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quinta-feira, outubro 31, 2013

CINEMA: FUGA

FUGA

Jeff Nichols realizou até hoje três longas metragens e pode dizer-se que cada uma delas foi um tiro no porta-aviões, de tão certeiras, o que não deixa de ser surpreendente para um autor ainda jovem (nasceu a 7 de Dezembro de 1978, em Little Rock, Arkansas, nos EUA). Na verdade, “Histórias de Caçadeiras” (2007), “Procurem Abrigo” (2011) e agora este “Fuga” (no original “Mud”), de 2012, mostram-nos, desde início, um autor na plena posse das suas faculdades e senhor de um universo muito pessoal, que passa de filme para filme com uma coerência e uma qualidade plástica e narrativa evidente. Arkansas, Ohio, de novo Arkansas, estes foram os cenários naturais escolhidos por Jeff Nichols para os seus três filmes. Todos eles longe das grandes metrópoles, próximos do seu Arkansas natal, este último tendo o rio Mississippi como referência maior e Mark Twain como inspiração óbvia.
Esta é a história de dois adolescentes amigos, que vivem em casas lacustres nas margens do Mississippi e que resolvem viajar pelo rio até uma ilha perdida, onde descobrem um barco pousado no cimo de uma árvore. Estranha descoberta que logo é superada pelo facto de o barco estar habitado: alguém ali vive, esse alguém é Mud, uma personagem misteriosa, daquelas de quem se ignora o passado e pouco se sabe do presente. Mas percebe-se que anda fugido, que tenta recuperar o barco para nele se escapar, e que para tanto precisa da ajuda de Ellis e Neckbone, os dois jovens idealistas, a meio caminho entre a meninice e a idade adulta, presos por imagens de amor perdido (os pais que se separam, a namorada que se julga ser e não é, o grande amor que se persegue, por quem se mata e, todavia, não irá concretizar o happy end idealizado) e por aspirações a uma pureza de intenções e de emoções que não se afigura tão fácil de alcançar como os seus sonhos o prediziam.
Um hesita, o outro confia, vê em Mud o grande herói das aventuras não vividas, mas ambos acabam por ajudar o acossado a perseguir o seu desejo de amor e de liberdade.
História de amizade e cumplicidade, aprendizagem da vida, das ilusões às decepções, da ternura à violência, “Mud” é um retrato de uma ternura modelar de dois jovens e um foragido aprisionados pela carcaça de um barco voador que um dia poderá sulcar as águas do rio.
Metáfora das contingências da vida? Um barco preso nos ramos de uma árvore é apenas imagem idealizada de um desejo, é preciso pô-lo a navegar nas habituais águas do rio, para o que se necessita do pragmatismo das ferramentas necessárias. Sem o sonho não se foge da dura realidade, é bem verdade, mas sem a adaptação às necessidades da existência não se sobrevive. Filme iniciático, portanto, escrito com uma tocante delicadeza, um pudor indesmentível, que nem as explosões de violência conseguem toldar. Violência que é física, violência que é também psicológica, em ambos os casos brutais, como diria Jeff Nichols algures “um conto de Mark Twain adaptado por Sam Peckinpah”.
Num universo em que se acredita na beleza da paisagem circundante e na harmonia dos homens, Ellis e Neckbone vão descobrir as asperezas que se escondem por detrás do retrato da falsa felicidade no lar, na sociedade, nas relações humanas, nas cobras venenosas que circulam nos charcos. O mundo de Jeff Nichols está povoado de irmãos desavindos, de neuróticos que se sentem ameaçados pelo fim do mundo, e por adolescentes em confronto com terríveis realidades que vão descobrindo subitamente. Há neste universo rural uma visceral verdade que torna cada um dos seus filmes uma espécie de docudrama, todo ele ficcionado, mas de uma tal plausibilidade que arrebata. Os seus protagonistas são personagens psicologicamente torturadas, envoltas num clima de uma intensidade traumatizante. Essa violência entranhada na paisagem não está, porém, isenta de um intenso lirismo que redime e transfigura. Não temos dúvidas ao afirmar que Jeff Nichols é uma das grandes certezas do actual cinema norte-americano, na esteira de um cineasta maior como Terrence Malick.

Em “Mud”, há ainda que sublinhar o extraordinário trabalhos dos dois actores jovens, Tye Sheridan (Ellis), e particularmente Jacob Lofland (Neckbone), que tudo indica vir a tornar-se uma nova coqueluche, ao lado de um notável Matthew McConaughey, na figura de Mud, bem acompanhados por Reese Witherspoon (Juniper), Sam Shepard (Tom), Ray McKinnon (Senior), Sarah Paulson (Mary Lee), Michael Shannon (Galen) e do velho Joe Don Baker, a recordar as suas antigas criações de gangster desapiedado.

FUGA
Título original: Mud

Realização: Jeff Nichols (EUA, 2012); Argumento: Jeff Nichols; Produção: Glen Basner, Lisa Maria Falcone, Michael Flynn, Dan Glass, Sarah Green, Tom Heller, Morgan Pollitt, Aaron Ryder, Gareth Smith; Música: David Wingo; Fotografia (cor): Adam Stone; Montagem: Julie Monroe; Casting: Francine Maisler; Design bdeprodução: Richard A. Wright; Direcção artística: Elliott Glick; Decoração: Fontaine Beauchamp Hebb; Guarda-roupa: Kari Perkins; Maquilhagem: Carla Brenholtz, Matthew W. Mungle, Kelly Nelson, Clinton Wayne; Direcção de produção: Michael Flynn, Sarah Green, Nancy Kirhoffer, Christopher H. Warner; Assistentes de realização: Cas Donovan, Hope Garrison, Phil Hardage; Departamento de arte: Lizzy Faulkner Chandler, Daniel Coe, Mark Moore; Som: Will Files; Efeitos especiais: Everett Byrom III; Efeitos visuais: Method Studios; Companhias de produção: Brace Cove Productions, FilmNation Entertainment; Intérpretes: Matthew McConaughey (Mud), Reese Witherspoon (Juniper), Tye Sheridan (Ellis), Jacob Lofland (Neckbone), Sam Shepard (Tom), Ray McKinnon (Senior), Sarah Paulson (Mary Lee), Michael Shannon (Galen), Joe Don Baker (King), Paul Sparks (Carver), Bonnie Sturdivant (May Pearl), Stuart Greer (Miller), John Ward Jr., Kristy Barrington, Johnny Cheek, Kenneth Hill, Michael Abbott Jr., Earnest McCoy, Allie Wade, Douglas Ligon, Matt Newcomb, Mary Alice Jones, Tate Smalley, Jimmy Dinwiddie, Ryan Jacks, etc. Duração: 130 minutos; Classificação etária: M/ 12 anos; Distribuição em Portugal: ZON Audiovisuais; Data de estreia em Portugal: 24 de Outubro de 2013.

terça-feira, maio 29, 2012

CINEMA: PROCUREM ABRIGO



PROCUREM ABRIGO 

“Procurem Abrigo” é uma experiência profundamente angustiante e inquietante, prolongando de forma particularmente coerente o ambiente de uma América rural, aparentemente bucólica, mas no fundo brutalmente traumatizada, que já vinha do belíssimo filme de estreia de Jeff Nichols, “Histórias de Caçadeiras”. Em ambos os casos, no centro do drama encontram-se células familiares que vivem momentos de crise. Falar aqui de crise, não será tão estranho como possa parecer. Esta crise de “Take Shelter” é uma crise individual, mas tudo leva a crer que a sua leitura possa ser metafórica e envolver não só a sociedade americana actual, mas toda a humanidade.
Curtis (Michael Shannon) vive no Ohio, numa região do Midwest de indesmentível beleza paisagística, serena e quase bucólica. Ele é um homem íntegro e religioso, branco conservador e tradicionalista, devotado ao trabalho e à família, com dedicada mulher, Samantha (Jessica Chastain) e uma muito amada filha, surda-muda, Hannah (Tova Stewart). Tudo parece correr na mais discreta harmonia, o seu companheiro de trabalho, Dewart (Shea Whigham), chega mesmo a invejar a sua vida. De forma insidiosa mas insistente, no entanto, a paranóia instala-se. Curtis começa a ter sonhos e visões perturbadoras. A tempestade agiganta-se no céu toldado de pesadas e negras nuvens, os raios ameaçadores cruzam o horizonte, a chuva é pegajosa e suja, assemelhando-se, nas suas palavras, a óleo de carros. Nos seus sonhos cada vez mais frequentes sente-se atacado pelo seu fiel cão, é assaltado no carro quando viaja com a filha, tem ataques de ansiedade quando conduz, adoece com febre, inunda a cama de urina numa noite de pesadelo… Sempre que olha o céu, a ameaça vislumbra-se, acompanhada de alarmantes sons e presságios funestos. Pássaros negros atacam-no e depois despedem-se do céu caindo com fragor na estrada. Pergunta-se: Sou só eu que vejo e ouço o que se passa?
Curtis sabe que a mãe (Kathy Baker) se encontra num lar há trinta anos desde que lhe foi diagnosticada esquizofrenia paranóica. Um dia vai visitá-la para lhe perguntar quais os primeiros sintomas da sua doença. “Tinha pesadelos?”, pergunta. “Não, mas passei por períodos stressantes, que geravam o pânico. Sentia-me observada e ouvida por toda a gente”. A hereditariedade constrange-o. Ele não acredita que sonhe. Para Curtis aqueles sinais são presságios, pressentimentos: “Tenho medo do que venha aí!” Procura um psiquiatra, é ouvido por uma psicóloga. E começa a preparar um abrigo subterrâneo para se precaver, a si e à sua família, do que há-de vir. A sua normalidade foi para sempre transtornada. Contrai dívidas, perde o emprego, destrói a harmonia familiar, volta-se contra os amigos, explode com violência num jantar durante o qual é acusado de estar louco.
Curtis tem medo do que aí vem. A natureza parece a todos pacifica mas a ele não. Na aragem que varre as árvores ele descobre a tempestade. A chuva que cai em pesadas bátegas ele vê-a nas suas mãos como óleo contaminado. Nas nuvens que toldam o céu descobre tornados malditos. O medo tudo transforma, tudo subverte. Do caso particular, singular, de uma esquizofrenia paranóica, pode facilmente passar-se para o colectivo. E se finalmente não fosse só Curtis a ver aproximar-se a tormenta? Será que esta é real ou será que a sua esquizofrenia se transmitiu a outros? Como o próprio afirma, quando lhe perguntam se anda preocupado, a resposta é “não mais do que os outros”. O que pode querer transformar a experiência pessoal em metáfora colectiva.
“Procurem Abrigo” é definitivamente um filme catástrofe sobre um fim de mundo que se aproxima. Mas, ao contrário de muitos outros, que jogam nos efeitos especiais para provocar o medo, aqui o medo é interior, instala-se no âmago de cada um de nós. O filme de Jeff Nichols é talvez um dos mais belos, rigorosos, implacáveis e austeros filmes americanos dos últimos anos. Anda paredes-meias com “A Árvore da Vida”, de Mallick, com “Melancolia”, de Lars von Trier, aproximando muito de alguns outros títulos surgidos nos anos mais próximos, onde o ambiente rural prefigura um microcosmo americano. Ameaçado. 
Para o sucesso desta obra, a que me apetece chamar obra-prima, muito contribui a interpretação genial de um actor magnifico, Michael Shannon (que há muito merece nomeações para Oscars), e a presença frágil e dúctil dessa perturbante Jessica Chastain, que já notáramos este ano em “A Árvore da Vida” e em “As Serviçais” (entre outros trabalhos). Mas a sumptuosa fotografia de Adam Stone e o seu aproveitamento dramático da paisagem, a partitura musical de David Wingo, bem como a sonoplastia, discreta, minimalista, mas profundamente inquietante, merecem referência especial. Este é bem um filme do nosso tempo, um preocupante sintoma de uma sociedade esquizofrénica, em crise. Um dos mais lancinantes retratos da América actual, sem demagogias, sem retórica, escavando até à alma de um povo dilacerado pelo medo. O medo do exterior, o medo do interior. Uma inspirada projecção deste tempo de crise que a todos nos devora.


PROCUREM ABRIGO
Título original: Take Shelter
Realização: Jeff Nichols (EUA, 2011); Argumento: Jeff Nichols; Produção: Tyler Davidson, Kevin Flanigan, Sarah Green, Brian Kavanaugh-Jones, Christos V. Konstantakopoulos, Sophia Lin, Chris Perot, Richard Rothfeld, Robert Ruggeri, Colin Strause, Greg Strause, Adam Wilkins; Música: David Wingo; Fotografia (cor): Adam Stone; Montagem: Parke Gregg; Design de produção: Chad Keith; Direcção artística: Jennifer Klide; Decoração: Adam Willis; Guarda-roupa: Karen Malecki; Maquilhagem: Julia Lallas; Assistentes de realização: Timothy Johnson, Lia Lockert, Cosmo Pfeil, Darius Shahmir; Som: Joshua Chase, Lyman Hardy; Efeitos especiais: Chad Ball, Timothy R. Hoffman, Francis Link; Efeitos visuais: Chris Wells; Companhias de produção: Hydraulx Entertainment, REI Capital, Grove Hill Productions, Strange Matter Films; Intérpretes: Michael Shannon (Curtis), Jessica Chastain (Samantha), Tova Stewart (Hannah), Kathy Baker (Sarah), Shea Whigham (Dewart), Katy Mixon (Nat), Natasha Randall (Cammie), Ron Kennard (Russell), Scott Knisley (Lewis), Robert Longstreet (Jim), Heather Caldwell, Sheila Hullihen, John Kloock, Marianna Alacchi, Jacque Jovic, Bob Maines, Charles Moore, Pete Ferry, Molly McGinnis, Angie Marino-Smith, Isabelle Smith, Tina Stump, Ken Strunk, Maryanne Nagel, Hailee Dickens, Guy Van Swearingen, etc. Duração: 120 minutos; Distribuição em Portugal: ZON Lusomundo; Classificação etária: M/ 12 anos; Estreia em Portugal: 17 de Maio de 2012.

 o realizador Jeff Nichols

terça-feira, julho 07, 2009

CINEMA. HISTÓRIAS DE CAÇADEIRAS

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HISTÓRIAS DE CAÇADEIRAS
“Shotgun Stories” é indiscutivelmente uma das grandes revelações desta temporada cinematográfica. Uma história simples, que relembra a escrita despojada de alguns escritores americanos actuais, como Cormac McCarthy (o de “Esta Terra não é para Velhos”) ou Raymond Carver (o das curtas histórias), por sua vez entroncados numa tradição ruralista de uma América profunda, tradicionalista e violenta (de John Steinbeck a Erskine Caldwell, entre vários outros).
“Histórias de Caçadeiras” possui o sopro trágico das grandes histórias que começam num equívoco e acabam no irremediável, através de uma progressão de pequenas falhas ou erros que parecem conduzidos pela mão de um destino inexorável. Aliás, o que mais surpreende nesta obra é que ela tem tudo para ser um western moderno, uma tragédia, um melodrama intenso, mas fica-se a meio caminho de tudo isso, cortando deliberadamente a respiração de cada uma dessas vias, e assumindo-se como uma metáfora discreta, mas vigorosa, sobre os perigos da intolerância e o mau exemplo de uma educação preconceituosa.
Um homem morre. Sabe-se no seu enterro, durante a cerimónia fúnebre, que teve duas famílias, uma que abandonou, mulher e três filhos, todos baptizados com nomes impessoais, como “Son” (brilhante Michael Shannon), “Boy” e “Kid”, outra que o vela zelosamente. Frente ao caixão os filhos do primeiro casamento não fazem o elogio público do pai, mas a sua condenação: “Não é por morreres que deixas de ser o patife que sempre foste”. O que cria uma forte tensão que se irá acentuar à medida que o tempo passa. São duas famílias de meios-irmãos que se detestam. Ou melhor, são os irmãos da primeira mulher do pai que detestam a segunda família, porque o ódio da mãe, que nunca perdoou ter sido abandonada, a isso os leva. Ela sempre os educou no ódio. Nada nos diz no filme que esse ódio tenha alguma razão legítima, para lá de uma certa propensão do pai para o alcoolismo, entretanto renegado pela adopção de uma religião. Apenas preconceitos e ódio puro. Que se transmite de mãe para filhos, e que estes concentram no cano de uma caçadeira. Que impõe a resposta, e a resposta à resposta, numa espiral de violência que parece não ter fim. Tudo se passa numa América profunda, nos campos de algodão e nas pequenas estradas do Sudeste de Arkansas, estado onde nasceu Jeff Nichols, o realizador e argumentista, que certamente recorda aqui não só personagens e situações da sua infância, como, sobretudo, uma atmosfera irrespirável, muito bem transmitida com uma economia de meios total. Tudo se passa numa América profunda, é verdade, mas a leitura é obviamente metafórica e fala-nos da vingança como modo de comportamento pessoal, social, nacional, internacional, como referência clara ao clima revanchista de uma América traumatizada pelo 11 de Setembro. Jeff Nichols tenta mostrar como o caminho da vingança a nada mais conduz do que a novas respostas e ao recrudescer da violência.
Filme abertamente “indie”, este "Histórias de Caçadeira" inclui-se numa curiosa tendência do mais recente cinema norte-americano. Ser sóbrio e narrativo, liberal e “político”, contar uma história, sem empolamentos formais, ir ao encontro do verdadeiro cinema norte-americano que vem de Griffith, passa por John Ford, e volta a ter um período áureo nos anos 60 e 70, com cineastas como Arthur Penn (“Vício de Matar” ou “Bonnie e Clyde”), Martin Ritt (“Hud, o mais Perigoso entre Mil” ou “Ultraje” e “Um Homem”), Stuart Rosenberg (“O Presidiário” e “Wusa”). E vai mais longe na evocação de mestres: o David Lean de "Lawrence da Arábia". Clássicos, afinal, homens da narrativa romanesca expurgada de efeitos, reduzida ao essencial.
O que a obra de Jeff Nichols (nascido a 7 de Dezembro de 1978, em Little Rock, Arkansas) demonstra de forma magnifica, na maneira como adensa os climas pela duração do plano e pelo laconismo dos personagens, na maneira hábil e discreta como desenha personagens, os irmãos, é certo, Son, sobretudo, mas igualmente a mãe destes (que surge apenas em dois ou três planos, mas “percebemos” na integra), ou esse “Shampoo” que se intromete constantemente na história.
É curioso como se alterna a vida pacata e tranquila de uma paisagem quase diríamos bucólica, de campo e rio, com a explosão da violência que sentimos crescer de plano para plano, e descobrimos pronta a irromper. A arte de Jeff Nichols permite-nos adivinhar sentimentos e emoções, para lá do visível. O que é um trunfo importante no computo de um título que assinala a estreia do cineasta na longa-metragem.

HISTÓRIAS DE CAÇADEIRAS
Título original: Shotgun Stories
Realização: Jeff Nichols (EUA, 2007); Argumento: Jeff Nichols; Produção: David Gordon Green, Tisha Gribble, Lisa Muskat, Jeff Nichols, John Portnoy, Paul Skidmore, Nick Thurlow, Todd Williams; Música: Lucero, Pyramid; Fotografia (cor): Adam Stone; Montagem: Steven Gonzales; Maquilhagem: Cosmo Pfeil, David Weatherly; Direcção de Produção: Louise Runge, Paul Skidmore; Assistente de realização: Cosmo Pfeil; Casting: Yancey Prosser; Som: Dhyana Carlton-Tims, Jerry Gilbert; Efeitos visuais: Christopher Dusendschon; Companhias de produção: A Lucky Old Sun Production, Muskat Filmed Properties LLC, Upload Films; Intérpretes: Michael Shannon (Son Hayes), Douglas Ligon (Boy Hayes), Barlow Jacobs (Kid Hayes), Natalie Canerday (Nicole), Glenda Pannell (Annie Hayes), Lynnsee Provence (Stephen Hayes), Michael Abbott Jr. (Cleaman Hayes), Coley Canpany (Cheryl), Lance Christopher, Will Hahn, Gary Hawkins, Cole Hendrixson, Mark W. Johnson, Tom Kagy, Vivian Morrison Norman, Hannah Payne, Cosmo Pfeil, Tucker Prentiss, Wyatt Ashton Prentiss, David Rhodes, Travis Smith, G. Alan Wilkins, etc. Duração: 92 minutos; Distribuição em Portugal: Atalanta Filmes; Classificação etária: M/ 12 anos; Estreia nos EUA: 26 de Março de 2008; Estreia em Portugal: 11 de Junho de 2009.