quarta-feira, abril 16, 2008

PEDRO BANDEIRA FREIRE

PEDRO BANDEIRA FREIRE
(2 de Agosto de 1939-16 de Abril de 2008)
De uma biografia escrita pelo próprio:
"Pedro Bandeira Freire nasceu a 2 de Agosto de 1939. Ou seja, é material robusto e do melhor, fabricado antes da guerra. Com esforço e tenacidade quase terminou o Curso do Colégio Militar. Licenciado em Gestão de Sentimentos, tem o Mestrado de Ralações Públicas e é Doutorado em Filosofia de Vida. Não tendo habilitações para fazer alguma coisa de útil (o mesmo é dizer que não sabia nada de nada), dedicou-se a fazer um pouco de tudo. Uma da suas grandes qualidades - a preguiça! É assim que, depois de colaborar em jornais e revistas, funda a livraria Opinião. Não lhe bastou e, inspiradamente, anos mais tarde dá à luz um cinema - O Quarteto. Numa de poesia, vai publicando: 8 livros e continua a insistir. Dá-lhe para o teatro e publica 12 peças e 1/2, mais 4 do que os filmes do Fellini. Rádio e televisão? Leva muitos quilómetros de programas. Quanto ao cinema teve argumentos e realizou duas metragens (curtas, mas de boa vontade). Foi amestrado, caricaturado, amado e odiado, representado, jurado, letrista, premiado, censurado, enganado e faz os possíveis, embora sem obter resultados, por ser feliz. Espera lá chegar se para tanto tiver engenho e arte. Entretanto vai fazendo pela vida..."

Fez quase sempre o que queria e o que gostava. Há dias fecharam-lhe o Quarteto e telefonou-me para eu lá ir buscar umas bobines de filmers meus que por lá se encontravam. Na despedida, disse-me: "Um dia destes temos de falar de namoradas!" Não falámos. Mais um amigo que parte.
E chegam as notícias necrológicas:
O fundador do Cinema Quarteto, Pedro Bandeira Freire, de 68 anos, morreu , após alguns dias em coma na sequência de um acidente vascular cerebral .
Há cerca de um mês Pedro Bandeira Freire entregou as chaves do Cinema Quarteto, que fundara em 1975, depois de, em Novembro passado, aquele complexo de quatro salas ter sido encerrado pela Inspecção-Geral das Actividades Culturais, que detectou falhas ao nível da segurança.
Fundador da livraria Opinião, Pedro Bandeira Freire foi autor de vários livros de poesia e teatro, tendo publicado em 2007 o volume de memórias "Entrefitas e Entretelas".
Foi ainda letrista, jurado em festivais de cinema nacionais e estrangeiros (como Berlim) e colaborador da imprensa, rádio e televisão, exercendo inclusivamente funções de consultor de cinema na RTP.
Estreou-se na realização com a curta-metragem "Os Lobos" (1978) e foi actor em "A Crónica dos Bons Malandros" (1984), filme realizado por Fernando Lopes com base no livro homónimo do jornalista e escritor Mário Zambujal.
Foi ainda argumentista em "A Balada da Praia dos Cães" (1987), longa-metragem de José Fonseca e Costa a partir do romance com o mesmo nome de José Cardoso Pires.
Entretanto a SPA informou a Agência Lusa:
Lisboa, 16 Abr (Lusa) - Pedro Bandeira Freire, hoje falecido, foi "durante décadas" uma "figura destacada da Lisboa cultural, na qual se impôs pela sua criatividade e apurado sentido de humor", escreve a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) num comunicado.
A cooperativa recorda que Bandeira Freire, dramaturgo, ficcionista, guionista, autor de letras de canções e memorialista, manteve sempre "uma forte ligação à actividade cinematográfica, tanto como exibidor de filmes como pelas interpretações que fez em algumas longas-metragens de realizadores portugueses".
O comunicado evoca ainda a actividade que desenvolveu como "proprietário e programador do Quarteto, espaço emblemático da vida cultural lisboeta" e a sua "participação activa na vida da SPA", de que o seu avô, Pedro Bandeira, foi um dos fundadores em 22 de Maio de 1925.
A quase totalidade da obra dramática de Bandeira Freire foi publicada na colecção de teatro da SPA, com chancela da qual se preparava para lançar uma peça inédita.
O corpo de Bandeira estará em câmara ardente na Galeria Carlos Paredes, no edifício da SPA na Rua Gonçalves Crespo entre as 15:00 do dia 17 e as 11:00 do dia 18, dali partindo para o cemitério dos Olivais, onde será cremado.

4 comentários:

vitoscano disse...

Deixem o Quarteto morrer que alguem lute por ele. Ainda lá cheguei a ver alguns filmes e tenho só 31 anos.

José Soares disse...

Paz.

hora tardia disse...

e assim mais um amigo especial que foi muito cedo...
:(


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beijo.

Ana Paula disse...

Lamento pela personalidade que perdemos e pelo simbólico Quarteto que tão bom cinema nos deu a ver...
:(