domingo, março 21, 2021

APOIO À CASA DO ARTISTA

 


Caras Amigas e Caros Amigos,

A Casa do Artista é uma instituição de solidariedade social que deve merecer a nossa maior simpatia e interesse. Fundada por um grupo de gente boa, Raul Solnado, Armando Cortez, Cármen Dolores, Manuela Maria, entre muitos outros, tem desenvolvido ao longo das últimas três décadas as mais diversas iniciativas de apoio aos artistas e à arte.

No passado dia 15 tomou posse uma nova direcção, com José Raposo como presidente, congregando um conjunto de nomes importantes da nossa cultura. Eu que sou sócio da Casa do Artista desde a sua fundação, com muito gosto aderi a esta chamada e aí estou num dos cargos para que direcção teve a amabilidade de me convidar. Temos, portanto, de lançar mãos à obra, ainda para mais numa altura que todos sabem de enormes dificuldades a exigir sacrifícios.

Há muito a fazer e cada um de nós pode ter um papel. Há várias actividades a desenvolver, interna e externamente. A direcção vai estudar os dossiers e tentar encontrar soluções para cada caso. Mas há algumas coisas que podem desde já ser feitas.

Aqui ficam algumas, para as quais peço a vossa melhor atenção.

- Inscreverem-se no Instagram e no Facebook na página oficial da Apoiarte, em Apoiarte_casadoartista;

- Fazerem-se sócios da Casa do Artista. Todos o podem ser por 40 Euros/Ano. Quem já é, e se tem esquecido de pagar as cotas (também já me aconteceu!), é favor regressar. Podem pagar as cotas através do NIF 501705163, correspondente à designação Apoiarte. Associação de Apoio aos Artistas;

- Segundo a lei portuguesa, indivíduos e instituições podem reduzir O, 5 do IRS, e oferecer essa verba à Apoiarte, indicando-a como beneficiária, sem nenhum agravamento de IRS.

Peço-vos que façam o vosso melhor e vão difundindo este apelo. Todos não seremos demais. Um abraço amigo.

ESTRADA DA PONTINHA, 7

1680-583 – LISBOA PORTUGAL

T: +351 217 110 890

M: +351 912 342 334

geral@casadoartista.net

quarta-feira, março 10, 2021

 


O REGRESSO DE JULIA MANN A PARATY

de Teolinda Gersão

O livro é apresentado como sendo “três novelas que se entrecruzam de modo surpreendente”. Para mim é um romance dividido em três capítulos, três monólogos interligados, sendo que os dois primeiros se cruzam (Freud pensa sobre Thomas Mann, Thomas Mann pensa sobre Freud) e o terceiro (Júlia Mann, enquanto mãe dos diferentes Mann) mistura o monólogo com uma memória descritiva.

Júlia Mann nascera no Brasil, em Paraty, filha de um negociante alemão e de uma meia portuguesa, meia indígena. Foi para a Alemanha com seis anos de idade, onde foi considerada depois uma mulher muito bonita e hostilizada pela sua ascendência tropical e uma evidente sensualidade, ambas mal vistas pela sociedade germânica da altura (de meados do século XIX a inícios do seguinte). Todo o romance, aliás, funciona entre o desejo e o interdito, o que o torna uma peça de um erotismo refreado muito sugestivo.   

Teolinda Gersão interessou-se por estas personagens, estudou as suas vidas e obras, interrogou as ligações que poderiam existir entre elas, nomeadamente através das suas realizações literárias, preencheu os espaços invisíveis com a sua ficção e deu-nos um magnifico trabalho, admiravelmente escrito, num tecido narrativo que entrelaça o devaneio com a filosofia, a interpretação literária e a psicanálise, e devolve-nos retratos imaginados, com base em factos reais, que nos envolvem e magnetizam.

Parece que a descoberta das origens brasileiras de Júlia Mann tem causado nos últimos tempos furor no Brasil. Esta obra de Teolinda Gersão será seguramente muito bem recebida por terras de Santa Cruz, ainda por cima numa altura em que os direitos da mulher são tão escrutinados.

Sou amigo de Teolinda Gersão há longa data. Seu admirador constante. Já sonhei realizar filmes com bases em obras suas (um deles sobre “A Casa da Cabeça de Cavalo”). Mas acho que este foi o seu trabalho que mais me entusiasmou. Creio mesmo que é uma das mais empolgantes criações literárias dos últimos anos em Portugal. Obrigado Teolinda, pelo prazer da leitura, em dias e noites de confinamento.  










terça-feira, dezembro 08, 2020

TELEVISÃO: GAMBITO DE DAMAS

 


GAMBITO DE DAMA


Devo dizer, á abrir, que adoro jogar, das mais simples paciências às máquinas de casino, mas o xadrez nunca me motivou. Quase nada sei desse jogo e uma série de sete episódios, com seis horas e meia de duração sobre uma campeã de xadrez, não me dizia muito. Ouvi e li algumas boas referências e lá me aventurei. O primeiro episódio, com a juventude de Beth Harmon num asilo para órfãs, e com os contactos iniciais da miúda com o jogo que iria dominar como (quase) ninguém, os seus jogos imaginários com as figuras a evoluírem no tecto da camarata, não me deixaram um grande entusiasta. Mas insisti e a partir do segundo episódio tornei-me viciado, tal a forma como a obra se foi adensando e criando um clima absorvente.

Manter uma série sobre xadrez durante sete episódios de quase uma hora cada um, é obra. Os argumentistas e o realizador Scott Frank conseguem-no e a actriz protagonista, Anya Taylor-Joy, aguenta com bravura uma obra em que praticamente está sempre em cena, confrontada com um elenco todo ele eficaz e competente. Uma biografia bem desenvolvida, com nuances mais ou menos esperadas, com altos e baixos, é certo, mas ascendente até ao duelo final com o campeão do mundo da URSS.

Uma mulher num meio que durante muito tempo foi um universo masculino. Uma mulher que começa a defrontar os grandes campeões nacionais e internacionais com uma idade de apenas menina adolescente, mas já senhora de uma fortíssima personalidade para o jogo. Uma excelente série que mostra como a resiliência e a persistência são necessárias em todas as vitórias humanas. Vale a pena ver, na Netflix.

 

GAMBITO DE DAMA

Título original: The Queen's Gambit

Realização: Scott Frank (EUA, 2020); Argumento: Scott Frank, Allan Scott, Walter Tevis; Produção: Mick Aniceto, Laura Delahaye, Blair Fetter, Scott Frank, William Horberg, Allan Scott, Susan Hsu, Marcus Loges, Pia Schlipphak, Uwe Schott;  Música: Carlos Rafael Rivera;  Fotografia (cor): Steven Meizler;  Montagem: Michelle Tesoro;  Casting: Anna-Lena Slater, Tina Gerussi, Ellen Lewis, Olivia Scott-Webb, Kate Sprance; Design de produção: Uli Hanisch ;  Direcção artística: Kai Koch, Brendan Smith, Daniel Chour, Thorsten Klein;  Decoração: Sabine Schaaf, Ingeborg Heinemann;  Guarda-roupa: Gabriele Binder;  Maquilhagem: Daniel Parker, Jenna Smith, SJ Teasdale, Chris Lyons; Direcção de Produção: Timo Dobbert, Em Hipp, Anna Lisa Kunkel, Alisia Manuguerra, Meret Wagner, Marc Grewe; Assistentes de realização: Gabrielle Beaty, Mathias Datow, Carlos Fidel, Hélène Irdor, Tommy Kreiselmaier, Aldric La'auli Porter, Henriette Rodenwald, Clara von Arnim, Nico Markert, Drew McLean; Departamento de arte: Anna Brauwers, Sophia Burkardt, Ron Büttner, Aylin Englisch, Lea Gabler, Karolin Leshel, Wilko Drews, Christian Meinherz, Florian Radloff, Niklas Schmidt, Tobias Schroeter, Raymond Boy, Michael Düwel, etc. ; Som: Patrick Cicero, Leo Marcil, James David Redding III, Gregg Swiatlowski, Nicole Tessier, Wylie Stateman; Efeitos visuais: Holli Alvarado, Clara Hill, Patrick D. Hurd, Sam Kim, John Mangia, Nicole Stone;  Companhias de produção: Flitcraft, Wonderful Films, Netflix; Intérpretes: Anya Taylor-Joy (Beth Harmon), Chloe Pirrie (Alice Harmon), Bill Camp (Mr. Shaibel), Marielle Heller (Alma Wheatley),  Marcin Dorocinski (Vasily Borgov), Thomas Brodie-Sangster (Benny Watts), Moses Ingram,  Harry Melling, Isla Johnston,  Dolores Carbonari,  Janina Elkin, Matthew Dennis, Russell Dennis Lewis,  Patrick Kennedy, etc. Duração: 393 minutos; Distribuição em Portugal: Netflix; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 2020.

domingo, dezembro 06, 2020

CINEMA: UMA VIDA À SUA FRENTE

 


UMA VIDA À SUA FRENTE

Edoardo Ponti (Genebra, 1973), um dos filhos do casal Sofia Loren/Carlo Ponti, convenceu a mãe a regressar ao cinema, aos 86 anos, para interpretar “La vita davanti a sé”, um romance de Roman Gary que já havia sido alvo de uma adaptação ao cinema, em 1977, por Moshé Mizrahi, com Simone Signoret na protagonista. A obra arrebatou o Oscar de Melhor Filme em Língua não Inglesa. Edoardo Ponti já havia trabalhado com a mãe em dois outros trabalhos, “Il Turno do Notte lo Fanno le Stelle” (2012) e “Voce Humana (2014).

O romance de Roman Gary fala de uma judia, Madame Rosa, sobrevivente de Auschwitz, prostitua retirada, que agora se entretém a tomar conta de filhos de outras prostitutas. Simpática, mas isolada nos seus pensamentos, com amigos dispersos pelo bairro que habita, Madame Rosa vê-se confrontada com um miúdo, emigrante árabe, irrequieto e dado à clandestinidade (vende droga para um “barão” do bairro), que lhe é entregue por um velho médico seu amigo. De início as coisas não corem bem, depois começam a conhecer-se melhor. Momo, o miúdo, percebe porque razão Rosa se isola e se refugia no extremo de um longo corredor quase em ruinas e, no final, tornam-se bons amigos. A ideia é estafada, de tão gasta (os opostos que acabam respeitando-se), mas sabe sempre bem, sobretudo em data natalícia.


O filme é escorreito, sem nada que o dignifique de um ponto de vista cinematográfico, mas tem uma interpretação muito boa, com um belíssimo elenco, à frente do qual a veterana Sofia Loren, que sabe sempre bem ver, mesmo com 86 anos, sobretudo com 86 anos, e o bom estado em que se contra. Mas o puto Ibrahima Gueye não lhe fica atrás e dá excelente réplica à magnifica Loren.

Nada de muito especial, não fora a presença dos actores. Mas por isso vale a pena. E a mensagem pacifista, sendo um pouco ingénua, também não calha mal, mesmo tendo em conta o conflito israelo-árabe que nunca mais termina. Nem com os esforços da família Ponti.

UMA VIDA À SUA FRENTE

Título original: La vita davanti a sé

Realização: Edoardo Ponti (Itália, 2020); Argumento: Ugo Chiti, Fabio Natale, Edoardo Ponti, segundo romance de Romain Gary; Produção: Viola Calia, Marco Camilli, Carlo Degli Esposti, Geralyn White Dreyfous, Giacomo Maraghini Garrone, Patrizia Massa, Davide Nardini, David Paradice, Luigi Pinto, Edoardo Ponti, Guendalina Ponti, Susan Rockefeller, Regina K. Scully, Nicola Serra, Esmeralda Swartz, Lynda Weinman, Jamie Wolf; Música: Gabriel Yared; Fotografia (cor): Angus Hudson; Montagem: Jacopo Quadri; Casting: Chiara Polizzi; Design de produção: Maurizio Sabatini; Direcção artística: Maurizio di Clemente; Maquilhagem: Frédérique Foglia; Direcção de Produção: Diego Cavallo, Fabio Marini; Assistentes de realização: Deborha Brandonisio, Irene Campana, Alessandro Trapani, Clara Zuliani; Departamento de arte: Leonardo Cruciano, Antonio Murer, David Orlandelli; Som: Maximiliano Angelieri, Maurizio Argentieri, Andrea Dallimonti, etc. Efeitos especiais: Pasquale Catalano, Paolo Galiano, Fabio Traversari; Efeitos visuais: Mattia Donelli, Valentina Girolami, Alessio Oliverio, Lorenzo Schiattarella; Companhias de produção: Palomar, Netflix; Intérpretes: Sophia Loren (Madame Rosa), Ibrahima Gueye (Momo), Renato Carpentieri (Dr. Coen), Iosif Diego Pirvu (Iosif), Abril Zamora (Lola), Babak Karimi (Hamil), Malich Cissé (Nala), Massimiliano Rossi, Vittoria Loiacono, Cesare Pastanella, Costanta Fana Pirvu, Rav Mario Sonnino, Simone Surico, Nicola Valenzano, Francesco Cassano, etc. Duração: 94 minutos; Distribuição em Portugal: Netflix; Classificação etária: M/ 13 anos; Data de estreia em Portugal: 13 de Novembro de 2020.

sábado, novembro 07, 2020

ADEUS, SR. PRESIDENTE!


ADEUS, SR. PRESIDENTE!
Não vai deixar saudades.
Uma semana ANTES de ser eleito, 
eu já não o podia ouvir.
Não tem nada a ver com republicanos e democratas.
Tem a ver com dignidade e respeito.
Boa viagem 
e não volte mais!

 

quarta-feira, novembro 04, 2020

CINEMA: REBECCA (1940)

 

REBECCA (1940)

No verão de 1939, David O. Selznick foi buscar Alfred Hitchcock a Inglaterra e ofereceu-lhe trabalho em Hollywood. Hitchcock era na altura o mais famoso realizador inglês, já com alguns grandes sucessos de público e de crítica, e compreende-se que um produtor como Selznick tenha apostado tudo neste britânico, já um pouco gordo e sempre bonacheirão, que criava uma fama de grande cineasta e de um apuradíssimo criador de atmosferas de suspense.

Para iniciar essa colaboração, o produtor ofereceu ao realizador a oportunidade de adaptar ao cinema, depois da tentativa de Titanic, o romance de uma escritora então muito popular, Daphne Du Maurier, “Rebecca”. Curiosamente a oferta caiu como ouro sobre azul, pois Hitchcock já pensava, ainda em Inglaterra, adaptar este romance que tinha todos os condimentos para se integrar harmoniosamente nos temas e nas preocupações do cineasta.


“Rebecca” é uma história fabulosa, um melodrama sentimental que assenta num clima fantástico, povoado de segredos e de mistérios, com um crime a pairar no horizonte e uma ambiguidade de situações invulgar. Esta “picturization” do romance de Daphne Du Maurier, como aparece escrito no genérico inicial, começa com uma voz off, e a câmara a percorrer o caminho que conduz a Marderley, ouvindo-se
"Last night I dreamt I went to Manderley again". Mas a acção inicia-se com uma cena fortíssima, na costa de Monte Carlo, com Maxim de Winter (Laurence Olivier) à beira de um penhasco sobre o mar em fúria, quando é surpreendido por uma mulher, que mais tarde será Mrs. de Winter (Joan Fontaine), que lhe grita para parar. Seria que Maxim se preparava para se suicidar? A verdade é que do encontro resulta uma paixão relâmpago entre os dois, casam e ele regressa com ela a Manderley, uma mansão enorme onde estivera casado com a primeira Mrs. Winter, de seu nome Rebecca.

Rebecca irá assombrar todos os minutos que dura o filme, mas é uma presença invisível que se torna mais presente do que muitas reais. Por todo o lado se insinua a forte presença desta mulher que é descrita como muito bela, elegante, poderosa, absorvente. Tudo está marcado por Rebecca, desde a roupa ao quarto fechado, da sua sedução e fascínio aos mais intrigantes segredos que lentamente se irão descobrindo à medida que o filme decorre. Se Rebecca é um nome constante, da segunda senhora Winter nunca iremos saber sequer o nome próprio, emparedada entre Rebecca e Manderley. Se Rebecca é uma presença obsidiante, Manderey impõe-se igualmente de forma obsessiva.

A juntar a estas individualidades de personalidade dominadora (sim Manderley é uma das personagens do filme), há ainda uma ama, Mrs. Danvers (a inesquecível Judith Anderson), que tudo fará para igualmente se tornar uma presença, no mínimo obsessiva, a rondar o patológico. Ela vive sob o domínio de Rebecca, a sua senhora, seguramente o seu amor, concretizado ou não, disposta a perseverar a imagem da sua referência maior, particularmente insatisfeita com a vinda de uma nova mulher a ocupar o lugar daquela que para ela é insubstituível. Discretamente, de forma insidiosa, fará a vida negra à segunda Mrs. Winter. 


“Rebecca” é assim esta história de um triangulo emocional entre Maxim e as suas duas mulheres, com uma curiosidade extra, que a censura dos EUA introduziu no argumento: no romance de Daphne Du Maurier tinha sido Maxim De Winter a assassinar a primeira mulher. No filme, por imposição do Código Heys, que não permitia que um criminoso ficasse impune no final de um filme, Hitchcock introduziu algumas alterações à história, que, longe de tornarem a intriga mais “moral”, desafiam o espectador para outras áreas de interpretação.

Vindo de Inglaterra, com uma história inglesa debaixo do braço, Alfred Hitchcock, de colaboração com Selznick que lhe deu (quase) inteira liberdade de escolha, optou por um elenco principal onde só Joan Fontaine era naturalizada norte-americana (apesar de ter nascido em Tóquio, de pai inglês). Laurence Olivier, George Sanders, Judith Anderson, entre outros, eram ingleses.

Rodado na Califórnia, entre 8 de Setembro e 20 de Novembro de 1939, “Rebecca”, teve interiores captados nos Selznick International Studios, em Culver City, e exteriores em Big Sur, Point Lobos State Natural Reserve e Palos Verdes. Não sendo dos filmes de que o autor mais gosta, “Rebecca” terá sido um dos seus maiores sucessos, não só na altura da sua estreia (ganhou o Oscar de Melhor Filme, mas não o de Melhor Realizador, o que Hitch nunca alcançou, a não ser um Oscar honorário pela contribuição do seu trabalho total), como até hoje, sendo dos filmes que maior receita acumularam, entre todos os dirigidos a preto e branco pelo mestre do suspense.

REBECCA

Título original: Rebecca

Realização: Alfred Hitchcock (EUA, 1940); Argumento: Robert E. Sherwood, Joan Harrison, Philip MacDonald, Michael Hogan, segundo romance de Daphne Du Maurier; Produção: David O. Selznick; Música: Franz Waxman; Fotografia (p/b): George Barnes; Montagem: W. Donn Hayes; Direcção artística: Lyle R. Wheeler, William Cameron Menzies; Maquilhagem: Monte Westmore; Assistentes de realização: Edmond F. Bernoudy, D. Ross Lederman, Eric Stacey; Departamento de arte: Howard Bristol, Joseph B. Platt, Dorothea Holt; Som: Jack Noyes, Arthur Johns; Efeitos especiais: Jack Cosgrove; Efeitos visuais: Albert Simpson; Companhia de produção: Selznick International Pictures; Intérpretes: Laurence Olivier ('Maxim' de Winter), Joan Fontaine (Mrs. de Winter), George Sanders (Jack Favell), Judith Anderson (Mrs. Danvers), Nigel Bruce (Major Giles Lacy), Reginald Denny (Frank Crawley), C. Aubrey Smith (Coronel Julyan), Gladys Cooper (Beatrice Lacy) Florence Bates (Mrs. Van Hopper), Melville Cooper (Coroner), Leo G. Carroll (Dr. Baker), Leonard Carey, Lumsden Hare, Edward Fielding, hilip Winter, Forrester Harvey, Alfred Hitchcock (homem do lado de fora de uma cabine telefónica), etc. Duração: 130 minutos; Distribuição em Portugal: inexistente; Distribuição internacional: ABC (Espanha); Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 7 de Janeiro de 1941; Cópia original em inglês, com legendas em espanhol.

terça-feira, novembro 03, 2020

CINEMA: REBECCA (2020)

 


REBECCA (2020)

Uma nova versão de “Rebecca”, adaptando o célebre romance de Daphne Du Maurier que marcou a entrada fulgurante de Alfred Hitchcock na produção cinematográfica dos EUA em 1940. Mais uma vez um remake não se mostra à altura do original. Lembro-me de “Lolita” de Vladimir Nabokov, que Stanley Kubrick dirigiu em 1962, com James Mason, Shelley Winters e Sue Lyon. Uma obra-prima que, em 1997, Adrian Lyne retomou, a cores, com um bom elenco, Jeremy Irons, Dominique Swain e Melanie Griffith, ficando muito abaixo do filme de Kubrick. Qual a razão? O talento do realizador e a intensidade dramática do preto e branco que trazia uma austeridade fortíssima a esse drama, o que, no caso da obra mais recente, era completamente anulado pelo bonitinho cheio de rodriguinhos do colorido do filme de Adrian Lyne. A tendência para tornar “esteticamente” mais “moderno”, mais actual o conflito, acaba por ser uma opção redutora.



O mesmo acontece com “Rebecca”, com resultados muito semelhantes. A actual versão é muito adocicada, igualmente muito “bonitinha”, com escolha de cenários sumptuosos, mas com efeitos totalmente opostos ao filme de Hitch. Mas há muito mais. Os protagonistas desta versão de 2020, Lily James, Armie Hammer e Kristin Scott Thomas, estão todos a milhas de Laurence Olivier, Joan Fontaine ou Judith Anderson. Apenas Kristin Scott Thomas, no papel de governanta, se aproxima do trabalho de Judith Anderson, mesmo assim não o igualando. Uma desilusão que tem o condão de que confirmar como era notável o filme de Alfred Hitchcock. Pode ver esta versão, mas não deixe de ver ou rever o verdadeiro “Rebecca”, uma lição de cinema.  

REBECCA

Título original: Rebecca

Realização: Ben Wheatley (2020); Argumento: Jane Goldman, Joe Shrapnel, Anna Waterhouse, segundo romance de Daphne Du Maurier; Produção: Raphaël Benoliel, Tim Bevan, Eric Fellner, Amelia Granger, Caroline Levy, Nira Park, Sarah-Jane Robinson; Música: Clint Mansell; Fotografia (cor): Laurie Rose; Montagem: Jonathan Amos; Casting: Nina Gold, Mathilde Snodgrass; Design de produção: Sarah Greenwood; Direcção artística: Will Coubrough, Nick Gottschalk, Louise Lannen, Will Newton; Decoração: Katie Spencer; Guarda-roupa: Julian Day; Maquilhagem: Ivana Primorac, Laura Allen, Elodie Aubert, Olivia Barningham, Sam Bear, Véronique Boslé, Jean-Philippe Colombie, Crystelle Di Rosa, Beatriz Duarte, Stefania Favata, Grace Firmin, Louise Fisher, Florina Foret, Karine Foret, Robert Frampton, Jean-Pierre Gallina, Karl Gianfreda, Fabienne Giombini, Mélodie Grand, Chantal Guadalpi, Senghore Haddy, Charlotte Hayward, Jennyfer Hillyards, Catherine Ichou, Irène Jordi, Laureen Kaczmarek, Sophie Kilian, Barbara Krief, Justine Lancelle, Sandra Lovi, James MacInerney, Patricia Ounroth-Rochwerg, Marilyn Rieul, Charlotte Rogers, Corinne Texier, Gillian Thomas, Naomi Tolan, Catherine Topin, Christine Whitney, Hollie Williams, Lisa Wood; Direcção de Produção: Joanne Dixon, Arnaud Duterque, Rachael Havercroft, Polly Hope, Hannah Ireland, Pat Karam, Elizabeth Small; Assistentes de realização: Tussy Facchin, Andrea Hachuel, Ben Howard, Elodie Krauss, Georgia Lewis, Danni Lizaitis, Stefan Maile, Vincenz Meresse, Charlie Vaughan, Phoebe Young; Departamento de arte: Naomi Bailey, Ursa Banton-Miller, Tamara Catlin-Birch, Simon Hutchings, Emma MacDevitt, Alicia Grace Martin, Michel Rollant; Som: Danny Freemantle, Glenn Freemantle, Nick Freemantle, Niv Adiri, Gillian Dodders, Russell Edwards, Rob Entwistle, Dayo James, Robert Malone, Anthony S. Ciccarelli, etc. Efeitos especiais: Karl Openshaw, Jody Taylor, Richard Van Den Bergh, Massimo Vico, Flora Warrington, Murray Barber, Mauricio Cuencas, Atem Kuol, etc. Companhias de produção: Netflix, Working Title Films; Intérpretes: Lily James (Mrs. de Winter), Armie Hammer (Maxim de Winter), Ann Dowd (Mrs. Van Hopper), Kristin Scott Thomas (Mrs. Danvers), Jacques Bouanich, Marie Collins, Jean Dell, Sophie Payan, Pippa Winslow, Lucy Russell, Bruno Paviot, Stefo Linard, Tom Hudson, Jeff Rawle, Ashleigh Reynolds, Bryony Miller, Tom Goodman-Hill, Ben Crompton, John Hollingworth, Keeley Hawes, Jane Lapotaire, Sam Riley, Poppy Allen-Quarmby, David Cann, Julia Deakin, Jason Williamson, Colin Bennett, Jessie Irvin Rose, Chris Bearne, John Macneill, etc. Duração: 121 minutos; Distribuição em Portugal: Netflix; Classificação etária: M/ 13 anos; Data de estreia em Portugal: 21 de Outubro de 2020.