quarta-feira, fevereiro 21, 2018

BAFTA 2018: OS VENCEDORES



BAFTA 2018: OS VENCEDORES 
19 de Fevereiro de 2018
A lista dos vencedores:

Melhor Filme
CALL ME BY YOUR NAME
DARKEST HOUR
DUNKIRK
THE SHAPE OF WATER
THREE BILLBOARDS OUTSIDE EBBING, MISSOURI

Melhor Realizador
BLADE RUNNER 2049, Denis Villeneuve
CALL ME BY YOUR NAME, Luca Guadagnino
DUNKIRK, Christopher Nolan
THE SHAPE OF WATER, Guillermo del Toro
THREE BILLBOARDS OUTSIDE EBBING, MISSOURI, Martin McDonagh

Melhor Atriz
ANNETTE BENING - Film Stars Don’t Die in Liverpool
FRANCES McDORMAND - Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
MARGOT ROBBIE - I, Tonya
SALLY HAWKINS - The Shape of Water
SAOIRSE RONAN - Lady Bird

Melhor Ator
DANIEL DAY-LEWIS - Phantom Thread
DANIEL KALUUYA - Get Out
GARY OLDMAN - Darkest Hour
JAMIE BELL - Film Stars Don’t Die in Liverpool
TIMOTHÉE CHALAMET - Call Me by Your Name

Melhor Atriz Secundária
ALLISON JANNEY - I, Tonya
KRISTIN SCOTT THOMAS - Darkest Hour
LAURIE METCALF - Lady Bird
LESLEY MANVILLE - Phantom Thread
OCTAVIA SPENCER - The Shape of Water

Melhor Ator Secundário
CHRISTOPHER PLUMMER All the Money in the World
HUGH GRANT Paddington 2
SAM ROCKWELL Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
WILLEM DAFOE The Florida Project
WOODY HARRELSON Three Billboards Outside Ebbing, Missouri

Filme Britânico Excecional
DARKEST HOUR
THE DEATH OF STALIN
GOD’S OWN COUNTRY
LADY MACBETH
PADDINGTON 2
THREE BILLBOARDS OUTSIDE EBBING, MISSOURI

Estreia Excecional de Argumentista, Realizador ou Produtor Britânico
THE GHOUL Gareth Tunley (Argumentista/Realizador/Produtor), Jack Healy Guttman & Tom Meeten (Produtor)
I AM NOT A WITCH Rungano Nyoni (Argumentista/Realizador), Emily Morgan (Produtor)
JAWBONE Johnny Harris (Argumentista / Produtor), Thomas Napper (Realizador)
KINGDOM OF US Lucy Cohen (Realizador)
LADY MACBETH Alice Birch (Argumentista), William Oldroyd (Realizador), Fodhla Cronin O’Reilly (Produtor)

Melhor Filme em Língua Estrangeira
ELLE
FIRST THEY KILLED MY FATHER
THE HANDMAIDEN
LOVELESS
THE SALESMAN

Melhor Documentário
CITY OF GHOSTS
I AM NOT YOUR NEGRO
ICARUS
AN INCONVENIENT SEQUEL
JANE

Melhor Filme de Animação
COCO
LOVING VINCENT
MY LIFE AS A COURGETTE

Melhor Argumento Original
GET OUT Jordan Peele
I, TONYA Steven Rogers
LADY BIRD Greta Gerwig
THE SHAPE OF WATER Guillermo del Toro, Vanessa Taylor
THREE BILLBOARDS OUTSIDE EBBING, MISSOURI Martin McDonagh

Melhor Argumento Adaptado
CALL ME BY YOUR NAME James Ivory
THE DEATH OF STALIN Armando Iannucci, Ian Martin, David Schneider
FILM STARS DON’T DIE IN LIVERPOOL Matt Greenhalgh
MOLLY’S GAME Aaron Sorkin
PADDINGTON 2 Simon Farnaby, Paul King

Melhor Banda Sonora
BLADE RUNNER 2049 Benjamin Wallfisch, Hans Zimmer
DARKEST HOUR Dario Marianelli
DUNKIRK Hans Zimmer
PHANTOM THREAD Jonny Greenwood
THE SHAPE OF WATER Alexandre Desplat

Melhor Fotografia
BLADE RUNNER 2049 Roger Deakins
DARKEST HOUR Bruno Delbonnel
DUNKIRK Hoyte van Hoytema
THE SHAPE OF WATER Dan Laustsen
THREE BILLBOARDS OUTSIDE EBBING, MISSOURI Ben Davis

Melhor Montagem
BABY DRIVER Jonathan Amos, Paul Machliss
BLADE RUNNER 2049 Joe Walker
DUNKIRK Lee Smith
THE SHAPE OF WATER Sidney Wolinsky
THREE BILLBOARDS OUTSIDE EBBING, MISSOURI Jon Gregory

Melhor Design de Produção
BEAUTY AND THE BEAST Sarah Greenwood, Katie Spencer
BLADE RUNNER 2049 Dennis Gassner, Alessandra Querzola
DARKEST HOUR Sarah Greenwood, Katie Spencer
DUNKIRK Nathan Crowley, Gary Fettis
THE SHAPE OF WATER Paul Austerberry, Jeff Melvin, Shane Vieau

Melhor Guarda-roupa
BEAUTY AND THE BEAST Jacqueline Durran
DARKEST HOUR Jacqueline Durran
I, TONYA Jennifer Johnson
PHANTOM THREAD Mark Bridges
THE SHAPE OF WATER Luis Sequeira

Melhor caraterização
BLADE RUNNER 2049 Donald Mowat, Kerry Warn
DARKEST HOUR David Malinowski, Ivana Primorac, Lucy Sibbick, Kazuhiro Tsuji
I, TONYA Deborah La Mia Denaver, Adruitha Lee
VICTORIA & ABDUL Daniel Phillips
WONDER Naomi Bakstad, Robert A. Pandini, Arjen Tuiten

Melhor Som
BABY DRIVER Tim Cavagin, Mary H. Ellis, Julian Slater
BLADE RUNNER 2049 Ron Bartlett, Doug Hemphill, Mark Mangini, Mac Ruth, Theo Green
DUNKIRK Richard King, Gregg Landaker, Gary A. Rizzo, Mark Weingarten
THE SHAPE OF WATER Christian Cooke, Glen Gauthier, Nathan Robitaille, Brad Zoern
STAR WARS: THE LAST JEDI Ren Klyce, David Parker, Michael Semanick, Stuart Wilson, Matthew Wood

Melhor Efeitos visuais
BLADE RUNNER 2049 Gerd Nefzer, John Nelson
DUNKIRK Scott Fisher, Andrew Jackson
THE SHAPE OF WATER Dennis Berardi, Trey Harrell, Kevin Scott
STAR WARS: THE LAST JEDI
WAR FOR THE PLANET OF THE APES

Melhor Curta Metragem de Animação Britânica
HAVE HEART
MAMOON
POLES APART

Melhor Curta Metragem Britânica
AAMIR
COWBOY DAVE
A DROWNING MAN
WORK
WREN BOYS

Estrela Ascendente
DANIEL KALUUYA
FLORENCE PUGH
JOSH O’CONNOR
TESSA THOMPSON

TIMOTHÉE CHALAMET

segunda-feira, fevereiro 19, 2018

TRÊS CARTAZES À BEIRA DA ESTRADA



TRÊS CARTAZES À BEIRA DA ESTRADA
“Three Billboards Outside Ebbing, Missouri” é um filme profundamente inquietante e um bom retrato da América de Trump, um país dividido e traumatizado, usando a violência como algo usual e comum, ao serviço das mais variadas razões (e desrazões).
Uma mulher, Mildred Hayes (a fabulosa Frances McDormand), viu a sua filha ser assassinada e violada. Alguns meses depois, as autoridades da pequena localidade de Ebbing não conseguem identificar o autor. Ela acha que há pouca mobilidade e resolve assumir uma atitude inesperada: aluga o espaço de três cartazes decrépitos à beira de uma estrada quase sem trânsito, e coloca neles três frases fatais para o chefe da polícia local, acusando-o de nada ter feito. Os policias reagem com violência e alguma população faz o mesmo. Afinal, o chefe William Willoughby (magnifico Woody Harrelson) é olhado com respeito por todos e todos conhecem o seu estado crítico, atacado por um cancro. É ele que tenta colocar alguma calma nos seus adjuntos, entre os quais um nevrótico Dixon (Sam Rockwell, inesquecível), a quem chega mesmo a dizer: “entre 10 polícias, sete são racistas e os três restantes odeiam maricas”.


Este confronto entre uma mulher que foi abandonada pelo marido, que a trocou por uma jovem de 19 anos, e que nada a recomenda, e a polícia local vai crescendo de violência, tendo pelo meio vários equívocos e pistas falsas. O filme alicerça-se num argumento bastante original e bem estruturado, com personagens fortes e complexas, sem nenhum maniqueísmo, e situações muito bem desenvolvidas. A realização de Martin McDonagh (antes dirigira “Em Burges” e “Sete Psicopatas”), que assina igualmente o argumento original, é clara, eficaz, com momentos de um lirismo e uma sensibilidade tocantes, intercalados com acções de grande vigor e violência. A descrição do ambiente claustrofóbico de uma pequena cidade norte-americana é notável. Interpretações magnificas e vários Oscars assegurados. Quem sabe se O Melhor Filme e alguns dos actores seguramente. Não se percebe muito bem que Martin McDonagh não esteja entre os nomeados para Melhor Realizador.

Um dos melhores filmes do ano. Um retrato implacável da actual América que o realizador considera uma comédia de humor negro. Humor realmente muito negro onde é difícil descortinar uma réstia de esperança. Que existe, apesar de tudo, e vem donde menos se espera.
Classificação: ***** 


TRÊS CARTAZES À BEIRA DA ESTRADA
Título original: Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Realização: Martin McDonagh (EUA, Inglaterra, 2017); Argumento: Martin McDonagh; Produção: Daniel Battsek, Graham Broadbent, Peter Czernin, Rose Garnett, Ben Knight, David Kosse, Martin McDonagh , Diarmuid McKeown, Bergen Swanson; Música: Carter Burwell; Fotografia (cor): Ben Davis; Montagem: Jon Gregory; Casting: Sarah Finn; Design de produção: Inbal Weinberg; Direcção artística: Jesse Rosenthal; Decoração: Merissa Lombardo; Guarda-roupa: Melissa Toth; Maquilhagem: Susan Buffington, Leo Corey Castellano, Cydney Cornell, Jorie Mars Malan, Lindsay McAllister, Meghan Reilly, Alistair Hopkins, Peggy Robinson, Bergen Swanson; Assistentes de realização: Paula Case, Peter Kohn, Spencer Taylor; Departamento de arte: Steven P. Brown, Kenneth Bryant, Lillian Heyward, Jessica Tyler Segal, Whitney Yale; Som: Timothy Cargioli, Jonathan Gaynor, Joakim Sundström, Hannes Wannerberger; Efeitos especiais: Burt Dalton, William Dawson, Eric Dresso; Efeitos visuais: Andrea Aceto, Simon Hughes, George Kolyras, Paul O'Hara, Noga Alon Stein; Companhias de produção: Blueprint Pictures, Film 4, Fox Searchlight Pictures; Intérpretes: Frances McDormand (Mildred), Caleb Landry Jones (Red Welby), Kerry Condon (Pamela), Woody Harrelson (Willoughby), Sam Rockwell (Dixon), Alejandro Barrios (Latino), Jason Redford (Latino2), Darrell Britt-Gibson (Jerome), Abbie Cornish (Anne), Riya May Atwood (Polly), Selah Atwood (Jane), Lucas Hedges (Robbie), Zeljko Ivanek, Amanda Warren, Malaya Rivera Drew, Sandy Martin, Peter Dinklage, Christopher Berry, Gregory Nassif St. John, Jerry Winsett, Kathryn Newton, John Hawkes, Samara Weaving, Clarke Peters, Allyssa Barley, William J. Harrison, Brendan Sexton III, Eleanor T. Threatt, Michael Aaron Milligan, etc. Duração: 116 minutos; Distribuição em Portugal: Big Picture Films; Classificação etária: M/ 16 anos; Data de estreia em Portugal: 11 de Janeiro de 2018.

quinta-feira, fevereiro 08, 2018

A HORA MAIS NEGRA


A HORA MAIS NEGRA
A Inglaterra enfrenta neste momento da sua história algumas dificuldades resultantes do “brexit”. Altura para se tentar reunir as forças e mentalizar a população com exemplos heroicos. Winston Churchill e a sua epopeia durante a II Guerra Mundial serve bem esses propósitos. Uma das razões seguramente para o aparecimento de dois filmes sobre esta figura ímpar da política inglesa do século XX. “Darkest Hour” é um deles e aparece assinado pelo mesmo realizador que também nos dera “Orgulho e Preconceito”, “Expiação”, “Hanna” ou “Anna Karenina”. Mantendo-se ao nível do realizador interessante que escolhe temas de um certo impacto histórico e literário, Joe Wright aproxima-se muito de uma outra obra recente, “O Discurso do Rei”, de Tom Hooper, mantendo com esta algumas das virtudes e certos dos seus vícios. Os vícios são para mim óbvios e facilmente ultrapassáveis se não se pretendesse fazer “obra de arte original”. Referimo-nos a alguns efeitos sem qualquer justificação, panorâmicas por avenidas ao ralenti, planos filmados a pique, mais uma ou outra situação que em vez de beneficiar o filme o distancia do espectador. Depois levanta-se uma questão que é comum a todos os filmes que procuram ficcionar factos históricos e figuras que existiram realmente. Em que medida situações e conversas apresentadas aconteceram efectivamente?  Algumas dessas liberdades poéticas não resultam muito bem, como por exemplo a viagem de Churchill pelo metropolitano de Londres, auscultando a opinião do povo.
O lado interessante é efectivamente a recuperação de um momento histórico importante, a obstinação de Churchill em não ceder perante a capitulação de alguns políticos ingleses e aceitar um pacto de colaboração com Hitler. Churchill sempre foi pela resistência à barbárie.
Os motivos que valorizam decisivamente este filme, são as interpretações de um elenco de um grande rigor, quer da parte de um extraordinário Gary Oldman, muito bem apoiado por uma maquilhagem acima da média, quer pelos restantes secundários.
Com alguma sobrevalorização, “A Hora mais Negra” está nomeado para alguns Oscars: Melhor Filme, Melhor Actor (Gary Oldman), Melhor Fotografia, Melhor Guarda Roupa, Melhor Direcção Artística e Melhor Caracterização. Há dois candidatos com muitas hipóteses, Oldman e caracterização.
Classificação: ***


A HORA MAIS NEGRA
Título original: Darkest Hour

Realização: Joe Wright (Inglaterra, 2017); Argumento: Anthony McCarten; Produção: Tim Bevan, James Biddle, Lisa Bruce, Liza Chasin, Eric Fellner, Katherine Keating, Anthony McCarten, Douglas Urbanski, Lucas Webb, Dario Marianelli; Fotografia (cor): Bruno Delbonnel (Carlos de Carvalho, na segunda equipa); Música: Geoff Alexander (orquestrador);  Montagem: Valerio Bonelli; Casting: Jina Jay; Design de produção: Sarah Greenwood; Direcção artística: Oliver Goodier, Nick Gottschalk, Joe Howard; Katie Spencer; Guarda-roupa: Jacqueline Durran; Maquilhagem: Jo Barrass-Short, Anita Burger, Ella Burton, Diana Choi, Carolyn Cousins, Bob Kretschmer, David Malinowski, Heather Manson, Helen Masters, Flora Moody, Ivana Primorac, Lucy Sibbick, Rosie Sinfield, Naomi Tolan, Kazuhiro Tsuji, Vincent Van Dyke, Jenny Watson, Direcção de produção: Tim Grover, Jo Wallett, etc. Assistentes de realização: Dan Channing Williams, Gayle Dickie, Jonny Eagle, Candy Marlowe, Sarah Mooney, Thomas Napper; Departamento de Arte: Matt Boyton, Freddie Burrows, Tamara Catlin-Birch, James Collins, Stephanie Gibbins, Georgina Millett, Julia Morgantti Minchillo, Julia Newell, etc. Som: Paul Carter, Michael Maroussas, Chris Murphy, Becki Ponting, Mhairi Wyles-Lang, etc. Efeitos especiais: Jonathan Bullock, Neal Champion, George Spensley-Corfield; Efeitos visuais: Miguel Algora, Yan Caspar Hirschbuehl, Patricia Leblanc, Benjamin Magaña, Stephane Naze, etc. Companhias de produção: Perfect World Pictures, Working Title Films; Intérpretes: Gary Oldman (Winston Churchill), Kristin Scott Thomas (Clemmie), Ben Mendelsohn (Rei George VI), Lily James (Elizabeth Layton), Ronald Pickup (Neville Chamberlain), Stephen Dillane (Viscount Halifax), Nicholas Jones (Sir John Simon), Samuel West (Sir Anthony Eden), David Schofield (Clement Atlee), Richard Lumsden (General Ismay), Malcolm Storry (General Ironside). Hilton McRae, Benjamin Whitrow, Joe Armstrong, Adrian Rawlins, David Bamber, Paul Leonard, David Strathairn, Eric MacLennaN, Philip Martin Brown, etc. Duração: 125 minutos; Distribuição em Portugal: NOS Audiovisuai; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 11 de Janeiro de 2018.