domingo, junho 09, 2013

UM DIA PELA "LINHA"

7 DE JUNHO DE 2013
11 horas da manhã

O dia 7 de Junho foi feriado municipal em Oeiras e Cascais. Por razões que facilmente se percebem, por ali andei, pela chamada marginal, ou “linha”, de manhã à noite. Dia madrugador para mim, pois tinha que estar no Auditório Eunice Muñoz por volta das 10,30 h, para integrar a Sessão Solene Comemorativa do Dia do Município, com início marcado para as 11 da manhã. Em virtude das minhas actividades cinematográficas, nomeadamente as três masterclasses que tenho dirigido nos últimos anos, no auditório César Batalha, o município resolveu atribuir-me a Medalha de Mérito Municipal de Grau Ouro. Recompensa que muito agradeço, tanto mais que é atribuída em vida (graça a Deus e/ou aos avanços da medicina que tanto incomoda os responsáveis pela Segurança Social!), e se refere a uma actividade a que me dedico intensamente desde que me conheço e re-conheço, mais ou menos há 50 e tal anos.

Gostei muito de ver a meu lado a Drª: Maria do Rosário Carneiro, a fadista Esmeralda Amoedo e o meu ídolo de infância, o ciclista Alves Barbosa, que saudei emocionado, entre muitos outros que “por obras valerosas” fizeram jus a estar ali.
Inclusive uma dona de restaurante, iraniana, instalada há anos no nosso país, que diariamente oferece doze refeições aos mais necessitados do concelho.
Em boa companhia, portanto, ali estive e continuei.

13 horas
O Dia do Município de Oeiras continuou com a inauguração da Adega do Palácio do Marquês, seguida de uma refeição volante e do lançamento (melhor dizendo relançamento) de uma reedição do livro “Memórias da Linha de Cascais”, da autoria de Branca de Gonta Colaço e de Maria Archer, uma edição da Parceria António Maria Pereira, com apoio das Câmaras de Oeiras e Cascais.  A primeira edição desta obra data de 1943, mas o álbum que agora surge vê enriquecida a sua qualidade literária e a importância histórica com uma vasta e brilhante iconografia, que transforma o livro num irresistível must que, obviamente, trouxe para casa.
A reunião permitiu rever amigos e companheiros de há longa data, que não via há anos, o que é sempre reconfortante. Entre eles, a Antónia Maria Pereira e o Carlos Pina Cabral, ligados à reedição.


17 horas

Inauguração oficial do Hotel Vila Galé Palácio dos Arcos, cinco estrelas, dedicado à poesia, certamente por ter ali mesmo ao pé da porta o Parque dos Poetas. A adaptação e reabilitação integral do Palácio dos Arcos numa unidade hoteleira é um acontecimento que merece a publicidade gratuita. A decoração é magnífica e os poemas dispersos pelos corredores, salas e quartos é de extremo bom gosto, bem como a privilegiada localização, sobranceira ao rio Tejo. Os jardins contam com estátuas e um conjunto em bronze, um almoço de escritores, que justifica plenamente a visita. Não será para todas as bolsas, é certo, mas é bom haver no país estabelecimentos desta qualidade. 


18, 30 horas

No Centro Cultural de Cascais, inauguração de uma fabulosa exposição de fotografias da colecção John Kobal. Organizada pela Fundação D. Luís I e o Santa Barbara Museum of Art, com produção em Portugal de Terra Esplêndida, a mostra agrupa um conjunto de noventa originais vintage, dos mais importantes fotógrafos que trabalharam em Hollywood, entre 1920 e 1960. São fotos que aparecem incluídas num álbum absolutamente notável (“Glamour of the Gods”) também à venda no Centro, e que ajudaram a criar a envolvência mágica das estrelas que habitaram por essas décadas o céu de Hollywood. As estrelas não eram perfeitas, o paraíso não era ali, mas o que nos reservam estas imagens que vão desde os tempos do cinema mudo até ao final do “studio system”, é essa imagem utópica de uma corte celestial. Quem gosta de cinema e não se importa de ser manipulado por essa beleza intocável, esta é uma viagem impossível de ignorar.


Oportunidade ainda para rever bons e velhos amigos, O José Matos Cruz e a Fátima, o Salvato Telles de Meneses. Amigos no céu das estrelas, que mais se pode desejar.  (sobre o Matos Cruz, falo a seguir)


20 horas

Jantar, um belo bife, com televisão ao pé, para ver Portugal 1, Rússia 0. Tal como as estrelas de Hollywood, um dia (quase) perfeito.

2 comentários:

Luis Eme disse...

eu diria, um belo dia pela linha. :)

Jose Carrilho disse...

Olá,

O Centro Cultural de Cascais tem sido palco de exposições deveras interessantes e únicas no nosso país. Isto graças à colaboração entre diversas entidades.

"Made in Hollywood" é mais um exemplo da importância que tem sido dada à fotografia nas várias exposições.

Há com certeza muita gente que gostaria de ver esta exposição. É pena que os meios de comunicação social não a divulguem com mais frequência - quem diz esta, diz outras.

Podiam utilizar os meios de transporte público de forma mais eficaz para divulgar a arte em Portugal.
Enfim...

Cumprimentos,

José Carrilho

P.S. Tenho saudades daquele frango assado de Cascais, embora tenha uma boa casa aqui em Campolide.