terça-feira, março 24, 2015

CLÁUDIO MARZO (1941-2015)


(2

segunda-feira, março 23, 2015

TEATRO: PIRANDELO


PIRANDELLO

Afirma a companhia “mala voadora”: “Pirandello” não é um espectáculo de Pirandello. Quer isto dizer: não é uma encenação de uma peça de teatro escrita por Pirandello. E, apesar de o seu nome dar título ao espectáculo, também não se trata de uma biografia do italiano Luigi Pirandello que nasceu em 1867 e morreu em 1936, autor multifacetado e distinguido com o Prémio Nobel da Literatura em 1934. Mas é a história de uma vida que vamos contar – a de um homem inventado por Pirandello no livro “Ele Foi Mattia Pascal”, ou “O Falecido Mattia Pascal”. Na verdade, não é bem essa história, mas uma parecida... Na verdade, a história que a mala voadora vai contar é a de Albano Jerónimo. O Falecido Albano Jerónimo”.
Aparentemente está tudo dito quanto ao texto que se apresenta como “Pirandello”. Tanto podia chamar-se “Pirandello” como “Shakespeare”, “Gil Vicente” ou “José Saramago”. Agarra-se numa obra de um autor, reduz-se a uma anedota, pega-se nessa anedota e constrói-se com ela um espectáculo essencialmente divertido, inventivo, graficamente de boa qualidade, muito bem interpretado e ponto.
Ainda o texto da “mala voadora”: “Pirandello”, um elogio da ficção, é um laboratório de meta-teatralidade em torno de um texto não-dramático do dramaturgo mais meta-teatral do século XX. Sobrepõe-se, ao abismo ficcional que caracteriza o romance, uma meta-teatralidade que não é aquela que Pirandello usa nos seus próprios textos dramáticos, mas uma outra, inventada a partir da narrativa não-dramática”. Com este texto fica-se a perceber o que foi pretendido. Apesar de um certo pretensiosismo de linguagem. Ou seja, o que se tenta é reduzir a narrativa dramática a uma não narrativa não dramática.
Uma visão moderna, sim, moderna, inscrevendo-se numa linha que tem vindo a vingar junto de certos grupos teatrais mais recentes, a estética de “mala voadora” é de uma grande coerência. Quem procura mais do que “espectáculo” não encontra. O vaudeville de Georges Feydeau é muito mais consistente. Aqui, o que funciona é a aparência. Os cenários de José Capela parecem construções de legos, passados pela imaginação de Robert Wilson, são muito bonitos e funcionam muito bem. Guarda-roupa a condizer. Tecnicamente há que dizer que tudo rola eficazmente, luz, som, etc. A interpretação é muito boa, quase não apetecendo sublinhar ninguém, ainda que Albano Jerónimo e Custódia Gallego o possam merecer, mas a verdade é que Anabela Almeida, David Cabecinha, David Pereira Bastos, Marco Paiva, Maria Ana Filipe, Mónica Garnel, Tânia Alves e Joana Costa Santos vão muito bem no registo escolhido. A encenação de Jorge Andrade é realmente muito imaginativa, cheia de achados de linguagem e de situações, o que transforma “Pirandello” num passatempo que se vê bem e se desfruta como uma taça de champanhe. A metáfora, porém, não funciona com todos. Eu, por exemplo, não gosto de champanhe, o que não quer dizer que não tenha gostado de ver o espectáculo. Mas chamar-lhe “Pirandello”, custa um bocado…

PIRANDELO

a partir de “Ele Foi Mattia Pascal”, de Luigi Pirandello; dramaturgia Jorge Andrade com David Cabecinha, Fernando Villas-Boas; direcção Jorge Andrade; cenografia José Capela com edição de imagem de António MV e José Carlos Duarte; figurinos José Capela; desenho de luz João d’Almeida; banda sonora Rui Lima e Sérgio Martins com a participação de alunos da Escola de Música do Conservatório Nacional; cabelos Carla Henriques; interpretação: Albano Jerónimo, Anabela Almeida, Custódia Gallego, David Cabecinha, David Pereira Bastos, Marco Paiva, Maria Ana Filipe, Mónica Garnel, Tânia Alves e Joana Costa Santos; produção mala voadora Manuel Poças e Joana Costa Santos; assessoria gestão/programação mala voadora: Vânia Rodrigues; coprodução TNDM II, Mala Voadora; M/12 anos; duração: 90 minutos; de 12 de Março a 4 de Abril de 2015.

segunda-feira, março 09, 2015

PRÉMIOS SOPHIA DO CINEMA PORTUGUÊS 2015



PRÉMIOS SOPHIA DO CINEMA PORTUGUÊS 2015

NOMEADOS

Melhor Curta-Metragem Documentário

À Beira Da Europa de Bernardo Cabral
Le Boudin de Salomé Lamas
Luz Clara de Miguel Lima e Vasco Vieira
O Meu Outro País De Solveig Nordlund  
Melhor Curta-Metragem de Animação
20 Desenhos e Um Abraço de José Miguel Ribeiro
O Canto dos 4 Caminhos de Nuno Amorim
Foi o Fio de Patrícia Figueiredo
Fuligem de David Doutel e Vasco Sá 
Melhor Curta-Metragem de Ficção:
Cinema de Rodrigo Areias
Coro dos Amantes de Tiago Guedes; 
Encontradouro de Afonso Pimentel; 
Miami De Simão Cayatte; 
Os Sonâmbulos de Patrick Mendes; 
Melhor Documentário em Longa - Metragem:
Guerra ou Paz de Rui Simões – Real Ficção; 
Fado Camané de Bruno de Almeida - BA Filmes; 
E Agora? Lembra-me de Joaquim Pinto – C.R.I.M. Produções; 
Alentejo Alentejo de Sérgio Tréfaut – Faux;   
Melhor Canção Original:
Fora da Lei" versão rock, interpretado pelos Criança Queimada – Nirvana; 
“Unforgettable”, letra e interpretação de Daniela Galbin – Pecado Fatal;
“Clandestinos do Amor” de Ana Moura – Os Gatos não têm Vertigens;
“Seta” de André Sardet e Mayra Andrade – Sei Lá;  
Melhor Banda Sonora Original:
Nuno Maló - Doce Amargo Amor; 
Filipe Coutinho – Pecado Fatal; 
Luís Cília – Os Gatos não têm Vertigens; 
José M. Afonso – Sei Lá;  
Melhor Som:
Hugo Leitão e Branko Neskov – O Grande Kilapy; 
Vasco Pedroso, Branko Neskov e Elsa Ferreira – Os Gatos não têm Vertigens; 
Pedro Melo e Branko Neskov – Getúlio; 
Jorge Saldanha – Os Maias;  
Melhor Montagem:
Rodrigo Pereira, Rui Alexandre Santos – A Vida Invisível; 
Pedro Ribeiro – Os Gatos não têm Vertigens; 
Pedro Ribeiro – Sei Lá; 
João Braz – Os Maias;  
Melhor Maquilhagem e Cabelos:
Sano de Perpessac – O Grande Kilapy; 
Susana Correia e Fátima Vieira – Os Gatos não têm Vertigens; 
Iris Peleira, Mário Leal – Variações de Casanova; 
Sano de Perpessac – Os Maias;  
Melhor Guarda-Roupa:
Teresa Campos – O Grande Kilapy; 
Os Burgueses – Os Gatos não têm Vertigens; 
Lucha d’Orey – Variações de Casanova; 
Silvia Grabowski  – Os Maias;  
Melhor Caracterização / Efeitos especiais:
Sano de Perpessac - O Grande Kilapy; 
Sandra Pinto – Eclipse em Portugal; 
Iris Peleira – Cadências Obstinadas; 
Sano de Perpessac – Os Maias;  
Melhor Direcção Artística:  
João Torres – O Grande Kilapy; 
João Torres – Os Gatos não têm Vertigens; 
Isabel Branco – Variações de Casanova; 
Silvia Grabowski – Os Maias;  
Melhor Direcção de Fotografia:
Leonardo Simões – A Vida Invisível; 
José António Loureiro – Os Gatos não têm Vertigens; 
André Szankowski – Cadências Obstinadas; 
João Ribeiro – Os Maias;  
Melhor Argumento Original:
Luís Alvarães e Luís Carlos Patraquim - O Grande Kilapy; 
Vítor Gonçalves, Jorge Braz, Mónica Santana Baptista - A Vida Invisível;
Tiago Santos – Os Gatos não têm Vertigens; 
Frederico Pombares, Henrique Dias e Roberto Pereira – Virados do Avesso;  
Melhor Atriz Secundária:
Fernanda Serrano – Os Gatos não têm Vertigens; 
Maria João Pinho – Os Maias; 
São José Correia - O Grande Kilapy; 
Silvia Rizzo - O Grande Kilapy;  
Melhor Ator Secundário:
João Perry – Os Maias; 
Manuel Wiborg - O Grande Kilapy; 
Nicolau Breyner – Os Gatos não têm Vertigens; 
Pedro Inês – Os Maias;  
Melhor Realizador:
Zézé Gamboa - O Grande Kilapy; 
Vítor Gonçalves – A Vida Invisível; 
António-Pedro Vasconcelos – Os Gatos não têm Vertigens; 
João Botelho – Os Maias;  
Melhor Atriz Principal:
Leonor Seixas – Sei Lá; 
Maria do Céu Guerra – Os Gatos não têm Vertigens; 
Maria João Pinho – A Vida Invisível; 
Sara Barros Leitão – Pecado Fatal;  
Melhor Ator Principal:
Filipe Duarte – A Vida Invisível;   
Graciano Dias – Os Maias
João Jesus – Os Gatos não têm Vertigens
João Lagarto – O Grande Kilapy 
Melhor Filme
A Vida Invisível – Rosa Filmes
O Grande Kilapy – David&Golias
Os Gatos não têm Vertigens – MGN Filmes
Os Maias - Cenas da Vida Romântica – Ar de Filmes

segunda-feira, fevereiro 23, 2015

OSCARS DE 2015 . OS VENCEDORES


OS OSCARS DE 2015

Se se pode falar de grandes vencedores, eles serão “Birdman”, quatro Oscars, “The Grand Budapest Hotel”, quatro Oscars, mas mais técnicos, “Whiplash” com três Oscars. O resto, tudo muito bem diversificado, e quase sem surpresas. Talvez uma, “Boyhood” apenas com um Oscar. Aqui ficam os vencedores de uma noite agradável como espectáculo, e sem suspense.  

Melhor Filme
Birdman ou (The Unexpected Virtue of Ignorance) (Alejandro G. Iñárritu, John Lesher e James W. Skotchdopole)

Melhor Realizador
Alejandro G Inárritu (Birdman)

Melhor Actor
Eddie Redmayne (The Theory of Everything)

Melhor Actriz
Julianne Moore (Still Alice)

Melhor Actor Secundário
JK Simmons (Whiplash)

Melhor Actriz Secundária
Patricia Arquette (Boyhood)

Melhor Argumento Adaptado
The Imitation Game (Graham Moore)

Melhor Argumento Original
Birdman (Alejandro Gonzalez Inarritu, Nicolas Giacobone, Alexander Dinelaris Jr, Armando Bo)

Melhor Fotografia
Birdman (Emmanuel Lubezki)

Melhor Montagem
Whiplash – Tom Cross

Melhor Música Original
Alexandre Desplat – The Grand Budapest Hotel

Melhor Canção
"Glory" from Selma – John Stephens e Lonnie Lynn

Melhor Guarda-roupa
Milena Canonero (The Grand Budapest Hotel)

Melhor Design de Produção
The Grand Budapest Hotel – Adam Stockhausen (Design de produção); Anna Pinnock (Decoração)

Melhor Maquilhagem e Cabeleireiro
The Grand Budapest Hotel – Frances Hannon e Mark Coulier

Melhores Efeitos Visuais
Interstellar – Dan DeLeeuw, Russell Earl, Bryan Grill e Dan Sudick

Melhor Montagem Sonora
American Sniper (Alan Robert Murray e Bub Asman)

Melhor Mistura Sonora
Whiplash (Craig Mann, Ben Wilkins e Thomas Curley)

Melhor Filme Estrangeiro
Ida (Pawel Pawlikowski, Polónia)

Melhor Filme de Animação
Big Hero 6 (Don Hall, Chris Williams e Roy Conli)

Melhor Curta-Metragem  de Animação
Feast (Patrick Osborne e Kristina Reed)

Melhor Documentário – Longa-Metragem
CitizenFour (Laura Poitras, Mathilde Bonnefoy e Dirk Wilutzky)

Melhor Documentário - Curta-Metragem
Crisis Hotline: Veterans Press 1 (Ellen Goosenberg Kent e Dana Perry)

Melhor Curta-Metragem – Ficção Imagem Real

The Phone Call (Mat Kirkby e James Lucas)

sábado, fevereiro 21, 2015

OSCARS 2015 - PREVISÕES


OS OSCARS QUE SE APROXIMAM

Não se pode dizer que tenha sido um ano extraordinário. Temos uma colheita razoável, sem sobressaltos. Há meia dúzia de filmes interessantes, há muito boas interpretações, não há, quanto a mim, obras-primas, e mesmo os títulos mais interessantes não deslumbram. Foi um ano sobretudo de actores.
Claro que gostei de ver alguns filmes, que passo a citar: “American Sniper”, “Birdman”, “Boyhood”, “The Grand Budapest Hotel”, “The Imitation Game” ou “Whiplash”. Como não tenho que fazer fretes, ninguém me paga para isso, escrevo sobre o que me apetece, não vi “The Theory of Everything”, “Still Alice” ou “Foxcatcher”. Confesso que não tive pachorra e acredito que Julianne Moore vá ganhar o Oscar de Melhor Actriz e não me espanta nada que Eddie Redmayne também o faça em relação ao Melhor Actor. De resto, não vi outros nomeados por falta de tempo, pois ando mais atento a clássicos por questões de trabalho. E de gosto, também.
Previsões posso-as fazer. Para Melhor Filme, “Birdman” e “Boyhood”, mais este último, são fortes candidatos. “The Grand Budapest Hotel”, “The Imitation Game” ou “Whiplash” são outras referências fortes. Quanto ao realizador, Richard Linklater (de “Boyhood”) não deve deixar escapar a estatueta. O meu actor preferido é Benedict Cumberbatch (The Imitation Game), Michael Keaton (Birdman) é outra possibilidade, mas o mais provável, na óptica da Academia, será Eddie Redmayne (The Theory of Everything). Nas actrizes não há dúvidas: Julianne Moore (Still Alice), mesmo sem ver  filme. Mas Rosamund Pike (Gone Girl) seria uma outra óptima escolha. Nas secundárias, Patricia Arquette (Boyhood) está imbatível e o mesmo se poderá dizer quanto aos homens: JK Simmons (Whiplash). Aqui não há dúvidas.
Nos argumentos “Birdman” poderá ser o Original, mas “The Grand Budapest Hotel” também o merecia, e “Gone Girl”, para mim, seria o melhor Adaptado, mas nem sequer está nomeado. “The Imitation Game”, “Inherent Vice” ou “Whiplash” serão as alternativas.
Creio que “The Grand Budapest Hotel” vai sair com alguns Oscars técnicos, bem merecidos, e quanto a documentários e curtas-metragens não vi nada, nem avanço prognósticos. Para Melhor Filme em Língua não Inglesa, há dois fortes candidatos: “Ida” (Pawel Pawlikowski, Polónia) e “Leviathan” (Andrey Zvyagintsev, Rússia). Mais não digo.

Segue a listagem dos nomeados para os Oscars de 2015, referentes a filmes estreados durante o ano de 2014. A verde, vão as minhas apostas nas escolhas da Academia. Domingo de madrugada, veremos o que a realidade nos oferece.


LISTA DE NOMEADOS

Melhor Filme
American Sniper (Clint Eastwood, Robert Lorenz, Andrew Lazar, Bradley Cooper e Peter Morgan)
Birdman ou (The Unexpected Virtue of Ignorance) (Alejandro G. Iñárritu, John Lesher e James W. Skotchdopole)
Boyhood (Richard Linklater e Cathleen Sutherland)
The Grand Budapest Hotel (Wes Anderson, Scott Rudin, Steven Rales e Jeremy Dawson)
The Imitation Game (Nora Grossman, Ido Ostrowsky e Teddy Schwarzman)
Selma (Christian Colson, Oprah Winfrey, Dede Gardner e Jeremy Kleiner)
The Theory of Everything (Tim Bevan, Eric Fellner, Lisa Bruce e Anthony McCarten)
Whiplash (Jason Blum, Helen Estabrook e David Lancaster)

Melhor Realizador
Richard Linklater (Boyhood)
Morten Tyldum (The Imitation Game)
Alejandro G Inárritu (Birdman)
Bennet Miller (Foxcatcher)
Wes Anderson (The Grand Budapest Hotel)

Melhor Actor
Steve Carell (Foxcatcher)
Bradley Cooper (American Sniper)
Benedict Cumberbatch (The Imitation Game)
Michael Keaton (Birdman)
Eddie Redmayne (The Theory of Everything)

Melhor Actriz
Marion Cotillard (Two Days one Night)
Felicity Jones (The Theory Of Everything)
Julianne Moore (Still Alice)
Rosamund Pike (Gone Girl)
Reese Witherspoon (Wild)

Melhor Actor Secundário
Robert Duvall (The Judge)
Ethan Hawke (Boyhood)
Edward Norton (Birdman)
Mark Ruffalo (Foxcatcher)
JK Simmons (Whiplash)

Melhor Actriz Secundária
Patricia Arquette (Boyhood)
Keira Knightley (The Imitation Game)
Emma Stone (Birdman)
Meryl Streep (Into The Woods)
Laura Dern (Wild)

Melhor Argumento Adaptado
American Sniper (Jason Hall)
The Imitation Game (Graham Moore)
Inherent Vice (Paul Thomas Anderson)
The Theory of Everything (Anthony McCarten)
Whiplash (Damien Chazelle)

Melhor Argumento Original
Birdman (Alejandro Gonzalez Inarritu, Nicolas Giacobone, Alexander Dinelaris Jr, Armando Bo)
Boyhood (Richard Linklater)
Foxcatcher (E. Max Frye e Dan Futterman e Bennett Miller)
The Grand Budapest Hotel (Wes Anderson e Hugo Guinness)
Nightcrawler (Dan Gilroy)

Melhor Fotografia
Birdman (Emmanuel Lubezki)
Grand Budapest Hotel (Robert D Yeoman)
Ida Ryszard Lenczewski e Łukasz Żal)
Mr Turner (Dick Pope)
Unbroken (Roger Deakins)

Melhor Montagem       
American Sniper – Joel Cox e Gary D. Roach
Boyhood – Sandra Adair
The Grand Budapest Hotel – Barney Pilling
The Imitation Game – William Goldenberg
Whiplash – Tom Cross

Melhor Música Original
Alexandre Desplat – The Grand Budapest Hotel
Alexandre Desplat – The Imitation Game
Hans Zimmer – Interstellar
Gary Yershon – Mr. Turner
Jóhann Jóhannsson – The Theory of Everything

Melhor Canção
"Everything Is Awesome" - The Lego Movie – Shawn Patterson
"Glory" - Selma – John Stephens e Lonnie Lynn
"Grateful" - Beyond the Lights – Diane Warren
"I'm Not Gonna Miss You" - Glen Campbell: I'll Be Me – Glen Campbelland Julian Raymond
"Lost Stars" - Begin Again – Gregg Alexander e Danielle Brisebois

Melhor Guarda-roupa
Milena Canonero (The Grand Budapest Hotel)
Mark Bridges (Inherent Vice)
Into the Woods (Colleen Atwood)
Maleficent (Anna B. Sheppard e Jane Clive)
Mr. Turner (Jacqueline Durran)

Melhor Design de Produção
The Grand Budapest Hotel – Adam Stockhausen (Design de produção); Anna Pinnock (Decoração)
The Imitation Game – Maria Djurkovic (Design de produção); Tatiana Macdonald (Decoração)
Interstellar – Nathan Crowley (Design de produção); Gary Fettis (Decoração)
Into the Woods – Dennis Gassner (Design de produção); Anna Pinnock (Decoração)
Mr. Turner – Suzie Davies (Design de produção); Charlotte Watts (Decoração)

Melhor Maquilhagem e Cabeleireiro
Foxcatcher – Bill Corso e Dennis Liddiard
The Grand Budapest Hotel – Frances Hannon e Mark Coulier
Guardians of the Galaxy – Elizabeth Yianni-Georgiou e David White

Melhores Efeitos Visuais
Interstellar – Dan DeLeeuw, Russell Earl, Bryan Grill e Dan Sudick
Dawn of the Planet of the Apes – Joe Letteri, Dan Lemmon, Daniel Barrett e Erik Winquist
Guardians of the Galaxy – Stephane Ceretti, Nicolas Aithadi, Jonathan Fawkner e Paul Corbould
Captain America: Winter Soldier – Paul Franklin, Andrew Lockley, Ian Hunter e Scott Fisher
X-Men: Days of Future Past – Richard Stammers, Lou Pecora, Tim Crosbie e Cameron Waldbauer

Melhor Montagem Sonora
American Sniper (Alan Robert Murray e Bub Asman)
Birdman ou (The Unexpected Virtue of Ignorance) (Martin Hernández e Aaron Glascock)
The Hobbit: The Battle of the Five Armies (Brent Burge e Jason Canovas)
Interstellar (Richard King)
Unbroken (Becky Sullivan e Andrew DeCristofaro)

Melhor Mistura Sonora
American Sniper (John Reitz, Gregg Rudloff e Walt Martin)
Birdman ou (The Unexpected Virtue of Ignorance) (Jon Taylor, Frank A. Montaño e Thomas Varga)
Interstellar (Gary A. Rizzo, Gregg Landaker e Mark Weingarten)
Unbroken (Jon Taylor, Frank A. Montaño e David Lee)
Whiplash (Craig Mann, Ben Wilkins e Thomas Curley)

Melhor Filme Estrangeiro
Ida (Pawel Pawlikowski, Polónia)
Leviathan (Andrey Zvyagintsev, Rússia)
Tangerines (Zaza Urushadze, Mauritânia)
Timbuktu (Abderrahmane Sissako, Argentina)
Wild Tales (Damián Szifron, Estónia)

Melhor Filme de Animação
Big Hero 6 (Don Hall, Chris Williams e Roy Conli)
The Boxtrolls (Anthony Stacchi, Graham Annable e Travis Knight)
How to Train Your Dragon 2 (Dean DeBlois e Bonnie Arnold)
Song of the Sea (Tomm Moore e Paul Young)
The Tale of the Princess Kaguya (Isao Takahata e Yoshiaki Nishimura)

Melhor Curta-Metragem  de Animação
The Bigger Picture (Daisy Jacobs e Christopher Hees)
The Dam Keeper (Robert Kondo e Dice Tsutsumi)
Feast (Patrick Osborne e Kristina Reed)
Me e My Moulton (Torill Kove)
A Single Life (Joris Oprins)

Melhor Documentário – Longa-Metragem
CitizenFour (Laura Poitras, Mathilde Bonnefoy e Dirk Wilutzky)
Finding Vivian Maier (John Maloof e Charlie Siskel)
Last Days in Vietnam (Rory Kennedy e Keven McAlester)
The Salt of the Earth (Wim Wenders, Juliano Ribeiro Salgado e David Rosier)=
Virunga (Orlando von Einsiedel e Joanna Natasegara)

Melhor Documentário - Curta-Metragem
Crisis Hotline: Veterans Press 1 (Ellen Goosenberg Kent e Dana Perry)
Joanna (Aneta Kopacz)
Our Curse (Tomasz Śliwiński e Maciej Ślesicki)
The Reaper (La Parka) (Gabriel Serra Arguello)
White Earth (J. Christian Jensen)

Melhor Curta-Metragem – Ficção Imagem Real
Aya (Oded Binnun e Mihal Brezis)
Boogaloo e Graham (Michael Lennox e Ronan Blaney)
Butter Lamp (La Lampe au Beurre de Yak) (Hu Wei e Julien Féret)
Parvaneh (Talkhon Hamzavi e Stefan Eichenberger)

The Phone Call (Mat Kirkby e James Lucas)


domingo, fevereiro 15, 2015

OS FILMES PARA OS OSCARS (6)


WHIPLASH - NOS LIMITES

Vai-se ao dicionário saber o que quer dizer rigorosamente “Whiplash” e lá vem “algo que se assemelha ao ruído de uma chicotada”. Entramos no domínio de “Whiplash – Nos Limites”, filme escrito e realizado por Damien Chazell. O ruído de uma chicotada é o que mais se ouve ao longo da sua hora e quarenta e tal minutos.
Andrew Nieman (Miles Teller), é um jovem de 19 anos que quer ser o melhor ou dos melhores bateristas de jazz. Tem os seus ídolos e inscreve-se numa das melhores escolas de música do mundo, o Shaffer Conservatory of Music, onde vai apanhar pela frente com um professor que dizem genial, que acha que fazer um trabalho “bem feito” não chega, é preciso ser-se perfeito (“Não existem duas palavras mais nocivas do que ‘bom trabalho’”). Terence Fletcher (J.K. Simmons, que já víramos num papel semelhante num filme de Kubrick, o sargento de “Full Metal Jacket”), o professor, não se importa muito que os alunos vão ficando pelo caminho, alguns suicidam-se, mas para ele nem todos podem ser Charlie Parker, e o importante é encontrar um “Charlie *Parker”.

O filme de Damien Chazell, que é particularmente sedutor, é uma canção com três refrões, todos eles ilustrados por duelos encarniçados: de Andrew consigo mesmo, procurando ultrapassar-se a cada novo ensaio, de Andrew com a bateria que ele castiga da mesma forma que castiga os seus medos e mãos, até ficarem em sangue, e um duelo com o próprio professor de música, que progride até à insanidade. Terence Fletcher é uma figura patológica, um carniceiro, um autêntico carrasco de um campo de concentração nazi, que tem como supremo ideal não a arte, mas a perfeição técnica. Para ele, Andrew Nieman tem de martelar a bateria com uma mestria total, como um máquina. Nuca fala em sentimento, nunca exige emoção, nunca procura que o jazz transpire o mundo, seja um reflexo do pulsar da humanidade, afinal o que faz da arte algo de essencial. Para Terence Fletcher, o essencial é a violência do batimento e o número de batimentos por minuto. Terence Fletcher quer fazer de Andrew Nieman um autómato perfeito. Muito longe, portanto, dos seus ídolos, Gene Krupa ou Buddy Rich. Já conhecemos a teoria aplicada a economistas, políticos, cientistas, and so on. Perfeitos no seu campo técnico, e o resto só atrapalha. Andrew anda apaixonado por Nicole (Melissa Benoist), mas ele afasta-a. A família incomoda-o, o que se percebe durante um jantar onde nem tudo corre bem. A vida de todos os dias só embaraça e impede-o de ser “perfeito”. Leva bofetadas do professor, que atira cadeiras pelo ar, que profere grosserias a toda a hora, que exerce a sua ditadura a todos os níveis. Mas Andrew está disposto a provar que consegue e, depois de momentos de desânimo, volta à carga e desafia o professor. O som das chicotadas é cada vez mais insuportável.

O perigo de “Whiplash – Nos Limites” é que o público leve a sério o que vê como lição de vida, que julgo não ser esse o propósito de Damien Chazelle. A obra é dúbia, afinal como a vida, e o espectador tem de perceber que os grandes artistas, os Charlie Parkers de qualquer arte, fazem da sua arte uma forma de compreensão do mundo, não uma continua superação do número de marteladas no tampo metálico de uma qualquer panela. A técnica por si só não é nada e pode, pelo contrário, ser uma cegueira monstruosa, que conduz às maiores barbaridades. Os médicos do III Reich queriam atingir a suprema perfeição da raça ariana. Há por aí muita gente a querer equilibrar as contas públicas com perfeitos exercícios de contabilidade austera.
De resto, “Whiplash – Nos Limites” é um excelente exercício de estilo, com uma montagem magnífica, um clima envolvente que nos faz ultrapassar a (possível) monotonia de um filme que vive em frente de uma bateria a ser chicoteada, e com desempenhos notáveis, nomeadamente do sempre exímio J.K. Simmons, que já deve ter o Oscar de Melhor Actor Secundário nas mãos, ou o ainda não citado pai de Andrews (Paul Reiser).

Espero que este não seja mais um filme onde se louva a superação do indivíduo, contra tudo e contra todos, mas que se anteveja a crítica que me parece óbvia a uma educação que é um perfeito abuso de poder e que afasta o indivíduo da sua humanidade, e afasta a arte da sua principal função. A verdade é que esta teoria tem muitos adeptos e, ainda há anos, “O Cisne Negro”, de Darren Aronofsky, tocava em teclas muito semelhantes.
Damien Chazelle é um jovem realizador norte-americano, filho de mãe francesa e pai americano, que anteriormente escrevera um medíocre argumento de filme de terror, “O Último Exorcismo - Parte II (The Last Exorcism Part II, 2013), realizara e escrevera “Guy and Madeline on a Park Bench” (2009), onde a música era dominante, e ainda uma curta-metragem que antecipa a presente longa-metragem, “Whiplash”.
Estreado no Festival de Cinema de Sundance, esta realização de Damien Chazelle já venceu um Globo de Ouro na categoria de Melhor Actor Secundário (J.K. Simmons), e encontra-se nomeado para cinco Óscars, Melhor Filme, Melhor Argumento Adaptado, Melhor Actor Secundário, Melhor Montagem e Melhor Som.

WHIPLASH - NOS LIMITES
Título original: Whiplash

Realização: Damien Chazelle (EUA, 2014); Argumento: Damien Chazelle; Produção: Jason Blum, Jeanette Brill, Nicholas Britell, Phillip Dawe, Garrick Dion, Helen Estabrook, Mark David Katchur,  David Lancaster, Michel Litvak, Sarah Potts, Jason Reitman, Couper Samuelson, Gary Michael Walters, Stephanie Wilcox; Música: Justin Hurwitz; Fotografia (cor):  Sharone Meir; Montagem: Tom Cross; Casting: Terri Taylor; Design de produção: Melanie Jones;  Direcção artística: Hunter Brown; Decoração: Karuna Karmarkar; Guarda-roupa: Lisa Norcia; Maquilhagem: David Larson, Heather Plott, Traci E. Smithe, Tobe West, Nacoma Whobrey;  Direcção de Produção:  Tamara Gagarin, Mark David Katchur, Christopher H. Warner, Jeffrey Stott; Assistentes de realização: Arek Bagboudarian, Nicolas Duchemin Harvard, Rachel Jensen; Departamento de arte: Annie Brandt, Brian Chapman, Zak Faust, Drew Rebelein; Som: Thomas Curley, Lauren Hadaway, Craig Mann, Michael Novitch, David Stark, Ben Wilkins; Efeitos especiais: Zak Knight, Ron Rosegard; Efeitos visuais: Jamison Scott Goei, David Lebensfeld, Grant Miller; Companhias de produção: Bold Films, Blumhouse Productions, Right of Way Films; Intérpretes: Miles Teller (Andrew), J.K. Simmons (Fletcher), Paul Reiser  (Jim Neimann), Melissa Benoist (Nicole), Austin Stowell (Ryan), Nate Lang (Carl Tanner), Chris Mulkey (Tio Frank), Damon Gupton (Mr. Kramer), Suanne Spoke (Tia Emma), Max Kasch, Charlie Ian, Jayson Blair, Kofi Siriboe, Kavita Patil, C.J. Vana, Tarik Lowe, Tyler Kimball, Rogelio Douglas Jr., Adrian Burks, Calvin C. Winbush, Joseph Bruno, Michael D. Cohen, Jocelyn Ayanna, Keenan Henson, Janet Hoskins, etc. Duração: 107 minutos; Distribuição em Portugal: Big Picture 2 Films; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 29 de Janeiro de 2015.

segunda-feira, fevereiro 09, 2015

BAFTAS 2015 - OS VENCEDORES


BAFTAS 2015
Mike Leigh (Prémio carreira)

Acabaram de ser atribuídos os BAFTAS 2015, os Oscars ingleses.  Os grandes Triunfadres foram “Boyhood”, “The Theory of Everything” e “The Grand Budapest Hotel”.

Os premiados foram os seguintes:
Argumento Adaptado
The Theory Of Everything / Anthony McCarten
Filme de longa-metragem de Animação
The Lego Movie
Filme de curta- metragem inglesa de Animação
The Bigger Picture / Chris Hees, Daisy Jacobs, Jennifer Majka
Fotografia
Birdman / Emmanuel Lubezki
Guarda-roupa
The Grand Budapest Hotel / Milena Canonero
Realizador
Richard Linklater / Boyhood
Documentário de longa-metragem
Citizenfour / Laura Poitras, Mathilde Bonnefoy, Dirk Wilutzky
Jovem revelação
Jack O'Connell
Montagem
Whiplash / Tom Cross
Carreira
Win Mike Leigh
Melhor Filme
Boyhood / Richard Linklater, Cathleen Sutherland
Melhor Filme em língua não inglesa
Ida / Pawel Pawlikowski, Eric Abraham, Piotr Dzieciol, Ewa Puszczynska (Polónia)
Jovem actor
Eddie Redmayne / The Theory Of Everything
Actriz
Julianne Moore / Still Alice
Maquilhagem
The Grand Budapest Hotel / Frances Hannon, Mark Coulier
Música original
The Grand Budapest Hotel / Alexandre Desplat
Argumento original
The Grand Budapest Hotel / Wes Anderson
Contributo inglês para Cinema
BBC Films
Melhor Filme Inglês
The Theory Of Everything / James Marsh, Tim Bevan, Eric Fellner, Lisa Bruce, Anthony McCarten
Revelação, como argumentista, realizador ou produtor
Stephen Beresford, David Livingstone / Pride
Design de produção
The Grand Budapest Hotel / Adam Stockhausen, Anna Pinnock
Som
Whiplash / Thomas Curley, Ben Wilkins, Craig Mann
Efeitos visuais
Interstellar / Paul Franklin, Scott Fisher, Andrew Lockley, Ian Hunter
Actor secundário
J.K. Simmons / Whiplash
Actriz secundária

Patricia Arquette / Boyhood