domingo, julho 09, 2006

ACTRIZES QUE ME MARCARAM
(III)
Emmanuelle
(SYLVIA KRISTEL)
EM “EMMANUELLE”
Nesta série que aqui estou a publicar, este texto de hoje tem de ter uma explicação prévia. Depois de Natalie Wood e Marilyn Monroe, e antes de Greta Garbo, Marlene Dietrich, Louise Brooks, Simone Signoret, Zhang Ziyi, Michelle Pfeiffer, Romy Schneider, e muitas outras, colocar Sylvia Kristel pode parecer crime de lesa arte de representação. Pois se calhar é.

Devo dizer também que (apesar de reconhecer a importância histórica) não gosto de "Emmanuelle" como filme e não acho Sylvia Kristel uma boa actriz. Nessa obra, então, que fez a sua glória, acho-a mesmo muito mediocre, como actriz. Vi-a depois fazer outros filmes muito mais interessantes (com Chabrol, Vadim, Robbe Grillet), onde ia bastante melhor. Nunca foi, porém, uma actriz de eleição, mas foi, e ainda é, uma mulher que interpretou muitos filmes, e como mulher é inesquecível. Foi, quer se queira quer não, uma actriz que me marcou. E de que maneira! Passo a explicar:
Em 1981 ou 1982, escrevia eu regularmente para o "DN", fui convidado a ir a Madrid, ao lançamento para a Peninsula Ibérica de "O Amante de Lady Chaterley". Havia conferência de imprensa para jornalistas e críticos com Sylvia Kristel, a sala esteve apinhada, toda a gente fez as perguntas que quis (e soube fazer). No final da conferência, apanhei Sylvia Kristel por entre uma aberta na sua segurança pessoal e pedi-lhe uma entrevista exclusiva. Ela olhou para mim, e marcou para o fim da manhã seguinte, no quarto nº tantos do hotel onde se encontrava hospedada.
Assim foi. Na manhã seguinte, toquei a porta do quarto, apareceu uma secretária que me disse que a Senhora Kristel me receberia já, "estava a acabar de tomar banho e viria tomar o pequeno almoço connosco, e falar." (Connosco: pois esqueci até agora de dizer que eu ia acompanhado do meu amigo e companheiro de lides, José Vaz Pereira). A entrevista decorreu (a foto documenta-a). E Sylvia Kristel, que até não é uma grande actriz, passou a ser uma das actrizes da minha vida: raras vezes vi uma mulher tão bonita, tão doce de olhar, tão suave nos gestos, tão amável, tão afável, tão simples no relacionamento. O olhos e a tonalidade da pele. O sorriso. Tudo sem qualquer pose.

Ela vai estar em Avanca, durante o próximo Festival, a dar um "work shop" sobre “Cinema e Pintura – um espaço criativo para protagonistas”. A organização explica: " A prática do cinema e da pintura como artes onde se contam histórias de protagonistas. O filme “Topor et Moi” é o ponto de partida de todo o trabalho criativo previsto. "

"Orientador - Sylvia Kristel (Holanda) A actriz Sylvia Kristel protagonizou nos anos 70 a mais célebre personagem do cinema erótico europeu, êxito rapidamente transposto para a escala global num dos raros momentos em que o cinema europeu ocupou o lugar cimeiro da exibição cinematográfica, bem longe de todas as restantes cinematografias, nomeadamente a americana. A personagem “Emmanuelle” deu origem a uma sequela de filmes, o primeiro realizado por Just Jaekin, que consolidando um género cinematográfico, são a sua maior expressão. Sylvia Kristel protagonizou e participou em mais de meia centena de filmes, incluindo “Alice” de Claude Chabrol onde tem uma das suas melhores interpretações.

Nos últimos anos, tem participado sobretudo em produções holandesas, nomeadamente com Dorna van Rouveroy e Ruud den Drijver, produtor da sua primeira incursão na realização. A pintura acompanhou-a desde Paris, onde Roland Topor lhe deu aulas de pintura e que em parte inspira o seu filme “Topor et moi”. Sendo este o seu primeiro filme enquanto realizadora, é sobretudo uma obra que junta a pintura e o cinema para recriar a memória da cena artística de Paris no início da sua carreira interpretando “Emmanuelle”. Hugo Claus, W.F.Hermans e outros, ganham vida na pintura de Sylvia Kristel e depois no seu filme e na animação. Kristel ultima a sua autobiografia que deverá chegar em breve às livrarias.
Orientador - Ruud den Drijver (Holanda) Autor e produtor, Ruud den Drijver é autor de vários argumentos dos quais produziu a maior parte dos respectivos filmes. Realizou alguns filmes, como “Tintin in the land of dreams”. Fundador da “Cineventura”, tem participado na produção de vários projectos de ficção e animação. Produziu várias longas-metragens do polémico realizador holandês Pim de la Parra, mas também de Dorna van Rouveroy, Robbe De Hert e David S. Jackson. Produziu animação de Juan de Graaf, Hisko Hulsing, Milan Hulsing, Hans Richter e o filme de estreia na realização de Sylvia Kristel. Os seus filmes têm tido distribuição mundial, em mais de 50 países."

Como também vou acompanhar um "work shop" por essas bandas, espero re-encontrar, olhos nos olhos, essa actriz que me marcou. Compreendem agora a razão da escolha e a sua actualidade?

Sobre alguns filmes de Sylvia Kristel vou recuperar críticas minhas em LA_ Arquivo. http://laarquivo.blogspot.com/

e poderão ainda ver mais algumas fotos

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