sábado, novembro 04, 2006

CINE ECO 2006: Balanço crítico 5

Uma Maratona de
Bom Cinema e Bom Ambiente
6.
Obras da Lusofonia
(Brasil)


Do Brasil, outro forte contingente de obras chegou a Seia, durante o Cine Eco 2006. Forte contingente em número, não particularmente excitante em qualidade. Muitas das obras possuíam inegáveis qualidades e interesse, mas a quase todas faltou o golpe de asa para se elevarem da mediania. Recuperemos de memória alguns traços mais salientes:

“Kiarasã Yõ Sâti, O Amendoim da Cutia”, de Komoi Panará e Paturi Panará, uma produção de “Vídeo nas Aldeias”, retrata, de dentro, numa visão dos próprios autóctones, o quotidiano da aldeia Panará na colheita do amendoim, apresentado por um jovem professor, uma mulher “pajé” e o chefe da aldeia. É uma curiosa aproximação etnográfica e antropológica que merece inteiramente um olhar atento.
“O Pontal do Paranapanema”, de Francisco Guariba, opta por contar a história de uma região onde os conflitos pela terra duram há mais de um século. Através de depoimentos, traça um panorama sócio–ambiental do processo de ocupação da região e dos seus problemas actuais.
“O Profeta das Águas”, de Leopoldo Nunes, viaja até Rubinéia, São Paulo, barranca do Rio de Janeiro, onde vive Aparecido Galdino, o “Profeta das Águas”. Durante a década de 1970 ele passou por intensos episódios: foi preso e torturado pela ditadura militar e cumpriu pena num manicómio judiciário. Para além de abençoar e curar o povo das doenças, ele defendia os trabalhadores rurais contra a desapropriação das suas terras pela inundação da hidroeléctrica da Ilha Solteira… Uma interessante aproximação que mistura crendices populares, resistência à ditadura e luta pela terra, num Brasil rural.

“Avá – Canoeiro, A Teia do Povo Invisível”, de Mara Lúcia Alencastro Veiga, mais uma vez na senda da etnografia e antropologia, tenta recuperar a história de um povo, Avá – Canoeiro, nação indígena que, por volta de 1760, contava com três mil nativos, ocupando um vasto território no Centro Oeste do Brasil, e que a colonização portuguesa e a posterior ocupação da área por fazendas de gado e lavoura provocou um verdadeiro massacre nesta nação guerreira, hoje praticamente extinta.
“Quando a Ecologia Chegou”, de Pedro Novaes, aborda a relação entre as áreas protegidas e as comunidades locais no Brasil, discutindo os impactos da criação de duas destas áreas sobre os modos de vida de populações nativas e caminhos para a construção de alianças entre estas comunidades e a conservação da natureza. Pedro Novaes, filho de Washington Novaes, prossegue as preocupações familiares, com um filme inteligente e interventivo, mas com um estilo onde se sente demasiado a montagem, numa manipulação de imagens que ofusca a clareza da exposição.

“Muitchareia, um Passeio pelo São Francisco”, de Uliana Duarte, procura estabelecer um recorte poético da relação do homem da região com o rio São Francisco, que viaja de Pirapora, Minas Gerais, até Petrolina, Pernambuco. O filme contém depoimentos de pessoas que se encontram envolvidas de diferentes formas com o meio-ambiente, desde Cícero, um piloto reformado dos antigos barcos a vapor, até ao bispo D. Luís Flávio Cappio, que levou a cabo uma greve de fome que encerrou o procedimento de transposição do rio.
“SOS Amazónia”, de Pedro Saldanha Werneck, focaliza a atenção na maior floresta tropical do planeta que corre sérios riscos. Actividades ilegais, como as queimadas e os derrubes de árvores, representam perigos para toda a Humanidade. Tudo o que se descobre leva a compreender por que é que a situação se agravou tanto. O filme grita por socorro pela Amazónia Brasileira.

“Brasil” e “É da Raiz”, ambos de Ângelo Lima, são dois curtos documentários, o primeiro, concebido como homenagem ao monumento erigido para o Movimento às Nações Indígenas, criado pelo artista Siron Franco, e que foi selvaticamente destruído, o segundo, passado num bar, por entre doses de bebidas alcoólicas, que se afirmam milagrosas. Misturando-se tudo, chega-se a uma cura mais rápido. É na raiz que está a solução dos problemas do povo brasileiro, afirma o realizador, com alguma ironia.
No desenho animado, “Bartó”, de Luís Botosso e Thiago Veiga, é uma curta que aborda a acção nociva do homem sobre a natureza, de forma leve e animada para atingir um público infantil, o mesmo se podendo dizer de “Peixe Frito”, de Ricardo George de Podestá, outra animação, durante a qual um avô ensina o seu neto a pescar e a partir daí, peixes, gaivotas e anzóis misturam-se numa verídica história de pescador.
Terminado o festival, o balanço não pode ser mais positivo. Muitas obras interessantes, oito dias de intenso trabalho sobre o material audiovisual projectado, um animado convívio entre senenses e visitantes, um toque de magia a envolver pessoas e paisagens. Nem a chuva quebrou o encanto destes dias que poderiam ter sido de paradisíaco desfrute, se… Há sempre um se…, mas o festival nada sofreu com ses… pessoais e intransmissíveis.

Homenagem a Fernando Catarino, Presidente do Júri (Foto MRF)

Um dos membros do Júri Internacional acaba de enviar um mail do Brasil, com doces palavras de saudade, que dizem bem do que foram os dias deste festival: “Meus queridos amigos, Cheguei cheia de saudades dos tempos oníricos passados em Seia. Como disse o Alain Marie, todo festival tem alguma magia, mas em nenhum, ela flui dos próprios organizadores. Agradeço de coração os dias do trabalho que tanto me fascina: ver e discutir filmes, dias também de festas (a do Frederico foi sublime), de humor, e principalmente de tanta troca afectiva, consolidando amizades tão fraternas. Foi maravilhoso participar sem a responsabilidade de presidir o júri encabeçado pela inteligência privilegiada do professor Catarino e desfrutar ainda do humor da Paula Guedes, da acuidade da Rosa, da sabedoria do Panayotis, da seriedade do Artur, da doçura elegante da Violetinha e das presenças originais da Márcia e Lili Caneças. (…) Lisa França.

Por outro lado, o Júri da Juventude, portou-se à altura. Leia-se o que se escreve no blog “Play That Movie Againt”: “Cine'Eco [recordar]” porque o Cine'Eco não é apenas ver filmes... ...mas uma experiência bem mais completa.
Obrigada a todos pela semana memorável!” Este post teve comentários de outros espectadores atentos de Cine Eco, que aqui reproduzo: “Excelente blog a descobrir por todos os cinéfilos. Em Seia, foi uma experiência de vida, onde as personalidades e as idades não contam, virando-se para um objectivo comum: tornar cada vez mais unido o que o homem tem de melhor, a sua disponibilidade para sentir o próximo. E é assim que descobrimos os amigos. Um beijo e abraço a todos! Germano”
“Rui disse... Reforço a frase do Germano “Excelente blog a descobrir por todos os cinéfilos.” Foi uma agradável surpresa ler as reviews efectuadas sobre alguns dos filmes a concurso, uma escrita fluente e acutilante sobre as questões neles retratadas. Vou seguir atentamente os futuros post´s. Lembra-te que Seia tem sempre lugar para os seus amigos! Ficamos pois a aguardar uma futura visita. Bjs
“Parabéns pelo teu blog. Confirmo o que já pensava. Que tens um enorme talento ligado à 7.ª Arte. Espero que a tua aventura pelo mundo do cinema nunca termine que é para eu me continuar a deliciar com as tuas análises e opiniões. Ao mundo mágico do cinema que a Cine Eco nos proporcionou junta-se a amizade que cada um de nós partilhou. Porque este filme nunca terá um fim.... um grande beijo e abraço a todos. Miguel Jerónimo”
Mas nesse mesmo blog, Helena escreveu: “Cine'Eco [palavras, visionamentos e prémios] de regresso...

O Cine Eco – Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Ambiente decorre há 12 anos na cidade de Seia, em plena Serra da Estrela.
Articulada num manto verde, esta Seia outonal não poderia ser palco mais acertado para a realização de um festival ambiental. Ali está-se, de facto, em comunhão com a natureza, numa conjugação acolhedora de calma natural e cultura interveniente. Pela minha experiência devo afirmar que se aprende mais numa semana intensiva de Cine Eco que provavelmente em meses de televisão e cinema comercial. A temática ambiental engloba obras muito diversas, nomeadamente várias de cariz mais antropológico e que me captaram o interesse de forma particular. Das aves da Islândia a cheias na Ásia do Sudeste, dos pastores da Serra da Estrela aos tigres da fronteira sino-russa, de diversas comunidades de índios brasileiros à resistência tuareg no Mali, a abrangência geográfica e temática do festival era vasta e riquíssima. Foram exibidos alguns filmes muito bons, muitas obras competentes e umas poucas que geraram reacções mais extremadas. Alguns visionamentos foram dificultados pela inexistência de legendas, outros estimularam a aptidão linguística dos espectadores pela legendagem em idiomas que não o português. Com uma especial incidência para produções brasileiras e portuguesas, foram também mostrados filmes de países de todos os continentes, da Itália à Nova Zelândia, da Dinamarca ao Japão. Muitos deles foram exibidos em público pela primeira vez. Os filmes em competição (não tive oportunidade de ir a nenhuma sessão paralela), estimularam o acordar de uma consciência ecológica e social, alargando horizontes e desfazendo alguns preconceitos. A recepção este ano do Prémio Nacional do Ambiente parece mostrar que o Cine Eco é reconhecido na sua importância única no quadro dos festivais portugueses mas há ainda algum caminho a percorrer para garantir uma maior divulgação e uma cobertura mais atenta pelos media. O ambiente de convívio animado, troca de ideias e hospitalidade notável tornaram a estadia em Seia e a participação no festival como jurada da juventude uma experiência que recordarei como das mais enriquecedoras da minha vida enquanto amante de cinema e enquanto pessoa.”
Também no blog “Divas e Contrabaixos” se podem ler alguns comentários a filmes seleccionados pelo Cine Eco 2006. Outra curiosidade a referir.
No Blog “Oceano das Palavras”, de Luís Silva, de Seia, depois de referencia a alguns filmes e premiados, regista: “Esta edição do CINEECO teve mais de 100 filmes de vários países a concurso, destacando-se a participação do Brasil, o país estrangeiro que mais filmes apresentou. Na cerimónia de atribuição de prémios, sábado à noite no auditório da Casa Municipal da Cultura de Seia, o presidente da Câmara de Seia, Eduardo Brito, anunciou que a autarquia deverá duplicar em 2007 o orçamento do festival, que este ano foi de 50 mil euros. Eduardo Brito disse que o CINECO traduz uma aposta da Câmara de Seia na educação ambiental e no desenvolvimento cultural do concelho.”
Mas o blog não resiste a comentar o que chama de “efeito Lili Caneças”, e explica: “Lili Caneças é mesmo um fenómeno.” A seguir vem a confirmação: “O vídeo que aqui tenho sobre a Lili na cerimónia de abertura do CineEco, em apenas poucos dias já foi visto por cerca de 100 ip´s diferentes, assim como, já circulam cópias do mesmo em outras páginas de gente anónima e não só. A própria Lili no seu hi5 já o colocou. Além disto o vídeo já teve um "louvor" do YOUTUBE, por, em tão curto espaço de tempo, já ter sido visto muitas vezes. É este o efeito Lili Caneças que já está a dar resultados. As próprias fotografias que tirei e não editei aqui vão começar a aparecer nas revistas cor-de-rosa.”

Wanda Stuart no memorável concerto inaugural (foto MRF)

No citado blog, há dois vídeos a reter da cerimónia de abertura do Cine Eco 2006: um meu com a Lili Caneças (o que já provocou a tal curiosidade massiça) e um outro da brilhante actuação de Wanda Stuart no espectáculo da noite do dia 21 de Novembro). A não perder.
(Bem gostava de ter esses dois vídeos no meu blog, mas nao sei como importá-los. Alguém me ajuda? Socorro!)

5 comentários:

Anónimo disse...

Muito obrigado Luis Silva, do "Oceano de Palavras", pelas indicações sobre o You Tube. Vou tentar segui-las. LA

H. disse...

Há coisas que é preciso viver para perceber, e creio que o Cine Eco é um pouco assim. Foi uma experiência maravilhosa e as palavras não chegam para explicar o que vivemos todos nessa semana. Entre cinema (para todos os gostos e de qualidades variáveis mas no geral bom), momentos inesquecíveis e certamente amigos para um presente e futuro, será certamente uma semana a recordar.
E obrigada pela referência ao «Play it Again»!

Anónimo disse...

Estes brasileiros vivem no paisinho de merda ou na terra deles? Aí está uma pergunta a fazer. Se é de merda, o que é que estão cá a fazer? Será que no país deles não há lugar para gente de quinta categoria? Parece-me que a sorte deles é haver algum sítio no mundo onde eles ainda vão tendo lugar.
E eu não sou xenófoba! Mas se insistirem muito...
"anónimo" assinado MEC

Mariana R. Santini disse...

Esses portugas comedores de merda não entendem nada de cinema. Se não fosse por esses festivaizinhos podres que eles fazem, os filminhos imbecis de Portugal não teriam nenhum premiozinho pra por nas suas prateleiras empoeiradas. Deixem os coitados se auto-premiarem, afinal, gente mediocre é assim mesmo.

Anónimo disse...

Comentário feito às 11, 33 do dia 8 de Novembro de 2006.
Unico visitante a essa hora no meu blog:
Domain Name netvisao.pt (Portugal)
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Time of Visit Nov 8 2006 11:30:41 pm
Last Page View Nov 8 2006 11:30:41 pm
portanto alguém que frequenta muito este blog, e que hoje resolveu deitar esta bostarda. Aveiro no mapa. Não é de surpreender - os ovos moles provocam diarreia. Marian Santini? Cheira a gelados. LA