segunda-feira, maio 16, 2016

PAUL VERHOEVEN: DA BOLA PRETA A GÉNIO


PAUL VERHOEVEN: DA BOLA PRETA A GÉNIO

Não deixa de ser curioso observar o que se passa com alguma critica, nacional, mas também internacional, em relação a certos realizadores e alguns filmes. O argumento de autoridade pesa tanto em determinadas cabeças que elas são capazes de todos os malabarismos para se chegarem à frente e acertar o passo com a modernidade. O que aconteceu recentemente com o cineasta holandês Paul Verhoeven é deliciosamente sintomático.  
Paul Verhoeven sempre o considerei um cineasta muito interessante, com um ou outro desacerto. Os primeiros tempos, na Holanda, eram muito promissores. Quando em 1973 passei uma semana em Amestrdão vi alguns filmes produzidos nesse país e inteiramente desconhecidos entre nós. Um deles foi “Delicias Turcas”, de Paul Verhoeven. Outro foi “Angela”, de Nikolai Van der Heyde. Como na altura dirigia a programação do Estúdio Apolo 70 e do Caleidoscópio, referi estes dois títulos à administração da Lusomundo, que explorava ambas as salas, solicitando que os comprasse para a programação destes cinemas. Isto aconteceu em 1973, mas os filmes só iriam ser estreados em 1976. Por razões de programação, “Angela” estreou no Caleidoscópio, e “Delicias Turcas”, entretanto comprado internacionalmente pela Columbia, foi parar ao Satélite e Quarteto (13.3.1976). Eram dois filmes bem interessantes.

Mas Verhoeven (nascido a 8 de Julho de 1938, em Amsterdão) foi sempre um realizador mal amado por grande parte da critica nacional e internacional, sobretudo depois de se ter mudado para os EUA. Mas o seu período inicial na Holanda teve aspectos muito curiosos. Em 1969, dirigiu uma série televisiva muito popular, “Floris”, sobre um cavaleiro medieval. Ai lançou o actor Rutger Hauer, que depois ia aparecer em vários filmes seus. Trabalhou em documentários e curtas-metragens, mas o seu primeiro grande êxito foi “Delícias Turcas” (1973), um filme de uma sexualidade à flor da pele, um dos temas queridos do cineasta. Seguiram-se “O Soldado da Rainha” (1977) e “O Quarto Homem” (1983), que colheram reconhecimento internacional e o levou a Hollywood, onde dirige alguns filmes de grande orçamento, conjugando violência e sexualidade, que tiveram sucesso público, mas nem tanto critico. “Amor e Sangue” (1985), “Robocop - O Polícia do Futuro” (1987), “Desafio Total” (1990), “Instinto Fatal” (1992), “Soldados do Universo” (1997), “Showgirls” (1995) e “O Homem Transparente” (2000). Voltou depois à Holanda onde nos deu um magnifico “Livro Negro” e, este ano, apresenta em Cannes uma produção francesa, “Elle”. Terá sido este último filme, interpretado por Isabelle Huppert, que terá justificado uma reavaliação da sua obra por parte da critica francesa. Mas o facto de os “Cahiers du Cinéma” lhe terem dedicado um enorme dossier, e uma capa, provocou uma autêntica hecatombe crítica. Quem tinha dispersado bolas pretas por quase todos os filmes de Paul Verhoeven, apareceu agora do baraço ao pescoço, em acto de contrição, afirmando que afinal se havia enganado. Os argumentos dos “Cahiers”, sobretudo os que apreciavam certos filmes anteriormente menosprezados, valorizando-os como olhares irónicos, prevalecem agora. E o Indie Lisboa dedicou-lhe uma reprospectiva, muito Indie.  Um pouco mais de personalidade e de independência de olhar não faria mal a ninguém. Esta forma de perseguir o que já foi dito, não é muito saudável. 

quinta-feira, maio 05, 2016

FESTin 2016



“Cartas de Amor são Ridículas” 
abre FESTin 2016 

Iniciou-se mais uma edição do FESTin, a sétima deste festival dedicado a produções faladas em língua portuguesa.  O que leva o certame este ano a homenagear a CPLP que assinala o seu 3«20 aniversário. São oito os países de língua portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Timor) que têm obras selecionadas, mas é obviamente o Brasil o país predominante em títulos, representação e envolvimento. Entre as longas-metragens apresentadas não há uma única de Portugal, o que não deixa de ser estranho.
O FESTin 2016 inaugurou-se com uma longa-metragem brasileira, assinada por Alvarina Souza e Silva, ambientada na bela cidade de Goiás, e que aborda as peripécias de um velho casal com cinco filhas, Açucena, Dália, Gardênia, Hortência e Violeta, uma já casada, as outras quatro casadoiras, e à procura desesperadamente do seu fim último na vida: não ficarem para tias solteironas. A realizadora e argumentista inspira-se para tanto em poemas de Fernando Pessoa, nomeadamente no celebérrimo “Cartas de Amor são Ridículas”.
A estrutura desta obra simpática, que critica usos e abusos que se prolongaram até não há muito tempo, tendo como base o casamento das jovens donzelas em famílias de quase todas as condições sociais, mas de hábitos muito restritos, movimenta-se entre o registo dramático e a comédia de costumes, com uma realização sóbria e eficaz, roçando a leveza da telenovela. Certamente para conferir à intriga um tom datado, “histórico”, a fotografia colorida tende para uma sépia que anula o voluptuoso colorido natural da Serra Dourada, do Rio Vermelho, das belas casas de Goiás, com as suas cores garridas. O que se vê deu para matar saudades de quem conhece bem aquelas paragens, mas já não as visita há uns anitos. De resto, o filme vive ainda de um excelente elenco, globalmente muito homogéneo, destacando o casal Roberto Bonfim e Sandra Barsotti e as suas cinco filhas, Carolina Oliveira (Açucena), Bela Carrijo (Dalia), Marcela Moura (Violeta), Bellatrix (Dalia) e Ana Paula Lopes (Gardenia).
O FESTin rola já com muitas obras em português. 



sexta-feira, abril 22, 2016

TEATRO: AUTOPSIA DE UM CRIME



“Sleuth: Autópsia de um Crime”
 no Centro Cultural do Cartaxo

“Sleuth” é uma peça de teatro inglesa, assinada por Anthony Shaffer, que teve grande sucesso nos palcos ingleses e norte americanos, mas igualmente um pouco por todo o mundo. Na Broadway, onde permaneceu entre 1970 e 1973, venceu o Tony Award em 1971 para melhor espectáculo do ano. O êxito nos palcos lançou a obra para o cinema. Em 1972, o próprio Anthony Shaffer adapta a sua peça ao cinema, que contaria com direcção de um mestre, Joseph L. Mankiewicz, no que seria a sua gloriosa despedida da realização. “Sleuth: Autópsia de um Crime” contava com dois actores de invulgar talento que conferiram ao filme uma densidade psicológica absorvente. Laurence Olivier e Michael Caine são os gigantes neste jeu de massacre entre dois homens. Curiosamente, Joseph L. Mankiewicz anunciava um elenco com outros actores, quase todos fictícios. A ideia do realizador seria levar o espectador a esperar que aparecessem surpresas durante a projecção da obra. Foi indicada para vários Oscars, nomeadamente os dois actores principais, mas foi ainda considerada em muitas outras cerimónias.    
Alguns anos depois, 2007, Kenneth Branagh volta ao tema que desta feita conta com adaptação de Harold Pinter, e entre os intérpretes, Michael Caine (no papel anteriormente de Olivier) e Jude Law (vivendo este agora a figura criada por Caine, na versão de 72). É um bom trabalho de actores, mas o resultado global do filme fica aquém da magnífica obra de Mankiewicz. A realização vive muitos de rodriguinhos e efeitos plásticos, que acabam por prejudicar a coerência final.
A história é aparentemente simples: Andrew Wyke, um escritor de romances policiais com grande sucesso, recebe na sua casa apalaçada Milo Tindle, cabeleireiro e amante de sua mulher. Andrew quer ver-se livre da mulher, mas não ficar a pagar uma choruda pensão de alimentos. Assim propõe a Milo que este assalte a sua própria casa, roube um valioso colar, fique com ele e com a mulher. O escritor ficaria com o prémio do seguro e a liberdade. Pois, mas nada disto é assim tão simples. A peça vive muito de viragens surpreendentes. Como se costuma dizer é pagar para ver e vale bem a pena.
Esta peça foi agora levada a cena no Cartaxo, numa produção da Área de Serviço – Projeto de Criação Teatral, com encenação de Frederico Corado, que interpreta igualmente um dos principais papéis ao lado de André Diogo. Arrojo e valentia é o que primeiro se deve salientar. Com tão fulgurantes antepassados levar a cena esta peça é obviamente um risco. Todos vão fazer comparações e a fasquia está elevadíssima. No caso de Frederico Corado, o salto é gigante. Não só tem Laurence Olivier e Michael Caine como referência, como ainda encena e se encena a si próprio. Pode dizer-se que nem Frederico Corado nem André Diogo fazem esquecer os astros que os iluminam, mas deve dizer-se igualmente que se comportam com dignidade e galhardia, construindo duas figuras bem desenhadas na sua complexidade. A encenação é clássica, mas muito bem dirigida, o cenário eficaz e de muito bom gosto plástico, ajudando a cimentar o clima de suspense da peça, que conta ainda com um muito bom desenho de luzes.

Percebe-se assim que o arrojo vale a pena, e que se a genialidade dos antepassados tolhesse os movimentos das mais jovens gerações nunca ninguém pegaria mais nalguns clássicos. Parabéns ao grupo Área de Serviço – Projeto de Criação Teatral. Que terá amanhã, pelas 21,30 horas, no Centro Cultural do Cartaxo, a sua última representação. 


domingo, fevereiro 28, 2016

OS FILMES DE 2015: CAROL


CAROL

O que distingue um belíssimo melodrama de um mau melodrama, eis uma questão curiosa, de uma difícil resposta. Creio que se trata tudo de uma questão de sensibilidade, de quem realiza a obra e de quem a observa. Na verdade, vi em dois dias sucessivos duas obras que rondam o melodramático. “Brooklyn” foi uma desilusão, “Carol” uma luminosa certeza. O filme de Todd Haynes prolonga harmoniosamente o que o cineasta já havia feito anteriormente, “Velvet Goldmine” ou “Longe do Paraíso”, por exemplo, mantendo algumas das suas constantes obsessões: o gosto pelo melodrama, e a inspiração de Douglas Sirk, o fascínio pelos anos 50 do século passado (o que se liga ao melodrama e a Sirk) e um interesse manifesto pela homossexualidade como comportamento sexual não respeitado pela sociedade. 
“Carol” parte de um romance de Patricia Highsmith, escrito em 1952, usando o pseudónimo de Claire Morgan. A obra chamava-se então “The Price of Salt” e só mais de trinta anos depois é que a autora o reivindicou em nome pessoal, com o novo título, “Carol”. Tudo porque Patricia Highsmith era lésbica e o romance era de certa forma autobiográfico, narrando uma história de amor ocorrida entre a escritora, então jovem empregada de balcão numa grande loja de brinquedos em Nova Iorque, pouco antes do Natal de 1948, e uma elegante e sofisticada loura que comprou brinquedos para a filha e convidou depois a empregada para encontros que redundaram numa apaixonante aventura emocional e sexual. Por essa altura uma história destas era altamente censurável pela sociedade bem-pensante, e quando lançou “Carol”, já na década de 80, Patricia Highsmith terminaria o seu epílogo com uma frase elucidativa: “Alegra-me pensar que este livro tenha dado a milhares de pessoas, solitárias e assustadas, algo a que se apoiarem”.


Adaptado ao cinema por Phyllis Nagy, “Carol” foi rodado, em Cincinnati, Ohio, EUA, entre 12 de Março e 25 de Abril de 2014, mas a ideia era passar por Nova Iorque no ano de 1952. A recriação dos anos 50 é excelente, não só de um ponto de vista decorativo, mas igualmente psicológico, ambiental e comportamental. Algo que já se havia notado como preocupação dominante no brilhante “Longe do Paraíso”. A recuperação da época não funciona só como cenário, mas como caracterização de um período. Magnífica é a fotografia e a banda sonora. Mas, sobretudo, fabulosa é a representação de Cate Blanchett e Rooney Mara, de uma sensibilidade, discrição, elegância, intensidade emotiva, e, no caso de Cate Blanchett, de uma provocante sedução que só uma actriz absolutamente notável consegue sugerir com olhares, pequenos gestos, palavras dúbias, presença absorvente. Depois, a realização de Todd Haynes é igualmente admirável na conjugação de todos estes elementos e na criação de um clima envolvente, mantido em suspense até final, com uma subtileza e elegância raras e uma intensidade emotiva invulgar. Grande filme de autor e de actrizes.


CAROL
Título original: Carol
Realização: Todd Haynes (EUA, Inglaterra, 2015); Argumento: Phyllis Nagy, segundo romance de Patricia Highsmith; Produção: Dorothy Berwin, Gwen Bialic, Cate Blanchett, Elizabeth Karlsen, Danny Perkins, Tessa Ross, Thorsten Schumacher, Andrew Upton, Christine Vachon, Bob Weinstein, Harvey Weinstein, Stephen Woolley; Música: Carter Burwell; Fotografia (cor): Edward Lachman; Montagem: Affonso Gonçalves; Casting: Laura Rosenthal; Design de produção: Judy Becker; Direcção artística: Jesse Rosenthal; Decoração: Heather Loeffler; Guarda-roupa: Sandy Powell; Maquilhagem: John Jack Curtin, Jerry DeCarlo, Ashley Flannery, Patricia Regan; Direcção de Produção: Gwen Bialic, Luciano Silighini Garagnani, Gretchen McGowan, Karri O'Reilly; Assistentes de realização: Kyle LeMire, Jesse Nye, Derek Rimelspach; Departamento de arte: Francis Link Boysie, Eric Johns, Meredith Lippincott, Paul Peabody, Bob Smith; Som: Geoff Maxwell, Nigel Maxwell, James David Redding III; Efeitos visuais: Ed Chapman, Chris Haney; Companhias de produção: Number 9 Films, Film4, Killer Films; Intérpretes: Cate Blanchett (Carol Aird), Rooney Mara (Therese Belivet), Kyle Chandler (Harge Aird), Jake Lacy (Richard Semco), Sarah Paulson (Abby Gerhard), John Magaro (Dannie McElroy), Cory Michael Smith (Tommy Tucker), Kevin Crowley (Fred Haymes), Nik Pajic (Phil McElroy), Carrie Brownstein (Genevieve Cantrell), Trent Rowland (Jack Taft), Sadie Heim (Rindy Aird), Kk Heim (Rindy Aird), Amy Warner (Jennifer Aird), Michael Haney (John Aird), Wendy Lardin (Jeanette Harrison), Pamela Evans Haynes, Greg Violand, Michael Joseph Thomas Ward, Kay Geiger, Christine Dye, Deb G. Girdler, Douglas Scott Sorenson, Ken Strunk, Mike Dennis, Ann Reskin, etc. Duração: 118 minutos; Distribuição em Portugal: NOS Audiovisuais; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 4 de Fevereiro de 2016.



OSCARS 2016: NOMEADOS E PROVAVEIS VENCEDORES



OSCARS 2016
NOMEADOS E PROVAVEIS VENCEDORES

Na lista a seguir expressa, vão indicados a verde os Oscars que calculo que a Academia premeie (e, num caso ou noutro, em fundo amarelo, as minhas preferências pessoais). Vamos a ver o que logo a Academia decide.

BEST PICTURE
The Big Short
Bridge of Spies
Brooklyn
Mad Max: Fury Road
The Martian
The Revenant
Room
Spotlight

DIRECTING
The Big Short
Mad Max: Fury Road
The Revenant
Room
Spotlight

ACTOR IN A LEADING ROLE
Bryan Cranston, Trumbo
Matt Damon, The Martian
Leonardo DiCaprio, The Revenant
Michael Fassbender, Steve Jobs
Eddie Redmayne, The Danish Girl

ACTRESS IN A LEADING ROLE
Cate Blanchett, Carol
Brie Larson, Room
Jennifer Lawrence, Joy
Charlotte Rampling, 45 Years
Saoirse Ronan, Brooklyn

ACTOR IN A SUPPORTING ROLE
Christian Bale, The Big Short
Tom Hardy, The Revenant
Mark Ruffalo, Spotlight
Mark Rylance, Bridge of Spies
Sylvester Stallone, Creed

ACTRESS IN A SUPPORTING ROLE
Jennifer Jason Leigh, The Hateful Eight
Rooney Mara, Carol
Rachel McAdams, Spotlight
Alicia Vikander, The Danish Girl
Kate Winslet, Steve Jobs

WRITING (ADAPTED SCREENPLAY)
The Big Short
Brooklyn
Carol
The Martian
Room

WRITING (ORIGINAL SCREENPLAY)
Bridge of Spies
Ex Machina
Inside Out
Spotlight
Straight Outta Compton

CINEMATOGRAPHY
Carol
The Hateful Eight
Mad Max: Fury Road
The Revenant
Sicario
Mad Max: Fury Road - Oscars 2016

COSTUME DESIGN
Carol
Cinderella
The Danish Girl
Mad Max: Fury Road
The Revenant

FILM EDITING
The Big Short
Mad Max: Fury Road
The Revenant
Spotlight
Star Wars: The Force Awakens

MAKEUP AND HAIRSTYLING
Mad Max: Fury Road
The 100-Year-Old Man Who Climbed out
the Window and Disappeared
The Revenant

MUSIC (ORIGINAL SCORE)
Bridge of Spies
Carol
The Hateful Eight
Sicario
Star Wars: The Force Awakens

MUSIC (ORIGINAL SONG)
“Earned It,” Fifty Shades of Grey
“Manta Ray,” Racing Extinction
“Simple Song #3,” Youth
“Til It Happens To You,” The Hunting Ground
“Writing’s On The Wall,” Spectre

PRODUCTION DESIGN
Bridge of Spies
The Danish Girl
Mad Max: Fury Road
The Martian
The Revenant

FOREIGN LANGUAGE FILM
Embrace of the Serpent
Mustang
Son of Saul
Theeb
A War

ANIMATED FEATURE FILM
Anomalisa
Boy and the World
Inside Out
Shaun the Sheep Movie
When Marnie Was There

SOUND EDITING
Mad Max: Fury Road
The Martian
The Revenant
Sicario
Star Wars: The Force Awakens
Star Wars: The Force Awakens - Oscars 2016

SOUND MIXING
Bridge of Spies
Mad Max: Fury Road
The Martian
The Revenant
Star Wars: The Force Awakens

VISUAL EFFECTS
Ex Machina
Mad Max: Fury Road
The Martian
The Revenant
Star Wars: The Force Awakens

DOCUMENTARY (FEATURE)
Amy
Cartel Land
The Look of Silence
What Happened, Miss Simone?
Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom

DOCUMENTARY (SHORT SUBJECT)
Body Team 12
Chau, beyond the Lines
Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah
A Girl in the River: The Price of Forgiveness
Last Day of Freedom

SHORT FILM (ANIMATED)
Bear Story
Prologue
Sanjay’s Super Team
We Can’t Live without Cosmos
World of Tomorrow

SHORT FILM (LIVE ACTION)
Ave Maria
Day One
Everything Will Be Okay (Alles Wird Gut)
Shok

Stutterer

quinta-feira, fevereiro 25, 2016

OS FILMES DE 2015: BROOKLYN


BROOKLYN

Há filmes que podem ser destruídos por uma banda sonora. “Brooklyn” é um deles. Já de si melodramática e xaroposa, esta história de uma jovem irlandesa que vai para os EUA e se instala em Brooklyn, onde se emprega, arranja namorado e casa secretamente, voltando à Irlanda por morte de uma irmã, onde volta a encontrar o amor e as bisbilhotices habituais, para regressar a Nova Iorque, já de si não tem muito para agradar sobremaneira, se exceptuarmos algumas interpretações. Mas a banda sonora, com uma irritante e omnipresente choradeira de violinos, acaba por afastar qualquer simpatia. Não se percebe como este mediano filme que se pode ver na TV, quando se não tem mais nada para fazer, numa invernosa tarde de domingo, está na corrida aos Oscars e já arrecadou tantas nomeações e alguns prémios internacionais. A recriação dos anos 50 não é má, a fotografia é interessante, mas nada mais se poderá dizer desta realização de John Crowley.


BROOKLYN
Título original: Brooklyn

Realização: John Crowley (Irlanda, Inglaterra, Canadá, 2015); Argumento: Nick Hornby, segundo romance de Colm Tóibín; Produção: Finola Dwyer, Pierre Even, Susan Mullen, Amanda Posey, Marie-Claude Poulin; Música: Michael Brook; Fotografia (cor): Yves Bélanger; Montagem: Jake Roberts; Casting: Fiona We; Design de produção: François Séguin; Direcção artística: Irene O'Brien, Robert Parle; Decoração: Suzanne Cloutier, Jenny Oman, Louise Tremblay; Guarda-roupa: Odile Dicks-Mireaux; Maquilhagem: Michelle Côté, Ivy Ermert, Morna Ferguson, Christopher Fulton, Lorraine Glynn, R. Cory  McCutcheon, Marlène Rouleau; Direcção de Produção: Joanne Dixon, Polly Duval, Lindsay Feldman; Assistentes de realização: Keith Browett, Enda Doherty, Roisin El Cherif, Conor Flannery, Brigitte Goulet, Daniel Lloyd, Evelyne Renaud, Nick Thomas, Charlie Watson, Jessica Whelehan, Melinda Ziyadat; Departamento de arte: Paul Brady, Fiona Cooney, Melanie Downes, Denis Hamel; Som: Glenn Freemantle; Efeitos especiais: Pierre L'Heureux; Efeitos visuais: Andy Clarke, Ciara Gillan; Companhias de produção:Wildgaze Films, Parallel Film Productions, Irish Film Board, Item 7; Intérpretes: Saoirse Ronan (Eilis), Hugh Gormley (padre), Brid Brennan (Miss Kelly), Jim Broadbent (padre Flood), Maeve McGrath (Mary), Emma Low (Mrs. Brady), Barbara Drennan, Gillian McCarthy, Fiona Glascott, Jane Brennan, Eileen O'Higgins, Peter Campion, Eva Birthistle, James Corscadden, Julie Walters, Emily Bett Rickards, Eve Macklin, Nora-Jane Noone, Mary O'Driscoll, Samantha Munro, Jane Wheeler, Jessica Paré, Adrien Benn, Alain Goulem, etc. Duração: 111 minutos; Distribuição em Portugal: NOS Audiovisuais; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 7 de Janeiro de 2016.

JOAQUIM ROSA (1926-2016)

MORREU JOAQUIM ROSA
Mais uma notícia que me apanha de forma inesperada e dramática. Joaquim Rosa, o "meu" padre Alves de "Manhã Submersa", morreu. Era um excelente actor, uma pessoa de um trato impecável, elegante e generosa. Tive com ele a melhor das relações. Deixa uma obra e muita saudade.  



Joaquim Rosa nasceu em Évora, a 6 de Junho de 1926. Foi um actor português com uma conceituada carreira construída principalmente no teatro, no cinema e na televisão.  Integrou vários espectáculos de Filipe La Féria. Na televisão actuou por exemplo em algumas produções escritas por Francisco Moita Flores. No cinema foi o Padre Alves em "Manhã Submersa", entre muitos outros títulos. Faleceu, aos 89 anos, a 24 de Fevereiro de 2016, na Casa do Artista, onde residia.

segunda-feira, fevereiro 22, 2016

OS FILMES DE 2015: A QUEDA DE WALL STREET


A QUEDA DE WALL STREET

Julgo que uma das habilidades dos banqueiros e do mundo da alta finança foi criar uma terminologia técnica de tal forma cerrada que poucos a dominam. Quem detém a entrada nesse universo onde imperam swaps, subprimes, agências de rating, taxas de juros, bolhas imobiliárias, hipotecas, alavancagens, singles tranches, moratórias, seguros, e muitas outras palavras e expressões de difícil significado, detém o poder e não o quer ver disseminado. Vem do tempo de “O Nome da Rosa” e do poder armazenado numa biblioteca onde só os eleitos penetravam. Hoje em dia as torres são as das Wall Streets de todo o mundo, onde se cozinham as negociatas que engordam os magnates, os banqueiros e os aldrabões de todo o género, e que depois a arraia miúda vai pagar por ter andado a “viver acima das suas posses”.
O caso de “The Big Short”, que Adam McKay realizou, e escreveu de colaboração com Charles Randolph, adaptando a obra de Michael Lewis, “The Big Short: Inside the Doomsday Machine”, é um bom exemplo para se desmistificar toda esta engrenagem que provocou o grande colapso bolsista e bancário de 2008, cuja crise se arrasta até hoje e que não sabemos bem quando irá acabar, se não for pelo contrário essa crise a acabar connosco. O filme joga com toda essa terminologia e para leigos na matéria (como eu), o risco parece grande de início. Mas cedo realizador e argumentista nos apaziguam a angústia. Estamos aqui para perceber como se forjou o grande golpe financeiro e, apesar de toda a areia para os olhos, compreende-se o essencial.  
Na verdade, trata-se de banditismo ao mais alto nível, daquele que altas figuras na hierarquia social praticam e do qual saem ilesas, sendo os prejuízos pagos pelo cidadão comum, que vai pagando aos bancos os prejuízos e as ameaças de falência com os impostos que crescem desenfreadamente com a justificação de que o estado social não se aguenta como tal, nas actuais condições. Claro que os bancos e as bolsas essas aguentam-se muito bem. “Ai aguentam, aguentam!”


Este filme baseia-se em factos reais ainda que ficcionados. Fala de personagens fictícios, mas existiram outras, com outros nomes, que fizeram mais ou menos o mesmo. Michael Burry (Christian Bale) é dono de uma media empresa norte-americana que decide investir na bolsa num fundo que coordena o sistema imobiliário nos EUA, prevendo que o mesmo venha a colapsar. É jogar ao contrário do habitual. Apostar no falhanço, tal como “Os Produtores”, de Mel Brooks, o fazia, mas aí numa produção teatral. Sabendo deste invulgar investimento, o corretor Jared Vennett (Ryan Gosling) aproveita a boleia e passa a oferecê-la a seus clientes, entre os quais Mark Baum (Steve Carell), dono de uma corretora em dificuldades. Entretanto, um especialista em questões financeiras, Ben Rickert (Brad Pitt), é igualmente convocado para a geringonça.
Michael Lewis, hoje conceituado jornalista e escritor, com 24 anos foi contratado pelo banco Salomon Brothers. Era bem pago, percebia muito pouco de actividade bolsista, mas começou a descortinar o que se passava nos bastidores da banca. Três anos depois demitiu-se e escreveu o "Liar’s Poker", onde relatava as suas experiências. Nessa altura tinha a certeza de que o colapso iria surgir. Esperou até 2007, quando descobriu que muitos investidores estavam a apostar tudo na queda do sistema, na desvalorização do imobiliário e na desregularização do mercado subprime.
Tirar daqui um filme que se acompanha como uma investigação policial, cheia de ironia e de invenções narrativas, é obra. O argumento terá de ser controlado ao milímetro, a montagem tem de ser ritmada e nervosa, sem, no entanto, cair do sufoco para o espectador, as interpretações convêm que sejam eficazes e, se possível, notáveis para credibilizarem as personagens. A realização terá que controlar tudo isto e mostrar alguma agilidade. “A Queda de Wall Street” consegue tudo isso, e temos que creditar boa parte do sucesso a um pouco conhecido Adam McKay, que vem da comédia e de “Saturday Night Live”, companheiro de Will Ferrer em varias comédias, actor, argumentista e realizador pouco visto fora dos EUA e que neste seu primeiro trabalho de grande folego não deixa de espantar. Na verdade, a forma como constrói “The Big Short” é invulgar, intercalando diferentes tipos de narrativas, actores falando para a câmara ou figuras vip da sociedade internacional (como a actriz Margot Robbie, a cantora e actriz Selena Gomez, o prémio Nobel de economia Richard Thaler, o gastrónomo Anthony Bourdain…) a explicarem terminologia técnica e conceitos mais difíceis de controlar. O resultado é surpreendente, mas funciona como um puzzle bem-humorado, inteligente e particularmente ácido para os visados.
Aí está, pois, pronto a disputar os Oscars, com cinco nomeações: Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Argumento Adaptado, Melhor Actor Secundário (Christian Bale) e Melhor Montagem. Tudo nos diz que não virá de mãos a abanar. É um forte candidato.


A QUEDA DE WALL STREET
Título original: The Big Short

Realização: Adam McKay (EUA, 2015); Argumento: Charles Randolph, Adam McKay, segundo obra de Michael Lewis; Produção: Dede Gardner, Jeremy Kleiner, Kevin J. Messick, Arnon Milchan, Brad Pitt, Louise Rosner; Música: Nicholas Britell; Fotografia (cor): Barry Ackroyd;  Montagem: Hank Corwin; Casting: Kathy Driscoll, Francine Maisler; Design de produção: Clayton Hartley;  Direcção artística: Elliott Glick; Decoração: Linda Lee Sutton; Guarda-roupa: Susan Matheson; Maquilhagem: Michelle Diamantides, Julie Hewett, Adruitha Lee, Annabelle MacNeal, Pamela S. Westmore; Direcção de Produção: Teddy Au, Lisa Rodgers, Louise Rosner; Assistentes de realização: Matt Rebenkoff, Amy Lauritsen, Pamela Monroe, Josh Muzaffer, Cali Pomes; Departamento de arte: Chris Arnold, Joe Bergman, Randall S. Coe, Jann K. Engel, Harrison Hartley, John Herbert, Lisa Kutyreff, K. Emily Levine, Wright McFarland; Som: Andrew DeCristofaro, Becky Sullivan; Efeitos especiais: Michelle Dickson, Drew Jiritano; Efeitos visuais: Sumriti Bhogal, Richard Bluff, Paul Linden, Mare McIntosh; Companhias de produção: Plan B Entertainment, Regency Enterprises; Intérpretes: Christian Bale (Michael Burry), Steve Carell (Mark Baum), Ryan Gosling (Jared Vennett), John Magaro (Charlie Geller), Finn Wittrock ( Jamie Shipley), Brad Pitt (Ben Rickert), Hamish Linklater (Porter Collins), Rafe Spall (Danny Moses), Jeremy Strong (Vinny Daniel), Marisa ( Cynthia Baum), Melissa Leo (Georgia Hale), Stanley Wong (Ted Jiang), Byron Mann( Wing Chau), Tracy Letts (Lawrence Fields), Karen Gillan (Evie), Max Greenfield, Margot Robbie, Selena Gomez, Richard Thaler, Anthony Bourdain, etc. Duração: 130 minutos; Distribuição em Portugal: NOS Audiovisuais; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 14 de Janeiro de 2016.

quarta-feira, fevereiro 17, 2016

OS FILMES DE 2015: SPOOTLIGHT


O CASO SPOTLIGHT

Há uma longa e meritória tradição no cinema norte-americano de filmes abordando investigações jornalísticas que tiveram importância decisiva na consciencialização do cidadão normal e das instituições públicas para certas anomalias ocorridas na sociedade. “Os Homens do Presidente” é o exemplo mais flagrante, mas há muitos mais. Aliás o jornalismo na América tem sido abordado sob diversos pontos de vista, desde o elogio do jornalista como herói justiceiro, último recurso desse quarto poder para repor a justiça no normal funcionamento das instituições, até à denúncia do profissional corrupto que se alia às máfias locais para as justificar ou inclusive à pública declaração de alianças de poder entre empresas e direcções de jornais com interesses obscuros. “O Caso Spotlight” é apenas mais um exemplo. Um bom exemplo, diga-se desde já.
O caso passa-se em Boston, e o jornal é o Boston Global. Tudo se passa recorrendo a factos reais, acontecidos entre 1976 e 2002. O filme tenta apenas recuperar, reconstituir a investigação de um grupo de quatro jornalistas que durante todo esse tempo se ocupa em investigar o que terá acontecido com alguns padres que foram acusados de práticas pedófilas. De início são 13 os visados, depois o número sobe para 90, finalmente ascende às várias centenas. Tudo perante uma certa apatia e cumplicidade das autoridades eclesiásticas que, em lugar de punir os prevaricadores, se limitavam a lançá-los em baixa clínica ou transferi-los de diocese. A averiguação acompanha-se como um policial, com os jornalistas a funcionarem como investigadores, ou dectetives privados, que de pista em pista chegam finalmente à acusação final.

Tom McCarthy, que assina a realização da obra, é mais conhecido como actor, tendo participado em cerca de quatro dezenas de títulos, entre comédias (“Não Há Família Pior!”, por exemplo) e dramas sociais (“Syriana” e “Boa Noite, e Boa Sorte”, entre alguns mais), sempre como actor secundário. Escreveu vários argumentos, quase todos os dos seus filmes e ainda “Up – Altamente”. Como realizador, tem um passado interessante, mas pouco mais: “A Estação” (2003), “O Visitante” (2007), “Todos Ganhamos” (2011), “O Sapateiro Mágico” (2014), até chegar a “O Caso Spotlight” (2015). Com este título conheceu a glória como realizador e argumentista, tendo sido nomeado para tudo o que seja premiações na América, e no mundo, tendo já arrecadado vários prémios, sobretudo como argumentista. Mas nos Oscars de 2016 aparece bem colocado nas duas categorias (Melhor Realizador e Melhor Argumento Original), além do filme reunir ainda outras nomeações para Melhor Filme, Melhor Actor Secundário (Mark Ruffalo), Melhor Actriz Secundária (Rachel McAdams), e Melhor Montagem.
A obra desenvolve-se com uma escrita escorreita, na boa tradição do clássico cinema norte-americano, eficaz e nervoso, com uma fotografia intimista e densa, uma montagem eficiente e ritmada, uma boa banda sonora e uma interpretação inatacável. Mark Ruffalo (Mike Rezendes, o luso descendente que é o principal motor da investigação), Michael Keaton (o jornalista chefe Walter 'Robby' Robinson) e Rachel McAdams (a outra jornalista de campo, Sacha Pfeiffer) são excelentes.
Como denúncia de práticas criminosas e como exemplo de uma investigação jornalística, “O Caso Spotlight” merece bem figurar entre os bons filmes de 2015 e, seguramente, entre os que melhor testemunham boas práticas dos media, numa altura em que os jornais impressos atravessam uma tão grave crise. 

O CASO SPOTLIGHT
Título original: Spotlight

Realização: Tom McCarthy (EUA, Canadá, 2015); Argumento: Josh Singer, Tom McCarthy; Produção: Kate Churchill, Blye Pagon Faust, Steve Golin, Nicole Rocklin, Michael Sugar, Youtchi von Lintel; Música: Howard Shore; Fotografia (cor): Masanobu Takayanagi; Montagem: Tom McArdle; Casting: Kerry Barden, John Buchan, Jason Knight, Paul Schnee; Design de produção: Stephen H. Carter; Direcção artística: Michaela Cheyne; Decoração: Vanessa Knoll, Shane Vieau; Guarda-roupa: Wendy Chuck; Maquilhagem: Karola Dirnberger, Brenda McNally, Jordan Samuel, Teresa Young; Direcção de Produção: Danielle Blumstein, D.J. Carson, Kelley Cribben; Assistentes de realização: Adam Richard Benish,  Walter Gasparovic, Conte Mark Matal, Andrea O'Connor, Scooter Perrotta, Vibhuti Rathod, Gerrod Shully; Departamento de arte: Lara Alexander, Bobby Anderson, Jill Beecher, Carlos Caneca, William Cheng, John MacNeil, John Moran, Dusty Reeves; Som: Paul Hsu; Efeitos visuais: Kayla Cabral, Colin Davies, Brandon Terry;  Companhias de produção: Anonymous Content, First Look Media, Participant Media, Rocklin / Faust; Intérpretes: Mark Ruffalo (Mike Rezendes), Michael Keaton (Walter 'Robby' Robinson), Rachel McAdams (Sacha Pfeiffer), Liev Schreiber (Marty Baron), John Slattery (Ben Bradlee Jr.), Brian d'Arcy James (Matt Carroll), Stanley Tucci (Mitchell Garabedian), Elena Wohl (Barbara), Gene Amoroso (Steve Kurkjian), Doug Murray (Peter Canellos), Sharon McFarlane (Helen Donovan), Jamey Sheridan (Jim Sullivan), Neal Huff (Phil Saviano), Billy Crudup (Eric Macleish), Robert B. Kennedy, Duane Murray, Brian Chamberlain, Michael Cyril Creighton, Paul Guilfoyle, Michael Countryman, Tim Whalen, Martin Roach, Brad Borbridge, Don Allison, Patty Ross, Paloma Nuñez, Robert Clarke, Gary Galone, David Fraser, Paulette Sinclair, Laurie Heineman, Elena Juatco, Nancy Villone, Wendy Merry, Siobhan Murphy, Eileen Padua, Darrin Baker, Brett Cramp, Joe Stapleton, Maureen Keiller, Jimmy LeBlanc, Tim Progosh, Neion George, Laurie Murdoch, Zarrin Darnell-Martin, Krista Morin, Paula Barrett, Mairtin O'Carrigan,  Rob deLeeuw, etc. Duração: 128 minutos; Distribuição em Portugal: NOS Audiovisuais; Classificação etária: M/ 14 anos; Data de estreia em Portugal: 28 de Janeiro de 2016.

     No Festival de Toronto, realizador, actores e os autênticos jornalistas do Boston Globe.