelle Vague" à Actualidade

:
HISTÓRIA DO CINEMA, III
COMEÇA TERÇA-FEIRA, DIA 6 DE OUTUBRO

dos anos 60 à actualidade
Data 6 Out 2009 a 9 Fev 2010
Local Rua de Santiago, 18, Lisboa

Carga Horária 28 horas
Preço 257€ + 26€ (Insc) + 2,50€ (Seg) (200€ - alunos do Ar.Co)
Condições de Admissão: Sem requisitos. Por ordem de inscrição.
Horário: 3ª feira das 18h30 às 20h30
Tipo semestral
Programa Uma perspectiva rápida da evolução da história do Cinema Mundial, desde a "Nouvelle Vague" até final do século XX, com particular incidência nalguns dos principais movimentos estéticos da última metade do século XX.

Visionamento comentado de algumas das obras charneiras deste período.
Professor:
Lauro António

quarta-feira, setembro 30, 2009

UMA COMUNICAÇÃO AO PAÍS

:

Ou eu me engano muito, ou a declaração ao País que parece não ter dito nada de novo e que demonstra, pelo menos, que Cavaco Silva não lê os livros de Stieg Larsson (a fabulosa trilogia do Millennium), nem tem os mais rudimentares conhecimentos de informática, vai dar ainda muito que falar e possivelmente provocar uma das mais graves e imprevisíveis crises institucionais no País.
Qual a razão para esta declaração opaca na data em que foi feita?
Antes de ouvir os partidos, antes de indigitar o novo Primeiro-Ministro?
E se o Senhor Presidente da República achar que não tem confiança política no previsível novo Primeiro-Ministro e não o empossar, passando a bola à Dr.ª Manuela Ferreira Leite, apadrinhada pelo Dr. Paulo Portas?
Acham impossível, e que isso seria um golpe de Estado?
Pois se calhar seria, ou se calhar será.
Esperemos a sinopse nos novos capítulos, e desejamos ardentemente não regressar a um Verão Quente, memo que seja no Outono.
O povo na rua é bom a festejar acontecimentos que o mereçam, não a guerrear-se por infantilidades de políticos medíocres.

domingo, setembro 20, 2009

É A CULTURA, ESTÚPIDOS!

CULTURA: ZERO
Eu sei que quem tem fome não se preocupa com a cultura, eu sei que quando há desemprego ninguém lê livros ou vai ao cinema ou ao teatro, muito menos visita museus ou ouve música. Eu sei que o TGV é muito mais importante para escoar produtos “vendáveis” do que obras de autores nacionais, eu sei que os bancos falidos por operações crapulosas são alvos mais visíveis de subsídios, eu sei que mandar bocas sobre escutas é algo que fica bem a qualquer governante de uma integridade acima de toda a suspeita, eu sei que os portugueses querem é saber sobre as pequenas e médias empresas (desde que nada tenham a ver com a cultura), eu sei que a Justiça, a Saúde, a Economia, a Educação, a Agricultura, etc. etc., são tudo temas dignos dos maiores debates, a merecer até a atenção dos gatos, fedorentos de preferência, mas, que diabo!, tenho visto, lido e ouvido debates constantes para todos os gostos e feitios, e até hoje nunca ouvi falar de Cultura. Somos um País assim tão desinteressante em matéria de Cultura? Paula Rego, Maria João Pires, Manoel de Oliveira, Siza Vieira, Mariza, José Saramago, e etc. e etc. e etc. e ou outros que vêm logo a seguir, em todos os ramos da literatura, da arte, da cultura, e todo o nosso património histórico, humano, geográfico, todo ele tão ligado à cultura, não justificava uma palavrinhas?
No São Luiz havia uns debates a que chamaram, que me lembre, “É a Cultura, Estúpido!”
Agora é mais “É a Cultura, Estúpidos!”

terça-feira, setembro 15, 2009

MANUELA FERREIRA LEITE "ASFIXIA"

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MANUELA FERREIRA LEITE
E A "ASFIXIA DEMOCRÁTICA"

Manuela Ferreira Leite tem sido acusada por alguns de dizer não importa o quê e de não ser muito coerente. Nada de mais errado. O seu pensamento é de uma coerência total e o seu maior pecado será ser tão sincera. Alguns avaliam essa sinceridade como virtude, mas não: expõe-se demasiado. Deixa ver o jogo todo.
Há dias andou pela Madeira, de João Jardim, e congratulou-se pela democracia plena que por lá se vive. Na Madeira, segundo MFL, não há “asfixia democrática” (a tal que, como todos sabem, existe no continente em doses maciças) e se por acaso existe algo semelhante está legitimado pelo sufrágio universal de que saiu vencedor por diversas vezes o seu Presidente do Governo Regional. Portanto, toda a actividade política de Hitler, que ganhou eleições, está igualmente legitimada, e o Governo de Manuela Ferreira Leite sê-lo-á igualmente se, por vontade dos portugueses, sair triunfadora das próximas eleições. Poderá então por em prática aquela teoria dos “seis meses sem democracia para endireitar o País” (e depois logo se verá se são ou não precisos mais alguns meses, ou anos, ou décadas, o Prof. Salazar também começou assim):
Há já sintomas alarmantes: Manuela Ferreira Leite julga que vai ser a escolhida e assegura, desde logo, apontando para Sócrates: “Daqui a dez anos o senhor já não estará cá…” Enfim, Sócrates pode ter cometido alguns erros, mas uma medida tão drástica não me parece de saudar. Assim como não julgo de bom tom acusar o Primeiro-ministro de ser como aqueles “que matam o pai e a mãe para se puderem dizer órfãos”. O ataque à família de Socrates tem sido constante e sistemático, mas, que Diabo!, fiquem-se pelos tios e primos.
Mas MFL teve também momentos de irrepreensível clarividência e, neste aspecto, o ataque aos espanhóis foi brilhante, algo que não se via por estas bandas desde o celebrado Santo Nuno Álvares Pereira. É preciso, de quinhentos em quinhentos anos, alguém que os tenha no sítio (e não será seguramente Carlos Queiroz nem a nossa frágil selecção nacional de futebol). Miguel de Vasconcelos que se cuide, por que vem aí uma nova defenestração. Desta feita alguém sai pela janela do banco Banestro. Ai sai, sai.
Esperemos que não nos caia ao colo como Primeira-ministra.
(a imagem foi encontrada na Net, de autor - inspirado - anónimo)

sexta-feira, setembro 11, 2009

CINEMA: SACANAS SEM LEI

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SACANAS SEM LEI
“Sacanas sem Lei”, último filme de Quentin Tarantino, tem uma história por detrás da própria história do filme, que é interessante conhecer para melhor se perspectivar a obra.
Na verdade, “Inglourious Basterds” inscreve-se numa longa lista de filmes sobre a II Guerra Mundial, onde um grupo de “patifes” ou “sacanas” a contas com a justiça militar se vê envolvido numa acção contra os nazis, tornando-se heróis sem muito bem perceberem como. O primeiro grande filme desta onda foi “Os Doze Indomáveis Patifes” (The Dirty Dozen), de Robert Aldrich (1967), com um elenco notável e uma moralidade evidente, para lá da história e das peripécias decorrentes. O que se procurava testemunhar era a possibilidade de uma “segunda hipótese” que permitisse a redenção de um grupo de proscritos que afinal só precisava de uma nova oportunidade para se regenerar.
Muitos outros filmes se seguiram e procuraram reproduzir o sucesso desta obra, que ela própria teve sequelas, nenhuma delas tão brilhante como o original.
Nas décadas de 60 e 70, os estúdios italianos tinham, por bom ou mau hábito, copiar, com pequenos orçamentos, e em jeito de série B, os grandes sucessos de aventura, acção, terror ou horror que se afirmassem em qualquer outro país, nomeadamente no universo anglo-saxónico. Tendo sido sobretudo os êxitos norte-americanos pirateados até à saciedade. Em filmes que, por vezes, tinham algum interesse (há muitos westerns deste período com uma qualidade inequívoca, que deram a conhecer realizadores como Sergio Leoni e lançaram a carreira de actores como Clint Eastwod), mas a maioria era de péssima qualidade, de um aproveitamento sem escrúpulos das emoções mais primárias que existem no mais fácil dos espectadores.
Não foram só os westerns que foram “revisitados” ou, melhor, “vampirizados”, pelos realizadores italianos (quase sempre com pseudónimos anglicizados), mas também os filmes de terror (que nos deram surpresas agradáveis como Dario Argento, por exemplo) ou de horror (onde o canibalismo e os mortos-vivos bateram recordes de mau gosto). Igualmente os filmes bélicos tiveram o seu auge e uma das obras mais referenciadas é um filme de 1978, assinado por Enzo G. Castellari (que também ficou conhecido por Stephen M. Andrews, Enzo Girolami Castellari, Enzo Castellari, Enzo Girolami, Enzo Girollami, E.G. Rowland ou Enzo G. Rowland), com o título original italiano “Quel Maledetto Treno Blindato”. Nos EUA teve várias outras designações, como “The Inglorious Bastards”, “Counterfeit Commandos”, “Deadly Mission”, “G.I. Bro” ou Hell's Heroes”, para lá de nas Filipinas se ter chamado “The Dirty Bastard”. Em Portugal terá sido “Seis Gloriosos Patifes" e, no Brasil, “Assalto ao Trem Blindado”.
Ora bem, Quentin Tarantino tem desde sempre uma preferência muito especial por séries B, quer sejam americanas, quer sejam de outras origens, das europeias às asiáticas. Quase todos os seus filmes, de “Cães Danados” a “À Prova de Morte”, são demonstrações disso e muito ligadas ao imaginário popular, dos romances de “pulp fiction” aos “comics”, mas sobretudo aos filmes de sessão dupla em salas de bairro. Mais uma vez, isso acontece em “Inglourious Basterds” que, desta feita de forma explícita e por demais publicitada pelo próprio cineasta, se vai basear no já referido “The Inglorious Bastards”, do também já citado italiano Enzo G. Castellari. O que temos é uma “homenagem” de Tarantino a um realizador da acção pura, que faz filmes baseados numa estética (se de estética estamos falando) que tem a ver sobretudo com acção e violência sem muitas explicações históricas ou sociológicas com um enredo diminuto, reduzido a uma ténue linha narrativa que permita fazer suceder, com alguma lógica, as referidas cenas de “Kiss, Kiss, Bang, Bang” (aqui mais “Bang, Bang” e “Pum, Pum”, do que “Kiss, Kiss”). Este género de obras não se preocupa com plausibilidade de situações ou densidade psicológica de personagens, mas com a possibilidade de mandar pelos ares muitos soldados inimigos, ao som de estridentes explosões, que levam consigo tanques ou camionetas de prisioneiros militares. Este o caso da obra de Enzo G. Castellari.
“Quel Maledetto Treno Blindato” é uma película de guerra, de um sub-género muito explorado no cinema, a II Guerra Mundial, ou “os filmes de nazis”. O argumento é de Sergio Grieco e do realizador, o elenco conta actores popularizados neste tipo de filmes, como o sueco Bo Svenson, o afro-americano Fred Williamson, entre outros. Estamos no verão de 1944, na Europa, mais precisamente em França, num acampamento americano. Alguns militares, condenados por crimes graves, são encaixotados numa camioneta rumo ao seu destino mais previsível, o fuzilamento.
Um desertor, Burl (Jackie Basehart), um ladrão, Nick Colasanti (Michael Pergolani), um assassino, Fred (Fred Williamson), um revoltado, Tony (Peter Hooten) e um tenente, Jaeger (Bo Svenson), constituem este grupo de soldados americanos condenados que partem de um acampamento nas Ardenas. Durante a viagem a coluna é bombardeada por aviões alemães e os prisioneiros conseguem libertar-se e fugir. Querem chegar à Suíça. Na deslocação encontram um desertor alemão que se junta ao grupo, formando os “Seis Gloriosos Patifes” da versão portuguesa. Mas, quando são encontrados por membros da resistência francesa são confundidos com um comando que vem efectuar uma perigosa missão de sabotagem, tendo que assaltar um comboio alemão com o objectivo de roubar um dispositivo que alimenta os famigerados V2. E o grupo aceita a missão e “gloriosamente” cumpre-a na íntegra.
Os “westerns spaghetti” (filmes do Oeste, rodados na Europa, sobretudo em Itália e Espanha, entre 60 e 70) tinham criado um estilo. Não havia heróis, mas anti-heróis, personagens romantizadas sem passado nem futuro, andrajosos mas fotogénicos (veja-se Eastwwod com o seu fósforo ou palito ao canto da boca), que atravessavam histórias de uma violência epidérmica, com vilões da pior espécie. A música inspirada de Morricone (e outros continuadores) e uma fotografia densa e soturna criavam o ambiente. E a mística destas obras que tiveram o efeito de projectar o estilo para outros géneros. O filme de guerra, por exemplo.
Em “Quel Maledetto Treno Blindato” não há heróis impolutos, mas patifes contra vilões, assassinos e ladrões contra psicopatas institucionalizados num sistema político que queria dominar o mundo. Obviamente que o público está do lado dos maus simpáticos contra os péssimos antipáticos. O tom destas obras era de violência extrema, mas quase trabalhada ao nível da violência dos cartoons (Speedy Gonzalez contra o demónio da Tasmânia) o que acarretava um humor distanciador. Depois repisavam-se receitas retiradas de outras obras de referência imediata para o grande público. No caso do filme de Enzo G. Castellari são óbvias as citações de “Os Doze Indomáveis Patifes” (Robert Aldrich, 1967), “O Desafio das Águias” (John Sturges, 1973), “Heróis por Conta Própria” (Brian G. Hutton, 1970), “Cruz de Ferro” (Sam Peckinpah, 1877), entre muitos outros. Olhando a obra não me parece que estas referências sejam tanto de uma cinefilia de homenagem, mas fundamentalmente um ingénuo aproveitamento de receitas comprovadas em filmes de grande espectáculo e grande sucesso de bilheteira. O caso de Quentin Tarantino é distinto. Trata-se de uma cinefilia óbvia de um entusiasta por este tipo de filmes de série B, que ele consumiu abundantemente e aprendeu a amar quando ainda era empregado num vídeo clube e se alimentava dessa matéria-prima. Mas, as diferenças são visíveis. Logo nos títulos que parecem idênticos e não são. “The Inglorious Bastards” é o título americano do filme de Castellari, “Inglourious Basterds” é o do filme de Tarantino. A troca do a pelo e, o o acrescentado sublinham a diferença.
Quentin Tarantino escreveu o projecto e diga-se que, tanto ao nível da escrita do argumento como na sua concretização em imagens, o efeito é brilhante. Estamos ao nível do melhor Tarantino.
O cenário é novamente a II Guerra Mundial, quase ao cair do pano, e a história começa na França sob ocupação alemã, onde um oficial das SS, o coronel Hans Landa (Christoph Waltz) dizima traiçoeiramente uma família de judeus. Mas, Shosanna (Mélanie Laurent), uma das filhas, consegue fugir e será ela que mais tarde, sob o nome de Emmanuelle Mimieux, irá dirigir um cinema em Paris. Entretanto, do lado dos Aliados, e entre as tropas americanas, organiza-se um grupo especial de judeus, comandados pelo tenente Aldo Raine (Brad Pitt), conhecido por “Aldo, o Apache” (dado o seu particular gosto por escalpes) que vai liderar este bando de sádicos soldados americanos, numa cruzada que espalha o terror entre os nazis. Uma das espias que colabora com a resistência francesa é a famosa actriz Bridget von Hammersmark (Diane Kruger) que todavia não tem um futuro risonho. Mais perto do fim da guerra, na sala de cinema de Emmanuelle Mimieux, onde se estreia "O Orgulho da Nação", um filme de propaganda nazi, na presença do próprio Adolf Hitler, de Joseph Goebbels e dos principais líderes do III Reich, reúnem-se os “basterds” e o coronel Hans Landa, além de Shosanna, que vai engendrar finalmente a sua vingança, numa pirotecnia brutal que pretende logo ali destruir o III Reich.
Ao contrário do filme de Castellari, Tarantino constrói uma obra extremamente palavrosa, com diálogos infindáveis, onde – o próprio o confessa – testa o seu poder de criar suspense e de o manter. A sequência da taberna francesa com a actriz e os militares alemães é bem exemplar deste propósito. Esta alteração é particularmente significativa para se compreenderem as intenções de Tarantino e a sua base cultural, diversa da de Castellari. Este é um técnico competente para criar cenas de acção, Tarantino é um cinéfilo com uma preparação cinematográfica muito mais apurada. Castellari nunca foi seleccionado para Cannes (nem nunca concorreu, se calhar, é o mais certo), Tarantino é-o quando quiser e declararam-no desde logo o grande acontecimento do Festival desse ano. Um é olhado como um mero tarefeiro, o outro como um pós-moderno. Toda a diferença. O filme de Tarantino organiza-se em redor de uma sala de cinema e da história do cinema. A sala do cinema é o lugar físico onde irá acontecer o momento final, capital, da obra. É nessa sala de cinema, e através de bobines de filmes, que se irá construir a História. Uma História que tem pouco a ver com a verdadeira História, mas que marca bem a diferença entre a realidade (que existe) e a ficção (que tudo torna possível). Mas não será só nessa sala de cinema que o cinema constrói a História, pois o próprio filme é construído pelo cinema, pela sua História (raros filmes terão tantas citações de outros filmes, desde cenas, personagens, referências no diálogo, cartazes, fotografias, legendas, temas musicais, etc.). Este é um filme que vampiriza o cinema, como outrora o fizeram os cineastas italianos dos anos 60 e 70. Curiosamente nessa altura os italianos copiavam os americanos, agora é um americano que se volta para o cinema italiano e nele vai beber inspiração. Círculo fechado.
Diga-se que ao nível de intenções elas prolongam-se de um realizador para o outro. Tarantino realiza um filme onde não há bons e maus, mas maus e mais maus. Uns são péssimos por tradição (os nazis), outros são maus por vingança e sadismo. Pelo meio há alguns inocentes que morrem ou traem, franceses ocupados a bem ou a mal, e resistentes que se esforçam, mas estamos num mundo onde não há ideologias ou causas. Onde parece não haver grandes diferenças comportamentais ao nível ético. Os nazis matam judeus como ratos, os “basterds” matam nazis escalpelizando-os com gozo evidente. Claro que há uma ironia forte a tratar o tema, claro que os diálogos são divertidos, claro que todos percebemos que Tarantino se diverte e nos diverte. Claro que Tarantino não acredita em nada a não ser no cinema. No seu cinema. De acção e diversão. Sem outras pretensões. Claro que é bom nisso, claro que a realização é brilhante, o argumento bem escrito, os actores notáveis (fabuloso Christoph Waltz, no papel do coronel Hans Landa), a banda sonora muito bem escolhida (recorrendo a muitos temas musicais de filmes antigos que Tarantino cita e homenageia). Claro que “Sacanas sem Lei” é um filme a não perder. Mas fica claro também que este não é o “meu” cinema. Apesar de me ter divertido muito a vê-lo. Mas a verdade é que, no final, algo me incomodava (por exemplo: ser levado a achar “porreiros” e “simpáticos” caçadores de escalpes nazis).

SACANAS SEM LEI
Título original: Inglourious Basterds
Realização: Quentin Tarantino (EUA, Alemanha, 2009); Argumento: Quentin Tarantino; Produção: Lawrence Bender, Christoph Fisser, Henning Molfenter, Charlie Woebcken, Bruce Moriarty, William Paul Clark, Lloyd Phillips, Pilar Savone, Erica Steinberg, Bob Weinstein, Harvey Weinstein; Fotografia (cor): Robert Richardson; Montagem: Sally Menke; Casting: Simone Bär, Olivier Carbone, Jenny Jue, Johanna Ray; Design de produção: David Wasco; Direcção artística: Marco Bittner Rosser, Stephan O. Gessler, Sebastian T. Krawinkel, Andreas Olshausen, David Scheunemann, Steve Summersgill, Bettina von den Steinen; Decoração: Sandy Reynolds-Wasco; Guarda-roupa: Anna B. Sheppard; Maquilhagem: Howard Berger, Jake Garber, Pamela Grujic, Grady Holder, Susanne Kasper, Emanuel Millar, Gregory Nicotero, Heba Thorisdottir, Khanh Trance; Direcção de Produção: Tina Anderson, Christopher Berg, Gilles Castera, Philipp Klausing, Arno Neubauer, Michael Scheel, Gregor Wilson; Assistentes de realização: Delphine Bertrand, Jerome Borenstein, William Paul Clark, Carlos Fidel, Mara Fiedler, Scott Kirby, Ariane Lacan, Bruce Moriarty, Jill Moriarty, Julien Petit, Gabriel Roth; Departamento de arte: Robert Blasi, Sabine Engelberg, David R. Evans, Michael Fissneider, Stephanie Rass, Steve Summersgill; Som: Harry Cohen, Ann Scibelli; Efeitos especiais: Gerd Feuchter, Uli Nefzer; Efeitos visuais: John Dykstra, Rodney Montague, Viktor Muller; Agradecimentos especiais a Enzo G. Castellari, John Milius, Tom Tykwer; Companhias de produção: Universal Pictures, The Weinstein Company, A Band Apart, Zehnte Babelsberg Film, Visiona Romântica; Intérpretes: Brad Pitt (Lt. Aldo Raine), Mélanie Laurent (Shosanna Dreyfus), Christoph Waltz (Col. Hans Landa), Eli Roth (Sgt. Donny Donowitz), Michael Fassbender (Lt. Archie Hicox), Diane Kruger (Bridget von Hammersmark), Daniel Brühl (Pvt Fredrick Zoller), Til Schweiger (Sgt. Hugo Stiglitz), Gedeon Burkhard (Cpl. Wilhelm Wicki), Jacky Ido (Marcel), B.J. Novak (Pfc. Smithson Utivich), Omar Doom (Pfc. Omar Ulmer), August Diehl (Major Dieter Hellstrom), Denis Menochet (Perrier LaPadite), Sylvester Groth (Joseph Goebbels), Martin Wuttke (Adolf Hitler), Mike Myers (General Ed Fenech), Julie Dreyfus (Francesca Mondino), Richard Sammel, Alexander Fehling, Rod Taylor (Winston Churchill), Soenke Möhring, Samm Levine, Paul Rust, Michael Bacall, Arndt Schwering-Sohnrey, Petra Hartung, Volker Michalowski, Ken Duken, Christian Berkel, Anne-Sophie Franck, Léa Seydoux, Tina Rodriguez, Lena Friedrich, Ludger Pistor, Jana Pallaske, Wolfgang Lindner, Michael Kranz, Rainer Bock, André Penvern, Sebastian Hülk, Buddy Joe Hooker, Carlos Fidel, Christian Brückner, Hilmar Eichhorn, Patrick Elias, Eva Löbau, Salvadore Brandt, Jasper Linnewedel, Wilfried Hochholdinger, Olivier Girard, Michael Scheel, Leo Plank, Andreas Tietz, Bo Svenson, Enzo G. Castellari, Anastasia Schifler, Michael August, Noemi Besedes, Alex Boden, Bela B. Felsenheimer, Guido Föhrweißer, Jake Garber, Samuel L. Jackson (Narrador), Gregory Nicotero, Aleksandrs Petukhovs, Vitus Wieser, etc. Duração: 153 minutos; Distribuição em Portugal: Zon Lusomundo; Classificação etária: M/ 16 anos; Locais de filmagem: Babelsberg, Potsdam, Krampnitz, Nauen, Rüdersdorf (Brandenburg), Bad Schandau, Görlitz, Sebnitz, Elbe Sandstone Mountains, (Saxónia), Berlin (todos na Alemanha), Paris (França); Estreia em Portugal: 27 de Agosto 2009.

Os filmes de Quentin Tarantino: “Cães Danados” (Reservoir Dogs, 1992), “Pulp Fiction” (1994), “4 Quartos” (Four Rooms) (um episódio, 1995), “Jackie Brown” (1997), “Kill Bill - A Vingança Kill Bill: Vol. 1” (2003), “Kill Bill 2 Kill Bill: Vol. 2” (2004), “Sin City - A Cidade do Pecado” (Sin City, 2005), “Grindhouse” (2007), “À Prova de Morte” (Death Proof, 2007) “Sacanas Sem Lei” (Inglourious Basterds, 2009).

SEIS GLORIOSOS PATIFES
Título original: Quel maledetto treno blindato
Realização: Enzo G. Castellari (Itália, 1978); Argumento: Sandro Continenza, Sergio Grieco, Franco Marotta, Romano Migliorini, Laura Toscano; Produção: Roberto Sbarigia; Música: Francesco De Masi; Fotografia (cor): Giovanni Bergamini; Montagem: Gianfranco Amicucci; Direcção artística: Pier Luigi Basile, Aurelio Crugnola; Guarda-roupa: Ugo Pericoli; Maquilhagem: Giancarlo De Leonardis, Maggi, Giovanni Morosi; Direcção de Produção: Ennio Di Meo , Pino Mangogna; Assistente de realização: Mario Maffei; Departamento de arte: Enrico Sanchini; Som: Nick Alexander, Domenico Dubbini, Mario Ottavi; Efeitos especiais: Gino De Rossi; Companhias de produção: Films Concorde; Intérpretes: Bo Svenson (tenente Jaeger), Peter Hooten (Tony), Fred Williamson (Fred), Michael Pergolani (Nick Colasanti), Jackie Basehart: Burl), Michel Constantin (Veronique), Debra Berger (Nicole), Raimund Harmstorf (Adolf), Ian Bannen (coronel Buckner), Flavio Andreini, Peter Boom, Vito Fornari, Manfred Freyberger, Joshua Sinclair, Mike Morris, Donald O'Brien, Gerard Schwarz, Bryan Rostron, Massimo Vanni, Bill Vanders, Mauro Vestri, Nick Alexander, Enzo G. Castellari, Larry Dolgin, Rocco Lerro, Edward Mannix, Pietro Plinio Quinzi, Franco Ukmar, etc. Duração: 99 minutos; Classificação etária: M/ 12 anos.

segunda-feira, setembro 07, 2009

A SELECÇÃO E CARLOS QUEIROZ

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MAIS UM EMPATE
A selecção jogou bem durante muito tempo, mas mais uma vez jogou contra uma equipa, a Dinamarca (não muito forte), contra um árbitro (que se esqueceu de um penalti) e sobretudo contra o seu treinador (Carlos Queiroz). Desta vez o treinador escolheu um novo sistema de jogo, que funcionou muito melhor, e que tinha em mente ter na frente atacantes que não perdoassem. Fez tudo bem, para jogar com um jogador como Liedson, mas depois acobardou-se e deixou-o no banco. O resultado viu-se: uma exibição (quase) de luxo, mas de uma ineficácia total. O “melhor do mundo” esteve muito melhor (percebe-se por que joga mal na selecção: porque está mal posicionado) e a equipa mostrou que merecia estar no Mundial onde tudo leva a crer que não vai estar. A culpa é só uma: Carlos Queiroz (por muita simpatia que eu tenha, e tenho, por ele e pela sua obra nas camadas mais jovens). Mas Queiroz não é o treinador ideal para esta selecção.
Devo concluir que os jogadores fizeram tudo quanto sabiam e podiam para vencer. Nada a acusá-los, a não ser de falta de pontaria.

segunda-feira, agosto 31, 2009

AINDA AS "ESCUTAS", II

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DEMOCRACIA, POLÍTICOS E PORTUGAL
Dada a enorme polémica surgida no meu Facebook sobre este texto, cumpre-me esclarecer dois ou três pontos:
- De todos os sistemas políticos que conheço o melhor é a Democracia. É o único em que acredito, pela qual no passado lutei e no presente no bato. Só ela permite, por exemplo, este tipo de discussão. Só ela permite, por exemplo, saber, no caso em análise, se há escutas, ou se não há escutas. Se se investigarem os factos.
- Acreditando na Democracia, acredito na política e nos políticos. Por princípio. E acho absolutamente perversa a forma como muitos portugueses (falo de portugueses, são os que aqui me interessam) abordam a politica e adjectivam “os políticos”. Se existem políticos medíocres e outros corruptos, há também muitos competentes e sacrificados pelo bem público. Acho totalmente injusto uns pagarem pelos outros. Por isso é que a Democracia se regenera, investigando os erros e os vícios e fazendo pagar quem os pratica. Assim, por exemplo, no caso das anunciadas “escutas”, não acho possível não haver um culpado: ou quem escuta indevidamente, ou quem o afirma mentindo ou sem provas.
- Sobre Portugal. Com todos os defeitos que se lhe possam apontar, acho Portugal um quase milagre no mundo. Adoro Portugal, acho um País espantoso, temos dos maiores do mundo em quase todos os ramos do saber, das artes, das letras, do desporto. Temos das melhores paisagens, da mais ilustre História, temos um povo pacífico sem ser submisso, temos um saber viver muito próprio, que vai da saudade ao desenrascanço e de tudo isso eu gosto. Por isso cá estou, e cá continuo, escrevendo (e fazendo muitas outras coisas, claro) num blogue e no Facebook, porque (ao contrário do que pensa e escreve Miguel Sousa Tavares, que é um português que eu admiro em muitos aspectos) me dá gozo e julgo útil.

domingo, agosto 30, 2009

AINDA AS "ESCUTAS"

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AGORA (JULGO) TER PERCEBIDO TUDO

Não tinha percebido ao que viera aquela insinuação proveniente de fonte anónima do Palácio de Belém que afirmava que alguém do Governo andava a escutar os telefonemas dos assessores do Senhor Presidente da República. Mas a coisa tornou-se agora límpida aos meus olhos e aos de quem queira ver.
Há dias, a Senhora Drª Manuela Ferreira Leite tinha afirmado numa entrevista à RTP que não lhe interessava saber se havia ou não escutas, e de culpa de quem eram os boatos. A ela interessava-lhe sobretudo saber que existiam suspeitas e mostrar como a vida portuguesa se encontrava eivada de suspeitas destas. Bonito. Para uma candidata a Primeiro-ministro, não se pode exigir mais. Em clareza. Em hipocrisia. Em demissão total frente à calúnia, desde que sirva os seus intuitos. O que afirmou foi que não lhe interessava saber se alguém do Governo andava às escutas (e logo do Senhor Presidente da República), nem se alguém do "staff" do Presidente mentiu ao dizer que havia escutas, para criar alarmismo no País, desacreditar o Governo, logo desacreditar José Sócrates e o PS, logo beneficiar o PSD, logo beneficiar Manuela Ferreira Leite. À referida Senhora não lhe interessa averiguar a verdade, se existir no País esse clima de suspeição, que pode ser criado por boatos como este. E que servem os seus propósitos eleitorais. Ficámos elucidados.
Agora aparece o Senhor Presidente da República a afirmar que não se mete em querelas partidárias, que está acima destas questões e que os cidadãos, “no tempo em que estamos”, não “devem desviar a sua atenção dos reais problemas do País.”
Portanto, “no tempo em que estamos”, não fará comentários com conotações partidárias (que é, de certa forma, reconhecer que a questão em causa é de conotação partidária), o que é grave.
Depois considera “que está acima” destes acontecimentos, o que é confirmado por tudo e todos, dado que sempre se falou numa "fonte anónima" da Casa Civil e nunca no próprio Presidente.
Finalmente, achar que haver escutas ou não na Presidência da República não é “um dos problemas reais do País”, é deixar subentender uma de duas coisas, ambas realmente graves:
1) não é um “problema real” porque sabe que não houve nem há escutas, o que é grave;
2) não é um “problema real” porque acha que o problema não é mesmo importante, quer haja ou não escutas. O que me parece conclusão realmente grave para um Presidente da República proferir de ânimo leve.
Por mim, considero esta questão muito grave e importante para que eu possa continuar a ter alguma confiança nos políticos que nos governam. Nos EUA um Presidente caiu por causa de escutas ilegais. Será que Portugal é muito mais tolerante com estas “ninharias”? Ou será que anda meio mundo a promover “o ambiente asfixiante de um País cheio de escutas” para que alguém que já se assumiu como directa herdeira desse clima possa ganhar eleições?
Esperamos os próximos episódios.

DISCUSSÂO NO FACEBOOK SOBRE TEXTO DE ESCUTAS

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Discussão interessante no "Facebook",
sobre o texto "Ainda as "Escutas":
Luis Miguel Costa
Não há dúvida nenhuma Lauro. Há escutas e Belém sabe disso e Belém apoia o PSD e esteve nos trabalhos de elaboração do Programa Eleitoral. A todos interessa lançar e partilhar a suspeita mas a ninguém interessa tirar tudo a pratos limpos em nome de uma ética política completamente distorcida e vil. Fica tudo no diz que disse e no fez que fez e o povo pequenino que tire as conclusões no recato da tômbola do voto. Frutos podres de uma democracia degenerada em que um Ministro da Administração Interna independente que foi Director do SIS e diz ter medo de cobras. A única dúvida de que não tenho é que sou do PS, de um certo PS que se reveja ainda na espantosa vitória democrática que, como refere, foi o caso Watergate.
há 5 horas · ApagarVítor CoelhoMeu caro, não se preocupe demasiado com o assunto. Depois do dia 27 de Setembro, tudo esquecerá, e aparecerão outros fait-divers. A malta gosta destas intrigalhadas, deixe lá.

Gi VI
Será???
Parece que pouco ou nada vai mudar, ganhe quem ganhar.

Vítor Coelho
Se ganhar Manuela Ferreira leite teremos mais instabilidade, penso eu de que ...

Anibal Miranda
Ora ai está

Gi VI
Não digo que não, mas esta prepotência de quero, posso e mando, também não. Acho que nunca estivemos tão mal de opções como agora.

Humberto Antunes
subscrevo. alertemos os eleitores para que despertem a sua memória, para que deixem de a ter curta... " vocês sabem do que estou a falar..."

Manuela Lima
Concordo!!!

Vítor Coelho
Humberto, está a falar de quê? Explique lá o segredo...

Vítor Coelho
É só para eu perceber, claro. O quero, posso e mando de quem? Do Jerónimo de Sousa? Do Francisco Louçã? Do Aníbal Cavaco? Do Sócrates? Da Manuela F. Leite? Do Paulo Portas?

Vítor Coelho
Ou seja, destes 6 nomes, qual seria o MENOS mandão se viesse a ser primeiro-ministro? Esclareçamos lá a democraticidade destas pessoas, talvez numa escala de 1 a 20, á moda antiga.

Gi VI
A democracias destas pessoas estaria com nota negativa todos eles, uns mais que outros, o que é pena, é que nos não votamos num governo mas sim numa única pessoa, a qual escolhe "da melhor forma" para não dizer palavrões, quem nos vai governar, o problema não são os presidentes dos partidos, mas sim o grupo que com eles governam. Basta olhar para os nossos ministros, que sobre os assuntos que tutelam nada ou quase nada sabem, mas mandam, e se mandam.

Vítor Coelho
Então se nenhum serve, o melhor é fecharmos o País e vamos todos para banhos, né? É tão facil considerarmos que ninguém presta, excepto nós, não é?

Gi VI
Não é bem assim, quando escolhe, escolhe um plano de governo, e espera que esse plano na medida do possível seja cumprido.
Agora quando um ministro, que não interessa mencionar nomes, não concorda com o programa do governo, e porque sua excelência não concorda muda todas as regras existentes só porque tem uma ideia já preconcebida da situação mesmo que esta não seja a real. Não faz sentido nenhum. Se estou em democracia e a minha ideia não é a da maioria, na mesma eu tenho de respeitar a ideia que teve consenso até nova analise. Acho que não é pedir muito. Que a democracia seja respeitada.

Casa Amadis
O que mais me aflige é que nesta campanha todos recorreram a calúnias (ou quase) e o que a maior parte das pessoas que ouço se importam pouco em saber se são verdade ou calúnia. Antes ficam felizes pois alimentam as respectivas conversas políticas e ataques a este e aquele (sobre tudo ao Sócrates, a verdade tem de ser dita mesmo que não agrade).
Um país que prefere ouvir mentiras para argumentar em política a procurar razões válidas para atacar um político (neste caso o PM), é o digno herdeiro do que sempre foi desde os anos 80. Um país que vive de miragens (CEE por exemplo) que rejeita em seguida cuspindo-lhes para cima dizendo que nunca concordou com isso.
Que odeia quem governa (seja quem for) e ama a oposição (seja ela qual for).
O português faz política como "faz futebol". A política é um jogo de bola.
Morra o árbitro! se perde.
Mas que rica batota, venha mais! quando ganha.
O português é pujadista butiqueiro como pequeno burguês que sempre foi, desde as descobertas.
Ou até antes

Albertina Fernandes
lembram-se da Manelinha como Ministra da Educação? e que tal como Ministra das Finanças? que tal de grande exemplo de "quero posso e mando". Um abraço :)

Sergio Mascarenhas
Mas quando é que as pessoas se deixam dessa treta de classificar tudo o que diz respeito a pol... Ler maisítica com mimos do tipo «podre», «vil», «degenerado/a», etc.? Ó Luís, o «povo pequenino» são sempre os outros, não é verdade? Eu, socialista sem PS, utópico na classificação de Marx (o que me dá a rir porque ninguém foi mais socialista utópico - no mau sentido - do que o próprio Marx), acho que a «podridão», a «vileza», a «degeneração», etc., começam sempre em que classifica a política nesses termos. Porque eles começam sempre numa mente, numa boca, numa mão que escreve.
Volta Ramalho, o país nunca precisou tanto de ti. Mas antes de voltares, no purgatório onde residem as memórias de todos os grandes escritores dá uma boa coça ao Eça, o grande pecado do pensar político português!

Mauro Burlamaqui Sampaio
Andam a sofrer de mem... Ler maisória curta !!!! Dias Loureiro , ex Ministro de Cavaco , ex Conselheiro de Estado amigo ? Pessoa de confiança ? De confiança política ? Esqueceram que ele foi Ministro da Administração Interna de Cavaco Silva e é isso que temos !!!! , Todos muito simpáticos porque roubar em nome do Estado até fica bem ... Qual é a índole de Portugueses que estão disponíveis para tolerar esta gente ??? Onde estão ? Onde vivem são amigos de quem?
Maldita índole, entregam um País saqueado a geração a frente ... canalhas e egoístas.

Mauro Burlamaqui Sampaio
Bem feito o que depender de mim isto está só a começar.
Quando a Embraer cancelar o investimento em Portugal e a Polícia Federal brasileira começar vigiar de perto
a Portugal Telecon , Grupo Espírito Santo , Banif e Edp nesta altura os Portugueses vão perceber que o assunto interno é sério e para resolver.

Alice Costa
Casa Amadis, "o português é pujadista butiqueiro"; pode traduzir por favor? Obrigada.
.."como pequeno burguês que sempre foi"..
E termina, num desfecho insultuoso!
Não é português, ou se é, lamento por si.

Mauro Burlamaqui Sampaio
Alice Costa , a verdade é para reflectir e não para ignorar.
Há criminosos na governança em Portugal ao mais alto nível
quem não gosta de Portugal e pensa só em si é que defende
a actual situação nas principais Instituições do País querer mudar é gostar do país. E aqui vai zero posição política na verdade, nestas coisas ou se está de um lado ou se está do outro.

Alice Costa
Os portugueses, foram a GLÓRIA do mundo, na época dos descobrimentos e isso ninguém nos pode tirar!
Ainda hoje podemos orgulhar-nos de termos grandes cientistas, médicos, inventores, um sem número de génios, dentro e fora do país!
Voçê não é português, mas eu sou e com muito orgulho!!

Mauro Burlamaqui Sampaio
Alice Costa , quem disse que não sou Português ? E o que a história Nobre do País é para aqui chamada para se misturar
com está índole de pseudo portugueses. Acho bem que se orgulhe como eu , mas não ensinarei meus filhos tolerar está gente.

Mauro Burlamaqui Sampaio
Já agora... os médicos portugueses andam a se esconder nos corredores do santa maria e são joão e a fazer especializações da treta , muitas vezes sendo pagos pelo Estado e pela indústria farmacêutica enquanto os portugueses precisam de medicina geral .
Depois queixam-se que contratam estrangeiros.

Alice Costa
sr Mauro, eu dirigi-me a Casa Amadis, certo?

Mauro Burlamaqui Sampaio
E eu estou-me nas tintas , -:) Amadis não desenvolveu o tema numa verdade efectiva , e acabou por fazer considerações só ofensivas e que nada acrescenta ... isso é verdade.Alice CostaJá agora, Amadis é françês e o sr é brasileiro.
Atenção, que não sou xenófoba.
Leia tudo (mas tudo) para depois opinar, sim?
Não posso tolerar que insultem os portugueses!

Alice Costa
Sr Mauro, "cada macaco no seu galho".
Não venha falar de médicos, medicina, antes de absolutas certezas de tudo o que foi e está a ser feito.
Olhe para a sua área e depois critique com razões válidas, as outras. Nunca se precipite, pq ás vezes dá mau resultado!
Seja ponderado.
Boa noite.

Mauro Burlamaqui Sampaio
Nunca falo dos Portugueses como é evidente , uma coisa são os Portugueses outra o Estado Português actual , este Estado é corrupto e desaconselhável. Volto a dizer nestas coisas não existem nacionalidades nem ideologias políticas,
ou se está de um lado ou se está do outro.
Aprenda a encarar o factos e não traga ao de cima valores e história de outros Portugueses, repito outra índole de Portugueses para justificar a actual canalha.
Há uma canalha na governança e nas principais Instituições do País , eu valorizo os portugueses que devem ser valorizados assim como de qualquer outra nacionalidade.

Mauro Burlamaqui Sampaio
Naturalmente que sou ponderado há 12 anos que colaboro com a polícia Judiciária, esta animália vai cair um a um e nada de pressas tem é de ser bem feito.

Casa Amadis
Sou português.
E tenho o direito de dizer o que dá na realíssima gana dos meus compatriotas.
Para mim não precisa de ir até aos descobrimentos. época em que Portugal, segundo Camões, contava mais Velhos do Restelo que cientistas embarcadiços.
Basta recuar até 1974, 75, 76, 77 e 78. Anos em que se deu uma verdadeira revolução de pensamento. Em que, em vez de patriotismos bacocos e apelos a vanglórias passadas, tentamos reflectir sobre o que éramos e sobre o que queríamos ser.
Somos por isso talvez o único povo da Europa que tem a constituição política e o regime que quis. O problema é que nem eleitores nem políticos, hoje em dia, sabem o que fazer com ele (ou eles, país e regime). ... Ler mais
Por pura preguiça mental.
Estou farto de ver copiar tudo o que vem do estrangeiro sem discernimento. Comparar-nos com a França ou a Alemanha sem pensar que nunca teremos dimensão para tal. De ver olhar beatamente para os países nórdicos esquecendo que não temos prisões para portadores de HIV

Alice Costa
Sr Mauro, preciso de me repetir?
Já lhe disse que respondi a Casa Amadis, resposta essa, que estava dentro de um contexto que o sr não se inteirou!

Mauro Burlamaqui Sampaio
Percebi Alice Costa . -:) fica bem , boa noite. É sempre bom participar.

Casa Amadis
nem tantas outras aberrações morais e políticas tão comuns nesses supostos paraísos.
O problema de Portugal é no entanto bem simples.
Esbanjamos o dinheiro em obras sumptuosas e condenamos o nosso povo a viver de salários de miséria sob pretexto que sem isso as fábricas iriam à falência (que vão) em vez de utilizar esse dinheiro para fechar de vez a indústria obsoleta herdada do tempo do monopólio colonial e criar postos de trabalho com ordenados decentes.
Temos multinacionais que nos fazem ganhar rios de dinheiro que desprezamos e cantamos glórias ao "dinamismo nortenho" baseado em fabriquetas que nem a China já quer onde se mata gente com trabalho por 400 euros de ordenado.
Temos um ensino superior rasca com quadros formados no estrangeiro antes do 25 de Abril mas que recusa obstinadamente reconhecer diplomas estrangeiros.
etc., etc., etc.
Temos boas leis mas criticamo-las.
Temos uma política económica inepta mas tudo o que fazemos é caluniar quem está dentro e apoiar quem está fora.

Mauro Burlamaqui Sampaio
Casa Amadis, concordo inteiramente com a crónica falta de vontade em tomar decisões estratégias puramente portuguesas , reproduzir modelos só se forem compatíveis económicamente e culturalmente ... foi um dos erros crassos de Sócrates seguir vários modelos , uns falsos , outros frágeis outros enganadores . Apesar de ter havido também algumas medidas boas ... mas o assunto é a escuta ao presidente !!!! Bem isso não interessa para nada ... -:)

Casa Amadis
Fico por aqui

Maria Reis
Peço desculpa...era só para avisar que o Paulo Portas poderá chegar a qualquer momento para distribuir beijinhos e braçinhos. Obrigada. Boa noite.

Mauro Burlamaqui Sampaio
E eu aproveito também e vou a reunião com o irmão Miguel Portas.

Albertina Fernandes
No que isto deu... mas que grande trolar... ó! que tal se relativizássemos (nem sei se isto existe):
a Itália tem o Berlusconi, os USA tiveram o Bush, o Brasil teve o Collor (ainda tem para lá uns tipos multitask políticos/jornalistas/criminosos), Cuba continua com os irmãos Castro (pena que não são os gémeos), enfim. Vamos brincar um pouco com isto, vá lá só para descontrair. Temos um PM todo janota, um PR que rega as plantas cada vez que fala, uma líder da oposição que agora veste cor de rosa, um Portas que devia concorrer ao ídolos (com aquela voz de falsete ia longe), um Louçã que mantém o discurso e o tom que já vem do tempo em que prometeu água e saneamento básico a D.Maria e last but not least o Jerónimo, eterno operário que não mexe na ferramenta há 30 e tal anos. Melhor que tudo isto só o facto de estarmos para aqui com conversa, crítica opinião enfim, viver em Democracia é bom e eu gosto. :p

Mauro Burlamaqui Sampaio
Bravo Albertina ! Concordo. Precisamos , entretanto aplicar um anexo , para além de viver a democracia ela não é sempre garantia absoluta precisamos de vigia-la porque nós , alguns , sujam tudo muito rapidamente e os ratos instalam-se e precisamos de vez em quando de efectuar uma limpeza , através da lei claro , mas precisamos.

Albertina Fernandes
não podia estar mais de acordo (estive todo o dia a tentar dizer esta frase) :p
Por agora ainda são só ratinhos (uns mais gordinhos é verdade) mas, ratinhos - alguns já andam de pulseira electronica :)

Mauro Burlamaqui Sampaio
Bem , sejamos verdadeiros , alguma coisa está a ser feita ... seria necessário mais alguns magistrados com aquilo no sítio desculpe a expressão é que a tolerância é uma palavra repleta de significado mas a paciência é também humana e termina. Precisavamos só de um pouco mais de justiça ... o resto a sociedade resolveria e muito bem não falta gente de bem e boa por aí.

Casa Amadis
Se me fala de democracia, concordo (adoro).
Também concordo com o calamitoso panorama do dirigentes portugueses (mas se quer descansar olhe para os franceses e fica descontraida e confiante no futuro nacional).
Também concordo no que diz respeito ao "calamitismo".
Experimentem o Sarkozy e verão a diferença. E olhe que não é como aquela do anúncio do Omo que lava mais branco.
A propósito de branco, mais vale ser dessa cor aqui pelas bandas.... Ler mais
Da última vez que estive aí (em Março) ia desatando à chapada com um primo que me queria convencer que o Sócrates é como o Sarkozy.
é que era um insulto, tanto para o pobre do Engenheiro (que tem muitas no cartório mas não é nenhum Petain) e para o povo francês, que anda a mamar o pão que pediu ao diabo para amassar.
e que, se calhar, vocês vão pedira à Ferreira Leite para amassar.
Não vos aconselho.
Eu chamo-me Tito Lívio, para os servir.

Albertina Fernandes
Adorei conversar convosco, foi um prazer. Amanhã há que trabalhar por isso... vou dormir :) boa noite

Vanessa Batoques Pelerigo
Caro Lauro, parecem-me algo descabidas essas possíveis conclusões quanto à Dra. Manuela Ferreira Leite, por uma ordem variadíssima de razões que passo a expor. A Presidência da República teme estar a ser vigiada (e está!), o Procurador não investiga, o Presidente nada diz, o Primeiro-ministro, José Sócrates, recusou comentar directamente o assunto, dizendo não poder perder tempo com "disparates de Verão".. Porque haverá uma candidata a 1º ministro comentar tal sucedido?
Primeiro, das alegadas escutas à Casa Civil da Presidência da República nada se pode concluir enquanto as mesmas não forem devidamente provadas, logo as atenções não devem ser desviadas dos problemas graves de Portugal (onde as escutas serão, apenas, uma pequena gota de água).
A Dra. Manuela Ferreira Leite não comentou, assim como o Dr. Francisco Louçã ou como Jerónimo de Sousa. Todos eles acharam que isto mais não é que um 'pateto-gate', um 'silly-gate. Não percebo o porquê do "bater" apenas no PSD.
Vanessa Batoques Pelerigo
Não é novidade nenhuma que diversas personalidades escrevem os programas do partido. Conheço uma que contribuiu para o do PS, assim como para o do PSD - já não me choca. Belém continuará a apoiar a liderança do PSD para as próximas legislativas. E não é apenas com o regresso dos ministros de Cavaco Silva ao Grupo Parlamentar e a exclusão de todos os que não alinharam com a estratégia do cavaquismo reciclado de Ferreira Leite. Belém vai mais longe e está a apoiar com assessores a elaboração do programa do PSD, que acaba por não aproveitar grande coisa do trabalho feito no Gabinete de Estados por Alexandre Relvas, um putativo candidato a líder da facção cavaquista que gostaria de afastar a actual líder.
Se vamos criticar Ferreira Leite então vamos criticar todos os intervenientes porque todos eles têm culpa no cartório! O que se está a passar não é bom para o prestígio e a dignidade da democracia. Se há suspeitas deve-se investigar e mais nada.
Vanessa Batoques Pelerigo
Mal se soube, Cavaco devia ter intervido e não o fez. Porquê? Quanto ao PS ter escutas em Belém também não me surpreenderia assim como também não o faria se me dissessem que Belém também tem escutas em S. Bento ou que todos se andam a escutar a todos. Quem não se lembra do famoso envelope 9 que tanto deu que falar sem que no fim se soubesse quem andava a escutar quem.
Mas, passemos ao importante. O Presidente tem de proibir os membros da sua Casa Civil, que têm um estatuto especial, de fazerem declarações que em nada contribuem para prestigiar a função presidencial. Depois, o Procurador Geral da República não vê motivos para investigar e com razão! É que não existe nenhum facto em concreto, apesar da continuação da polémica em plena campanha eleitoral.
Mas, se quisermos ir pela via venenosa então a notícia da suposta vigilância do governo à Presidência da República não desmentia a participação de assessores do governo na elaboração do programa eleitoral, ao contrário do que diz o PSD e aí sim podem "bater" à vontade na Dra. Manuela Ferreira Leite.De qualquer modo, o Presidente da República dificilmente conseguirá trabalhar novamente com José Sócrates como primeiro-ministro. A machadada final na "falta de lealdade" de José Sócrates de que Cavaco Silva se queixa foi dada com a recusa da nomeação de João Lobo Antunes para o Conselho Nacional de Ética.
E o mais curioso é que os socialistas querem evitar um confronto público com o Presidente, convencidos de que isto os pode prejudicar na campanha e favorecer o PSD. Mas o PSD não está nada convencido de que o "incidente" de Belém o faça ganhar votos e eu, sinceramente, concordo. As escolhas de MFL falaram per si.
Enfim...material para entreter a populaça nas férias. Típico da silly season.

Mauro Burlamaqui Sampaio
Do meu ponto de vista é mais fácil do que parece , e nada tem haver com política . Há muita gente prejudicada no país pelas mais variadas razões e nada tem haver com partidos políticos.

Mauro Burlamaqui Sampaio
Vanessa Pelerigo , esqueça um pouco a política e abra os olhos , o problema é criminal . O problema Português há muito saiu da política reside agora na investigação, nos tribunais e numa justiça expectável. Todo esperamos isso .
Pelo menos as pessoas de bem e informadas.

Vanessa Batoques Pelerigo
Mas, a questão é exactamente essa. As pessoas dão demasiada importância às politiquices e ao diz que disse. Toda a gente julga antes do tempo. Ninguém espera que a (tardia) justiça desempenhe o papel para que foi desenhada. E a presunção de inocência? Proclama-se um Estado de Direito e a Democracia, mas face aos problemas concretos responde-se de um modo repressivo e autoritário. Há que perceber a forma de funcionamento dos tribunais penais e também na forma de actuação dos promotores de justiça, da polícia, dos litigantes.
A reforma da justiça penal não é uma simples mudança de procedimentos é uma alteração institucional de grande envergadura, que redefine o papel da justiça no contexto democrático. As pessoas é que tendem a fechar os olhos.
As pessoas de bem e bem informadas, essas, acreditam que o nosso direito penal é moderno, avançado, racional, favorável à reintegração do criminoso recuperado e à protecção das vítimas (na verdade não o nosso direito, mas o direito alemão e o direito italiano. Mas, não consegue cumprir as tarefas a que se propôs inicialmente. O que mais choca são os aspectos processuais, as diferentes manobras processuais, com recursos de tudo e nada, estratégias dilatórias, e finalmente vítima da prescrição. Não serve nem as vítimas, nem os inocentes, nem os magistrados, nem os procuradores

Casa Amadis
O Sócrates fez eleger o Cavaco e lá teria as suas razões. Se o cálculo lhe saiu furado... não sei.
Quanto aos tribunais, o Sarkozy resolveu o problema. Acabou com os juízes de instrução. Passando esta para o ministério público, isto é, para o Ministério do Interior, para ele próprio.
Nunca mais haverá processos políticos contra membros da maioria enquanto esta estiver no poder controlando a instrução dos processos.
Digo-vos isto porque conhecendo a Pátria Amada, mais dia menos dia imitam os franceses.
Quem previne vosso amigo é.

Mauro Burlamaqui Sampaio
É fácil , o Estado Italiano ,onde também vivo, tem criado leis de excepção para combater a índole mafiosa. Se for preciso combater amanhã ... muda-se lei amanhã ao sabor dos prevaricadores é que uma sociedade não pode ficar .
È preciso ser prático . Leis cirúrgicas e tolerância zero para esta gente.

Mauro Burlamaqui Sampaio
É um facto que Cavaco Silva entrou para Presidência através de um acordo de cavalheiros , o Bloco central na sua expressão máxima. Feio , muito feio e é uma regra que tem condenado os portugueses ao atraso.

Casa Amadis
quem andou na faculdade nos finais de 70 e princípios de 80 (sobre tudo na U Nova) sabe muito bem que toda essa gente foi formada pelo Cavaco ou pelos discípulos deste.
Eles eram abertamente neo-liberais, já na altura.
Em política temos que ter memória.
Por outro lado:
Se vive na Itália sabe que Sócrates não é Berlusconi nem Sarkozy e pode alinhar nas chapadas na cara do meu primo.
E com isto tudo está a dar o "Poil de Carotte" do Julien Duvivier na 3 e perdi o princípio.

Casa Amadis
Bater só no PSD?
Porquê?
Porque dá gozo, muito gozo.
Se tivéssemos batido assim no Sarkozy andávamos menos lixados. Sobre tudo se formos escurinhos.

Casa Amadis
Caro Mauro,
claro que é atraso porque os blocos centrais rimam com política do "juste millieu". Isto é, políticas do consenso mole. Dos arranjinhos.
Governo sem oposição capaz de alternância é marasmo.
E quem mais perde é o PS que se arrisca a tomar o mesmo caminho que o SPD alemão, fagocitado pela CDU.
Mas é bem feito para a cara deles.

sexta-feira, agosto 28, 2009

CINEMA: UP- ALTAMENTE!

:

UP-ALTAMENTE

“Up-Altamente” é um muito bom filme de animação, mas não me parece estar à altura do coro de (quase) unanimidade que se estende à sua volta, desde que inaugurou o festival de Cannes (primeira longa de animação a lograr tal feito!). Julgo que é uma excelente animação, com magníficos desenhos, boa caracterização de personagens, um belíssimo enquadramento paisagístico (que funciona como elemento dramático por excelência), mas deixa algo a desejar quanto à história e à sua estrutura dramática. Dir-se-ia que existem duas histórias em uma, ainda por cima não muito bem cozinhadas.
Inicialmente assiste-se à vida de Carl Fredricksen, vendedor de balões, casado, feliz, até que a morte da mulher o vai encontrar com 78 anos, e desejoso de realizar o sonho da sua vida (e da mulher, que tem até um álbum dedicado à “Grande Aventura”: uma fabulosa viagem que o levará (e à sua casa) até às Cataratas do Paraíso. Prende então milhares de balões à sua modesta vivenda e consegue voar à descoberta do sonho. Que é também o pesadelo. Ou mesmo dois pesadelos: a presença de um intrometido escuteiro, mas bom rapaz, preocupado com a harmonia ecológica, e a chegada à terra onde o perigoso Charles Muntz persegue e cataloga ossadas de animais extintos ou em via de extinção. O filme é delicodoce até ao aparecimento de Muntz, torna-se uma vertiginosa aventura daí em diante. De início arrasta-se em fotografias de álbum de família a puxar ao choradinho, depois lança-se numa aventura estilo Indiana Jones.
Obviamente que se trata de um filme estimável e recomendável, mas comparar “Up” com “Wall-E”, por exemplo, vindo da mesma Pixar, para mim fica a perder. De todas as formas a animação digitar segue de vento em popa, anulando o pessimismo dos que asseguraram que a animação nunca mais seria a mesma coisa e perderia toda a magia. Digital ou não, o importante é a sensibilidade e o talento de quem cria, não as técnicas que utiliza.
UP - ALTAMENTE!
Título original: Up
Realização: Pete Docter, Bob Peterson (EUA, 2009); Argumento: Bob Peterson, Pete Docter, Thomas McCarthy; Produção: Le Con, John Lasseter, Jonas Rivera, Andrew Stanton; Música: Michael Giacchino; Montagem: Katherine Ringgold; Design de produção: Ricky Nierva; Direcção artística: Ralph Eggleston, Bryn Imagire, Harley Jessup, Daniel Lopez Munoz, Don Shank; Departamento de arte: James S. Baker, Josh Cooley, Stephanie Hamilton, Erik Langley, Bobby Rubio, Peter Sohn, Veronica Watson; Som: Tom Myers; Efeitos visuais: Gary Bruins, Tolga Goktekin, Thomas Jordan; Animação: Dave Mullins; Companhias de produção: Walt Disney Pictures,Pixar Animation Studios; Intérpretes: Edward Asner (Carl Fredricksen), Christopher Plummer (Charles Muntz), Jordan Nagai (Russell), Bob Peterson (Dug / Alpha), Delroy Lindo (Beta), Jerome Ranft (Gamma), John Ratzenberger, David Kaye, Elie Docter, Jeremy Leary, Mickie McGowan, Danny Mann, Donald Fullilove, Jess Harnell, Josh Cooley, Pete Docter, etc. Duração: 96 minutos; Distribuição em Portugal: Zon Lusomundo; Classificação etária: M/ 6 anos; Estreia em Portugal: 13 de Agosto de 2009.