terça-feira, setembro 10, 2013
ANTÓNIO COSTA
segunda-feira, abril 18, 2011
POLÍTICA
segunda-feira, outubro 12, 2009
O QUE AS AUTÁRQUICAS DISSERAM, II

Fechado o ciclo eleitoral de 2009, há algumas conclusões a extrair muito curiosas:
- Uma derrota estrondosa do PSD nacional, encabeçado por Manuela Ferreira Leite, que agora, nas autárquicas, foi amplamente confirmada. Alguns dos autarcas do PSD eleitos com maiorias expressivas não podiam ser mais cáusticos em relação a MFL (veja-se, a título de exemplo, Luís Filipe Meneses, em Gaia, e Moita Flores, em Santarém, chegando este último a dizer publicamente que não votaria em MFL nas legislativas). Depois, a (escassa) vitória do PSD em número de Câmaras ganhas não pode, nem de perto nem de longe, ser atribuído à direcção nacional, mas sim ao carisma e ao bom trabalho de muitos autarcas (Sintra, Cascais, Faro, Famalicão, etc. seriam autarquias ganhas obviamente pelos candidatos laranjas, com ou sem ajuda de MFL, e a do Porto foi ganha por Riu Rio, “apesar” de MFL).
- Uma derrota esmagadora do Bloco de Esquerda que demonstrou na prática que não vale nas autarquias (isto é, no “campo”, no trabalho prático) um terço do que pareceu valer a nível nacional, nas europeias e legislativas. Uma coisa é o blá, blá contestatário, onde vale tudo para arregimentar descontentes, que vende bem e engana ingénuos e papalvos a nível de Parlamento (“deixem lá chegar ao Parlamento estes gajos refilões, para animar a malta!”, terão pensado alguns, enquanto outros, fervendo de raiva, iam votar nos que “mais mal” diziam do governo), mas já não vende a nível autárquico, pois sabe-se bem quem trabalha e é competente e não vive só de bazófia.
- A CDU no poder local mantém a influência que lhe advém de algumas boas experiências. Não é um partido que incha e desincha ao sabor do vento, tem obra feita que o ilustra, e viu-se o resultado: ganhou e perdeu, mas manteve uma impressionante estabilidade.
- Uma vitória saborosa do PS e aliados em Lisboa, mostrando que “quem une ganha, quem desune perde”, como foi dito, e bem, por António Costa. Refira-se que Pedro Santana Lopes não se finou ainda desta vez, aguentou-se bem, e vai “continuar a andar por aí”, como vereador ou não. Aposto que como vereador (porque tem visibilidade), mas sem terminar o mandato (porque é assim mesmo). A ver vamos.
- Sublinhe-se a vitória de Rui Rio no Porto, um homem que enfrentou vários “núcleos duros” de interesses criados no concelho, nomeadamente ao nível do futebol, e que conseguiu trazer alguma transparência à administração autárquica. Os portuenses reconhecerem o esforço e a coragem, e alguns portistas de certeza que também o fizeram.
(Pessoalmente congratulo-me ainda com as claras vitórias de Armindo Costa, em Famalicão, de Norberto Patinho, em Portel, e de Carlos Filipe Camelo, em Seia. Do que sei, pelos contactos pessoais e profissionais mantidos com todos eles, bem merecem os resultados.)
quarta-feira, setembro 30, 2009
UMA COMUNICAÇÃO AO PAÍS

Qual a razão para esta declaração opaca na data em que foi feita?
Antes de ouvir os partidos, antes de indigitar o novo Primeiro-Ministro?
E se o Senhor Presidente da República achar que não tem confiança política no previsível novo Primeiro-Ministro e não o empossar, passando a bola à Dr.ª Manuela Ferreira Leite, apadrinhada pelo Dr. Paulo Portas?
Acham impossível, e que isso seria um golpe de Estado?
Pois se calhar seria, ou se calhar será.
Esperemos a sinopse nos novos capítulos, e desejamos ardentemente não regressar a um Verão Quente, memo que seja no Outono.
O povo na rua é bom a festejar acontecimentos que o mereçam, não a guerrear-se por infantilidades de políticos medíocres.
domingo, setembro 20, 2009
É A CULTURA, ESTÚPIDOS!
No São Luiz havia uns debates a que chamaram, que me lembre, “É a Cultura, Estúpido!”
Agora é mais “É a Cultura, Estúpidos!”
quinta-feira, setembro 17, 2009
quarta-feira, setembro 16, 2009
terça-feira, setembro 15, 2009
MANUELA FERREIRA LEITE "ASFIXIA"
Há dias andou pela Madeira, de João Jardim, e congratulou-se pela democracia plena que por lá se vive. Na Madeira, segundo MFL, não há “asfixia democrática” (a tal que, como todos sabem, existe no continente em doses maciças) e se por acaso existe algo semelhante está legitimado pelo sufrágio universal de que saiu vencedor por diversas vezes o seu Presidente do Governo Regional. Portanto, toda a actividade política de Hitler, que ganhou eleições, está igualmente legitimada, e o Governo de Manuela Ferreira Leite sê-lo-á igualmente se, por vontade dos portugueses, sair triunfadora das próximas eleições. Poderá então por em prática aquela teoria dos “seis meses sem democracia para endireitar o País” (e depois logo se verá se são ou não precisos mais alguns meses, ou anos, ou décadas, o Prof. Salazar também começou assim):
Há já sintomas alarmantes: Manuela Ferreira Leite julga que vai ser a escolhida e assegura, desde logo, apontando para Sócrates: “Daqui a dez anos o senhor já não estará cá…” Enfim, Sócrates pode ter cometido alguns erros, mas uma medida tão drástica não me parece de saudar. Assim como não julgo de bom tom acusar o Primeiro-ministro de ser como aqueles “que matam o pai e a mãe para se puderem dizer órfãos”. O ataque à família de Socrates tem sido constante e sistemático, mas, que Diabo!, fiquem-se pelos tios e primos.
Mas MFL teve também momentos de irrepreensível clarividência e, neste aspecto, o ataque aos espanhóis foi brilhante, algo que não se via por estas bandas desde o celebrado Santo Nuno Álvares Pereira. É preciso, de quinhentos em quinhentos anos, alguém que os tenha no sítio (e não será seguramente Carlos Queiroz nem a nossa frágil selecção nacional de futebol). Miguel de Vasconcelos que se cuide, por que vem aí uma nova defenestração. Desta feita alguém sai pela janela do banco Banestro. Ai sai, sai.
Esperemos que não nos caia ao colo como Primeira-ministra.
segunda-feira, agosto 31, 2009
AINDA AS "ESCUTAS", II
domingo, agosto 30, 2009
AINDA AS "ESCUTAS"
Não tinha percebido ao que viera aquela insinuação proveniente de fonte anónima do Palácio de Belém que afirmava que alguém do Governo andava a escutar os telefonemas dos assessores do Senhor Presidente da República. Mas a coisa tornou-se agora límpida aos meus olhos e aos de quem queira ver.
Há dias, a Senhora Drª Manuela Ferreira Leite tinha afirmado numa entrevista à RTP que não lhe interessava saber se havia ou não escutas, e de culpa de quem eram os boatos. A ela interessava-lhe sobretudo saber que existiam suspeitas e mostrar como a vida portuguesa se encontrava eivada de suspeitas destas. Bonito. Para uma candidata a Primeiro-ministro, não se pode exigir mais. Em clareza. Em hipocrisia. Em demissão total frente à calúnia, desde que sirva os seus intuitos. O que afirmou foi que não lhe interessava saber se alguém do Governo andava às escutas (e logo do Senhor Presidente da República), nem se alguém do "staff" do Presidente mentiu ao dizer que havia escutas, para criar alarmismo no País, desacreditar o Governo, logo desacreditar José Sócrates e o PS, logo beneficiar o PSD, logo beneficiar Manuela Ferreira Leite. À referida Senhora não lhe interessa averiguar a verdade, se existir no País esse clima de suspeição, que pode ser criado por boatos como este. E que servem os seus propósitos eleitorais. Ficámos elucidados.
Agora aparece o Senhor Presidente da República a afirmar que não se mete em querelas partidárias, que está acima destas questões e que os cidadãos, “no tempo em que estamos”, não “devem desviar a sua atenção dos reais problemas do País.”
Portanto, “no tempo em que estamos”, não fará comentários com conotações partidárias (que é, de certa forma, reconhecer que a questão em causa é de conotação partidária), o que é grave.
Depois considera “que está acima” destes acontecimentos, o que é confirmado por tudo e todos, dado que sempre se falou numa "fonte anónima" da Casa Civil e nunca no próprio Presidente.
Finalmente, achar que haver escutas ou não na Presidência da República não é “um dos problemas reais do País”, é deixar subentender uma de duas coisas, ambas realmente graves:
Por mim, considero esta questão muito grave e importante para que eu possa continuar a ter alguma confiança nos políticos que nos governam. Nos EUA um Presidente caiu por causa de escutas ilegais. Será que Portugal é muito mais tolerante com estas “ninharias”? Ou será que anda meio mundo a promover “o ambiente asfixiante de um País cheio de escutas” para que alguém que já se assumiu como directa herdeira desse clima possa ganhar eleições?
quinta-feira, agosto 20, 2009
AGORA SÃO AS ESCUTAS!?
CHEGA DE BANDALHEIRA! Quase a um mês das eleições, alguém do Palácio de Belém veio dizer que alguém do governo anda a escutar os telefonemas dos assessores do Presidente da República.
Ao contrário do BE e do PCP que não deram especial importância a estas “tontices”, eu, e julgo que a maioria dos cidadãos portugueses, dou muita importância a este facto. De há uns tempos para cá parece que vivemos numa república das bananas, com casos sobre casos, anónimos sobre anónimos, insinuações sobre insinuações, e nada se sabe, fica tudo como está. É altura de dizer basta a esta bandalheira que nos submerge.
Vou votar daqui a um mês e quero saber quem roubou, e se roubaram no Freeport, ou se procuraram apenas linchar o Primeiro-ministro e o governo. Vou votar e quero saber antes se o governo ou alguém do governo anda a escutar Belém, ou se Belém inventa escutas para queimar o governo e beneficiar os seus camaradas partidários.
Eu, e julgo que alguns milhões de portugueses, quero saber quem são efectivamente os senhores que detêm o poder e em quem podemos confiar.
Era bom acabar com as insinuações, era excelente pôr fim a esta onda de calúnias sem rosto de cobardes sem provas ou sem a coragem de as apresentar. Estou farto deste País cada vez mais doente e sem dignidade.
Não estou a brincar: estou mesmo farto desta bandalheira.
Isto não é atmosfera saudável para viver.
quinta-feira, junho 11, 2009
ELEIÇÕES EUROPEIAS
Claro que ninguém ganhou nada. Os descontentes do PS engrossaram as fileiras da abstenção, do PSD, do BE, do PCP, e mesmo de algum CDS-PP. E ainda sobraram alguns votos para os partidos mais pequenos. Basta fazer contas, para se perceber isto. Será muito mais estimulante perceber porque se deu esta hecatombe no seio do PS, ainda que as causas estejam à vista: desgaste político junto de sectores que votam PS normalmente (professores, juristas, classe médica, funcionários públicos, etc.), desgaste moral com “casos de polícia” não resolvidos (Freeport, por exemplo), crise económica internacional, imagem de certa arrogância do governo e má imagem de alguns ministros, péssima escolha do cabeça de lista para as Europeias, e etc. Com tantos contras, apetece perguntar como o PS conseguiu ainda segurar 26, 6 % do seu eleitorado. Certamente à custa de gajos como eu que votaram PS na impossibilidade de votar outra lista, e porque, apesar de tudo, se identificam com uma proposta ideológica programática, não acreditam em tudo quanto se disse sobre o Freeport (e esperam pacientemente pelos resultados das investigações), e encontram virtudes em muitas das tomadas de posição deste governo (em muitas, não em todas!).
Mas os resultados das eleições europeias, que sei não se poderem extrapolar para outras eleições que se avizinham, permitem outras leituras interessantes. O eleitorado descontente, por exemplo, dispersou-se à esquerda e à direita, indistintamente. O que mostra bem como não houve uma deriva ideológica, mas sim um voto de protesto generalizado. O que tem uma outra leitura. Vendo e olhando as campanhas dos partidos da direita e da esquerda do PS, não se descobriam diferenças acentuadas. Havia apenas uma intenção declarada – bater no PS, deitar abaixo a maioria absoluta.
Parecia a União Nacional do reviralho. Se os resultados se mantiverem para as legislativas, não será de estranhar uma coligação PSD-CDS, nem uma PSD-BE, ou mesmo PSD-PC (o que aliás se verifica já, subtilmente, nalgumas autarquias!).
Mas há sinais muito preocupantes para o futuro, depois de 7 de Junho de 2009. A nível nacional, um país ingovernável, numa altura de crise nacional e internacional que não vai abrandar tão cedo, e sem dirigentes políticos confiáveis (competentes e carismáticos) no horizonte. Finalmente, num plano europeu, os resultados destas eleições são ainda mais ameaçadores, com a subida galopante da extrema-direita anti-democrática. Obviamente que também aqui funcionou o voto de desagrado para com a crise. Mas a leitura dos eleitores é paradoxal: a crise internacional é indiscutivelmente uma crise moral de uma certa ideia de capitalismo selvagem que se vem impondo desde a ascensão dos yuppies na década de 80. Foi o neo-capitalismo desregrado que nos conduziu a esta renda de bilros bancária e financeira. Foi a avidez do lucro fácil que impôs esta histeria bolsista com bolhas a explodir por todo o lado. Curiosamente, alguns eleitores (milhares de eleitores pela Europa fora), para castigarem os prevaricadores, votam na direita ditatorial.
Algo não anda bem por estes lados, decididamente.
sábado, maio 02, 2009
1 DE MAIO OU 1 DE ABRIL?

Mas vergonha é ainda ver a mentira em todo o lado, este regabofe de injúrias, de intolerâncias, este fazer “política” sem olhar a meios, esta monstruosa união de direita e extrema esquerda a copiarem-se uns aos outros, a dizerem a mesma coisa, a esbaterem quaisquer diferenças, a camarada Manuela Ferreira Leite e o camarada Jerónimo de Sousa a alinharem pela mesma fraseologia, tudo contra o mesmo.
Estou a ler um livro brilhante de um especialista, John Kenneth Galbraith, “Crash 1929”, diz ele: “…não foi porque os homens sensatos tivessem percebido que se avizinhava uma depressão. Ninguém, sensato ou não, sabia ou sabe actualmente quando é que se aproximam ou não as depressões.” Mas aqui em Portugal todos tentam deitar a baixo José Sócrates porque não soube prever a tempo a crise internacional. O governo de José Sócrates poderá ter muitos defeitos (alguns terá certamente e não serei eu a ocultá-los ou defendê-los) mas esse não tem certamente. Insistir nisso, numa vertigem eleitoralista sem paralelo, é absolutamente injusto e contraproducente.
O que estes senhores todos demonstram é que o País não tem neste momento nenhum dirigente partidário com credibilidade e com fôlego para se opor a Sócrates. Nunca estivemos tão pobres de massa cinzenta na política visível deste País. Os políticos com alguma estatura afastaram-se, em todos os partidos, da “causa pública”. O que resta é este lamaçal comatoso que causa inquietação profunda. Basta recordar o que aconteceu à Europa depois da crise dos anos 30. Hitler, Mussolini, Franco, e outros tantos. Alguém estudou um pouco da I República portuguesa e da bandalheira que sentou Salazar em São Bento?
Alguém tem a sensatez de acabar com a manipulação fácil e a demagogia barata e chamar à razão o cidadão comum? Perdido no desemprego, na falta de qualquer segurança imediata ou a médio prazo, encurralado na visão deste discurso de um populismo imediatista, a que aspira o cidadão comum? A alguém que ponha os charlatães em sentido e imponha a ordem no sistema. É isso que pretendem?
Meus senhores, tenham juízo na cabeça e comecem a falar verdade ao País. Pelo menos deixem de nos mentir a todos. E nem todos somos tolos. Só alguns. Mas esses alguns podem colocar-nos a todos numa casa de loucos. ~
sexta-feira, fevereiro 06, 2009
SONDAGENS: SE AS ELEIÇÕES FOSSEM AGORA


Mas há mais a considerar. Sócrates desce um pouco na popularidade, mas é, ainda assim, e sem rival perto, o mais popular (saldo positivo de 20, 6%; desce 3, 2), e Manuela Ferreira Leite desce para os -10, 5. Um dos piores resultados de sempre do PSD. Francisco Louça mantém um saldo positivo de 4,3%, Paulo Portas fica-se pelos 3,1%, positivos, Jerónimo de Sousa tem um saldo negativo de 5,8%.
(Veja tudo no Expresso de 8.2.2009)
Veja mais dados sobre esta e outra sondagem no blogue Da Literatura.
segunda-feira, novembro 10, 2008
MANIFESTAÇÕES
Calculo que os sindicatos e os partidos na oposição não querem por nada desta vida o diálogo, sobretudo em vésperas de eleições (vejam-se os discursos, os slogans, as professoras com os óculos pintados a dizerem “não voto PS!”). Mas será que há 120.000 professores míopes ou andam todos com os óculos pintados? Será que gostam de ser manipulados como marionetas desta forma tão escandalosamente óbvia?
Há muita coisa que não concordo com a actuação deste governo, há muita coisa em que compreendo e apoio os protestos dos professores. Há, sobretudo, uma classe que até agora tenho respeitado acima de todas: os professores. Os (bons) professores não recebem quanto deviam, os (bons) professores dão aulas, preparam-nas, fazem e corrigem testes, trabalham nas secretarias e reúnem (muito reúnem os professores, minha nossa!), e enfrentam uma profissão de risco. De risco cada vez maior, se não se impuser alguma disciplina e ordem nas escolas. Se não se acabar com essa ideia peregrina, herdado do pós 25 de Abril, de que “estudar é divertido”, estudar “é um jogo”, “os meninos brincam e passam o ano” (quando estudar é trabalhar no duro, e aprender que se tem de trabalhar na vida!). Ser professor é também optar por uma carreira (que se julga fácil, e é fácil para os medíocres e os pouco exigentes!) quando não se tem jeito para mais nada (e para ser professor também não!).
Depois da escola da reguada, castradora, puritana e dogmática do salazarismo, tivemos a escola à balda, tudo ao molho e fé na Revolução (qualquer que ela seja, desde que dê para a balda), a escola do panfleto, da passagem administrativa, das reuniões gerais, parciais, grupais, das reuniões de dois ou de cem, das manifs por dá cá aquela palha. Compreensivo até certo ponto esta viragem de 180 graus, mas, que diabo!, somos adultos e vacinados, dá para perceber que não se pode caminhar mais nesse sentido, senão o abismo é irremediável. O ensino em Portugal estava (e ainda está) uma miséria. Os alunos não sabem escrever, não sabem ler, não sabem pensar. Chegam à Universidade (os que chegam, a grande maioria dos que vou apanhando nas minhas aulas) com gravíssimas lacunas. Os (bons) professores devem ser os primeiros a exigir um melhor e mais exigente ensino. Devem procurar valorizar os (bons) professores e obrigar os maus e os medíocres a melhorarem ou a então a escolherem outras profissões (por exemplo: banqueiro. Ganha-se muito bem, não se faz muito, e se nos enganarmos, e se trapacearmos o necessário para se fazer fortuna, somos nacionalizados e acabam por pagar todos pelos nossos erros e falcatruas!). Mas o corporativismo nas escolas é aberrante. Por um lado existem as invejas e as promiscuidades que são o pão nosso de cada dia, as sacanices entre colegas são o que mais se apregoa, mas também a corrupção na divisão das regalias, o assédio na promoção, e sobretudo o compadrio e a “defesa da classe”, quando se sentem ameaçadas nalguns privilégios.
Mas, sobretudo, quando os professores se misturam com os políticos, ficam muito mal na fotografia. Porque os políticos sabem-na toda, começaram a ler todos pela mesma cartilha, e os professores deixam-se levar naquilo que (se calhar) têm de mais puro: uma certa ingenuidade. Quero acreditar que assim seja. Mas já só é ingénuo quem quer, quando se vê a Senhora Dr.ª Manuela Ferreira Leite, ilustríssima e adoradíssima ex-Ministra da Educação deste País, colocar-se ao lado dos sindicatos na véspera de uma manif e todos juntos saírem à rua, com “a revolta” da boca. Quem não se lembra das manifestações, à beira do seu Ministério, certamente de apoio á sua política, semana sim, semana não, promovidas pelos mesmo sindicatos com que agora sai à rua de braço dado? (falo em sentido figurado, obviamente. A Senhora ex-Ministra manda sair, não se mistura com a gentalha). Alguém não tem vergonha nenhuma, e não sou eu de certeza.
domingo, maio 27, 2007
LISBOA A SÉRIO? SÓ AGORA?
Apareceram por Lisboa, cartazes do PSD com foto do candidato Fernando Negrão, com o slogan: "LISBOA A SÉRIO".
Quer isto dizer, como parece (e já calculavamos), que "LISBOA FOI A BRINCAR ATÉ AGORA PARA O PSD" ? Ou trata-se apenas de uma frase infeliz?
Ou já estão a tentar queimar o candidato dentro do próprio PSD?
Veja-se notícia do "Portugal Diário":
«Fiquei espantado quando vi o outdoor da campanha de Fernando Negrão, porque tem exactamente o mesmo slogan: Lisboa a sério», disse à agência Lusa o dirigente socialista e do Sporting Clube de Portugal.
Segundo Menezes Rodrigues, «poderemos estar perante um caso de violação dos direitos de autor», mas também perante «uma dupla infelicidade da parte do PSD».
«Além da questão do plágio, o PSD também devia tomar nota que, no Seixal, em 2005, não ganhei as eleições autárquicas e a CDU teve maioria absoluta. Se calhar Fernando Negrão e o PSD em Lisboa vão agora pelo mesmo caminho», disse o dirigente sportinguista."
quinta-feira, maio 17, 2007
BLOGUES DEFENDEM LIBERDADE

Iranianas apostam no 'bloguistão'
para resistir ao regime islâmico
Críticas ao regime ou desabafos sobre a vida sexual, tudo é possível no "bloguistão", a palavra que os iranianos usam para designar a blogosfera. Actualmente existem mais de 700 mil blogues em farsi - língua oficial do Irão - metade dos quais escritos por mulheres. "É uma forma de as iranianas dizerem 'resistimos e vamos continuar a mobilizar-nos' apesar das detenções e pressões", disse ao Le Figaro a socióloga iraniana Masserat Amir Ebrahimi.
Especialmente apreciado pelas defensoras dos direitos humanos, o "bloguistão" revela-se uma boa forma de fugir à censura: quando esta encerra um site, basta ao seu autor abrir um novo noutro endereço. Mas a liberdade dos cibernautas revela-se por vezes tão virtual como a realidade em que se movem.
Num artigo sobre a importância da blogosfera para as iranianas, o diário espanhol El Mundo revelava há dias que, em Março, quatro feministas foram condenadas por terem defendido nos seus sites a melhoria da condição da mulher no Irão. Responsáveis pela campanha "um milhão de assinaturas para a alteração das leis que discriminam as mulheres", as quatro foram acusadas de atentado à segurança nacional. E podem ser condenadas a penas de seis meses a dois anos e meio de prisão.
Tendo gozado de uma liberdade pouco comum num país muçulmano durante o regime do xá Reza Pahlevi - que nomeou várias ministras, juízas e autorizou as mulheres a usarem roupas ocidentais -, as iranianas viram o seu estatuto mudar com a Revolução Islâmica de 1979 e a chegada ao poder do ayatollah Khomeini. Hoje, podem ser apedrejadas por cometer adultério, a custódia dos filhos é automaticamente entregue ao homem em caso de divórcio e apenas têm direito a herdar metade daquilo que os homens herdam. Mesmo assim, as iranianas têm melhor acesso à educação do que outras muçulmanas e são jornalistas, médicas ou advogadas - situação impensável, por exemplo, na Arábia Saudita.
Igualdade
Se aos olhos da charia (lei islâmica) a vida de uma mulher vale metade da de um homem, na blogosfera as cibernautas sentem-se iguais aos colegas do sexo masculino. É verdade que têm de usar pseudónimos - Dona Sol, A Ameixa, A Esposa, por exemplo -, mas, quer sejam mães de família ou estudantes, estas iranianas têm online a oportunidade de se exprimirem livremente, que o regime lhes nega. "O movimento feminista não é homogéneo. Há laicas, islamitas e mulheres de vários extractos sociais. Mas todas estão unidas para conseguir a igualdade de direitos", explicou ao El Mundo María Jesús Merinero, professora na Universidade da Extremadura e autora do ensaio Resistencia creadora en Irán.
Para além das críticas de cariz político, os diários virtuais são o único local onde as iranianas podem falar de assuntos tabus como o sexo. E algumas delas não escondem mesmo nada. "Dormir com um homem qualquer? Não é um problema", confia uma cibernauta que recorre a um pseudónimo. O seu blogue é, segundo Le Figaro, inteiramente dedicado aos seus encontros amorosos, desmistificando a questão da perda da virgindade antes do casamento.
Já este ano, o Governo de Teerão ordenou o encerramento de todos os sites cujos autores não estejam identificados. Mas muitas bloguistas continuam a resistir e garantem: "A censura torna-nos mais criativas".




