OS AMANTES REGULARES (Les Amants Reguliers), de Philippe Garrel (França, 2005), com Louis Garrel, Clotilde Hesme, Julien Lucas, Mathieu Genet, Marc Barbe, etc. 184 min; M/ 12 anos.




Qu'ai-je ? (Les handicaps de Lou)
(Extrait du film "Lettre à Lou")
Il nous a pas fallu plus de trois semaines après ta naissance pour comprendre que quelque chose n'allait pas.
Il faudra trois mois pour qu'enfin tombe le résultat d'un énième examen, une résonance magnétique :
"Votre fils est atteint du syndrome de dysplasie septo-optique. C'est une malformation congénitale très rare, 1 cas sur dix millions. ...une maladie orpheline.
Je vous explique : votre fils est aveugle. "
(On s'en doutait).
"Il n'a pas les nerfs optiques atrophiés et pas de septum... "
(De quoi ?)
"De septum : c'est une membrane qui sépare les deux hémisphères du cerveau. "
(Et ça sert à quoi ?)
"On ne le sait pas encore. Des enfants naissent sans septum et ont une vie tout à fait normale, mais il y a par contre des cas d'handicaps mentaux plus ou moins sévères."
(...Merci la vie).
"Ah oui, j'oubliais, on a aussi une explication quant au fait qu'il ait toujours soif : Lou a une hypophyse sous développée. C'est fréquent avec ce syndrome."
(Pardon ?)
"C'est une glande à l'arrière du cerveau qui régule tout le système hormonal. Dans le cas de Lou, il ne retient pas l'eau, mais cela se compense par la prise régulière de médicaments."
(putain de vie).
Ca n'arrive qu'aux autres...
Une naissance sur dix milles, mais avec le cumul et le degré d'handicap qui est le mien, on parle d'un cas sur dix millions ! Je suis donc le seul cas de mon espèce recensé en Belgique en 1998.
235 cas naissent chaque année aux Etats-Unis. C'est dire le rareté de mon handicap...
On appelle cela, un maladie orpheline. Mais moi, je ne le suis pas du tout !
Tant qu'à choisir, j'ai choisi de naître chez eux... Ils m'avaient l'air sympa !
Je suis né le 12/08/1998.
Bonjour,
je m'appelle Lou. J'ai 7 ans (5 ans au début de ce récit). Je suis aveugle de naissance, et différent dans ma tête....
Mon papa a décidé de réaliser ce site pour vous faire partager l'expérience un peu folle qu'est mon apprentissage de la vie.
Lou
"A Casa Encantada" é um filme de Alfred Hitchcock, mas é também um curioso blog de cinema, assinado por Jorge Mourinha, e que vai acompanhando os filmes que ele vai vendo (e vê muitos, por semana).
Os comentários são rápidos e sucintos, mas são eficazes, sensatos, informados, sensiveis e são uma boa referência para quem lê o blog. Mas o último post data de 26 de Junho de 2006, e, ou o autor aufere de umas dilatadas férias, ou então... temo que o blog tenha sido abandonado. O que seria uma pena.
O blog tem arquivos por semana. Por estreias. Cada semana dá contas de todas as estreias, mesmo as que o seu autor não viu, o que funcionaria como uma base de dados interessante, se fosse criteriosa na forma como abarca "todas as estreias". Vamos a ver se "A Casa Encantada" fechou para "férias do pessoal" ou se meteu escritos. Faço votos para que o seu locatário regresse... e em boa forma.
quadro de Andrew Wyeth
John Turturro é sobretudo conhecido como actor (brilhante) de várias obras onde a sua presença marcou (como, sobretudo, em filmes dos irmãos Coen e de Spike Lee, e de alguns mais que aqui se recordam: “She Hates Me” (2004), “Secret Window”, “O Brother, Where Art Thou?” (2000), “Company Man”, “Summer of Sam” (1999), “Cradle Will Rock”, “Rounders” (1998), “The Big Lebowski”, “Girl 6” (1996), “Clockers” (1995), “Quiz Show” (1994), “Jungle Fever” (1991), “Barton Fink”, “State of Grace” (1990), “Miller's Crossing”, “Mo' Better Blues”, Do the Right Thing (1989), “The Sicilian” (1987), “The Color of Money” (1986), “Hannah and Her Sisters” ou “To Live and Die in L.A.” (1985). Mas Turturo também ensaiou até hoje algumas incursões na realização com resultados irregulares, mas sempre interessantes, como são os caso de “Mac” (1992), “Illuminata” (1998) ou deste “Romance & Cigarettes” (2005). Quase todos os filmes que interpreta e realiza não são filmes normalizados. Há sempre um toque de loucura no que faz, o que torna duplamente inquietante e interessante o seu trabalho.
Com “Romance & Cigarettes” volta a acontecer o mesmo. Estamos no domínio do musical dramático, mas de um musical muito especial, de que não há muitos exemplos ao longo da história do cinema, mas de que existem alguns sumamente interessante. Num registo realista, dramático, por vezes trágico, introduzem-se quebras fantásticas, irreais, que têm a ver com a música. O que transforma os filmes assim concebidos numa mistura acre-doce de efeitos muito especiais: quem não se lembra de títulos como “Dinheiro do Céu”, “Moulin Rouge”, “Do Fundo do Coração”, “Dance in the Dark”, ou "É Sempre a Mesma Cantiga"? Que lista! Quase só obras-primas. Ao lado destas, “Romance e Cigarros” faz figura de parente pobre, mas, mesmo assim, revela qualidades.
A história é apenas um pretexto. Escolhendo como cenário, uma América sub urbana, actual e atormentada por pequenas querelas sentimentais, o filme centraliza a atenção num casal, Nick Murder (James Gandolfini) e Kitty (Susan Sarandon), ele, metalúrgico, ela, costureira, com três filhas que integram uma banda pop. Tudo começa no dia em que Kitty descobre que Nick Murder tem uma amante, uma empregada de balcão de uma loja de lingerie que tem tudo para se poder chamar ninfomaníaca. Essa sedutora Tula (Kate Winslet) põe em causa a tranquilidade familiar da célula em que se intromete, mas o efeito é devastador, como no melhor dos melodramas mais intensos. Que não vamos obviamente revelar, mas que, de tão excessivo e puritano, contra o adultério e o consumo do tabaco, só pode ser interpretado como uma sátira algo mordaz.
O próprio Turturo explica: "Quando as personagens não conseguem já exprimir-se por palavras, começam a cantar, sincronizando os seus movimentos de lábios com as canções que habitam o seu subconsciente. É a sua forma de fugir à realidade do seu mundo: sonhar, recordar, ligar-se com outro ser humano."
Com produção dos irmãos Coen, e evocações de canções célebres de Elvis, Tom Jones, James Brown, Nick Cave, Bruce Springsteen, entre muitos outros, “Romance & Cigarettes” é um drama musical que cedo se torna uma comédia e que principia com uma meia hora notável, com “números” musicais brilhantes e um humor feito de ironia e alguma nostalgia. Depois o filme deslassa como a maionese, passa por altos e baixos, continua a manter um tom interessante de acompanhar, mas alguns excessos na caracterização de personagens e uma deficiente estruturação narrativa fazem perder a unidade e perder-se o filme. Infelizmente. “Um pouco mais de azul e era além”. Faltou-lhe o azul e, quando assim é, lamenta-se duplamente. Porque esteve tão próximo de ser, e não foi.
Ficam interpretações excelentes de James Gandolfini, Susan Sarandon, Kate Winslet (notável, depois de “Titanic”), Christopher Walken (surpreendente!), Steve Buscemi, Mary-Louise Parker, Eddie Izzard ou de Cady Huffman (uma pequena cena que termina com uma faca nas entranhas, mas que anuncia uma belíssima e grande actriz).
ROMANCE E CIGARROS (Romance & Cigarettes), de John Turturro (EUA, 2006), com James Gandolfini, Susan Sarandon, Kate Winslet, Christopher Walken, Steve Buscemi, Mandy Moore, Bobby Cannavale, Mary-Louise Parker, Aida Turturro, Eddie Izzard, etc. 115 min; M/12 anos.