Em Goiás, de 8 a 13 de Junho, XI Festival Internacional de Cinema Ambiental. O Cine Eco voltará a estar representado neste certame que é o mais importante da América Latina e com que mantém laços de profunda amizade e geminação. Daremos notícias da belíssima cidade, património da Humanidade, do festival, dos filmes, e... do Brasil. sábado, junho 05, 2010
RUMO AO FICA
Em Goiás, de 8 a 13 de Junho, XI Festival Internacional de Cinema Ambiental. O Cine Eco voltará a estar representado neste certame que é o mais importante da América Latina e com que mantém laços de profunda amizade e geminação. Daremos notícias da belíssima cidade, património da Humanidade, do festival, dos filmes, e... do Brasil. sexta-feira, junho 04, 2010
CINE ECO EM LISBOA

UMA BOA PROFESSORA, APROVEITADA
Só agora se percebe completamente a justificação de todos quantos defenderam a professora de Mirandela, por ter sido afastada das crianças a quem leccionava música, ao que consta. Na verdade, pode ler-se agora na “Flash” que Bruna Real é uma excelente professora dos tempos modernos. Depois de ter ganho 700 euros a despir-se para a edição portuguesa da revista “Playboy”, agora dá entrevista para a comunicação social a 2.000 euros cada (com foto, 2.500), e tem presença assegurada nalgumas discotecas do País, pelo Verão fora, desde que receba “perto de 5.000 euros”, por presença e por noite. Desconheço se inclui nu integral (a revista não informa).
Numa altura em que os miúdos portugueses precisam tanto de quem os ajude a arranjar emprego e a desenrascarem-se na vida profissionais, os conhecimentos e expedientes da professora (a recibos verdes) Bruna Real valiam certamente uma fortuna. Não se compreende, portanto, como se desaproveitam em Portugal os talentos “reais”.
Tantos a defenderem tanta “liberdade” para afinal se chegar a isto. Que tal um pouco mais de tacto quando se abordam certos temas? Afinal é só preciso esperar para caírem de maduras certas frutas.
quarta-feira, junho 02, 2010
segunda-feira, maio 31, 2010
RECORDAÇÕES
Amor de mãe...
Amor de uma outra tia, a Migá
Encadeado pela beleza da mãe, em Aveiro, terra de meu pai
E não fiquem preocupadas/os com o meu estado de saúde, pois rapidamente parti para o emprego. O meu pai que se cuidasse!.. Quem é o anjo?
MAIS UM ADEUS


quarta-feira, maio 26, 2010
CINEMA: UM FUNERAL À CHUVA
UM FUNERAL À CHUVA
Surgiu no cinema português um meteoro a que vale a pena dedicar atenção. Trata-se de um filme de todo em todo invulgar. Quem iria imaginar ver surgir a produção de uma longa-metragem de ficção numa cidade como a Covilhã? A interioridade não costuma dar destas coisas, ainda que a Selecção Nacional lá esteja a estagiar com vista ao Mundial da África do Sul. Mas “Um Funeral à Chuva” é decididamente outra coisa. É claro que o facto de existir na Universidade da Covilhã, de há uns anos a esta parte, um curso de cinema deve ajudar a compreender o fenómeno, tanto mais que o realizador, Telmo Martins, é um ex-aluno dessa Universidade da Beira Interior. Mas, mesmo assim, o aparecimento deste filme é um fenómeno novo. Acrescente-se que surge igualmente à margem de todos os subsídios oficiais e resulta da conjugação de esforços individuais e de boas vontades. É uma produção de pequeno orçamento, mas consegue ultrapassar esses riscos pela honestidade e sinceridade de propósitos.
Estamos já fartos de filmes, ditos “comerciais”, que não passam de operações financeiras montadas à custa do cidadão e dos seus impostos e que se destinam apenas “realizar capital”. De modo fácil. Estilo casa de passe. Normalmente nem isso conseguem e nunca ultrapassam a vergonhosa situação de um oportunismo indigente, explorando sexo e violência, actores conhecidos e vedetas de televisão ou outras que aceitam despir-se ou voltearem para a multidão.
“Um Funeral à Chuva” quer ser um filme de apetência popular, quer ser visto, mas não abdica nem da dignidade, nem da honestidade, nem da sinceridade. É feito por jovens que querem falar das suas vidas, dos seus problemas, das suas dúvidas, das hesitações, das alegrias e das tristezas, das frustrações e dos sonhos não realizados, das reuniões pela noite dentro, dos copos e dos fuminhos que instilam uma boa disposição artificial e passageira que, todavia, lhes permite encarar o futuro com alguma certeza, ou sem certeza nenhuma, é mais o caso, mas com alegria de viver. È tudo muito complexo, já se sabe, os caminhos nem sempre serão os mais correctos, nem tudo se faz como aconselha o senso comum, mas é assim na vida e também no cinema.
“Um Funeral à Chuva” não é um filme perfeito, longe disso, tem asperezas e fragilidades, mas é uma obra a que vale a pena dedicar tempo e atenção. Funciona um pouco como um “Amigos de Alex” à portuguesa e 50 anos depois. A estrutura assemelha-se, mas as conclusões são diferentes. Sete amigos reúnem-se na Covilhã para enterrar um antigo colega de universidade que morreu precocemente. Alguns deles não se viam há dez anos. A reunião serve para relembrar o amigo, para relançar os afectos, para estreitar os laços entre a comunidade. Serve também para, perante a morte, assumir a vida e a sua verdade. Aceitando frustrações e recusando mentiras. O filme começa por apresentar as personagens, um escritor de viagens, uma cara da televisão, daquelas que ocupa as madrugadas a entreter os espectadores com aldrabices de concursos infindáveis, dois empregados de um videoclube, uma engenheira, um músico, um professor universitário. As apresentações são sincopadas, deliberadamente desligadas, seguem-se os percursos até à Covilhã, a noitada de convívio, um velório pouco ortodoxo (que julgo muito extenso e repetitivo, com cada um dos amigos a falar em privado com o morto, tornado quase totalmente redundante este episódio) e finalmente o enterro numa das faldas da serra.
Todo o filme assenta nas capacidades técnicas dos artífices (realização escorreita, boa fotografia, de Pedro Azevedo, densa e impressiva, boa montagem, som não muito brilhante, pelo menos na noite da ante-estreia, muito estridente e gritado) mas, sobretudo, na representação. E o elenco é bom, na sua globalidade, mesmo muito bom nalguns casos. Alexandre Silva, Pedro Gorgia, Luís Dias, Sandra Santos são boas apostas, mas também Hugo Tavares, Pedro Diogo, João Ventura, Sílvia Almeida, e as consagradas Adelaide João e Célia Silva.
De Telmo Martins, o realizador e antigo estudante da UBI, nada conhecíamos, apesar de algumas curtas-metragens suas anteriores terem sido bem recebidas nalguns festivais, nomeadamente “Crosswalk”, que sobressaiu no concurso mundial do portal canadiano “iStockphoto” e premiada igualmente no Festival de Tróia, em 2007. Esta é uma produção da Lobby Productions, sediada na Covilhã, que merece incondicionalmente a atenção do espectador português. Este é um retrato de uma boa parte da juventude portuguesa neste início do século XXI, retrato que será de todo o interesse questionar, discutir, polemizar, mas não ignorar. No mínimo, é uma lufada de ar fresco na panorama cinematográfico nacional que, a calcular pelas reacções da sala cheia do São Jorge, na noite da ante-estreia, pode vir a ser um caso muito sério de adesão de público. Assim tenha tempo para o “passa palavra”, depois do dia da estreia.
segunda-feira, maio 24, 2010
REFLEXÃO A TEMPO (?), POR CAUSA DOS TEMPOS

Os bancos e os operadores financeiros que criaram a maior crise económica e política dos últimos oitenta anos, depois de um susto passageiro, aí estão, regressados “a mandar vir” e a impor regras e alguns mesmo a falar em moral (para os outros). Eles que deviam nalguns casos estar a cumprir pesadas penas decretam afinal penas, estas económicas, para quem apenas vive do seu trabalho e do seu salário, e nunca enriqueceu com dinheiro vadio de agiotagem encoberta e de economias à maneira da “injustiçada” Dona Branca (sim, “injustiçada”, fez o mesmo e foi condenada!).
Curiosidade escandalosa: numa sociedade em que toda a gente diz o que quer, em que se insulta a qualquer hora em qualquer local, o PR, o PM e demais políticos, andam alguns em algazarra a proclamar que não há liberdade. Enfim. Do PC ao CDS todos sabem o que é não haver liberdade. Sabem até muito bem como cercear liberdades. Mas esta não lhes convém. Benza-os Deus, se é que tem liberdade para isso.
Agora aparece uma jovem, dita professora de música (nos tempos livres dos alunos do básico), a despir-se para ganhar 700 euros e cumprir o seu sonho de ser vedeta nuns minutos de glória. Que ela o tenha feito, em fotos de um erotismo saloio, admira um pouco. Que se mostre surpreendida pelas suaves consequências do seu acto, espanta mais. Que uma vasta quantidade de insensatos venha defender o acto em nome da liberdade individual, não passa pela cabeça de ninguém. Que uma grande maioria de blogues se dividam entre textos e comentários de saudosistas de uma qualquer ditadura que atacam em nome de um puritanismo pusilânime (e metem no mesmo saco gays e fotos de “Playboys”) e desregrados para quem a liberdade individual é sagrada, mesmo que ponha em causa outras liberdades, eis o que muito me espanta.
Estamos afinal numa aldeia global em que tudo é permitido, sem que quase ninguém pense um pouco antes de actuar? Ou então com muita gente a pensar muito bem como há-de agir tendo em vista apenas os seus proveitos.
Gostava de estar enganado, mas este clima não prenuncia nada de bom. Mais ano, menos ano, com CE ou sem CE, hão-de aparecer por aí uns “salvadores da Pátria”. Para quem nunca conheceu o que isso era, vai ser uma surpresa. Mas vai custar-lhes cara a descoberta.
terça-feira, maio 18, 2010
terça-feira, maio 11, 2010
domingo, maio 09, 2010
CINEMA: AS ERVAS DANINHAS

“Ervas Daninhas” em português pressupõe quase unicamente um significado pejorativo que tanto “Herbes Folles” (em francês) ou “Wild Grass” (em inglês) não comportam. Tanto em francês, no original do filme, como na sua tradução inglesa, as palavras “folle” e “wild” arrastam-nos para outros territórios mais de acordo com a intenção desta belíssima obra de Alain Resnais, que, aos 87 anos, ostenta uma clarividência de olhar, uma modernidade de escrita, uma vivacidade de espírito, uma alegria de viver e um humor contagiantes.
O filme parte de um romance de Christian Gailly, “L’Incident”, que foi saudado entusiasticamente aquando da sua saída em França. Um incidente, um acaso é o ponto de partida para uma história de amor no mínimo muito pouco habitual. Mas o que são histórias de amor habituais? Esta é “louca” sim, “selvagem” também, mas muito pouco daninha. Ou então as ervas daninhas têm de ser observadas sob um prisma muito diferente.
Por partes: Marguerite Muir (Sabine Azéma, mulher de Alain Resnais e uma das suas actrizes fetiches, nas últimas décadas), dentista de profissão e aviadora nos tempos livres (repare-se: tempos “livres”), vai a uma sapataria, comprar um par de sapatos. À saída roubam-lhe a mala. Georges Palet (André Dussollier, outro actor habitual em Resnais), de passado misterioso ou mesmo suspeito, ou então senhor de uma fértil imaginação, encontra a carteira, sem dinheiro mas com todos os documentos, junto ao seu carro, no parque de estacionamento de um centro comercial. Ele analisa os cartões, descobre que ela tem brevet de piloto de aviação e ele adora aviões. Mas não se encontram à primeira, nem à segunda, como este início de história pode fazer prever. Não. Ele põe a hipótese de telefonar a Marguerite, mas suspende o gesto e vai entregar a carteira no posto de polícia mais perto. É então Marguerite a telefonar-lhe para lhe agradecer o gesto, a atenção. Ele, entretanto, exige mais, quer um encontro, tomar um café, quem sabe?, iniciar uma história de amor, ou simplesmente uma relação. De sexo. Ela nega-se, obviamente, ou não tão obviamente assim. Ele insiste, telefona, escreve, aparece, espia-a, fura-lhe os pneus do carro, impõe-se obsessivamente. Ela sente-se constrangida, resiste, ignora-o, revolta-se, vai à polícia não para apresentar queixa mas para pedir ajuda, uma palavra intimidatória. Depois aproxima-se, vai espera-lo à saída de uma sala de cinema, onde se projectam “As Pontes de Toko-Ri” (The Bridges at Toko-Ri), filme de 1954. Sentam-se numa mesa de um bistrot, falam, olham-se, caminham lado a lado pelo passeio. Na noite parisiense. Ele é casado. Ela não. Encontram-se e beijam-se apaixonadamente, sofregamente, mas este é o único contacto visível. Eles são mesmo ervas loucas ou selvagens que, tal como as ervas daninhas, irrompem nos locais mais invulgares. São essas ervas, como se vê logo nas imagens iniciais do filme, que rebentam com o alcatrão das avenidas e estradas e dão cor e vida ao cinzento dos pavimentos uniformizados. São elas que estalam com as estruturas estabelecidas, com os preconceitos, com o verniz das conveniências.
Claro que andam por aqui muitas referências ao “Petit Prince”, de Saint-Exupery (Marguerite aparece com um fato que relembra a personagem, entre algumas outras alusões) e este é mais um facto a pesar na leitura final desta obra irónica e nostálgica, que mescla pessimismo e optimismo nas relações humanas, e que dá um retrato complexo e de uma singular elegância e despojamento, da condição humana, onde nada é perfeito, é certo, mas onde por vezes são as imperfeições que conferem graça e dão sentido à vida.
Profundamente literário na sua construção, com recurso frequente à voz de um narrador, ao pensamento ou aos diálogos em “voz off”, “Les Herbes Folles” é, todavia, um delicado e frágil objecto de arte cinematográfica que relembra a criatividade intensa de um autor que desde as curtas metragens do início de carreira nunca se acomodou a um modelo, mas investigou sempre nos terrenos da memória e do tempo, que nunca deixou de cruzar o tempo histórico e as paixões individuais, e que, apesar de ter surgido conjuntamente com a “nouvelle vague” nunca se identificou completamente com ela. Resnais é definitivamente de uma outra raça, dos criadores com um universo pessoal inconfundível. Ele cultiva desde há muito um jogo intenso que cruza contrários, a vanguarda e a cultura de massas, o drama dito “sério” e a loucura da “comédia de boulevard”, o musical e o puzzle de personagens e sentimentos. Do homem e da mulher, da História e da história.
Christian Gailly, descobrimo-lo na sua biografia, antes de escritor foi saxofonista. O seu romance evolui ao ritmo desses encontros e desencontros em que o jazz é fértil, nessa inspiração de momento, nesses improvisos que se estruturam e desestruturam de forma natural. Terá sido essa liberdade musical do texto literário que agradou a Resnais para dele extrair mais uma labiríntica aventura cujo significado mantém aberto para os espectadores o completarem a seu contento. Como é bonito e sugestivo um filme assim. Sofisticado e leve na aparência, denso e complexo na essência.
Uma viagem no cockpit de um aeroplano ao sabor do vento da liberdade. Como o amor. Como a vida.
Alain Resnais em rodagem:
AS ERVAS DANINHAS
Título original: Les Herbes Folles
Realização: Alain Resnais (França, Itália, 2009); Argumento: Alex Reval, Laurent Herbiet, segundo romance de Christian Gailly (L’Incident); Produção: Jean-Louis Livi, Julie Salvador; Música: Mark Snow; Fotografia (cor): Eric Gautier ; Montagem: Hervé de Luze ; Design de produção: Jacques Saulnier; Guarda-roupa: Jackie Budin; Maquilhagem: Flore Masson; Direcção de Produção: Jérémie Chevret, Guy Courtecuisse, Philippe Roux; Assistentes de realização: Matthieu Blanchard, Nathalie Depose, Christophe Jeauffroy; Departamento de arte: Pierre-Emmanuel Chatiliez, Jacky Hardouin, Yvan Hart ; Som: Nicolas Becker, Jean-Marie Blondel, Katia Boutin, Gérard Hardy; Efeitos visuais: Frederic Moreau, Sarah Moreau; Companhias de produção: F Comme Film, Studio Canal, France 2 Cinéma, BIM Distribuzione, Canal+ , TPS Star, Eurimages, Cinémage 3, Centre National de la Cinématographie (CNC), Région Ile-de-France; Intérpretes: André Dussollier (Georges Palet), Sabine Azéma (Marguerite Muir), Emmanuelle Devos (Josepha), Mathieu Amalric (Bernard de Bordeaux), Anne Consigny (Suzanne Palet), Michel Vuillermoz (Lucien d'Orange), Edouard Baer (voz do narrador), Annie Cordy (a vizinha), Sara Forestier, Nicolas Duvauchelle, Vladimir Consigny, Dominique Rozan, Jean-Noël Brouté, Elric Covarel, Valéry Schatz, Stefan Godin, Grégory Perrin, Roger Pierre, Paul Crauchet, Jean-Michel Ribes, Nathalie Kanoui, Adeline Ishiomin, Lisbeth Mornet-Arazi, Françoise Gillard, Magaly Godenaire, Rosine Cadoret, Vincent Rivard, Dorothée Blank, Antonin Minéo, Emilie Jeauffroy, Isabelle Des Courtils, Candice Charles, Patrick Mimoun, Cédéric Deruytère, Olivier Martinaud, etc. Duração: 104 minutos; Distribuição em Portugal: Atalanta Filmes; Classificação etária: M/ 12 anos (Qualidade); Estreia em Portugal: 1 de Abril de 2010.
sábado, maio 08, 2010
RUFUS WAINWRIGHT
Na segunda parte, esteve o Rufus Wainwright que todos esperavam, aquele de quem se queriam ouvir as canções já conhecidas e consagradas. Que se fizeram ouvir com o requinte e a intensidade a que este cantautor nos habituou. Nostalgia e humor, vibração e "Cigarettes and Chocolate Milk", as canções sobre sonetos de Shakespeare, ou "Beauty Mark", "Matinee Idol", "Nobody's Off The Hook", "Memphis Skyline", "Art Teacher", "Cigarettes and Chocolate Milk", "Poses", "Leaving For Paris", entre muitas outras, deliciaram o público que queria aquilo mesmo e teve o “performer” exuberante e por vezes excêntrico. Mas o “performer” contido e rigoroso do luto carregado com que abriu o espectáculo foi o sobressalto desta noite que nos faz aguardar com muita expectativa a sua estreia como autor da ópera “Prima Dona”, estreada em finais de 2009 nos EUA.
Segundo indicações do site da revista “Blitz”,
I ACTO
1. Who Are You New York
2. Sad With What I Have
3. Martha
4. Give Me What I Want and Give It To Me Now!
5. True Loves
6. Sonnet 43
7. Sonnet 20
8. Sonnet 10
9. The Dream
10. What Would I Ever Do With A Rose?
11. Les Feux d'artifice t'appellent
12. Zebulon
II ACTO
1. Beauty Mark
2. Grey Gardens
3. Nobody's Off The Hook
4. Matinee Idol
5. Memphis Skyline
6. Art Teacher
7. Leaving For Paris
8. Vibrate
9. Little Sister
10. Dinner at Eight
11. Cigarettes and Chocolate Milk
12. Poses
13. Going To A Town
14. The Walking Song
Foto do concerto de Lisboa, de Rita Carmo/Blitz
sábado, maio 01, 2010
sexta-feira, abril 30, 2010
Workshop para Professores: "Think 2010"
Vila Nova de Paiva, que não conhecia. Intercidades até Mangualde, boleia da organização do “Think 2010” até ao auditório desta vila onde pelas 17 horas tinha encontro marcado para um workshop a que a organização deu o título de “Da magia do Cinema”.
“Think 2010” foi criado como um “ciclo de workshops para professores/educadores e todos os elementos da comunidade escolar e local, que será dinamizado durante uma semana e tem como objectivo a dinamização de momentos de formação assentes numa perspectiva não-formal e informal para partilha, colaboração e transferências de ideias, conversas e "saberes" integrado num projecto de excelência e inovação na Escola Pública em Portugal.” Durante uma semana, cada dia em cinco espaços diversos, “professores/educadores e elementos da comunidade escolar local” (mas não só: havia professores idos de muitas outras regiões de Portugal, até dos Açores), tomaram contacto com vários saberes e deram satisfação a algumas dúvidas (ou criaram outras, o que também é muito saudável). Desde a culinária às artes do circo, da escrita criativa ao cinema, houve um pouco de tudo. Muito público ávido de ouvir e discutir. Tanto público que eu esperava cerca de 40 pessoas, e fui colocado num auditório com mais de 100 pessoas, o que me obrigou a repensar toda a estratégia para a apresentação. A ideia foi lançar questões sobre a educação para o cinema e o audiovisual, e igualmente sobre a educação pelo cinema e o audiovisual. Duas horas e tal de amena cavaqueira, num belíssimo complexo, auditório, anfiteatro ao ar livre, diversas salas com outros workshops, salas para exposições, e muito mais, tudo isto numa vila com 3.000 habitantes, num concelho com 6.000. Nada mau como mobilização, sobretudo porque se sentia, quer da parte da organização e como dos participantes, um louvável espírito de comunhão.
Acção de formação em período pós laboral que demonstrou que os professores portugueses estão inquietos e motivados para outras jornadas que não sejam apenas seguir as orientações de sindicalistas em luta política com o governo.
Um tempo quente, uma paisagem luxuriante de uma Primavera que oscila entre o Inverno e o Verão sem se definir, campos de vinhas bem tratadas que são do melhor “Dão”, e, depois de uma noite bem dormida numa agradável estalagem, Mira Paiva, o regresso a Lisboa, Mangualde, Intercidades, para chegar a tempo de ir ver à Culturgeste, um magnífico filme de Joana Pontes e António Barreto, “As Horas do Douro”. De novo as vinhas, agora as do Douro, mas da obra falarei amanhã, com mais vagar e a certeza de que umas horas a fermentar ajudarão a cimentar o sabor de uma boa colheita.
domingo, abril 25, 2010
ESCREVO O TEU NOME
LIBERDADE
É pela ironia que começa a liberdade
Victor Hugo
Tudo quanto aumenta a liberdade, aumenta a responsabilidade
Victor Hugo
Há muito poucas repúblicas no mundo, e mesmo assim elas devem a liberdade aos seus rochedos ou ao mar que as defende. Os homens só raramente são dignos de se governar a si mesmos
Voltaire
A verdadeira liberdade é podermos tudo por nós
Montaigne
A liberdade é o direito de fazer tudo o que as leis consentem
Montesquieu
A liberdade, esse bem que nos permite desfrutar dos outros bens
Montesquieu
A liberdade tem limites que a justiça lhes impõe
Jules Renard
Só é digno da liberdade, como da vida, aquele que se empenha em conquistá-la
Goethe
Não há sujeição tão perfeita como aquela que conserva a aparência da liberdade; dessa forma, cativa-se a própria vontade
Rousseau
Depois da liberdade desaparecer, resta um país, mas já não há pátria
Chateaubriand
Apenas é igual a outro quem prova sê-lo e apenas é digno da liberdade quem a sabe conquistar
Baudelaire
O homem que reclama a liberdade está a pensar na felicidade
Aveline , Claude Tema: Liberdade
A exigência de liberdade é uma exigência de poder
John Dewey
A liberdade é um dos dons mais preciosos que o céu deu aos homens. Nada a iguala, nem os tesouros que a terra encerra no seu seio, nem os que o mar guarda nos seus abismos. Pela liberdade, tanto quanto pela honra, pode e deve aventurar-se a nossa vida
Cervantes
Se o homem falhar em conciliar a justiça e a liberdade, então falha em tudo
Albert Camus
Sem a cultura, e a liberdade relativa que ela pressupõe, a sociedade, por mais perfeita que seja, não passa de uma selva. É por isso que toda a criação autêntica é um dom para o futuro
Albert Camus
Um homem não pode ser mais homem do que os outros, porque a liberdade é semelhantemente infinita em cada um
Jean-Paul Sartre
Quando é preciso escolher entre liberdade e erudição, quem não dirá que prefere mil vezes a primeira?
Gandhi
Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir
George Orwell
A liberdade é um bem comum, e se todos não desfrutam dela, não serão livres nem os que se julgam como tal
Miguel Unamuno
Quem se torna senhor de uma cidade habituada a viver em liberdade e não a destrói, espere para ser destruído por ela
Maquiavel
São a força e a liberdade que fazem os homens virtuosos. A fraqueza e a escravidão nunca fizeram nada além de pessoas más
Jean Jacques Rousseau ,
Sem a liberdade de criticar não existe elogio lisonjeiro
Beaumarchais
É um estranho desejo, desejar o poder e perder a liberdade
Francis Bacon
Quando o despotismo está nas leis, a liberdade encontra-se nos costumes, e vice-versa
Balzac
quinta-feira, abril 22, 2010
UM BOM FILME
Um pouco violento, talvez, mas vale a pena ver.
A violência não está no filme, está na realidade.
domingo, abril 11, 2010
PRÉMIOS DE TELEVISÃO 2009

A revista “TV 7 Dias”, do grupo Impala, inaugurou os “Prémios TV7 Dias de Televisão”, para sublinhar a importância da televisão que se faz em Portugal e o trabalho dos seus melhores artífices. A cerimónia da entrega desses galardões realizou-se na passada quinta-feira, dia 8, no Teatro Politeama.
A ideia foi ensanduichar “A Gaiola das Loucas”, que ali se apresenta todas as noites, com três momentos de anúncio dos nomeados e proclamação dos vencedores, apresentados, um por Tânia Ribas de Oliveira e João Baião, a abrir, outro por Vanessa Oliveira e Daniel Oliveira, no intervalo, e, outro, a fechar, por Cristina Ferreira e Manuel Luís Goucha. A cerimónia correu bem, foi divertida e bem disposta, contou com a presença de muitos profissionais dos vários canais abertos a operar em Portugal, mas foi muito longa. Algo a rever no futuro, obviamente.
Os vencedores dos "I Prémios TV7 Dias de Televisão" foram:
Entretenimento:
Melhor programa: Ídolos (SIC)
Melhor talk-show: Você na TV! (TVI)
Melhor apresentadora: Júlia Pinheiro (TVI)
Melhor apresentador: José Carlos Malato (RTP)
Humor:
Melhor programa: Gato Fedorento- Esmiúça os Sufrágios (SIC)
Melhor actriz/ humorista: Maria Vieira (RTP)
Melhor actor/ humorista: Ricardo Araújo Pereira (SIC)
Informação:
Melhor programa: Grande Entrevista (RTP)
Melhor reportagem/ documentário: Infância Traficada (TVI)
Melhor jornalista/ apresentadora: Clara de Sousa (SIC)
Melhor jornalista/ apresentador: José Rodrigues dos Santos (RTP)
Melhor comentador: Marcelo Rebelo de Sousa (RTP)
Séries:
Melhor série: Conta-me Como Foi (RTP)
Melhor série infanto-juvenil: Morangos com Açúcar VII (TVI)
Melhor actriz: Benedita Pereira (TVI)
Melhor actor: Miguel Guilherme (RTP)
Telenovelas:
Melhor telenovela: Deixa que te Leve (TVI)
Melhor actriz: Margarida Marinho (TVI)
Melhor actor: Nicolau Breyner (TVI)
Melhor actriz secundária: Maria João Luís (TVI)
Melhor actor secundário: André Nunes (TVI)
Melhor música de genérico: Mais um Dia,Meu Amor, TVI)
Outras categorias:
Melhor programa cultural: 35 MM (SIC Notícias)
Melhor programa desportivo: Liga dos Últimos (RTP)
Melhor programa social: Alta Definição (SIC)
Troféu Memória: Raul Solnado
Troféu Prestígio: Júlio Isidro
Troféu Carreira: Herman José
São estes os melhores em todas as categorias? Quem sou eu para me opor a uma votação, que tem todos os riscos inerentes ao sistema. Mas uma coisa vos posso garantir: ganhar a estatueta numa categoria qualquer não quer dizer que se seja bom, pode ser-se apenas o melhor ou, por outras palavras, o menos mau no grupo em questão.
A televisão em Portugal não está assim de tão boa saúde, mas há que reconhecer, por outro lado, que há muitos prémios merecidos, e que a organização de um evento como este se justifica inteiramente. Mas entregue nas mãos de alguém ou de uma entidade que não tenha nada a ver com nenhum dos canais em disputa. Como agora se verificou.
Por favor não voltem à velha fórmula que era uma estação atribuir a si a maioria dos prémios e querer passar por muito idónea e justa.
Mas já há ameaças no horizonte. Já houve quem dissesse, julgo que de boa fé, que “os canais se tinham de reunir e falarem entre si para voltarem a estarem na iniciativa”.
Acho muito bem: transmitindo em directo esta cerimónia da “TV 7 Dias”. Para não melindrar ninguém até ofereço um alvitre: cada canal transmite um ano, e sorteiam a ordem. Mas, por favor, não se voltem a intrometer numa atribuição que tem de ter o máximo de transparência e honestidade. Como em muitas outras organizações, aqui não basta sê-lo, é preciso sê-lo e parecê-lo também.
domingo, abril 04, 2010
CINEMA: CRAZY HEART




Histórias de cantores “country” é o que não falta no cinema americano. Bons filmes sobre eles também não, basta recordar a obra-prima de Robert Altman, “Nashville”. É sabido que o “country” é o território do maior conservadorismo musical por terras americanas, o que tem dado bons temas para romances e filmes. A defesa dos valores tradicionais é o lema, e “Crazy Heart” não poderia ser mais paradigmático. Há uma certa nostalgia rebelde nas canções de “Bad Blake”, o “Cow boy do amor”, mas no final ele é o exemplo vivo dessa América de Reagan e Bush, chauvinista na defesa da Pátria e da Família, mas enfrascando-se em whisky para aguentar a melancolia e a amargura do falhanço. Curioso que os cantores de “country” não são muito olhados como consumidores de drogas, mas sim de álcool, coisa de machos. A alienação pode ser a mesma, mas a forma de a fazer esquecer é “viril”. “Bad Blake” é isso tudo, bebe desalmadamente, fuma, deita-se com mulheres, não as jovens “groupies” dos seus tempos de glória, mas frustradas fãs de peles flácidas que o procuram como se ele fosse o elixir da juventude. Vai consumindo com ligeireza quem se lhe atravessa no caminho, mas já conta com quatro casamentos e um filho de 28 anos que não vê desde os quatro. “Bad Blake” já foi muito bom naquilo que faz, escreveu canções que ninguém esquece, lançou jovens que se tornaram ídolos, como é o caso de Tommy Sweet (surpreendente Colin Farrell), de quem agora tem uns ciúmes incomensuráveis, mas a saúde é fraca e sobrevive esparramado em velhos sofás, emborcando garrafas de álcool e vomitando as tripas, adormecendo ao volante nas ressacas que o levam ao hospital, ou subindo a palcos de quinta categoria numa solitária tournée de velha e decadente glória. Um dia encontra a sobrinha (Maggie Gyllenhaal) de um bom pianista, que é jornalista em Santa Fé, apaixona-se por ela e pelo filho de quatro anos, de uma anterior relação fracassada, e resolve abrir o espectáculo do seu antigo protegido, que afinal é bom rapaz e não esquece quem lhe abriu as portas do sucesso. O “happy end” não é total, o que reverte a favor do filme, já de si bastante previsível e ligado por lugares comuns que fizeram escola neste tipo de filmes, mas anda por lá perto. Acontece que Jeff Bridges é brilhante na criação da personagem e na sua caracterização, instalando-se na figura como se sempre a tivesse habitado, com tiques e pequenas anotações de subtil sabedoria. De Colin Farrell já falámos, de Maggie Gyllenhaal não há muito mais a dizer, a nomeação já foi bastante, quanto a Robert Duvall, que também é produtor (tal como o próprio Jeff Bridges), faz uma perninha simpática.
A banda sonora é boa, a fotografia cria ambientes de certa densidade e capta paisagens de belo efeito, mas a construção do argumento e a realização não ultrapassam muito a banalidade bem comportada, com pinceladas de sugestivo bom gosto. Scott Cooper é conhecido como actor, estreia-se aqui na realização e na escrita do argumento, adaptando um romance de Thomas Cobb. Ao argumento, porém, falta alguma tensão e outra desenvoltura dramática, por vezes parece arrastar-se como o próprio “Bad Blake”, num sentimentalismo destemperado. Na realização, a pecha é a mesma, ainda que consiga, aqui e ali, bons planos e alguns enquadramentos que relembram pintores da noite e de interiores norte-americanos. É pouco, é muito? É o que há, mas para ver Bridges vale a pena.
CRAZY HEARTTítulo original: Crazy Heart
Realização: Scott Cooper (EUA, 2009); Argumento: Scott Cooper, segundo romance de Thomas Cobb; Produção: Eric Brenner, Jeff Bridges, T-Bone Burnett, Judy Cairo, Rob Carliner, Scott Cooper, Robert Duvall, Michael A. Simpson, Alton Walpole; Música: Stephen Bruton, T-Bone Burnett; Fotografia (cor): Barry Markowitz; Montagem: John Axelrad; Casting: Mary Vernieu; Design de produção: Waldemar Kalinowski; Direcção artística: Ben Zeller; Decoração: Carla Curry; Guarda-roupa: Doug Hall; Maquilhagem: Tarra D. Day, Geordie Sheffer; Direcção de Produção: Dawn Todd, Alton Walpole; Assistentes de realização: Sarah Lemon, Chemen Ochoa, Marcia Woske; Som: Paula Fairfield, Carla Murray; Efeitos especiais: Scott Hastings; Efeitos visuais: Paul Lavoie; Companhias de produção: Butcher's Run Films, Informant Media; Intérpretes: Jeff Bridges (Bad Blake), Maggie Gyllenhaal (Jean Craddock), Colin Farrell (Tommy Sweet), Robert Duvall (Wayne), James Keane (Manager), Anna Felix, Paul Herman, Tom Bower, Ryan Bingham, Beth Grant, Rick Dial, Debrianna Mansini, Jerry Handy, Jack Nation, Ryil Adamson, J. Michael Oliva, David Manzanares, Chad Brummett, José Marquez, LeAnne Lynch, William Marquez, Richard W. Gallegos, Brian Gleason, Harry Zinn, Josh Berry, William Sterchi, etc. Duração: 112 minutos; Sem distribuição em Portugal. Aguarda lançamento em DVD.
sábado, abril 03, 2010
FELIZ PÁSCOA!
Com Bing Crosby
Com Judy Garland e Fred Astaire
sexta-feira, abril 02, 2010
CURSO DE HISTÓRIA DO CINEMA - O MUDO
Entre 19 de Abril a 29 de Junho de 2010Curso HISTÓRIA DO CINEMA I
o cinema mudo
Formador:
Lauro António
Promoção e Organização:
Europa Viva
Parceria:
Reitoria da Universidade de Lisboa
PROGRAMA:
Sessão 1 (19 de Abril) – O nascimento do cinema
Filmes dos Lumiére e Méliès.
Sessões 2 (20 de Abril) e 3 (26 de Abril) – O nascimento da narrativa clássica
Filmes: “O Nascimento de uma Nação” e “O Lírio Quebrado” de David W. Griffith.
Sessões 4 (27 de Abril), 5 (3 de Maio) e 6 (17 de Maio) – O Expressionismo
Filmes: “O Gabinete do Dr. Caligari” de Robert Wiene, “Metropolis” de Fritz Lang, “Nosferatu” de F.W. Murnau
Sessões 7 (24 de Maio) e 8 (31 de Maio) - Surrealismo e Vanguardas
Filmes “Un Chien Andalou” e “L’ Age d’Or”, ambos de Luís Buñuel e “Berlim, Sinfonia de uma Cidade” de Walther Ruttmann.
Sessões 9 (7 de Junho) e 10 (21 de Junho) – O construtivismo soviético
Filme “O Couraçado Potemkin” de Sergei Eisenstein, e “O Homem da Máquina de Filmar” de Dziga Vertov
Sessões 11 (28 de Junho) e 12 (29 de Junho) – O burlesco americano
Filmes “A Quimera do Ouro”, de Charles Chaplin, e “Pamplinas, Maquinista”
Horário: 18:30 – 20:30 (aproximadamente)
Local: Reitoria da Universidade de Lisboa
Dias 20 e 26 de Abril - Espaço Europa Viva – Edifício C 7 – Faculdade de Ciências – - Cidade Universitária
FILMES A EXIBIR EXTRA SESSÕES
“Fantomas” de Louis Feuillade (dia 21 de Abril)
“Cabíria” de G. Patrone (dia 28 de Abril)
“O Tesouro de Arne” de Mauritz Stiller (dia 4 de Maio)
“Aurora” de F. W. Murnau (dia 18 de Maio)
“Outubro” de Sergei Eisenstein.(dia 8 de Junho)
“A Mãe” de Pudovkin (dia 15 de Junho)
“O Anjo Azul” de Sternberg (dia 22 de Junho)
“Matou” de Fritz Lang (dia 30 de Junho).
Calendário:
A indicar.
Horário: 18:30 – 20:30 (aproximadamente)
Local: Espaço Europa Viva – Edifício C 7 – Faculdade de Ciências - Cidade Universitária
Preços para Sócios da Europa Viva e Estudantes UL
Curso História do Cinema I - 90€
Condições de pagamento: 40€ no acto de inscrição + 50€ até ao dia 31 de Maio
Curso História do Cinema I + Ciclo Cinemas da Europa - 190€
Condições de pagamento: 40€ no acto de inscrição + 50€ até ao dia 31 de Maio + 50€ até ao dia 31 de Agosto + 50€ até ao dia 30 de Novembro
Preços para o restante público
Curso História do Cinema I - 120€
Curso História do Cinema I + Ciclo Cinemas da Europa - 220€
Condições de pagamento: 50% no acto da inscrição + 50% até a um mês antes do fim da iniciativa
Inscreva-se pelos e-mails:
paulalemos@europaviva.eu
europaviva@europaviva.eu
Ou pelos telefones:
91 901 48 72 / 96 565 38 34
quinta-feira, abril 01, 2010
CINEMA: SHUTTER ISLAND
SHUTTER ISLAND 
Na verdade, Teddy Daniels e Chuck Aule dirigem-se para uma ilha, mas uma ilha muito especial, toda ela ocupada por uma fortaleza inexpugnável, um castelo muralhado por fios eléctricos de alta tensão, um hospício-prisão destinado a criminosos dados como “mentalmente inimputáveis”. Era para esta “Shutter Island” que, nos anos 50, se enviavam criminosos julgados, nos tribunais dos EUA, por diversas acusações e que eram dados como loucos. Nessa ilha desapareceu da sua cela, fechada a sete chaves, e sem deixar rasto, uma prisioneira (ou melhor, “uma paciente”, rectifica o director da clínica). Teddy e Chuck viajam para decifrar o enigma. Para tentar descobrir como essa criminosa que havia morto os filhos se conseguira esgueirar de um quarto fechado. Uma fuga sem levar sapatos. Uma fuga que parece ter deixado todo o pessoal da ilha, “pacientes” e guardas, enfermeiros e médicos, inquietos e apreensivos. “Parece”, digo bem, pois o que parece tem muita importância neste filme onde nada é o que parece, nem nada do que é, parece. O que vemos e ouvimos , o que nos mostram e nos contam, o que se confessa ou o que se investiga “parece” participar desse clima de loucura generalizada que esta ilha encerra. Mas será esta ilha uma ilha ou será esta ilha o interior de um homem, ou uma representação miniaturista deste nosso mundo? Pois esse será um dos percursos do filme, deste brilhante exercício de estilo (e não só de “estilo”, pois este “estilo” não sobrevive no vazio, mas entronca no mais íntimo de todos nós e na psicose colectiva de uma sociedade violenta e culpabilizada).
Martin Scorsese regressa, portanto, em grande forma, depois desse notável “Entre Inimigos”, e volta a revisitar a sua cinefília, os filmes que lhe marcaram a juventude, os policias brutais e os “thrillers” obsessivos, as intrigas asfixiantes, os hospitais psiquiátricos de Samuel Fuller, os Mabuses de Fritz Lang, as enredadas teias em que caíam Robert Mitchum ou Kirk Douglas, James Cagney ou Robert Ryan, Ray Milland ou Stephan Boyd.
O belíssimo argumento, desenvolvido com uma mestria ofegante, é da responsabilidade de Laeta Kalogridis, adaptando um “best seller” de Dennis Lehane (autor de “Mystic River” e “Vista pela Última Vez...”). Raras vezes um filme nos retira o tapete de debaixo dos pés com tal sapiência e habilidade. Sem sentirmos a sensação de artifício laboriosamente construído, mas com a perturbante certeza de que nada é certo e seguro no que vemos e envolve essas personagens “doentes” que vagueiam dentro e fora das celas, e sofrem lobotomias para neutralizar a “diferença” e as tornar vegetais sem vontade.
A passagem Teddy Daniels pelo hospício parece desenvolver uma certa animosidade ou, pelo menos, desconfiança. Teddy não aceita bem a forma como o hospício é gerido, vive abalado pela morte da mulher, que recorda amiúde, bem assim como por episódios traumáticos da sua vida militar, quando, durante a II Guerra Mundial, libertou um dos campos de concentração nazis, e descobriu o horror em Dachau nos olhos dos prisioneiros, nos cadáveres empilhados, nas fossas esventradas que gritavam por justiça, na impunidade dos guardas alemães, que imagina igualmente massacrados. Teddy acredita que um antigo general nazi (Max von Sydow) se encontra escondido no hospício. Acredita que o prestável e discreto Dr. Cawley, director da clínica (Ben Kingsley), tem algo a esconder. Intriga-o o farol que pode encobrir experiências inaceitáveis. Invoca a “caça às bruxas” para comprometer a direcção numa teoria de conspiração que tentaria calar vozes incómodas. Um apagão serve-lhe de pretexto para investigar suspeitas, viajar pela ilha, invadir zonas interditas. Da Ilha, da fortaleza ou do seu próprio cérebro? Ou do seu próprio passado?
O que está certo ou o que está errado? Viver a realidade de um pesadelo ou aceitar a liquidação da vontade, e sujeitar-se à lobotomia? Que se passa em “Shutter Island”? Que se passa no mundo? Que se passa em nós próprios?
Uma certeza: nada parece o que é, nada é o que parece.
Excelentes interpretações, uma fotografia invulgarmente soturna e angustiante (Robert Richardson), uma narrativa envolvente com os seus tentáculos de loucura, movimentos de câmara inquietantes (um “travelling” a entrar pela ilha e pelos corredores do hospício), enquadramentos de cortar a respiração (um “contre plongée” captando personagens no cima de uma ravina, olhando as falésias e o mar), uma banda sonora particularmente inspirada, uma montagem que não dá tréguas, mas quase se não nota (como sempre, da responsabilidade da velha cúmplice de Scorsese, Thelma Schoonmaker) transformam “Shutter Island” numa pequena pérola de absorvente angústia e perturbação. Martin Scorsese continua um mestre.

Sobre lobotomia
A lobotomia de que fala o filme foi uma invenção do médico português Egas Moniz, que fazia equipa com o cirurgião Almeida Lima, na Universidade de Lisboa. Corria o ano de 1935. Egas Moniz recebeu o Prémio Nobel da medicina por esta descoberta. A lobotomia, ou a leucotomia, é uma intervenção cirúrgica no cérebro, “onde são seccionadas as vias que ligam os lobos frontais ao tálamo e outras vias frontais associadas”, foi utilizada no passado em casos graves de esquizofrenia. A lobotomia foi a técnica pioneira e com maior sucesso da psicocirurgia, mas conduzia a um estado letárgico que hoje em dia é muito contestado. Foi usada para tratar depressões severas e esquizofrenias, tendo Egas Moniz sempre defendido o seu uso apenas em casos graves em que houvesse risco de violência ou suicídio. Muitos pacientes não sobreviviam, mas mesmo assim foi prática muito utilizada nos EUA nos anos 40 e 50, popularizada pelo cirurgião Walter Freeman, que percorreu o país no seu “Lobotomobile”, e criando técnicas exclusivas de uma violência invulgar, como espetar, com a ajuda de um martelo, “um picador de gelo directamente no crânio do doente, localizado num ponto acima do canal lacrimal, para destruir as vias aí localizadas. Técnica muito em conta e que permitia ainda calar vozes incómodas que eram enviadas para hospícios para assim deixarem de perturbar a “paz social”. Nos EUA foram “tratados” mais de 50.000 pacientes e na Europa cerca de 10.000. Esta prática quase caiu em desuso, logo que surgiram os primeiros fármacos antipsicóticos.
Existe realmente “Shutter Island”?
Não. Martin Scorsese serviu-se de diversos cenários para criar a “sua” “Shutter Island”
Massachusetts foi o local central, mas as escolhas de cenários incidiram ainda em Connecticut e Nova Scotia. Acabaria por ser Boston Harbour (o porto de Boston e as ilhas circundantes) o local previligeado. As cenas de Dachau foram rodadas em instalações industriais, em Taunton, Massachusetts. Scorsese rodou cenas de hospital no abandonado Medfield State Hospital. Peddocks Island foi também muito utilizada, e a cena do Farol foi rodada em East Point, em Nahant. Houve ainda sequências e planos rodados no Acadia National Park, Bar Harbor, Maine; Boston Harbor; Hull, Massachusetts e Hyde Park, em Boston.
SHUTTER ISLAND
Título original: Shutter Island
Realização: Martin Scorsese (EUA, 2010); Argumento: Laeta Kalogridis, segundo romance de Dennis Lehane; Produção: Brad Fischer, Amy Herman, Mike Medavoy, Arnold Messer, Joseph P. Reidy, Martin Scorsese, Emma Tillinger; Fotiografia (cor): Robert Richardson; Montagem: Thelma Schoonmaker; Casting: Ellen Lewis, Meghan Rafferty; Design de produção: Dante Ferretti; Direcção artística: Max Biscoe, Robert Guerra, Christina Ann Wilson; Decoração: Francesca Lo Schiavo; Guarda-roupa: Sandy Powell; Maquilhagem: Alan D'Angerio, Christine Fennell, Aimee Macabeo, Michael Ornelaz, Manlio Rocchetti; Direcção de produção: Ron Ames, Amy Herman; Assistentes de realização: Ron Ames, Amy Lauritsen, Robert Legato, Joseph P. Reidy, John Silvestri; Departamento de arte: Frédéric Amblard; Som: Eugene Gearty, Philip Stockton; Efeitos especiais: R. Bruce Steinheimer, Amanda Treat, Stan Winston; Efeitos visuais: Steve Dellerson, Robert Legato, Ariane Rosier, Robert Stromberg; Companhias de produção: Paramount Pictures, Phoenix Pictures, Sikelia Productions, Appian Way; Intérpretes: Leonardo DiCaprio (Teddy Daniels), Mark Ruffalo (Chuck Aule), Ben Kingsley (Dr. Cawley), Max von Sydow (Dr. Naehring), Michelle Williams (Dolores Chanal), Emily Mortimer (Rachel 1), Patricia Clarkson (Rachel 2), Jackie Earle Haley (George Noyce), Ted Levine (Warden), John Carroll Lynch (Warden McPherson), Elias Koteas (Laeddis), Robin Bartlett (Bridget Kearns), Christopher Denham, Nellie Sciutto, Joseph Sikora, Curtiss Cook, Raymond Anthony Thomas, Joseph McKenna, Ruby Jerins, Tom Kemp, Bates Wilder, Lars Gerhard, Matthew Cowles, Jill Larson, Ziad Akl, Dennis Lynch, John Porell, Drew Beasley, Joseph P. Reidy, etc. Duração: 138 minutos; Distribuição em Portugal: Zon Lusomundo Audiovisuais; Classificação etária: M/16 anos (Qualidade); Estreia em Portugal: 25 de Fevereiro de 2010.




