Organização
Reitoria da Universidade de Lisboa
Coordenação
Lauro António, Cineasta |
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As sessões realizam-se semanalmente entre 31 de janeiro e 16 de maio de 2013.
Cada sessão inclui, no início, uma apresentação do filme.
Algumas sessões são seguidas de debate com a participação de um ou mais especialistas.
Entrada livre, mas sujeita à capacidade da sala.
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Tema: A Grande Depressão dos Anos 30 |
31 de janeiro | 18h00 |
AS VINHAS DA IRA (“The Grapes of Wrath”), de John Ford (EUA, 1940), com Henry Fonda, Jane Darwell, John Carradine, etc. 128 min; M/ 12 anos. Legendado em Português. Com debate no final.
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7 de fevereiro | 18h00 |
PEÇO A PALAVRA (“Mr. Smith Goes to Washington”), de Frank Capra (1939), com James Stewart, Jean Arthur, Claude Rains, etc. 105 min. M/ 12 anos. Legendado em Português.
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14 de fevereiro | 18h00 |
BONNIE E CLYDE (“Bonnie and Clyde”), de Arthur Penn (EUA, 1967), com Warren Beatty, Fay Dunaway, etc. 112 min. M/ 16 anos. Legendado em Português.
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21 de fevereiro | 18h00 |
A ROSA PÚRPURA DO CAIRO (“The Purple Rose of Cairo”), de Woody Allen (EUA, 1985), com Mia Farrow, Jeff Daniels, Danny Aiello, etc. 84 min. M/ 12 anos. Legendado em Português. Com debate no final.
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28 de fevereiro | 18h00 |
HERÓIS ESQUECIDOS (“The Roaring Twenties”), de Raoul Walsh (EUA, 1939), com James Cagney, Priscilla Lane, Humphrey Bogart, etc. 103 min. Legendado em Português.
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7 de março | 18h00 |
DO CÉU CAIU UMA ESTRELA (“It’s a Wonderful Life”), de Frank Capra (EUA, 1946), com James Stewart, Donna Reed, Lionel Barrymore, etc. 130 min. M/ 6 anos. Legendado em Português.
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14 de março | 18h00 |
OS CAVALOS TAMBÉM SE ABATEM (“They Shoot Horses, Don't They?"), de Sydney Pollack (EUA, 1969), com Jane Fonda, Michael Sarrazin, Susannah York, etc. 129 min. M/ 12 anos. Legendado em Português.
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21 de março |
15h00 - DOCUMENTARISMO SOBRE A ÉPOCA (atualidades do tempo do “New Deal”). Em Inglês, sem legendas. Com debate no final.
18h00 - O PÃO-NOSSO DE CADA DIA (“Our Daily Bread”), de King Vidor (EUA, 1934), com Karen Morley, Tom Keene, Barbara Pepper, etc. 80 min. M/ 12 anos. Em Inglês.
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28 de março | 18h00 |
ESPLENDOR NA RELVA (“Splendor in the Grass”), de Elia Kazan (EUA, 1961), com Warren Beatty, Natalie Wood, Pat Hingle, etc. 124 min. M/ 12 anos. Legendado em Português. Com debate no final.
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Tema: A Crise Atual |
4 de abril | 18h00 |
“INSIDE JOB” - A VERDADE DA CRISE (“Inside Job”), de Charles Ferguson (EUA, 2010), com Matt Damon 120 min. M/ 12 anos. Legendado em Português. Com debate no final.
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11 de abril | 18h00 |
O DIA ANTES DO FIM (“Margin Call”), de J.C. Chandor (EUA, 2011), com Zachary Quinto, Stanley Tucci, Jeremy Irons, Kevin Spacey, etc. 107 min. M/ 12 anos. Legendado em Português.
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18 de abril | 18h00 |
WALL STREET: O DINHEIRO NUNCA DORME (“Wall Street: Money Never Sleeps”), de Oliver Stone (EUA, 2010), com Shia LaBeouf, Michael Douglas, Carey Mulligan, etc. 133 min. M/ 12 anos. Legendado em Português.
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2 de maio | 18h00 |
HOMENS DE NEGÓCIOS (“The Company Men”), de John Wells (EUA, 2010); com Ben Affleck, Maria Bello, Tommy Lee Jones, Chris Cooper, etc. 104 min; M/ 12 anos. Legendado em Português. Com debate no final.
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9 de maio | 18h00 |
NAS NUVENS (“Up in the Air”), de Jason Reitman (EUA, 2009); com George Clooney, Vera Farmiga, Anna Kendrick etc. 109 min; M/ 12 anos. Legendado em Português.
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16 de maio | 18h00 |
CAPITALISMO: UMA HISTÓRIA DE AMOR (Capitalism: A Love Story), de Michael Moore (EUA, 2009); Com Michael Moore, Thora Birch, William Black, Congressista Elijah Cummings, etc. 127 min. M/ 12 anos. Legendado em Português. Com debate no final.
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InformaçõesReitoria da Universidade de LisboaNúcleo Cultural do Departamento de Estratégia e Relações Externas |
terça-feira, janeiro 22, 2013
CINEMA NA REITORIA: DUAS CRISES EM CONFRONTO
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Cinema na Reitoria
quarta-feira, janeiro 16, 2013
CINEMA: GUIA PARA UM FINAL FELIZ
GUIA PARA UM FINAL FELIZ
Passa-se algo de estranho nas nomeações
para Oscars nos últimos anos, e isso tem a ver com a qualidade do cinema que se
produz na América nestes últimos tempos. Olhando só para a lista dos nove
nomeados para melhor filme do ano, e falando só dos que já vi, claro que há
bons filmes, todos eles me parecem em princípio merecedores da atenção do
espectador, mas… não há uma única obra-prima, uma só que seja para nos
arregalar os olhos. Mas, acho que todos se recordam, em 1941, “Citizen Kane”
esteve nomeado e não ganhou, o que ganhou foi “O Vale era Verde”, de John Ford.
Mas reparem, entre os nomeados estavam ainda “Suspeita”, de Alfred Hitchcock,
“O Sargento York”, de Howard Hawks, “Relíquia Macabra”, de John Huston, “Raposa
Matreira”, de William Wyler, além de “Flores do Pó”, de Mervyn LeRoy, “O
Defunto Protesa”, de Alexander Hall, “A Minha História”, de Mitchell Leisen, e
“Com um Pé no Céu”, de Irving Rapper. Foi um ano interessante, dez títulos
nomeados, com seis obras-primas a atropelarem-se para conseguirem chegar em
primeiro. O melhor filme de sempre, que para mim continua a ser “O Mundo a seus
Pés”, foi batido. Por uma outra obra-prima e até eu compreendo o embaraço dos
membros da Academia. Mas veja-se o que se passa este ano. Obviamente que não há
uma única obra-prima, nem sequer uma sobrinha para remediar (convém dizer que
ponho de lado “Amor”, do austríaco Michael Haneke, porque apesar de estar
nomeado nesta categoria, vai ganhar a de melhor filme em língua não inglesa, e
ponto final). Os restantes é tudo boa gente, mas a andar na mediania. Por mim,
até agora, prefiro o classicismo austero de “Lincoln”, de Steven Spielberg, mas
acho muito interessantes “Argo”, “Guia para um Final Feliz”, enquanto espero
para ver “OO, 30 Hora Negra”, “Django Libertado”, “A Vida de Pi” e “Bestas do
Sul Selvagem”, e até percebo a nomeação de “Les Miserables”. Mas aqui não há
uma única obra-prima. Enquanto há uns anos atrás havia várias no mesmo ano.
Posto isto, outro lamento, ainda que num
mesmo registo. Não se trata de saudosismo retrógrado, mas apenas de verificar
uma realidade. Por onde andam as brilhantes comédias norte-americanas de outros
tempos? Uma comédia era um acontecimento, um entretenimento inteligente,
sensível, por vezes sofisticado e elegante, outras vezes de um burlesco
desenfreado, sorria-se ou gargalhava-se com gosto. Agora, descobrir uma comédia
norte-americana que não nos faça corar de vergonha, é quase como encontrar uma
agulha no palheiro. Vá lá, este ano temos uma: “Guia para um Final Feliz”, de David
O. Russell, um realizador que nos dera duas obras anteriores interessantes, o
descabelado “Três Reis” e “The Fighter – Último Round”. Agora num registo de
comédia romântica adapta o romance de Matthew Quick, "The Silver Linings
Playbook", e safa-se bem, ainda que sem deslumbrar. Apoiando-se em bons
actores, como Bradley Cooper (que vem de “Ressaca” e outros tais), Jennifer
Lawrence (a fabulosa descoberta de “Despojos de Inverno”) ou o eterno Robert De
Niro, constrói um filme muito agradável de se seguir, sobre a vida
destrambelhada do cidadão norte-americano que sobrevive num sobressalto
constante, quer tenha saído de uma clínica psiquiátrica ou viva normalmente o
seu dia a dia sem recurso a fármacos.
Pat (Bradley Cooper) terá sido, antes de
privarmos com ele no filme, um vulgar cidadão, casado, professor, filho de uma
família algo estranha, até que um dia, ao regressar a casa, descobre que a
mulher não está sozinha no banho e espanca o estranho que ocupa o seu lugar na
banheira. Espanca-o bravamente e é preso, possivelmente julgado, descobrem que
é bipolar, enfiam-no durante uns meses numa clínica, donde sai no dia em que o
filme começa a acompanhá-lo. Regressa a casa dos pais, vive obcecado com Niki,
a mulher que abandonou o lar e vive sozinha, e de quem está proibido de se
aproximar. Acorda os pais às quatro da manhã para saber onde está uma gravação
vídeo, mas enfim, não se trata de nada muito preocupante. Esfalfa-se a correr
pelas ruas da vizinhança, para cansar o corpo, e encontra uma jovem amiga de
uma amiga, Tiffany, que ficou viúva há pouco tempo e que adora sexo e o convida
de imediato para uma sessão de queima de calorias. Mas ele continua casado,
apesar de não praticar e relembra a Tiffany que ela também o é, apesar de o marido
jazer no cemitério. Até aqui tudo bem, as personagens têm graça, estão muito
bem defendidas pelos actores, a perseguição da obcecada sexual é muito
divertida (e a actriz magnífica), o pai de Pat não é muito melhor que os outros
perturbados psíquicos (ele vive a pensar na equipa da terra e nas vitórias que
lhe podem trazer uma fortuna nas apostas) e há um antigo companheiro de clínica
de Pat que aparece de vez em quando, em fuga. Ainda se devem referir a temerosa
mãe de Pat e o irmão deste, que não destoa da família. Há ainda um polícia que
tenta serenar os ânimos, com a calma necessária.
Depois o filme descai um pouco, com os
ensaios para um baile, e tudo acaba num “happy end” que não agride ninguém. Há
uma boa referência a “Singin’ in the Rain”, que serve de modelo para um “pas de
deux”, analisado num ipod, o que dá bem o sinal dos tempos.
Nesta sociedade onde parece não existir
bom senso (mas onde é que ele existe?) a loucura reparte-se habilmente entre os
que estão dentro da clínica e os que estão fora, podendo muito bem trocar entre
si que ninguém dará por nada.
A realização é sóbria e discreta, a
interpretação boa, o filme escorre sem problemas de maior e como tal recebe a
recompensa de sete nomeações para os Oscars, entre as quais a de melhor filme,
melhor realizador, quatro actores e argumento adaptado. Realmente, descobrir
uma comédia que não agrida a inteligência e a sensibilidade de um espectador
que tenha mais do que nove anos e escolaridade correspondente, é difícil. Mas
sete nomeações é obra! Veremos quantos Oscars revertem a seu favor.
GUIA PARA
UM FINAL FELIZ
Título
original: Silver Linings Playbook
Realização: David O. Russell (EUA, 2012): Argumento: David O. Russell, segundo romance
de Matthew Quick ("The Silver
Linings Playbook"); Produção: Bruce Cohen, Bradley Cooper, Donna
Gigliotti, Jonathan Gordon, Mark Kamine, George Parra, Bob Weinstein, Harvey
Weinstein; Música: Danny Elfman; Fotografia (cor): Masanobu Takayanagi;
Montagem: Jay Cassidy, Crispin Struthers; Casting: Lindsay Graham, Mary
Vernieu; Design de produção: Judy Becker; Direcção artística: Jesse Rosenthal;
Decoração: Heather Loeffler; Guarda-roupa: Mark Bridges; Maquilhagem: Diane
Dixon, Diane Heller, Lori McCoy-Bell, Janeen Schreyer, Carla White; Direcção de
produção: Mark Kamine, Tim Pedegana; Assistentes de realização: Ben Bray, Xanthus
Valan, Michele Ziegler; Departamento de arte: Marjorie Eber, April Hodick, Paul
Maiello; Som: Odin Benitez, Kaspar Hugentobler, Tom Nelson; Efeitos especiais:
Drew Jiritano; Efeitos visuais; Mark O. Forker, David P.I. James, Holt
Lindenberger; Companhias de Produção: The Weinstein Company, Mirage
Enterprises; Intérpretes: Bradley
Cooper (Pat), Jennifer Lawrence (Tiffany), Robert De Niro (Pat Sr.), Jacki
Weaver (Dolores), Chris Tucker (Danny), Anupam Kher (Dr. Cliff Patel), John
Ortiz (Ronnie), Shea Whigham (Jake), Julia Stiles (Veronica), Paul Herman
(Randy), Dash Mihok, Matthew Russell, Cheryl Williams, Patrick McDade, Brea
Bee, Regency Boies, Phillip Chorba, Anthony Lawton, Patsy Meck, Maureen
Torsney-Weir, Jeff Reim, Fritz Blanchette, Rick Foster, Bonnie Aarons, Ted
Barba, Elias Birnbaum, Matthew Michels, Pete Postiglione, Richard Eklund III,
Sanjay Shende, Mihir Pathak, Ibrahim
Syed, Madhu Narula, Samantha Gelnaw, etc. Duração:
122 minutos; Classificação etária: M/ 12 anos; Distribuição em Portugal; Estreia
em Portugal: 10 de Janeiro de 2013.
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Guia para um Final Feliz
terça-feira, janeiro 15, 2013
MORREU NAGISA OSHIMA (1932-2013)
NAGISA OSHIMA
Morreu Nagisa Oshima, um dos cineastas japoneses
mais importantes depois da fabulosa tríade Mizoguchi, Kurosawa, Ozu. De Oshima
ficou na lembrança de todos “O Império dos Sentidos”, esse poema erótico sobre a
história de um “amor louco”, onde Eros e Tanatos se conjugavam num oceano de esperma
e sangue, de prazer e dor. Provocatório e sublime, o filme estreou em sala, em
Portugal, em 1976, com ruído óbvio, e seria passado na televisão, já em 1991,
ocasionando um vendaval de reacções. Mas Oshima não é só “O Império dos
Sentidos”, e para trás ficavam obras admiráveis como “O Enforcamento” (1968), “Diário
de um Ladrão” (1969), “O Menino” (1969), “A Cerimónia” (1971) ou “Um Verão em
Okinawa” (1972), para só citar alguns títulos estreados comercialmente no nosso
país. Posteriores a “O Império dos Sentidos” (1976), há ainda a referir “O
Império da Paixão” (1978), “Feliz Natal, Mr. Lawrence” (1983) ou “Max, Meu Amor”
(1986). Uma carreira absolutamente notável de um cineasta que acaba de falecer
aos 80 anos (31 Março 1932 – 14 Janeiro 2013).
Em 1976, Oshima e “O Império dos Sentidos” foram
destaque no número 1 de uma revista que então eu dirigia, “Isto é Espectáculo”.
Aqui ficam, em homenagem ao cineasta, a capa e um dos meus textos que nela
apareciam.
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Nagisa Oshima,
O Império dos Sentidos
segunda-feira, janeiro 14, 2013
VENCEDORES DOS GLOBOS DE OURO 2013
GLOBOS DE OURO – 2013
Acabaram de
ser atribuídos os Globos de Ouro 2013, para cinema e televisão. Aqui fica a
lista de nomeados e vencedores (estes a vermelho).
CINEMA
Best Motion Picture - Drama
"Argo"
"Django Unchained"
"Life of Pi"
"Lincoln"
"Zero Dark
Thirty"
Best Motion Picture - Comedy Or Musical
"The Best
Exotic Marigold Hotel"
"Les
Miserables"
"Moonrise
Kingdom"
"Salmon
Fishing in the Yemen"
"Silver
Linings Playbook"
Best Performance by an Actress in a Motion Picture -
Drama
Jessica Chastain -
"Zero Dark Thirty"
Marion Cotillard -
"Rust and Bone"
Helen Mirren -
"Hitchcock"
Naomi Watts -
"The Impossible"
Rachel Weisz -
"The Deep Blue Sea"
Best Performance by an Actor in a Motion Picture - Drama
Daniel Day-Lewis -
"Lincoln"
Richard Gere -
"Arbitrage"
John Hawkes -
"The Sessions"
Joaquin Phoenix -
"The Master"
Denzel Washington
- "Flight"
Best Performance by an Actress in a Motion Picture -
Comedy Or Musical
Emily Blunt -
"Salmon Fishing in the Yemen"
Judi Dench -
"The Best Exotic Marigold Hotel"
Jennifer Lawrence -
"Silver Linings Playbook"
Maggie Smith -
"Quartet"
Meryl Streep -
"Hope Springs"
Best Performance by an Actor in a Motion Picture - Comedy Or Musical
Jack Black -
"Bernie"
Bradley Cooper -
"Silver Linings Playbook"
Hugh Jackman -
"Les Miserables"
Bill Murray -
"Hyde Park on Hudson"
Ewan McGregor -
"Salmon Fishing in the Yemen"
Best Performance by an Actress In A Supporting Role in a
Motion Picture
Amy Adams - "The Master"
Amy Adams - "The Master"
Sally Field -
"Lincoln"
Anne Hathaway -
"Les Miserables"
Helen Hunt -
"The Sessions"
Nicole Kidman -
"The Paperboy"
Best Performance by an Actor In A Supporting Role in a
Motion Picture
Alan Arkin -
"Argo"
Leonardo DiCaprio
- "Django Unchained"
Philip Seymour
Hoffman - "The Master"
Tommy Lee Jones -
"Lincoln"
Christoph Waltz -
"Django Unchained"
Best Director - Motion Picture
Ben Affleck -
"Argo"
Kathryn Bigelow -
"Zero Dark Thirty"
Ang Lee -
"Life of Pi"
Steven Spielberg -
"Lincoln"
Quentin Tarantino
- "Django Unchained"
Best Screenplay - Motion Picture
"Zero Dark
Thirty" - Mark Boal
"Lincoln" - Tony Kushner
"Silver
Linings Playbook" - David O. Russell
"Django Unchained" - Quentin Tarantino
"Argo" -
Chris Terrio "Django Unchained" - Quentin Tarantino
Best Original Score - Motion Picture
"Life of Pi"
- Mychael Danna
"Argo" - Alexandre Desplat
"Anna Karenina" - Dario Marianelli
"Cloud Atlas" - Tom Tykwer,
Johnny Klimek and Reinhold Heil
"Lincoln" - John Williams
Best Original Song - Motion Picture
Monty Powell,
Keith Urban - "For You" - from "Act of Valor"
Jon Bon Jovi -
"Not Running Anymore" from "Stand Up Guys"
Taylor Swift, John
Paul White, Joy Williams and T Bone Burnett - "Safe & Sound" from
"The Hunger Games"
Adele, Paul Epworth -
"Skyfall" from "Skyfall"
Alain Boubil,
Claude-Michel Schonberg - "Suddenly" from "Les Miserables"
Best Animated Feature Film
"Brave"
"Frankenweenie"
"Hotel
Transylvania"
"Rise of the
Guardians"
"Wreck-It
Ralph"
Best Foreign Language Film
"Amour"
(Austria)
"A Royal
Affair" (Denmark)
"The
Intouchables" (France)
"Kon-Tiki
(Norway / UK / Denmark)
"Rust and
Bone" (France)
TELEVISÃO
Best Television Series - Drama
"Boardwalk
Empire" ''Breaking
Bad"
''Downton Abbey"
''Homeland"
''Downton Abbey"
''Homeland"
"The
Newsroom"
Best Television Series - Comedy Or Musical
"The Big Bang
Theory"
''Episodes"
''Girls"
''Modern
Family"
"Smash"
Best Performance by an Actress In A Television Series -
Drama
Connie Britton -
"Nashville"
Glenn Close -
"Damages"
Claire Danes -
"Homeland"
Michelle Dockery -
"Downton Abbey"
Julianna Margulies
- The Good Wife"
Best Performance by an Actor In A Television Series -
Drama
Steve Buscemi -
"Boardwalk Empire"
Bryan Cranston - "Breaking Bad"
Bryan Cranston - "Breaking Bad"
Jeff Daniels -
"The Newsroom"
Jon Hamm -
"Mad Men"
Damian Lewis -
"Homeland"
Best Performance by an Actress in a Television Series -
Musical or Comedy
Zooey Deschanel -
"New Girl"
Julia
Louis-Dreyfus - "Veep"
Lena Dunham -
"Girls"
Tina Fey - "30
Rock"
Amy Poehler -
"Parks and Recreation"
Best Performance by an Actor in a Television Series -
Musical or Comedy
Alec Baldwin -
"30 Rock"
Don Cheadle -
"House of Lies"
Louis C.K. -
"Louie"
Matt LeBlanc -
"Episodes"
Jim Parsons -
"The Big Bang Theory"
Best Mini-Series Or Motion Picture Made for Television
"Game Change"
"The Girl"
"Game Change"
"The Girl"
"Hatfields
& McCoys"
"The
Hour"
"Political
Animals"
Best Performance by an Actress in a Mini-Series or Motion
Picture Made for Television
Nicole Kidman - "Hemingway & Gellhorn"
Nicole Kidman - "Hemingway & Gellhorn"
Jessica Lange -
"American Horror Story: Asylum"
Sienna Miller -
"The Girl"
Julianne Moore -
"Game Change”
Sigourney Weaver -
"Political Animals"
Best Performance by an Actor in a Mini-Series or Motion
Picture Made for Television
Kevin Costner -
"Hatfields & McCoys"
Benedict
Cumberbatch - "Sherlock (Masterpiece)"
Woody Harrelson -
"Game Change"
Toby Jones -
"The Girl"
Clive Owen -
"Hemingway & Gellhorn"
Best Performance by an Actress in a Supporting Role in a
Series, Mini-Series or Motion Picture Made for Television
Hayden Panettiere
- "Nashville"
Archie Panjabi -
"The Good Wife"
Sarah Paulson -
"Game Change"
Maggie Smith -
"Downton Abbey" (season 2)
Sofia Vergara -
"Modern Family"
Best Performance by an Actor in a Supporting Role in a
Series, Mini-Series or Motion Picture Made for Television
Max Greenfield -
"New Girl"
Ed Harris - "Game Change"
Ed Harris - "Game Change"
Danny Huston -
"Magic City"
Mandy Patinkin -
"Homeland"
Eric Stonestreet - "Modern Family"
Eric Stonestreet - "Modern Family"
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Globos de Ouro 2013
CINEMA: ARGO
ARGO
“Argo” é um filme curioso sob diversos pontos de vista.
Primeiro, confirma o talento e o acerto de Ben Affleck, que já conhecíamos como
bom actor, mas que se revela igualmente um cineasta de apreciáveis recursos e
um homem preocupado com o seu tempo. A sua carreira como realizador começou com
uma curta-metragem, em 1993, “I Killed My Lesbian Wife, Hung Her On A Meat
Hook, And Now I Have A Three-Picture Deal At Disney”, passando depois por duas
longas, “Vista Pela Última Vez...” (2007) e “A Cidade” (2010), antes de chegar
a “Argo”, que o catapultou para a esfera das nomeações aos Oscars e aos prémios
mais importantes da indústria norte-americana. Para já, foi considerado o
melhor filme do ano e o melhor realizador para associações de críticos tão
prestigiadas como as de Nova Iorque e San Diego e encontra-se nomeado para sete
Oscars e muitas outras atribuições mais ou menos idênticas.
Depois, “Argo” é um filme de difícil concepção, pelo
emaranhado de estilos em que se enreda deliberadamente e donde sai com um
estilo próprio. Na verdade, há em “Argo” um pouco de filme de espionagem,
estilo “Os Três Dias do Condor”, um pouco de comédia satírica sobre o mundo do
cinema e Hollywood, na linha de um “SOB”, um pouco de thriller político, tal
como “Traffic”.
Acrescente-se um dado: partindo de um facto real,
ocorrido há mais de 30 anos, e cujos dados foram recentemente “desclassificados”
(ou seja, abertos à consulta pública), o filme aborda um tema quente da
política internacional e fá-lo de uma forma pouco convencional. Pode dizer-se
que, no final, a obra elogia o trabalho quase invisível da CIA na resolução de
um intrincado drama de política internacional. Mas a verdade é que Bem Affleck
inicia a sua obra com um preâmbulo histórico que deixa muito mal colocada a
posição dos EUA quanto à Pérsia e o seu sucessor Irão. Aí se explica que um
governo legitimamente democrático, chefiado pelo presidente
Mohammad Mosaddeq, tenha sido apeado de Teerão, para se colocar no seu lugar um
corrupto e ocidentalizado Xá Reza Pahlevi, que exerceu uma
violenta ditadura, o que terá estado na origem das revoltas populares e da
subida ao poder do Aiatola Khomeini, com as consequências que todos sabemos.
Terá sido esta interferência inicial dos serviços secretos americanos a
precipitar os acontecimentos, que culminaram com a concessão de asilo político
ao Xá, numa altura em que este se encontrava doente com um cancro e fugido do
seu país, mas muito bem acomodado nas riquezas entretanto depositadas nos
bancos ocidentais.
Os acontecimentos do filme iniciam-se precisamente no dia 4 de Novembro de 1979, quando a revolução iraniana explode nas ruas de Teerão e milhares de iranianos cercam a embaixada americana na cidade e fazem 52 reféns americanos. Acontece que, na barafunda geral, seis outros americanos fugiram pela porta das traseiras e procuraram refúgio na casa do embaixador do Canadá. Serem descobertos e assassinados era uma questão de dias, pelo que a CIA prepara uma acção de resgate, dirigida por um especialista, Tony Mendez (Ben Affleck) que engendra um plano verdadeiramente surrealista (“a melhor má ideia”, como é definida no filme): introduzir-se no Irão como produtor de um filme de ficção científica que Hollywood prepara e sair, dois dias depois, com a sua “equipa de escolha de locais de filmagem” constituída por ele e mais seis elementos devidamente credenciados com falsos passaportes e currículos forjados. Esta a primeira parte do filme.
Para tornar o plano credível aos olhos dos desconfiados e
violentos iranianos, era preciso criar realmente o filme, ou uma forte
aparência de filme. Passa a chamar-se “Argos”, é uma obra de secundaríssimo
plano, para a qual se escreve um medíocre guião, que é apresentado à imprensa,
numa sessão em que os actores lêem o (pavoroso) argumento, fazem-se anúncios de
página no “Variety”, contratam-se técnicos reais (como o caracterizador John
Chambers, que entre muitos outros trabalhara em “Batalha pelo Planeta dos
Macacos” que aparece como inspiração na obra de Affleck) e monta-se a tenda,
antes de Tony Mendez partir para Teerão. Claro que toda esta edificação da
mentira dá pano para mangas no inteligente e sarcástico argumento de Chris
Terrio que, para o escrever, se inspira em artigos do jornalista de
investigação Joshuah Bearman. Mendez vai a Hollywood criar um falso filme e
respondem-lhe que está no sítio certo. A sátira a Hollywood e aos seus muitos
maus filmes é deliciosa, através sobretudo de um diálogo muito saboroso e
actores magníficos, entre os quais cumpre destacar Alan Arkin (o produtor
Lester Siegel) e John Goodman (o maquilhador John Chambers), ambos brilhantes
nas suas composições.


Na terceira parte da obra, o suspense impera, muito embora todos saibamos que o resultado final foi um happy end. Mas Ben Affleck manipula muito bem os condimentos e obriga o espectador a agarrar-se à cadeira até o avião subir nos céus de Teerão e sair do espaço aéreo iraniano. Segurança e mestria de tom, portanto. No que o realizador conta com uma talentosa equipa técnica que faz valer os seus argumentos na fotografia, na montagem, na direcção artística, etc.
Para lá de Ben Affleck, Alan Arkin e John Goodman, o
elenco já várias vezes premiado na sua globalidade, conta ainda com Bryan
Cranston, Clea DuVall, Kyle Chandler, Zeljko Ivanek, Tate Donovan, Victor
Garber, Bob Gunton, Chris Messina, Philip Baker Hall, Michael Parks e Richard
Kind, muitos dos quais mais conhecidos da televisão do que do cinema.
No genérico final, Ben Affleck contrapõe os actores aos
verdadeiros protagonistas desta gesta e chega mesmo a ouvir-se um discurso de
Carter sobre os acontecimentos, que são atribuídos ao Canadá que fica com os
louros, para assim impedir represálias sobre os demais prisioneiros
norte-americanos no Irão.

ARGO (2012)
Título original:
Argo
Realização: Ben Affleck (EUA, 2012); Argumento: Chris Terrio,
segundo artigos do jornalista Joshuah Bearman ("Escape from Tehran");
Produção: Ben Affleck, Chris Brigham, Chay Carter, George Clooney, Tim
Headington, Grant Heslov, Graham King, David Klawans, Alex Sutherland, Nina
Wolarsky; Música: Alexandre Desplat; Fotografia (cor): Rodrigo Prieto;
Montagem: William Goldenberg; Casting: Lora Kennedy; Design de produção: Sharon
Seymour; Direcçao artistica: Peter Borck, Deniz Göktürk; Decoração: Jan
Pascale; Guarda-roupa: Jacqueline West; Maquilhagem: Donna J. Anderson, Aurora
Bergere, Kate Biscoe, Jamie Kelman, Ebru Kizilta, Kelvin R. Trahan; Direcção de
produção: Tina Anderson, Amy Herman, Zeynep Santiroglu, Katherine Tibbetts;
Assistentes de realização: David J. Webb, Ian Calip, Sinan Cevik, Clark Credle,
Alfonso Gomez-Rejon, Alison C. Rosa, Sunday Stevens, Stephanie Tull, Belkis
Turan; Departamento de arte: Michael Keith Aleshire-Rezendez, Dilek Aydin,
Nicole Balzarini, Andrew Campbell, Eunha Choi, Daniel R. Jennings, Brett
McKenzie, Barbara Mesney, John H. Samson, Gulriz Sansoy; Som: Erik Aadahl,
Ethan Van der Ryn; Efeitos especiais: R. Bruce Steinheimer; Efeitos visuais:
Matt Dessero, Rachel Faith Hanson, Thomas J. Smith, Mark Van Ee; Companhias de
produção: Warner Bros. Pictures, GK Films, Smoke House; Intérpretes: Ben Affleck (Tony Mendez), Bryan Cranston (Jack
O'Donnell), Alan Arkin (Lester Siegel), John Goodman (John Chambers), Victor
Garber (Ken Taylor), Tate Donovan (Bob Anders), Clea DuVall (Cora Lijek), Scoot
McNairy (Joe Stafford), Rory Cochrane (Lee Schatz), Christopher Denham (Mark
Lijek), Kerry Bishé (Kathy Stafford), Kyle Chandler (Hamilton Jordan), Chris
Messina (Malinov), Zeljko Ivanek (Robert Pender), Titus Welliver (Bates), Keith
Szarabajka (Adam Engell), Bob Gunton (Cyrus Vance), Richard Kind (Max Klein),
Richard Dillane, Omid Abtahi, Page Leong, Farshad Farahat, Sheila Vand, Ryan
Ahern, Bill Tangradi, Jamie McShane, Matthew Glave, Roberto Garcia, Christopher
Stanley, Jon Woodward Kirby, Alborz Basiratmand, Ruty Rutenberg, etc. Duração: 120 minutos, Classificação
etária: M/ 12 anos; Distribuição em Portugal: Columbia TriStar Warner Filmes de
Portugal; Estreia em Portugal: 8 de Novembro de 2012.
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cinema
quarta-feira, janeiro 09, 2013
CINEMA: "AMOR"
AMOR
“Amor”, de Michael Haneke, com dois actores
fabulosos, Jean-Louis Trintignant (Georges) e Emmanuelle Riva (Anne), é um
filme admirável sobre a velhice, a doença, a morte, mas sobretudo sobre o amor.
Um casal de velhos músicos, ela pianista, vive sozinho numa casa em Paris.
Vivem bem, apesar de se sentir uma certa solidão, apesar das visitas regulares
de uma filha, Eva (Isabelle Huppert), casada, que tem, no entanto, a sua vida e
os seus problemas e não pode estar continuamente com eles. Mas Georges e Anne
sobrevivem bem, com a lembrança dos seus alunos e as idas a concertos e a
música sempre por perto da sua existência. Até que um dia, há sempre um dia
nestes casais, Anne adoece, fica cada vez mais dependente dos outros, sobretudo
do marido que se esforça por a acompanhar o melhor que sabe e pode. Mas a
invalidez, provocada por AVC, vai progredindo inexoravelmente. Anne recusa-se a
alimentar-se e George sente-se impotente perante o quadro a que diariamente
assiste.
Com um tal argumento, escrito originalmente pelo
próprio Michael Haneke, fácil seria cair-se no rodriguinho e no melaço. Tem
todos os condimentos para o sentimentalismo lamechas. Haneke, e os seus
rigorosos e discretos actores, não vai por aí. O seu filme é de uma austeridade
a toda a prova e de uma sensibilidade e pudor notáveis. Olha os seus
protagonistas com respeito, pode mesmo dizer-se que com amor, mas coloca-os à
distância para impedir qualquer facilidade ou pieguice. Há um humanismo íntegro
que sabe bem surpreender a cada plano. A sua câmara regista os gestos mais
subtis, os olhares mais íntimos, a beleza das rugas, mas também a debilidade no
andar, o sofrimento de quem vê sofrer, a angústia do desconhecido, mas
igualmente a serenidade perante o absoluto, e a raiva perante a impotência.
Neste aspecto, o trabalho dos actores é de um invulgar virtuosismo e se não
podemos deixar de sublinhar Jean-Louis Trintignant (e de o recordar em “Um Homem
e Uma Mulher”, por exemplo, no apogeu da sua maturidade), não é menos verdade
que Emmanuelle Riva é sublime, justificando todos os adjectivos (ela que fora a
presença obsidiante de “Hiroshima, Meu Amor”). Refira-se ainda que entre os
intérpretes se destaca Rita Blanco, numa curta mas preciosa aparição.
Austríaco, Michael Haneke é um dos maiores e mais
originais cineastas europeus da actualidade. Antes de “Amor”, ele já não tinha
dado obras marcantes da última década e meia. Em 2009, realizara o poderoso “O
Laço Branco”, que vinha depois de “Brincadeiras Perigosas” (EUA, 2007), “Nada a
Esconder” (2005), “O Tempo do Lobo (2003), “A Pianista” (2001), “Código
Desconhecido” (2000), “Brincadeiras Perigosas” (Áustria, 1997), “O Castelo” (1997)
ou “71 Fragmentos de uma Cronologia do Acaso” (1993). Uma filmografia invulgar,
de uma coerência de estilo e de temas que não deixa dúvidas quanto à autoria,
com a violência nas relações humanas como obsessão constante. Mas com “Amor”
terá atingido um momento sublime na expressão do encanto (e desencanto) das
relações humanas. O seu filme é, seguramente, um dos melhores de 2012 e tem
sido justamente premiado por todo o lado por onde tem passado. Assim será,
certamente, nos Oscars que se avizinham.
AMOR
Título
original: Amour
Realização: Michael Haneke (Áustria,
França, 2012); Argumento: Michael Haneke; Produção: Margaret Ménégoz, Michael
André, Stefan Arndt, Daniel Goudineau, Veit Heiduschka, Hans-Wolfgang Jurgan,
Michael Katz, Wolfgang Lorenz, Heinrich Mis, Bettina Reitz, Bettina Ricklefs,
Uwe Schott; Fotografia (cor): Darius Khondji; Montagem: Nadine Muse, Monika
Willi; Casting: Kris Portier de Bellair; Design de produção: Jean-Vincent
Puzos; Decoração: Susanne Haneke; Guarda-roupa: Catherine Leterrier;
Maquilhagem: Thi-Loan Nguyen, Frédéric Souquet ; Direcção de produção: Sophie
Boge, Philippinne Cholley, Ulrike Lässer, Ulli Neumann, Olivier Thaon, Stephan
von Larcher; Assistentes de realização: Alain Olivieri, Olivier Falkowski,
Marine Franssen, Stephanie Guénot, Denis Manin, Justine Selz; Departamento de
arte: Jérôme Billa, Fabio Carussi, Alain Chaudet, Sophie Reynaud, etc.; Som:
Jean-Pierre Laforce, Guillaume Sciama; Efeitos especiais: Yves Domenjoud,
Olivier Gleyze; Efeitos visuais: Béatrice Bauwens, Barthelemy Beaux, Olivier
Blanchet, Christophe Courgeau, Sophie Denize, Arnaud Fouquet, Julien Meesters;
Companhias de produção: Wega Film, Les Films du Losange, X-Filme Creative Pool,
France 3 Cinéma, ARD Degeto Film, Westdeutscher Rundfunk (WDR), Bayerischer
Rundfunk (BR), France Télévisions, Canal+, Ciné+, ORF Film/Fernseh-Abkommen; Intérpretes: Jean-Louis Trintignant
(Georges), Emmanuelle Riva (Anne), Isabelle Huppert (Eva), Alexandre Tharaud
(Alexandre), William Shimell (Geoff), Ramón Agirre (porteiro), Rita Blanco
(porteira), Carole Franck (enfermeira 1), Dinara Drukarova (enfermeira 2),
Laurent Capelluto, Jean-Michel Monroc, Suzanne Schmidt, Damien Jouillerot,
Walid Afkir, etc.; Duração: 127 min;
Distribuição em Portugal: Leopardo Filmes; Classificação etária: M/16 anos;
Data de estreia em Portugal: 6 de Dezembro de 2012.
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sexta-feira, janeiro 04, 2013
OS MISERÁVEIS DO MUSICAL AO CINEMA
OS MISERÁVEIS
Um musical como “Les Misérables”, ou “Les Miz” para os
incondicionais, merecia uma obra-prima na sua adaptação ao cinema. O que Tom
Hooper nos reserva não se aproxima de nada disso, infelizmente. O que há de bom
na sua versão vem-lhe do próprio musical, e ele apenas acrescenta ao conjunto
uma realização que tropeça a cada passo no seu exibicionismo de contorcionista
estilístico, com uma ou outra boa excepção. Mas vamos por partes.
O romance de Victor Hugo é majestoso e brilhante, quer do
ponto de vista de escrita, mil e duzentas páginas de uma tumultuosa epopeia
humana em busca da liberdade, da igualdade e da fraternidade entre os homens,
como do ponto de vista humanista, defendendo fracos e oprimidos contra a
ditadura da opressão brutal e da iniquidade social. Uma obra que é certamente
das mais adaptadas ao cinema, em versões muito desiguais mas todas elas
demonstrando a perenidade e actualidade da mensagem. Miseráveis e injustiças
proliferam pelos quatro cantos do mundo e, mesmo nesta tão apregoada Europa da
abundância, cada dia se multiplicam os deserdados.
A versão musical que nasceu em 1985 nos palcos de Londres
tem sido um sucesso por onde tem passado. Merecidamente, isto digo eu que sou
um apaixonado por musicais e tenho “Os Miseráveis” como um dos melhores
exemplos do género nos tempos mais próximos (ao lado de “Sunset Boulevard, de
“O Fantasma da Ópera” ou de um “Martin Guerre”). Julgo a adaptação do romance
notável, na forma como o condensa, sem o ferir na sua fidelidade, na forma como
equilibra personagens e situações, na forma como concilia o individual e o
colectivo, o romântico e o épico. Julgo a partitura musical das mais
inspiradas, tendo em conta sobretudo a especificidade deste musical, todo ele
cantado, aproximando-se em muito mais da ópera ou da opereta do que dos
musicais da época de ouro (entre os anos 30 e os 50 do século passado). De
resto este não é um musical dançando, é um musical essencialmente cantado, pelo
que a sua adaptação teria de ter em conta este aspecto, o que julgo Tom Hooper
tentou compreender, não dando tanta atenção ao plano de conjunto (para se
apreciar a dança na sua globalidade) e mais ao plano aproximado (para se
concentrar no canto, o que resulta muito bem nalguns casos, como por exemplo na
canção de Fantine, "I Dreamed a Dream", admiravelmente conseguida por
Anne Hathaway, e não tanto noutros, onde leva ao preciosismo esta aproximação).
A história desta adaptação a musical é curiosa. Poucos
sabem que a primeira versão é francesa, uma encenação de Robert Hossein, com
texto de Alain Boublil e Jean-Marc Natel e música de Claude-Michel Schönberg.
Estreou-se em 1980 no Palais des Sports, com um elenco encabeçado por Maurice
Barrier (Jean Valjean) e Jean Vallée (Javert). Esteve três meses em cena, após
o que se despediu sem grande euforia. Mas, passados três anos, o produtor inglês
Cameron Mackintosh, que tinha acabado de estrear “Cats” na Broadway, recebeu um
álbum deste concerto e ficou impressionado. Entregou a Herbert Kretzmer a
versão inglesa que se estreou em Londres, a 8 de Outubro de 1985, no Barbican
Centre. Pouco depois, estrearia na Broadway – ao lado de “Cats”, “The Phantom
of the Opera”, “Miss Saigon”. Daí para cá transformou-se no maior sucesso de
sempre de um musical – mais de 65 milhões de espectadores em todo o mundo.
A adaptação cinematográfica acompanha, pari passu, a
versão musical, com uma ou outra liberdade, que todavia não interfere com a
partitura. Mas os meios que o cinema põe à disposição da história libertam-na do
espaço fechado de um palco, o que é desde logo visível na sequência inicial,
com Jean Valjean em trabalhos forçados, numa grandiosa reconstituição do porto
militar de Toulon, no sul de França, pouco antes de ser libertado, depois de
cumprir uma pena de 19 anos de prisão nas galés, por ter roubado um pão para
matar a fome à família (cinco por esse crime, mais 14 por várias tentativas de
fuga). Jean Valjean, com uma força sobre-humana e um ódio feroz a quem o
aprisionou, tem pela frente Javert, o chefe da polícia que não lhe irá dar
tréguas ao longo de toda a existência. É ele quem lhe põe na mão um passaporte
amarelo que o irá causticar para sempre como ex-condenado. Todos o afastam até
chegar a casa de um padre que o acolhe, lhe dá comida e cama, e lhe desculpa um
roubo de pratas, com a promessa de Valjean tornar um honesto cidadão. Este, tocado
pela graça na sua empedernida consciência, acaba por se regenerar, transformar
a prata em ouro, multiplicando o capital, através de um fábrica que administra,
sendo nomeado “maire” da cidade de Montreuil. Estamos em 1823.
Na sua fábrica trabalha Fantine, mãe (solteira) de
Cosette, que um dia é despedida e cai de degrau em degrau até à mais profunda
desgraça, que a conduzirá à morte. Muitas são as peripécias, mas perto do fim,
Valjean que, como maire assumira a identidade de Madeleine, promete a Fantine
tomar conta da sua filha que se encontra sob a guarda de uns taberneiros,
contumazes na rapina e avidez, de nome Thénardier. A miúda é tratada como uma
escrava, Valjean liberta-a a troco de uma considerável quantia, mas Javert anda
por perto e quer fazer regressar às galés o seu inimigo de estimação, pois este
furtara-se à apresentação obrigatória perante a policia, dada a sua liberdade
condicional. Javert é filho de um condenado e jurou cumprir a lei e impor a
ordem custe o que custar. Para ele, não há regeneração possível. Victor Hugo
tem uma ideia diferente da justiça e quer demonstrá-lo nesta sua obra. Por isso
a oposição Javert-Valjean é tão intensa, complexa, insistente e obsessiva. São
duas concepções do mundo que se opõem. A velha sociedade absolutista a que a
Revolução Francesa tinha posto cobro, a nova ordem do mundo que nascia desse
movimento libertador.
De fuga em fuga, Cosette cresce ao lado do seu pai
adoptivo, e assim chegamos a 1832, às barricadas nas ruas de Paris, contra o
novo rei. Entre os estudantes revoltosos vamos encontrar Marius, filho de um
nobre, que renega as origens e que, de bandeira em punho, é um dos chefes do
movimento que faz frente aos soldados do rei. No entretanto, Marius e Cosette
encontram-se e apaixonam-se e surge a história de amor que irá ocupar grande
parte da segunda metade da obra, intercalada com a revolução e a persistente
perseguição de Javert a Valjean. Estão reunidas as condições para um final que
irá reunir as diferentes linhas de acção, voltando o filme a algumas sequências
de grande espectacularidade, sobretudo com as barricadas e confronto final de
Javert e Valjean nos esgotos de Paris.
O que, portanto, sobressai no filme vem do musical: a
estrutura dramática e a partitura musical. O que Tom Hooper traz de novo é, no
mínimo, discutível: o filme nunca tem um tom próprio, oscila entre algumas
sequências bem conseguidas e outras insustentáveis, pelos rodriguinhos e um
estilo quase grotesco de enquadramentos e lentes mal utilizadas. Há um plano de
Valjean no cimo de uma escada que é o paradigma deste estilo arrebicado e
pomposo do realizador. Que não é de agora e já lhe mereceu Oscars da Academia.
Num texto meu dedicado a “O Discurso do Rei” (Fevereiro de 2011) disse: “(..) a
realização, que é verdadeiramente desastrosa, com um recurso insano à
utilização da grande angular, que transforma personagens e ambientes em
grotescas caricaturas, sempre que é usada. Creio ter percebido a intenção de
Tom Hooper, um realizador que vem da televisão e nos dera um interessante
“Maldito United” (2009). Ele terá pensado que esta era a melhor maneira de
traduzir em imagens a perturbação e a claustrofobia do rei gago, mas apenas
optou pela facilidade e o resultado é por vezes simplesmente grotesco. Em lugar
de traduzir a gaguez do rei, afirma a gaguez do seu realizador”. O que eu tinha
acusado em 2011 mantém-se em 2012. Talvez lhe volte a conferir estatuetas, para
mim de todo imerecidas. Mas a Academia parece andar virada para esse tipo de
realização acrobática e excêntrica, pois “Cisne Negro”, de Darren Aronofsky,
enfermava da mesma doença e também foi muito ovacionado.
Há, no entanto, aspectos positivos nesta obra que
certamente não sairá de mãos a abanar da cerimónia dos Oscars que se aproxima.
A direcção artística, cenários, guarda-roupa e adereços é bastante boa, e a
interpretação merece alguns destaques. Sem surpreender, Hugh Jackman é um
eficaz Jean Valjean, Russell Crowe deixa um pouco a desejar como Javert, Anne
Hathaway é magnifica como Fantine, Amanda Seyfried não desmerece como Cosette,
Sacha Baron Cohen e Helena Bonham Carter, como Thénardiers, são deslumbrantes
de graça comedida, Eddie Redmayne é um Marius que foge ao rodriguinho do galã,
Aaron Tveit é um bom Enjolras, Samantha
Barks uma Éponine que se afasta um pouco da imagem habitual e Daniel
Huttlestone é dos melhores Gavroches de uma extensa lista. Tom Hooper resolveu
fazer os actores cantarem em directo, em vez de serem dobrados como era
habitual neste género, e não parece que tenha ganho nada com este feito. De
resto, quase todos os actores secundários que têm anterior experiência vocal
noutros musicais sobressaem pela voz.
Finalizando, quem gosta de musicais e deste em particular
deve preferir ficar em casa a ver e ouvir pela enésima vez o concerto do 25º
aniversário. Mas quem mesmo assim queira ir ao cinema, haverá certamente quem
no final deteste e quem tenha suportado com alguma galhardia. Este último foi o
meu caso.
OS MISERÁVEIS
Título original: Les Misérables
Realizador: Tom Hooper (Inglaterra, EUA, 2012);
Argumento: William Nicholson, segundo texto de Claude-Michel Schönberg e Alain
Boublil, adaptando o romance de Victor Hugo, com poemas de Herbert Kretzmer,
Alain Boublil, Jean-Marc Natel, James Fenton; Produção: Bernard Bellew, Raphaël
Benoliel, Tim Bevan, Liza Chasin, Eric Fellner, Debra Hayward, Cameron
Mackintosh, Angela Morrison, Thomas Schönberg; Música (não original):
Claude-Michel Schönberg; Fotografia (cor): Danny Cohen; Montagem: Chris
Dickens, Melanie Ann Oliver; Casting: Nina Gold; Design de produção: Eve
Stewart; Direcção artística: Grant Armstrong, Gary Jopling, Hannah Moseley, Su
Whitaker; Decoração: John Botton, Leigh Bryant, Stephen Doyle, Billy Edwards,
Carrie Garner, James Hendy, Anna Lynch-Robinson, Sarah Whittle, Matt Wyles;
Guarda-roupa: Paco Delgado; Maquilhagem: Nicola Buck, Karen Cohen, Julie
Dartnell, Audrey Doyle, Patt Foad, Sarah Grispo, etc.; Direcção de produção:
Kate Fasulo, Tom O'Shea, Jason Pomerantz, Bobby Prince, Matthieu Rubin, Patrick
Schweitzer; Assistentes de Realizador: Ben Howarth, Mark Cockren, Gayle Dickie,
Sid Karne, Vaughn Stein, Harriet Worth; Departamento de arte: Julia Castle,
Malcolm Roberts; Som: Dominic Gibbs, Lee Walpole, John Warhurst; Efeitos
especiais: Hugh Goodbody, David Holt, Paul McGuinness, etc.; Efeitos Visuais:
Richard Bain, Fabrizia Bonaventura, Robert Connor, Izzy Field, Tim Field, Ali
Ingham, Sean Mathiesen, Nathalie Mathé, Allison Paul, Natalie Reid, Adrian
Steel; Animação: Ben Wiggs; Companhias de produção: Working Title Films;
Cameron Mackintosh Ltd. Intérpretes: Hugh Jackman (Jean Valjean), Russell Crowe
(Javert), Anne Hathaway (Fantine), Amanda Seyfried (Cosette), Sacha Baron Cohen
(Thénardier), Helena Bonham Carter (Madame Thénardier), Eddie Redmayne
(Marius), Aaron Tveit (Enjolras), Samantha Barks (Éponine), Daniel Huttlestone
(Gavroche), Cavin Cornwall (preso 1), Josef Altin (preso 2), Dave Hawley (preso
3), Adam Jones (preso 4), John Barr (preso 5), Tony Rohr, Richard Dixon, Andy
Beckwith, Stephen Bent, Colm Wilkinson, Georgie Glen, Heather Chasen, Paul
Thornley, Paul Howell, Stephen Tate, Michael Jibson, Kate Fleetwood, Hannah
Waddingham, Clare Foster, Kirsty Hoiles, Jenna Boyd, Alice Fearn, Alison
Tennant, Marilyn Cutts, Catherine Breeze, John Albasiny, Bertie Carvel, Tim
Downie, Andrew Havill, Dick Ward, Nicola Sloane, Daniel Evans, David Stoller,
Ross McCormack, Jaygann Ayeh, Adrian Scarborough, Frances Ruffelle, Lynne
Wilmot, Charlotte Spencer, Julia Worsley, Keith Dunphy, Ashley Artus, John
Surman, David Cann, James Simmons, Polly Kemp, Ian Pirie, Adam Pearce, Julian
Bleach, Marc Pickering, Isabelle Allen, Natalya Angel Wallace, Phil Snowden,
Hadrian Delacey, Lottie Steer, Sam Parks, Mark Donovan, Lewis Kirk, Leighton
Rafferty, Peter Mair, Jack Chissick, Dianne Pilkington, Robyn North, Norma
Atallah, Patrick Godfrey, Mark Roper, Paul Leonard, etc. Duração: 157 minutos;
Distribuição em Portugal: Zon Lusomundo; Classificação etária: M/ 12 anos;
Estreia em Portugal: 3 de Janeiro de 2013.
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