sexta-feira, setembro 08, 2006

UM BLOG (POR DIA) PARA VISITAR (22)

"BLOGOTINHA"

No dia 7 de Setembro, o blog "Blogotinha" fez uma simpática referência a este meu blog. Dizia:

Descobrindo Blogs - 21
Lauro António Apresenta: é mesmo ele! É o crítico de cinema celebrezido pela paródia de Herman José.

Nesse dia, as visitas ao meu blog quase duplicaram.

O poder de alguns blogs.

Em retribuição, deixei um comentário ao post no blog da Blogotinha:

Gotinha, essa referência no teu blog duplicou-me as visitas. Sabias da força do teu blog? Eu que sou novato nestas andança, desconhecia. Fiquei a saber. Agradecido, portanto, com uma ressalva: não sou o critico de cinema que o Herman José celebrizou. Sou o critico (e realizador) que ajudou a celebrizar o Herman José. Merecidamente. Era genial por essa altura. Um beijo. LA

Lauro Antonio Apresenta Homepage 08.09.2006 - 02:58 #

Agora a sério: o poder dos blogs cresce de dia para dia (à medida que a crise nos jornais se acentua, também de dia para dia, não por minha causa que os continuo a comprar à dúzia). É altura dos blogs tomaram consciência da sua força. Muitos ultrapassam em visitas diárias as tiragens de alguns jornais. A sua importância na conscencialização, na polémica, na divulgação cultural, pode ser enorme.

Há, no entanto, que ter em conta alguns aspectos. No blog da Blogotinha, que tanto aborda o mundial para deficientes, como um musculado Chá das Cinco, discute nomes de bébés (o nome a dar à futura Gotitinha, que mereceu 82 comentários!) ou testemunhar como é possível vestir 121 t-shirts, aparecem duas curiosas estatisticas sobre blogs portugueses, que transcrevo com a devida vénia. A primeira data de Julho e mostra os blogs mais populares e os mais sexy da blogosfera portuguesa. Será interessante ver quem é popular e quem é igualmente sexy (com a Gotinha à frente da lista) e espreitar cada blog para ver o que os torna populares e o que os torna sexy. (A definição de sexy também seria interessante saber qual é).

Sexta-feira, Julho 29
The Celebrity Ranker

Vamos lá às contas:

Gotinha: Popularity = 3.497 / Sexiness = 10.7325%

Cap: Popularity = 6.951 / Sexiness = 1.1646% (+ Popular)

Invisible: Popularity = 6.568 / Sexiness = 3.6486% (2.º + Popular)

Angela: Popularity = 6.479 / Sexiness = 3.0897% (3.ª + Popular)

Canto do Melro: Popularity = 3.880 / Sexiness = 105.6653% (+ Sexy.... ui... até escalda!)

Adamastor: Popularity = 2.603 Sexiness = 94.7631% (o 2.º + Sexy)

Xilla: Popularity = 2.922 / Sexiness = 80.3828% (a 3ª + Sexy!)

Luz: Popularity = 6.413 / Sexiness = 1.1313%

Kitty: Popularity = 6.364 / Sexiness = 6.0173%

Cris: Popularity = 4.009 / Sexiness = 4.9314%

João Pedro: Popularity = 3.950 / Sexiness = 4.6914%

Luís: Popularity = 4.167 / Sexiness = 3.2449%

mfc: Popularity = 5.140 / Sexiness = 5.0797%

Sofia Branco: Popularity = 2.803 / Sexiness = 0.3150%

Terapia: Popularity = 5.884 / Sexiness = 1.5405%

Isso Agora: Popularity = 4.104 / Sexiness = 4.7165%

Alguidar Pneumático: Popularity = 5.292 / Sexiness = 0.9541%

Cruxe: Popularity = 3.367 / Sexiness = 5.8798%

Robina: Popularity = 4.664 / Sexiness = 1.3384%

Bufas100: Popularity = 3.093 / Sexiness = 7.5806%

Nanita: Popularity = 3.529 / Sexiness = 14.7337%

SirHaiva: Popularity = 2.558 Sexiness = 2.4931%

Hugo Sá: Popularity = 4.072 / Sexiness = 6.4915%

maria_arvore: Popularity = 1.580 / Sexiness = 0.0000%

Finúrias: 7361st most popular / 8949th most sexy

Vasco: Popularity = 5.992 / Sexiness = 1.4169%

Vizinho: Popularity = 4.768 / Sexiness = 2.9181%

Mushu: 4194th most sexy /5296th most popular

Jerusa: Popularity = 0.778 /Sexiness = 33.3333%

Ideiafixe: Popularity = 1.041 / Sexiness = 0.0000%

Pandora: Popularity = 6.111 / Sexiness = 2.6977%

Principessa: Popularity = 4.913 / Sexiness = 6.0513%

Bem Visto: Popularity = 3.398 / Sexiness = 3.2800%

Blog Loucura e Nata: Popularity = 6.428 / Sexiness = 2.8358%

Wakewinha : Popularity = 5.625 / Sexiness = 8.5071%

gat0pret0: 11621st most sexy / 13427th most popular

re21: 8182nd most popular / 11187th most sexy

Cafajeste: Popularity = 3.658 / Sexiness = 26.8132%

Jotakapa: Popularity = 3.121 / Sexiness = 0.9091%

andreBond: Popularity = 2.354 / Sexiness = 0.0000%

Divas e Contrabaixos: Popularity = 5.215 / Sexiness = 0.6524%

Jacky: Popularity = 5.217 / Sexiness = 9.3939%

Asterisco: Popularity = 5.373 / Sexiness = 0.3131%

babaloud : Popularity = 1.431 / Sexiness = 0.0000%

Ela: Popularity = 5.702 Sexiness = 12.0080%

Papá Urso: Popularity = 1.041 / Sexiness = 9.0909%

James Bond: Popularity = 6.009 / Sexiness = 5.6176%

Ivan: Popularity = 6.330 / Sexiness = 3.2009%

Ediena: Popularity = 2.493 / Sexiness = 0.3215%

aNa: Popularity = 3.140 / Sexiness = 10.3623%


Há alguns dias atrás, a Blogotinha apresentava um outro top dos blogs portugueses. Aqui entra em questão apenas a popularidade, e o ranking é algo diferente, ainda que a presença de blogs ditos sexy não desapareça, muito pelo contrário. Um bom exercicio será descobrir o que leva os portugueses a frequentarem um blog. Veja-se a lista, que tem desde a política à arte, até ao humor, ao "sexy" (chamemos-lhe assim) e ao francamente pimba, e descubra-se o "Portugal profundo" que viaja na net.
Top Blogs
Blogosfera Lusa: Top Blogs
É um exercício de Bruno Ribeiro de criação de um ranking de blogs portugueses que agregasse diversos dados de análise. Foi resultado de uma combinação de dados do Sitemeter com os do Technorati, Google PageRank, Google Blogsearch, Yahoo! Sitesearch, Blogpulse e IceRocket. Publicou, ainda, o relatório com o ranking total dos 102 blogs
bem como o ranking para cada parâmetro:

Os 20 primeiros do ranking ponderado dos blogs portugueses:
6 BLOGotinha
Blogotinha, a fechar, um obrigado pela referência.
Quando precisar de divulgar alguma actividade cultural, vou ter com o teu blog (e outros blogs identicos). Espero que uma certa cumplicidade blogosférica funcione (sem que ninguém violente gostos pessoais e as opções estéticas de cada um). Mas esta força da blogosfera tem de ser aproveitada, sobretudo para contrariar o poder dominante de meia dúzia de familias da comunicação social institucionalizada.
Quanto ao nome da menina, voto Alice.
Sempre pode ter um coelho a guiá-la no "país das maravilhas"
ou "do outro lado do espelho".
Beijos e abraços para a familia
(este é outro lado divertido da blogosfera).

quinta-feira, setembro 07, 2006

CINEMA

“VÔO 93”

A história é, infelizmente, muito conhecida: na manhã do dia 11 de Setembro de 2001, quatro aviões de carreiras comerciais norte-americanas foram desviados dos seus destinos para efectuarem missões de punição terrorista, mais tarde atribuídas à Al Qaeda, sob a direcção de Osama bin Laden. Três desses aviões atingiram os seus alvos: dois, atravessaram as Torres Gémeas, em Nova Iorque, um, afocinhou no Pentágono; o quarto, dirigia-se para a Casa Branca, em Washington, mas nunca chegou a alcançar esse objectivo. O que aconteceu nesse avião, nas horas que antecederam a sua queda, em Shanksville, na Pensilvânia, é o que está na base de “United 93”, o filme de Paul Greengrass que é um dos primeiros relatos cinematográficos a chegar às salas de cinema de todo o mundo, agora que se comemoram cinco anos sobre a passagem de tão trágico acontecimento.
O filme tem a aparência, e também a construção de um documentário dramatizado, aquilo a que vulgarmente se chama um “docudrama”. Quem esperava um filme catástrofe explorando a emoção fácil ficou certamente surpreendido com a rigorosa reconstituição, a recusa de qualquer aproveitamento primário, a austeridade de processos, a opção pelo herói desconhecido (ou se preferirem, o herói colectivo), em detrimento do habitual herói individual, a escolha de actores desconhecidos (e de muitos actores não profissionais a interpretarem os seus próprios papeis), a rejeição da manipulação barata e da crucificação dos terroristas (aqui apresentados como abnegados heróis, obviamente de um fanatismo religioso, mas não simples bandidos internacionais).
Com estas opções de base, que recusam a espectacularidade gratuita, talvez não se esperasse uma obra de tal forma absorvente e singularmente emotiva na sua negação da exploração dos sentimentos, mas a verdade é que a austeridade de processos compensa e torna mais densa a teia de tensões que se vive dentro e fora do “United 93”, naquela manhã que se julgava igual a todas as outras, mas que se revelaria inesquecível. De início o filme acompanha o movimento diário normal num aeroporto, a torre de controlo, as reuniões de rotina. Mas nós “sabemos” que a tempestade se aproxima. “Sabemo-lo” pelo que já sabíamos, da televisão, dos jornais, mas “sabemo-lo” também pelo que o filme nos vai revelando: quatro muçulmanos que preparam algo e vão integrar a lista de passageiros daquele voo. Nós “sabemos” que alguma coisa de muito invulgar se vai passar, enquanto todos os demais intervenientes desconhecem tudo desse futuro imediato. Mesmo quando um avião parece ter sido desviado, a surpresa é relativa, “há quantos anos tal não acontecia”, perguntam-se com sorrisos de quem antevê mais uma brincadeira de adolescentes em crise de identidade. Mas de repente a tragédia explode nas Torres Gémeas: “Será um pequeno avião desgovernado?”, questionam-se. Mas logo se sabe que a brecha na torre é imensa. Quando se começa a digerir a primeira explosão, irrompe a segunda. Depois o Pentágono. E eis que um avião sobra no ar, sem se saber nada dele. Essa a odisseia do “United 93”.
O que se vive cá fora é a ansiedade galopante em saber o que se passa dentro desse avião. Telefonemas do interior do avião para o exterior, para os aeroportos, para familiares dos passageiros, vão alertando para o desvio. Informações que chegam do exterior para o interior permitem aos passageiros perceber que aquele não é um desvio qualquer e que, se querem ter alguma hipótese de sobreviver, têm de intervir. Prepara-se a acção, cresce a expectativa. Fazem-se telefonemas de despedida. “Amo-te”, é o que mais se ouve neste avião comandado pelo ódio. Infelizmente, não estamos num filme de ficção onde Bruce Willis ou Harrison Ford conseguem no último minuto inverter a ordem da tragédia. Aqui a tragédia acontece mesmo. Não tão grave como poderia ter sido, porque finalmente o avião não atingiu o seu destino, mas irremediavelmente grave para todos os que seguiam a bordo: passageiros, tripulantes, terroristas.
De todos os aviões desviados nessa manhã que varreu de pânico a América e o mundo, só este deixou marcas visíveis, testemunhos orais, registos de conversas que permitem, de alguma forma, reconstituir minuto a minuto esse tempo de ansiedade e cólera. Foi o que Paul Greengrass arquitectou, investigou e, com base nessa recolha, escreveu. O argumento de um filme que, não inaugurando um novo estilo cinematográfico, divulga novas formas de narrativa e permite ao mundo repensar o impensável. Com a ligeireza de câmara que o tema requeria (muitas vezes com a câmara ao ombro, quase sempre com uma inesperada agilidade para quem filma em espaços muito fechados, uma avião ou uma torre de controlo), Paul Greengrass com um olhar digno e uma honesta perspectivas dos factos, dá-nos um filme que ficará seguramente na história do cinema. Um filme que nos permite perceber como tudo foi possível, como a surpresa apanhou de chofre a maior potência do mundo, como agentes civis e militares meteram os pés pelas mãos numa crise sem precedentes. Como a América sofreu o mais profundo golpe no coração do seu orgulho e da sua confiança. O filme mostra também como a América (e o mundo) recupera desse trauma que não esquecerá tão cedo.
Paul Greengrass, inglês (nascido em Cheam, Surrey, Inglaterra, a 13 de Augusto de 1955), depois de uma obra para cinema, “Resurrected” (1989), iniciou a sua carreira sobretudo na televisão, com títulos como “When the Lies Run Out” (1993), “Open Fire” (1994), “Kavanagh QC" (1995) (série de TV), “The One That Got Away” (1996), “The Fix” (1997), “The Theory of Flight” (1998), “The Murder of Stephen Lawrence” (1999), passando depois ao cinema, onde assinou duas obras que marcaram e definiram uma personalidade virada para temas sociais, “Domingo Sangrento” (Bloody Sunday) (2002) e “Supremacia” (The Bourne Supremacy (2004), chegando depois a “Vôo 93” (United 93) (2006), tendo agora em produção duas novas produções, “The Bourne Ultimatum” e “They Marched Into Sunlight” (2007).

Paul Greengrass

VÔO 93 (United 93), de Paul Greengrass (EUA, Inglaterra, França, 2006); com Christian Clemenson, Trish Gates, Polly Adams, Cheyenne Jackson, etc. 111 min;: M/ 12 anos.

domingo, setembro 03, 2006

CINEMA - Genesis



“GENESIS”
Há dez anos, Claude Nuridsany e Marie Pérennou realizaram “Microcosmos: Le Peuple de l'Herbe” (1996), um filme sobre a vida dos insectos, vista à luz de uma nova perspectiva planetária, ou se preferirem, à luz de novas lentes, macros, que permitiam aumentar o que se filmava até dimensões nunca vistas, e que se tornou um clássico e uma obra de culto. Hoje os mesmos cineastas regressam com “Genesis” (realizado em 2004, mas só agora chegado a Portugal) que foi rodado, durante dois anos, em Aveyron e na Bretanha, na França, nas Ilhas Galápagos, na Islândia e e Madagáscar, e que nos fala da origem da vida, tendo por base as palavras de um velho músico africano, contador de histórias, que vai recordando o nascimento do universo, as estrelas e os planetas, o fogo e a água, o aparecimento de vida, o advento do tempo e do “lugar”, o nascimento, a luta pela sobrevivência, o acasalamento, e a morte e a degradação, a transformação da matéria que prolonga a vida e cria este ciclo de mutação continua que assegura que uma anémona que vai morrer na praia seja absorvida pela areia e as ondas do mar, dando assim alimento a outros seres.
Esta obra é mais uma lição de história natural do que um documentário. Aliás, já só muito dificilmente se poderia chamar documentário a “Microcosmos”, todo ele “encenado”, tal como muito mais encenado é “Génesis”, muito embora se esteja a falar de actores animais, neste caso, um humano e milhares de “não humanos”.
A introdução do “humano” é mesmo a grande pecha desta película, que consegue excelentes momentos, mas peca por um tom retórico, escolar, de um simbolismo primário, sempre que aparece o actor do Mali Sotigui Kouyaté (excelente actor diga-se de passagem, colaborador fetiche de Peter Brook, para lá de outros, como Bertolucci), mas que, por imposição dos realizadores, diz um texto pesadão e sem graça, impondo uma clivagem na fluidez das imagens e das sequências. Um mero comentário off seria preferível, e recusar toda a ganga metafórica e simbólica então seria ouro sobre azul.
Mas, mesmo tendo em conta esse desequilíbrio formal, o filme tem muitos atractivos que o tornam ainda interessante ao nível das imagens inéditas que reuniu, com uma qualidade plástica e técnica invulgares. Imagens espantosas de fenómenos naturais, de peixes e aves migratórias (como as que fecham o filme), de repteis e batráquios (como a sequência da serpente que engole um mega ovo inteiro, e que, passados instantes, expele a casca). Tudo isto, entre a teoria do Big Bag, a Evolução das Espécies, de Darwin, e algum panteísmo sincrético. Boa a banda sonora de Bruno Coulais.
“Estar vivo é escrever uma história entre um princípio de que não nos recordamos e um fim de que nada se conhece”, diz-se no início do filme. Um mistério que se mantém.
Eis um título que poderá ter uma vasta utilização pedagógica nas escolas (veja-se, para o efeito, o bem documentado dossier organizado e posto a disposição dos professores franceses, em
http://www.genesis-lefilm.com/pedago/livret.pdf).

GENESIS, de Claude Nuridsany, Marie Pérennou (França, Itália, 2004); com Sotigui Kouyaté (narrador); 81 min; M/ 12 anos.

sábado, setembro 02, 2006

UM BLOG (POR DIA) PARA VISITAR (21):

“FORAM-SE OS DEDOS”

"Foram-se os Dedos" é um blog de desenho. Cartoons, para ser mais preciso. Critica social, humor e fantasia. Muito divertido e muito instrutivo. São “Dedos metidos onde não são chamados por: José Nunes.” Que anuncia “Todos os direitos reservados. Ainda há esquerdos disponíveis.” Tem “Livro de Estilo”: “Com dedos e bolos se enganam os tolos; Dedos de burro não chegam ao céu; Mais vale um dedo na mão que dois a voar; A dedo amigo não feches o postigo; Os dedos são para as ocasiões; Dedo que vai à frente alumia duas vezes.” E explica a etimologia da palavra “dedos”: “{Dedo: do Lat. digitu; s. m., cada uma das partes distintas e articuladas que terminam pés e mãos do homem, bem como de outros animais; cada uma das partes da luva que corresponde aos dedos; dimensão equivalente à largura de um dedo; por ext. pequena quantidade; fig., aptidão; poder dirigente. pôr o - na ferida: tocar no ponto fraco; dois -s de conversa: um pouco de cavaco; meter os -s pelos olhos de (alguém): querer iludir (alguém); ter os olhos postos nas pontas dos -s: ter tacto muito fino.}”.
Um exemplo destes cartoons (precisamente o 68, de muita actualidade). Que nos reservará o que amanhã?

UM BLOG (POR DIA) PARA VISITAR (20):

"CINERAMA"

Existe um blog chamado “CINERAMA”, sobre “CRÍTICA E OPINIÃO SOBRE CINEMA”, que tem como colaboradores (Cinefools), a RITA, o MIGUEL, o SÉRGIO, o VASCO e o LUÍS. Acontece que quem abastece fortemente o blog é a Rita, que assina Rita Almeida, e que se mostra não só uma devoradora de filmes, como uma incansável comentadora. Informada, culta, sensivel, inteligente. Nada conheço de nenhum dos apoiantes deste blog, mas acho que merece ser lido. Já tem dois anos de existência, um importante espólio de textos em arquivo, muita informação e demonstra um inequívoco amor ao cinema. De se lhe tirar o chapéu. O que fazermos, transcrevendo duas das últimas crónicas de Rita Almeida.

Sexta-feira, 25 de Agosto de 2006
Angel-A ***


Realização: Luc Besson. Intérpretes: Jamel Debbouze, Rie Rasmussen, Gilbert Melki, Serge Riaboukine. Nacionalidade: França, 2005.

André (Jamel Debbouze) é baixo, nada agradável à vista e completamente neurótico. Além disso está endividado até à alma. Perseguido pelos seus credores (Gilbert Melki e Serge Riaboukine), André decide atirar-se de uma das muitas pontes de Paris. André repara que ao seu lado está uma loira de pernas intermináveis (Rie Rasmussen, de “Femme Fatale”, de Brian de Palma). Ela salta, ele salva-a. Ela é Angela, e está decidida a salvar André dele mesmo. Oferece-se para resolver todos os seus problemas, mas os seus métodos, recorrendo sobretudo ao seu físico, são mais que questionáveis.
“Angel-A” é, antes de mais uma fábula romântica e uma ode a Paris e à sua beleza nostálgica. Luc Besson faz uma viagem estética pelo cinema francês, entre discussões em cafés, cigarros acendidos, ruas vazias, e paisagens do Sena. O preto e branco e a luz natural são as opções de Thierry Arbogast, numa belísisma fotografia que lembra “As Asas do Desejo”, de Wim Wenders.
“Angel-A” tem uma história pouco original, consideravelmente fraca e com reduzida tensão. Apesar disso, vale a pena, não só pela fotografia, mas também pelas interpretações. O humor entre as duas personagens, começando pelo contraste físico, funciona muito bem, e a química entre esta “bela e o monstro” é surpreendentemente boa. Além disso, Jamel Debbouze, “Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain” e “She Hate Me”, é um cómico nato, com uma presença é magnética.
Angela mostra a André que a vida vale a pena, que deve ser aproveitada nas suas coisas simples e que ele é, no fundo, por baixo da maré cheia de desaires, uma boa pessoa que merece ser feliz. Tudo isto é demasiado cliché, mas é também uma verdade que, de tão essencial, é abafada por todas as mentiras que criamos para nos protegermos.
“Angel-A” é também uma metáfora sobre as pessoas que entram na nossa vida como que por magia, que a viram do avesso, e depois das quais sabemos que nada voltará a ser como antes. Mas se estiverem destinadas a partir, cortar-lhes as asas para prendê-las nunca deverá ser uma opção.
realizado por Rita Almeida às 01:45

Quarta-feira, 23 de Agosto de 2006
Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest ***

Realização: Gore Verbinski. Intérpretes: Johnny Depp, Orlando Bloom, Keira Knightley, Jack Davenport, Bill Nighy, Jonathan Pryce, Tom Hollander, Stellan Skarsgård, Lee Arenberg, Mackenzie Crook, Kevin McNally, Naomie Harris. Nacionalidade: EUA, 2006.

“Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest” começa onde “Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl” (2003) tinha ficado. Will Turner (Orlando Bloom) e Elizabeth Swann (Keira Knightley) são presos por terem ajudado Jack Sparrow (Johnny Depp) a escapar da sua execução. Cutler Beckett (Tom Hollander), um caçador de piratas ao serviço da Companhia Inglesa das Índias Orientais, propõe a Turner salvar a sua vida e a da sua amada, se conseguir encontrar Sparrow e trocar um persão oficial pela bússola mágica de Sparrow. Mas Sparrow tem problemas mais graves, nomeadamente, a sua longa dívida com o lendário Davy Jones (Bill Nighy), o capitão do navio fantasma The Flying Dutchman. Os três heróis são conseguirão salvar-se se encontrarem a chave do baú que contém o coração de Davy Jones.
O excêntrico pirata Jack Sparrow é uma das mais deliciosas personagens provenientes da Disney (“Pirates of the Caribbean” é inspirado numa atracção do seu parque temático). O seu charme, a sua ambiguidade sexual, a sua moral volátil, o seu egoísmo congénito e o talento transbordante e entrega sem reservas de Johnny Depp continuam a fazer valer a pena esta aventura.
Neste caso, adicione-se ainda o belíssimo design de produção de Rick Heinrichs, o maior tempo de antena da deliciosa dupla de Pintel (Lee Arenberg) e Ragetti (Mackenzie Crook), e Bill Nighy como o vilão Davy Jones, e um rol de inúmeras superstições.
Apesar de tudo isso, a história desta sequela é consideravelmente mais fraca que a do primeiro filme e, intermitentemente divertido, acaba por tornar-se demasiado longo (150 min.), sobretudo nas sequências do barco fantasma com a assustadora tripulação de zombies de feições e corpos fundidos com seres marinhos como polvos e corais e que, longe de essencial para o enredo, se parece mais a um mostruário técnico.
À semelhança do coração instável de Jack Sparrow, “Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest” não consegue decidir-se para onde quer ir, para prejuízo das diversas linhas de narrativa, como é o caso da relação de Will Turner com o seu pai, 'Bootstrap' Bill Turner (Stellan Skarsgård).

“Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest” termina exactamente onde começará “Pirates of the Caribbean: At World's End” (2007). Mas, nem que seja apenas para ver uma vez mais Johnny Depp a divertir-se desta maneira, contem comigo.

CITAÇÕES:

“Loyalty is no longer the currency of the realm. Currency is the new currency.”
TOM HOLLANDER (Cutler Beckett)

“LEE ARENBERG (Pintel) - You know you can't read.
MACKENZIE CROOK (Ragetti) - It's the Bible, you get credit for trying.”

[para Elizabeth] “You know, these clothes do not flatter you at all. It should be a dress or nothing. I happen to have no dress in my cabin.”
JOHNNY DEPP (Jack Sparrow)

[para Elizabeth] “One word love; curiosity. You long for freedom. You long to do what you want to do because you want it. To act on selfish impulse. You want to see what it's like. One day you wont be able to resist.”
JOHNNY DEPP (Jack Sparrow)
“KEIRA KNIGHTLY (Elizabeth Swann) - There will come a time when you'll have the chance to do the right thing.
JOHNNY DEPP (Jack Sparrow) - I love those moments. I love to wave at them as they pass by.”

realizado por Rita Almeida às 01:02 link do post comentar

e ainda uma nota sobre uma leitura que sub escrevo:

A SOMBRA DO VENTO, de Carlos Ruiz Zafón


Numa manhã de 1945, um rapaz de dez anos é conduzido pelo seu pai a um misterioso lugar no coração da cidade velha: o Cemitério dos Livros Esquecidos. Aí, Daniel Sempere encontra A Sombra do Vento, um livro maldito que mudará o rumo da sua vida e o arrastará por um labirinto de intrigas e segredos enterrados na alma escura da cidade. A Sombra do Vento é um mistério literário ambientado na Barcelona da primeira metade do século XX, desde os últimos esplendores do modernismo até às trevas do pós-guerra. Misturando técnicas de thriller, de novela histórica e de comédia de costumes, Carlos Ruiz Zafón conta uma trágica história de amor, com ecos através do tempo. Mas A Sombra do Vento é, acima de tudo, um livro sobre o amor pelos livros. Virei hoje a última página deste livro apaixonante. Ainda não consegui descobrir nada, nem faço ideia se os direitos estão a ser negociados, mas, por favor, alguém pegue nesta história lindíssima e, com consciência e sensibilidade, faça daqui um bom filme.

EXPOSIÇÕES (cont.)

FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN
– 50 ANOS
CENTRO DE ARTE MODERNA

CRAIGIE HORSFIELD RELATION
até 24 de Setembro, 2006. (10h00 às 18h00)
Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão. Entrada Paga.

Exposição organizada pelo “Jeu de Paume”, Paris, em colaboração com o “Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão” e o “Museum of Contemporary Art”, Sidnei, Austrália.

Esta exposição de Craigie Horsfield é uma autêntica revelação para mim, certamente por deficiência minha. Desconhecer um fotógrafo da importância deste, só pode ser ignorância minha ou então uma enorme injustiça a nível mundial. Mas parece que esta mostra que iniciou o seu percurso no “Jeu de Paume” de paris, passa pela Gunbenkian e vai acabar para já no “Museum of Contemporary Art”, de Sidney, na Austrália, procura precisamente “criar bases para o entendimento das ligações profundas que unem uma obra complexa e significativa, abarcando um período de 35 anos. Juntamente com o respectivo catálogo, constitui a primeira descrição da coerência crítica de uma obra de grande diversidade. Será uma oportunidade de familiarização com um conjunto de ideias e de obras já vistas e apreciadas em separado, divididas em categorias como fotografia, projectos sociais ou filmes e trabalho de som, mas raramente consideradas em conjunto.”
Leia-se o que diz a informação do CAM: “Figura única e voz habitualmente isolada que descreve uma mudança na concepção da arte recorrendo aos meios mais convencionais e modestos, Horsfield tem, desde os anos 60, vindo a fazer uma série de propostas radicais no sentido de uma comunidade futura. Depois de ter trabalhado como disc-jockey na Europa de Leste durante a década de 70, regressou a Londres na década seguinte, tendo desempenhado um papel importante no processo de transformação da fotografia do final dos anos 80. Durante a década de 90, esteve na vanguarda do desenvolvimento da arte social, projectos colectivos e da centralidade da conversação. Além disso, passou igualmente mais de 30 anos a defender a introdução de trabalhos de som no espaço do museu, o potencial da projecção em ecrãs múltiplos enquanto espaço social, e o papel central do público no entendimento do museu.”
Acontece que percorrer esta exposição é uma experiência única. Não sei se se poderá falar de simples “fotografia”, se de pintura, se de vídeo-arte. As obras de Craigie Horsfield participam um pouco de tudo isso, não são fotografia “pura”, demonstram uma realidade presente em quase toda a arte moderna, uma contaminação de processos e narrativas, de suportes e de tratamentos, mas o resultado final é simplesmente deslumbrante, de densidade de registo, mas também de densidade emocional, de plasticidade, mas igualmente de força expressiva. Meus caros, a não perder, sob pretexto nenhum. Algo que não se repetirá tão depressa em Portugal. E algo que ficará na retina e no coração de quem viu.
Existe ainda um muito importante catálogo, impresso expressamente para esta exposição por MER, Gent, Bélgica, em inglês, com tradução para português, com textos de Carol Armstrong, Craigie Horsfield, David Ebony, Slavoj Zizek, incluindo uma entrevista de Carol Armstrong.

A PARTIR DA COLECÇÃO
até 24 de Setembro, 2006. (10h00 às 18h00)
Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão. Entrada Paga.

Ainda no CAM, uma exposição de algumas obras da colecção do CAMJAP, consideradas importantes na História de Arte dos séculos XX e XXI. Uma perspectiva sumária e muito aberta sobre o espólio deste Centro.
“A questão fortemente espacial introduzida pela predominância da escultura, as sinalizações históricas, cuja mais-valia é recuperada em cruzamentos e aproximações conduzidas também por outros critérios, a formulação breve de um percurso que se estende ao período de um século traduzem-se numa proposta ágil e inventiva de aproximação à colecção.” Resumindo: tem para ver exemplos de Amadeo de Souza-Cardoso, Almada Negreiros, Sarah Afonso, e tantos outros, modernistas, surrealistas, post-modernistas e mais istas. Claro que vale a pena, por muito flutuante que sejam os registos,

HUMOR E ILUSTRAÇÃO

NA COLECÇÃO DO CAMJAP
até 24 de Setembro, 2006. (10h00 às 18h00)
Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão. Entrada Paga.

“Desde sempre, grandes artistas gostaram de estender o seu traço à interpretação mordaz do quotidiano urbano. Em torno da passagem do séc. XIX para o XX esta afirmação encontra exemplos abundantes. Portugal não constituiu uma excepção e alguns dos artistas que viriam a constituir o centro do nosso primeiro modernismo deram provas de virtuosismo e inspiração nas áreas da caricatura, do humor, do apontamento ilustrativo. É o caso de figuras como Cristiano Cruz, António Soares, Jorge Barradas e até o próprio Amadeo de Souza-Cardoso.” Caricatura, cartoon, ilustração irónica e mordaz, um regalo para a vista e para a imaginação. O traço certo de ilustradores exímios. A veia irónica de verrinosos comentadores do quotidiano. Uma excelente mostra.

BOOK CELL - INSTALAÇÃO
MATEJ KRÉN
(1958, Trenèín, Eslováquia)
Até 31/12/2006 (10h00 às 18h00)
Hall de entrada do CAMJAP. Entrada Livre.

Finalmente, o “Projecto BooK Cell” que está instalado no Hall do CAMJAP e que aí permanecerá durante seis meses, repetindo o procedimento recorrente no trabalho deste artista: empilhar milhares de livros que formam uma estrutura arquitectónica que os visitantes são convidados a penetrar (apesar das vertigens, neste caso!). A ideia seria certamente de muita utilidade em minha casa, mas Matej Kren não resolve um problema: como retirar um livro quando dele se precisa. Por isso fica a beleza da forma, a ironia do seu significado, a imaginação da proposta… Uma bela instalação, que reúne edições da Fundação Calouste Gulbenkian ao longo dos seus 50 anos, reforçando a natureza de “site specific” do trabalho com a incorporação de um dos mais preciosos filões da história da intervenção cultural desta instituição. “A memória e o saber acumulados nos livros reunidos, fechados e inacessíveis, diversos e preciosos serão potencialmente recuperados no final, quando todos puderem regressar à sua função de ser lidos, mas terão sido entretanto trabalhados como matéria escultórica e como espírito do lugar em que o artista se propõe reter-nos: um recinto hexagonal com uma passagem definida por espelhos que asseguram a vertigem da queda, a desmultiplicação “ad infinitum”, o pânico da desorientação espacial próprios de um infinito virtual.”
Designer de formação e projectado publicamente junto do público francês em 1990, na área da arte contemporânea, Matej Krén desenvolveu a partir dessa data uma carreira artística internacional ampla e reconhecida. Depois de estudar Belas Artes em Bratislava e Praga entre 1977 e 1985, fixou residência em Bratislava até 1997, ano em que irá viver para Praga, onde reside actualmente.
Trabalhos seus como Gravity Mixer, Omfalos e Idiom foram já distinguidos com prémios importantes. Refiram-se por exemplo nomeações como o Prémio Especial UNESCO 1995 para a Promoção das Artes e o Prémio TatraBanka Prize em 2004, na Eslováquia.

OBRA DE CABRITA REIS
até 24 de Setembro, 2006. (10h00 às 18h00)
Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão. Entrada Paga.

Pedro Cabrita Reis realiza um trabalho de grandes dimensões no piso 0 do CAMJAP este verão. Esta é uma proposta cujo “work in progress”, princípio importante no seu modo de fazer arte, terá início no próximo dia 25 de Julho. As metáforas da construção, da casa, do ofício e labor visíveis, frequentes na sua obra, conduziram a um entendimento do trabalho que permite prever a normal circulação do público no acesso aos pisos 01 e 1 no interior do Museu, enquanto ele decorre, numa espécie de perspectiva apenas semi-vedada sobre ele. As questões da arquitectura e as ideias de circulação, abrigo, memória, estrutura, (in)acessibilidade dos espaços serão naturalmente convocadas. Em Outubro próximo esta instalação será acrescentada por “The White Room”, uma ocupação do Hall de entrada no Museu com um conjunto de pinturas do artista.

EXPOSIÇÕES

FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN
– 50 ANOS


Há muito tempo, que me lembre, que a Fundação Calouste Gulbenkian não oferecia um tão importante e diversificado conjunto de exposições, como este que agora se encontra à disposição do público, tanto no edifício sede, como no Museu, e ainda no Centro de Arte Moderna (CAM). Há, para lá do espólio do Museu, que se encontra regularmente aberto, várias exposições temporárias que percorrem quase toda a História da Arte, e que se estendem por diversas formas de expressão, da pintura e escultura à cerâmica e tapeçaria, da fotografia à arte do livro, passando por instalações e desenhos. Toda uma panóplia de ofertas, quase todas de uma qualidade e importância indesmentíveis.
Creio que algo se pode dever ao acaso, mas muito se prende com o facto de nesta altura se estarem a celebrar as comemorações dos 50 anos sobre a morte de Calouste Gulbenkian (nascido em 1869 e que viria a falecer em 1955, deixando um legado de valor incalculável ao seu país de acolhimento, Portugal).
Basta um interessado passeio de volta pelo Museu e pelas exposições temporárias agora reunidas e expostas, para se ter uma ideia, mas uma ideia muito ténue, do que foi a riqueza deste homem, do que foi a sua vida dedicada obviamente aos negócios, mas muito particularmente também à arte, comprando e angariando um fabuloso conjunto de obras que, mais tarde, viria a legar a Portugal e que constituem a base e a essência da Fundação a que deu o nome.
Saiu-nos a sorte grande, mas uma taluda mesmo muito taluda, quando o magnate resolveu deixar entre nós o labor de uma vida. Os tesouros reunidos, com capricho de perfeição e virtuosismo, são indescritíveis e estabelecem um padrão de excelência que tornam Portugal, Lisboa e a Av. de Berna referências mundiais.

O GOSTO DO
COLECCIONADOR:
CALOUSTE S. GULBENKIAN (1869-1955)
até 08/10/2006 (10h00 às 18h00)
Galeria de exposições temporárias da Sede. Entrada livre.

Como se formou o gosto de coleccionador de arte de Calouste Gulbenkian, partindo do seu espólio particular, procurando perceber o que está por detrás de certas opções eis a razão central desta exposição que se centra sobretudo nos objectos de arte que Gulbenkian preferia e a que tinha particular afecto. Uma colecção que releva do gosto pessoal, mas que também permite preciosas informações sobre a vida, a época, os usos e costumes de um homem diferente. Como se integra Gulbenkian nas “opções dos coleccionadores ocidentais, como o fez com fino espírito selectivo e enorme exigência de qualidade artística nas suas escolhas”. “As peças seleccionadas revelam ao visitante as primeiras aquisições do Coleccionador, que viagens realizou e como estas influenciaram ou confirmaram a formação de uma colecção única abrangendo obras-primas do antigo Egipto até às mais sofisticadas peças de Arte Nova e Art Déco, do início do século XX.”

DE PARIS A TÓQUIO.
ARTE DO LIVRO
NA COLECÇÃO GULBENKIAN
até 08/10/2006 (10h00 às 18h00)
Galeria de exposições temporárias do Museu. Entrada livre.

Esta é uma exposição nunca vista em Portugal, tendo sido apresentada anteriormente em Istambul em Abril e Maio deste ano, sendo agora mostrada no Museu. È uma selecção de livros, demonstrativa da faceta menos conhecida de Calouste Gulbenkian enquanto grande bibliófilo. A mostra inclui as obras-primas da biblioteca de Calouste Gulbenkian reunidas entre 1899 e a data da sua morte. Os manuscritos e livros escolhidos ilustram diferentes produções como a europeia, persa, turca, arménia e japonesa traduzindo o ecletismo e a sua sensibilidade às Culturas do Oriente e do Ocidente. Pode ver-se a exigência extrema de Gulbenkian que “não pretendia livros raros, mas apenas obras-primas” da produção livreira de Oriente a Ocidente. Para os amantes dos livros artísticos, uma ocasião única.

DOMINGUEZ ALVAREZ
Até 15 de Outubro de 2006 (10h00 às 18h00)
Galeria do piso 01 da Sede da Fundação Calouste Gulbenkian. Entrada livre.

Devo dizer que Dominguez Alvarez foi, desde sempre, um dos pintores portugueses de que mais gostei, da primeira metade do século XX. Por isso acho absolutamente fascinante, e mais uma vez única, esta exposição retrospectiva da sua obra, reunida pelo Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, comissariada por Ana Vasconcelos e Melo e Emília Ferreira, e dada a público por altura das comemorações do centenário do nascimento do pintor (Porto, 1906-1942). Propondo “uma revisitação à obra de um dos mais fascinantes e inquietantes pintores do chamado ‘segundo modernismo’ português, e reunindo um conjunto de cerca de duas centenas de obras, entre pintura e desenho, expõe vários inéditos, incluindo quatro álbuns de desenhos e pinturas sobre papel, de pequeno formato, realizados durante as suas viagens pelo norte de Portugal e Espanha.
Filho de pais galegos, José Cândido Dominguez Alvarez é um artista particularmente bem representado na colecção do CAM, com 39 obras entre pintura e desenho, e que tem tido lugar obrigatório nos vários percursos expositivos sobre a arte portuguesa ao longo dos séculos XX e XXI. Membro fundador do grupo ‘+Além’, que reuniu no Porto, em Abril de 1929, um conjunto de vozes ‘modernas’ entre arquitectos e pintores, sintonizado na oposição às homenagens póstumas a Marques de Oliveira, Alvarez é um dos subscritores do manifesto intitulado ‘Em Defesa da Arte’, no qual se afirmava que a arte não deve apenas evidenciar um saber fazer, mas ‘qualquer coisa que grita, que nos contorce e nos abre a sensibilidade’.
O demasiado curto percurso artístico de Alvarez – coincidente com catorze anos de formação académica, intercalados com viagens a Espanha e períodos de doença, vindo a morrer tuberculoso, aos trinta e seis anos de idade – foi contudo fértil em produção, tendo o artista deixado várias centenas de obras.”
“Paisagista por imaginação e vocação (definindo-se euforicamente como ‘o maior paisagista da Península’), sintetizando e reinventando cenários a partir do natural visitado nas suas deambulações ibéricas, ele perseguirá como motivos as paisagens urbanas e rurais do Porto, Minho, Galiza e Castela, cenas de um muito particular quotidiano, com figuras masculinas negras e tortas, as admiráveis figuras à chuva, retratos de personagens vistas em primeiro plano sobre paisagens fundeiras e as majestosas torres das catedrais espanholas de Segóvia e, sobretudo, de Santiago de Compostela. Mantendo uma linguagem própria, por vezes bastante sincrética, nas citações ou, talvez melhor, nas intuições, de tom expressionista e surrealista, Alvarez tornar-se-á clássico, não apenas no sólido conhecimento que demonstra em relação aos materiais e às soluções plásticas adoptadas, mas também na recorrência ao tratamento de um número reduzido de temas, num entusiasmo, numa entrega à “pintura pela pintura”. E, curiosamente, o subscritor do manifesto modernista portuense, gradua-se em 1940, com vinte valores, pela mesma escola em que o velho mestre Marques de Oliveira deixara bem impressa a sua apetência por temas e expressões tão caros ao tardo-naturalismo.”
Encontramos em Alvarez esta mistura, aparentemente não conflituosa e até mesmo simultânea (sobretudo verificada a partir de 1932, ano em que parecem ter surgido as primeiras experiências mais detalhistas, quase fotográficas), de expressões plásticas, servidas por um arrojado sentido do desenho, com notáveis sínteses formais e cromáticas, a partir de matrizes visuais que em outras obras suas se mantêm fiéis a uma aparentemente tranquila representação naturalista.
A par da sua actividade como pintor e fruto das suas viagens por Espanha, Alvarez especializa-se em pintura espanhola, confessando-se admirador de Zuloaga, ‘um barroco herdeiro de Greco e que interpreta os temas ásperos da Espanha feudal e histórica’, de Dario de Regoios, pintor basco-asturiano ‘iniciador da pintura de paisagem em Espanha’, e de Gutierrez Solana, ‘o pintor áspero e sombrio, de luzes sinistras’. Este seu interesse, um pouco nacionalista, visto que se apresentava como ‘pintor oriundo de Pontevedra, residente no Porto’, leva-o ainda a conceber uma exposição de pintura galega, que seria integrada na ‘Semana da Cultura Galega’ realizada no Porto, no Outono de 1935, e que não se chega a realizar para seu grande desânimo.
Esta nova apresentação em Lisboa da obra de Dominguez Alvarez (a última data de 1987, na Galeria Almada Negreiros, da então Secretaria de Estado da Cultura), propõe um reencontro com um artista com um corpus iconográfico já estabelecido mas cujo estudo permanece ainda em aberto. O catálogo conta com diversos textos de investigadores, em que se inclui uma análise sobre a sua obra assinada por António Trinidad Muñoz, autor de uma tese de doutoramento sobre Alvarez defendida em Espanha, e uma abordagem aos aspectos materiais e técnicos da sua produção artística.”
Permitam-me esta tão longa citação, mas julgo que tentar divulgar a obra e o homem, e tornar apetecível uma visita à exposição são aspectos a não descurar. Alvarez é um pintor de uma marca pessoal sem paralelo na nossa história da arte, um artista que dir-se-ia de uma ingenuidade a roçar o “naive” e, todavia, senhor de uma cultura artística e intelectual invulgares. Os auto-retratos, as paisagens com silhuetas humanas que quase atingem a caricatura, as perspectivas, a utilização das cores, a influência do expressionismo alemão e das vanguardas europeias das décadas de 20 e 30, o nostálgico e irónico sabor português fazem desta obra um marco. Ao lado de outros, igualmente “únicos”, como Amadeo ou Almada. Absolutamente imprescindível, dos 8 aos 108.

Uma obra em foco
A ESCULTURA BACO
DE MICHAEL RYSBRACK (1693-1770)
até 22 de Julho de 2007
Galeria de Exposição Permanente. Entrada paga.

“Na linha das anteriores “Obras em Foco”, iniciativa que se propõe centrar a observação do público numa só obra ou num pequeno núcleo de obras habitualmente em reserva, expõe-se a partir de 18 de Julho e por um período alargado, correspondendo ao ano das comemorações do 50º aniversário da Fundação Calouste Gulbenkian, uma escultura de grande qualidade, executada em 1751 por Michael Rysbrack, artista flamengo a trabalhar em Londres, com grande sucesso, na primeira metade do séc. XVIII.
Esta escultura, dificilmente integrável no discurso expositivo do Museu Gulbenkian e por isso mantida em reserva, constitui um complemento valioso à exposição O Gosto do Coleccionador. Calouste S. Gulbenkian (1869-1955), que estará patente, a partir da mesma data na Galeria de Exposições Temporárias do piso 0 da Fundação.
Calouste Gulbenkian foi coleccionador de escultura maioritariamente inspirada na Antiguidade, em parte consequência da sua paixão pelas manifestações artísticas da própria Antiguidade, consumada na sua notável colecção de moedas gregas. A obra de Michael Rysbrack agora patente ao público, artista que foi buscar ao barroco o seu conceito próprio de ideal clássico, está entre os exemplares mais notáveis da colecção reunida por Calouste Gulbenkian. “

segunda-feira, agosto 28, 2006

UM BLOG (POR DIA) PARA VISITAR (19)

“UM AMOR ATREVIDO”


Blog belíssimo, muito cinematográfico na sua inspiração, muito literário na sua concepção, muito erótico na sua textura. "Um Amor Atrevido", é o nome. Quem o escreve não sei, mas gostava bastante de saber (as coisas boas são para se conhecerem, e o autor/autora atrevido/a bem merece a celebridade). Acontece que graficamente é de uma austeridade notável, de um rigor imaculado (nada desvia o autor/a dos seus propósitos), os textos são muito bonitos, alguns muito sensuais, e por todos passa uma sombra cinéfila que só fica bem, quer perla justeza das referências, quer pela subtileza das mesmas. Não percam.
Eis quatro exemplos “quentes” deste Agosto:

Domingo, Agosto 27, 2006
Já era tempo. O Amor não é como nos filmes, não se alimenta de ausências nem sobrevive do pingue pongue de toques inventados por imaginações carentes de adêene desconhecido. O Amor não é um grande plano de olhos fechados e de bocas entreabertas, com um magnífico pôr-do-sol de permeio e um piano piroso de fundo. Já era tempo, sabes. O Amor é uma janela que se fecha devagar para que não te constipes, é guardares-me a última colher de mousse e partilharmos a escova de dentes e o tédio das segundas à noite; é o riso cúmplice no velório de um primo distante e o depilar-me com a gilete com que te barbeias. Não, seguramente, esta estúpida nostalgia de violinos que se dispersa pelas minhas veias saudosas como veneno de cobra, a cada vez que me lembro de seguir um roteiro de palavras que não me pertencem porque já me esqueceram. Já era tempo de não tentar seguir-te o trilho, de perder a esperança de te encontrar as pegadas, às voltas, de volta, na minha direcção. Já era tempo de abrir os olhos, de virar-te a cara e cerrar-te os lábios (e que a noite caísse por fim entre nós). Seguir em frente. Sim. Já era tempo de seguir em frente.


(east of eden)
escrito por a. at 2:38 AM

Domingo, Agosto 20, 2006
Gosto da imoralidade inquieta com que investes entre as minhas pernas e depois emerges dos teus trabalhos de língua como uma enguia cansada, para logo a seguir me prenderes com os pés as bochechas, tendo eu de te engolir inteiro antes que da minha cara faças banco desdobrável. Não te reges por quaisquer princípios quando me abres na tua trave como ginasta olímpica e rodas sobre mim, fazendo-me eixo fixo do teu gozo obsceno e arrogando-te a leveza de um ponteiro dos segundos. Não me deixas, sequer, espaço dentro da boca para poder passar o riso que sempre me invade quando nos vejo assim trocados, invertendo todos os códigos da importância dos carinhos: eu, a amar perdidamente um dedo do teu pé e tu, a namorares o meu tornozelo magro, que chupas como a última ostra. Mas do que eu mais gosto é quando um de nós se vira por fim no escuro, ambos ainda confusos, em busca de pontos de referência, do hálito cansado do outro. E do prazer de te esperar, cá em baixo, no fim da viagem, depois das curvas, das derrapagens, dos cruzamentos às cegas e inversões de marcha. O sexo é a melhor metáfora de nós: o sítio onde exageramos a vida e a esquecemos, enterrando a cabeça um no outro como avestruzes cobardes.


(basic instinct)

escrito por a. at 10:02 PM

Segunda-feira, Agosto 14, 2006
Chegaste-me pelas costas e o teu sorriso miúdo a acertar em cheio as minhas omoplatas desprevenidas. Tempos depois, o sol num determinado ângulo, a ensombrar o pára arranca da brisa marinha. e pela bonomia estival irrompe a lembrança dos teus olhos gulosos, arredondando as minhas medidas e sufragando os meus gestos. Por entre línguas da sogra e gelados olá, reconstituo a tua boca de lamentos diabéticos com a precisão de um restauro de capela: recordo-a abandonada aos meus segredos de mulher fácil, oferecida como uma amostra grátis, e lá se me vão as certezas dianteiras e os traços contínuos, na leva da quadragésima sétima onda. Um ligeiro açoite da memória, e o teu cheiro a sobrepor-se à citronela na varanda e a intrometer-se na roda de amigos. Por entre as gargalhadas e as traças que esvoaçam no cheio da noite, faltas-me qualquer coisa, como se uma cadeira vazia em frente a um prato cheio, numa mesa posta. Finjo que tenho muito para te mostrar mas, na verdade, sou um livro em branco à espera que me preenchas com a caligrafia paciente de um monge copista, e assim talvez que da nossa história ainda surja uma iluminura (como as que dantes contavam dos desvarios feitos por Amor e da tolice de lhes chamarem milagres).


(breaking the waves)

escrito por a. at 2:07 AM


Segunda-feira, Agosto 07, 2006
Não sei em que momento o teu tronco perfeito, alinhado por deuses gentis, passou de bênção sorridente a cruz às costas. Nem imagino o que te terei feito ao certo, para que me obrigues a carregar-te pela moínha dos anos como uma penitência azeda. Nós dois, de mãos dadas num paraíso de folheto, assimétricos como bainhas cosidas à mão, cedendo cada vez mais ao conforto morno da redundância e do silêncio. E os contornos molhados desta ilha em que resolvemos resolver-nos, acentuam ainda mais os rasgões da solidão sibilina na nossa carne triste. Não há oceano índico que nos enxagúe as mágoas, nem sol costureiro que nos vire os forros da alma magoada pelo avesso e no-la sacuda para o chão, a ver se sai o lixo e as sobras que não prestam. Em frente, um nativo de rosto gasto como as conversas em vão, toca música velha de namorados e sorri, ao teu gesto cuidadoso de casaco sobre os meus ombros arrepiados. Sabemos ambos (aliás, sabemos todos, até a senhora da agência) que o roteiro de um inclui o outro a diário, como visita guiada de turista enfadado. Mas eu duvido (sinceramente, duvido) que alguma vez volte a oferecer-te o meu corpo com o abandono dos crentes.


(once upon a time in america)
escrito por a. at 8:28 PM

sábado, agosto 26, 2006

UM BLOG (POR DIA) PARA VISITAR (18)

“HÁ SEMPRE UM LIVRO...à nossa espera!"



É um “Blog sobre todos os livros que eu conseguir ler! Aqui, podem procurar um livro, ler a minha opinião ou, se quiserem, deixar apenas a vossa opinião sobre algum destes livros que já tenham lido. Podem, simplesmente, sugerir um livro para que eu o leia! Fico à espera das V. sugestões e comentários! Agradeço a V. estimada visita. Boas leituras!”Ora quem é esta “eu” que lê livrios e escreve sobre eles? Vamos ver o que diz o “About Me” e descobrimos que se trata de Claudia Sousa Dias, de Famalicão, Norte, Portugal, “ Bibliomaníaca e melómana. O resto terão de descobrir por vocês!” Ora eu conheço um pouco mais desta Cláudia, frequentadora assídua do Famafest, ou não fosse este um festival sobre “Cinema e Literatura” que eu dirijo há oito anos precisamente em Famalicão. Conheci-a precisamente no barzinho de paredes vermelhas da Casa das Artes. Falámos sobre Cinema e Literatura, já há uns anos, e voltámos a falar regularmente, todos os anos, por volta de meados de Março, sempre que o festival regressa (já regressou em Maio, por força das circunstâncias, como no ano passado). A Cláudia é uma mulher que gosta de livros (entre outros gostos, é claro!). Gosta de os ler e de escrever sobre eles. Duas boas actividades.
Ultimamente leu e escreveu sobre:
* “Contos do Mal Errante” de Maria Gabriela Llansol (Assírio e& Alvim)
* “O Cego de Sevilha” de Robert Wilson (Dom Quixote)
* “Crónica de uma Morte anunciada” de Gabriel García Márquez (Dom Quixote)
* “As Sobredotadas” de Luísa Monteiro (Guizos)
* “O Horto da minha Amada” de Alfredo Bryce Echenique (Dom Quixote)
* “Uma Mulher Nua” de Lola Beccaria (Teorema)
* “O Crime do Padre Amaro” de Eça de Queirós (Planeta DeAgostini)
* “O Aroma da Goiaba” de Plinio Apuleyo Mendoza e Gabriel García Márquez (Dom Quixote)
* “A Amêndoa” de Nedjma (ASA)
* “A Montanha da Água Lilás” de Pepetela (Dom Quixote)
Tudo boas escolhas, que deram origem a extensos textos cuidados, documentados, apaixonados, sobre as obras e os autores. Falta-lhe por vezes um grão de loucura na escrita, um pouco menos de tom professoral, mas a Cláudia é séria (quando não se ri) e só lhe digo isto porque sou muito amigo dela e já lhe dei outros conselhos (cujas consequências espero que se mantenham). Sim, por que também sou óptimo conselheiro sentimental. Um beijo, Cláudia, e aqui fica um trecho da sua análise a um livro admirável, que daqui também aconselho vivamente (vai sem ilustração, porque o Blog da Cláudia assim o impõe):

Friday, July 28, 2006
"A Sombra do Vento" de Carlos Ruiz de Zafón (Dom Quixote)
“Uma história de livros malditos, do homem que os escreveu, de uma personagem que se escapou das páginas de um romance para o queimar, de uma traição e de uma amizade perdida (...) amor, ódio e sonhos que vivem na sombra do vento”. - Carlos Ruiz de Zafón in A Sombra do Vento
Este é um dos raros casos em que o sucesso editorial e a rendição incondicional do público a um autor pouco conhecido em Portugal pelo grande público, coincide com a opinião favorável da crítica especializada e dos gourmets da palavra.
Romance vencedor do prémio “Correntes da Escrita” para o ano de 2005 - evento realizado anualmente na Póvoa de Varzim - A Sombra do Vento é um livro cuja qualidade foi aclamada unanimemente pela crítica especializada, à escala nacional e internacional.
Um dos principais atractivos do referido romance é o facto de a trama remeter para vários outros autores, clássicos e contemporâneos.
Trata-se de um enredo que envolve uma complexa e absorvente teoria da conspiração, em pleno governo do Ditador Franco, onde se misturam os ingredientes que, invariavelmente, conferem ao romance a compulsividade obsessiva necessária para prender o leitor como um íman até ao último parágrafo: amor, ódio, paixão, traição e vingança.
Tudo isto com a bela, imponente e brumosa Barcelona de há sessenta anos atrás como cenário.
A arquitectura da trama envolve um grupo restrito de coleccionadores de livros raros e um autor-mistério, cujas obras parecem ser alvo de um perseguidor anónimo, encarregue de as fazer desaparecer.
O autor perseguido tem o sugestivo nome de Julián Carax e a sua última obra é especialmente visada pelo vingador desconhecido cujo título é...
...A Sombra do Vento.
Mais: o romance de Carlos Ruiz de Zafón debruça-se, nem mais nem menos, sobre a magia que os livros exercem na alma humana, aludindo a toda uma plêiade de autores mais do que consagrados. Por exemplo, por um lado lado, a biblioteca chamada de “o cemitério dos livros esquecidos” remete para Arturo Pérez-Reverte e o seu best-seller intitulado de O Cemitério dos Barcos sem Nome; há, por outro lado, uma intertextualidade com Umberto Eco em O Nome da Rosa, devido à labiríntica configuração da biblioteca descrita na Abadia - onde William Baskerville vai, em plena época medieval, desempenhar o papel de Sherlock Holmes – e a de Barcelona, cujo guardião Isaac faz lembrar vagamente o antigo bibliotecário do romance do autor piemontês.
Em ambos os casos, é na biblioteca que se encontra a chave mestra que possibilita o desvendar da trama.
A influência de Alexandre Dumas também está presente na construção de uma teoria da conspiração que em nada fica a dever à de O Conde de Monte Cristo. O mesmo se pode dizer em relação a Gaston Leroux e Michael Ondaatje pela semelhança de Laín Coubert - o perseguidor de A Sombra do Vento de Carax - cuja movimentação na sombra e deformidade física trazem, respectivamente, reminiscências de O Fantasma da Ópera e O Paciente Inglês. (…)

UM BLOG (POR DIA) PARA VISITAR (17)

“paixões & desejos”

Chama-se “paixões & desejos” é um belíssimo blog sobre cinema, “as paixões e os desejos” e tem como definição “O Universo do Cinema e a sua História. Os Cineastas, os Astros e as Estrelas da 7ªArte, do Cinema Mudo até à Vanguarda do século XXI. Os Teóricos e a Cinéfilia. Os Livros, a Net e as Publicações de Cinema. A Paixão e o Desejo das Imagens.”

Nos últimos posts, um muito bem documentado sobre
“BERTOLT BRECHT E O CINEMA”,
“O PROCESSO DO FILME A ÓPERA DE TRÊS VINTÉNS
UMA EXPERIÊNCIA SOCIOLÓGICA”
(O CINEMA NOS LIVROS),

que transcrevo com a devida vénia e a vontade que este texto despolete o desejo de frequentar com regularidade este blog de Rui Luís Lima.

O cinema nos livros é uma das formas de descobrirmos através de “terceiros” uma outra forma de olhar a 7ª Arte, mas também de confrontar ideias no Universo Cinematográfico. Quantos filmes e cineastas, actores e produtores fomos descobrir após a leitura do cinema nos livros, fruto de especialistas e de simples amantes do Cinema? A resposta seria infinita para o mais comum dos cinéfilos, por isso vamos directos ao livro em questão: “O Processo do Filme «A Ópera de Três Vinténs» Uma Experiência Sociológica” da autoria de Bertolt Brecht.
Antes de mais, temos de realçar a fabulosa introdução de João Barrento, assim como as suas longas notas, oferecendo uma visão da Alemanha dos anos vinte e a complexidade das relações de então entre o poder do autor da peça e do realizador do filme, ou seja Brecht e Pabst. Brecht não necessita de apresentações, mas Georg-Wilhelm Pabst, merece aqui uma pequena introdução para o situarmos no contexto da questão.
Pabst é o autor de filmes como “Rua sem Sol”/”Die Freudlose Gasse”, “O Amor de Jeanne Ney””/”Die Liebe der Jeanne Ney” ou “A Boceta de Pandora”/”Die Buchse der Pandora” e, como muitos dos cineastas alemães da época, iniciou-se no teatro como actor em Berlim, Zurique e Salzburgo; após o fim da primeira Guerra Mundial tornou-se o director da “Neue Wiene Buhne” de Viena, que na época defendia o teatro de vanguarda no seu reportório. Depois tornou-se realizador, mas fazendo o percurso na sua totalidade ou seja primeiro argumentista e depois assistente de realização. No célebre “Rua Sem Sol” dois nomes femininos iriam marcar a História do Cinema… uma protagonista chamada Greta Garbo… e uma figurante de seu nome Marlene Dietrich.
Regressando ao tema que nos interessa…”A Ópera de Três Vinténs”…os seus autores como todos sabemos são Bertolt Brecht e Kurt Weil mas, curiosamente, quando ela foi apresentada Brecht foi acusado de plágio…mas isso é outra história….adiante…Quando a produtora Nero decidiu levar o texto ao grande écran indicou Pabst como realizador e entregou a feitura do argumento a Bela Balazs que, mais tarde, viria a ser mais que famoso, com os seus textos de teoria e história do cinema. Mas Bertolt Brecht não gostou do resultado final e processou a produtora do filme, a qual antes de o caso chegar a tribunal ainda ofereceu uma soma elevada a Brecht para este retirar a queixa. Mas o Brecht de então era o mais radical possível, como refere João Barrento na introdução e como podemos constatar ao longo da leitura do livro. Brecht acabaria por perder o processo e o filme foi exibido. Curiosamente hoje em dia a película é vista por muitos como um dos grandes contributos de Brecht para a História do Cinema.
O livro trata de todo o processo de “A Ópera dos Três Vinténs” e da sua adaptação ao cinema… a forma como o dramaturgo se refere a Bela Balazs… é demonstrativo do radicalismo da altura… radicalismo esse que a passagem do tempo iria tornar mais maleável e moderado. E o percurso destes três grandes nomes… Brecht, Pabst e Balazs foi de certa forma perfeitamente diferenciado.
Brecht quando viu que o poder do Terceiro Reich iria tentar destruir o mundo, refugiou-se na Dinamarca, partindo depois para os Estados Unidos, ligando-se aí aos círculos socialistas do Cinema e a esse figura chamada Upton Sinclair. Foi um refugiado e um lutador no verdadeiro sentido da palavra, escreveu argumentos atrás de argumentos para o cinema, mas as portas dos Estúdios sempre lhe foram fechadas na cara. E tal como sucedeu a esse grande génio chamado Eisenstein… Hollywood nada quis com ele… e quando foi chamado a depor perante uma comissão acerca das suas ideias políticas, esqueceu-se do seu radicalismo, porque tinha bilhete para partir/fugir do Novo Mundo.
Já Balazs refugiou-se na Rússia e os seus textos continuam a ser fundamentais e a sua grandeza como Teórico e Historiador é reconhecida por todos. Quanto a Pabst, que entretanto tinha realizado um dos grandes manifestos socialistas “A Tragédia da Mina”/”Die Dreigroschenger Kameradschaft), partiu para França quando os nazis chegaram ao poder… mas depois, apesar dos seus ideais socialistas e perante a surpresa de todos, regressa à Alemanha em 1940 e oferece os seus serviços a Goebbels… (recordemos que quando Goebbels convidou Fritz Lang para assumir a direcção da UFA, nesse mesmo dia Lang fugiu de comboio da Alemanha) … quando a Guerra acabou passou o resto da vida a retratar-se, mas nunca conseguiu aliciar a sua amiga Greta Garbo, para esse tal filme que o poderia tirar do Limbo Cinematográfico em que vivia.
Este livro da editora “Campo de Letras” deve ser lido por todos, não só pelas palavras/escrita de Bertolt Brecht, mas também pela excelente introdução de João Barrento que nos transporta para a época de uma forma mais que perfeita. O referido volume tanto pode ser encontrado nas livrarias na secção de cinema, como na de teatro como já constatámos… a sua leitura é uma perfeita aventura… e já agora, como acompanhamento, recomendamos a visão de “A Ópera dos Três Vinténs” da qual muitas das canções são conhecidas de muitos…mas se não a encontrarem em dvd… e se desejarem mergulhar nesse anos sombrios, vejam essa obra realizada por Ingmar Bergman intitulada “O Ovo da Serpente”.

UM BLOG (POR DIA) PARA VISITAR (16)

"PASMOS FILTRADOS"
É Francisco Mendes quem assina o blog “Pasmos Filtrados”. Uma outra boa aposta num blog de cinéfilo.
Nesta minha opção de referir “Um blog por dia” a ideia não será salientar blogs que pensam e sintam como eu. Há muitos anos que sou professor e a minha objéctivo nunca foi criar réplicas, mas ajudar a afirmar-se cada aluno como um personalidade única e diferente, desenvolvendo as potencialidades que cada um trás dentro de si. Só assim entendo a actividade de professor. Nunca como a de alguns outros que ensinam a ser como eles são ou gostariam de ter sido.
Ao salientar blogs que estimo nada mais faço do que, de uma forma totalmente aleatória, à medida que vou vendo blogs que me agradam, por uma razão ou por outra, sublinhar esse facto e salientar aspectos que julgo de sobressair. Não refiro, pois, só blogs que pensem como eu. Podem até pensar o contrário, mas desde que o façam com boa argumentação, podem convencer-me, não a mudar a minha opinião, mas a aceitar a deles. É o que tenho feito até aqui, é o que faço com “Pasmos Filtrados”, que julgo um blog de um jovem, com as escolhas óbvias de um jovem cinéfilo, adepto do cinema de autor, do fantástico, do filme de culto, dos clássicos. Tudo boas opções. Um blog que procura rigor e paixão, e que se inicia com um prefácio à laia de guia de intenções. Um bom princípio também. Aqui fica o bom princípio, dois textos actuais, e o convite para visitaram “Pasmos Filtrados”.

Segunda-feira, Maio 16, 2005
Prefácio

O dramaturgo William Shakespeare proferia que “o objectivo da Arte é dar forma à vida”. O brilhante poeta Edgar Allan Poe proclamava que “a Arte é a reprodução do que os Sentidos apreendem da Natureza, filtrado através da Alma”. O pintor espanhol Pablo Picasso expressava que “a Arte varre da Alma o pó do quotidiano”. Durante a minha vida calcorreei trilhos que convergiam para a contemplação de diversas formas de Arte. É através da arte que conseguimos flutuar bem acima da nossa consistência física e alcançar admiráveis pontos de vista existenciais. Perspectivas essas que se encontram ocultas aos nossos sentidos, graças ao torpor gerado pelo quotidiano do nosso sórdido globo. Adoro pintura, deslumbro-me com fotografia, absorvo literatura, flutuo com música e venero cinema. Graças ao cinema não perecemos contemplando um mundo singular (o nosso), mas divagámos por múltiplos e diversos mundos de talentosos artistas. No auge dos filmes de ficção científica, os críticos falavam de “Sense of Wonder”. Uma superior Obra-Prima perdura graças ao vórtice que escancara diante de nossos olhos, atordoando e sugando deleitosamente os nossos sentidos. Nós não vemos personagens directamente nos olhos, nós vemos através dos seus olhos. Neste espaço difundirei principalmente as emoções provocadas em mim pela Sétima Arte. Fui recentemente apresentado à arte de criar blogs e os meus conhecimentos são limitadíssimos. Criarei inicialmente algo simples e tentarei arranjar tempo e aprofundar conhecimentos para actualizar este espaço.
posted by Francisco Mendes at 5/16/2005 09:07:00 PM

Sábado, Agosto 26, 2006
"O" final

The Last Waltz, de Jo Yeong-wook (“OldBoy”)

Existe um filme que coabita na minha essência há mais de um ano. Não… não se encontra somente alojado numa ramificação da minha memória. Revolve-me o âmago, amotina-me num patamar intangível, fraccionando o real do místico. “OldBoy” de Park Chan-wook, foca-se num poderoso ensaio sobre a vingança, imbuindo repressões psicológicas no pano de fundo de uma sociedade coreana (e porque não universal) iníqua. Examinando a raiz do pecado ao ritmo de uma Tragédia Grega ou Shakespeareana, o virtuosismo de Park aprofunda a ambiguidade do espírito humano e respectiva fragilidade quando corrompido pelos danos inerentes ao sentimento de perda e subsequente desejo de vingança, numa peculiar mescla de mel e fel, de beleza e abominação, de amor e horror. É uma Obra de Arte que explora de forma vibrante a condição humana.
Elevando a sua poderosa vertente ambígua para um patamar olímpico, encontra-se a magistral conclusão do filme. A partir do momento em que Dae-su abre a caixa misteriosa, o filme explode em ondas de simbolismo. Após a fatídica revelação, a sua revolta é exclusivamente montada com planos de vidros estilhaçados, numa exímia alusão à dissolvência da sua alma. Ao longo do filme existe um mantra ao qual Dae-su recorre nos momentos de desespero: «Ri… e o mundo rirá contigo. Chora… e chorarás sozinho». Se existem imagens que valem mais que mil palavras, a imagem final de “OldBoy” é um dos exemplos supremos. Matizada numa beleza assoladora, o retrato ressoa os conflitos emocionais de Dae-su, através da ambiguidade espelhada no seu rosto. «Amo-te… Oh Dae-su…», sussurra Mi-do aninhando-se nos braços de Dae-su. Escutamos a faixa The Last Waltz de Jo Yeong-wook irrompendo em ondas melodiosas que enlevam o momento dramático, enquanto visionamos algo a ser accionado na consciência de Dae-su. O sorriso inicial como resposta emocional à declaração de Mi-do, depressa se transforma num carpido silenciosamente angustiante. É nestes trilhos humanos que Park Chan-wook nos transporta, numa expedição aos becos escuros da condição humana, enquanto nos provoca comoção veemente, riso genuíno e choro sentido. Sob a hipnótica camada barroca de Park, jazem poderosos receptáculos emocionais.
posted by Francisco Mendes at 8/26/2006 08:23:00 AM

Sexta-feira, Agosto 25, 2006
"INLAND EMPIRE" – primeiras imagens


Finalmente algo!
O Cinempire conseguiu colocar alguma luz (por muito ténue que seja) sobre o novo filme de David Lynch, "INLAND EMPIRE". Lynch decidiu manter segredo sobre o enredo, mas sabe-se que o filme é ambientado nos subúrbios de Los Angeles, sobre uma mulher obrigada a enfrentar um grande perigo. A primeira incursão de Lynch no uso do vídeo de alta definição aguarda-se tão sensacional quanto o seu trabalho com o filme em 35 mm e o longo período de gestação da sua nova produção (gravada com algumas interrupções, no decorrer de dois anos), permitiu-lhe concentração intensiva nas suas preocupações primárias: a exploração das jovens mulheres, as mudanças de identidade e a alma omnívora de Hollywood. “INLAND EMPIRE” irá ser projectado em Veneza (fora de competição) e David Lynch irá receber um Leão de Ouro pela sua brilhante carreira, sendo o mais jovem realizador a receber tal distinção.
posted by Francisco Mendes at 8/25/2006 08:51:00 AM

sexta-feira, agosto 25, 2006

UMA "BAIXA" DOLOROSA

EDUARDO BENFICA



Recebi um email triste, muito triste. O meu amigo goiano Eduardo Benfica (sim, chamava-se assim porque o pai era um adepto ferrenho do SLBenfica!) tinha morrido. Ainda em Junho, durante o Festival Internacional de Cinema Ambiental de Goiás estivera com ele, num apertado abraço, e brincando sempre com ele com o meu Sporting.
Agora desapareceu o Eduardo Benfica e, se voltar a Goiás, vou sentir a sua falta, a sua boa disposição e o seu amor ao cinema. Conheci-o como colega de Júri Internacional do FICA há uns anos atrás, e daí para cá as nossas relações foram as melhores.
Ais a notícia que me chegou às mãos:

O Cinema em Goiás está de luto

Faleceu em Goiânia, vítima de parada cardíaca, um dos seus maiores incentivadores, o documentarista e cineclubista e pesquisador de cinema Eduardo Benfica. O corpo dele só foi encontrado hoje, em sua residência, provavelmente três ou quatro após o falecimento. Nascido em Lajes (RN), em 28 de Setembro de 1945, Benfica veio para Goiás em 1949, tendo voltado para Natal na virada dos anos 1950/60, quando participou das actividades do Cineclube Tirol. Voltou para Goiânia em 1966, participando então activamente do movimento cineclubista através do Centro de Cultura Cinematográfica (o CCC), o primeiro cineclube de Goiânia. Sempre actuando na vanguarda do cinema em Goiás, trabalhou em "O Popular", onde integrou a equipe de comentaristas da primeira página fixa dedicada ao cinema em um jornal diário de Goiânia. Actualmente exercia a função de Director do Museu Pedro Ludovico, unidade da Agência Goiana de Cultura. Foi Presidente da Associação Brasileira de Documentaristas-Secção Goiás (ABD-GO), de 2000 a 2002, período em integrou também a directoria da ABD Nacional, na gestão de Leopoldo Nunes. Coordenador do júri de selecção do primeiro FICA, em sua segunda edição foi membro do Júri Internacional. Coordenou também a mostra de cinema do terceiro e quarto Fórum Goiano sobre Cultura, promovido pela Assembleia Legislativa de Goiás e fez a curadoria da Mostra Goiana no terceiro, quarto e sexto FICA, tendo sido ainda curador do primeiro, segundo e terceiro Goiânia Mostra Curtas. Como membro do júri, participou do décimo Festival de Cinema de Natal. Ex-membro efectivo do Conselho Estadual de Cultura, exerceu também a função de júri de selecção do programa de Desenvolvimento de Roteiros do Ministério da Cultura, em 2003. Em 1992, Eduardo Benfica co-dirigiu o vídeo "Goiânia: do baptismo a modernidade", trabalho comemorativo dos cinquenta anos da fundação de Goiânia. Em 1996, foi co-autor do livro "Goiás no Século do Cinema", em parceria com Beto Leão, em cuja segunda edição estava trabalhando, com lançamento previsto para novembro próximo. Foi também produtor executivo da curta-metragem em 16 mm "Terra de Gigantes: Um conto sobre Bernardo Saião", além de ter trabalhado como actor em diversos filmes goianos. No momento exercia a função de Secretário suplente na recém eleita Diretoria do Conselho Nacional de Cineclubes, como representante do Cineclube Cenarte. A morte de Benfica representa uma perda irreparável para o audiovisual goiano e brasileiro. E que lá do alto ele continue nos enviando energias positivas.
BETO LEÃO, Presidente da ABD-GO, Director de Comunicação do CNC.

quarta-feira, agosto 23, 2006

UM BLOG (POR DIA) PARA VISITAR (15)

“hoje há conquilhas, amanhã não sabemos"

hoje há conquilhas, amanhã não sabemos” é um blog de Tomás Vasques, sobretudo de anotações politicas, sociais, culturais.
Tomás Vasques foi durante anos o braço direito de João Soares na CML
(equipa que, hoje em dia, já deixou seguramente boas recordações).
É um blog de boa informação (e formação), chamando a atenção para muita coisa que passa desapercebida na comunicação social. As suas sugestões são sempre de ter em conta, e o facto de ter escolhido um texto meu para assinalar não deixa de me orgulhar. Devo, aliás, reconhecer que foi durante a época de João Soares, na Cultura da CML, que se efectuou uma grande retrospectiva da obra de Lauro Corado, meu pai, no Palácio das Galveias.
A que esteve obviamente associado Tomás Vasques.
Facto que, apesar de inteiramente justo, não esqueço.
Foi também com a dupla João Soares /Tomás Vasques que iniciei a dinamização do Padrão dos Descobrimentos, do Teatro de São Luiz, do Fórum Lisboa (antigo Cinema Roma), sempre com a “Festa do Cinema”, ainda que em diferentes projectos adaptados aos espaços em questão. Enfim projectos que serviram para dinamizar, mas cedo foram abandonados em nome de outros valores. Mas se a mágoa se mantém pela obra incompleta, a amizade também.
Por isso saúdo este blog que é de leitura obrigatória para quem quer estar atento a uma das importantes sensibilidades do PS.
Duas curtas transcrições para dar uma ideia deste blog directo, irónico por vezes, bem informado e bem documentado, inclusive com muito boas sugestões culturais. Um grande abraço para si.

A grande farra ou pequenas precipitações?
1. Como se faz opinião em Portugal, João Morgado Fernandes (french kissin' )
2. Pedido de esclarecimento a JMF, João Villalobos (Corta-fitas).
3. PERGUNTA DO DIA, Jorge Ferreira (Tomar Partido).
4. Pedido de desculpas a JMF, João Villalobos (Corta-fitas).
5. Errar, João Morgado Fernandes (french kissin' ).
(Aguardam-se as cenas dos próximos capítulos)
posted by tomasvasques at 12:15:00 AM

Este episódio só se desfruta plenamente, indo ao blog e klicando.

posted by tomasvasques at 12:15:00 AM
Agosto 22, 2006
Até amanhã.



(Lucian Freud).

posted by tomasvasques at 11:45:00 PM
Coisas que nunca te disse.


«Como podes viver com todo isto nas tuas paredes: Motherwell, de Kooning, Still, Pollock, Kline?» - Franz Kline durante uma festa na casa de uma amiga, em Janeiro de 1962.
posted by tomasvasques at 11:55:00 AM
Relatório da Amnistia Internacional. (Actualizado)
«A Amnistia Internacional acusa Israel de crimes de guerra, afirmando que o país
quebrou leis internacionais ao destruir deliberadamente infra-estruturas civis
durante a sua ofensiva contra o Hezbollah.»
Resposta a dois e-mail recebidos: há quem não questione a imparcialidade dos
Relatórios da Amnistia Internacional quando estes se referem aos presos políticos em Cuba, na Coreia do Norte ou no Irão, por exemplo, ou a situações de maus tratos a presos de
delito comum nas cadeias de países europeus, Portugal incluído.
Mas, agora, este relatório sobre os crimes de guerra de Israel, é considerado “tendencioso”. Este argumento serve às mil maravilhas a “defesa” dos dirigentes cubanos, coreanos ou iranianos em relação às violações dos direitos humanos nestes países.