domingo, maio 27, 2007

EM SEIA

Um dia e meio em Seia, terra que bem conheço. Foi ali que instalei o quartel-general quando andei a filmar “Manhã Submersa” na Serra da estrela, corria o invernoso Dezembro de 1979. Foi ali que, há 13 anos, me convidaram a dirigir o Cine Eco. Foi ali que voltei sexta-feira para reunir com a equipa do Cine Eco, para continuarmos a preparar a edição deste ano, para visitar o CISE, e para corresponder a um amável convite da Escola Superior de Turismo e de Telecomunicações para acompanhar, ainda que só parcialmente, a “OdiSeia 77”.
Gosto da Serra e gosto de Seia. Gosto da gente de Seia, boa gente beirã que não é de muitas falas nem de hipocrisias, mas que sabe distinguir quem lhe quer bem de quem a quer apenas enganar, gente que progressivamente se vai abrindo aos que começa a saber serem amigos. São muitos os que me tratam já por “senense”, e eu gosto de ser “senense”, apesar de lisboeta por nascimento.
Julgo que, nesta altura, doze edições passadas, o Cine Eco é um dos mais populares e considerados festivais de cinema e vídeo portugueses. O único de temática ambiental. Internacionalmente era muito mais conhecido e conceituado que internamente, mas, no ano de 2006, deu finalmente o salto a nível nacional, quando foi distinguido com o Prémio Nacional do Ambiente, e igualmente com a atribuição do seu Prémio da Lusofonia a “Ainda Há Pastores”, de Jorge Pelicano, que salientou dois factos interessantes de sublinhar: a importância e independência de um festival que teve a coragem de aceitar (e abrir oficialmente o concurso) com uma obra que tinha sido recusada num conceituado festival de Lisboa, e o facto do prémio da Lusofonia ali conquistado ter permitido “arrancar” com o filme para uma carreira gloriosa, a nível nacional e internacional. Depois, o inverso também foi verdade: o caminho do próprio filme projectou também o certame que o estreou. Nunca se estabeleceram tantas extensões do Cine Eco, de Norte a Sul de Portugal. Nunca tanta gente falou do Cine Eco em Portugal. Nunca tantos “MILHARES” de espectadores viram os filmes a concurso do Cine Eco da Madeira ao Algarve.
Na reunião de sexta-feira foi estabelecida a data definitiva da XIII edição, que irá decorrer entre 22 e 27 de Outubro próximo. Este ano uma novidade de peso: as sessões a concurso irão acontecer no excelente auditório, do ainda não inaugurado CISE (Centro de Interpretação da Serra da Estrela), uma estrutura criada para desenvolver actividades de educação ambiental e de valorização do património ambiental da Serra da Estrela. São várias as acções científicas, artísticas e educativas que já se vão podendo ali criar e apreciar. Em Outubro, os jurados internacionais e os jovens, e público em geral, ali estarão, em sessões às 15, 18 e 22 horas, a ver o que de melhor se fez em todo o mundo sobre ambiente em audiovisual. Muitas outras iniciativas se preparam, mas a reunião foi “à porta fechada”. Há que manter o segredo até ao momento oportuno.

Uma sala de jantar preparada pelos alunso da ESTTS

Não se deve fazer o mesmo em relação às actividades da Escola Superior de Turismo e de Telecomunicações de Seia, integrada no Instituto Politécnico da Guarda. Trata-se de uma escola jovem, instalada num excelente edifício desenhado e construído para o efeito, que funciona ainda há poucos anos, mas que se tem afirmado de forma fulgurante na sua área. Nos últimos três anos, para assinalar o aproximar do fim do ano lectivo, a ESTTS leva a efeito um curioso evento denominado OdiSeia. Já houve OdiSeia55, OdiSeia66 e este ano foi a OdiSeia77. 77 horas consecutivas de actividades ligadas ao Turismo e à Hotelaria. Iniciada às 19, 30 horas de 23 de Maio, prolonga-se sem intervalo até às 00,30 do dia 27. Mais de uma centena de alunos e muitos professores asseguram actividades, do entretenimento á cultura, do cinema á gastronomia. Ali almoçámos principescamente na sexta-feira, ali jantámos no mesmo dia com uma ementa que só de ler aguça o apetite. Todo elaborado pelos alunos, para degustação dos convidados, alunos que nos intervalos das refeições agarram nos visitantes e os levam a percorrer os corredores da escola, mostrando o seu orgulho na instituição da na OdiSeia.
Para fazer inveja aos meus leitores, veja-se o que se comia na noite de sexta, num “Jantar Jardim dos Aromas”. A ementa rezava assim: A abrir: Estaladiço de morcela da Beira com agridoce de maçã brava de Esmoífe e salada de rebentos. Seguia-se o prato de peixe: Naco de bacalhau braseado sobre batata cartão e couves salteadas. Emulsão de coentros e pimentos vermelhos. A intervalar: Sorvete de limão. Prato de carne: Lombinho de porco recheado com farinheira e cogumelos em crosta de ervas frescas e legumes da Beira. Como sobremesa: Trufo de chocolate, morangos com pimenta rosa e tomilho, espuma de alfazema. Que tal? Digo-vos que delicioso. Sem qualquer favor.

Com a excelente “agravante” de ser saboreado o jantar dos aromas numa mesa de aprazíveis companheiros de conversa, senenses da velha guarda e outros de guardas mais recentes que tornaram muito agradável esta noite que passaria ainda por um auditório, onde se viu desfilar outros alunos com o último grito da moda para a hotelaria. Já imaginaram?
A noite acabou mesmo no já muito nosso conhecido Hotel Camelo. Um must durante o festival.

3 comentários:

Ana Paula disse...

A Escola parece levar a sério os seus objectivos de formação profissional. Portanto, está de parabéns! Quanto à ementa: iguarias!! :):)
Gostei de ficar a saber...
Beijinho

M disse...

Ah! The simple pleasures in life...

Hélder disse...

Foi com muito agrado que li tudo o que escreveu sobre Seia , fiquei deliciado , nomeadamente sobre o Jantar da OdiSeia 77, que foi maravilhoso , não só pela ementa mas também pelas companhias .
O cozido à Portuguesa cá está a aguardar....
Com sua licença , vou transcrever o seu artigo , para o meu blogue de Seia , pode ser? Obrigado.
Cumprimentos
Atila