IV Congresso Nacional das Cidades Educadoras
PROGRAMA
DIA 5 DE MAIO
08.30
Registo
09.15-10.00
Sessão de Abertura
(Auditório Agostinho da Silva)
Grupo de Violinos – Agrupamento de Escolas Fernando Pessoa
Reitor da Universidade Lusófona – Mário C. Moutinho
Presidente Delegada da AICE/Secretária Geral da AICE – Pilar Figueras
Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa - Simonetta Luz Afonso
Vereador do Pelouro do Ambiente da CML – José Sá Fernandes
Vereador do Pelouro da Educação da CML - Manuel Brito
10.00-11.25
1ª Conferência Plenária “A Cidade Educadora e o Ambiente - Problemática Global, Respostas Locais”
(Auditório Agostinho da Silva)
Conferencistas
Pilar Figueras
Secretária Geral da Associação Internacional das Cidades Educadoras, desde a sua criação.
Mestre em Música e Psicologia, Professora Titular na Universidade Autónoma de Barcelona.
Directora do Conservatório de Música de Barcelona.
António Teodoro
Doutor e Mestre em Ciências da Educação.
Licenciado em Educação Física pelo (INEF).
Professor da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa onde é Director da Licenciatura de Ciências da Educação, do Mestrado e do Doutoramento na mesma área científica.
Director da Unidade de Investigação Observatório de Políticas de Educação e de Contextos Educativos, na Universidade Lusófona.
Gonçalo Ribeiro Telles
Professor Arquitecto Paisagista.
Foi professor catedrático convidado da Universidade de Évora, e criou as licenciaturas em Arquitectura Paisagista e Engenharia Biofísica.
Moderador:
Maria de Lurdes M. Rabaça Gaspar
Licenciada em Serviço Social e Filosofia
Membro técnico do Comité Executivo da Associação Internacional das Cidades Educadoras.
Técnica Superior da CML – Gabinete Lisboa Cidade Educadora
11.25-12.00
Pausa para Café
Desfile Ecológico
12.00-13.30
Painel Temático 1 “Estratégia Energético Ambiental das Cidades”
Sala (b)
Moderador
José Manuel Viegas
Professor catedrático em Transportes do Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura do Instituto Superior Técnico.
Presidente do Conselho de Administração da TIS.pt, Transportes, Inovação e Sistemas, s.a.
Membro do Conselho Científico e de Orientação do “Institut pour la Ville en Mouvement”, Paris, desde a sua fundação em 2000.
Relator
Francisco Ferreira
Doutorado em Engenharia do Ambiente na FCT/UNL.
Assistente do Departamento de Ciências e Engenharia do Ambiente na FCT/UNL onde é Professor Auxiliar.
Vice-Presidente da Quercus.
Membro do Conselho Nacional da Água
Debate
12.00-13.30
Painel Temático 2 “A Educação para o Desenvolvimento Sustentável”
Sala (b)
Moderador
Manuel Gomes
Doutorando em Educação para o Desenvolvimento Sustentável.
Licenciado em Geografia, com Mestrado em Educação Ambiental.
Investigador no Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa
Assessor do Conselho Nacional de Educação
Presidente da Associação CIDDADS (Centro de Informação, Divulgação e Acção para o Ambiente e Desenvolvimento Sustentável
Relator
Maria Elisabete Ascensão
Vice-Presidente da SEPA; Coordenadora da Rede Portuguesa de Educação Ambiental de Água e Rios
Debate
13.30
Almoço
14.30-16.00
Painel Temático 3 “A Participação Cidadã na Construção de Cidades Ecológicas
Sala (b)
Moderador
Duarte Mata
Arquitecto Paisagista pelo Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa.
Investigador na área da mobilidade suave, designadamente na integração da bicicleta nos mecanismos de planeamento ambiental
Colabora no Gabinete do Vereador dos Espaços Verdes da Câmara Municipal de Lisboa.
Relator
José Manuel Pereira
Licenciado em Educação Física e Desporto, pela Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa.
Licenciado em Direito, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.
Mestre em Gestão do Desporto, pela Faculdade de Motricidade Humana da UTL
Debate
14.30-16.00
Painel Temático 4 “Agir pela Biodiversidade
Sala (b)
Moderador
Maria da Luz Mathias
Doutorada em Ecologia e Sistemática pela Faculdade de Ciências da Univ. de Lisboa e tem o título de Agregada em Zoologia e Antropologia da mesma Universidade. Professora Catedrática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, no Departamento de Biologia Animal.
Investigadora do Centro de Estudos Ambientais e responsável pelo grupo de investigação em Biologia da Adaptação e Processos Ecológicos, no mesmo Centro.
Relator
Ana Paula Teixeira
Licenciada em Química pela FC/UNL. Mestre em Engenharia e Gestão de Tecnologia do Ambiente.
Mestre em Engenharia e Gestão de Tecnologia Ambiente, pelo IST e Curso de pós-graduação, PAEGEA – Programa Avançado de Economia e Gestão de Empresas de serviços de Águas pela Universidade Católica
Responsável pelo Subsistema de Beirolas/Estação de Tratamento de Águas Residuais da SimTejo .
Debate
16.15
Pausa para Café
16.30-18.30
Mesa Redonda com Autarcas Portugueses representantes da Rede Territorial Portuguesa e Representante da Rede Estatal Espanhola/Barcelona, sob o tema “A Vivência local das problemáticas ambientais – Propostas de Intervenção numa Cidade Educadora”
(Auditório Agostinho da Silva)
Almada – António Matos
Azambuja – Ana Pereira
Évora - Cláudia Sousa Pereira
Lisboa – Manuel Brito
Paredes – Pedro Dinis Mendes
Stª Maria da Feira – Cristina Tenreiro
Torres Novas – Manuela Pinheiro
Reunião da Rede Territorial Portuguesa (a confirmar)
DIA 6 DE MAIO
09.15-10.45
Painel Temático 3 “A Participação Cidadã na Construção de Cidades Ecológicas”
Sala (b)
Moderador
Veríssimo Pires
Licenciado em Ciências Político-Sociais pelo ISCSP/UTL.
Pós-Graduado em Educação Ambiental pela Universidade Católica
Chefe de Divisão de Sensibilização e Educação Sanitária/DHURS/CML
Relator
Cecília Melo Pereira
Licenciada em Gestão.
Chefe de Divisão de Planeamento e Controlo Financeiro/CML –
Membro da Equipe do Orçamento Participativo
Debate
09.15-10.45
Painel Temático 4 “Agir pela Biodiversidade”
Sala (b)
Moderador
Rui Queiroz
Engenheiro Silvicultor
Autoridade Florestal Nacional
Relator
Fernando Louro Alves
Engenheiro Silvicultor na especialidade de Recursos Naturais e Pós-Graduado com o Curso de Mestrado em Planeamento Regional e Urbano.
Engenheiro Assessor da CML. Coordenador do Sector Arvoredo – Divisão de Jardins/DAEV/CML
Debate
10.45
Pausa para Café. Filmes Temáticos
Apresentação de Experiências em Espaço Poster
11.15-13.00
2ª Conferência Plenária – Filme “Um Grau faz a Diferença”
Filme Comentado – Prémio especial do Júri da Organização do Festival Cine’Eco
(Auditório Agostinho da Silva)
Conferencista
Fernando Carvalho Rodrigues
Licenciado em Física.
Doutorado em Engenharia Electrónica pela Universidade de Liverpool.
Professor Catedrático do Instituto Superior Técnico, Coordenador do Laboratório Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial e Director da Faculdade de Tecnologia da Universidade Independente m Lisboa.
Conhecido como o “pai” do satélite português, sendo o responsável máximo pelo consórcio PoSAT que constituiu e lançou o primeiro satélite português em 1993.
Moderador
Lauro António
Licenciado em História.
Cineasta, realizador, ensaísta e documentarista.
13.00
Almoço
14.30-17.00
Visitas Temáticas
Parque Florestal de Monsanto
Marinha do Tejo
Natura Towers
Centro de Triagem e Ecocentro de Lisboa/Valorsul, com demonstração de actividades lúdico-pedagógicas/DHURS
Equipamento com recuperação energética (Escola do 1º Ciclo EB / Bairro Social da CML)
19.30
Jantar Oficial do Congresso – Museu da Cidade
Orquestra Geração
DIA 7 DE MAIO
09.15-10.30
3ª Conferência Plenária “Estratégia Nacional para o Desenvolvimento Sustentável”
(Auditório Agostinho da Silva)
Conferencistas
Ângela Lobo
Licenciatura em Engenharia Química pelo Instituto Superior Técnico e parte escolar do Mestrado em Políticas, Planeamento e Economia de Energia pelo ISEG/IST.
Adília Lopes
Licenciada em Direito.
Secretária Executiva do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (CNADS).
Tiago Farias
Licenciatura em Engenharia. Professor do Departamento de Engenharia Mecânica do Instituto Superior Técnico.
Coordenador da DTEA- equipa de Investigação em Transportes, Energia e Ambiente do Instituto de Engenharia Mecânica do IST.
Desenvolve investigação na área das energias alternativas nos transportes (combustíveis e sistemas de propulsão) .É responsável pela disciplina “Energias nos Transportes”.
É vogal do Conselho de Administração da EMEL, e membro das Direcções da APVE (Associação Portuguesa para o Veículo Eléctrico) e da ANEPE (Associação Nacional de Empresas de Parques de Estacionamento).
Moderador
Maria Santos
Formação em História.
Professora na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal.
Administradora da Lisboa-E-Nova.
Co-fundadora e Presidente da INTERBIO - Associação Interprofissional de Agricultura Biológica
Deputada Honorária do Parlamento Europeu.
10.30
Pausa para Café
10.45-12.15
Painel Temático 1 “Estratégia Energético-Ambiental das Cidades
Sala (b)
Moderador
Miguel Águas
Doutorando em Engenharia Mecânica do IST
Professor Convidado no IST com actividade docente pós-graduação em Sistemas Sustentáveis de Energia.
Coordenador da fileira de Eficiência Energética no Pólo da Competitividade e Tecnologia da Energia. Director Técnico nos projectos que a Agência Lisboa-E-Nova desenvolve, sendo igualmente responsável pelo controle financeiro da Agência.
Relator
Teresa Cardoso
Licenciada em Engenharia Electrotécnica - Instituto Superior Técnico de Lisboa
Directora do Departamento de Construção e Conservação de Instalações Eléctricas e Mecânicas da Câmara Municipal de Lisboa
Coordenadora do grupo de trabalho para a elaboração e revisão do contrato de Concessão de Energia Eléctrica à EDP actualmente em vigor.
Debate
10.45-12.15
Painel Temático 2 “A Educação para o Desenvolvimento Sustentável
Sala (b)
Moderador
Cristina Gomes Ferreira
Licenciada em Geografia variante de Planeamento Regional e Local pela Universidade Clássica de Lisboa e Formação Educacional da Faculdade de Letras de Lisboa.
Chefe de Divisão de Educação e Sensibilização Ambiental da Câmara Municipal de Lisboa.
Relator
Elizabeth Silva
Licenciada em Relações Internacionais.
Responsável na UNESCO pelo Sector da Ciência.
Ponto Focal na Comissão Nacional da UNESCO para a Década das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento Sustentável.
Debate
12.20-13.20
Conclusões e Sessão de Encerramento
(Auditório Agostinho da Silva)
Ministério do Ambiente- representado pela SubDirectora da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) - Anabela Trindade
Ministério da Agricultura- representado pela Assessora do Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural e Ponto Focal do Ano Internacional das Florestas –Isabel Barão da Cunha
Comissão Permanente de Ambiente Mobilidade e Qualidade da Vida - Assembleia Municipal de Lisboa – José Maximiano Almeida Leitão
Comissão Permanente de Cultura, Educação, Juventude e Desporto - Assembleia Municipal de Lisboa – Maria Luísa Vicente Mendes
Vereador do Pelouro da Educação – Manuel Brito
Permallets Associação Cultural (Orquestra de Jovens)
Percurso Pedestre Urbano / Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal



O filme começa por evocar a formação da Terra, referindo que há vida neste planeta há quatro milhares de milhões de anos e só existem humanos há duzentos mil anos. Jogando com imagens (obviamente) actuais, o filme procura restituir a ambiência desses tempos primordiais. Numa perspectiva muito darwineana, fornece elementos para a cadeia evolucionista, desde o caos de uma bola de fogo, até ao milagre do aparecimento da vida na Terra, a origem das plantas, dos insectos, dos animais, do primeiro homem. A vida do homem vista como apenas um elo entre diversos. Os humanos que moldam a Terra à sua imagem, com tudo o que isso representa de extraordinário, mas também de perigoso. A agricultura é ainda hoje o labor dominante, metade da humanidade emprega-se nessa actividade, ¾ da qual ocupa-se da agricultura manualmente.
Os minérios são extraídos da Terra a uma velocidade impressionante. Cada vez mais e mais rápido. Nos próximos vinte anos, serão extraídos da terra mais minerais do que durante toda a História do Homem. Mas apenas 20% da população mundial irá usufruir desta regalia. Rapidamente também se esgotarão os recursos da Natureza. Os contentores atravessam os oceanos carregados de recursos. A globalização permite-o, impõe-no. O Dubai é um dos países do mundo com menos recursos naturais. Mas tem petróleo, e o dinheiro que o petróleo gera. Por isso são dos maiores construtores do mundo. Criam ilhas artificiais, promovem turismo de luxo, multiplicam arranha-céus no deserto. E esgotam a terra, não ali, no Dubai, mas algures, donde importam os materiais.
O rio Jordão, outrora um grande rio, é agora um riacho. Um em cada dez grandes rios já não desagua no mar. Perdeu caudal. O Mar Morto, que assim se chama por causa do seu elevado índice de salinidade, perde um metro de nível por ano, e concentra sal. Na Índia brotam palácios em lagos artificiais. Las Vegas é uma cidade construída sobre um deserto. Os seus habitantes são dos maiores consumidores de água em todo o mundo. Palm Spring e os seus campos de golfe consomem água de forma trágica. Tudo isto é uma miragem, afirma “Home” e pergunta até quando ela pode durar. Em 2025, as perspectivas apontam para dois mil milhões de pessoas vítimas de secas.

O meu Grande Prémio iria para "Um Sentimento Maravilhoso" (A Sense of Wonder), de Christopher Monger (E.U.A, 2008), que se ficou pelo prémio Camacho Costa. Julgo, porém, que por todas as razões e mais uma, esta era a minha obra preferida. Partindo de uma peça teatral, escrita e interpretada por Kaiulani Lee, que ao longo de dezasseis anos a fez viajar por todos os Estados Unidos e ainda passar por Inglaterra, Itália, Canadá, Japão, etc., “A Sense of Wonder” esboça os anos finais da vida de Rachel Carson, uma bióloga marinha e zoologista norte-americana, que seria rapidamente conhecida como “a patrona do movimento ambientalista”, depois de ter escrito, em 1962, um livro, “The Silent Spring”, onde alertava o mundo para os perigos dos pesticidas então em alarmante difusão. Mas se esta obra provocou as mais desencontradas reacções, algumas das quais levaram a autora a ter de se defender de várias graves acusações que provinham de políticos, industriais, cientistas ou jornalistas, e que depois se provaram falsas, obrigando os detractores a retratarem-se e vários pesticidas, como o DDT, a serem colocados fora do mercado, a veia poética de Rachel Carson assinalava igualmente um momento importante no deslumbramento da vida natural, com um sentimento maravilhoso para com a imensidão do mar e dos seres vivos que habitam o nosso planeta. Nos últimos anos de vida, Rachel Carson sofreu de um cancro que a viria a vitimar, sem no entanto a fazer perder o prazer da vida e o encanto pela natureza. Com base em textos da escritora, Kaiulani Lee baseou a sua peça em duas entrevistas que funcionam como um longo monólogo, onde aborda as peripécias mais marcantes da existência da escritora, e deixa a marca da sua visão poética da vida. A interpretação de Kaiulani Lee é notável, a sua dicção hipnótica, a fotografia de Haskell Wexler digna do mestre que sempre foi. Rodado na casa de campo de Rachel Carson do Maine, "Um Sentimento Maravilhoso" é uma obra magnifica, delicada e sensível por um lado, vibrante e teimosa na sua obstinação, apaixonante e poética no seu declarado amor pela natureza, dolorosa no seu confronto com a morte. Uma verdadeira lição da arte de viver de acordo com a natureza, sem demagogias nem tibiezas.
"Em Construção" (Under Construction), do realizador chinês Zhenchen Liu (França, 2008), foi o grande vencedor do Cine'Eco 2008, pois ganhou o Grande Prémio do Júri Internacional e do Júri da Juventude. Unanimidade pois. Nascido em Xangai, em 1976, formado na Escola de Cinema de Xangai, agora freelancer em França e na China, Zhenchen Liu escreve, realiza, fotografa, sonoriza, monta “Under Construction”, dez minutos de prodigioso efeito técnico, um majestoso traveling (que atravessa ruas, edifícios, portas e janelas) sobre as ruínas de uma cidade em transformação: todos os anos, aqueles que planeiam o urbanismo das cidades chinesas decidem arrasar parte da antiga Xangai para renovar a metrópole. Anualmente também mais de cem mil famílias são forçadas a abandonar as suas casas e a mudarem-se para edifícios nos limites da cidade, com tudo o que essa transferência acarreta.
O Júri da Lusofonia atribuiu o seu Grande Prémio a "Juruna, O Espírito da Floresta”, de Armando Sampaio Lacerda (Brasil, 2008). Mário Juruna foi, até hoje, o único índio indígena que conquistou o direito de representar seu povo no parlamento brasileiro. Através de uma aproximação desta personagem mítica que morreu não há muito, vítima de diabetes, Armando Lacerda investe, com emoção e sensibilidade, na acidentada história da própria comunidade dos índios Xavante no interior do Brasil, e bem assim de toda a população índia que ainda sobrevive, depois de tormentosos períodos de um quase genocídio anunciado. A longa-metragem, fotografada com a exuberância cromática que o tema requeria, trouxe de novo o cineasta a Seia, onde já havia exibido “Guerra do Contestado”, que fora prémio Campânula de Prata, no CineEco 2000, e “Janela para os Pirinéus”, Menção Honrosa, do Júri da Juventude.
Prémio Educação Ambiental: "Desertos em Movimento - Europa" (Wüsten im Yormarsch - Europa), de Ingo Herbst, (Alemanha, 2007), uma análise do impacto das alterações climatéricas na paisagem europeia, que ameaça transformar algumas zonas, nomeadamente a Península Ibérica, em desertos que prolongam a geografia africana. “Portugal, Espanha, Itália e Grécia são quatro países da UE tão afectados que aderiram já à Convenção das Nações Unidas para o combate à desertificação. Mas não são só estes países mediterrânicos a sentirem os efeitos. Bulgária, Hungria, Moldávia, Roménia e a Rússia também deram sinais de desertificação e, na Ucrânia, 41% das terras agrícolas estão em risco de erosão. Em 2000, as Nações Unidas publicaram um relatório em que se declarava “as primeiras fases de séria degradação da terra estão a ser assinaladas em várias partes da Europa e 150 milhões de hectares estão em alto risco de erosão. A deterioração atingiu um nível crítico nos países do Mediterrâneo”, afirmam os responsáveis pelo bem documentado filme, que se integra numa série televisiva, da qual se podia ver ainda, no “Panorama Informativo”, “Desertos em Movimento – A Ásia”. O Júri das Extensões atribuiu igualmente o prémio "Cine'Eco em Movimento" a "Desertos em Movimento - Europa".
A "Os Olhos Fechados da América Latina" (Los Ojos Cerrados de América Latina), de Miguel Mirra (Argentina, 2007) foi atribuído o prémio “Antropologia Ambiental”. A obra deste argentino resulta num libelo latino-americano contra a pilhagem do continente pelas multinacionais e o capitalismo desenfreado. Trata-se da análise de um modelo económico que devasta as relações sociais e o meio ambiente em vários países da América Latina, juntado para o efeito um coro de vozes representativas de todo o continente, que abordam temas como a mineração a céu aberto, a monocultura da soja, a depredação dos solos e florestas, a construção de barragens, a exploração desordenada do peixe, a produção de pasta de celulose, etc., colocando em evidencia a estreita relação entre o roubo dos recursos naturais, a poluição e o modelo de exploração multinacional.
Muito inquietante é igualmente "Cemitérios Digitais" (Digital Cimiteries), de Yorgos Avgeropoulos (Grécia, 2007), que ganhou o prémio “Resíduos”. A sociedade actual está cada vez mais dependente da informática. São milhões os computadores que diariamente se abandonam no lixo. Para onde vão estes desperdícios electrónicos perigosíssimos, que devem ser reciclados obedecendo a especificações rígidas? A maior parte vai parar às mãos desprotegidas de chineses ávidos de trabalho que, por um dólar por dia, desmontam com as mãos nuas estes objectos altamente tóxicos e cancerígenos. Os países desenvolvidos, em vez de gerirem os próprios desperdícios electrónicos, acham que é mais barato exportá-los para as nações mais pobres, levando assim biliões de pessoas a escolher entre o envenenamento e a pobreza, enquanto os mares do planeta, rios, terra e ar vão sendo irreparavelmente contaminados. Mais de 50.000.000 toneladas da nossa “civilização digital” terminam ilegalmente na China, em cidades cemitérios. De computadores e de seres humanos. Quem fala aqui em direitos humanos? “Os chineses são muitos, ganham uma miséria, e estão longe. É com eles!” O prémio "Alerta" do Júri da Juventude foi igualmente para "Cemitérios Digitais", “pela consciencialização de uma problemática desconhecida da maioria da população mundial”.
O Prémio Polis, foi para "O Estádio Verde" (Der Prater – Ein Wilde Geschichte), de Manfred Corrine (Áustria, 2007), que coloca um curioso problema: como harmonizar o ambiente natural com as necessidades da sociedade actual. Um dos estádios onde decorreu o Europeu de 2008, na Áustria, foi o Prater, situado no interior dos 6.000.000 m2 do pulmão verde de Viena, uma zona onde outrora se reunia a aristocracia para caçar, e onde hoje se cruzam os motociclistas e os praticantes de jogging, e onde, pelos prados, passeiam texugos, raposas e gamos, enquanto nas águas, os patos (vindos há muito da China para abastecer as caçadas locais) agora acasalam livremente. A vida floresce nos campos do Prater, cheios de boas surpresas, num ecosistema bem defendido.
"Desenvolvimento Hidrográfico – Tratamento de Áreas em Sulcos" (Jalagam Vikas – Mitti Ke Bandh) de Pinky Brahma Choudhury, Shobhit Jain (Índia, 2007) triunfou na categoria “Água”, onde havia muitos e ons concorrentes. O filme descreve métodos simples e económicos para resolver o problema da água, que podem facilmente ser usados pela população local, utilizando os recursos naturais para a construção de diques e barragens. Esta abordagem constitui um novo paradigma de desenvolvimento que, não procurando controlar a natureza, surge naturalmente do solo, promovendo a regeneração ambiental, a segurança dos seres vivos e a autonomia dos povos.
Excelente, um dos meus preferidos igualmente, que fora este ano Grande Prémio do FICA de Goiás, onde o vi pela primeira vez e onde o convidei para o Cine Eco, é “Jaglavak, Príncipe dos Insectos” (Jaglavak, Prince of Insects), by Jerôme Raynaud (França, 2007), uma obra que viaja até ao norte dos Camarões, às montanhas Mandaras, onde os Mofu vivem uma relação única com os insectos, compartilhando com eles as suas casas e culturas. Ultimamente, uma terrível seca atingiu a região e as térmitas, normalmente preciosos aliados dos Mofu, saíram dos campos e invadiram as cabanas e celeiros. Para se defenderem, os Mofu não têm outra opção senão apelar para Jaglavak, uma feroz formiga combatente com corpo de dragão, protegido por uma carapaça e armado com pinças temíveis que cortam e despedaçam tudo. O mais interessante no filme é essa associação que discretamente se vai estabelecendo entre a organização da vida comunitária de homens e insectos, numa perfeita harmonia e sincretismo.
Na categoria “vídeo não profissional”, o Júri Internacional salientou uma obra de escola (Escola de Belas Artes de Genebra), "Não Há Terra para os Pinguins" (No Pinguin's Land), de Barelli Marcel, (Suíça, 2008), uma divertida mescla de animação e imagem real. Vitimas do aquecimento global que “secou” as neves dos pólos os pinguins emigram para terras que o turismo mostra como potenciais cenários de apetecíveis neves, os Alpes suíços. Mas a realidade é desconsoladora. Humor e imaginação, num filme muito engraçado.
O Júri Internacional atribuiu ainda Menções Honrosas a dois outros títulos: "Os Profetas do Clima" (Die Wetterpropheten) de Christoph Felder (Alemanha, 2007), e "Correntes – Por Amor à Água" (Flow, for Love of Water) de Irena Salina (EUA, 2008), ambos particularmente interessantes, o primeiro como recolha de testemunhos de alguns chamados “profetas do tempo” que vivem nas montanhas da Suiça e prevêem o tempo através da observação directa de pequenos indícios deixados por animais e plantas. O filme é ainda um trabalho notável de antropologia ambiental, e um rigoroso exercício cinematográfico.
Quanto a "Correntes – Por Amor à Água", trata-se de um perturbante inquérito a uma realidade cada vez mais dramática: as fontes dos nossos recursos estão a desaparecer de forma trágica, sendo a avareza a principal causa desta delapidação sem controlo.
Para o Júri da Lusofonia houve ainda três Menções Honrosas, todas portuguesas: "A Luz dos Meus Dias", de Anabela Saint-Maurice (Portugal, 2008), retrato intimista e pudico de uma jovem de Santo Aleijo, Alentejo, a Ana Zé, que pesa 150 quilos, e venceu a timidez integrando um grupo de cantares alentejanos. Com o seu enorme físico, Ana Zé é uma pessoa “diferente” numa aldeia do sul de Portugal, marcada pela saudade de um tempo já extinto e pela desconfiança em relação ao futuro. Numa terra essencialmente machista, a mulher marca território e mostra-se afinal muito mais decisiva do que pode parecer inicialmente. Partindo de Ana Zé é uma panorâmica mais vasta a que Anabela Saint-Maurice nos oferece.
"dot.com", de Luís Galvão Teles (Portugal, 2007), é uma comédia de cenário ambientalista, que procura, de certa forma, recuperar a tradição do popular humor português dos anos 30 e 40. Numa aldeia do Norte de Portugal, Santa Lúcia, Pedro, um jovem engenheiro de 27 anos, ali desterrado para construir uma estrada, cujo projecto é cancelado, vê-se envolvido numa estranha engrenagem, ao receber uma carta de uma multinacional, intimando-o a fechar o website da aldeia, por infracção à legislação de copyright, sob a ameaça de um pedido de indemnização de 500.00 euros. Mas o website foi criado em nome da Associação da Aldeia e só esta o pode fechar, o que não corresponde á vontade dos seus associados. “Se a multinacional quer o site, que o compre!”, eis a conclusão que vai movimentar os habotantes da aladeia e a comunicação social. Divertido e instrutivo.
"A Grande Aventura", de Francisco Manso (Portugal, 2008), é mais um trabalho do autor na linha de outros que tiveram como centro os bacalhoeiros. A pesca do bacalhau é cada vez mais, nos dias de hoje, para os portugueses, uma referência cultural e memorial, tema forte de um certo imaginário português. Francisco Manso vai até á Gronelândia em busca de testemunhos e lembrança de um tempo passado. Um bom trabalho de recolha e inspiração.
O Júri da Juventude atribuiu ainda o Prémio "Terra" a "Terras Feridas, Vidas de Dor" (Scarred Lands and Wounded Lives: The Envirommental Impact of War), de Alice T. Day e Lincoln H. Day (EUA, 2007), “pela sensibilização emergente da capacidade auto-destrutiva da natureza humana”. O filme é uma inquietante jornada por algumas das guerra em que ultimamente os norte-americanos se têm envolvido, desde o Vietname até ao Afeganistão ou o Iraque, mostrando a profunda dependência da vida natural e as importantes ameaças a que essa vida está sujeita devido a estas guerras e à sua preparação. Um documento impressionante que vale a pena ponderar devidamente.
O Júri da Juventude concedeu igualmente uma Menção Honrosa a "The Women at Clayoquot"- "As Mulheres de Clayoquot" (Canadá, 2008) de Shelley Wine, magnifica reconstituição da luta das mulheres canadianas, nos anos 60, contra o abate da floresta tropical, naquela que ficou conhecida como a maior acção de desobediência civil na história do Canadá. Sem cair na deslocada toada feminista, o filme afirma-se sobretudo como história de um movimento cívico que teve repercussões até aos nossos dias.
Finalmente, o Júri das Extensões, ainda concedeu uma Menção Honrosa a "O Fantasma”, de um colectivo de jovens dirigidos por Abi Feijó (Portugal, 2007), uma animação em plasticina que relata a história de um rio do Porto que se encontra entubado e em muito mau estado de conservação.