sábado, outubro 27, 2018

SOBRE O BRASIL

O OVO DA SERPENTE
Foi Ingmar Bergman quem realizou um filme primoroso sobre a ascensão do nazismo na Alemanha. Chamava-se “O Ovo da Serpente”. “Cabaret”, de Bob Fosse, é outro excelente exemplo do mesmo tema. Há dezenas de outros filmes que nos ajudaram a compreender como Hitler chegou ao poder, inicialmente de forma legal, através de eleições livres.
Hitler tornou-se o primeiro Führer und Reichskanzler (Chefe e Chanceler do Reino), em 1934. Mas a sua ascensão iniciou-se em 1919, quando aderiu ao partido Deutsche Arbeiterpartei (DAP - Partido dos Trabalhadores Alemães), que um ano depois, seria o Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei - NSDAP (Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, ou Partido Nazi). Depois foi sempre a somar. Nas eleições de 1928, os nazis tiveram apenas 12 lugares no Reichstag. Mas, após a crise de 29, em 1930, já contavam 107 deputados e, em novas eleições, em 1932, eram o maior partido alemão com 230 lugares. Apesar disso, Hindenburg, o chanceler na época, recusou-se a dar todo o poder a Hitler. Mas este, através de conspirações e arranjos políticos, conseguiu chegar ao poder absoluto em 1934. Antes, na noite de 27 de fevereiro de 1933, o incêndio no Reichstag, atribuído aos comunistas, muito terá contribuído para consolidar as posições extremistas de Hitler. Mas não só. A Alemanha, saída dos “loucos anos 20”, oferecia um conjunto de circunstâncias muito férteis para o aparecimento de uma ditadura, implantada por força da vontade da maioria do povo, humilhado com as condições impostos internacionalmente pelo tratado de Versalhes (1919) aos derrotados da I Guerra Mundial. O descontentamento popular baseava-se num clima de grande instabilidade social, a crise de 1929, a falta de emprego, a agitação política provocado por partidos e grupúsculos de esquerda e extrema esquerda, o medo da revolução comunista e do caos anarquista, tudo isso ajudou a criar um clima propenso ao aparecimento de uma força autoritária que impusesse ordem e respeito no seio da sociedade germânica. Vamos mesmo mais longe, os excessos dos “anos loucos” ao nível dos costumes, das artes e de um certo deboche moral ajudaram à festa.
O incêndio do Reichstag, quer tenha sido ou não obra de comunistas, caiu como “sopa no mel” das aspirações de Hitler. Milhares de comunistas, socialistas, anarquistas foram enviados para o campo de concentração de Dachau. Os nazis aproveitaram a onda e dizimaram tudo o que ostentava ainda algum resquício de democracia. Foram proibidos todos os partidos, excepto obviamente Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, que passou a ser “partido único”, por decreto de 14 de Julho de 1933 que rezava assim: “Aquele que tentar manter ou formar um novo partido será punido com trabalhos forçados por três anos ou com prisão de seis meses a três anos, se a ação não estiver sujeita a penalidade maior, em conformidade com outros regulamentos. ” Perfeito. Podia começar a limpeza étnica, a perseguição a judeus, ciganos, negros, eslavos, gays, comunistas, socialistas, democratas em geral. Os campos de extermínio estavam ao virar da esquina e Hitler era ovacionado por milhões por onde passava (é bom não esquecer isto, veja-se “O Triunfo da Vontade”, de Leni Riefenstahl).
Obviamente que no final da guerra, mesmo os vizinhos dos campos de extermínio juraram a pés juntos que não sabiam de nada, que nunca ouviram falar em torturas e que Hitler, bem Hitler quem seria? Uns obedeciam a ordens que ninguém dava, outros quando iam às grandes manifestações era porque jogava o Bayern.
Não sei o que mais abomino, se ditadores que se impuseram por golpes de estado ou guerras civis se por eleição popular. Obviamente que os segundos jogam (de início) de acordo com as regras democráticas e estão, por isso, legitimados por quem acredita na democracia. Eu acredito. É um regime péssimo, mas todos os outros são muito piores.
Mas eu prezo muito a liberdade, por isso custa-me a acreditar que existam milhões que, em nome do que quer que seja, troquem a liberdade pela ditadura. Eu sei que o exercício da liberdade é difícil. É muito mais fácil ter alguém que nos diga qual o caminho, que nos coloque vendas nos olhos e nos obrigue a ir por aí (“Não, não vou por aí”, bem dizia José Régio num poema belíssimo). A liberdade obriga a escolhas sistemáticas, a um olhar crítico, a pensar, a optar por A ou B.
Mais simples é entregarmo-nos aos desígnios do Senhor, qualquer que ele seja, desde que tenha autoridade, autoridade essa que é sempre imposta pelo medo. Por isso se compreende que quando cai um regime fascista haja tantos eleitores seduzidos por um arauto comunista. Ambos oferecem um chefe forte, mesmo que de sinal contrário.
O que acontece agora no Brasil pode ser mais um exemplo medonho deste estado de espírito. Compreendo que a escolha entre os dois candidatos seja difícil. O PT de Lula tem muita responsabilidade sobre o que está a acontecer. O PT tem mais responsabilidades porque ludibriou os brasileiros que estavam com Lula numa percentagem de 80%. Mas a verdade também é que o PT não fez nem mais nem menos que todos os outros partidos brasileiros até aí. A política do Brasil sempre esteve baseada na corrupção. Era um dado aceito por (quase) todos. As dezenas de pequenos partidos que existiam (e existem) mais não serviam do que para serem comprados. As grandes empresas sempre estiveram ligadas ao poder. Nada disto era novidade, quando a direita resolveu puxar o tapete a Lula e ao PT. Depois estes responderam na mesma moeda e foi o que se viu: (quase) toda a gente foi parar à cadeia. E daí emergiu a figura de Bolsonaro, esgrimindo a luta contra a corrupção, o elogio da segurança com armas para todos, o racismo, de negros a índios, a misoginia, a ameaça à liberdade da comunicação social, o dedo apontado a todos os adversários políticos.

Adoro o Brasil que tão bem conheci entre 1980 e 2010. Terra fértil e linda, cheia de gente boa, talentosa em todos os campos. Temo pelo que possa acontecer a essa gente, mesmo a muitos que vão votar no desconhecido só porque querem mudar. Mas depois não digam que não sabiam de nada. Bolsonaro não podia ser mais directo, nem menos ambíguo.  


AINDA O BRASIL
Um país com quase 210 milhões de habitantes só consegue arranjar dois candidatos (finais) a Presidente da República como Bolsonaro e Haddad? Estranho. Interessante tentar perceber como se chegou aqui. Vejamos: Bolsonaro representa uma parte muito significativa do Brasil que está farto de toda a política que viveu até agora, farto dos partidos de “arco governativo”, que foram corruptos, que conduziram o país nos últimos anos a uma situação insustentável a vários níveis. Do outro lado, Haddad é o representante de um Presidente que está na cadeia e que muitos brasileiros pensam que iria comandar o Brasil por detrás das grades (antes de ter sido amnistiado, possivelmente). A escolha não é brilhante, portanto. Tanto mais que Haddad é objectivamente um candidato medíocre, não tem carisma, não se independentizou suficientemente em relação a Lula, não tem voz própria, e nem sequer tem voz física para se impor, não tem força no seu discurso, todo o contrário de Bolsonaro. Parece que ambas as candidaturas se notabilizaram (e irmanaram) apenas pela difusão de “fake news” tão na moda. Pelo menos é o que consta.
Como chegámos aqui? Como é possível que num país tão grande e tão poderoso como este não se encontre meia dúzia de justos democratas, credíveis e carismáticos, tanto faz que fossem de centro direita ou de centro esquerda, para surgirem a disputar o primeiro lugar. Isso só quer dizer que quem tem as mãos limpas não as quer sujar. O que dá bem ideia da situação a que se chegou.
Se julgamos que essa situação é o grau zero da política, podemos ter alguma razão. Mas existe uma ameaça abaixo deste grau zero. Ganhe quem ganhar no domingo, o que acontecerá segunda feira? Ou mais adiante, no início do ano, quando o Presidente eleito tomar posse. Raras vezes se viu um país tão dividido e com tamanho ódio de parte a parte. As guerras civis começam assim, e se tal não acontecer, como se deseja ardentemente, pelos menos os confrontos, mais ou menos armados, não serão de excluir. De parte a parte, quem perder não se quer render, nem aceitar os resultados como definitivos. Os dados estão lançados e fazem-se votos para que prevaleça o bom senso e se aguarde o mais serenamente possível o que o futuro nos trará. 
A verdade é que no caso destas eleições, tudo o que poderia correr mal, correu mal, ou pior ainda. Acreditemos que a partir de agora o que se pensa vir a correr mal, possa afinal correr melhor do que o esperado. O Brasil não merece o que lhe está a acontecer, muito embora sejam os seus habitantes a escolheram o futuro. 
Como chegámos aqui? Como é possível que num país tão grande e tão poderoso como este não se encontre meia dúzia de justos democratas, credíveis e carismáticos, tanto faz que fossem de centro direita ou de centro esquerda, para surgirem a disputar o primeiro lugar. Isso só quer dizer que quem tem as mãos limpas não as quer sujar. O que dá bem ideia da situação a que se chegou.
Se julgamos que essa situação é o grau zero da política, podemos ter alguma razão. Mas existe uma ameaça abaixo deste grau zero. Ganhe quem ganhar no domingo, o que acontecerá segunda feira? Ou mais adiante, no início do ano, quando o Presidente eleito tomar posse. Raras vezes se viu um país tão dividido e com tamanho ódio de parte a parte. As guerras civis começam assim, e se tal não acontecer, como se deseja ardentemente, pelos menos os confrontos, mais ou menos armados, não serão de excluir. De parte a parte, quem perder não se quer render, nem aceitar os resultados como definitivos. Os dados estão lançados e fazem-se votos para que prevaleça o bom senso e se aguarde o que o futuro nos trará.  
A verdade é que no caso destas eleições, todo o que poderia correr mal, correu mal, ou pior ainda. Acreditemos que a partir de agora o que se pensa vir a correr mal, possa afinal correr melhor do que o esperado. O Brasil não merece o que lhe está a acontecer, muito embora sejam os seus habitantes a escolheram o futuro. Acredito bastante que haverá muitos que escolham o exílio. Se “Deus é brasileiro” era bom que desse acordo de si nesta altura. 

sexta-feira, julho 13, 2018

LAURA SOVERAL



LAURA SOVERAL

Querida Laura, foste minha colega na faculdade, e minha amiga desde então. Foste uma das melhores actrizes portuguesas durante décadas, o que ficou registado nalguns filmes que tornaste inesquecíveis. Honro-me de te ter convidado para integrar os Júris de Festivais que dirigi, em Famalicão, Seia e Portel. E não esqueci homenagear-te no Famafest 2009, com a Pena de Camilo. Sinto a tua falta com uma tristeza infinita. Não sei se nos voltaremos a cruzar, ou se cada um parte para a terra de ninguém. Mas tu ficarás para sempre na História de Portugal. Como actriz e como pessoa. Um beijo de dolorosa despedida. 


Na foto de cima, os homenageados do Famafest em 2009: 
Mário Claudio, Laura Soveral e Susana Borges.
Na foto de baixa, no Cine Eco, como jurada. 

LIVROS DE CINEMA: OS CINCO MAGNIFICOS


    
   
   LIVROS DE CINEMA: OS CINCO MAGNIFICOS

Não é segredo para ninguém que sou um leitor compulsivo. Leio um pouco de tudo, do romance (nacional e estrangeiro) ao ensaio, da poesia à biografia, do policial à literatura sobre cinema. Sou um homem de paixões, entre as quais se encontram o cinema e a literatura (há outras, um dia falarei delas, enfim se tiver tempo, arte e engenho). Escrever é outra das minhas actividades preferidas, sobretudo escrever sobre o que gosto (às vezes sobre o que desgosto). Por isso não será de estranhar estes textos largamente desenvolvidos em que abuso da atenção e da paciência do leitor, mas, que querem?, paixões são assim: absorventes.
Tenho, por isso uma biblioteca imensa que, por já não caber em casa resolvi oferecer ao município de Setúbal, depois de ter tentado fazer a mesma oferta a Oeiras, sem resultados práticos. Grande parte desta biblioteca, que já estimaram em 80.000 volumes, é relativa a obras sobre cinema. Dos mais de 30.000 livros de cinema que conservo (é verdade: acusam-me de conservar tudo, defeito de quem tem uma formação em História), muitos são simplesmente de consulta, outros são raridades históricas, outras inutilidades de que não sou capaz de prescindir, e uma centenas de obras indispensáveis. Há livros de crítica de mestre André Bazin, de François Truffaut (sobre Hitchcock), de Lindsay Anderson (sobre John Ford), autobiografias de John Huston, de Luis Buñuel, de Roman Polanski, ensaios de Karel Reiz (sobre montagem), de Eisenstein e Pudovkin (sobre a época de ouro do cinema soviético), de Peter Bogdanovich (sobre Ford), de Marcel Martin (A Linguagem Cinematográfica), que tive o privilégio de traduzir para português, conjuntamente com o saudoso Vasco Granja, entre tantos e tantos outros.
Em português também há alguma coisa a sublinhar, apesar de imperar ultimamente um intelectualismo farfalhudo de quem se dá ares de grande importância. Esquecem-se que o mais importante (e difícil) é abordar temas complexos de forma acessível. Esquecem-se, ou nunca souberam, concretizar a ideia. Mas há volumes muito interessantes. António de Macedo foi autor de uma monumental “A Evolução Estética do Cinema” que ficou para a História. E os Dicionários do Jorge Leitão Ramos, e a grande história do cinema português de Leonor Areal. E existem muitas traduções magnificas a não perder.
O que voltou a acontecer agora. Surgiu uma obra de grande envergadura e de uma importância significativa: “Os Cinco Magníficos” (Five Came Back), de Mark Harris. Quem são os cinco magníficos? John Ford, George Stevens, John Huston, William Wyler e Frank Capra, na medida em que estes foram os cineastas essenciais para o percurso histórico que o livro aborda.
A América de Roosevelt defronta em dilema interno profundo no final da década de 30 do século passado e início da seguinte se agudizou: entrar ou não entrar na II Guerra Mundial, ser isolacionista ou participativo. Para mostrar que os EUA devem intervir na Europa para defender a democracia e a liberdade, a presidência Roosevelt solicitou a colaboração de Hollywood, chamando para as fileiras das forças armadas, alguns realizadores e técnicos para conceberem um conjunto de filmes para explicar essencialmente “Why We Fight” (nome da principal série dedicada a mostrar aos americanos porque devem lutar contra a ameaça das tropas do Eixo). A situação não era muito agradável para os que defendiam a intenção, até ao momento do ataque de Pearl Harbor. A partir daí os americanos perceberam que tanto Hitler como Mussolini ou o Imperador Hiroito podiam invadir a terra americano.
John Ford, George Stevens, John Huston, William Wyler e Frank Capra eram, na altura, os mais importantes e bem-sucedidos realizadores de Hollywood. Todos saídos de grandes êxitos e com carreiras promissoras e aceitaram deixar os ordenados de luxo, para integrarem a vida militar, com viagem aos cenários de guerra, onde arriscaram as vidas, e quase nada ganhando economicamente.
“Os Cinco Magníficos” é um estudo e uma análise da sociedade e da política norte americana desses anos, da sua articulação com a propagando militar oficial (segundo a hierarquia militar) e com o cinema de Hollywood alistado numa acção patriótica. Confrontos, dúvidas, esperanças, desilusões, coragem e lições de sobrevivência, de tudo um pouco se pode perceber um pouco, através de uma linguagem acessível, onde a complexidade das questões não interfere com a acessibilidade da mensagem.
A obra já foi adaptada, em 2017, para uma série documental de 3 episódios, produzida pela Netflix, narrado por Meryl Streep com testemunhos de Francis Ford Coppola, Guillermo del Toro, Paul Greengrass, Lawrence Kasdan e Steven Spielberg.
Os Cinco Magnificos, de Mark Harris / Edições 70.

domingo, maio 13, 2018

FESTIVAL DA CANÇÃO 2018


EUROVISÃO 2018
O Festival da Eurovisão terminou com Portugal no seu melhor e no seu pior. O melhor teve a ver com a (impecável) organização que transformou todo o festival numa das melhores edições desta iniciativa. Tudo correu bem, e (quase) tudo se ficou a dever a profissionais portugueses. Os cenários globais, a realização televisiva, o ritmo, o equilíbrio entre o espectáculo (que se impõe num empreendimento como este) e o bom gosto geral, os apontamentos sobre terras e costumes portugueses, as quatro apresentadoras, os comentários em off, tudo com peso e medida. Obviamente que o cenário de cada canção era criado de acordo com cada concorrente. Claro que a organização portuguesa nada teve a ver com a qualidade e interesse dos temas musicais, mas mesmo neste aspecto esta edição de 2018 esteve vários furos acima do que era normal, antes de 2017. Depois imperou a diversidade, o que contrastou (ainda bem!) com a pimbalheira dominante durante algumas décadas. O pior, a canção portuguesa que “ganhou” um justíssimo último lugar (ainda por cima a jogar em casa).
Quanto às classificações, cada uma e cada um vota no que gosta. Como circulava nos bastidores que a única canção que não podia ganhar era a de Israel (por causa da segurança na realização do festival de 2019), ficamos à espera para ver como vai ser.
O que já vimos, no entanto, é que somos tão bons como os melhores. Com boas canções ganhamos, com profissionais competentes (e orçamentos condignos) concretizamos eventos de qualidade internacional. Destroçando toda a negatividade dos velhos do Restelo. Parabéns RTP!

segunda-feira, março 05, 2018

OSCARS 2018




OSCARS 2018

E os Oscars foram para (todas as nomeações e os vencedores a vermelho):

Best Picture:
“Call Me by Your Name”
“Darkest Hour”
“Dunkirk”
“Get Out”
“Lady Bird”
“Phantom Thread”
“The Post”
“The Shape of Water”
“Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”

Lead Actor:
Timothée Chalamet, “Call Me by Your Name”
Daniel Day-Lewis, “Phantom Thread”
Daniel Kaluuya, “Get Out”
Gary Oldman, “Darkest Hour”
Denzel Washington, “Roman J. Israel, Esq.”

Lead Actress:
Sally Hawkins, “The Shape of Water”
Frances McDormand, “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”
Margot Robbie, “I, Tonya”
Saoirse Ronan, “Lady Bird”
Meryl Streep, “The Post”

Supporting Actor:
Willem Dafoe, “The Florida Project”
Woody Harrelson, “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”
Richard Jenkins, “The Shape of Water”
Christopher Plummer, “All the Money in the World”
Sam Rockwell, “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”

Supporting Actress:
Mary J. Blige, “Mudbound”
Allison Janney, “I, Tonya”
Lesley Manville, “Phantom Thread”
Laurie Metcalf, “Lady Bird”
Octavia Spencer, “The Shape of Water”

Director:
“Dunkirk,” Christopher Nolan
“Get Out,” Jordan Peele
“Lady Bird,” Greta Gerwig
“Phantom Thread,” Paul Thomas Anderson
“The Shape of Water,” Guillermo del Toro

Animated Feature:
“The Boss Baby,” Tom McGrath, Ramsey Ann Naito
“The Breadwinner,” Nora Twomey, Anthony Leo
“Coco,” Lee Unkrich, Darla K. Anderson
“Ferdinand,” Carlos Saldanha
“Loving Vincent,” Dorota Kobiela, Hugh Welchman, Sean Bobbitt, Ivan Mactaggart, Hugh Welchman

Animated Short:
“Dear Basketball,” Glen Keane, Kobe Bryant
“Garden Party,” Victor Caire, Gabriel Grapperon
“Lou,” Dave Mullins, Dana Murray
“Negative Space,” Max Porter, Ru Kuwahata
“Revolting Rhymes,” Jakob Schuh, Jan Lachauer

Adapted Screenplay:
“Call Me by Your Name,” James Ivory
“The Disaster Artist,” Scott Neustadter & Michael H. Weber
“Logan,” Scott Frank & James Mangold and Michael Green
“Molly’s Game,” Aaron Sorkin
“Mudbound,” Virgil Williams and Dee Rees


Original Screenplay:
“The Big Sick,” Emily V. Gordon & Kumail Nanjiani
“Get Out,” Jordan Peele
“Lady Bird,” Greta Gerwig
“The Shape of Water,” Guillermo del Toro, Vanessa Taylor
“Three Billboards Outside Ebbing, Missouri,” Martin McDonagh

Cinematography:
“Blade Runner 2049,” Roger Deakins
“Darkest Hour,” Bruno Delbonnel
“Dunkirk,” Hoyte van Hoytema
“Mudbound,” Rachel Morrison
“The Shape of Water,” Dan Laustsen

Best Documentary Feature:
“Abacus: Small Enough to Jail,” Steve James, Mark Mitten, Julie Goldman
“Faces Places,” JR, Agnès Varda, Rosalie Varda
“Icarus,” Bryan Fogel, Dan Cogan
“Last Men in Aleppo,” Feras Fayyad, Kareem Abeed, Soren Steen Jepersen
“Strong Island,” Yance Ford, Joslyn Barnes

Best Documentary Short Subject:
“Edith+Eddie,” Laura Checkoway, Thomas Lee Wright
“Heaven is a Traffic Jam on the 405,” Frank Stiefel
“Heroin(e),” Elaine McMillion Sheldon, Kerrin Sheldon
“Knife Skills,” Thomas Lennon
“Traffic Stop,” Kate Davis, David Heilbroner

Best Live Action Short Film:
“DeKalb Elementary,” Reed Van Dyk
“The Eleven O’Clock,” Derin Seale, Josh Lawson
“My Nephew Emmett,” Kevin Wilson, Jr.
“The Silent Child,” Chris Overton, Rachel Shenton
“Watu Wote/All of Us,” Katja Benrath, Tobias Rosen

Best Foreign Language Film:
“A Fantastic Woman” (Chile)
“The Insult” (Lebanon)
“Loveless” (Russia)
“On Body and Soul (Hungary)
“The Square” (Sweden)

Film Editing:
“Baby Driver,” Jonathan Amos, Paul Machliss
“Dunkirk,” Lee Smith
“I, Tonya,” Tatiana S. Riegel
“The Shape of Water,” Sidney Wolinsky
“Three Billboards Outside Ebbing, Missouri,” Jon Gregory

Sound Editing:
“Baby Driver,” Julian Slater
“Blade Runner 2049,” Mark Mangini, Theo Green
“Dunkirk,” Alex Gibson, Richard King
“The Shape of Water,” Nathan Robitaille, Nelson Ferreira
“Star Wars: The Last Jedi,” Ren Klyce, Matthew Wood

Sound Mixing:
“Baby Driver,” Mary H. Ellis, Julian Slater, Tim Cavagin
“Blade Runner 2049,” Mac Ruth, Ron Bartlett, Doug Hephill
“Dunkirk,” Mark Weingarten, Gregg Landaker, Gary A. Rizzo
“The Shape of Water,” Glen Gauthier, Christian Cooke, Brad Zoern
“Star Wars: The Last Jedi,” Stuart Wilson, Ren Klyce, David Parker, Michael Semanick

Production Design:
“Beauty and the Beast,” Sarah Greenwood; Katie Spencer
“Blade Runner 2049,” Dennis Gassner, Alessandra Querzola
“Darkest Hour,” Sarah Greenwood, Katie Spencer
“Dunkirk,” Nathan Crowley, Gary Fettis
“The Shape of Water,” Paul D. Austerberry, Jeffrey A. Melvin, Shane Vieau

Original Score:
“Dunkirk,” Hans Zimmer
“Phantom Thread,” Jonny Greenwood
“The Shape of Water,” Alexandre Desplat
“Star Wars: The Last Jedi,” John Williams
“Three Billboards Outside Ebbing, Missouri,” Carter Burwell

Original Song:
“Mighty River” from “Mudbound,” Mary J. Blige
“Mystery of Love” from “Call Me by Your Name,” Sufjan Stevens
“Remember Me” from “Coco,” Kristen Anderson-Lopez, Robert Lopez
“Stand Up for Something” from “Marshall,” Diane Warren, Common
“This Is Me” from “The Greatest Showman,” Benj Pasek, Justin Paul

Makeup and Hair:
“Darkest Hour,” Kazuhiro Tsuji, David Malinowski, Lucy Sibbick
“Victoria and Abdul,” Daniel Phillips and Lou Sheppard
“Wonder,” Arjen Tuiten

Costume Design:
“Beauty and the Beast,” Jacqueline Durran
“Darkest Hour,” Jacqueline Durran
“Phantom Thread,” Mark Bridges
“The Shape of Water,” Luis Sequeira
“Victoria and Abdul,” Consolata Boyle

Visual Effects:
“Blade Runner 2049,” John Nelson, Paul Lambert, Richard R. Hoover, Gerd Nefzer
“Guardians of the Galaxy Vol. 2,” Christopher Townsend, Guy Williams, Jonathan Fawkner, Dan Sudick
“Kong: Skull Island,” Stephen Rosenbaum, Jeff White, Scott Benza, Mike Meinardus
“Star Wars: The Last Jedi,”  Ben Morris, Mike Mulholland, Chris Corbould, Neal Scanlan
“War for the Planet of the Apes,” Joe Letteri, Dan Lemmon, Daniel Barrett, Joel Whist

quarta-feira, fevereiro 28, 2018

DUNKIRK



DUNKIRK

A chamada batalha de Dunquerque decorreu durante a II Guerra Mundial, em território francês. Tropas francesas, inglesas, belgas, entre outras, ficaram isoladas e encurraladas pelo avanço nazi na costa de Dunquerque, entre finais de Maio e o dia 4 de Junho de 1940. Esta batalha teve um desfecho trágico, pelo número de baixas que se verificaram, sobretudo do lado dos Aliados, mas a conclusão é complexa e contraditória: pode falar-se, de um lado e do outro, de vitória e derrota. Os Aliados tiveram de retirar numa situação não muito heroica, mas essa retirada acaba por ser uma vitória, pois evita a morte de quase 350.000 militares, de entre os mais de 400.000 que ali se encontravam concentrados, à mercê do avanço da infantaria alemã e dos raids da Luftwaffe. Por outro lado, os nazis conseguiram expulsar da região aquele contingente de tropas militares inimigas, mas acabaram por sentirem frustrados os seus intentos, pois a grande maioria deles escapou numa operação naval de grande fôlego, desencadeada pelo Reino Unido, sob o comando persistente de Winston Churchill (veja-se o filme “Darkest Hour”, que explica bem a génese desta iniciativa).
Perante o quadro existente na altura (400.000 militares encurralados e à espera de uma morte anunciada, numa praia do norte de França), duas atitudes se colocavam aos altos dirigentes políticos e militares ingleses: ou tornam aqueles militares vítimas indefesas dos nazis, dada a dificuldade de os defender ou tentam evacuá-los numa perspectiva quase suicida, quer para os encurralados, quer para os que os iriam tentar libertar. Optou-se pela última solução, enviando para Dunquerque vários navios de guerra, mas igualmente centenas de pequenas embarcações de pesca ou de recreio, que partiram do porto de Dover, sob o comando do vice-almirante Bertram Ramsay. A esta operação foi dado o nome de Dinamo.
É este o quadro do último filme de Christopher Nolan, que foi nomeado para oito Oscars, entre os quais o de Melhor Filme e Melhor Realizador. 
Christopher Nolan é um dos realizadores norte-americanos mais interessante entre os revelados já no século XXI. Norte-americano por quase toda a sua obra ser produzida e realizada em estúdios de Hollywood, apesar da sua naturalidade ser inglesa (nasceu em Londres a 30 de Julho de 1970). Mas já assinou títulos notáveis e de grande originalidade, como “Memento” (2000), “Insónia” (2002), “Batman, o Início” (2005), “O Terceiro Passo” (2006), O Cavaleiros das Trevas (2008), “A Origem” (2010), “O Cavaleiro das Trevas Renasce” (2012) ou “Interstellar” (2014), todos anteriores a “Dunkirk” (2017). Uma conclusão se pode desde logo retirar deste conjunto de obras: o seu autor consegue conciliar com extremo equilíbrio o sucesso comercial e o rigor de um verdadeiro autor, com uma temática própria e um gosto facilmente identificável de uma narrativa original, jogando sobretudo com o factor tempo (ou com tempos diversos).
“Dunkirk” é um filme brilhante sob diversos pontos de vista. Transformar uma retirada estratégica num acto heroico é conseguido de forma notável. Não há praticamente heróis individuais, há uma força colectiva que se movimenta, nas praias de Dunquerque ou nas águas do canal da Mancha, por ar, mar e terra. Consegue montar em paralelo estas acções, ora documentando a espera da morte, ou de um barco salvador, nas areias da praia, ora acompanhando batalhas aéreas entre pilotos britânicos e alemães, ora testemunhando a odisseia de barcos de guerra ou de pequenas embarcações com civis voluntários que se oferecem para esta acção quase suicida de resgate. O clima de inquietação e suspense é magnificamente dado pela montagem de Lee Smith, a fotografia de Hoyte Van Hoytema consegue uma tonalidade de quotidiano dramatismo que se impõe, a música de Hans Zimmer e todo o som do filme criam uma banda sonora de grande carga emotiva, sem, no entanto, ser redundante ou excessiva. A interpretação, sem grandes sobressaltos individuais, alia-se a essa intenção de produzir uma gesta colectiva. Um belíssimo e pungente filme que ajuda a consolidar a imagem de um cineasta.



DUNKIRK
Título original: Dunkirk
Realização: Christopher Nolan (Inglatewrra, EUA, 2017); Argumento:

Christopher Nolan; Produção: Christopher Nolan, Maarten Swart, Emma Thomas, Andy Thompson, John Bernard, Erwin Godschalk, Jake Myers; Música: Hans Zimmer; Fotografia (cor): Hoyte Van Hoytema; Montagem: Lee Smith; Casting: John Papsidera, Toby Whale; Design de produção: Nathan Crowley; Direcção artística: Toby Britton, Oliver Goodier, Kevin Ishioka, Eggert Ketilsson, Benjamin Nowicki, Erik Osusky; Decoração: Emmanuel Delis, Gary Fettis; Guarda-roupa: Jeffrey Kurland; Maquilhagem: Luisa Abel, Jessica Brooks, Nicola Buck, Patricia DeHaney, etc. Direcção de Produção: Daniel-Konrad Cooper, Chris Dowell, Christine Raspillère, Page Rosenberg-Marvin, Nicky Tüske; Som: Richard King; Efeitos especiais: Karine Branco, Ian Corbould, Paul Corbould, Tony Edwards, Marie Korf, Jason Leinster, Ben Vokes; Efeitos visuais: Nick Ghizas, Arushi Govil, Andrew Jackson, Anshul Kashyap, Anne Putnam Kolbe, Liz Mann, Jeff Reeves,  Emma Rider; Companhias de produção: Syncopy, Warner Bros., Dombey Street Productions, Kaap Holland Film, Canal+, Ciné+, RatPac-Dune Entertainment; Intérpretes: Fionn Whitehead (Tommy), Damien Bonnard (soldado francês), Aneurin Barnard (Gibson), Kenneth Branagh (comandante Bolton), Tom Nolan, James D'Arcy, Lee Armstrong, James Bloor, Barry Keoghan, Mark Rylance, Tom Glynn-Carney, Tom Hardy, Jack Lowden, Luke Thompson, Michel Biel, Constantin Balsan, Billy Howle, Mikey Collins, Callum Blake, Dean Ridge, Bobby Lockwood, Will Attenborough, James D'Arcy, Matthew Marsh, Cillian Murphy, Adam Long, Harry Styles, Miranda Nolan, Bradley Hall, Jack Cutmore-Scott, Brett Lorenzini, Michael Fox, Brian Vernel, Elliott Tittensor, Kevin Guthrie, Harry Richardson, etc. Duração: 104 minutos; Distribuição em Portugal: NOS Audiovisuais; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 20 de Julho de 2017. 

quarta-feira, fevereiro 21, 2018

BAFTA 2018: OS VENCEDORES



BAFTA 2018: OS VENCEDORES 
19 de Fevereiro de 2018
A lista dos vencedores:

Melhor Filme
CALL ME BY YOUR NAME
DARKEST HOUR
DUNKIRK
THE SHAPE OF WATER
THREE BILLBOARDS OUTSIDE EBBING, MISSOURI

Melhor Realizador
BLADE RUNNER 2049, Denis Villeneuve
CALL ME BY YOUR NAME, Luca Guadagnino
DUNKIRK, Christopher Nolan
THE SHAPE OF WATER, Guillermo del Toro
THREE BILLBOARDS OUTSIDE EBBING, MISSOURI, Martin McDonagh

Melhor Atriz
ANNETTE BENING - Film Stars Don’t Die in Liverpool
FRANCES McDORMAND - Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
MARGOT ROBBIE - I, Tonya
SALLY HAWKINS - The Shape of Water
SAOIRSE RONAN - Lady Bird

Melhor Ator
DANIEL DAY-LEWIS - Phantom Thread
DANIEL KALUUYA - Get Out
GARY OLDMAN - Darkest Hour
JAMIE BELL - Film Stars Don’t Die in Liverpool
TIMOTHÉE CHALAMET - Call Me by Your Name

Melhor Atriz Secundária
ALLISON JANNEY - I, Tonya
KRISTIN SCOTT THOMAS - Darkest Hour
LAURIE METCALF - Lady Bird
LESLEY MANVILLE - Phantom Thread
OCTAVIA SPENCER - The Shape of Water

Melhor Ator Secundário
CHRISTOPHER PLUMMER All the Money in the World
HUGH GRANT Paddington 2
SAM ROCKWELL Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
WILLEM DAFOE The Florida Project
WOODY HARRELSON Three Billboards Outside Ebbing, Missouri

Filme Britânico Excecional
DARKEST HOUR
THE DEATH OF STALIN
GOD’S OWN COUNTRY
LADY MACBETH
PADDINGTON 2
THREE BILLBOARDS OUTSIDE EBBING, MISSOURI

Estreia Excecional de Argumentista, Realizador ou Produtor Britânico
THE GHOUL Gareth Tunley (Argumentista/Realizador/Produtor), Jack Healy Guttman & Tom Meeten (Produtor)
I AM NOT A WITCH Rungano Nyoni (Argumentista/Realizador), Emily Morgan (Produtor)
JAWBONE Johnny Harris (Argumentista / Produtor), Thomas Napper (Realizador)
KINGDOM OF US Lucy Cohen (Realizador)
LADY MACBETH Alice Birch (Argumentista), William Oldroyd (Realizador), Fodhla Cronin O’Reilly (Produtor)

Melhor Filme em Língua Estrangeira
ELLE
FIRST THEY KILLED MY FATHER
THE HANDMAIDEN
LOVELESS
THE SALESMAN

Melhor Documentário
CITY OF GHOSTS
I AM NOT YOUR NEGRO
ICARUS
AN INCONVENIENT SEQUEL
JANE

Melhor Filme de Animação
COCO
LOVING VINCENT
MY LIFE AS A COURGETTE

Melhor Argumento Original
GET OUT Jordan Peele
I, TONYA Steven Rogers
LADY BIRD Greta Gerwig
THE SHAPE OF WATER Guillermo del Toro, Vanessa Taylor
THREE BILLBOARDS OUTSIDE EBBING, MISSOURI Martin McDonagh

Melhor Argumento Adaptado
CALL ME BY YOUR NAME James Ivory
THE DEATH OF STALIN Armando Iannucci, Ian Martin, David Schneider
FILM STARS DON’T DIE IN LIVERPOOL Matt Greenhalgh
MOLLY’S GAME Aaron Sorkin
PADDINGTON 2 Simon Farnaby, Paul King

Melhor Banda Sonora
BLADE RUNNER 2049 Benjamin Wallfisch, Hans Zimmer
DARKEST HOUR Dario Marianelli
DUNKIRK Hans Zimmer
PHANTOM THREAD Jonny Greenwood
THE SHAPE OF WATER Alexandre Desplat

Melhor Fotografia
BLADE RUNNER 2049 Roger Deakins
DARKEST HOUR Bruno Delbonnel
DUNKIRK Hoyte van Hoytema
THE SHAPE OF WATER Dan Laustsen
THREE BILLBOARDS OUTSIDE EBBING, MISSOURI Ben Davis

Melhor Montagem
BABY DRIVER Jonathan Amos, Paul Machliss
BLADE RUNNER 2049 Joe Walker
DUNKIRK Lee Smith
THE SHAPE OF WATER Sidney Wolinsky
THREE BILLBOARDS OUTSIDE EBBING, MISSOURI Jon Gregory

Melhor Design de Produção
BEAUTY AND THE BEAST Sarah Greenwood, Katie Spencer
BLADE RUNNER 2049 Dennis Gassner, Alessandra Querzola
DARKEST HOUR Sarah Greenwood, Katie Spencer
DUNKIRK Nathan Crowley, Gary Fettis
THE SHAPE OF WATER Paul Austerberry, Jeff Melvin, Shane Vieau

Melhor Guarda-roupa
BEAUTY AND THE BEAST Jacqueline Durran
DARKEST HOUR Jacqueline Durran
I, TONYA Jennifer Johnson
PHANTOM THREAD Mark Bridges
THE SHAPE OF WATER Luis Sequeira

Melhor caraterização
BLADE RUNNER 2049 Donald Mowat, Kerry Warn
DARKEST HOUR David Malinowski, Ivana Primorac, Lucy Sibbick, Kazuhiro Tsuji
I, TONYA Deborah La Mia Denaver, Adruitha Lee
VICTORIA & ABDUL Daniel Phillips
WONDER Naomi Bakstad, Robert A. Pandini, Arjen Tuiten

Melhor Som
BABY DRIVER Tim Cavagin, Mary H. Ellis, Julian Slater
BLADE RUNNER 2049 Ron Bartlett, Doug Hemphill, Mark Mangini, Mac Ruth, Theo Green
DUNKIRK Richard King, Gregg Landaker, Gary A. Rizzo, Mark Weingarten
THE SHAPE OF WATER Christian Cooke, Glen Gauthier, Nathan Robitaille, Brad Zoern
STAR WARS: THE LAST JEDI Ren Klyce, David Parker, Michael Semanick, Stuart Wilson, Matthew Wood

Melhor Efeitos visuais
BLADE RUNNER 2049 Gerd Nefzer, John Nelson
DUNKIRK Scott Fisher, Andrew Jackson
THE SHAPE OF WATER Dennis Berardi, Trey Harrell, Kevin Scott
STAR WARS: THE LAST JEDI
WAR FOR THE PLANET OF THE APES

Melhor Curta Metragem de Animação Britânica
HAVE HEART
MAMOON
POLES APART

Melhor Curta Metragem Britânica
AAMIR
COWBOY DAVE
A DROWNING MAN
WORK
WREN BOYS

Estrela Ascendente
DANIEL KALUUYA
FLORENCE PUGH
JOSH O’CONNOR
TESSA THOMPSON

TIMOTHÉE CHALAMET

segunda-feira, fevereiro 19, 2018

TRÊS CARTAZES À BEIRA DA ESTRADA



TRÊS CARTAZES À BEIRA DA ESTRADA
“Three Billboards Outside Ebbing, Missouri” é um filme profundamente inquietante e um bom retrato da América de Trump, um país dividido e traumatizado, usando a violência como algo usual e comum, ao serviço das mais variadas razões (e desrazões).
Uma mulher, Mildred Hayes (a fabulosa Frances McDormand), viu a sua filha ser assassinada e violada. Alguns meses depois, as autoridades da pequena localidade de Ebbing não conseguem identificar o autor. Ela acha que há pouca mobilidade e resolve assumir uma atitude inesperada: aluga o espaço de três cartazes decrépitos à beira de uma estrada quase sem trânsito, e coloca neles três frases fatais para o chefe da polícia local, acusando-o de nada ter feito. Os policias reagem com violência e alguma população faz o mesmo. Afinal, o chefe William Willoughby (magnifico Woody Harrelson) é olhado com respeito por todos e todos conhecem o seu estado crítico, atacado por um cancro. É ele que tenta colocar alguma calma nos seus adjuntos, entre os quais um nevrótico Dixon (Sam Rockwell, inesquecível), a quem chega mesmo a dizer: “entre 10 polícias, sete são racistas e os três restantes odeiam maricas”.


Este confronto entre uma mulher que foi abandonada pelo marido, que a trocou por uma jovem de 19 anos, e que nada a recomenda, e a polícia local vai crescendo de violência, tendo pelo meio vários equívocos e pistas falsas. O filme alicerça-se num argumento bastante original e bem estruturado, com personagens fortes e complexas, sem nenhum maniqueísmo, e situações muito bem desenvolvidas. A realização de Martin McDonagh (antes dirigira “Em Burges” e “Sete Psicopatas”), que assina igualmente o argumento original, é clara, eficaz, com momentos de um lirismo e uma sensibilidade tocantes, intercalados com acções de grande vigor e violência. A descrição do ambiente claustrofóbico de uma pequena cidade norte-americana é notável. Interpretações magnificas e vários Oscars assegurados. Quem sabe se O Melhor Filme e alguns dos actores seguramente. Não se percebe muito bem que Martin McDonagh não esteja entre os nomeados para Melhor Realizador.

Um dos melhores filmes do ano. Um retrato implacável da actual América que o realizador considera uma comédia de humor negro. Humor realmente muito negro onde é difícil descortinar uma réstia de esperança. Que existe, apesar de tudo, e vem donde menos se espera.
Classificação: ***** 


TRÊS CARTAZES À BEIRA DA ESTRADA
Título original: Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Realização: Martin McDonagh (EUA, Inglaterra, 2017); Argumento: Martin McDonagh; Produção: Daniel Battsek, Graham Broadbent, Peter Czernin, Rose Garnett, Ben Knight, David Kosse, Martin McDonagh , Diarmuid McKeown, Bergen Swanson; Música: Carter Burwell; Fotografia (cor): Ben Davis; Montagem: Jon Gregory; Casting: Sarah Finn; Design de produção: Inbal Weinberg; Direcção artística: Jesse Rosenthal; Decoração: Merissa Lombardo; Guarda-roupa: Melissa Toth; Maquilhagem: Susan Buffington, Leo Corey Castellano, Cydney Cornell, Jorie Mars Malan, Lindsay McAllister, Meghan Reilly, Alistair Hopkins, Peggy Robinson, Bergen Swanson; Assistentes de realização: Paula Case, Peter Kohn, Spencer Taylor; Departamento de arte: Steven P. Brown, Kenneth Bryant, Lillian Heyward, Jessica Tyler Segal, Whitney Yale; Som: Timothy Cargioli, Jonathan Gaynor, Joakim Sundström, Hannes Wannerberger; Efeitos especiais: Burt Dalton, William Dawson, Eric Dresso; Efeitos visuais: Andrea Aceto, Simon Hughes, George Kolyras, Paul O'Hara, Noga Alon Stein; Companhias de produção: Blueprint Pictures, Film 4, Fox Searchlight Pictures; Intérpretes: Frances McDormand (Mildred), Caleb Landry Jones (Red Welby), Kerry Condon (Pamela), Woody Harrelson (Willoughby), Sam Rockwell (Dixon), Alejandro Barrios (Latino), Jason Redford (Latino2), Darrell Britt-Gibson (Jerome), Abbie Cornish (Anne), Riya May Atwood (Polly), Selah Atwood (Jane), Lucas Hedges (Robbie), Zeljko Ivanek, Amanda Warren, Malaya Rivera Drew, Sandy Martin, Peter Dinklage, Christopher Berry, Gregory Nassif St. John, Jerry Winsett, Kathryn Newton, John Hawkes, Samara Weaving, Clarke Peters, Allyssa Barley, William J. Harrison, Brendan Sexton III, Eleanor T. Threatt, Michael Aaron Milligan, etc. Duração: 116 minutos; Distribuição em Portugal: Big Picture Films; Classificação etária: M/ 16 anos; Data de estreia em Portugal: 11 de Janeiro de 2018.