quinta-feira, janeiro 26, 2012

MORRE THEO ANGELOPOULOS, AOS 76 ANOS

Notícia recebida:


Realizador de 76 anos 
não resistiu aos ferimentos do atropelamento

O cineasta grego Theo Angelopoulos, vencedor em 1998 da Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes e do Leão de Ouro, em Vezena (1980), morreu na noite desta terça-feira, na sequência dos ferimentos que sofreu num atropelamento, horas antes, perto de Atenas.
Angelopoulos foi atropelado por uma moto ao final da tarde de terça-feira, em Pireu, junto à capital grega. O realizador, de 76 anos, foi hospitalizado com ferimentos considerados graves, acabando por morrer quatro horas depois devido a uma hemorragia interna, noticia nesta quarta-feira a agência de notícias AFP, citando fonte do hospital.
Com uma carreira de mais de 40 anos, Theo Angelopoulos foi o realizador que conseguiu que a cinematografia grega atingisse audiências internacionais, destacando-se geralmente nos festivais europeus.
Em 1995, venceu o Grande Prémio do Júri do Festival de Cannes, com o filme “O Olhar de Ulisses”, protagonizado pelo actor norte-americano Harvey Keitel, e três anos depois, em 1998, conseguiu o prémio principal do festival, a Palma de Ouro, com “A Eternidade e um Dia Antes”, sobre um escritor que tem o seu último dia de liberdade antes de ser internado no hospital. Antes, em 1980, recebera o Leão de Ouro com “Alexandre, o Grande”.
Nascido a 27 de Abril de 1935 em Atenas, Angelopoulos viveu na Grécia durante os seus períodos mais conturbados. Enfrentou a ocupação nazi durante a Segunda Guerra Mundial e passou depois pela Guerra Civil Grega, entre 1946 e 1949, acontecimentos que acabaram por marcar a sua cinematografia, que abordava geralmente temas políticos. A imigração e o exílio também foram temas recorrentes nos filmes do realizador.
Nascido a 27 de Abril de 1935 em Atenas, Theo Angelopoulos não descobriu logo a sua paixão pelo cinema, mas apenas no final dos anos 1960. Licenciado em direito, foi depois de se mudar para Paris, onde estudou no Instituto de Estudos Cinematográficos de Paris, que percebeu que a advocacia não era carreira para si. Já com novo curso, decide então voltar a Atenas e envereda pelo jornalismo, dedicando-se à crítica de cinema. Estava assim descoberta a sua grande vocação, o cinema.
A Paris voltou depois muitas vezes, deixando a sua marca no cinema francês. Representante da “nova vaga” do cinema grego dos anos 1970 e 1980, os críticos consideram que influenciou consideravelmente o cinema que se fazia em França naquela época.
Os seus filmes ficaram caracterizados pelas paisagens sombrias, o ritmo lento e os longos períodos sem qualquer fala, características que nem sempre conseguiram agradar ao público e à crítica. “Sou um homem pessimista”, dizia muitas vezes o realizador.
Por terminar ficou a sua trilogia sobre a Grécia e o século XX. O primeiro filme, “The Weeping Meadow”, saiu em 2004, e remontava a 1919, com a chegada à Grécia dos refugiados de Odessa, terminando em 1949, no rescaldo da II Guerra Mundial.
O segundo filme, “The Third Wing” (2008), começa no dia da morte de Estaline, em 1953, e termina em 1974. Ficou a faltar “Return”, que começaria nos finais século XX e terminava nos nossos dias.
O Huffington Post lembra ainda uma entrevista televisiva recente do realizador, no ano passado, na qual Angelopoulos revelou alguns dos seus planos para um próximo filme, explicando que seria sobre a actual grande crise financeira que a Grécia enfrenta.
Actualmente estava a trabalhar o seu próximo filme, que deveria chegar aos cinemas este ano, “The Other Sea”.

CINEMA: A TOUPEIRA

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 A TOUPEIRA
É sabido que os admiráveis romances de espionagem de John le Carré são não só extremamente bem escritos e sufocantes de intensidade, como muito complexos e intrincados na forma como são construídos. “A Toupeira” (Tinker Tailor Soldier Spy), escrito em 1974, é o primeiro tomo de uma trilogia dedicada a Smiley, concluída com “The Honourable Schoolboy”, 1977, e “A vingança de Smiley” (Smiley's People, 1979). Segundo o próprio escritor, a ideia inicial desta série dedicada a Smiley era uma obra de dez ou quinze romances, uma espécie de “Comédie Humaine” da Guerra Fria, contada em termos de espionagem mútua”. Mas o evoluir dos tempos e da própria personagem ditaram o cancelamento do projecto.
Em 1982, o próprio John le Carré, conjuntamente com John Hopkins, escreveram uma adaptação para televisão, numa mini série inglesa, em seis episódios, dirigida por Simon Langton, a que deram o título de "Smiley's People". Alec Guinness compunha um extraordinário George Smiley, num elenco de que faziam parte Eileen Atkins, Bill Paterson, Vladek Sheybal, Andy Bradford, Bernard Hepton, Michael Byrne, Anthony Bate, Tusse Silberg     e Germaine Delbat, entre outros. John Le Carré confessa que Alec Guiness era tão bom na interpretação que a partir daí ele passou a ser George Smiley. Certamente uma dor de cabeça para qualquer actor que voltasse a cair na tentação de encarnar a personagem. Aconteceu a Gary Oldman, que se sai do empreendimento de forma brilhante. Com comparação ou sem ela.
De resto, esta nova adaptação de “Tinker Tailor Soldier Spy” deve ter tido todo o apoio do escritor, apesar da adaptação não lhe ter passado pelas mãos, e ser da responsabilidade de Bridget O'Connor e Peter Straughan. Mas Le Carré é um dos produtores desta co-produção europeia que reúne França, Inglaterra e Alemanha, e foi rodada não só na Grã-Bretanha, como ainda na Hungria e na Turquia, sendo que as filmagens em Budapeste levaram a alguma alteração do argumento (no romance essas cenas passavam-se na Checoslováquia). Mais, numa das cenas, que recupera uma festa de Natal, John Le Carré surge como figurante, o que é outro sinal da sua aprovação plena.
O realizador é o sueco Tomas Alfredson que nos deslumbrara em 2008 com o seu magnífico “Deixa-me Entrar”. Aqui volta a causar boa impressão na forma como encena esta intrigante história de espionagem múltipla, este jogo de espelhos entre a URSS e a Inglaterra e a América, pelo controle da informação criptada, com agentes duplos pelo meio e a criação de um ambiente de soturna solidão e desconfiança permanente, com a violência física e psicológica e a morte sempre à espreita. Os cenários são de uma infinita tristeza e hostilidade, as cores são mortiças, os sons abafados, as palavras ciciadas, a melancolia é plangente, a ausência de emoções gera uma frieza de trato, só aqui e ali quebrada por uma discreta confissão de amor, logo desmentida por um acto de violência sem igual. O todo é opressivo e derrotante. John le Carré sabe do que fala pois integrou, durante alguns anos, o MI6, um dos departamentos dos serviços secretos ingleses, tarefa de que se afastou quando Kim Philby, o agente duplo britânico, denunciou a identidade de dezenas de espiões ocidentais ao KGB.
Se o romance se alicerça numa estrutura complexa, o filme não lhe fica atrás. Principia em Budapeste, quando o agente Jim Prideaux (Mark Strong) persegue preciosas informações de um agente e é assassinado em plena rua, à luz do dia. Jim Prideaux cumpria ordens do chefe do MI6, Control (John Hurt), e o falhanço da missão leva ao afastamento de Control e também de George Smiley (Gary Oldman), seu braço direito. A direcção do MI6 passa a ser dominada por Percy Alleline (Toby Jones), Bill Haydon (Colin Firth), Roy Bland (Ciarán Hinds) e Toby Esterhase (David Dencik). Mas, pouco depois, Smiley é convidado a regressar ao MI6 para investigar a existência de um traidor. Ou para confirmarem ser ele próprio esse agente duplo?
A realização é talvez demasiado cerrada, exigindo uma atenção absoluta, mas o tom que impõe é notável, com uma direcção artística notável de coerência e rigor, uma belíssima fotografia e um desempenho invulgar na contenção e severidade. Gary Oldman é brilhante e a nomeação para o Oscar justíssima. Sério concorrente para George Clooney.
A TOUPEIRA
Título original: Tinker Tailor Soldier Spy
Realização: Tomas Alfredson (França, Inglaterra, Alemanha, 2011); Argumento: Bridget O'Connor, Peter Straughan, segundo romance de John le Carré; Produção: Tim Bevan, Liza Chasin, Eric Fellner, Alexandra Ferguson, Ron Halpern, Debra Hayward, John le Carré, Peter Morgan, Artist W. Robinson, Robyn Slovo, Alex Sutherland, Douglas Urbanski; Música: Alberto Iglesias; Fotografia (cor): Hoyte Van Hoytema; Montagem: Dino Jonsäter; Casting: Jina Jay; Design de produção: Maria Djurkovic; Direcção artística: Tom Brown, Zsuzsa Kismarty-Lechner; Guarda-roupa: Jacqueline Durran; Maquilhagem: Felicity Bowring; Direcção de Produção: Tania Blunden, Deborah Harding, Zeynep Santiroglu, György Sánta, Tim Wellspring; Assistentes de realização: Yagiz Alp Akaydin, Zoltán Bonta, Mark Hopkins, Robert Karn, Zoe Liang, Mikael Marcimain, Alex Oakley; Departamento de arte: Deniz Göktürk, Felicity Hickson, Julianna Kasza, Zsuzsa Mihalek; Som: Andy Botham, Stephen Griffiths, Andy Shelley; Efeitos especiais: Dean Ford, Mark Holt, Gabor Kiszelly; Efeitos visuais: Nick King, Oskar Larsson, Olle Petersson; Companhias de produção: Studio Canal, Karla Films, Paradis Films, Kinowelt Filmproduktion, Working Title Films, Canal+, CinéCinéma; Intérpretes: Gary Oldman (George Smiley), Colin Firth (Bill Haydon), John Hurt (Control), Benedict Cumberbatch (Peter Guillam), Stephen Graham (Jerry Westerby), Mark Strong (Jim Prideaux), David Dencik (Toby Esterhase), Ciarán Hinds (Roy Bland), Tom Hardy (Ricki Tarr), Zoltán Mucsi, Péter Kálloy Molnár, Ilona Kassai, Imre Csuja, Kathy Burke, Arthur Nightingale, Simon McBurney, Amanda Fairbank-Hynes, Peter O'Connor, Roger Lloyd-Pack, Toby Jones,  Matyelok Gibbs, Phillip Hill-Pearson, Jamie Thomas King, Stuart Graham, Konstantin Khabenskiy, Sarah Jane Wright, Katrina Vasilieva, Linda Marlowe, William Haddock, Erksine Wylie, Philip Martin Brown, Tomasz Kowalski, Svetlana Khodchenkova, Denis Khoroshko, Oleg Dzhabrailov, Nick Hopper, Laura Carmichael, Rupert Procter, John le Carré (convidado na festa de Natal), Michael Sarne, Christian McKay, Tom Stuart, etc. Duração: 127 minutos; Distribuição em Portugal: Zon Lusomundo Audiovisuais; Classificação etária: M/ 12 anos; Estreia em Portugal: 22 de Dezembro de 2011.  

terça-feira, janeiro 24, 2012

OSCARS 2012: AS NOMEAÇÕES

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 AS NOMEAÇÕES PARA OS OSCARS DE 2012

Anunciadas as nomeações para os Oscars de 2012, relativos ao ano de 2011, aqui ficam proclamados os felizes contemplados.  Nada de muito surpreendente, nem sequer a ausência de Clint Eastwood em todas as categorias (para que é que se foi meter com a suspeita figura de Hoover e o FBI?).
Ainda não vi todos os (principais) nomeados, por isso me abstenho desde já de previsões. Mas haverá como sempre duas listas: a dos que eu gostava que ganhassem e aquela dos que julgo que vão ganhar. La mais para diante. No dia 26 de Fevereiro, Eddie Murphy será o mestre de cerimónia. Ao lado dos Muppets. Até lá…

Melhor filme
    The Artist / Thomas Langmann
    The Descendants /Jim Burke, Alexander Payne e Jim Taylor
    Extremely Loud & Incredibly Close / Scott Rudin
    The Help / Brunson Green, Chris Columbus e Michael Barnathan
    Hugo / Graham King e Martin Scorsese
    Midnight in Paris / Letty Aronson e Stephen Tenenbaum
    Moneyball / Michael De Luca, Rachael Horovitz e Brad Pitt
    The Tree of Life / produtor a determinar
    War Horse / Steven Spielberg e Kathleen Kennedy

Melhor realização
    The Artist / Michel Hazanavicius
    The Descendants / Alexander Payne
    Hugo / Martin Scorsese
    Midnight in Paris / Woody Allen
    The Tree of Life / Terrence Malick

Melhor argumento adaptado
        The Descendants / Alexander Payne e Nat Faxon & Jim Rash
        Hugo / John Logan
        The Ides of March / George Clooney & Grant Heslov e Beau Willimon
        Moneyball / Steven Zaillian  eAaron Sorkin.  História de Stan Chervin
        Tinker Tailor Soldier Spy / Bridget O'Connor & Peter Straughan

Melhor argumento original
        The Artist / Michel Hazanavicius
        Bridesmaids / Annie Mumolo e Kristen Wiig
        Margin Call / J.C. Chandor
        Midnight in Paris / Woody Allen
        A Separation / Asghar Farhadi

Melhor actor
    Demián Bichir / A Better Life
    George Clooney / The Descendants
    Jean Dujardin / The Artist
    Gary Oldman / Tinker Tailor Soldier Spy
    Brad Pitt / Moneyball

Melhor actriz
    Glenn Close / Albert Nobbs
    Viola Davis / The Help
    Rooney Mara / The Girl with the Dragon Tattoo
    Meryl Streep / The Iron Lady
    Michelle Williams / My Week With Marilyn

Melhor actor num papel secundário
    Kenneth Branagh / My Week With Marilyn
    Jonah Hill / Moneyball
    Nick Nolte / Warrior
    Christopher Plummer / Beginners
    Max von Sydow / Extremely Loud & Incredibly Close

Melhor actriz num papel secundário
    Bérénice Bejo / The Artist
    Jessica Chastain / The Help
    Melissa McCarthy / Bridesmaids
    Janet McTeer / Albert Nobbs
    Octavia Spencer / The Help

Melhor filme em língua não inglesa
    Bélgica, "Bullhead" / Michael R. Roskam
    Canadá, "Monsieur Lazhar" / Philippe Falardeau
    Irão, "A Separation" / Asghar Farhadi
    Israel, "Footnote" / Joseph Cedar
    Polónia, "In Darkness" / Agnieszka Holland

Melhor filme de animação
    A Cat in Paris  / Alain Gagnol e Jean-Loup Felicioli
    Chico & Rita / Fernando Trueba e Javier Mariscal
    Kung Fu Panda 2 / Jennifer Yuh Nelson
    Puss in Boots / Chris Miller
    Rango / Gore Verbinski

Melhor fotografia
    The Artist / Guillaume Schiffman
    The Girl With The Dragon Tattoo / Jeff Cronenweth
    Hugo / Robert Richardson
    The Tree of Life / Emmanuel Lubezki
    War Horse / Janusz Kaminski

Melhor montagem
    The Artist / Anne-Sophie Bion e Michel Hazanavicius
    The Descendants / Kevin Tent
    The Girl with the Dragon Tattoo / Kirk Baxter e Angus Wall
    Hugo / Thelma Schoonmaker
    Moneyball / Christopher Tellefsen

Melhor direcção artística
    The Artist /Laurence Bennett (Design de produção); Robert Gould (Decoração)
    Harry Potter and the Deathly Hallows Part 2 / Stuart Craig (Design de produção); Stephenie McMillan (Decoração)
    Hugo / Dante Ferretti (Design de produção); Francesca Lo Schiavo (Decoração)
    Midnight in Paris / Anne Seibel (Design de produção); Hélène Dubreuil (Decoração)
    War Horse /Rick Carter (Design de produção); Lee Sandales (Decoração)

Melhor guarda-roupa
    Anonymous / Lisy Christl
    The Artist / Mark Bridges
    Hugo / Sandy Powell
    Jane Eyre / Michael O'Connor
    W.E. / Arianne Phillips

Melhor música original
    The Adventures of Tintin / John Williams
    The Artist / Ludovic Bource
    Hugo / Howard Shore
    Tinker Tailor Soldier Spy / Alberto Iglesias
    War Horse / John Williams

Melhor canção original
    "Man or Muppet", de “The Muppets” / Música e poema de Bret McKenzie
    “Real in Rio”, de “Rio” /  Música de Sergio Mendes e Carlinhos Brown; poema de Siedah Garrett

Melhor som
    Drive / Lon Bender e Victor Ray Ennis
    The Girl with the Dragon Tattoo / Ren Klyce
    Hugo / Philip Stockton e Eugene Gearty
    Transformers: Dark of the Moon / Ethan Van der Ryn e Erik Aadahl
    War Horse / Richard Hymns e Gary Rydstrom

Melhor sonoplastia
    The Girl with the Dragon Tattoo / David Parker, Michael Semanick, Ren Klyce e Bo Persson
    Hugo / Tom Fleischman e John Midgley
    Moneyball / Deb Adair, Ron Bochar, Dave Giammarco e Ed Novick
    Transformers: Dark of the Moon / Greg P. Russell, Gary Summers, Jeffrey J. Haboush e Peter J. Devlin
    War Horse / Gary Rydstrom, Andy Nelson, Tom Johnson e Stuart Wilson

Melhor maquilhagem
    Albert Nobbs / Martial Corneville, Lynn Johnston and Matthew W. Mungle
    Harry Potter and the Deathly Hallows Part 2 / Nick Dudman, Amanda Knight and Lisa Tomblin
    The Iron Lady / Mark Coulier and J. Roy Helland

Melhores efeitos visuais
    Harry Potter and the Deathly Hallows Part 2 / Tim Burke, David Vickery, Greg Butler e John Richardson
    Hugo / Rob Legato, Joss Williams, Ben Grossman e Alex Henning
    Real Steel / Erik Nash, John Rosengrant, Dan Taylor e Swen Gillberg
    Rise of the Planet of the Apes / Joe Letteri, Dan Lemmon, R. Christopher White e Daniel Barrett
    Transformers: Dark of the Moon / Dan Glass, Brad Friedman, Douglas Trumbull e Michael Fink

Melhor longa-metragem documental
    Hell and Back Again / Danfung Dennis e Mike Lerner
    If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front / Marshall Curry e Sam Cullman
    Paradise Lost 3: Purgatory / Joe Berlinger e Bruce Sinofsky
    Pina / Wim Wenders e Gian-Piero Ringel
    Undefeated / TJ Martin, Dan Lindsay e Richard Middlemas

Melhor curta-metragem documental
    The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement / Robin Fryday e Gail Dolgin
    God is the Bigger Elvis / Rebecca Cammisa e Julie Anderson
    Incident in New Baghdad / James Spione
    Saving Face / Daniel Junge e Sharmeen Obaid-Chinoy
    The Tsunami and the Cherry Blossom / Lucy Walker e Kira Carstensen

Melhor curta-metragem de animação
    Dimanche/Sunday / Patrick Doyon
    The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore / William Joyce e Brandon Oldenburg
    La Luna / Enrico Casarosa
    A Morning Stroll / Grant Orchard e Sue Goffe
    Wild Life / Amanda Forbis e Wendy Tilby

Melhor curta-metragem de ficção
    Pentecost / Peter McDonald e Eimear O'Kane
    Raju / Max Zähle e Stefan Gieren
    The Shore / Terry George e Oorlagh George
    Time Freak / Andrew Bowler e Gigi Causey
    Tuba Atlantic / Hallvar Witzø

CINEMA: OS DESCENDENTES

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OS DESCENDENTES
   
Alexander Payne é realmente um cineasta invulgar. Pelos temas escolhidos, mas sobretudo pelo tom em que os consegue manter.
Nascido em 10 de Fevereiro de 1961, em Omaha, no Nebraska, de uma família de origem grega, Alexander Constantine Papadopoulos, depois Payne por opção, estudou na Universidade de Stanford, mais tarde formou-se em “Theater Arts”, pela “UCLA Filmschool” (1990), tendo, entretanto, andado pela Europa, onde estudou em Salamanca, Espanha.
Começou a sua carreira cinematográfica com uma curta, “Cármen”, 1985, alguns vídeos, “Inside Out”, com o episódio "My Secret Moments", 1991, e “Inside Out III”, 1992, e passou à realização de longas-metragens, com “The Passion of Martin”, 1991, “Citizen Ruth”, 1996, “Eleição” (Election, 1999), revelando-se completamente a partir de “As Confissões de Schmidt” (2002), e, sobretudo, “Sideways” (2004). Antes de “Os Descendentes”, participou ainda num episódio de “Paris, je t'Aime” ("14e Arrondissement", 2006) e no episódio piloto da série “Hung” (2009). Não muita obra, mas a suficiente para se perceber estarmos perante um verdadeiro autor, com uma voz própria e uma temática e um estilo muito originais. Inconfundíveis, até. “As Confissões de Schmidt”, “Sideways” e agora este “Os Descendentes” criam uma mesma atmosfera envolvente, um clima de intimidade invulgar, um certo tom de viagem ao sabor do tempo, descontraída, plausível, autêntica, sem efeitos nem rebuscamentos. As paisagens são as de uma cuidada viagem em “home vídeo”, os actores actuam como se estivessem ainda nos ensaios e não já a representar, o guarda-roupa é o de todos os dias, os cenários sentem-se vividos como poucos, não há poses estudadas, nem artifícios estéticos para causar bom efeitos. O bom efeito, todavia, está lá, nessa apetência de autenticidade. Cada filme seu é um convite para entrar na privacidade de uns quantos seres com os seus problemas, alguns graves, outros risíveis, mas confraternizamos com eles sem confrangimentos, como velhos amigos que conhecemos há muito. E com quem não se faz cerimónia. Em “Os Descendestes”, há uma cena em que Clooney entra pela casa dentro de um casal amigo, sem se fazer anunciar, a não ser quando já está bem dentro da sala. Entramos nos filmes de Alexander Payne da mesma forma, sem aviso prévio, somos familiares ou amigos convidados a partilhar pedaços de algumas existências.
Em “The Descendants”, o protagonista é Matt King (George Clooney), um advogado que mora no Havai, cuja mulher se encontra em coma no hospital local, depois de um acidente com um barco, enquanto fazia sky aquático. Tem duas filhas, um impressionante número de familiares, negócios a tratar, um belíssimo terreno herdado, pronto para ser vendido a um grande empreendimento turístico, e a mulher a morrer, sem esperança de salvação. É um daqueles momentos em que cai tudo sobre a cabeça de um homem, sobretudo porque as filhas, uma de 10 e outra de 17, se mostram rebeldes, e ainda por cima a mais velha resolve trazer a reboque um emplastro meio aparvalhado. Depois, Matt King faz uma descoberta desconcertante: a sua apaixonada esposa era-lhe infiel e preparava-se para pedir o divórcio, antes de sofrer o acidente que a atirou para a cama do hospital, em estado vegetativo.
Matt King está nos antípodas do que costumam ser os personagens interpretados por Clooney. Ele é um ser desamparado, aparentemente desorientado, vestido com umas camisas havaianas não muito recomendáveis, desajeitado a correr, sem saber muito bem para que lado se voltar. A vida tem destas ocasiões, e há que enfrentar as crises. Matt King oscila entre o torpor e a explosão de violência benigna, até encontrar o seu rumo e consigo levar a família, afinal todos envolvidos no mesmo drama ou, se preferirem, no mesmo cobertor.
Muito interessante é a forma anti-turística como nos é apresentado o Havai, uma zona que nos é quase sempre servida através dos mais estafados clichés e que o cineasta afasta para nos mostrar o país profundo, não a zona turística da beira-mar, mas o interior ou as praias isoladas, as casas dos autóctones e o dia a dia despojado, sem o charme dos grandes hotéis de luxo, mas com o secreto encanto e a dolorosa presença dos pequenos e grandes dramas e alegrias do comum dos mortais.
Lídimo representando do cinema “independente” norte-americano, mesmo quando já enquadrado na grande indústria, Alexander Payne deixa-se levar numa tocante melopeia que roça o melodrama e a comédia, abordando de uma maneira discreta, subtil e comovente alguns dos grandes problemas da vida, do amor à morte, do ciúme à compreensão, da educação à ecologia.
Ou me engano muito ou, mesmo havendo outros fortes candidatos ao Oscar de melhor filme do ano, este o vai recolher sem grande margem para conflitualidade. É o típico filme para o Oscar. Também George Cloooney me parece bem orientado para receber o almejado Oscar de melhor actor. E Shailene Woodley pode ser uma surpresa entre as secundárias. Interessante referir que Kaui Hart Hemmings, a autora havaiana do celebrado romance – primeira obra – donde parte o filme, se encontra entre os actores, num pequeno papel a contracenar com Clooney.   
OS DESCENDENTES
Título original: The Descendants
Realização: Alexander Payne (EUA, 2011); Argumento: Alexander Payne, Nat Faxon, Jim Rash, segundo romance de Kaui Hart Hemmings; Produção: Tracy Boyd, Jim Burke, George Parra, Alexander Payne, Jim Taylor; Fotografia (cor): Phedon Papamichael; Montagem: Kevin Tent; Casting: John Jackson; Design de produção: Jane Ann Stewart; Direcção artística: T.K. Kirkpatrick; Decoração: Matt Callahan; Guarda-roupa: Wendy Chuck; Direcção de produção: Renee Confair, George Parra; Assistentes de realização: Scott August, Tracy Boyd, Richard L. Fox; Departamento de arte: Serena Rios Flores; Som: Frank Gaeta; Efeitos visuais: Mark Dornfeld, Michele Ferrone, Paulina Kuszta; Companhias de produção: Ad Hominem Enterprises; Intérpretes: George Clooney (Matt King), Shailene Woodley (Alexandra King), Amara Miller (Scottie King), Nick Krause (Sid), Patricia Hastie (Elizabeth King), Grace A. Cruz (Professora de Scottie), Kim Gennaula, Karen Kuioka Hironaga, Carmen Kaichi, Kaui Hart Hemmings, Beau Bridges, Matt Corboy, Matt Esecson, Michael Ontkean, Stanton Johnston, Jon McManus, Hugh Foster, Tiare R. Finney, Tom McTigue, Milt Kogan, Mary Birdsong, Rob Huebel, Laird John Hamilton, Aileen 'Boo' Arnold, etc. Duração: 115 minutos; Distribuição em Portugal: Big Picture 2 Films; Classificação etária: M/ 12 anos; Estreia em Portugal: 19 de Janeiro de 2012. 

segunda-feira, janeiro 23, 2012

TEATRO: BACANTES, NO S. LUIZ

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 BACANTES
“Bacantes”, tragicomediorgya, da responsabilidade de Zé Celso Correa, principal responsável pelo “Teat®o Oficina”, da Uzyna Uzona, de São Paulo, aterrou no S. Luiz durante três dias, vinda de Liége, Bélgica (onde encerrou a Europália). Foram três sessões de cinco/seis horas cada, esgotantes para a vasta companhia, com mais de 55 elementos, entre intérpretes, músicos e técnicos, e que deixaram em delírio as salas esgotadas da casa da Rua António Maria Cardoso.
Atrevo-me a dizer que o grande acontecimento teatral de 2012 em Portugal já aconteceu, logo no mês de Janeiro. Não que o espectáculo seja perfeito (uma das suas virtudes será possivelmente essa imperfeição, o lado inacabado, ou “em progresso”), mas é seguramente o mais (ou um dos mais, dê-se o benefício da dúvida) sugestivo, exaltante e estimulante espectáculo que poderemos ver em Portugal.
“As Bacantes” é uma peça de Eurípedes, um dramaturgo da Grécia clássica, cuja trama foi adaptada à actualidade e fundamentalmente ao Brasil. A peça estreou em 1995 e tem continuado a carreira de forma espaçada, quer no interior do seu país, quer no estrangeiro. Pode dizer-se, sem exagero, que mais de noventa por cento das cinco horas em cena são passados com o elenco nu, invocando os deuses Dionísios, Baco e afins, numa exaltação do vinho, do prazer, do amor, e da foda, assim mesmo invocada, sem subterfúgios (o palco é inclusive classificado de fododromo). Claro que estas premissas nos levam até ao Living Theatre, do célebre Julian Beck, dos anos 60, mas é um Living completamente submergido pelo samba e, sobretudo, pelas teorias do tropicalismo e da antropofagia, que nasceram com o modernismo literário e musical de Oswald de Andrade ou Villa Lobos, continuado e aprofundado pelo cinema de Glauber Rocha e companheiros do cinema novo. Algo de profundamente visceral, que transforma o palco (que aliás não existe) num espaço de profunda interacção com a plateia, levando actores e espectadores a colaborarem na mesma celebração da vida, da morte e da ressurreição. Não a usual ressurreição católica, mas a pagã dionísiaca, que se afirma inesgotável e cada vez mais actual, sobretudo para contrair momentos de crise e proclamações da troika. A companhia explica que é “para festejar a ideia de que paga caro quem acaba com a festa e se dá bem quem inventa um jeito novo de ser feliz”.  Ou num português mais daqui, “tristezas não pagam dividas”.
É a própria companhia que assim enuncia a génese do espectáculo: “Bacantes” é uma das mais conhecidas obras do “Teat®o Oficina”. Ela reconstitui o ritual da origem do Teatro em 25 cantos e cinco episódios. Com música composta por Zé Celso (que também assina a autoria e encenação) e direcção musical de Marcelo Pellegrini, a última tragédia grega conhecida – “Bakxai”, de Eurípides – é encenada como uma ópera de Carnaval para cantar o nascimento, morte e renascimento de Dionísios, Deus do Teatro, do vinho e do carnaval. O ritual vive a chegada de Dionísios (Marcelo Drummond), filho de Zeus (Hector Othon) e da mortal Semelle (Anna Guilhermina), à sua cidade natal, TebaSP, que não o reconhece como Deus. Trava-se o confronto entre o prefeito de Tebas, Penteu (Fred Steffen), filho de Agave (Sylvia Prado), que tenta proibir a realização do Teatro dos Ritos Báquicos oficiados por Dionísios e o Coro de Satyros e Bacantes nos morros da capital, governada por Kadmos Fidel Castro (Hector Othon) – mudando para sempre a história daquela cidade”.
Como se vê Tebas passa a TebasSP, um abrasileirar da Grécia, passando a cidade para SP, São Paulo, com as necessárias actualizações. Mas como o projecto está em contínuo progresso, no S. Luiz muito se adaptou aos tempos portugueses e europeus, sendo que assim o espectáculo se assumiu como exorcismo e catarse das calamidades que pairam no horizonte. Veneração “do amor mortal, do imortal, mas também do brutal”, antes da mulher morder a maçã, não isento de muito humor (“o amor é cego, então o negócio é apalpar”) e crítica social e política (dos políticos europeus à Dilma brasileira, passando pela proposta do derrube do capitalismo e por instauração de democracias em Cuba e na Coreia do Norte), “Bacantes” abre e a experiência única inicia-se de forma inebriante, entontecedora, orgíaca, levados por uma turba de movimentos e sons, de música e frenético samba (onde aparece, como não podia deixar de ser a “nossa” Carmen Miranda, como ícone inesquecível), de cores garridas e em ecrãs múltiplos, onde se reproduzem as acções do próprio espectáculo. É difícil de acompanhar, mas irresistível para participar.
Este não é teatro para ver somente, mas uma experiência para se viver. Enfim, um acontecimento inesquecível. Uma encenação original e criativa, um elenco transbordante de ritmo e vivacidade, a cimentar bem lá no fundo a vontade de morder a maçã da vida.
 

sábado, janeiro 21, 2012

TEATRO: DIAS DE VINHO E ROSAS

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DIAS DE VINHO E ROSAS

They are not long, the days of wine and roses:
Out of a misty dream
Our path emerges for a while, then closes
Within a dream.
Ernest Dowson (1867-1900)

Principiemos pelo que ainda aqui não foi dito. Os Artistas Unidos, que durante alguns anos andaram com a casa às costas, têm agora um belo espaço, o Teatro da Politécnica, obviamente situado na Rua da Escola Politécnica, em Lisboa, um edifício recuperado para o efeito, à entrada de uma das alamedas que dá acesso ao Jardim Botânico. O sistemático trabalho de Jorge da Silva Melo e da sua equipa bem merecereu este reconhecimento.
Agora estrearam “Dias de Vinho e Rosas” (Days of Wine and Roses), um texto originalmente escrito para televisão pelo norte-americano J.P. Miller, que depois conheceu uma versão teatral do irlandês Owen McCafferty, e apresentado no palco do Teatro da Politécnica numa tradução de Joana Frazão.
JP Miller
James Pinckney Miller (1919-2001), que começou a escrever e publicar aos 17 anos contos do “wild west”, foi boxeur profissional, usando o nome de “Tex Frontier”, jornalista no “Houston Post”, estudante de escultura na “La Escuela de Artes Plásticas”, na cidade do México, marinheiro no Sul do Pacífico, durante a II Guerra Mundial, onde assumiu o seu nome de combate literário, JP Miller. Estudou escrita e teatro na Yale Drama School, mudou-se para Nova Iorque, onde vendeu ar condicionado para viver e passava o resto do tempo e as noites nos teatros, nos estúdios de televisão e em aulas no American Theater Wing
O primeiro telefilme que escreveu foi “The Polecat Shakedown”, 30 minutos de chantagem num restaurante que haveria de passar no programa “Man Against Crime”. Abandonou tudo o mais e dedicou-se à escrita para televisão. Em 1954 já tinha cinco trabalhos produzidos para TV, tornando-se num dos mais prestigiados autores de telefilmes da “Idade de Ouro da Televisão”. Em 1955, triunfaria com “The Rabbit Trap”, apresentado na “Goodyear Television Playhouse”. Mas o seu grande sucesso seria “Days of Wine and Roses”, realizado em televisão pelo então jovem prometedor John Frankenheimer, para “Playhouse 90” e emitido a 2 de Outubro de 1958. Recebeu três nomeações para os Emmys do ano.
A direcção era brilhante, no dizer da crítica da época, e o elenco notável, Cliff Robertson (Joe Clay), Piper Laurie (Kirsten Arnesen Clay), Charles Bickford (Ellis Arnesen), Marc Lawrence (Scarface), entre outros. Quatro anos depois, passaria a cinema pela mão de Blake Edwards, num filme memorável, que o “The New York Times” coloca na lista dos 1000 melhores filmes de sempre. Jack Lemmon, Lee Remick, Charles Bickford e Jack Klugman foram os protagonistas mas as críticas da época, apesar de reconhecerem os méritos ao filme, faziam sobressair as virtudes do telefilme, que o próprio escritor preferia: “a versão televisiva estava mais perto do meu coração, porque estava mais perto da minha imagem original”.
No filme, Joe Clay (Jack Lemmon) é um relações-públicas, jovem, que se apaixona por Kirsten (Lee Remick), uma colega de trabalho, com quem casa. Mas a pressão profissional empurra-os para momentos de rápida euforia provada pelo álcool, e daí ao descalabro das suas vidas é um passo que percorrem dramaticamente. Sem retorno, apesar das tentativas em contrário. As actuações de Jack Lemmon e Lee Remick são brilhantes e o filme teve algumas dificuldades para manter o tom desesperado com que acaba. Blake Edwards resistiu até ao fim, contra a tentativa de tornar mais macio o final e Jack Lemmon precipitou a sua viagem para a rodagem de um outro filme, a fim de não tornar possíveis as filmagens de novos planos para uma remontagem.
Em 2002, Owen McCafferty, dramaturgo irlandês, adapta a teatro o telefilme de JP Miller, aproveitando somente o esqueleto da obra e alterando-a profundamente. A América passa para a Belfast (Irlanda) e Londres (Inglaterra), mantendo apenas como protagonistas o casal Donal e Dona. 
Nascido em Belfast, em 1961, Owen McCafferty é considerado actualmente um dos grandes dramaturgos e encenadores daquele país, tendo conseguido criar a reputação de um escritor capaz de desenvolver uma linguagem teatral tipicamente irlandesa, através dos seus diálogos fortes, curtos e incisivos, bem enraizados na realidade do seu país. Escreveu várias peças, entre as quais “Cenas da Grande Panorâmica” (Scenes from the Big Picture), 2003 (agora editada conjuntamente com “Dias de Vinho e Rosas”, na colecção “Livrinhos de Teatro”, uma publicação conjunta “Artistas Unidos-Livros Cotovia”), “The Waiting List”, 1994, “Freefalling”, 1996, “Shoot the Crow”, 1997, “Closing Time”, 2002, ou “Mojo Mickybo”, uma das suas obras de maior sucesso. 
A estreia da versão de Owen McCafferty acontece-se em Londres, em 2002, no Donmar Warehouse, numa produção de Sam Mendes, com encenação de Peter Gill, com interpretação de Anne-Marie Duff e Peter McDonald. No ano seguinte, Rachel Wood dirige uma versão off-Broadway de “Days of Wine and Roses”, com a Boomerang Theatre Company. É esta versão que surge agora no palco dos Artistas Unidos, numa encenação de Jorge Silva Melo, com cenário e figurinos de Rita Lopes Alves. Excelente texto, excelente espectáculo, com magníficas interpretações de Maria João Falcão e Rúben Gomes. 
Donal e Dona conhecem-se no aeroporto de Belfast. Ambos são jovens e partem para Londres, um em busca de um emprego prometido nas empresas de apostas de cavalos, ela à procura da novidade das luzes da grande cidade. Começam a trocar palavras e acabam trocando uma bebida. Dona nunca bebera, mas aceita um drink. Já em Londres, bebem socialmente e lentamente resvalam para o alcoolismo, a degradação pessoal. Casados e pais de um filho, procuram recuperar, mas afundam-se a cada nova tentativa. Ele frequenta os “Alcoólicos Anónimos”, ela anda de bar em bar e cai na prostituição. O facto da peça se concentrar nas duas personagens, acaba por intimizar o conflito, torná-lo menos uma consequência social e mais uma irreversibilidade pessoal. Ambos caminham para o abismo porque mais um copo ajuda-os a enfrentar a solidão, o desconforto, as asperezas da vida. Depois de um dia de trabalho, o casal troca brindes até adormecerem caídos no chão ou enrolados num sofá.
Maria João Falcão e Rúben Gomes iniciam o diálogo em Belfast, ainda a medo, mas vão ganhando fôlego à medida que a peça se desenvolve, gozando com pequenos aspectos da encenação, revertendo-os a favor das personagens, utilizando com argúcia os adereços, e os gestos mais anódinos (ela coloca um pé descalço sobre o pé descalço dele, por exemplo, numa carícia secreta que resulta magnificamente).
A encenação é quase imperceptível, o que neste caso é uma virtude, serve o texto e as situações, ergue figuras que permanecem para lá das duas horas do espectáculo. Com pequenos apontamentos que ajudam a criar o ambiente e a impor o desespero – uma porta que se abre sobre um quarto, de que se vislumbra apenas uma parte de uma cama com Dona deitada. O cenário é eficaz e sóbrio, bem servido por luz e som.

Dias de Vinho e Rosas (Days of Wine and Roses). Texto de Owen McCafferty. Tradução de Joana Frazão; Encenação: Jorge Silva Melo; Cenário e figurinos: Rita Lopes Alves; Luz: Pedro Domingos; Músico: Paulo Curado; Sonoplastia; Rui Rebelo; Imagens: Bartolomeu Cid dos Santos; Assistência: Vânia Rodrigues. No Teatro da Politécnica de 18 de Janeiro a 25 de Fevereiro de 2012.

quarta-feira, janeiro 18, 2012

CASA ARRUMADA


Um amigo português que vive em valência enviou-me um poema. Recordado certamente a minha casa, onde muitas vezes vem, e poucas encontra lugar para se arrumar comodamente. O que sempre se arranja por entre livros e jornais. Gosto do poeta. Gostei do poema. Obrigado Zé.

Casa arrumada

Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa
entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um
cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os
móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras
e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições
fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca
ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

segunda-feira, janeiro 16, 2012

GLOBOS DE OURO, 2012

 :

             GLOBOS DE OURO 2012 
Terminou mais uma cerimónia da atribuição dos Globos de Ouro. Promovidos pela Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood, foram entregues 25 estatuetas relativas aos melhores do cinema e da televisão, e efectuada uma justa homenagem ao magnífico actor Morgan Freeman. Os apresentadores foram Ricky Gervais e um copo de cerveja. Na assistência uma miríade de lendas e mitos da mais recente história do cinema e da televisão. E os prémios foram assim distribuídos (identificados pelo asterisco e a cor, de entre os nomeados):

CINEMA

MELHOR FILME (DRAMA)
* Os Descendentes
As Serviçais
A Invenção de Hugo
Nos Idos de Março
Moneyball – Jogada de Risco
Cavalo de Guerra

MELHOR FILME (MUSICAL OU COMÉDIA)
* 50/50
O Artista
A Melhor Despedida de Solteira
Meia-Noite em Paris
A Minha Semana com Marilyn

MELHOR REALIZADOR
Woody Allen por Meia-Noite em Paris
George Clooney por Nos Idos de Março
Michel Hazanavicius por O Artista
Alex Payne por Os Descendentes
* Martin Scorsese por A Invenção de Hugo

MELHOR ACTRIZ (MUSICAL OU COMÉDIA)
Jodie Foster em O Deus da Carnificina
Charlize Theron em Jovem Adulta
Kristen Wiig em A Melhor Despedida de Solteira
* Michelle Williams em A Minha Semana com Marilyn
Kate Winslet em O Deus da Carnificina

MELHOR ACTOR (MUSICAL OU COMÉDIA)
* Jean DuJardin em O Artista
Brendan Gleeson em The Guard
Joseph Jordon-Levitt em 50/50
Ryan Gosling em Amor, Estúpido e Louco
Owen Wilson em Meia-Noite em Paris

MELHOR ACTRIZ (DRAMA)
Glenn Close em Albert Nobbs
Viola Davis em As Serviçais
Rooney Mara em Millennium 1 – Os Homens Que Odeiam as Mulheres
* Meryl Streep em The Iron Lady
Tilda Swinton em Temos de Falar Sobre o Kevin

MELHOR ACTOR (DRAMA)
* George Clooney em Os Descendentes
Leonardo DiCaprio em J. Edgar
Michael Fassbender em Shame
Ryan Gosling em Nos Idos de Março
Brad Pitt em Moneyball – Jogada de Risco

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
Bérénice Bejo em O Artista
Jessica Chastain em As Serviçais
Janet McTeer em Albert Nobbs
* Octavia Spencer em As Serviçais
Shailene Woodley em Os Descendentes

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
Kenneth Branagh em A Minha Semana com Marilyn
Albert Brooks em Drive – Duplo Risco
Jonah Hill em Moneyball – Jogada de Risco
Viggo Mortensen em Um Método Perigoso
* Christopher Plummer em Assim é o Amor

MELHOR ARGUMENTO
* Woody Allen por Meia-Noite em Paris
George Clooney, Grant Heslov e Beau Willimon por Nos Idos de Março
Michel Hazanavicius por O Artista
Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash por Os Descendentes
Aaron Sorkin, Steven Zaillian e Stan Chervin por Moneyball – Jogada de Risco

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
The Flowers of War – China
In the Land of Blood and Honey – EUA
O Miúdo da Bicicleta – Bélgica
* Uma Separação – Irão
A Pele Onde Eu Vivo – Espanha

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
* As Aventuras de Tintin – O Segredo do Licorne
Arthur Christmas
Carros 2
O Gato das Botas
Rango

MELHOR BANDA SONORA ORIGINAL
* Ludovic Bource por O Artista
Abel Korzeniowski por W.E.
Trent Reznor e Atticus Ross por Millennium 1 – Os Homens Que Odeiam as Mulheres
Howard Shore por A Invenção de Hugo
John Williams por Cavalo de Guerra

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
Lay Your Head Down, Albert Nobbs
Hello Hello, Gnomeu e Julieta
The Living Proof, As Serviçais
The Keeper, Machine Gun Preacher
* Masterpiece, W.E.

TELEVISÃO

MELHOR SÉRIE (DRAMA)
American Horror Story
Boardwalk Empire
Boss
Game of Thrones
* Homeland

MELHOR ACTOR (DRAMA)
Steve Buscemi, Boardwalk Empire
Bryan Cranston, Breaking Bad
* Kelsey Grammer, Boss
Jeremy Irons, The Borgias
Damian Lewis, Homeland

MELHOR ACTRIZ (DRAMA)
* Claire Danes, Homeland
Mireille Enos, The Killing
Julianna Margulies, The Good Wife
Madeline Stowe, Revenge
Callie Thorne, Necessary Roughness

MELHOR SÉRIE (MUSICAL OU COMÉDIA)
Enlightened
Episodes
Glee
* Modern Family
New Girl

MELHOR ACTOR (MUSICAL OU COMÉDIA)
Alec Baldwin, 30 Rock
David Duchovny, Californication
Johnny Galecki, The Big Bang Theory
Thomas Jane, Hung
* Matt LeBlanc, Episodes

MELHOR ACTRIZ (MUSICAL OU COMÉDIA)
* Laura Dern, Enlightened
Zooey Deschanel, New Girl
Tina Fey, 30 Rock
Laura Linney, The Big C
Amy Poehler, Parks and Recreation

MELHOR TELEFILME OU MINI-SÉRIE
Cinema Verite
* Downton Abbey
The Hour
Mildred Pierce
Too Big to Fail

MELHOR ACTOR EM TELEFILME OU MINI-SÉRIE
Hugh Bonnevile, Downton Abbey
* Idris Elba, Luther
William Hurt, Too Big to Fail
Bill Nighy, Page Eight
Dominic West, The Hour

MELHOR ACTRIZ EM TELEFILME OU MINI-SÉRIE
Romola Garai, The Hour
Diane Lane, Cinema Verite
Elizabeth McGovern, Downtown Abbey
Emily Watson, Appropriate Adult
* Kate Winslet, Mildred Pierce

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO EM SÉRIE, MINI-SÉRIE OU TELEFILME
* Peter Dinklage, Game of Thrones
Paul Giamatti, Too Big to Fail
Guy Pearce, Mildred Pierce
Tim Robbins, Cinema Verite
Eric Stonestreet, Modern Family

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA EM SÉRIE, MINI-SÉRIE OU TELEFILME
* Jessica Lange, American Horror Story
Kelly MacDonald, Boardwalk Empire
Maggie Smith, Downton Abbey
Sofia Vergara, Modern Family
Evan Rachel Wood, Mildred Pierce

domingo, janeiro 15, 2012

CINEMA: MONEYBALL - JOGADA DE RISCO

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MONEYBALL - JOGADA DE RISCO

 “Moneyball – Jogada de Risco” é um filme muito interessante sob diversos pontos de vista. Enquanto o estava a ver lembrei-me várias vezes de dois filmes recentes, “A Rede Social” e “Drive”, ainda que por razões diferentes. Consultando depois a ficha técnica percebi que a aproximação com “A Rede Social” não era fortuita. Existe um mesmo argumentista (Aaron Sorkin), e um mesmo produtor (Michael De Luca). Depois, há um conjunto de coincidências que resultam obviamente dessa proximidade: ambos os títulos abordam casos de sucesso, protagonizados por jovens que se dedicam às novas tecnologias, informática sobretudo, e que triunfam na base de sucesso a todo o preço, sem olharem a quaisquer problemas de ordem afectiva ou social. As emoções guardam-nas, quando têm tempo para isso, para a família, neste caso a filha, e pouco mais. Ambos os filmes são muito equívocos quanto a intenções. Será que fazem o elogio dos seus protagonistas? Sim e não. Certamente que, num caso como noutro, o jovem em questão (ou os dois jovens em questão, um mais apagado por força da presença obsessiva do outro) tem capacidades que merecem ser sublinhadas, mas em ambos os exemplos há muito de, pelo menos, discutível na sua conduta.
Quanto a “Drive”, as semelhanças são diversas: ambos os filmes parecem ter sido rodados em “pianinho”, quase ao ralenti, com uma ou outra explosão, tanto ao nível da acção como da banda sonora.
Este novo filme sobre esse desporto americano tão apreciado nos US e que nós, europeus, não sabemos como se joga, é baseado no livro “Moneyball: The Art of Winning an Unfair Game”, de Michael Lewis, que conta a história verídica de Billy Beane (Brad Pitt), que foi director desportivo da equipa de basebol do Oakland Athletics. Billy Beane fora antigo jogador prestigiado, e agarrou na equipa num período terrível, quando três dos ídolos da temporada anterior se tinham mudado, deixando o clube pendurado e sem dinheiro para grandes compras. Beane quer formar uma equipa competitiva, mas está longe de poder entrar em aventuras e adquirir os jogadores top que se encontram no mercado. Cruza-se um dia com Peter Brand (Jonah Hill), um coca-bichinhos dos computadores e da análise estatística de jogos e jogadores, e pensa que pode trocar os sábios conselhos de velhos olheiros e treinadores por um conjunto de operações matemáticas. A coisa começa por dar para o torto, com mais de uma dezena de derrotas consecutivas, mas depois de algumas afinações e de um puxão de orelhas no balneário, tudo se modifica e a equipa de imprestáveis arrebata o record de vitórias sucessivas, vinte de uma assentada, vindo a morrer na praia, no derradeiro jogo para o campeonato, ganho pelos de New York.
Portanto, Billy Beane tinha razão, mas não tanta que lhe permitisse chegar ao título. Fica a proeza e a persistência numa ideia, mas fica igualmente o sabor amargo de não ter conseguido ficar com o ceptro na mão. Digamos que é o sonho americano, mas de alguma forma nuanceado.
Não deixa de dar que pensar, tanto mais que o filme é muito bem conduzido por Bennett Miller (que já se tinha feito notar com “Capote”), mantém um estilo sóbrio que se afasta por completo dos exaltantes filmes sobre desporto a que estamos todos habituados (uma equipa de velhas glórias que acaba por ganhar tudo, fruto de muita vontade e coragem, com aleluias no final), criando um ambiente por vezes de cortar à faca, sem recurso a efeitos de qualquer espécie (veja-se como o silêncio e a ausência de fundo musical pode funcionar as mil maravilhas), jogando quase tudo na interiorização e no extraordinário trabalho dos intérpretes.
O retrato de Billy Beane que Brad Pitt nos oferece é excepcional, intenso, rigoroso, interiorizado, mas de uma simplicidade de processos notável, no que é magnificamente acompanhado por Jonah Hill. Nada nos surpreende se ambos aparecerem nomeados para os Oscars. Se o não forem, será de enorme injustiça. Philip Seymour Hoffman, num pequeno papel, é igualmente muito bom (como sempre, aliás).
Eis, portanto, um filme que não nos oferece uma conclusão óbvia, mas que nos faz pensar sobre os dados que apresenta. Quase me arriscava a dizer que este é mais um filme sobre o mundo dos negócios e como ele se vai transformando, do que um filme sobre desporto. Nele o cerebral impera sobre o emocional. Sem nos dizer que os velhos dinossauros estão certos, nem que os jovens recém chegados trazem a verdade no bolso (ou no pc). Mas que nos mostra, sem sombras de dúvidas, que os tempos estão a mudar, e que a vida, nestas condições, vai ser cada vez mais difícil, numa altura em que o que conta fundamentalmente são os números e o que eles representam como empate de capital e lucro à vista. Pode não ser a mensagem do filme, mas lá que esta subjacente, está.
Curiosidades suplementares: quando o livro de Michael Lewis foi comprado pela Columbia Pictures, a sua adaptação foi entregue a Stan Chervin, mas após a chegada de Brad Pitt ao projecto (actor e produtor), Chervin  foi substituído por Steven Zaillian, tendo sido a realização entregue a David Frankel.  Posteriormente, parece que Steven Soderbergh substituiu Frankel mas, poucos dias antes do início da rodagem, a Columbia dispensou Soderbergh porque na concepção dos responsáveis da produtora o argumento comportava “elementos considerados não tradicionais para um filme de desporto, como entrevistas com jogadores autênticos. Soderbergh saiu e entrou Bennett Miller, e o argumentista Aaron Sorkin, que escreveu uma terceira versão do argumento. A que agora vimos.


MONEYBALL - JOGADA DE RISCO
Título original: Moneyball
Realização:
Bennett Miller (EUA, 2011); Argumento: Steven Zaillian, Aaron Sorkin, Stan Chervin, segundo obra de Michael Lewis ("Moneyball: The Art of Winning an Unfair Game"); Produção: Michael De Luca, Rachael Horovitz, Alissa Phillips, Brad Pitt, Scott Andrew Robertson, Scott Rudin, Mark Bakshi, Andrew S. Karsch; Música: Mychael Danna; Fotografia (cor): Wally Pfister; Montagem: Christopher Tellefsen; Casting: Francine Maisler; Design de produção: Jess Gonchor; Direcção artística: Brad Ricker, David Scott; Maquilhagem: Kathrine Gordon, Francisco X. Pérez; Direcção de produção: Heidi Erl, Jason Tamez, David Witz; Assistentes de realização: Courtenay Miles, Scott Andrew Robertson, Jonas Spaccarotelli, Brian Taylor; Departamento de arte: Gary Deaton, Lisa Fiorito, Amanda Hunter, Megan Romero, Jon Stein, Cheree Welsh, Ben Wolcott; Som: Ron Bochar; Efeitos especiais: Robert Cole; Efeitos visuais: Steve Carter, Gloria Cohen, Edwin Rivera, Meg Tyra; Companhias de produção: Columbia Pictures, Scott Rudin Productions, Michael De Luca Productions, Film Rites, Specialty Films; Intérpretes: Brad Pitt (Billy Beane), Jonah Hill (Peter Brand), Philip Seymour Hoffman (Art Howe), Robin Wright (Sharon), Chris Pratt (Scott Hatteberg), Stephen Bishop (David Justice), Brent Jennings (Ron Washington), Ken Medlock (Grady Fuson), Tammy Blanchard (Elizabeth Hatteberg), Jack McGee, Vyto Ruginis, Nick Searcy, Glenn Morshower, Casey Bond, Nick Porrazzo, Kerris Dorsey, Spike Jonze, Arliss Howard, Reed Thompson, James Shanklin, Diane Behrens, Takayo Fischer, Derrin Ebert, Miguel Mendoza, Adrian Bellani, Tom Gamboa, Barry Moss, Artie Harris, Bob Bishop, George Vranau, Phil Pote, Art Ortiz, Royce Clayton, Marvin Horn, Brent Dohling, Ken Rudulph, Lisa Guerrero, Christopher Dehau Lee, Joe Satriani, etc. Duração: 133 minutos; Distribuição em Portugal: Columbia TriStar Warner Filmes de Portugal; Classificação etária: M/ 12 anos; Estreia em Portugal: 12 de Janeiro de 2012.

sexta-feira, janeiro 13, 2012

CINEMA: SHERLOCK HOLMES: JOGO DE SOMBRAS

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SHERLOCK HOLMES: JOGO DE SOMBRAS
 
Devo dizer que o anterior Sherlock Holmes, já com a assinatura de Guy Ritchie me tinha divertido. Sou um admirador incondicional de Arthur Conan Doyle, sobretudo dessa fascinante criação que é Sherlock Holmes, mas não me repugnou a sua “actualização” de personagens e situações. Não sei obviamente o que diria Arthur Conan Doyle se tivesse visto as muitas adaptações que o seu genial detective já justificou ao longo dos tempos, não sei quantas voltas já deu, ou daria, na tumba, se fosse um actual espectador de cinema, mas também gostaria muito de saber como seria o seu Sherlock Holmes, escrito hoje. Nada disso saberei, porque há mistérios insondáveis, mas sei de certeza que não gostei quase nada deste “Sherlock Holmes: Jogo de Sombras” que, à força de ser tão agitado, tão explosivo, tão turbulento, me aborreceu de morte. Na primeira hora já não sabia onde por as pernas, o corpo doía-me na cadeira (que é o pior que pode acontecer quando se vai assistir a um espectáculo), e já me parecia mais interessante olhar para o tecto do que para o ecrã, o que numa sala de cinema é sempre sintomático.
Na verdade até simpatizo com Guy Ritchie e com alguns filmes seus anteriores. Mas esta ânsia de criar uma aventura truculenta, onde tudo mexe até á exaustão, e o diálogo é quase incompreensível, tal o tratamento que lhe é dado, onde a história avança aos repelões, onde a pirotecnia desafia qualquer lógica de narrativa, enfim, custa muito a suportar este tormento. Um filme em que a montagem é de tal forma movimentada que nem se consegue analisar o trabalho dos actores, pois não há tempo para olhar o que quer que seja que não esteja a explodir, a correr, mesmo de burro, a disparar, a cair, enfim.
Diga-se porque me parece de justiça, que a segunda parte é melhor que a primeira, que vi com algum agrado uma sequência altamente explosiva durante uma fuga numa floresta, com alguns efeitos realmente interessantes, e que o confronto final entre Sherlock Holmes e Moriarte tem alguma graça com o seu tabuleiro de xadrez de permeio. Mas é muito pouco para tanto escarcéu inútil, e, mais do que isso, contraproducente. 


SHERLOCK HOLMES: JOGO DE SOMBRAS
Título original: Sherlock Holmes: A Game of Shadows
Realização: Guy Ritchie (EUA, 2011); Argumento: Michele Mulroney, Kieran Mulroney, segundo personagens criadas por Arthur Conan Doyle; Produção: Steve Clark-Hall, Susan Downey, Peter Eskelsen, Dan Lin, Joel Silver, Lionel Wigram, Bruce Berman; Música: Hans Zimmer; Fotografia (cor): Philippe Rousselot; Montagem: James Herbert; Casting: Reg Poerscout-Edgerton; Design de produção: Sarah Greenwood; Direcção artística: Netty Chapman, James Foster, Nick Gottschalk, Matthew Gray, Niall Moroney; Decoração: Alison Harvey, Katie Spencer; Guarda-roupa: Jenny Beavan; Maquilhagem: Christine Blundell; Direcção de Produção: Mark Mostyn; Assistentes de realização: Sarah Brand, Nicole Chapman, Barney Hughes, Paul Jennings, Max Keene, Paviel Raymont, Chad Stahelski; Departamento de arte: Shurouq Algusane, Netty Chapman; Som: James Harrison, Oliver Tarney, Mark Taylor; Efeitos especiais: Mark Holt; Efeitos visuais: Charlotte Adams, Laya Armian, Chas Jarrett, Natalie Lovatt, Sirio Quintavalle; Companhias de produção: Warner Bros. Pictures, Village Roadshow Pictures, Silver Pictures, Wigram Productions, Lin Pictures; Intérpretes: Robert Downey Jr. (Sherlock Holmes), Jude Law (Dr. John Watson), Noomi Rapace (Madam Simza Heron), Rachel McAdams (Irene Adler), Jared Harris (Professor James Moriarty), Stephen Fry (Mycroft Holmes), Paul Anderson (Coronel Sebastian Moran), Kelly Reilly (Mary Watson), Geraldine James (Mrs. Hudson), Eddie Marsan (Inspector Lestrade), William Houston (Constable Clark), Wolf Kahler (Doutor Hoffmanstahl), Iain Mitchell, Jack Laskey, Patricia Slater, Karima Adebibe, Richard Cunningham, Marcus Shakesheff, Mark Sheals, George Taylor, Michael Webber, Mike Grady, Alexandre Carril, Victor Carril, Thorston Manderlay, Affif Ben Badra, Daniel Naprous, Lancelot Weaver, Vladimir 'Furdo' Furdik, Thierry Neuvic, Martin Nelson, Mark Llewelyn-Evans, etc. Duração: 129 minutos; Distribuição em Portugal: Columbia TriStar Warner Filmes de Portugal; Classificação etária: M/ 12 anos; Estreia em Portugal: 5 de Janeiro de 2012.