sexta-feira, abril 24, 2015

TEATRO: DOCE PÁSSARO DA JUVENTUDE


DOCE PÁSSARO DA JUVENTUDE

“Sweet Bird of Youth” é mais uma peça de Tennessee Williams a ser apresentada pelos Artistas Unidos, com encenação de Jorge Silva Melo, depois de no ano passado terem levado à cena “Gata em Telhado de Zinco Quente”. Deve dizer-se que se trata de um excelente espectáculo, com eficaz e justa encenação, belos cenários, e magnífica interpretação de Maria João Luís e Rúben Gomes, à frente de um consistente e homogéneo elenco. A peça, tal como quase todas a deste dramaturgo norte-americano, teve uma versão cinematográfica muito boa, com a assinatura de Richard Brooks, e interpretação a cargo de Geraldine Page e Paul Newman e, se esse trabalho era inesquecível, deve dizer-se que Maria João Luís e Rúben Gomes não os fazem esquecer, mas também não os fazem recordar.
O próprio Jorge Silva Melo evoca de forma muito sucinta o entrecho da peça: “Uma actriz enfrenta o desastre de uma vida, longe dos doces anos da sua juventude. Um rapaz, Chance Wayne, de regresso à terra de onde partiu há anos à conquista do mundo. É Páscoa, mas não haverá ressurreição. Todos procuram voltar a um passado que imaginaram feliz. Enquanto decorre uma sórdida manobra política”.
Passa por aqui um clima de decadência e de desesperada solidão que recorda obviamente “Sunset Boulevard”, tendo como pano de fundo questões políticas e sociais relevantes. A encenação de Jorge Silva Melo é sóbria mas suficientemente clara para por a descoberto toda esta teia de relações viciadas e o trabalho dos actores faz o resto, conferindo densidade e dramatismo às personagens. Um belíssimo espectáculo.

DOCE PÁSSARO DA JUVENTUDE

Texto (Sweet Bird of Youth) de Tennessee Williams; Tradução: José Agostinho Baptista; Encenação: Jorge Silva Melo; Assistência: Leonor Carpinteiro e Nuno Gonçalo Rodrigues; Cenografia e figurinos: Rita Lopes Alves; Som: André Pires; Luz: Pedro Domingos; Produção executiva: João Meireles; Interpretação: Maria João Luís, Rúben Gomes, Américo Silva, Catarina Wallenstein, Isabel Muñoz Cardoso, Mauro Hermínio, Nuno Pardal, Pedro Carraca, Pedro Gabriel Marques, Rui Rebelo,  Simon Frankel, Tiago Matias, Vânia Rodrigues, Eugeniu Ilco, Alexandra Pato, André Loubet, Francisco Lobo Faria, João Estima, Mia Tomé, Tiago Filipe e a participação de João Vaz; Uma produção: Artistas Unidos, Teatro Nacional de São João e São Luiz Teatro Municipal; últimos dias: Sexta e Sábado às 21h00; Domingo às 17h30; Sala Principal; M/14 anos; €12 A €15 (com descontos €5 a 10,50); Duração: 2h. 


terça-feira, abril 21, 2015

MARIANO GAGO


MARIANO GAGO
José Mariano Rebelo Pires Gago 
(Lisboa, 16 de Maio de 1948 — Lisboa, 17 de Abril de 2015)


Conhecia-o desde os tempos da universidade, eu quase a sair de Letras, ele a entrar no Técnico, em faculdades diferentes portanto.  Fui acompanhando-o com interesse ao longo da sua carreira. Cruzei-me com ele quando teve a amabilidade de ir prestigiar com a sua presença amiga o Cine Eco. Falámos como dois velhos amigos, que eramos, sem nos encontramos muito, é verdade. Mas ele gostava de cinema. No governo, e fora dele, teve uma actividade notável impulsionando a ciência no nosso país, como nenhum outro o fez. Quando se diz que os políticos são todos “isto e aquilo”, eu insurjo-me sempre. Nem todos o são. Há alguns bons políticos que não se servem e servem sobretudo a coisa pública.  Mariano Gago era um deles. Um exemplo para todos nós. Um perda, portanto. Enorme. 

TEATRO: ESCÂNDALO NAS NOTICIAS DA NOITE


ESCÂNDALO NAS NOTÍCIAS DA NOITE


“Escândalo nas Notícias da Noite” parte de uma peça teatral americana, de 1928, assinada pela dupla Charles MacArthur e Ben Hecht, que tem tido uma carreira brilhante no teatro, no cinema e na televisão (ver texto abaixo). Agora Frederico Corado adaptou-a à actualidade e a Portugal, mantendo toda a estrutura, sobretudo da sua última versão cinematográfica, “Linhas Cruzadas”. Um canal de televisão português debate-se com alguns problemas, sobretudo ditados pelo auto afastamento da sua repórter principal, ex-mulher do director da estação, e que se prepara para partir em viagem de núpcias para Angola com um milionário empresário de artigos de desporto. Mas a jornalista sente o apelo da notícia quando descobre que um preso condenado a pesada pena, e que ela julga inocente (e depois vem mesmo a saber estar inocente), precisa dela e de tornar visível perante a opinião pública a manobra política e judicial de que está a ser vítima. Às autoridades interessa sobretudo solucionar um caso rapidamente, sem olhar a outros interesses. Assim, ela adia a viagem para a paradisíaca ilha do Mussulo e atira-se de cabeça à tarefa de resgatar a verdade. O que pressupõe muitas peripécias, algumas divertidas, outras dramáticas, mas sempre críticas para com alguns poderes instituídos.
A produção é da equipa “Área de Serviço”, com adaptação da peça, encenação e cenários de Frederico Corado (que também interpreta um dos principais papéis), grupo que já encenou anteriormente as peças “Um Marido Ideal”, “O Crime de Aldeia Velha”, “As Alegres Comadres de Windsor”, “Nápoles Milionária”, “Pânico”, “Trisavó de Pistola à Cinta”, “O Inspector Geral”, “Oito Mulheres” e “O Dinheiro Não é Tudo na Vida”.
A encenação, movimentada e cheia de bons achados de humor, funciona num cenário relativamente simples, com adereços que apenas indicam e sugerem. O ritmo conseguido surpreende, tratando-se de uma companhia comunitária, logo de actores amadores (que, de peça para peça apuram qualidades e limam deficiências). Há mesmo alguns actores com capacidades que merecem ser dilatadas noutros trabalhos. Mas, fundamentalmente, há que sublinhar o esforço desta iniciativa muito bem orientada para textos de qualidade inequívoca, fomentando o gosto pelo teatro, quer praticando-o no palco, quer assistindo a ele na plateia do Centro Cultural do Cartaxo. O espectáculo tem novas representações a 24 e 25 de Abril, às 21 horas.

Escândalo nas Notícias da Noite / um espectáculo de Frederico Corado, no Centro Cultural do Cartaxo /24 e 25 de Abril às 21.30h
Texto e Encenação: Frederico Corado | Concepção e Execução Cenográfica: Frederico Corado e Mário Júlio | Produção CCC: Marco Guerra e Carlos Ouro | Produção Área de Serviço: Frederico Corado, Florbela Silva e Vânia Calado com a assistência de Pedro Ouro, Carolina Viana, Rita Correia Alves | Grafismo: Cátia Garcia | Assistente de Encenação: Florbela Silva, Cláudia Antunes, Maria Ramalho, Pedro Ouro, Rita Correia Alves | Desenho de Luz: Ricardo Campos | Assistência Técnica: Miguel Sena | Direcção de Cena: Mário Júlio| Contra-Regra: Amélia Martins | Fotografia: Vitor Neno | Montagem: Mário Júlio e Vitor Lima| Uma Produção da Área de Serviço com o Centro Cultural do Cartaxo; Intérpretes: Vânia Parente Calado, Frederico Corado, Carlos Ramos, Vasco Casimiro, João Nunes, Mário Júlio, Ana Ribeiro, Virgínia Teófilo, Helena Montez, Mónica Coelho, João Paulo, Carolina Viana, Ana Patrícia Jorge, Mauro Cebolo, Susana Condinho, Pedro Ouro, Pedro Lino, Luis Rosa Mendes, Paulo Cabral, Rosário Narciso, Amélia Martins, Rita Oliveira, Ana Catarina Casimiro, Daniel Mateus, Pedro Magalhães, Aureliana Campanacho, Jeanine Steuve, Catarina Carmo, Maria José Cerqueira, Andréa Silva, João Pedro Sousa, Joana Pinheiro, Beatriz Pinho, José Miguel Ribeiro, Inês Nunes, André Vieira, Joana Condinho Pais, Miguel Carias, etc.Centro Cultural do Cartaxo / Rua 5 de Outubro | 2070-059 Cartaxo, Portugal /Teatro . M6 /Bilhetes: 5€



2. “A PRIMEIRA PÁGINA” (THE FRONT PAGE) NO CINEMA
No conturbado e agitado período de final dos anos 20, a América inteira pode dizer-se que se transforma num vulcão em permanente ebulição. Estava-se no pós-guerra, os soldados do Tio Sam tinham, pela primeira vez, experimentado os amargos e os sucessos de um gigantesco conflito militar que se desenrola a muitos quilómetros da sua Pátria, numa Europa simultaneamente distante e aliciante, local de origem da maior parte dos ancestrais dos jovens combatentes, mas terra de outros costumes e outro ritmo de vida. Nos EUA germinava o Crash que iria rebentar em 1929 e progredir assustadoramente pela Grande Depressão dos anos 30. A instabilidade que parecia apostar fortíssimo em tal época era bem demonstrativa de que as armas não se haviam calado de vez, mas antes se encontravam em repouso quase forçado, à espera de que novo holocausto se viesse a verificar, sem grandes alternativas nem esperanças fundadas.
Nessa altura, um jovem jornalista de Chicago, de parceria com outro colega também pouco acomodatício, deu à estampa uma obra que intitulou “The Front Page”. Estava-se em 1928, o autor principal chamava-se Charles MacArthur e o seu comparsa Ben Hecht. De ambos ainda surgiriam “Twentieth Century” (1932) e “Ladies and Gentlemen” (1939). No entanto, a primeira das obras seria aquela que daria notoriedade a MacArthur que, casado com a actriz Helen Hayes, se dedicaria também a escrever para o cinema. Esta peça teria uma encenação portuguesa no Teatro "A Barraca", em 1994, com encenação de Helder Costa, com interpretação de Maria do Céu Guerra, Francisco Nicholson e João d'Ávila, entre outros. 
“The Front Page” foi objecto de várias adaptações cinematográficas, a primeira das quais realizada por Lewis Milestone, logo em 1931. Entre os actores, Adolphe Menjou, Pat O'Brien e Mary Brian. Mas em 1940, Howard Hawks voltaria ao tema, realizando “O Grande Escândalo” (His Girl Friend) com um elenco de nomes sonantes à frente do qual se encontravam Rosalind Russel, Cary Grant e Ralph Bellamy. Posteriormente outra gente retomaria o tema. Foram algumas as versões de TV, logo na década de 40: Ed Sobol dirigiu uma em 1945, com Vinton Hayworth, Matt Crowley e Howard Smith; o produtor Joel O’Brien lançou outra, em Inglaterra, em 1948, com Basil Appleby, Harold Ayer e Michael Balfour; entre 1949 e 1950 apareceu uma mini série, com direcção de Franklin Heller, e interpretação de John Daly, Mark Roberts e Richard Boone; finalmente em 1970, nova incursão televisiva, desta feira assinada por Alan Handley, com Robert Ryan, George Grizzard e Helen Hayes (como já vimos a mulher de MacArthur).
Os tempos mudaram, a imprensa escrita cedeu o seu lugar prioritário à televisão, por isso se compreende que, em 1988, “The Front Page” se passe a chamar “Linhas Trocadas” (Switching Channels), numa versão cinematográfica de Ted Kotcheff, com um novo elenco de luxo, Kathleen Turner, Burt Reynolds e Christopher Reeve.



Desconhecendo a obra de 1931 e as adaptações televisivas, vamos recuperar algumas curtas impressões críticas das restantes, escritas na época em que inicialmente as vi.
Começando pelo filme de Howard Hawks:
Numa redacção de um jornal reúne-se um grupo heterogéneo, constituído pelo próprio director do jornal, um cronista de casos de polícia e de tribunais, uma prostituta e um condenado à morte que se havia conseguido evadir da prisão em que se encontrava aguardando a execução. Com eles e outros comparsas menores se constrói uma história em que o dramático alterna com o burlesco, daí resultando uma comédia brilhante e de tal modo atractiva que, como se disse já, motivou por várias vezes o interesse dos realizadores e produtores e a consequente atenção das câmaras.
Há que referir que esta versão tem uma realização realmente brilhante de Howard Hawks e, reforçando o afirmado, de entre os intérpretes salienta-se o talento de comediante de Rosaline Russel, que aqui regista uma das suas mais significativas actuações perante as objectivas. Alguns saudosistas relembram, a propósito de “O Grande Escândalo”, “The Front Page”, de 1931, rodado num único cenário, em que o realizador Lewis Milestone utilizou com toda a propriedade os travelling que tinham sido relativamente descurados com o advento do sonoro. Voltando a “His Girl Friend” um outro termo de comparação é possível de estabelecer com a obra precedente: enquanto Milestone realizara uma fita com 101 minutos de duração, Hawks reduz o tempo de projecção para 92 minutos. E por isso que esta velha glória do cinema debruçado sobre a informação é considerada por muitos como tendo um ritmo mais dinâmico do que a primeira versão d “The Front Page”. Dir-se-ia, antes, que são duas concepções diferentes, com quase dez anos a separá-las. Vale, porém, a pena recordar-se um e outro destes filmes que ficaram na História da Sétima Arte.



Depois de Lewis Milestone e de Howard Hawks, “The Front Page” é já uma obra teatral consagrada, esta que Billy Wilder retoma para a marcar com o seu espírito sarcástico, o seu humor corrosivo, o rigor do seu trabalho de encenação, e a magnifica direcção de actores, onde sobressaem Jack Lemmon, Walter Matthau e Carol Burnet.
Com um condenado à morte à espera da hora final, é nos bastidores de certa imprensa sensacionalista, que manipula pessoas e acontecimentos, que se irá centrar a análise de Wilder. O prestígio político, os interesses criados, o lucro fácil, são algumas das peças de uma engrenagem desmontada pelo cineasta que, desde início, se coloca do lado do condenado à morte e de uma prostituta que o procura ajudar, tendo em seu redor uma matilha que os tenta devorar com intuitos diversos, mas sempre com igual barbaridade, em nome de um qualquer lucro.



“Linhas Trocadas”, de Ted Kotcheff, versão mais recente (1987), actualizada, da peça teatral de Hecht e MacArthur, acusa alguma banalização de processos, tendentes a um riso burlesco e algo inconsequente, que lhe retira um pouco da sua força, agressividade e poder corrosivo.
Christy Collerau (a belíssirna Kathleen Turner) é uma jornalista, vedeta de uma cadeia de televisão norte americana, onde trabalha também o seu ex-marido, John Sullivan (um turbulento Burt Reynolds). Em férias, conhece um empresário aprumadinho, Blaine Brighaam (Christopher Reeves, aqui atraiçoando a sua predilecção por papeis de jornalista), com quem resolve casar-se e abandonar a TV. Mas John Sullivan joga o mais sujo que sabe para não perder nem a colaboradora nem a mulher e oferece-lhe uma reportagem irrecusável: entrevistar Ike Roscoe, um condenado à morte na cadeira eléctrica, que tudo aponta estar inocente. Christy não é capaz de renunciar a este desafio. Mas Roscoe consegue fugir, Christy e Sullivan conseguem escondê-lo, mas o filme não consegue comparar-se aos outros extraídos da mesma base, muito embora atinja momentos hilariantes, sobretudo nas perseguições derradeiras e na descrição tumultuosa do ambiente dos estúdios de televisão.
Uma comédia divertida, mas um filme relativamente falhado nos seus propósitos, enquanto obra cinematográfica.

O GRANDE ESCÂNDALO (His Girl Friday) - R: Howard Hawks (EUA, 1939); A: Charles Lederer, segundo «The Front Page», peça de Charles MaeArthur e Ben Heeht; F (preto e branco): Joseph Walker; M: Morris Stoloff; I: Rossalind Russell, Cary Grant, Ralph Bellamy, Gene Loekhart, Porter Hall, Ernest Truex, etc.; D: 92 m; CI: xxxxx (M/12 anos).
PRIMEIRA PÁGINA (Front Page) - R: BiIly Wilder (EUA, 1974); A: BiIly Wilder e I.A.L.Diamond, segundo peça teatral de Ben Heeht e Charles MaeArthur; F (cor): Jordan S. Cronenweth; M: BilIy May; Mont: Ralph E.Winters; Dir.art.: Henry Bumstead; P: Paul Monash/ MA C/ Universal; I: Jack Lemmon, Walter Matthau, Carol Burnett, Susan Sarandon, Vineent Gardenia, David Wayne, Allen Garfield, Austin Pendleton, Charles Durning, Herbert Edelman, etc.; D: 105 m; CI: xxxx (M/12 anos).

LINHAS TROCADAS (Switching Channels) - R: Ted Kotcheff (EUA, 1987); A: Jonathan Reynolds, segundo «The Front Page», peça teatral de Ben Hecht e Charles MacArthur; F (cor): François Protat; M: Michel Legrand; Mont: Thom Noble; Dir. Art.: Charles Dunlop; P: Martin Ransohoff; I: Kathleen Turner, Burt Reynolds, Christopher Reeves, Ned Beatty, Henry Gibson,etc. D: 110 m; CL: xxx (M/12 anos). 

sexta-feira, abril 03, 2015

Prémios Sophia 2015



PRÉMIOS SOPHIA DO CINEMA PORTUGUÊS 2015

Ontem, 2 de Abril de 2015, no CCB, ficámos a conhecer os vencedores dos Prémio Sophia 2015. Os triunfadores da noite foram "Os Gatos não têm Vertigens" (9 Sophias) e "Os Maias" (7 Sophias). Aqui ficam os prémios por categorias:

Filme: Os Gatos não têm Vertigens, de António-Pedro Vasconcelos (MGN Filmes)
Documentário: E Agora? Lembra-me, de Joaquim Pinto (C.R.I.M. Produções)
Realizador: António-Pedro Vasconcelos, Os Gatos não têm Vertigens
Actor Principal: João Jesus, Os Gatos não têm Vertigens
Actriz Principal: Maria do Céu Guerra, Os Gatos não têm Vertigens
Actor Secundário: João Perry, Os Maias - Cenas da Vida Romântica
Actriz Secundária: Maria João Pinho, Os Maias - Cenas da Vida Romântica
Argumento Original: Tiago Santos, Os Gatos não têm Vertigens
Montagem: Pedro Ribeiro, Os Gatos não têm Vertigens
Fotografia: João Ribeiro, Os Maias - Cenas da Vida Romântica
Música Original: Luís Cília, Os Gatos não têm Vertigens
Canção Original: “Clandestinos do Amor”, de Ana Moura, Os Gatos não têm Vertigens
Som: Vasco Pedroso, Branko Neskov e Elsa Ferreira, Os Gatos não têm Vertigens
Direcção Artística: Silvia Grabowski, Os Maias - Cenas da Vida Romântica
Guarda-Roupa: Sílvia Grabowski, Os Maias - Cenas da Vida Romântica
Maquilhagem e Cabelos: Sano de Perpessac, Os Maias - Cenas da Vida Romântica
Caracterização / Efeitos Especiais: Sano de Perpessac, Os Maias - Cenas da Vida Romântica
Curta-Metragem de Ficção: Encontradouro, de Afonso Pimentel
Curta-Metragem Documentário: O Meu Outro País, de Solveig Nordlund
Curta-Metragem de Animação: Fuligem, de David Doutel e Vasco Sá
Sophia Estudante: Bestas, de Rui Neto e Joana Nicolau

Sophia Carreira: Eunice Muñoz e Luís Miguel Cintra

terça-feira, março 24, 2015

CLÁUDIO MARZO (1941-2015)


(2

segunda-feira, março 23, 2015

TEATRO: PIRANDELO


PIRANDELLO

Afirma a companhia “mala voadora”: “Pirandello” não é um espectáculo de Pirandello. Quer isto dizer: não é uma encenação de uma peça de teatro escrita por Pirandello. E, apesar de o seu nome dar título ao espectáculo, também não se trata de uma biografia do italiano Luigi Pirandello que nasceu em 1867 e morreu em 1936, autor multifacetado e distinguido com o Prémio Nobel da Literatura em 1934. Mas é a história de uma vida que vamos contar – a de um homem inventado por Pirandello no livro “Ele Foi Mattia Pascal”, ou “O Falecido Mattia Pascal”. Na verdade, não é bem essa história, mas uma parecida... Na verdade, a história que a mala voadora vai contar é a de Albano Jerónimo. O Falecido Albano Jerónimo”.
Aparentemente está tudo dito quanto ao texto que se apresenta como “Pirandello”. Tanto podia chamar-se “Pirandello” como “Shakespeare”, “Gil Vicente” ou “José Saramago”. Agarra-se numa obra de um autor, reduz-se a uma anedota, pega-se nessa anedota e constrói-se com ela um espectáculo essencialmente divertido, inventivo, graficamente de boa qualidade, muito bem interpretado e ponto.
Ainda o texto da “mala voadora”: “Pirandello”, um elogio da ficção, é um laboratório de meta-teatralidade em torno de um texto não-dramático do dramaturgo mais meta-teatral do século XX. Sobrepõe-se, ao abismo ficcional que caracteriza o romance, uma meta-teatralidade que não é aquela que Pirandello usa nos seus próprios textos dramáticos, mas uma outra, inventada a partir da narrativa não-dramática”. Com este texto fica-se a perceber o que foi pretendido. Apesar de um certo pretensiosismo de linguagem. Ou seja, o que se tenta é reduzir a narrativa dramática a uma não narrativa não dramática.
Uma visão moderna, sim, moderna, inscrevendo-se numa linha que tem vindo a vingar junto de certos grupos teatrais mais recentes, a estética de “mala voadora” é de uma grande coerência. Quem procura mais do que “espectáculo” não encontra. O vaudeville de Georges Feydeau é muito mais consistente. Aqui, o que funciona é a aparência. Os cenários de José Capela parecem construções de legos, passados pela imaginação de Robert Wilson, são muito bonitos e funcionam muito bem. Guarda-roupa a condizer. Tecnicamente há que dizer que tudo rola eficazmente, luz, som, etc. A interpretação é muito boa, quase não apetecendo sublinhar ninguém, ainda que Albano Jerónimo e Custódia Gallego o possam merecer, mas a verdade é que Anabela Almeida, David Cabecinha, David Pereira Bastos, Marco Paiva, Maria Ana Filipe, Mónica Garnel, Tânia Alves e Joana Costa Santos vão muito bem no registo escolhido. A encenação de Jorge Andrade é realmente muito imaginativa, cheia de achados de linguagem e de situações, o que transforma “Pirandello” num passatempo que se vê bem e se desfruta como uma taça de champanhe. A metáfora, porém, não funciona com todos. Eu, por exemplo, não gosto de champanhe, o que não quer dizer que não tenha gostado de ver o espectáculo. Mas chamar-lhe “Pirandello”, custa um bocado…

PIRANDELO

a partir de “Ele Foi Mattia Pascal”, de Luigi Pirandello; dramaturgia Jorge Andrade com David Cabecinha, Fernando Villas-Boas; direcção Jorge Andrade; cenografia José Capela com edição de imagem de António MV e José Carlos Duarte; figurinos José Capela; desenho de luz João d’Almeida; banda sonora Rui Lima e Sérgio Martins com a participação de alunos da Escola de Música do Conservatório Nacional; cabelos Carla Henriques; interpretação: Albano Jerónimo, Anabela Almeida, Custódia Gallego, David Cabecinha, David Pereira Bastos, Marco Paiva, Maria Ana Filipe, Mónica Garnel, Tânia Alves e Joana Costa Santos; produção mala voadora Manuel Poças e Joana Costa Santos; assessoria gestão/programação mala voadora: Vânia Rodrigues; coprodução TNDM II, Mala Voadora; M/12 anos; duração: 90 minutos; de 12 de Março a 4 de Abril de 2015.

segunda-feira, março 09, 2015

PRÉMIOS SOPHIA DO CINEMA PORTUGUÊS 2015



PRÉMIOS SOPHIA DO CINEMA PORTUGUÊS 2015

NOMEADOS

Melhor Curta-Metragem Documentário

À Beira Da Europa de Bernardo Cabral
Le Boudin de Salomé Lamas
Luz Clara de Miguel Lima e Vasco Vieira
O Meu Outro País De Solveig Nordlund  
Melhor Curta-Metragem de Animação
20 Desenhos e Um Abraço de José Miguel Ribeiro
O Canto dos 4 Caminhos de Nuno Amorim
Foi o Fio de Patrícia Figueiredo
Fuligem de David Doutel e Vasco Sá 
Melhor Curta-Metragem de Ficção:
Cinema de Rodrigo Areias
Coro dos Amantes de Tiago Guedes; 
Encontradouro de Afonso Pimentel; 
Miami De Simão Cayatte; 
Os Sonâmbulos de Patrick Mendes; 
Melhor Documentário em Longa - Metragem:
Guerra ou Paz de Rui Simões – Real Ficção; 
Fado Camané de Bruno de Almeida - BA Filmes; 
E Agora? Lembra-me de Joaquim Pinto – C.R.I.M. Produções; 
Alentejo Alentejo de Sérgio Tréfaut – Faux;   
Melhor Canção Original:
Fora da Lei" versão rock, interpretado pelos Criança Queimada – Nirvana; 
“Unforgettable”, letra e interpretação de Daniela Galbin – Pecado Fatal;
“Clandestinos do Amor” de Ana Moura – Os Gatos não têm Vertigens;
“Seta” de André Sardet e Mayra Andrade – Sei Lá;  
Melhor Banda Sonora Original:
Nuno Maló - Doce Amargo Amor; 
Filipe Coutinho – Pecado Fatal; 
Luís Cília – Os Gatos não têm Vertigens; 
José M. Afonso – Sei Lá;  
Melhor Som:
Hugo Leitão e Branko Neskov – O Grande Kilapy; 
Vasco Pedroso, Branko Neskov e Elsa Ferreira – Os Gatos não têm Vertigens; 
Pedro Melo e Branko Neskov – Getúlio; 
Jorge Saldanha – Os Maias;  
Melhor Montagem:
Rodrigo Pereira, Rui Alexandre Santos – A Vida Invisível; 
Pedro Ribeiro – Os Gatos não têm Vertigens; 
Pedro Ribeiro – Sei Lá; 
João Braz – Os Maias;  
Melhor Maquilhagem e Cabelos:
Sano de Perpessac – O Grande Kilapy; 
Susana Correia e Fátima Vieira – Os Gatos não têm Vertigens; 
Iris Peleira, Mário Leal – Variações de Casanova; 
Sano de Perpessac – Os Maias;  
Melhor Guarda-Roupa:
Teresa Campos – O Grande Kilapy; 
Os Burgueses – Os Gatos não têm Vertigens; 
Lucha d’Orey – Variações de Casanova; 
Silvia Grabowski  – Os Maias;  
Melhor Caracterização / Efeitos especiais:
Sano de Perpessac - O Grande Kilapy; 
Sandra Pinto – Eclipse em Portugal; 
Iris Peleira – Cadências Obstinadas; 
Sano de Perpessac – Os Maias;  
Melhor Direcção Artística:  
João Torres – O Grande Kilapy; 
João Torres – Os Gatos não têm Vertigens; 
Isabel Branco – Variações de Casanova; 
Silvia Grabowski – Os Maias;  
Melhor Direcção de Fotografia:
Leonardo Simões – A Vida Invisível; 
José António Loureiro – Os Gatos não têm Vertigens; 
André Szankowski – Cadências Obstinadas; 
João Ribeiro – Os Maias;  
Melhor Argumento Original:
Luís Alvarães e Luís Carlos Patraquim - O Grande Kilapy; 
Vítor Gonçalves, Jorge Braz, Mónica Santana Baptista - A Vida Invisível;
Tiago Santos – Os Gatos não têm Vertigens; 
Frederico Pombares, Henrique Dias e Roberto Pereira – Virados do Avesso;  
Melhor Atriz Secundária:
Fernanda Serrano – Os Gatos não têm Vertigens; 
Maria João Pinho – Os Maias; 
São José Correia - O Grande Kilapy; 
Silvia Rizzo - O Grande Kilapy;  
Melhor Ator Secundário:
João Perry – Os Maias; 
Manuel Wiborg - O Grande Kilapy; 
Nicolau Breyner – Os Gatos não têm Vertigens; 
Pedro Inês – Os Maias;  
Melhor Realizador:
Zézé Gamboa - O Grande Kilapy; 
Vítor Gonçalves – A Vida Invisível; 
António-Pedro Vasconcelos – Os Gatos não têm Vertigens; 
João Botelho – Os Maias;  
Melhor Atriz Principal:
Leonor Seixas – Sei Lá; 
Maria do Céu Guerra – Os Gatos não têm Vertigens; 
Maria João Pinho – A Vida Invisível; 
Sara Barros Leitão – Pecado Fatal;  
Melhor Ator Principal:
Filipe Duarte – A Vida Invisível;   
Graciano Dias – Os Maias
João Jesus – Os Gatos não têm Vertigens
João Lagarto – O Grande Kilapy 
Melhor Filme
A Vida Invisível – Rosa Filmes
O Grande Kilapy – David&Golias
Os Gatos não têm Vertigens – MGN Filmes
Os Maias - Cenas da Vida Romântica – Ar de Filmes

segunda-feira, fevereiro 23, 2015

OSCARS DE 2015 . OS VENCEDORES


OS OSCARS DE 2015

Se se pode falar de grandes vencedores, eles serão “Birdman”, quatro Oscars, “The Grand Budapest Hotel”, quatro Oscars, mas mais técnicos, “Whiplash” com três Oscars. O resto, tudo muito bem diversificado, e quase sem surpresas. Talvez uma, “Boyhood” apenas com um Oscar. Aqui ficam os vencedores de uma noite agradável como espectáculo, e sem suspense.  

Melhor Filme
Birdman ou (The Unexpected Virtue of Ignorance) (Alejandro G. Iñárritu, John Lesher e James W. Skotchdopole)

Melhor Realizador
Alejandro G Inárritu (Birdman)

Melhor Actor
Eddie Redmayne (The Theory of Everything)

Melhor Actriz
Julianne Moore (Still Alice)

Melhor Actor Secundário
JK Simmons (Whiplash)

Melhor Actriz Secundária
Patricia Arquette (Boyhood)

Melhor Argumento Adaptado
The Imitation Game (Graham Moore)

Melhor Argumento Original
Birdman (Alejandro Gonzalez Inarritu, Nicolas Giacobone, Alexander Dinelaris Jr, Armando Bo)

Melhor Fotografia
Birdman (Emmanuel Lubezki)

Melhor Montagem
Whiplash – Tom Cross

Melhor Música Original
Alexandre Desplat – The Grand Budapest Hotel

Melhor Canção
"Glory" from Selma – John Stephens e Lonnie Lynn

Melhor Guarda-roupa
Milena Canonero (The Grand Budapest Hotel)

Melhor Design de Produção
The Grand Budapest Hotel – Adam Stockhausen (Design de produção); Anna Pinnock (Decoração)

Melhor Maquilhagem e Cabeleireiro
The Grand Budapest Hotel – Frances Hannon e Mark Coulier

Melhores Efeitos Visuais
Interstellar – Dan DeLeeuw, Russell Earl, Bryan Grill e Dan Sudick

Melhor Montagem Sonora
American Sniper (Alan Robert Murray e Bub Asman)

Melhor Mistura Sonora
Whiplash (Craig Mann, Ben Wilkins e Thomas Curley)

Melhor Filme Estrangeiro
Ida (Pawel Pawlikowski, Polónia)

Melhor Filme de Animação
Big Hero 6 (Don Hall, Chris Williams e Roy Conli)

Melhor Curta-Metragem  de Animação
Feast (Patrick Osborne e Kristina Reed)

Melhor Documentário – Longa-Metragem
CitizenFour (Laura Poitras, Mathilde Bonnefoy e Dirk Wilutzky)

Melhor Documentário - Curta-Metragem
Crisis Hotline: Veterans Press 1 (Ellen Goosenberg Kent e Dana Perry)

Melhor Curta-Metragem – Ficção Imagem Real

The Phone Call (Mat Kirkby e James Lucas)