quarta-feira, novembro 23, 2016

TEATRO: MAR

MAR, NO CARTAXOPELA ÁREA DE SERVIÇO


A “Área de Serviço”, companhia de teatro sediada no Cartaxo há cinco anos, tem tido uma muito meritória actividade ao encenar peças de teatro essenciais de autores dos mais importantes da dramaturgia mundial. Assim, já passaram pelo palco do Centro Cultural do Cartaxo obras de Oscar Wilde (Um Marido Ideal), Shakespeare (As Alegres Comadres de Windsor), Eduardo De Fillipo (Nápoles Milionária), Bernardo Santareno (O Crime de Aldeia Velha), George S. Kaufman e Moss Hart (Escândalo Nas Notícias da Noite), Nikolai Gógol (O Inspector Geral) Anthony Schaffe (Autópsia de Um Crime), Michael Fryan (Pouco Barulho!), Robert Thomas (8 Mulheres), entre alguns mais, num total de quinze espectáculos, com várias incursões em teatro infantil. No essencial é uma companhia de teatro comunitário, portanto não profissional, amadora na acessão mais nobre do termo. A verdade é que sendo uma companhia amadora pode ombrear galhardamente com algumas profissionais e batendo aos pontos, é uma opinião pessoal, obviamente, algumas dessas que se afirmam muito vanguardistas, mas mais não são do que aldrabices mais ou menos camufladas de intelectualices sem qualquer significado, a não ser épater le bourgeois. Os que se deixam épater, claro.
Pois a “Área de Serviço”, sempre sob a direcção de Frederico Corado, que tem selecionado o reportório e encenado o mesmo, leva agora a cena um texto de Miguel Torga, “Mar”. Um texto que diríamos essencialmente que fala da Nazaré e de pescadores e da lide do mar, nomeadamente da pesca do bacalhau, da vida aventureira e corajosa dos que partem rumo aos mares do Norte para trazerem no bojo das embarcações sustento para si e as famílias. Depois há as esperanças e os desesperos, os amores e as recordações de familiares desaparecidos, a vida de todos os dias e os dramas, as tragédias dos que não regressam.
O texto permite uma encenação cuidada, imaginativa, tensa, jogando habilmente com o espaço do palco e o espaço off, onde acontece muito do que se projecta no interior do palco, podendo mesmo afirmar-se, sem grande erro de julgamento, que este será, senão o melhor, pelo menos um dos melhores trabalhos desta companhia até ao presente, situando-se num plano de competência técnica e de esmero formal quase perfeito. Os progressos do grupo são mais do que evidentes de ano para ano. O cenário é simples e atrevo-me a dizer que brilhante nos efeitos que permite criar e sugerir.  O jogo de luzes é muito bom, a sonoplastia segura, sóbria, mas criando aqui e ali momentos de um dramatismo sólido. A direcção de actores é de rara eficácia, sendo de sublinhar não só a entrega de todo o elenco, mas a qualidade do trabalho da grande maioria destes actores não profissionais, muitos dos quais não destoariam já numa qualquer companhia profissional.
De parabéns, portanto, a “Área de Serviço”, o seu entusiasta mentor Frederico Corado, todos os seus artífices e inclusive a cidade do Cartaxo que descobriu no seu seio uma bela companhia de teatro que merece todo o apoio e aplauso.

No próximo fim de semana, 26 e 27, os dois últimos espectáculos. Sábado às 21 horas, domingo, às 16 horas. Vale a pena não perder. Já agora, senhores críticos de teatro deste país, se é que os há, saiam de Lisboa e visitem o Cartaxo. 

Ficha técnica 
Com Carolina Seia Viana, Mário Júlio, Vânia Calado, Rosário Narciso, Ana Ribeiro, Sara Xavier, Gabriel Silva, Tomás Formiga, Carlos Ramos, António Calado, Miguel Viegas, João Paulo, José Falagueira, Sara Inês, Marta Cabete, Luis Silva, João Vitor, Carolina Parente, Joana Pinheiro, Jeanine Steuve, Maria José Cerqueira.

Texto de Miguel Torga | Encenação: Frederico Corado | Concepção Cenográfica: Frederico Corado | Execução Cenográfica : Mário Júlio | Produção da Área de Serviço : Frederico Corado, Vânia Calado e Mário Júlio com a assistência de Florbela Silva e Carolina Viana | Assistente de Encenação: Vânia Calado | Direcção de Cena: Mário Júlio | Técnica: Miguel Sena | Desenho de Luz: Bruno Santos | Montagem: Mário Júlio | Uma Produção da Área de Serviço com o Centro Cultural do Cartaxo e Câmara Municipal do Cartaxo
Apoios: Câmara Municipal da Nazaré | Grupo Etnográfico Danças e Cantares da Nazaré| Casa das Peles | Sotinco | J.M.Fernandes - Vidreira e Alumínio | Negócio de Família | E.Nove | Tejo Rádio Jornal | Revista Dada | Jornal de Cá | Valor Local | Teatralmente Falando | Guia dos Teatros
Facebook: https://www.facebook.com/AreaDeServico
 
Centro Cultural do Cartaxo
Rua 5 de Outubro | 2070-059 Cartaxo, Portugal

Teatro . M/12
Bilhetes: 5€ 

Info e reservas:
CCC - 243 701 600 (quarta a domingo das 15.00 às 22.00)
Área de Serviço - 914 338 893 (segunda a segunda das 9.00 às 23.00) 
ou centroculturalcartaxo@gmail.com | areacartaxoreservas@gmail.com

quinta-feira, outubro 27, 2016


ESCLARECIMENTO AOS LEITORES DESTE BLOGUE

Não, não abandonei os blogues. 
Mas por motivos da minha vida profissional tenho andado muito ocupado com temas que me absorvem quase por completo,o que pode ser visto (lido) noutros blogues, como por exemplo estes: 
GRANDES CÓMICOS, GRANDES COMÉDIAS
http://grandescomicosgrandescomedias.blogspot.pt/
A ACTRIZ, ARTE E SEDUÇÃO
http://actriz-arte-e-seducao-setubal.blogspot.pt/
Outros irão surgir no inicio do próximo ano.
Entretanto podem continuar a seguir o meu FB
https://www.facebook.com/lauro.antonio.94
Obrigado pela compreensão.
LA



segunda-feira, maio 16, 2016

PAUL VERHOEVEN: DA BOLA PRETA A GÉNIO


PAUL VERHOEVEN: DA BOLA PRETA A GÉNIO

Não deixa de ser curioso observar o que se passa com alguma critica, nacional, mas também internacional, em relação a certos realizadores e alguns filmes. O argumento de autoridade pesa tanto em determinadas cabeças que elas são capazes de todos os malabarismos para se chegarem à frente e acertar o passo com a modernidade. O que aconteceu recentemente com o cineasta holandês Paul Verhoeven é deliciosamente sintomático.  
Paul Verhoeven sempre o considerei um cineasta muito interessante, com um ou outro desacerto. Os primeiros tempos, na Holanda, eram muito promissores. Quando em 1973 passei uma semana em Amestrdão vi alguns filmes produzidos nesse país e inteiramente desconhecidos entre nós. Um deles foi “Delicias Turcas”, de Paul Verhoeven. Outro foi “Angela”, de Nikolai Van der Heyde. Como na altura dirigia a programação do Estúdio Apolo 70 e do Caleidoscópio, referi estes dois títulos à administração da Lusomundo, que explorava ambas as salas, solicitando que os comprasse para a programação destes cinemas. Isto aconteceu em 1973, mas os filmes só iriam ser estreados em 1976. Por razões de programação, “Angela” estreou no Caleidoscópio, e “Delicias Turcas”, entretanto comprado internacionalmente pela Columbia, foi parar ao Satélite e Quarteto (13.3.1976). Eram dois filmes bem interessantes.

Mas Verhoeven (nascido a 8 de Julho de 1938, em Amsterdão) foi sempre um realizador mal amado por grande parte da critica nacional e internacional, sobretudo depois de se ter mudado para os EUA. Mas o seu período inicial na Holanda teve aspectos muito curiosos. Em 1969, dirigiu uma série televisiva muito popular, “Floris”, sobre um cavaleiro medieval. Ai lançou o actor Rutger Hauer, que depois ia aparecer em vários filmes seus. Trabalhou em documentários e curtas-metragens, mas o seu primeiro grande êxito foi “Delícias Turcas” (1973), um filme de uma sexualidade à flor da pele, um dos temas queridos do cineasta. Seguiram-se “O Soldado da Rainha” (1977) e “O Quarto Homem” (1983), que colheram reconhecimento internacional e o levou a Hollywood, onde dirige alguns filmes de grande orçamento, conjugando violência e sexualidade, que tiveram sucesso público, mas nem tanto critico. “Amor e Sangue” (1985), “Robocop - O Polícia do Futuro” (1987), “Desafio Total” (1990), “Instinto Fatal” (1992), “Soldados do Universo” (1997), “Showgirls” (1995) e “O Homem Transparente” (2000). Voltou depois à Holanda onde nos deu um magnifico “Livro Negro” e, este ano, apresenta em Cannes uma produção francesa, “Elle”. Terá sido este último filme, interpretado por Isabelle Huppert, que terá justificado uma reavaliação da sua obra por parte da critica francesa. Mas o facto de os “Cahiers du Cinéma” lhe terem dedicado um enorme dossier, e uma capa, provocou uma autêntica hecatombe crítica. Quem tinha dispersado bolas pretas por quase todos os filmes de Paul Verhoeven, apareceu agora do baraço ao pescoço, em acto de contrição, afirmando que afinal se havia enganado. Os argumentos dos “Cahiers”, sobretudo os que apreciavam certos filmes anteriormente menosprezados, valorizando-os como olhares irónicos, prevalecem agora. E o Indie Lisboa dedicou-lhe uma reprospectiva, muito Indie.  Um pouco mais de personalidade e de independência de olhar não faria mal a ninguém. Esta forma de perseguir o que já foi dito, não é muito saudável. 

quinta-feira, maio 05, 2016

FESTin 2016



“Cartas de Amor são Ridículas” 
abre FESTin 2016 

Iniciou-se mais uma edição do FESTin, a sétima deste festival dedicado a produções faladas em língua portuguesa.  O que leva o certame este ano a homenagear a CPLP que assinala o seu 3«20 aniversário. São oito os países de língua portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Timor) que têm obras selecionadas, mas é obviamente o Brasil o país predominante em títulos, representação e envolvimento. Entre as longas-metragens apresentadas não há uma única de Portugal, o que não deixa de ser estranho.
O FESTin 2016 inaugurou-se com uma longa-metragem brasileira, assinada por Alvarina Souza e Silva, ambientada na bela cidade de Goiás, e que aborda as peripécias de um velho casal com cinco filhas, Açucena, Dália, Gardênia, Hortência e Violeta, uma já casada, as outras quatro casadoiras, e à procura desesperadamente do seu fim último na vida: não ficarem para tias solteironas. A realizadora e argumentista inspira-se para tanto em poemas de Fernando Pessoa, nomeadamente no celebérrimo “Cartas de Amor são Ridículas”.
A estrutura desta obra simpática, que critica usos e abusos que se prolongaram até não há muito tempo, tendo como base o casamento das jovens donzelas em famílias de quase todas as condições sociais, mas de hábitos muito restritos, movimenta-se entre o registo dramático e a comédia de costumes, com uma realização sóbria e eficaz, roçando a leveza da telenovela. Certamente para conferir à intriga um tom datado, “histórico”, a fotografia colorida tende para uma sépia que anula o voluptuoso colorido natural da Serra Dourada, do Rio Vermelho, das belas casas de Goiás, com as suas cores garridas. O que se vê deu para matar saudades de quem conhece bem aquelas paragens, mas já não as visita há uns anitos. De resto, o filme vive ainda de um excelente elenco, globalmente muito homogéneo, destacando o casal Roberto Bonfim e Sandra Barsotti e as suas cinco filhas, Carolina Oliveira (Açucena), Bela Carrijo (Dalia), Marcela Moura (Violeta), Bellatrix (Dalia) e Ana Paula Lopes (Gardenia).
O FESTin rola já com muitas obras em português. 



sexta-feira, abril 22, 2016

TEATRO: AUTOPSIA DE UM CRIME



“Sleuth: Autópsia de um Crime”
 no Centro Cultural do Cartaxo

“Sleuth” é uma peça de teatro inglesa, assinada por Anthony Shaffer, que teve grande sucesso nos palcos ingleses e norte americanos, mas igualmente um pouco por todo o mundo. Na Broadway, onde permaneceu entre 1970 e 1973, venceu o Tony Award em 1971 para melhor espectáculo do ano. O êxito nos palcos lançou a obra para o cinema. Em 1972, o próprio Anthony Shaffer adapta a sua peça ao cinema, que contaria com direcção de um mestre, Joseph L. Mankiewicz, no que seria a sua gloriosa despedida da realização. “Sleuth: Autópsia de um Crime” contava com dois actores de invulgar talento que conferiram ao filme uma densidade psicológica absorvente. Laurence Olivier e Michael Caine são os gigantes neste jeu de massacre entre dois homens. Curiosamente, Joseph L. Mankiewicz anunciava um elenco com outros actores, quase todos fictícios. A ideia do realizador seria levar o espectador a esperar que aparecessem surpresas durante a projecção da obra. Foi indicada para vários Oscars, nomeadamente os dois actores principais, mas foi ainda considerada em muitas outras cerimónias.    
Alguns anos depois, 2007, Kenneth Branagh volta ao tema que desta feita conta com adaptação de Harold Pinter, e entre os intérpretes, Michael Caine (no papel anteriormente de Olivier) e Jude Law (vivendo este agora a figura criada por Caine, na versão de 72). É um bom trabalho de actores, mas o resultado global do filme fica aquém da magnífica obra de Mankiewicz. A realização vive muitos de rodriguinhos e efeitos plásticos, que acabam por prejudicar a coerência final.
A história é aparentemente simples: Andrew Wyke, um escritor de romances policiais com grande sucesso, recebe na sua casa apalaçada Milo Tindle, cabeleireiro e amante de sua mulher. Andrew quer ver-se livre da mulher, mas não ficar a pagar uma choruda pensão de alimentos. Assim propõe a Milo que este assalte a sua própria casa, roube um valioso colar, fique com ele e com a mulher. O escritor ficaria com o prémio do seguro e a liberdade. Pois, mas nada disto é assim tão simples. A peça vive muito de viragens surpreendentes. Como se costuma dizer é pagar para ver e vale bem a pena.
Esta peça foi agora levada a cena no Cartaxo, numa produção da Área de Serviço – Projeto de Criação Teatral, com encenação de Frederico Corado, que interpreta igualmente um dos principais papéis ao lado de André Diogo. Arrojo e valentia é o que primeiro se deve salientar. Com tão fulgurantes antepassados levar a cena esta peça é obviamente um risco. Todos vão fazer comparações e a fasquia está elevadíssima. No caso de Frederico Corado, o salto é gigante. Não só tem Laurence Olivier e Michael Caine como referência, como ainda encena e se encena a si próprio. Pode dizer-se que nem Frederico Corado nem André Diogo fazem esquecer os astros que os iluminam, mas deve dizer-se igualmente que se comportam com dignidade e galhardia, construindo duas figuras bem desenhadas na sua complexidade. A encenação é clássica, mas muito bem dirigida, o cenário eficaz e de muito bom gosto plástico, ajudando a cimentar o clima de suspense da peça, que conta ainda com um muito bom desenho de luzes.

Percebe-se assim que o arrojo vale a pena, e que se a genialidade dos antepassados tolhesse os movimentos das mais jovens gerações nunca ninguém pegaria mais nalguns clássicos. Parabéns ao grupo Área de Serviço – Projeto de Criação Teatral. Que terá amanhã, pelas 21,30 horas, no Centro Cultural do Cartaxo, a sua última representação. 


domingo, fevereiro 28, 2016

OS FILMES DE 2015: CAROL


CAROL

O que distingue um belíssimo melodrama de um mau melodrama, eis uma questão curiosa, de uma difícil resposta. Creio que se trata tudo de uma questão de sensibilidade, de quem realiza a obra e de quem a observa. Na verdade, vi em dois dias sucessivos duas obras que rondam o melodramático. “Brooklyn” foi uma desilusão, “Carol” uma luminosa certeza. O filme de Todd Haynes prolonga harmoniosamente o que o cineasta já havia feito anteriormente, “Velvet Goldmine” ou “Longe do Paraíso”, por exemplo, mantendo algumas das suas constantes obsessões: o gosto pelo melodrama, e a inspiração de Douglas Sirk, o fascínio pelos anos 50 do século passado (o que se liga ao melodrama e a Sirk) e um interesse manifesto pela homossexualidade como comportamento sexual não respeitado pela sociedade. 
“Carol” parte de um romance de Patricia Highsmith, escrito em 1952, usando o pseudónimo de Claire Morgan. A obra chamava-se então “The Price of Salt” e só mais de trinta anos depois é que a autora o reivindicou em nome pessoal, com o novo título, “Carol”. Tudo porque Patricia Highsmith era lésbica e o romance era de certa forma autobiográfico, narrando uma história de amor ocorrida entre a escritora, então jovem empregada de balcão numa grande loja de brinquedos em Nova Iorque, pouco antes do Natal de 1948, e uma elegante e sofisticada loura que comprou brinquedos para a filha e convidou depois a empregada para encontros que redundaram numa apaixonante aventura emocional e sexual. Por essa altura uma história destas era altamente censurável pela sociedade bem-pensante, e quando lançou “Carol”, já na década de 80, Patricia Highsmith terminaria o seu epílogo com uma frase elucidativa: “Alegra-me pensar que este livro tenha dado a milhares de pessoas, solitárias e assustadas, algo a que se apoiarem”.


Adaptado ao cinema por Phyllis Nagy, “Carol” foi rodado, em Cincinnati, Ohio, EUA, entre 12 de Março e 25 de Abril de 2014, mas a ideia era passar por Nova Iorque no ano de 1952. A recriação dos anos 50 é excelente, não só de um ponto de vista decorativo, mas igualmente psicológico, ambiental e comportamental. Algo que já se havia notado como preocupação dominante no brilhante “Longe do Paraíso”. A recuperação da época não funciona só como cenário, mas como caracterização de um período. Magnífica é a fotografia e a banda sonora. Mas, sobretudo, fabulosa é a representação de Cate Blanchett e Rooney Mara, de uma sensibilidade, discrição, elegância, intensidade emotiva, e, no caso de Cate Blanchett, de uma provocante sedução que só uma actriz absolutamente notável consegue sugerir com olhares, pequenos gestos, palavras dúbias, presença absorvente. Depois, a realização de Todd Haynes é igualmente admirável na conjugação de todos estes elementos e na criação de um clima envolvente, mantido em suspense até final, com uma subtileza e elegância raras e uma intensidade emotiva invulgar. Grande filme de autor e de actrizes.


CAROL
Título original: Carol
Realização: Todd Haynes (EUA, Inglaterra, 2015); Argumento: Phyllis Nagy, segundo romance de Patricia Highsmith; Produção: Dorothy Berwin, Gwen Bialic, Cate Blanchett, Elizabeth Karlsen, Danny Perkins, Tessa Ross, Thorsten Schumacher, Andrew Upton, Christine Vachon, Bob Weinstein, Harvey Weinstein, Stephen Woolley; Música: Carter Burwell; Fotografia (cor): Edward Lachman; Montagem: Affonso Gonçalves; Casting: Laura Rosenthal; Design de produção: Judy Becker; Direcção artística: Jesse Rosenthal; Decoração: Heather Loeffler; Guarda-roupa: Sandy Powell; Maquilhagem: John Jack Curtin, Jerry DeCarlo, Ashley Flannery, Patricia Regan; Direcção de Produção: Gwen Bialic, Luciano Silighini Garagnani, Gretchen McGowan, Karri O'Reilly; Assistentes de realização: Kyle LeMire, Jesse Nye, Derek Rimelspach; Departamento de arte: Francis Link Boysie, Eric Johns, Meredith Lippincott, Paul Peabody, Bob Smith; Som: Geoff Maxwell, Nigel Maxwell, James David Redding III; Efeitos visuais: Ed Chapman, Chris Haney; Companhias de produção: Number 9 Films, Film4, Killer Films; Intérpretes: Cate Blanchett (Carol Aird), Rooney Mara (Therese Belivet), Kyle Chandler (Harge Aird), Jake Lacy (Richard Semco), Sarah Paulson (Abby Gerhard), John Magaro (Dannie McElroy), Cory Michael Smith (Tommy Tucker), Kevin Crowley (Fred Haymes), Nik Pajic (Phil McElroy), Carrie Brownstein (Genevieve Cantrell), Trent Rowland (Jack Taft), Sadie Heim (Rindy Aird), Kk Heim (Rindy Aird), Amy Warner (Jennifer Aird), Michael Haney (John Aird), Wendy Lardin (Jeanette Harrison), Pamela Evans Haynes, Greg Violand, Michael Joseph Thomas Ward, Kay Geiger, Christine Dye, Deb G. Girdler, Douglas Scott Sorenson, Ken Strunk, Mike Dennis, Ann Reskin, etc. Duração: 118 minutos; Distribuição em Portugal: NOS Audiovisuais; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 4 de Fevereiro de 2016.



OSCARS 2016: NOMEADOS E PROVAVEIS VENCEDORES



OSCARS 2016
NOMEADOS E PROVAVEIS VENCEDORES

Na lista a seguir expressa, vão indicados a verde os Oscars que calculo que a Academia premeie (e, num caso ou noutro, em fundo amarelo, as minhas preferências pessoais). Vamos a ver o que logo a Academia decide.

BEST PICTURE
The Big Short
Bridge of Spies
Brooklyn
Mad Max: Fury Road
The Martian
The Revenant
Room
Spotlight

DIRECTING
The Big Short
Mad Max: Fury Road
The Revenant
Room
Spotlight

ACTOR IN A LEADING ROLE
Bryan Cranston, Trumbo
Matt Damon, The Martian
Leonardo DiCaprio, The Revenant
Michael Fassbender, Steve Jobs
Eddie Redmayne, The Danish Girl

ACTRESS IN A LEADING ROLE
Cate Blanchett, Carol
Brie Larson, Room
Jennifer Lawrence, Joy
Charlotte Rampling, 45 Years
Saoirse Ronan, Brooklyn

ACTOR IN A SUPPORTING ROLE
Christian Bale, The Big Short
Tom Hardy, The Revenant
Mark Ruffalo, Spotlight
Mark Rylance, Bridge of Spies
Sylvester Stallone, Creed

ACTRESS IN A SUPPORTING ROLE
Jennifer Jason Leigh, The Hateful Eight
Rooney Mara, Carol
Rachel McAdams, Spotlight
Alicia Vikander, The Danish Girl
Kate Winslet, Steve Jobs

WRITING (ADAPTED SCREENPLAY)
The Big Short
Brooklyn
Carol
The Martian
Room

WRITING (ORIGINAL SCREENPLAY)
Bridge of Spies
Ex Machina
Inside Out
Spotlight
Straight Outta Compton

CINEMATOGRAPHY
Carol
The Hateful Eight
Mad Max: Fury Road
The Revenant
Sicario
Mad Max: Fury Road - Oscars 2016

COSTUME DESIGN
Carol
Cinderella
The Danish Girl
Mad Max: Fury Road
The Revenant

FILM EDITING
The Big Short
Mad Max: Fury Road
The Revenant
Spotlight
Star Wars: The Force Awakens

MAKEUP AND HAIRSTYLING
Mad Max: Fury Road
The 100-Year-Old Man Who Climbed out
the Window and Disappeared
The Revenant

MUSIC (ORIGINAL SCORE)
Bridge of Spies
Carol
The Hateful Eight
Sicario
Star Wars: The Force Awakens

MUSIC (ORIGINAL SONG)
“Earned It,” Fifty Shades of Grey
“Manta Ray,” Racing Extinction
“Simple Song #3,” Youth
“Til It Happens To You,” The Hunting Ground
“Writing’s On The Wall,” Spectre

PRODUCTION DESIGN
Bridge of Spies
The Danish Girl
Mad Max: Fury Road
The Martian
The Revenant

FOREIGN LANGUAGE FILM
Embrace of the Serpent
Mustang
Son of Saul
Theeb
A War

ANIMATED FEATURE FILM
Anomalisa
Boy and the World
Inside Out
Shaun the Sheep Movie
When Marnie Was There

SOUND EDITING
Mad Max: Fury Road
The Martian
The Revenant
Sicario
Star Wars: The Force Awakens
Star Wars: The Force Awakens - Oscars 2016

SOUND MIXING
Bridge of Spies
Mad Max: Fury Road
The Martian
The Revenant
Star Wars: The Force Awakens

VISUAL EFFECTS
Ex Machina
Mad Max: Fury Road
The Martian
The Revenant
Star Wars: The Force Awakens

DOCUMENTARY (FEATURE)
Amy
Cartel Land
The Look of Silence
What Happened, Miss Simone?
Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom

DOCUMENTARY (SHORT SUBJECT)
Body Team 12
Chau, beyond the Lines
Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah
A Girl in the River: The Price of Forgiveness
Last Day of Freedom

SHORT FILM (ANIMATED)
Bear Story
Prologue
Sanjay’s Super Team
We Can’t Live without Cosmos
World of Tomorrow

SHORT FILM (LIVE ACTION)
Ave Maria
Day One
Everything Will Be Okay (Alles Wird Gut)
Shok

Stutterer

quinta-feira, fevereiro 25, 2016

OS FILMES DE 2015: BROOKLYN


BROOKLYN

Há filmes que podem ser destruídos por uma banda sonora. “Brooklyn” é um deles. Já de si melodramática e xaroposa, esta história de uma jovem irlandesa que vai para os EUA e se instala em Brooklyn, onde se emprega, arranja namorado e casa secretamente, voltando à Irlanda por morte de uma irmã, onde volta a encontrar o amor e as bisbilhotices habituais, para regressar a Nova Iorque, já de si não tem muito para agradar sobremaneira, se exceptuarmos algumas interpretações. Mas a banda sonora, com uma irritante e omnipresente choradeira de violinos, acaba por afastar qualquer simpatia. Não se percebe como este mediano filme que se pode ver na TV, quando se não tem mais nada para fazer, numa invernosa tarde de domingo, está na corrida aos Oscars e já arrecadou tantas nomeações e alguns prémios internacionais. A recriação dos anos 50 não é má, a fotografia é interessante, mas nada mais se poderá dizer desta realização de John Crowley.


BROOKLYN
Título original: Brooklyn

Realização: John Crowley (Irlanda, Inglaterra, Canadá, 2015); Argumento: Nick Hornby, segundo romance de Colm Tóibín; Produção: Finola Dwyer, Pierre Even, Susan Mullen, Amanda Posey, Marie-Claude Poulin; Música: Michael Brook; Fotografia (cor): Yves Bélanger; Montagem: Jake Roberts; Casting: Fiona We; Design de produção: François Séguin; Direcção artística: Irene O'Brien, Robert Parle; Decoração: Suzanne Cloutier, Jenny Oman, Louise Tremblay; Guarda-roupa: Odile Dicks-Mireaux; Maquilhagem: Michelle Côté, Ivy Ermert, Morna Ferguson, Christopher Fulton, Lorraine Glynn, R. Cory  McCutcheon, Marlène Rouleau; Direcção de Produção: Joanne Dixon, Polly Duval, Lindsay Feldman; Assistentes de realização: Keith Browett, Enda Doherty, Roisin El Cherif, Conor Flannery, Brigitte Goulet, Daniel Lloyd, Evelyne Renaud, Nick Thomas, Charlie Watson, Jessica Whelehan, Melinda Ziyadat; Departamento de arte: Paul Brady, Fiona Cooney, Melanie Downes, Denis Hamel; Som: Glenn Freemantle; Efeitos especiais: Pierre L'Heureux; Efeitos visuais: Andy Clarke, Ciara Gillan; Companhias de produção:Wildgaze Films, Parallel Film Productions, Irish Film Board, Item 7; Intérpretes: Saoirse Ronan (Eilis), Hugh Gormley (padre), Brid Brennan (Miss Kelly), Jim Broadbent (padre Flood), Maeve McGrath (Mary), Emma Low (Mrs. Brady), Barbara Drennan, Gillian McCarthy, Fiona Glascott, Jane Brennan, Eileen O'Higgins, Peter Campion, Eva Birthistle, James Corscadden, Julie Walters, Emily Bett Rickards, Eve Macklin, Nora-Jane Noone, Mary O'Driscoll, Samantha Munro, Jane Wheeler, Jessica Paré, Adrien Benn, Alain Goulem, etc. Duração: 111 minutos; Distribuição em Portugal: NOS Audiovisuais; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 7 de Janeiro de 2016.

JOAQUIM ROSA (1926-2016)

MORREU JOAQUIM ROSA
Mais uma notícia que me apanha de forma inesperada e dramática. Joaquim Rosa, o "meu" padre Alves de "Manhã Submersa", morreu. Era um excelente actor, uma pessoa de um trato impecável, elegante e generosa. Tive com ele a melhor das relações. Deixa uma obra e muita saudade.  



Joaquim Rosa nasceu em Évora, a 6 de Junho de 1926. Foi um actor português com uma conceituada carreira construída principalmente no teatro, no cinema e na televisão.  Integrou vários espectáculos de Filipe La Féria. Na televisão actuou por exemplo em algumas produções escritas por Francisco Moita Flores. No cinema foi o Padre Alves em "Manhã Submersa", entre muitos outros títulos. Faleceu, aos 89 anos, a 24 de Fevereiro de 2016, na Casa do Artista, onde residia.