domingo, março 08, 2009

TEATRO: PEÇA PARA DOIS

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“PEÇA PARA DOIS”
Tennessee Williams, pseudónimo de Thomas Lanier Williams (nascido em Columbus, 26 de Março de 1911, em Nova Iorque, e falecido a 25 de Fevereiro de 1983), é um dos mais célebres e prolíferos dramaturgos dos EUA. Quase uma centena de obras, muitas delas adaptadas ao cinema, e algumas peças das mais carismáticas do século XX, transformam o legado deste autor num invulgar olhar sobre a condição humana e sobre a sociedade norte americana do seu tempo, numa perspectiva muito pessoal e quase intransmissível. A influência de Freud é inequívoca e assimilada de forma muito original.
Entre as suas obras mais célebres contam-se “Beauty Is the Word” (1930), “Candles to the Sun” (1936), “Fugitive Kind” (1937), “Not about Nightingales” (1938), “Adam and Eve on a Ferry” (1939), “Battle of Angels” (1940), “The Long Goodbye” (1940), “The Glass Menagerie” (1944), “This Property is Condemned” (1946), “A Streetcar named Desire” (1947), “The Rose Tattoo” (1951), “Camino Real” (1953), “Cat on a Hot Tin Roof “(1955), “Orpheus descending” (1957), “Suddenly, Last Summer” (1958), “Sweet Bird of Youth” (1959), “Period of Adjustment” (1960), “The Night of the Iguana” (1961), “The Milk Train Doesn't Stop Here Anymore” (1963), “In the Bar of a Tokyo Hotel” (1969), “Will Mr. Merriweather Return from Memphis?” (1969), “Clothes for a Summer Hotel” (1980) ou “The One Exception” (1983). “The Two-Character Play”, data de 1973, e não é das suas peças mais conhecidas, correspondendo mesmo a um tipo de teatro não muito habitual no autor, se bem que seja marcadamente definida pelos seus temas obsessivos. É precisamente esta “Peça para Dois” que “A Barraca” tem em cena, numa encenação e interpretação de Rita Lello, acompanhada no palco por Pedro Giestas.
Trata-se de um esquema que surge por vezes nos palcos mais alternativos, o “teatro dentro do teatro”, as relações entre o teatro e a vida. Dois actores, dois irmãos, Felice e Clare, andam em “tournée”, e são abandonados pela sua companhia, num decadente “teatro de província de uma província que ninguém sabe onde fica.” Como não têm nem elenco nem peça, tentam “improvisar” um diálogo dramatizado, que de certa forma prolonga, em cena, o drama que ambos vivem, entre a ficção, a ilusão e a verdade, uma verdade que tanto pode ser os irmãos serem vítimas da prepotência dos pais, como serem os seus próprios carrascos. O certo é que essa “verdade” os impede de sair do quarto e enfrentar a realidade. O que justifica um “jeu de massacre” de que ninguém sai incólume, com insinuações de um incesto latente, temas todos eles muito caros a Tennessee Williams: amor, sexo, crime, família, violência psicológica, solidão.
Curiosamente foi uma peça escrita e re-escrita ao longo dos anos pelo autor. “Penso que é a minha mais bela peça desde “Um Eléctrico Chamado Desejo”, disse Tennessee Williams, “e nunca parei de trabalhar nela... é um “cri de coeur”, mas, em certo sentido, todo o trabalho criativo, toda a vida, é um cri de coeur.” Um belo texto, denso, forte, enigmático por vezes, poético sempre, a que os dois actores emprestam uma interpretação a conduzir. Rita Lello é uma actriz que cresce a olhos vistos, e Pedro Giestas uma excelente confirmação. A encenação é sóbria e eficaz.
“A Barraca” (Largo de Santos, 2, Lisboa) - Teatro Cinearte, Sala 2, Qui a Sáb: 20h Dom: 15h; Maiores 12 anos; bilhetes: 12,50€ (público em geral) e 10€ (menores 25 anos, maiores 65 anos, profissionais do espectáculo, estudantes, reformados e grupos mais 15 pessoas). Telefone: 213 965 360/275; Internet: www.abarraca.com; E-Mail: barraca@mail.telepac.pt; bilheteira@abarraca.com.

sexta-feira, março 06, 2009

PARA QUEM GOSTA DE CINEMA PORTUGUÊS (E DE TEXTOS LONGOS!)

Caminhos e Atalhos
do Cinema e do Audiovisual
em Portugal

Minhas Senhoras e meus Senhores,
É da mais elementar justiça começar por agradecer o convite para estar hoje aqui na condição em que me encontro, de palestrante. Estar presente nesta Sessão de Entrega de Diplomas de Mestrados, Pós-graduações e Formações Avançadas, em áreas que são da cultura ou com ela se cruzam de forma muito directa, não poderia ser mais estimulante. Agradeço, portanto, à Universidade Católica, na figura do seu magnífico Reitor, Prof. Doutor Manuel Braga da Cruz, e à Direcção da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, na pessoa da sua Directora, Profª Doutora Isabel Capeloa Gil, que me endereçou pessoalmente o convite para intervir neste evento.
Sendo eu alguém muito ligado ao cinema, quer como realizador, crítico, historiador e professor, não será de espantar que a minha curta comunicação venha versar precisamente um tema relacionado com estas matérias e, no meu caso, posso dizê-lo, com estas paixões que me acompanham desde sempre. Por isso resolvi falar dos "Caminhos e Atalhos do Cinema e do Audiovisual em Portugal", dado que muitos de vós, que hoje aqui estais para receber diplomas, se irão atravessar, de forma profissional, ou como simples espectadores avisados, com esta realidade e com alguns dos seus problemas e dilemas.
Problemas e dilemas foram questões com que o cinema português nunca deixou de se debater desde o início da sua fundação.
O cinema apareceu cedo em Portugal. Alguns meses depois dos Irmãos Lumiére terem feito a apresentação da sua nova invenção no Grand Café de Paris, corria o mês de Deembro de 1895, surgiram em Portugal as primeiras exibições públicas do "cinematógrafo". E Aurélio da Paz dos Reis, em 1896, apresentava no Porto, os primeiros filmes portugueses.
Mas a cinematografia portuguesa desde cedo começou a ter dificuldades para se impor. Durante todo o período do "mudo" existiram várias tentativas interessantes, mas a mais consistente e coerente, como esforço industrial, teve lugar no Porto, nos anos 20, por iniciativa da Invicta Filmes.
Curiosamente, esta importação do "film d'art", com cenários e argumentos nacionais, estes últimos retirados de obras literárias muito populares, provocou uma invasão de realizadores e técnicos estrangeiros, nomeadamente franceses e italianos, que, muito embora possuíssem um certo saber oficinal, nada trouxeram de novo em termos de criatividade.
O cinema português foi, aliás, mantendo-se afastado de todas as transformações políticas e sociais que se foram operando no País, traçando um caminho de aparente indiferença pelo dia a dia nacional que a queda da Monarquia, a implantação da Iª República, as lutas parlamentares e as arruaças, o aparecimento da Ditadura e do Estado Novo quase nada perturbaram.
Nos anos 30 e 40, já em pleno Estado Novo, sob a ditadura de Salazar, Portugal conheceu o seu primeiro grande momento cinematográfico, com uma geração de cinéfilos que ascenderam à realização, vindos de várias áreas da cultura, das artes e do jornalismo. Foi o período áureo da comédia popular, onde se destacou também uma notável geração de actores, como António Silva, Vasco Santana, Beatriz Costa, Mirita Casimito, Maria Matos, Costinha, e tantos e tantos outros, dirigidos com graça e espontaneidade - uma espontaneidade que lhes advinha sobretudo da prática do teatro de revista - por cineastas como Chianca de Garcia, Cottinelli Telmo, António Lopes Ribeiro, Leitão de Barros, Jorge Brum do Canto, Arthur Duarte, do próprio Manoel de Oliveira, que se estrearia com um notável documentário, Douro, Faina Fluvial, e uma longa metragem que ficou até hoje como um dos melhores momentos da cinematografia nacional, Aniki Bóbó.
A seu lado, comédias como A Canção de Lisboa, O Pai Tirano, O Pátio das Cantigas, O Leão da Estrela, A Aldeia da Roupa Branca ou O Costa do Castelo, constituiram os grandes sucessos desta época. Mas esse não era o cinema que o Estado Novo, e a sua "politica de espírito", da autoria de António Ferro, preconizava.
O que se pretendia eram pomposas adaptações de obras literárias, falsamente populares e estilizadamente folclóricas, epopeias históricas, como Camões, de Leitão de Barros, ou panfletos políticos, como A Revolução de Maio, de António Lopes Ribeiro. O que teve como consequência o lento abandono do público das salas, perdida que foi a receita das comédias, apertado que era o crivo da censura, desaparecidos que foram os grandes actores de comédia.
O humor passou a ser rasteiro e sem graça, impedida a crítica, anulada a criatividade. E os filmes "oficiais" caíam facilmente no ridículo, mesmo junto do grande público e das massas populares. Uma ou outra tentativa de criar um outro cinema, de influência neo-realista, como era o caso dos filmes de Manuel Guimarães, na década de 50, era desde logo morta à nascença, com cortes e recortes da moviola censória.
Em 1955 não se estreou qualquer filme em Portugal, e só na década de 60, uma nova geração de cineastas, nascidos da crítica e do movimento universitário e do cineclubismo, voltaria a abalar o marasmo.
É a época do regresso de Manoel de Oliveira, com O Acto da Primavera, e do surgimento de realizadores como Ernesto de Sousa (Dom Roberto), Paulo Rocha (Verdes Anos) Fernando Lopes (Belarmino), António Macedo (Domingo à Tarde), a que se sucedeu o grupo apoiado pela Fundação Gulbenkian, com nomes como os de Fonseca e Costa (O Recado), Alfredo Tropa (Pedro Só), de novo Oliveira (O Passado e o Presente), de novo Lopes (Uma Abelha à Chuva), e alguns "outsiders" como António da Cunha Telles (O Cerco), Fernando Matos Silva (O Mal Amado), Seixas Santos (Brandos Costumes) ou Eduardo Geada (Sofia, ou a Educação Sexual).
Entretanto, o regime vai agonizando, depois da tentativa de liberalização frustrada de Marcello Caetano, e quando se dá o 25 de Abril de 1974, vários filmes surgem com preocupações abertamente políticas e panfletárias. Rodam-se dezenas e dezenas de películas, curtas, médias e longas-metragens de valor muito desigual, que procuram "dinamizar" o ambiente social, mas este pendor imediatista retira algum valor a estes testemunhos. As obras de Rui Simões, Deus, Pátria, Autoridade e Bom Povo Português são os melhores exemplos deste período.
Será no início dos anos 80 que surgirá uma nova geração de realizadores empenhados em repensar a cultura, a mentalidade, os valores portugueses, em obras, muitas delas de raiz literária, como Cerromaior, de Luis Filipe Rocha, Conversa Acabada, de João Botelho, Veredas, de João César Monteiro, Manhã Submersa, de Lauro António, a que se devem juntar títulos de cineastas da geração de 60, como A Mulher do Próximo, de Fonseca e Costa, O Lugar do Morto, de António Pedro Vasconcelos, e o regresso em força de Manoel de Oliveira, que, nos últimos anos, tem rodado quase um novo título por ano e que merece aqui uma palavra de destaque, pela coerência do seu percurso, pela intransigência da sua proposta, defendida até à última instância, sem uma hesitação ou um compromisso. Neste ambiente de capitulação, Manoel de Oliveira é um farol de dignidade artística e cinematográfica, qualquer que seja a valorização que se possa fazer ao seu trabalho.
Em fins dos anos 80, início da década de 90, outra geração de jovens realizadores ganha de assalto o cinema português. São dezenas de jovens onde se destacam já as certezas de Ana Luisa Guimarães, Teresa Villaverde, Joaquim Pinto, Joaquim Leitão, Manuel Mozos, Jorge Paixão da Costa, Pedro Costa, Edgar Pera, Jorge Marecos Duarte e tantos outros.
Não será possível falar-se, no entanto, de um cinema português, enquanto escola ou grupo unitário e coerente em intenções e processos. Um dos aspectos mais interessantes e sedutores do cinema português desses anos era talvez, ou precisamente, essa multiplicidade de caminhos, de pontos de vista, de projectos pessoais. Quase sempre autorais.
São desses anos alguns erros de orientação e de política governamental que hoje se pagam caros. Portugal é um país algo estranho em matéria de cultura, vivendo quase sempre numa estratégia de 8 ou 80 que muito nos tem prejudicado.
Entregue a politica cultural a iluminados mentores de grupos e castas elitistas que olham com desprezo qualquer sucesso público e com inveja qualquer aparecimento de um novo autor que não crie essencialmente para a sua restrita área de amigos e correligionários, estas directivas tiveram como consequência o quase total desaparecimento de uma cinema de autor de grande público.
Desde as direcções de escolas e universidades, até às sucessivas direcções de IPC, ICA, ICAM e etc., o que se preconizava era um cinema de autor marcadamente pessoal, intransigentemente “contra o espectador” (ou “contra os gostos da burguesia dominante”). O resultado foi que esse cinema cada vez mais entrou num gheto donde dificilmente sairá, e que, à sua revelia tenha aparecido, não um cinema de autor interessado em comunicar com o grande público, mas o pior cinema comercial sem quaisquer preocupações culturais e artísticas. E é esse cinema que aparentemente conquista o público presentemente nas salas de cinema portuguesas.
O que acontecia nos jornais, com os chamados tablóides que quase só se interessam com a gratuita exploração do sexo, da morbidez, da violência, física e psicológica, dos factos mais escabrosos da vida humana, passara já há anos aos canais de televisão, sobretudo desde o aparecimento das privadas que muito pouco trouxeram de diversidade, e muito acarretaram dos piores vícios do comércio desregularizado. O que sobrou foram Big Brother e quejandos, numa atordoante progressão de invasão de privacidade, de vouyerismo, de patologia comunicacional. Hoje anuncia-se em Inglaterra que uma mulher vítima de cancro vende direitos de transmissão da sua morte em directo. O que há uns anos apenas era motivo de anedota – dizia-se “qualquer dia teremos a morte em directo!” – é uma realidade.
Esta tabloidização da televisão passou rapidamente ao cinema. O cinema que hoje em dia se produz em Portugal tem duas origens precisas e duas intenções concretas como finalidade: produz-se cinema de autor para festivais e restritos circuitos de arte e ensaio, e cinema dito “comercial”, onde começa a valer tudo desde que venda.
Hoje em Portugal não há quase qualquer preocupação de se produzir cinema de autor para o grande público, por duas razões: por um lado, cinema de autor que o grande público entenda e ame, deixa de ser “cinema de autor” para uma grande parte da inteligência nacional (que julgo ter muito pouco de inteligente neste caso); por outro lado, o cinema comercial puxa da pistola quando ouve falar de cultura ou de autoria. O que pretende é rentabilidade a qualquer preço.
“O Crime do Padre Amado”, em versão soft porno, “Conversa da Treta”, “Amália”, “Second Life” são alguns desses títulos que procuram sobretudo ser rentáveis, nem que para tanto tenham de vender a alma ao Diabo. Podem ser mais ou menos bem feitos (quase todos são bastante mal realizados, sem uma única ideia do que seja o cinema!), mas o resultado é escabroso.
Até homens com responsabilidade na cultura e no cinema portugueses alinham já nessa onda de mercantilismo desenfreado, mercê das regras de um mercado que começa a impor a rentabilidade da bilheteira acima de tudo: que dizer de “Corrupção”, de João Botelho, ou de “Call Girl”, de António Pedro de Vasconcelos?
De Salazar não interessou analisar a sua política ditatorial, mas sim autopsiar a vida amorosa e sexual.
Vem aí já de seguida o “escândalo” Sá Carneiro - Snu Abecassis e, não tarda, teremos o Caso Maddie. Estão em produção.
Todos estes temas poderiam ser interessantes de tratar se o fossem de forma elevada e com intuitos inicialmente de comunicação (jornalística, artística, cultural, etc.) e só depois comercial.
Mas inverteram-se completamente as finalidades. O cinema poderá ser cultura, arte e entretenimento. Poderá ser comercial. É-o sempre que se exibe numa sala para cujo ingresso se pagam bilhetes. Poderá até ser puramente comercial. Mas em qualquer das suas intenções deverá ser digno, não mentir aos seus espectadores. Não criar falsos engodos para os iludir. Não inventar “receitas” com a finalidade única de vender o produto. Não improvisar menus de pitéus que calculem ser do agrado do freguês, não pactuar com a indigência, nem sobretudo fomentá-la. Um espectáculo pode ser apenas divertido, tentar somente entreter sem outra intenção, mas deve fazê-lo com inteligência, sensibilidade, criatividade, algum sentido.
Uma cinematografia pode existir só com filmes de autor, é verdade. Não existirá nunca só com filmes deste comércio rasteiro que se instala em muitos programas de canais de televisão e e em muitos dos títulos anunciados nas salas de cinema. Uma cinematografia, para ser vigorosa, pode, e deve, permitir coexistir dentro de si, os autores mais vanguardistas, os autores mais comunicativos que gostam de dialogar com os públicos e as obras de puro entretenimento. Cada autor deve ser sincero consigo próprio, com o “seu” cinema, e exprimir-se coerentemente. Nada pior e mais nefasto do que obras que renegam princípios ou que nunca os tiveram. O cinema português, uma parte muito considerável do actual cinema dito português, não é culturalmente válido, não é artisticamente sequer interessante, não é representativo de quaisquer valores nacionais ou humanistas. Não é um retrato sociológico, histórico, geográfico, etnográfico de um pais ou de um povo. Não é diversão nem entretenimento. Aproxima-se muito de uma penosa incursão pelo grau zero da escrita e uma tormentosa via de estupidificação do público.
“Dar ao público o que este quer” parece ser a justificação encontrada. Mas o público não pode escolher, se não houver opções. A verdade é que, tanto no cinema como no audiovisual em geral (refiro-me particularmente aos canais de televisão), as opções que se colocam ao publico português, neste momento, são extremas: ou obras de um ascetismo total, que obviamente agradam apenas a minorias preparadas, ou inenarráveis mediocridades sem estética nem ética. No entanto, esse mesmo público em nome do qual se produzem infantilidades sem escrúpulos, o publico, o tal que “quer aquilo que lhe dão”, faz sucessos do que deve fazer sucesso, quando os filmes vêm lá de fora. Veja-se o que tem acontecido ainda neste início de ano, com algumas das obras que estiveram a concorrer aos Oscars: houve muito público, mesmo com a não falada e sentida crise, que não perdeu filmes interessantes e obras admiráveis. O que vai acontecer, mais tarde ou mais cedo, é esta vaga de subprodutos desacreditar-se a si própria.
Mas entretanto o cinema português continuará atulhado num mar de equívocos. Claro que o governo não pode ser dirigista em matéria de cultura. Mas tem uma responsabilidade: promover a educação.
Como se ensina a ler e escrever no papel, deverá incentivar, promover a aprendizagem, estimular o espírito critico, a sensibilização, a criatividade. Na escola, não só nas Universidades. É no ensino básico e no secundário que se criam públicos mais exigentes, melhor apetrechados, mais críticos, conhecedores da história passada e das potencialidades futuras do Cinema e do audiovisual.
Ambos poderiam ser, e têm sido em muitos e muitos casos, armas fortíssimas, alavancas extraordinárias, não para imporem caminhos, mas para permitir diálogos e assim promover a diversidade cultural e a tolerância inter pares.
A arte (e o entretenimento também) nunca aspira ao lucro como valor imediato. Nada impede que um bom filme dê lucro, até será saudável (quer dizer que muitos viram e gostaram). Mas ter o lucro como única meta não deixará de ser motivo de forte alarme. No comércio da carne e do peixe, na construção civil, nos enlatados e nos frescos, nos filmes e nos programas de televisão.
Numa sociedade democrática e livre, exige-se ao cidadão uma consciência cívica que lhe permita escolher, optar, estando avisado para o fazer. Devemos então exigir, no acto de comprar um bilhete e de seleccionar um filme, uma cinematografia portuguesa, original, nossa, marcadamente nacional, no que nós temos de mais vincada e genuinamente autêntico. Não uma cinematografia uniformizada. Pelo contrário: diversa. Uma cinematografia que possa dialogar com outras terras e outras gentes, outros filmes e outros autores. Que seja arte e indústria, ainda que incipiente, mas que seja sobretudo representativa de uma realidade, de um povo, de um tempo, de um local. A globalização não deve impor figurinos, deve permitir mais facialmente o intercâmbio das diferenças. É nas diferenças que reside o futuro de um mundo harmonioso. Que as estimule e as confronte.
Comunicação lida na Universidade Católica, Lisboa, a 5 de Março de 2009.


Lauro António e o cinema from Rogério Santos on Vimeo.

Retirado do blogue Industrias Culturais de Rogério Santos (com a devida vénia e um abraço)

quarta-feira, março 04, 2009

NA QUALIDADE DE FALECIDO

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VAVADIANDO COM ANTHIMIO DE AZEVEDO

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30 º J A N T A R D A T E R T Ú L I A V Á . V Á . D I A N D O
12.MARÇO.2009
20,00 horas

VAMOS FALAR DE
“AQUECIMENTO GLOBAL E ALTERAÇÕES CLIMATÉRICAS”
CONVIDADO: ANTHÍMIO DE AZEVEDO
(Meteorologista)


Depois de RAÚL SOLNADO, FERNANDO DACOSTA, NUNO JÚDICE, TEOLINDA GERSÃO, IVA DELGADO, LÍDIA JORGE, MARIA DO CÉU GUERRA, EURICO GONÇALVES, PAULO PORTAS, LAURO ANTÓNIO, ROGÉRIO SAMORA, CARLOS DO CARMO, CELINA PEREIRA, OTELO SARAIVA DE CARVALHO, MARCELO REBELO DE SOUSA, IRENE PIMENTEL, PADRE FEYTOR PINTO, FERNANDO ROSAS, BÁRBARA GUIMARÃES, NICOLAU BREYNER, GONÇALO RIBEIRO TELLES, FRANCISCO MOITA FLORES, BAPTISTA BASTOS, ALICE VIEIRA, SÃO JOSÉ LAPA, INÊS LAPA LOPES, ANTÓNIO VICTORINO D’ALMEIDA, JOSÉ MANUEL ANES CONTINUAM OS NOSSOS ENCONTROS, MANTENDO UMA TRADIÇÃO DE TERTÚLIA
DO CAFÉ-RESTAURANTE VÁVÁ.

ENTRADA: 17,5 EUROS POR PESSOA. COM DIREITO A ENTRADAS, SOPA, UM PRATO DO DIA, PEIXE OU CARNE, SOBREMESA, BEBIDA (VINHO É O DA CASA!) E CAFÉ.

EXTRAS POR CONTA DO FREGUÊS.

[ LOTAÇÃO LIMITADA A 50 CADEIRAS. ACEITAM-SE INSCRIÇÕES NO BALCÃO DO VÁVÁ. ]
PRÓXIMO CONVIDADO: LAURO MOREIRA, Embaixador do Brasil na CPLP
(23 de Abril de 2009)
Para informações e marcações de lugares:
LAURO ANTÓNIO - Blogue Va.Va.diando (http://vava-diando.blogspot.com/][mail: laproducine@gmail.com]
RESTAURANTE - CAFÉ VÁVÁ AV. EUA, Nº 100 - 1700-179 – LISBOA (TELF 21.7966761).
ANTHÍMIO DE AZEVEDO METEOROLOGISTA

A 1 de Novembro de 1962 começa a apresentar o Boletim Meteorológico na RTP, tornando-se uma das figuras mais populares e emblemáticas da televisão portuguesa.
Mais tarde, na TVI, prolongou a sua carreira de “o homem do tempo”,
com uma simpatia e uma empatia notáveis junto do público.Nasceu em Ponta Delgada, S.Miguel, Açores, a 27 de Abril de 1926. Licenciado em Ciências Geofísicas e especializado em Meteorologia. Chefiou o Serviço Meteorológico da Guiné (1967-1970). Foi Técnico da Organização Meteorológica Mundial para Organização e Formação naGuiné-Bissau (1975-1977). Chefiou as Divisões: de Climatologia (!981-1985); de Formação Meteorológica (1985-1988); de Relações Internacionais (1988-1990); Foi Delegado Nacional: Ao Grupo de Códigos da Organização Meteorológica Mundial (!975-1990): Ao Grupo de Meteorologia do Comité Militar da OTAN (1986-1992). Foi Director Regional para Meteorologia e Geofísica Interna, nos Açores (1990-1992). Foi apresentador na RTP (1962-1990) [com interrupções para as comissões na Guiné, antes e depois da independência]. Na TVI foi coordenador e apresentador de Meteorologia (1992-1996); No 10º aniversário da METEOSAT apresentou as previsões para Portugal, via televisão alemã ZDF, desde Darmstadt – RDA (Jun 1996). É professor na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologia: de Climatologia, para Engenharia do Ambiente, desde 1997-1998, de Meteorologia, para Ciências do Mar, desde 2004-2005.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

BRINCADEIRAS DE CARNAVAL, III

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Recebido por mail, com a indicação expressa de "passar aos amigos" e difundir. Permite uma pequena ideia da noção de cidadania à portuguesa. Destinado sobretudo a quem "cometer infrações graves ou muito graves"

BRNCADEIRAS DE CARNAVAL, II

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Assim se "brincava ao carnaval", em Portugal, sob "frondosasvegetações", corria o ano de 1953. Uns oito ou dez anos depois, fui preso e conduzido a uma esquadra da polícia, nos Restauradores, em Lisboa, não por causa de "aquilo", mas por acender um isqueiro (era necessário uma licença de uso de isqueiro".
Nota: alguém me explica a diferença entre "mão naquilo" e "aquilo na mão"?

BRINCADEIRAS DE CARNAVAL, I

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Braga
PSP apreende livros por considerar
pornográfica capa com quadro de Courbet
23.02.2009 - Lusa

A PSP de Braga apreendeu hoje numa feira de livros de saldo alguns exemplares de um livro sobre pintura. A polícia considerou que o quadro do pintor Gustave Courbet, reproduzido nas capas dos exemplares, era pornográfico, adiantou uma fonte da empresa livreira.António Lopes disse que os três agentes policiais elaboraram um auto no qual afirmam terem apreendido os livros por terem imagens pornográficas expostas publicamente. O quadro do pintor oitocentista - tido como fundador do realismo em pintura - expõe as coxas e o sexo de uma mulher, sendo, por isso, a sua obra mais conhecida. Pintado em 1866, está exposto no Museu D'Orsay em Paris. António Lopes manifestou-se "indignado" com a atitude da PSP: "isto é uma vergonha, um atentado à liberdade", afirmou. O empresário é um dos sócios da distribuidora 'Inovação à Leitura', de Braga, organizadora da Feira do Livro em Saldo e Últimas Edições, que está a decorrer, até ao dia 8 de Março, na Praça da República - vulgo Arcada - no centro de Braga. Segundo os especialistas, Gustave Courbet era já um pintor "conhecido em França pela sua destreza técnica mas sobretudo pela sua atitude crítica e corrosiva em relação à sociedade burguesa, que não perdia ocasião de afrontar". Courbet, um socialista convicto, ao representar frontalmente as coxas e o sexo de uma mulher, com o quadro "A Origem do Mundo" abalou profundamente o meio artístico, tendo a sua exposição pública sido proibida na época.
Como gosto muito do referido quadro e até já o tinha postado neste blogue, há uns tempos atrás, aqui o volto a reproduzir com a devida vénia, e na esperança que a ignorância bracarense não se estenda até à net. Braga, cidade que Luís Pacheco tão bem imortalizou no seu "O Libertino Passeia por Braga, A Idolátrica, O Seu Esplendor", continua a dividir-se entre o puritanismo ostensivo e a libertinagem escondida. E, todavia, o génio de Courbet bem nos avisa que é dali que todos saímos, dessa esplendorosa "origem do mundo".

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

OSCARS 2009

Os vencedores

Primeira conclusão: o que corre na internet é quase sempre boato - não havia carta nenhuma a revelar antecipadamente os vencedores. Tudo uma treta. Esta divertida, ao lado de centenas de outras que enxovalham pessoas e instituições e procuram por todos os meios mostrar que este mundo é uma miséria moral. Não é tanto assim. Só é miséria moral, em grande parte, por causa desses difusores de mentiras e de embustes.
Segunda conclusão/span> nem sempre o que parece certo, está seguro. Havia Oscars já atribuídos que foram parar a outras mãos.

Terceira conclusão: a cerimónia deste ano foi excelente, em ritmo, invenção, espectáculo, dignidade. A América e Hollywood estão de parabéns.

Quarta conclusão: o cinema é arte e espectáculo e muitos críticos portugueses não sabem o que dizem quando afirmam certos disparates monumentais. Mas eles estão obviamente "certos", e o resto do mundo "errado". O "orgulhosamente sós" de Salazar continua a ter inteira propriedade. País de "cérebros iluminados", que poucos lêem e que fazem com que a crítica e o público estejam quase divorciados.

Quinta conclusão: na lista de previsões aqui apresentada, segundo o que se pensava serem os critérios da Academia, houve algumas surpresas. A maioria delas dando-me algum prazer pessoal: os Oscars para Penelope Cruz e Sean Penn fora duas grandes interpretações justamente consagradas (lamento por Mickey Rourke, cujo filme ainda não vi, mas que não terá tão cedo outra tão boa oportunidade).
Sexta conclusão: "Que quer ser Bilionário?" não é o melhor filme do ano, nem é sequer o melhor entre os nomeados, mas é um bom filme. Muito longe da "pornografia miserabilista" que alguns lhe chamam. Muito longe do retrato viciado da Índia que (alguns) indianos insistem em ver nele.

Best Picture (Filme)
The Curious Case of Benjamin Button
Frost/Nixon
Milk
The Reader
Slumdog Millionaire

Best Director (Realizador)
Danny Boyle - 'Slumdog Millionaire'
Stephen Daldry - 'The Reader'
David Fincher - 'The Curious Case of Benjamin Button'
Ron Howard - 'Frost/Nixon'
Gus Van Sant - 'Milk'

Best Actor (Actor)
Richard Jenkins - 'The Visitor'
Frank Langella - 'Frost/Nixon'
Sean Penn - 'Milk'
Brad Pitt - 'The Curious Case of Benjamin Button'
Mickey Rourke - 'The Wrestler'

Best Actress (Actriz)
Anne Hathaway - 'Rachel Getting Married'
Angelina Jolie - 'Changeling'
Melissa Leo - 'Frozen River'
Meryl Streep - 'Doubt'
Kate Winslet - 'The Reader'

Best Supporting Actor (Actor secundário)
Josh Brolin - 'Milk'
Robert Downey Jr. - 'Tropic Thunder'
Philip Seymour Hoffman - 'Doubt'
Heath Ledger - 'The Dark Knight'
Michael Shannon - ' Revolutionary Road'

Best Supporting Actress (Actriz secundária)
Amy Adams – ‘Doubt’
Penélope Cruz – ‘Vicky Cristina Barcelona’
Viola Davis – ‘Doubt’
Marisa Tomei – ‘The Wrestler’
Taraji P. Henson – ‘The Curious Case of Benjamin Button’


Best Animated Feature Film (Animação)
Bolt
Kung Fu Panda

Wall-E

Best Foreign Film (Filme em língua não inglesa)
'The Baader Meinhof Complex' (Germany)
'The Class' (France)
'Departures'(Japan)
'Revanche' (Austria)
'Waltz With Bashir' (Israel)

Best Original Screenplay (Argumento original)
Dustin Lance Black - 'Milk'
Courtney Hunt - 'Frozen River'
Mike Leigh - 'Happy-Go-Lucky'

Martin McDonagh - 'In Bruges'
Andrew Stanton, Jim Reardon, Pete Docter - 'WALL-E'

Best Adapted Screenplay (Argumento adaptado)
Eric Roth, Robin Swicord - 'The Curious Case of Benjamin Button'
John Patrick Shanley - 'Doubt'
Peter Morgan - 'Frost/Nixon'
David Hare - 'The Reader'

Simon Beaufoy - 'Slumdog Millionaire'

Best Original Score (Paritura musical)
The Curious Case of Benjamin Button
Defiance'
Milk

Slumdog Millionaire
WALL-E

Best Original Song (Canção)
‘Down to Earth - ' WALL-E
‘Jai Ho' - ‘Slumdog Millionaire'
‘O Saya' - ‘Slumdog Millionaire'

Best Film Editing (Montagem)
Kirk Baxter, Angus Wall - 'The Curious Case of Benjamin Button'
Lee Smith - 'The Dark Knight'
Mike Hill, Dan Hanley - 'Frost/Nixon'
Elliot Graham - 'Milk'

Chris Dickens, 'Slumdog Millionaire'

Best Cinematography (Fotografia)
Tom Stern - 'Changeling'
Claudio Miranda - 'The Curious Case of Benjamin Button'
Wally Pfister - 'The Dark Knight'
Chris Menges, Roger Deakins - 'The Reader'
Anthony Dod Mantle – ‘Slumdog Millionaire'

Best Costume Design (Guarda-Roupa)
Catherine Martin - 'Australia'
Jacqueline West - 'The Curious Case of Benjamin Button'
Michael O'Connor - 'The Duchess'
Danny Glicker - 'Milk'
Albert Wolsky - 'Revolutionary Road'


Best Sound Mixing (Som)
David Parker, Michael Semanick, Ren Klyce, Mark Weingarten - 'The Curious Case of Benjamin Button'
Lora Hirschberg, Gary Rizzo, Ed Novick - 'The Dark Knight'
Ian Tapp, Richard Pryke, Resul Pookutty - 'Slumdog Millionaire'
Tom Myers, Michael Semanick, Ben Burtt - 'WALL-E'
Chris Jenkins, Frank A. Montaño, Petr Forejt - 'Wanted'

Best Sound Editing (Edição de Som)
Richard King - 'The Dark Knight'
Frank Eulner, Christopher Boye - ‘Iron Man'
Tom Sayers - ‘Slumdog Millionaire'
Ben Burtt, Matthew Wood - 'WALL-E'
Wylie Stateman - 'Wanted'


Best Makeup (Caracterização)
Greg Cannom - 'The Curious Case of Benjamin Button'
John Caglione, Jr., Conor O'Sullivan - 'The Dark Knight'
Mike Elizalde, Thom Flout - 'Hellboy II: The Golden Army'


Best Art Direction (Direcção artística)
James J. Murakami, Gary Fettis - 'Changeling'
Donald Graham Burt, Victor J. Zolfo - 'The Curious Case of Benjamin Button'
Nathan Crowley, Peter Lando - 'The Dark Knight'
Michael Carlin, Rebecca Alleway - 'The Duchess'
Kristi Zea, Debra Schutt - 'Revolutionary Road'


Best Special Efects (Efeitos Especiais)
Eric Barba, Steve Preeg, Burt Dalton, Craig Barron - 'The Curious Case of Benjamin Button'
Nick Davis, Chris Corbould, Tim Webber, Paul Franklin - ‘The Dark Knight'
John Nelson, Ben Snow, Dan Sudick, Shane Mahan - ‘Iron Man'

(a verde, as nossas previsões confirmadas; a dourado, os Oscars que diferiram).

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

OS OSCARS, EM PRIMEIRA MÃO

JÁ SE SABEM OS RESULTADOS?

No blogue da minha amiga Vanessa, "Quando Tudo Arde", surge esta carta com a pergunta "Será?" Será que será verdade? Que o segredo mais bem guardado veio parar a mãos portuguesas? Que a carta e os resultados nela anunciados têm alguma lógica, não deixa de ser verdade. Se for aldrabice, é bem feita, por especialistas.
(para ler melhor a carta, aceder ao blogue "Quando Tudo Arde")

OSCARS 2009


Antecipando vencedores
Há dois tipos de previsões para o que vai acontecer na Cerimónia dos Oscars. Uma, é escolher, entre os nomeados, o nosso eleito. Outra é prever o que a Academia vai premiar.
Hoje vamos tentar fazer futurologia quanto à intenção de voto da Academia, deixando de lados certas categorias que, por total desconhecimento dos nomeados, não nos poderemos pronunciar.
Aqui vai o que pensamos serem os Oscars de 2009 (repete-se: não são os nossos preferidos, mas aqueles que julgamos vir a serem preferidos pela Academia).

Best Picture (Filme)
The Curious Case of Benjamin Button
Frost/Nixon
Milk
The Reader
Slumdog Millionaire

Best Director (Realizador)
Danny Boyle - 'Slumdog Millionaire'
Stephen Daldry - 'The Reader'
David Fincher - 'The Curious Case of Benjamin Button'
Ron Howard - 'Frost/Nixon'
Gus Van Sant - 'Milk'

Best Actor (Actor)
Richard Jenkins - 'The Visitor'
Frank Langella - 'Frost/Nixon'
Sean Penn - 'Milk'
Brad Pitt - 'The Curious Case of Benjamin Button'
Mickey Rourke - 'The Wrestler'

Best Actress (Actriz)
Anne Hathaway - 'Rachel Getting Married'
Angelina Jolie - 'Changeling'
Melissa Leo - 'Frozen River'
Meryl Streep - 'Doubt'
Kate Winslet - 'The Reader'

Best Supporting Actor (Actor secundário)
Josh Brolin - 'Milk'
Robert Downey Jr. - 'Tropic Thunder'
Philip Seymour Hoffman - 'Doubt'
Heath Ledger - 'The Dark Knight'
Michael Shannon - ' Revolutionary Road'

Best Supporting Actress (Actriz secundária)
Amy Adams – ‘Doubt’
Penélope Cruz – ‘Vicky Cristina Barcelona’
Viola Davis – ‘Doubt’
Marisa Tomei – ‘The Wrestler’
Taraji P. Henson – ‘The Curious Case of Benjamin Button’


Best Animated Feature Film (Animação)
Bolt
Kung Fu Panda

Wall-E

Best Foreign Film (Filme em língua não inglesa)
'The Baader Meinhof Complex' (Germany)
'The Class' (France)
'Departures'(Japan)
'Revanche' (Austria)
'Waltz With Bashir' (Israel)

Best Original Screenplay (Argumento original)
Dustin Lance Black - 'Milk'
Courtney Hunt - 'Frozen River'
Mike Leigh - 'Happy-Go-Lucky'

Martin McDonagh - 'In Bruges'
Andrew Stanton, Jim Reardon, Pete Docter - 'WALL-E'

Best Adapted Screenplay (Argumento adaptado)
Eric Roth, Robin Swicord - 'The Curious Case of Benjamin Button'
John Patrick Shanley - 'Doubt'
Peter Morgan - 'Frost/Nixon'
David Hare - 'The Reader'

Simon Beaufoy - 'Slumdog Millionaire'

Best Original Score (Paritura musical)
The Curious Case of Benjamin Button
Defiance'
Milk

Slumdog Millionaire
WALL-E

Best Original Song (Canção)
‘Down to Earth - ' WALL-E
‘Jai Ho' - ‘Slumdog Millionaire'
‘O Saya' - ‘Slumdog Millionaire'

Best Film Editing (Montagem)
Kirk Baxter, Angus Wall - 'The Curious Case of Benjamin Button'
Lee Smith - 'The Dark Knight'
Mike Hill, Dan Hanley - 'Frost/Nixon'
Elliot Graham - 'Milk'

Chris Dickens, 'Slumdog Millionaire'

Best Cinematography (Fotografia)
Tom Stern - 'Changeling'
Claudio Miranda - 'The Curious Case of Benjamin Button'
Wally Pfister - 'The Dark Knight'
Chris Menges, Roger Deakins - 'The Reader'
Anthony Dod Mantle – ‘Slumdog Millionaire'

Best Costume Design (Guarda-Roupa)
Catherine Martin - 'Australia'
Jacqueline West - 'The Curious Case of Benjamin Button'
Michael O'Connor - 'The Duchess'
Danny Glicker - 'Milk'
Albert Wolsky - 'Revolutionary Road'


Best Sound Mixing (Som)
David Parker, Michael Semanick, Ren Klyce, Mark Weingarten - 'The Curious Case of Benjamin Button'
Lora Hirschberg, Gary Rizzo, Ed Novick - 'The Dark Knight'
Ian Tapp, Richard Pryke, Resul Pookutty - 'Slumdog Millionaire'
Tom Myers, Michael Semanick, Ben Burtt - 'WALL-E'
Chris Jenkins, Frank A. Montaño, Petr Forejt - 'Wanted'

Best Sound Editing (Edição de Som)
Richard King - 'The Dark Knight'
Frank Eulner, Christopher Boye - ‘Iron Man'
Tom Sayers - ‘Slumdog Millionaire'
Ben Burtt, Matthew Wood - 'WALL-E'
Wylie Stateman - 'Wanted'


Best Makeup (Caracterização)
Greg Cannom - 'The Curious Case of Benjamin Button'
John Caglione, Jr., Conor O'Sullivan - 'The Dark Knight'
Mike Elizalde, Thom Flout - 'Hellboy II: The Golden Army'


Best Art Direction (Direcção artística)
James J. Murakami, Gary Fettis - 'Changeling'
Donald Graham Burt, Victor J. Zolfo - 'The Curious Case of Benjamin Button'
Nathan Crowley, Peter Lando - 'The Dark Knight'
Michael Carlin, Rebecca Alleway - 'The Duchess'
Kristi Zea, Debra Schutt - 'Revolutionary Road'


Best Special Efects (Efeitos Especiais)
Eric Barba, Steve Preeg, Burt Dalton, Craig Barron - 'The Curious Case of Benjamin Button'
Nick Davis, Chris Corbould, Tim Webber, Paul Franklin - ‘The Dark Knight'
John Nelson, Ben Snow, Dan Sudick, Shane Mahan - ‘Iron Man'

(a verde os nossos vencedores).

VAVADIANDO COM JOSÉ MANUEL ANES

Esoterismo, Maçonaria e Fernando Pessoa
Uma sala cheia para ouvir falar José Manuel Anes

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

OSCARS 2009. NOMEAÇÕES

PREPARANDO A NOITE DOS OSCARS
Recordando os nomeados
fonte: Site oficial dos Oscars

terça-feira, fevereiro 17, 2009

CINEMA: REVOLUTIONARY ROAD

REVOLUTIONARY ROAD
América, meados dos anos 50: numa festa de jovens, um homem e uma mulher olham-se, aproximam-se, falam, confessam sonhos. Paris, onde ele já esteve mobilizado, durante a II Guerra Mundial. Os anos passam, casaram, são os Wheelers, Frank (Leonardo DiCaprio) e April (Kate Winslet), vivem numa agradável casa nos subúrbios de Connecticut, dois filhos, ele empregado num escritório de uma grande empresa, ela dona de casa com aspirações a actriz que falham rotundamente na noite de estreia do grupo teatral local. A simpática senhora que lhes vendeu a casa (Kathy Bates), em Revolutionary Road, acha-os “especiais”, eles também se acham, mas começam a sentir a terra a fugir-lhes debaixo dos pés. Os sonhos vão ficando para trás, as promessas de felicidade restringem-se ao mínimo. A vida dos subúrbios asfixia-os, lentamente. O sonho de Paris regressa. Vender a casa, largar o emprego, pegar nos miúdos, viajar até à Europa (como os sonhos se cruzam: na Europa, por essa altura, alimenta-se o sonho de viajar até à América, “a terra das possibilidades para todos”). Ela promete que trabalha como secretária da OTAN, ele pode cumprir o destino que traçara para si, e que não sabe muito bem qual é, mas não é de certeza estar fechado o dia todo num escritório “open space”, com jaulas envidraçadas onde se multiplicam as vendas de electrodomésticos. Por isso se impõe o sonho de partir, a miragem da aventura, de viver perigosamente (na frente da batalha, Frank confessa que sentiu medo, mas acrescenta que foi nesse momento que soube o que era a vida e April olha-o fascinada, apaixonada). Frank recorda o pai e os “sábios” conselhos que este lhe dava e lembra como o detestava nesse seu sentir sem horizontes. Nunca seria como o pai a servir fielmente durante 20 anos a mesma empresa, jura.
Mas o homem sonha, e a obra quase nunca nasce. A vida, a vidinha de todos os dias, as promoções no emprego, os filhos, a comodidade do adquirido, os preconceitos do ambiente mesquinho destas aldeias em jeito de cidades satélites, muito convencionais, muito patéticas na sua arrumação (cidades que Tim Burton tão bem caricatura, nalguns dos seus filmes, cidades que Sam Mendes tão subtil e violentamente escalpelizara já em “Beleza Americana”), vão minando a resistência de uns e o equilíbrio emocional de outros. As frustrações instalam-se. A neurose progride. Até à loucura, como no caso do matemático, que os choques eléctricos, no hospital psiquiátrico, já limitaram a meras recordações. Ele faz seus os sonhos dos Wheelers, ele é o único que os compreende plenamente, será portanto o que menos compreende a sua renúncia. Ele que está preso, anseia voar. Os Wheelers que podiam voar e já tinham os bilhetes na mão, recusam o sonho. Não ela, April, mas sobretudo Frank. Porque há a possibilidade da promoção, e a promessa de um novo lugar, a anunciada chegada de outro filho, a vida de todos os dias que às vezes é madrasta para os sonhos. De quem os pressente, porque há muitos que vivem (ou parecem viver) felizes com o que têm. Tomem-se como exemplo alguns colegas de escritório de Frank, e alguns vizinhos, onde, todavia, há sempre dramas, o filho no psiquiatra, ou o desejo refreado do vizinho do lado, que explode uma noite, no interior de um carro, para continuar domesticado e bem comportado, no seu lar, deixando, no entanto, os olhos vaguear dolorosamente pelo horizonte. Que não existe.
Este é um retrato magoado e confrangedor de uma América que abafa a felicidade em casinhas modelares e electrodomésticos? Claro que é. Estes bairros higienizados de subúrbios só existem assim nos EUA, e tanto Richard Yates no seu magnífico romance, tanto Sam Mendes no seu belíssimo filme, falam essencialmente da América. Mas, este é um problema próprio da condição humana, mais do que de um só país. É próprio do homem desejar o que não tem. Procurar sempre mais. Há os que se adaptam, há os que sofrem a cada revés, há os que se acomodam e os que explodem, há os raros que partem para Paris, e lá chegados descobrem que afinal a vida está além, porque a vida está sempre além para os insatisfeitos. E não se trata sequer de uma questão de classe social.
Ao ver a progressiva erosão dos sentimentos nesta família de bairro dos arredores, veio-me à lembrança uma genial sequência de Orson Welles, em “Citizen Kane”, vários pequenos-almoços ao longo de anos, ligados por “travellings” laterais que vão, de movimento em movimento, mostrando o gradual afastamento, a distância, o alheamento total de um casal, ele um dos homens mais ricos e poderosos dos EUA, ela a sobrinha do Presidente. O desgaste é algo que ataca os sentimentos como a ferrugem os metais. E fica sempre a sensação de que tudo poderia ter sido de outra maneira, que o presente e o futuro poderiam ter sido diferentes, que houve sempre o erro original da deficiente avaliação das causas e o fracasso assumido, ou não, das consequências não calculadas. Por isso, entre os americanos das cidades satélites, ou ingleses, os franceses, os portugueses, os chineses ou os brasileiros, os problemas são os mesmos, ainda que os cenários variem.
E depois há ainda os que não conseguem “perceber” sequer os problemas que estes romances e estes filmes abordam, e que são esses deserdados da terra, para quem o sonho é ter comida para os filhos e para si todos os dias, ter água corrente e luz eléctrica, ou mais grave ainda não estarem sujeitos a torturas diárias numa qualquer prisão miserável, ou não assistirem diariamente ao massacre de milhares de inocentes. Sem se compreender por quê.
É, todavia, a insatisfação constante e o sonho do impossível que faz mover o Homem, por muito diferentes (por vezes contraditórios) que sejam esses sonhos. Um exemplo de colheita pessoal: em 1974, em Portugal, nos muros das ruas e nos quartos dos jovens, estavam afixados cartazes de Marx, Lenine e Che Guevara. Numa viagem que fiz à Hungria, nas paredes das ruas, nada se via, a não ser propaganda estatal, e nas camaratas dos estudantes, cartazes da Coca-Cola e de Jeans. De cada lado do muro, os sonhos eram não só diferentes, como antagónicos. Cada um sonhava com o que não tinha, e quando passaram a ter, nenhum dos lados ficou feliz. Muito pelo contrário. Cada homem e mulher, quando sonha, se sonha, sonha com um Paris diferente.
Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, que já se tinham encontrado a bordo de “Titanic”, voltam a reunir-se numa nova aventura sentimental num cenário onde tudo se afunda à sua volta. Julgo que ambos são absolutamente notáveis, mais ela, que aqui tem uma interpretação perfeita, controlada, rigorosa, interiorizada. A forma como “sente” a solidão do tigre enjaulado, e a transmite de forma tão contida nos processos, e tão profunda nos resultados é simplesmente brilhante. Muito acima do seu trabalho em “O Leitor”, onde tudo é mais estereotipado.
Depois há um conjunto de secundários notáveis, desde logo Michael Shannon, é certo, na composição de John Givings, o revoltado matemático que é, na sua loucura, um dos mais lúcidos arautos do inconformismo, mas também todos os outros companheiros de cárcere dourado. Kathy Bates é brilhante, na figura dessa mulher que aluga sonhos de apartamentos “muito especiais”, para casais “muito especiais”, que rapidamente o deixam de ser. Mas o marido dela é igualmente notável, tão notável que o filme dá-lhe a honra de terminar sobre ele, desligando o aparelho auditivo, para mais facilmente suportar o ruído que o rodeia. Há ainda o casal vizinho, a mulher que se aconchega na vida como no sofá da sala, e o marido, que concretizou o sonho de uma vida nuns minutos de felicidade sexual num banco de carro, para voltar depois ao cinzentismo de sempre (diga-se que as cenas dele com April, a dançarem num bar e a fazerem amor no carro, são das imagens mais violentamente eróticas do cinema nos últimos anos). Saliente-se ainda a jovem secretária, que é desviada uma tarde para uma tórrida cama onde transpirou o seu sonho de sexo e amor impossível. Tudo fragilidades da condição humana, que a tornam tão fugazmente feliz e tão intensamente desditosa.
A fotografia é deslumbrante na forma como descreve ambientes e os filtra em solidões deserdadas, a direcção artística brilhante a restituir os anos 50, e a partitura musical (por vezes um pouco excessiva, na sua omnipresença) igualmente muito inspirada. Um grande filme, ternamente emocionado sobre a vacuidade da vida, sobre a tortura dos sonhos, sobre a fatalidade de existir, numa constante busca de amor e felicidade. Própria do Homem.

REVOLUTIONARY ROAD
Título original: Revolutionary Road
Realização: Sam Mendes (EUA, Inglaterra, 2008); Argumento: Justin Haythe, segundo romance de Richard Yates; Produção: Gina Amoroso, Bobby Cohen, Henry Fernaine, Karen Gehres, Pippa Harris, John Hart, Peter Kalmbach, Sam Mendes, Marion Rosenberg, Scott Rudin, David M. Thompson, Nina Wolarsky; Música: Thomas Newman; Fotografia (cor): Roger Deakins; Montagem: Tariq Anwar; Casting: Ellen Lewis, Debra Zane; Design de produção: Kristi Zea; Direcção artística: Teresa Carriker-Thayer, John Kasarda, Nicholas Lundy; Decoração: Debra Schutt; Guarda-roupa: Albert Wolsky; Maquilhagem: Alan D'Angerio, Linda Melazzo; Direcção de Produção: Meryl Emmerton, Jennifer Lane; Assistentes de realização: Amy Lauritsen, Joseph P. Reidy, John Silvestri, Christian Vendetti; Departamento de arte: Derrick Kardos, Tina Khayat, Erik Knight; Som: Jacob Ribicoff, Warren Shaw; Efeitos especiais: John Stifanich; Efeitos visuais: Randall Balsmeyer, J. John Corbett, Adrienne Winterhalter; Companhias de produção: DreamWorks SKG, BBC Films, Evamere Entertainment, Neal Street Productions, Goldcrest Pictures, Scott Rudin Productions; Intérpretes: Leonardo DiCaprio (Frank Wheeler), Kate Winslet (April Wheeler), Michael Shannon (John Givings), Ryan Simpkins (Jennifer Wheeler), Ty Simpkins (Michael Wheeler), Kathy Bates (Mrs. Helen Givings), Richard Easton (Mr. Howard Givings), Sam Rosen, Maria Rusolo, Gena Oppenheim, Kathryn Dunn, Joe Komara, Allison Twyford, David Harbour (Shep Campbell), John Ottavino, Adam Mucci, Jo Twiss, Frank Girardeau, Catherine Curtin, Jonathan Roumie, Samantha Soule, Heidi Armbruster, Kathryn Hahn (Milly Campbell), Zoe Kazan (Maureen Grube), Dan Da Silva, Dylan Baker (Jack Ordway), Keith Reddin (Ted Bandy), Neal Bledsoe, Marin Ireland, Max Casella, Max Baker (Vince Lathrop), Jon Sampson, Peter Barton, Kevin Barton, Evan Covey, Dylan Clark Marshall, Jay O. Sanders (Bart Pollack), Christopher Fitzgerald, Chandler Vinton, Kelsey Robinson, Duffy Jackson, Dan Zanes, Vince Giordano, Jon-Erik Kellso, Andrew Burton, Will Sanderson, Alex Hoffman, Kristen Connolly (Mrs. Brace), John Behlmann (Mr. Brace), David Campbell, Michael Ciesla, Mary DeBellis, Jay Ferraro, Zoe Hartman, Cristina Marie, Chris Miskiewicz, Jared Morrison, Joel Ney, Ted Yudain, Jonathan Yvon, etc. Duração: 119 minutos; Distribuição em Portugal: Lusomundo; Classificação etária: M/ 12 anos; Estreia em Portugal: 29 de Janeiro de 2009.
Nota: Sobre este filme será interessante ler "Os críticos que odeiam cinema", no blogue "Delito de Opinião". Leia Aqui.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

FAMAFEST 2009 - HOMENAGENS


HOMENAGENS DO FAMAFEST 2009

Dia 14:
LAURA SOVERAL
MÁRO CLAUDIO
SUSANA BORGES
Dia 16:
LUIS MIGUEL CINTRA
URBANO TAVARES RODRIGUES

sábado, fevereiro 14, 2009

POPULARIDADE NA WEB


LA LISTA WIP
Mão amiga fez-me chegar resultados de um curioso site espanhol, que mede a popularidade na web (número de referências) de nomes, entre outras categorias, ligados ao cinema.
O site chama-se La Lista WIP (Wep Important People), pode consultar-se a nível mundial, a nível nacional, a nível de categorias (cine, por exemplo).
Os resultados são interessantes. Veja-se a posição (e demais elementos), retirados hoje, dia 14 de Fevereiro de 2009:

Lista de los personajes más citados en Internet: Portugal - Cine
Posición Nombre - Cargo (Nacionalidad) N° referencias Dif. ayer*
1 Joaquim de Almeida 230.717 - 1% Actor (Portugal) >
2 Maria de Medeiros 216.550 -2% Actriz (Portugal) >
3 Christopher Hampton 164.050 -2% Director de Cine (Portugal) >
4 Pedro Costa 106.755 -4% Director de Cine (Portugal) >
5 Lauro António 88.359 -2% Director de Cine (Portugal) >
6 Nuno Lopes 75.532 -2% Actor (Portugal) >
7 Paulo Pires 74.648 - 4% Actor (Portugal) >
8 João Monteiro 66.809 - 0% Director de Cine (Portugal) >
9 Alexandra Lencastre 56.885 -2% Actriz (Portugal) >
10 Isabel de Castro 43.804 -2% Actriz (Portugal) >
11 João Botelho 43.129 - 0% Director de Cine (Portugal) >
12 Rui de Carvalho 35.541 -2% Actor (Portugal) >
13 Liliana Santos 29.969 -2% Actriz (Portugal) >
14 Joaquim Leitão 28.747 -4% Director de Cine (Portugal) >
15 Eduardo Guedes 27.657 -2% Director de Cine (Portugal) >

Nombre completo: Lauro António - Portugal - 66 años - Director de Cine
Biografía en Wikipedia
12778 Posición TopWip Mundial
47 TopWip Portugal
104.327 - Referencias en la web

Posición en TopWip
A nivel Mundial
Hombre 10185
Cine 4862
Director de Cine 767
A nivel de Portugal
Hombre 46
Cine 5
Director de Cine 3
Origen/nacimiento
Lugar nacim.
Lisboa (10)
Lisboa e Vale do Tejo (12)
Portugal (47)
Día / Año • 18 agosto (30) 1942 • (171) Horóscopo • Leo (807)
(os resultados diários podem ver-se no quadro inscrito neste blogue, na coluna da esquerda)

SAINT VALENTINE'S DAY?

DIA DOS NAMORADOS?
Não há dia dos namorados. Há namorados com dias.
Aqui ficam alguns exemplos de "dias de namorados" sem dias marcados.
E viva o amor sem horário fixo!

As meninas e senhoras que descobrirem o nome dos quatro filmes, ganham um beijo no dia dos namorados. (este concurso é puramente virtual. inflizmente.) Os senhores um abraço de parabéns!

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

CINEMA: O LEITOR


O LEITOR
"The Reader", de Stephen Daldry (que nos dera anteriormente dois filmes bastante interessantes, “Billy Elliot” e “As Horas”), parte de um excelente romance de Bernhard Schlink, de grande sucesso na Alemanha e no mundo (mais de quarenta traduções) que aborda, de forma um tanto invulgar, o traumatismo provocado nas gerações seguintes pela ascensão de Hitler e do III Reich e a tragédia do Holocausto.
Uma história amorosa está no cerne desta análise com muito de simbólica ou metafórica. História que se recria em três tempos: em 1958, Michael (David Kross), um jovem estudante de 15 anos, inicia uma relação sexual e depois também amorosa, com (Kate Winslet), uma cobradora de bilhetes de eléctricos. A ligação é explosiva, arrebatada. Tem de surpreendente um facto: Hanna, antes ou depois das relações sexuais, pede a Michael para este lhe ler livros, os livros que anda a estudar ou a ler.
Alguns anos depois, o mesmo Michael, agora estudante de Direito, assiste ao julgamento de umas quantas alemãs acusadas de serem responsáveis por mortes sistemáticas de mulheres judias em campos de concentração, nomeadamente durante um incêndio numa igreja depois de um bombardeamento. Elas controlavam o grupo como elementos das SS. Foram denunciadas pela publicação de um livro, escrito por uma das raras sobreviventes. Uma dessas alemãs acusadas é Hanna, que, não querendo confessar que é analfabeta, prefere assumir a mais pesada pena como autora de um ofício altamente comprometedor. Michael poderia intervir, mas não o faz. Por respeito para com a vontade de Hanna? Por vergonha de confessar a sua relação clandestina com aquela mulher? Ou seria pelo “embotamento” (como se lhe refere Bernhard Schlink) em que se encontravam os herdeiros desse pesadelo?
Hanna cumpre, pois, pena de muitos anos, durante os quais vai aprendendo a ler sozinha, ouvindo as cassetes que Michael lhe envia de livros que lê e grava para ela. Quando se reencontram, tempos depois, Michael pergunta-lhe: “Tens pensado muito no teu passado?”, ao que Hanna responde, primeiro com uma pergunta (“No nosso tempo?”), depois com uma conclusão (“Não importa o que penso, não importa o que sinto. Os mortos estão mortos e nada os fará regressar”).
O romance, adaptado ao cinema de forma muito fiel pelo dramaturgo inglês David Hare, procura julgar a responsabilidade pessoal nos crimes do nazismo, adiantando uma explicação para muito do que aconteceu: o comum das pessoas era pouco mais de analfabeta e, por falta de cultura e da ausência de uma consciência de si e dos outros que ela traz, não teve a percepção dos seus actos. Hanna parte do sexo puramente físico para a descoberta do amor, Hanna começa a tomar conhecimento de si e do mundo que a rodeia, primeiro ouvindo ler, depois lendo e escrevendo. Mas, como sempre, todos preferem o silêncio e o segredo.
O romance, como já o disse, é excelente. De grande densidade psicológica e filosófica (o pai de Michael é professor de filosofia e, apesar de muito “ausente”, introduz uma componente filosófica interessante, porque também ela anestesiada e cansada). O livro tem uma consistência e uma profundidade que o filme raramente atinge. Como enunciado poderia, portanto, ser muito interessante esta reflexão. No livro, toda a estrutura é particularmente robusta. O facto de ser narrado cronologicamente também ajuda. A fragmentação histórica do filme, com idas e regressos ao passado, não traz nada de novo, a não ser malabarismos gratuitos. No filme, esta desarrumação deixa muitas perplexidades em aberto. Claro que a falta de cultura desculpabiliza, mas será que o iletrado está isento de julgamento de ética de comportamento? As SS sem saber ler desconheciam a extensão do crime que cometiam? Enfim, questões que “O Leitor” coloca, entre outras, e que resolve de forma insatisfatória. Razão para que o filme não mereça a minha total adesão. A primeira.
A segunda, e mais visível, é a forma como o filme se estrutura, numa toada de melodrama lamechas que se torna para o fim insustentável. O que no romance nunca acontece, escrito com uma sobriedade e austeridade notáveis. Não está em causa o melodrama, nem o melodrama social (“A Troca” é-o de forma brilhante), está em causa este tipo de melodrama sem densidade, de rodriguinho, de estereótipo, de situações sem a grandeza humana que justificam o drama. A realização é culpada do parcial falhanço, mas a interpretação é-o igualmente. Sobretudo a personagem de Michael, desde que atinge a idade adulta (e passa a ser representado por Ralph Fiennes, aqui estranhamente insuportável).
Na verdade, o filme aguenta-se muito bem no primeiro terço, em tudo quanto toca ao encontro de Michael e Hanna, de forte conotação erótica, e à descrição da Alemanha do pós-guerra, em reconstrução dolorosa, e de que a aproximação desses seres é um reflexo, ambos carentes de companhia, herdeiros de um mundo devastado, sobretudo devastado emocionalmente naquela altura. Percebe-se o prazer que brota de duas peles que se tocam, dos suores que se trocam, das solidões que se extinguem uma na outra. Mas depois o filme torna-se aborrecido, empastelado, rodando sobre si próprio, sem destino aparente. A ida de Michael a Nova Iorque encontrar-se com uma judia, autora do livro incriminatório, para lhe entregar um legado de Hanna, é mesmo dolorosa de se acompanhar. Lena Olin é desastrosa, Ralph Fiennes atinge o auge de inexpressividade, e o frente a frente dos emplastros é digno de um museu de máscaras de cera.
Tecnicamente, “The Reader” tem bons apontamentos (nomeadamente a fotografia), mas as interpretações são muito desiguais, inclusive no próprio registo de um mesmo actor, caso de Kate Winslet, que é brilhante de início, e depois se vulgariza, com uma caracterização de velhice que não se coaduna com o nível do filme, ou do já citado Ralph Fiennes, normalmente muito bem (quem não o recorda dirigido por Cronenberg?), aqui muito frio e apagado. “Embotado”? David Kross, o jovem, esse sim é uma revelação certamente a acompanhar de futuro.
Curiosidade final: Este ano, os Golden Globes deram dois prémios a Kate Winslet, melhor actriz protagonista (em “Revolutionary Road”) e melhor actriz secundária.(em “The Reader”). Não se percebe muito bem como Kate Winslet foi nomeada e depois premiada como actriz “num papel secundário”, num filme que se passa todo em seu redor. Ela é obviamente protagonista, a menos que só levem em linha de conta os primeiros quarenta minutos do filme. Porque só durante esses minutos ela merece ser nomeada. Posto isto, “O Leitor” não é um mau filme, mas também só é um bom filme parcialmente.

O LEITOR
Título original: The Reader ou Der Vorleser
Realização: Stephen Daldry (EUA, Alemanha, 2008); Argumento: David Hare, segundo romance de Bernhard Schlink ("Der Vorleser"); Produção: Jason Blum, Donna Gigliotti, Anthony Minghella, Henning Molfenter, Redmond Morris, Arno Neubauer, Sydney Pollack, Michael Simon de Normier, Nora Skinner, Bob Weinstein, Harvey Weinstein, Charlie Woebcken; Música: Nico Muhly; Fotografia (cor): Roger Deakins, Chris Menges; Montagem: Claire Simpson; Casting: Simone Bär, Jina Jay; Design de produção: Brigitte Broch; Direcção artística: Christian M. Goldbeck, Erwin Prib; Decoração: Eva Stiebler; Guarda-roupa: Donna Maloney, Ann Roth; Maquilhagem: Ivana Primorac; Direcção de Produção: Jan Enderlein, Jennifer Lane, Aaron Levine, Jeff Maynard, Arno Neubauer; Assistentes de realização: David Blazina, Carlos Fidel, Mara Fiedler, Tarik Karam, Josh Newport, Miguel Pate, Tonja Schürmann, Richard Styles; Departamento de arte: Susann Belaval, Katja Clos, Gabriele Roß, Anu Schwartz; Som: Blake Leyh; Efeitos especiais: Michael Apling, Adolf Wojtinek; Efeitos visuais: Peter Chiang, Paulina Kuszta, Jim Rider; Companhias de produção: Mirage Enterprises, Neunte Babelsberg Film, The Weinstein Company; Intérpretes: Kate Winslet (Hanna Schmitz), Ralph Fiennes (Michael Berg), Bruno Ganz (Professor Rohl), Lena Olin (Rose Mather / Ilana Mather), Vijessna Ferkic (Sophie), Jeanette Hain (Brigitte), David Kross (Michael Berg, em jovem), Susanne Lothar (Carla Berg), Alissa Wilms (Emily Berg), Florian Bartholomäi (Thomas Berg), Friederike Becht (Angela Berg), Matthias Habich (Peter Berg), Frieder Vénus, Marie-Anne Fliegel, Hendrik Arnst, Rainer Sellien, Torsten Michaelis, Moritz Grove, Joachim Tomaschewsky, Barbara Philipp, Hans Hohlbein, Jürgen Tarrach, Kirsten Block, Vanessa Berthold, Benjamin Trinks, Fritz Roth, Hannah Herzsprung, Jacqueline Macaulay, Volker Bruch, Karoline Herfurth, Max Mauff, Ludwig Blochberger, Jonas Jägermeyr, Alexander Kasprik, Burghart Klaußner, Sylvester Groth, Fabian Busch, Margarita Broich, Marie Gruber, Lena Lessing, Merelina Kendall, Hildegard Schroedter, Alexandra Maria Lara, Martin Brambach, Michael Schenk, Ava Eusepi-Harris, Nadja Engel, Anne-Kathrin Gummich, Carmen-Maja Antoni, Petra Hartung, Linda Bassett, Beata Lehmann, Heike Hanold, Bettina Scheuritzel, Robin Gooch, Rich Odell, Sam Luca Scollin, etc. Duração: 124minutos; Distribuição em Portugal: Zon Lusomundo; Classificação etária: M/ 12 anos; Estreia em Portugal: 12 de Fevereiro de 2009;

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

+ PRÉMIOS PARA OS MESMOS

BAFTA 2009
Os suspeitos do costume, com "Quem quer ser Milionário?" à cabeça, prosseguem a sua rota imparável em direcção aos Oscars. Nos BAFTA de 2009, a lógica permaneceu. Veja a lista dos "Orange British Academy Film Awards" AQUI.