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terça-feira, janeiro 05, 2010

DOSSIER SHERLOCK HOLMES, 2

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SHERLOCK HOLMES, VERSÃO GUY RITCHIE


Sherlock Holmes tem sido pano para muitas mangas, algumas de excelente qualidade, outras de um serrubeco muito manhoso. Mas houve até hoje criações em cinema e televisão que fizeram jus ao talento do criador literário. As versões que tiveram Basil Rathbone, Peter Cushing, Jeremy Brent, Robert Stephens, Nicol Williamson, agora Robert Downey Jr., como protagonistas são particularmente estimáveis, ao lado de outras ainda interessantes, muito acima de algumas dezenas totalmente irrelevantes (1).
Sherlock Holmes já deu para cima de duas centenas de títulos no pequeno ou grande ecrã. É um herói popular, apesar de nunca ter sido um aventureiro na linha de 007 ou Indiana Jones. O seu perfume é mais discreto, advinha-lhe nele um toque aristocrático, uma personalidade forte mas elegante a roçar o dandismo, a sedução de um pensamento rápido e de uma inteligência fulgurante, daquelas que deduzem em segundos o que uma pessoa normal leva dias a congeminar, quando lá chega. Claro que gostava de boxe e podia ter construído um carreira no sector, tinha conhecimento de artes marciais, mas raramente as utilizava no dia a dia, tinha licença de porte de arma e aproveitava-a quando as circunstâncias o impunham, corria e saltava sebes, fazia o elementar para se manter vivo, mas eram os dotes mentais, inclusive a sua pecha para um certo exotismo espiritualista, que lhe asseguravam a sobrevivência, em confrontos terríveis com as forças do Mal que o assolavam de todos os azimutes. Uma vez por outra, por desfastio e para aliviar o stress, consumia cocaína.
Agora surge um “novo” Sherlock Holmes que, diga-se desde já, não corta com a tradição, apenas inflecte numa outra direcção. Nada do que se pode ver neste “Sherlock Holmes”, de Guy Ruitchie, contradiz os escritos “sagrados” de Conan Doyle, está lá tudo, mas em doses diversas. O mental cede o seu lugar ao físico, a dedução lógica está presente, mas a acção toma a dianteira, é senhora do ritmo, segura a batuta. Há corridas, perseguições, tiros e explosões, lutas tremendas corpo a corpo, e não surpreende que as mesmas aconteçam no alto da Tower Bridge em construção. O produtor Joel Silver descreve-o como se fosse “James Bond em 1891”. Mas com alguns problemas de higiene pessoal, que se notam na indumentária, no rosto, e na desarrumação da casa.
O cenário é realmente Londres, como não podia deixar de ser, corre o ano de 1891, primeiro da última década do reinado da Rainha Vitória. Holmes (Robert Downey, Jr.) e John Watson (Jude Law), além de um atabalhoado Inspector Lestrade (Eddie Marsan), enfrentam uma clara ameaça para a cidade, o reino, o mundo. O tenebroso e perverso Lord Blackwood (Mark Strong), conspira, por artes mágicas – sim, isso mesmo, artes mágicas – e maquinaria nuclear – sim, isso mesmo, maquinaria nuclear “avant la lettre” –, para conquistar o mundo, depois de destruir o Parlamento britânico. Ao que parece, os argumentistas inspiraram-se na figura real de Aleister Crowley, ocultista e mágico, satânico de reputação a condizer, que apavorou os últimos anos do século XIX inglês.
"London in Terror", gritam os vespertinos da metrópole que aqui aparece nocturna e nevoenta como se impõe, carregada de “smog” e lixo, numa excelente reconstituição e uma fabulosa direcção artística. Espera-se, a cada momento, a aparição de “Jack, the Riper” numa das esquinas da vida, o que não deve demorar muito. Notáveis são ainda o guarda-roupa e a fotografia, tudo departamentos a concorrerem para nomeações a Oscars.
Com realização de Guy Ritchie, e argumento escrito por Michael Robert Johnson, Anthony Peckham, Simon Kinberg e Lionel Wigram, segundo personagens criadas por Sir Arthur Conan Doyle (e não adaptando directamente nenhum dos argumentos escritos originariamente pelo romancista), este novo “Sherlock Holmes” aparece associado a uma banda desenhada, criada por Lionel Wigram (que é também um dos produtores do filme). É interessante recordar esse episódio. Lionel Wigram, querendo experimentar as possibilidades de actualizar o mito Sherlock Holmes e de “vender” a ideia do filme e angariar fundos, resolve criar um argumento para um “comic” e, para tanto, contrata um desenhador, John Watkiss, com quem elabora a história e os seus contornos gráficos. Não se tratava tanto de um “comic-book”, mas simplesmente de um livro de esboços, uma espécie de “story board”, ilustrada a branco e preto.
Depois foi “só” arranjar oitenta milhões de dólares para cumprir o orçamento e avançar para a concretização do projecto, com o elenco de peso, Robert Downey, Jr., Jude Law, Rachel McAdams e Mark Strong. Guy Ritchie, muito conhecido nas revistas vips por ter sido o marido de Madona, merece também alguma notoriedade pela sua obra cinematográfica. “RocknRolla – A Quadrilha” (2008), tinha sido o seu último trabalho bem recebido, mas anteriormente assinara “The Hard Case” (1995), "Lock, Stock and Two Smoking Barrels" (Uma Mal Nunca Vem Só, 1998), “Snatch” (Porcos e Diamantes, 2000), “Star” (2001) “Swept Away” (2002), “Revolver” (2005), “Suspect” (2007, para TV), até chegar a “Sherlock Holmes” (2009). Anuncia-se a rodagem de “Gamekeeper” (ainda em 2010) e deverá estar para breve igualmente uma sequela de “Sherlock Holmes”, agora com a presença já vaticinada do seu velho rival do crime, James Moriarty.
Mas “Sherlock Holmes” assume-se na sua filmografia como obra de fôlego diverso, “blockbuster” natalício e, tudo aponta para isso, primeiro episódio de uma nova saga. O final do filme deixa em suspenso Lord Blackwood, possivelmente enforcado na Tower Bridge (mas quem se atreve a dar por terminada uma carreira numa obra deste teor?), mas deixa igualmente pendente o que virá depois, e que, se não nos enganamos muito, será a aparição plenipotenciária do famigerado Professor Moriarty. Para alguns duelos de peso.
Interessante será perceber a construção da obra e a “reconstrução” das personagens para permitir encaixá-las num moderno cenário de aventura, sem desvirtuar por completo a ligação umbilical a Conan Doyle. Há diferentes públicos a satisfazer, os adolescentes do século XXI, mas também os nostálgicos do século XIX. A solução poderia não agradar nem a gregos nem a troianos, mas o resultado não deslustra, tendo em conta vários factores, desde logo a boa prestação dos actores (sobretudo Robert Downey Jr., que nos oferece uma complexa e divertida versão do detective), mas igualmente a mescla de tons e de atitudes.
A escolha de uma toada de filme de aventuras que por vezes se auto-parodia é eficaz, equilibrada, sem descambar na paródia burlesca, nem na aventura extremada. Holmes é o pêndulo, mas Watson, afastando-se da atitude de observador quase sempre passivo e incrédulo das extraordinárias façanhas do “dono e senhor”, que irá depois relatar docilmente no papel, passa a elemento activo, fazendo parelha com o detective e salvando-o não raras vezes de algumas atrapalhações mais agudas. Não é um ser tão atordoado como nos é apresentado noutras versões cinematográficas, inicia o filme marcando mesmo a sua independência para com Holmes, apresentando-lhe a noiva com quem irá casar, o que implica a sua saída de 221B Baker Street, e ao longo da obra aceita ser protagonista de algumas cenas de pancadaria e não se exime de mandar o seu palpite, quase em igualdade de facto com o brilhante investigador. Interessante ainda é a aparição de Irene Adler (Rachel McAdams), a única mulher que parece ter impressionado vivamente Sherlock Holmes, ao longo da sua carreira, e que ele encontrou em “Um Escândalo na Boémia” (precisamente em 1891). A relação de Holmes com Irene apimenta as peripécias, introduzindo um curioso jogo de avanço e recuo, de traição e fidelização, que ameaça prolongar-se para futuras sequelas. Tanto mais que Irene Adler, atraída pelo fascínio do herói, não deixa de continuar ao serviço das forças do Mal. As mulheres são sempre uma ameaça para Holmes, ou fazem parte do exército das trevas, ou levam-lhe o melhor amigo… (2). Já Lestrade, o inspector da Scotland Yard (Eddie Marsan), passa pelos acontecimentos como um (quase) simples observador céptico, numa impressiva composição (pela neutralidade de expressão). Muito boa é a aparição desse Lord Blackwood, vindo das profundezas do inferno, uma figura realmente impressionante que congrega em si o horror do Mal. Bem coadjuvado por alguns latagões que ficam sempre bem num reparto desta grandeza.
Um grande filme? Um bom filme de aventuras, inteligente e divertido, talvez um pouco longo, a merecer desbaste aqui e ali, mas globalmente interessante, a colocar-se nitidamente na linha de partida para as nomeações dos Oscars que se avizinham.
(1) Holmes teve dezenas e dezenas de intérpretes, entre os quais Basil Rathbone, Jeremy Brett, Frank Langella, Peter Cushing, John Barrymore, James D'Arcy, Michael Caine, John Cleese, Peter Cook, Rupert Everett, William Gillette, Stewart Granger, Charlton Heston, Anthony Higgins, Raymond Massey, Roger Moore, John Neville, Leonard Nimoy, Christopher Plummer, Jonathan Pryce, Nicol Williamson e agora Robert Downey Jr..

(2) William Stuart Baring-Gould (1913–1967), um dos mais proeminentes estudiosos de Sherlock Holmes, ficou conhecido por uma exaustiva obra a que deu o nome de “Sherlock Holmes of Baker Street: A Life of the World's First Consulting Detective” 1962. Segundo a sua teoria, Holmes e Irene Adler foram amantes e teriam mesmo concebido um filho. Anos depois escreveria “Nero Wolfe of West Thirty-fifth Street: The Life and Times of America's Largest Private Detective”, uma biografia de Nero Wolfe, criação de Rex Stout, que William Stuart Baring-Gould considera filho da “pecaminosa” ligação de Sherlock Holmes e Irene Adler.

SHERLOCK HOLMES
Título original: Sherlock Holmes
Realização: Guy Ritchie (Inglaterra, EUA, Austrália, 2009); Argumento: Michael Robert Johnson, Anthony Peckham, Simon Kinberg, Lionel Wigram, segundo personagens criadas por Sir Arthur Conan Doyle; Produção: Bruce Berman, Steve Clark-Hall, Susan Downey, Peter Eskelsen, Dana Goldberg, Dan Lin, Joel Silver, Michael Tadross, Lionel Wigram; Música: Hans Zimmer; Fotografia (cor): Philippe Rousselot ; Montagem: James Herbert; Casting: Reg Poerscout-Edgerton; Design de produção: Sarah Greenwood; Direcção artística: James Foster, Nick Gottschalk, Matthew Gray; Niall Moroney; Decoração: Katie Spencer; Guarda-roupa: Jenny Beavan, Melissa Meister; Maquilhagem: Christine Blundell, Amy Byrne, Carol 'Ci Ci' Campbell, Charmaine Fuller; Direcção de Produção: Bill Draper, Ray Quinlan, Emma Zee; Assistentes de realização: Matthew Baker, Paul Bennett, Sarah Brand, Andrew Fiero, Clare Glass, Lee Grumett, Max Keene, Carley Lane, Andrew Mannion; Departamento de Arte: Joseph Alfieri, Andrew Bennett, Laura Dishington; Som: Michael Fentum; Efeitos especiais: James R. Bilz, Jeff Brink; Efeitos visuais: Hayley Easton, Chas Jarrett, Rob Shears, Sarah Louise Smith; Companhias de Produção: Lin Pictures, Silver Pictures, Translux, Village Roadshow Pictures, Wigram Productions; Intérpretes: Robert Downey Jr. (Sherlock Holmes), Jude Law (Dr. John Watson), Rachel McAdams (Irene Adler), Mark Strong (Lord Blackwood), Eddie Marsan (Inspector Lestrade), Robert Maillet (Dredger), Geraldine James (Mrs. Hudson), Kelly Reilly (Mary Morstan), William Houston (Constable Clark), Hans Matheson (Lord Coward), James Fox (Sir Thomas), William Hope, Clive Russell, Oran Gurel, David Garrick, Kylie Hutchinson, Andrew Brooke, Tom Watt, John Kearney, Sebastian Abineri, Jonathan Gabriel Robbins, James A. Stephens, Terry Taplin, Bronagh Gallagher, Ed Tolputt, Joe Egan, Jefferson Hall, Miles Jupp, Marn Davies, Andrew Greenough, Ned Dennehy, Martin Ewens, Amanda Grace Johnson, James Greene, David Emmings, Ben Cartwright, Chris Sunley, Michael Jenn, Timothy O'Hara, Guy Williams, Peter Miles, etc. Duração: 128 minutos; Distribuição em Portugal: Columbia TriStar Warner Filmes de Portugal; Classificação etária: M/ 12 anos; Estreia em Portugal: 24 de Dezembro de 2009.

segunda-feira, janeiro 04, 2010

DOSSIER SHERLOCK HOLMES, 1

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SHERLOCK HOLMES, A CRIAÇÃO LITERÁRIA


1. NA CASA DE SHERLOCK HOLMES
Diz a lenda (e as histórias literárias) que Sherlock Holmes é uma criação de Sir Arthur Conan Doyle, portanto alguém que nunca teve uma existência física palpável. Engano. “Eu” estive na casa de Sherlock Holmes, subi as escadas íngremes do número 221B, de Baker Street, em Londres, atravessei a sala onde Holmes permaneceu dias e noites embrenhado nos seus casos, dialogando com o amigo Watson. Fui conduzido pela voz mecânica e automatizada de uma guia que nos ia indicando cada um dos objectos de culto, criteriosamente dispersos pela divisão. O jornal que diariamente lia, a bengala, o cachimbo, o tabaco, o chapéu, o improvisado laboratório, o violino das horas mortas, o cadeirão onde se sentava, a “chaise longue” onde adormecia. Diversos disfarces. Espreitei a rua da janela do primeiro andar. Senti o arrepio de pressentir a chegada de um novo cliente, de uma tímida jovem que atravessava a rua, tocava sofregamente à porta, era atendida pela governanta e mandada subir por Holmes que, depois de um rápido olhar, enunciava desde logo ao que vinha, donde vinha, e como tinha sido a jornada. A casa estava agora desabitada, é certo, sentia-se o vazio, eu que gosto de visitar casas museus, conheço este incómodo decorrente de invadir uma privacidade, de espiolhar uma vida e tentar descobri-la pelos despojos onde se procura um pouco da alma de quem por lá passou. Mas também sei que a maioria dos móveis já não são os originais, que muito do que vemos não tem correspondência com o que foi, mas sim com o que pensamos que foi, com o que nos dizem que foi. O que vemos é mais o que a lenda impõe, do que a realidade do que realmente existiu. Por exemplo, onde está a cocaína que Holmes consumia regularmente? Todos sabem que por essa altura não era crime, era mesmo prática corrente e remédio aconselhado por médicos e psicanalistas (veja-se o caso de Freud). Mas sabemos também que familiares do defunto e curadores dos museus fazem por esquecer ou encobrir certas práticas menos consentâneas com a faixa etária que frequenta estas visitas guiadas a casas ilustres. Fica, portanto, um vazio indizível, que anuncia apenas uma presença que todos querem sentir. A esta casa já fui pelo menos duas vezes, uma quando era ainda solteiro, outra com um filho que se interessa igualmente por estas curiosidades (sim, também visitámos a Old Curiosity Shop). Há obsessões que passam de geração em geração. Baker Street é lugar de peregrinação inadiável para qualquer admirador de Sherlock Holmes de passagem por Londres. Ou mesmo para os muitos londrinos que não esquecem um dos seus símbolos maiores. É impossível que esta casa com um ar tão desabitado, não tenha já sido habitada. Desabitada quer dizer que se sente a falta de quem a habitou anteriormente. O vazio é o vazio de uma ausência. Esta invasão de privacidade só o é porque houve anteriormente uma privacidade. Sherlock Holmes esteve aqui, seguramente, a falar com John Watson. Até retenho alguns traços fisionómicos, com um pouco de Basil Rathbone, algo de Peter Cushing, muito de Jeremy Brent, também de Robert Stephens ou Nicol Williamson, agora até de Robert Downey Jr. É, pois, um retrato estranho, uma espécie de puzzle que combina na memória rostos e silhuetas diferentes, mas que todas elas asseguram a individualidade de um ser. Sherlock Holmes existiu mesmo.

2. UMA CRIAÇÃO DE CONAN DOYLE

Dizem os factos, para lá da lenda, que Sherlock Holmes é uma criação de Sir Arthur Conan Doyle, médico e escritor, que apareceu pela primeira vez no romance “A Study in Scarlet” (Um Estudo em Vermelho), publicado originalmente na revista “Beeton's Christmas Annual”, em Novembro de 1887. Holmes não teve biografia traçada desde início, mas foi amealhando currículo ao longo da série de novelas, contos e romances que se lhe seguiram. Curiosamente, sabe-se que não era para ser assim chamado, pois existem rascunhos de um outro nome para a personagem: Sherringford Holmes.
O que se sabe, desde logo, é que Sherlock Holmes viveu em Londres, entre os anos 1881 e 1903, portanto nos derradeiros anos do período vitoriano, num apartamento no nº 221B, de Baker Street (onde, presentemente, se encontra instalado um museu dedicado a Sherlock Holmes). Dividiu, durante largo tempo, esse apartamento com um amigo e colega médico, o Dr. John H. Watson, recém-chegado do Afeganistão. Essa amizade de convívio diário, transforma Watson num companheiro de aventuras e no biógrafo encartado de Holmes.
Conan Doyle admitiu que a inspiração para a criação desta figura que rapidamente se tornaria lendária, a foi buscar a um seu professor de medicina, o Dr. Joseph Bell (1837-1911), um cirurgião de Edimburgo, que tinha excelentes capacidades dedutivas e era capaz de descobrir imensos aspectos da vida e dos hábitos dos seus pacientes. O Dr. Joseph Bell terá inspirado não só a criação da personalidade, mas até alguns aspectos físicos da figura do detective. Num texto publicado no periódico “The National Weekly”, em 1923, Doyle recorda os tempos passados na faculdade de medicina, e como iniciou então o processo de criação da sua célebre personagem. Ao descrever o seu professor Bell, afirma: “Era magro, vigoroso, com rosto agudo, nariz aquilino, olhos cinzentos penetrantes, ombros reptos e um jeito sacudido de andar. A voz era esganiçada. Era um cirurgião muito capaz, mas o seu ponto forte era o diagnóstico, não só das doenças, mas das ocupações e da personalidade dos doentes." Dr. Joseph Bell parece ter negado ser a fonte inspirativa e tomou mesmo a comparação como pejorativa – não se considerava arrogante.
Sherlock Holmes descreve-se a si mesmo como um "detective consultor". Diz: “Tenho um ofício próprio. Suponho que sou o único no mundo. Sou um detective consultor”. Não tinha realmente muita simpatia pelos detectives particulares que iam à procura de casos e clientes. Pode considerar-se um certo pretensiosismo da sua parte, uma jactância social. Não fazia parte da sua índole descer tão baixo. Não precisava. Não ia à procura de casos, esperava que eles viessem ter a si. Esperava-os no seu salão de Baker Street, folheando jornais, fumando tabaco em cachimbo ou drogando-se com cocaína (esta só seria proibida em 1930). Tocava violino ou aborrecia-se de morte em tempos de ociosidade. Era capaz de trabalhar dias e noites, sem comer nem dormir, quando se encontrava envolvido nalgum caso mais melindroso. Bastava, como nos conta Conan Doyle, recuperando os cadernos de apontamentos de Watson, ver entrar pela porta dentro uma mulher em desespero ou um homem em perigo de morte e olhar-lhe para os sapatos, a cor dos olhos, as manchas do casaco, o vestido amarrotado, para desatar a enumerar um infindável número de “evidências” que deixavam atónitos todos os circundantes. Doyle assegura que Holmes é capaz de resolver os mais complexos problemas sem sair do seu apartamento. Mas muitas vezes desloca-se ao local do crime, e não poucas vezes vê-se envolvido em episódios violentos.
Em todos os casos, a dedução é a base da sua estratégia alicerçada numa forte faculdade de observação dos mais pequenos sintomas ou pormenores. Senhor de uma vastíssima cultura geral, sobretudo científica, que é conveniente não indagar de onde lhe vem (certamente de dezenas de anos de estudo), Holmes identifica um aroma, um perfume, um cheiro, a marca de um tabaco, os vestígios de umas cinzas, a origem de um pedaço de terra, a textura de um pó. Estudou química e física, além de medicina, e não raro faz experiências, nem todas bem sucedidas. Mas no final acabarão por se tornar especialmente úteis. De vez em quando desaparece no nevoeiro londrino para reaparecer não se sabe como, disfarçado das mais diversas formas, para levar a bom porto as suas investigações, que, não raro, exigem dele o manejo da espada, ou mesmo umas boas cenas de pugilismo (Watson assevera mesmo que teria dado um bom pugilista profissional). Essa sua faceta de actor que lhe permitia o disfarce exemplar colheu-a certamente durante alguns meses como intérprete, na sua juventude, chegando a integrar o elenco de peças como “Hamlet”. Entre os disfarces mais conhecidos e relatados por Watson, contam-se alguns vagabundos, um velho bibliógrafo, um venerável padre italiano, uma velha senhora, um marinheiro, o capitão Basil, muito conhecido no East End, um fumador de ópio, um canalizador libertino de nome Escott, um operário francês mal barbeado, um espião irlando-americano, um oficial de marinha asmático, um clérigo não conformista, simplório e amável, um criado de quarto, dado à bebida, etc.
3. UMA CRONOLOGIA
Sherlock Holmes não teve existência física, nasceu da pena de um inspirado escritor, mas ao longo das suas aventuras pode inventariar-se uma história passada: terá nascido a 6 de Janeiro de 1854, ao norte de Yorshire, filho de um agricultor e de uma mãe de origem francesa, dado que a avó era filha do pintor Horace Vernet. É o próprio detective quem confidencia a Watson: “Os meus antepassados eram fidalgos de província que parecem ter levado o tipo de vida próprio de pessoas da sua classe social.”
6 de Janeiro de 1854? Obviamente que esta data de nascimento é calculada, com base em referências surgidas em obras que relatam as suas aventuras, pois não há nenhuma menção precisa. Entre 1852 e 1867 várias foram as hipóteses aventadas, mas a que reúne maior consenso é a de 1854. No conto “O Mistério do Vale Boscombe”, que se desenrola em Junho de 1889, Holmes descreve-se como um homem de "meia-idade”, o que na altura quereria dizer de cerca de 35 anos. Em “His Last Bow“, de 1914, Watson descreve Holmes como alguém de sessenta anos. Ambas as referências apontam para 1854.
Quanto ao dia e ao mês, as divagações não são menores. Em “O Vale do Terror”, há uma referência a um dia 7 de Janeiro, e Watson pergunta-se se o amigo terá festejado o seu aniversário na véspera. Logo, “elementar, meu caro Watson”... (frase que Conan Doyle nunca terá escrito!). Elementar? Nada disso. Nick Rennison, na sua recente “biografia não autorizada”, “Sherlock Holmes”, opta por uma outra data, 27 de Junho de 1854, para o nascimento de William Sherlock Holmes (1).
Tinha um irmão mais velho, Mycroft, que trabalhava para o serviço secreto inglês. É Holmes quem afirma que o irmão é muito superior a si em observação e dedução. Numa das suas aventuras, Holmes encontra-se com Mycroft, em frente do Diogenes Club, o clube onde o irmão passava os tempos livres, e os dois mantêm um diálogo repleto de deduções, cada uma mais bizarra que a outra, sobre um transeunte que se atravessa no seu caminho, conjecturas que deixam Watson profundamente intrigado e estupefacto.
Segundo o “Canon” de Sherlock Holmes (isto é, a globalidade das obras escritas realmente por Conan Doyle, excluindo todas as sequelas e derivações posteriores, assinadas por outros autores, que se inspiraram nas personagens e lhe deram continuação, e foram algumas), é possível estabelecer alguma cronologia para a vida do popular detective. Assim, por exemplo, dando crédito a uma cronologia estabelecida por Thierry Saint-Joanis (2), em 1877, Holmes instala-se como detective privado; em 1878, Watson obtém o seu diploma de médico na universidade de Londres, torna-se cirurgião e é incorporado no 5º Regimento de Fuzileiros de Northumberland; em 27 de Julho de 1880, inicia-se a segunda guerra do Afeganistão, Watson participa na batalha de Maïwand onde é ferido. Convalescença e regresso a Inglaterra com uma curta pensão.
Em 1881, um amigo comum apresenta Holmes a Watson e os dois decidem partilhar o aluguer de um apartamento em Baker Street, em Londres. “Um Estudo em Vermelho” é o primeiro caso que ambos resolvem. Seis anos mais tarde, em 1887, Watson vem em socorro do seu amigo, gravemente doente, em Lyon, durante o caso dos proprietários de Reigate. Voltam para Londres, onde os espera o caso do “Signo dos Quatro”, durante o qual Watson encontra Mary Morstan, com quem irá casar.
Em 1889, Holmes afirma ter completado mais de quinhentos inquéritos importantes desde o início da sua carreira. Em 1891, duplica. No dia 4 de Maio desse mesmo ano, Sherlock Holmes desaparece nas cataratas de Reichenbach, perto de Meiringen, na Suíça (episódio relatado em “The Adventure of the Final Problem”), quando lutava corpo a corpo com o professor James Moriarty, arqui-rival e génio do crime. Para os leitores é dado como morto.
Este período, entre 1891 a 1893, compreendido entre a "morte" e a "ressurreição" do detective, é conhecido pelos sherlockianos como o grande hiato (The Great Hiatus). Curiosamente, "O caso da Vila Glicínia" (The Adventure of Wisteria Lodge) é datado pelo Dr. Watson como ocorrido no ano de 1892. Sabe-se depois que, nesse grande hiato, o detective viaja incógnito pelo Tibete e a Pérsia, visita a Meca, espia em Cartum para o Foreign Office, depois regressa por Montpellier, onde faz pesquisas. Durante este período, em Londres, Watson, que acredita que o amigo morreu na Suíça, perde também a sua jovem e muito amada mulher.
Interessante aprofundar as razões do desaparecimento do detective. Arthur Conan Doyle quis realmente fazer desaparecer a sua personagem, interessado em explorar outros temas, aspirando a mudanças na sua obra literária. Julgava “The Adventure of the Final Problem” um final apropriado para o seu famoso detective que, finalmente, encontrava e vencia, ainda que à custa da própria vida, um adversário à altura, Moriarty.
Durante dez anos, Doyle volta-se para outras paisagens e outros personagens, e não se entrega a Sherlock Holmes a não ser em 1902, quando redige “O Cão dos Baskerville”, para satisfazer as imperiosas necessidades do seu público. Mas este não se sacia e quer mais. Os editores também querem e, em 1903, perante uma oferta irrecusável de direitos autorais, retorna com “O Regresso de Sherlock Holmes”. Holmes retoma oficialmente o seu trabalho com o “Caso da Casa Vazia”, onde captura o coronel Moran, último membro da organização de Moriarty. A República Francesa agracia-o com a Legião de Honra por ter preso Huret, o “assassino do boulevard”. Em 1895, será a Rainha Vitória a recompensá-lo com uma esmerada incrustada num alfinete de gravata pelo seu triunfo em “Os Planos do Submarino Bruce-Partington”.
Em 1897, para evitar a depressão, repousa. Confia a Watson que nunca amou, o que arruma assim sumariamente a sua questão com as mulheres (a única por quem terá sentido alguma atracção terá sido Irene Adler). Em Junho de 1902 recusa o título de Cavaleiro que o Rei lhe procura atribuir. No ano seguinte, Watson casa pela segunda vez e retoma a sua actividade de médico. A 6 de Janeiro de 1904, Holmes reforma-se e retira-se para uma herdade em Sussex, onde passa a dedicar-se à apicultura. Escreve mesmo um ensaio sobre o tema.
A 2 de Agosto de 1914, depois de dois anos de espionagem nos EUA, na Irlanda e em Inglaterra, Holmes reencontra Watson para prenderem um agente alemão, no início da Primeira Guerra Mundial. A seguir o mundo não voltará a ouvir falar de Sherlock Holmes e de John Watson. Esta foi a sua derradeira aventura.
Sherlock Holmes é portador de uma personalidade singular e perturbante, que faz dele certamente um ícone. Aparentemente sem defeitos e com enormes virtudes, culto e sabedor, mesmo erudito, é todavia arrogante, convencido e pretensioso, não raro de uma inteligência fria, optando quase sempre por ser racional em lugar de emocional. Faz justiça pelas próprias mãos, no que se julga deus, deixa em liberdade alguns criminosos, executa outros, ironiza com as poucas faculdades do inspector Lestrade, da Scotland Yard, que deixa sempre para trás e em dificuldades de raciocínio. Não é muito dado a práticas violentas, mas foi sensação no boxe, e alguns asseguravam-lhe um bom futuro na profissão, assim como, paradoxalmente, poderia ter sido um exímio executante musical, o que recorda amiúde com o seu violino.


4. AS OBRAS DE SIR ARTHUR CONAN DOYLE
As obras de Sir Arthur Conan Doyle, dedicadas a Sherlock Holmes são:
Um Estudo em Vermelho (A Study in Scarlet), romance (1887),
O Signo dos Quatro (The Sign of the Four), romance (1890)
O Cão dos Baskervilles (The Hound of the Baskervilles), romance (1902)
O Vale do Terror (The Valley of Fear), romance (1915)
E ainda:
As Aventuras de Sherlock Holmes (The Adventures of Sherlock Holmes), série de 12 contos (1892)
Memórias de Sherlock Holmes (The Memoirs of Sherlock Holmes), série de 11 contos (1894)
O Regresso de Sherlock Holmes (The Return of Sherlock Holmes), série de 13 contos (1905)
O Último Adeus de Sherlock Holmes (His Last Bow), série de 8 contos (1917)
Os Casos de Sherlock Holmes (The Case-Book of Sherlock Holmes), série de 12 contos (1927)
Mas Conan Doyle dedicou-se ainda como escritor a muitas outras áreas. Temos, por exemplo, a série dedicada ao Professor Challenger, com alguns romances:
O Mundo Perdido (The Lost World) (1912)
A Cintura de Veneno (The Poison Belt) (1913)
A Terra das Brumas (The Land of Mist) (1926)
Quando o Mundo Gritou (When the World Screamed) (1928)
A Máquina de Desintegração (The Disintegration Machine) (1929)

Outros romances:
Micah Clarke (Micah Clarke) (1888)
A Companhia Branca (The White Company) (1891)
Os Refugiados – Uma História de Dois Continentes (The Refugees – A Tale of two Continents)
Sir Nigel (1906)
J. Habakuk Jephson's Statement (1884)
The Mystery of Cloomber (1889)
The Firm of Girdlestone (1890)
The Parasite (1894)
Rodney Stone (1896)
The Exploits of Brigadier Gerard (1903)
The Maracot Deep (1929)
Nota: As obras de Arthur Conan Doyle estão editadas em português por diversas editoras, Publicações Europa-América, Livros do Brasil, mais recentemente, em 2009, pela Global Noticias (Colecção Sherlock Holmes, em 12 caprichados pequenos volumes).

5. SIDNEY PAGET E FREDERICK DORR STEELE
Quase todas as histórias de Sherlock Holmes apareceram inicialmente publicadas na mais importante revista literária inglesa dessa época, a “The Strand Magazine”. A capa era quase sempre ocupada por uma ilustração relativa a uma história com a assinatura de Conan Doyle e, no interior, surgiam pequenas ilustração quase sempre da autoria de Sidney Paget, que assim deu corpo e forma às personagens de Sherlock Holmes e Watson, moldando-as para sempre no imaginário colectivo. Sidney Paget, que começou a desenhar muito cedo, estudou no British Museum durante dois anos, e depois na Heatherley's School of Art, e na Royal Academy Schools, era o irmão do meio de uma talentosa ninhada de três, o mais famoso dos quais, Walter Paget, era igualmente ilustrador. Diz a lenda que era para este que deveria ter sido endereçado o convite para ilustrar "Adventures of Sherlock Holmes", mas a carta foi cair nas mãos de Sidney que aproveitou a oportunidade que não mais largou. Segundo a lenda teria sido o irmão Walter a servir de modelo para a figura de Sherlock Holmes, mas nada se sabe de certo. Os estudiosos atribuem a Sidney Paget a invenção do chapéu de caçador de veados (dito “Deerstalker” e mais tarde conhecido como chapéu de detective por associação com Sherlock Holmes) e a capa de inverno, elementos que não são referidos nos textos de Conana Doyle. Quando Sidney morreu, depois de ter desenhado 356 ilustrações para Sherlock Holmes, Walter Paget ilustrou finalmente uma história.
Entretanto, na América, as aventuras de Conan Doyle começaram igualmente a ser publicadas na “Collier's Weekly”, a partir de 1903, sendo ilustradas por Frederic Dorr Steele. Descendente de William Bradford, Frederic era natural do Michigan, estudou na National Academy of Design e depois em New York City, tornando-se um ds desenhadores do The Illustrated American, passando depois a “freelance”, tanto na “Scribner's Magazine” como na “Collier's Weekly”, onde foi convidado a ilustara “The Return of Sherlock Holmes”. Para Frederic Dorr Steele, o modelo que escolheu para Sherock Holmes foi colhê-lo a William Gillette, actor. Parece ter sido Frederic a criar a dependência do cachimbo, baseano-se precisamente na criação teatral de Gillete.
O excelente Frederic Dorr Steele, muito mais moderno e cosmopolita que Sidney Paget, e que utilizava uma leve coloração nas suas obras (ao contrário de Sidney Paget que preferia o preto e branco nuanceado), trabalhou ainda no “The Century Magazine”, “McClure's”, “The American Magazine”, “Metropolitan Magazine”, “Woman’s Home Companion” e “Everybody’s Magazine”.
Estas ilustrações de Sidney Paget e Frederic Dorr Steele tornaram-se raridades vendidas e compradas em leilões a preços invulgares. O original de Paget que captou e imortalizou a luta de Holmes e Moriarty nas cataratas de Reichenbach foi vendido, num leilão da Sotheby, em Nova Iorque, por 220.000 dólares, em 16 de Novembro de 2004.

quinta-feira, agosto 13, 2009

SHERLOCK HOLMES, 2

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"SHERLOCK HOLMES" DE NOVO NO CINEMA

“Sherlock Holmes” vai voltar aos ecrãs de cinema de todo o mundo, no dia 25 de Dezembro de 2009. Esta nova versão, de que apresentamos algumas imagens, conta com realização de Guy Ritchie e argumento, retirado livremente das obras de Arthur Conan Doyle, assinado por Michael Robert Johnson, Anthony Peckham, Simon Kinberg e Lionel Wigram.
No elenco, algumas surpresas: Robert Downey Jr. é Sherlock Holmes e Jude Law é Dr. John Watson. Depois há ainda a referir Rachel McAdams (Irene Adler), Mark Strong (Lord Blackwood), Kelly Reilly (Mary Morstan), Eddie Marsan (Inspector Lestrade), James Fox (Sir Thomas), Hans Matheson (Lord Coward), Bronagh Gallagher (Palm Reader), entre muitos outros.
Guy Ritchie, que já foi casado com Madona, dirigiu alguns filmes interessantes, como “The Hard Case” (1995), “Lock, Stock and Two Smoking Barrels” (1998), “Snatch.” (2000), “Star” (2001), Swept Away (2002), “Revolver (2005), “RocknRolla” (2008) até chegar a este “Sherlock Holmes” (2009), estando já a preparar nova obra, “The Gamekeeper” (anunciada para 2010).
Esperemos que esta incursão pelo universo de Conan Doyle esteja à altura do mestre. O “trailer” deixa algumas dúvidas, muito embora as boas indicações a nível de cenários e fotografia.


SHERLOCK HOLMES, 1

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AVENTURAS DE SHERLOCK HOLMES EM 12 LIVROS


Ora vamos lá começar por fazer publicidade. Gratuita.
Já não sei quantas vezes li e reli todos os livros do Conan Doyle, sobre Sherlock Holmes. Contos, novelas e romances. Desde a adolescência. Numa colecção que ainda guardo. Depois já comprei outras colecções, até um volume inglês que reproduz textualmente a revista onde inicialmente foram editados (com desenhos originais e tudo, uma preciosidade, que só folheio, e leio aqui e ali, o meu inglês não é o meu forte!, já sabem, não é?).
Agora, o DN, publica e distribui grátis, a quem comprar o jornal das terças, quintas e domingos, doze pequenos volumes com as aventuras de Sherlock Holmes e do seu amigo Dr. Watson, todos assinados por Sir Arthur Conan Doyle. As edições são muito bonitas, eu não resisto e ando a reler tudo. De novo. Convido-vos a darem uma espreitadela. Depois de Edgar Allan Poe, que “inventou” o romance policial, Conan Doyle deu-lhe carta de cidadania e um herói inesquecível. É uma leitura fascinante, que os mais velhos e os assim-assim não esquecem, mas que julgo que os mais novos irão apreciar e “descobrir” com um gosto redobrado.
É publicidade gratuita a minha: não percam estas preciosidades às terças, quintas e domingos.

segunda-feira, julho 30, 2007

UM NOVO BLOGUE



Surgiu um novo blogue na blogosfera nacional. Chama-se "221 - B Baker Street" e, como é óbvio, é dedicado a Sherlock Holmes. São seus autores a Ana Paula, de "Musica do Acaso", de "Marcador Somático" e de "Sibila", e eu próprio. Quem quiser saber mais Conan Doyle e a sua magnifica criação pode dar uma vita de olhos. Nasceu ontem, ainda está fresquinho (nesta caloraça!), mas promete crescer e ter muita informação e opinião. Pode ir a:



"Elementar, meus caros."