segunda-feira, maio 14, 2007

MANHÃ SUBMERSA NO QUARTETO

manhã submersa

Li Manhã Submersa há uns poucos anos, mas o meu Vergílio Ferreira já era (e continua a ser) outro, aquele onde aparece a magnífica Sofia. Foi portanto com uma memória difusa que entrei no Quarteto para ver a adaptação que Lauro António fez para cinema em 1980, e que se encontra em reposição.
Filmado na Serra da Estrela, “Manhã Submersa” segue os trilhos de António, um menino de uma família muito pobre que é encaminhado por uma senhora devota e abastada da região para um seminário. No seminário, mostrado com um espaço de extrema disciplina e autoritarismo asfixiante, António toma consciência de si enquanto homem, constatando a evidência da sua falta de vocação e ganhando finalmente coragem para o acto brutal que o conduz à libertação.
O filme consegue captar bem o ambiente de prisão do seminário (embora nunca caia na crítica sensacionalista à Igreja), pontuando-o com visões evasivas de António, que recorda a beleza imensa das paisagens e das gentes da sua terra. E apesar de estarmos perante um protagonista de pouca idade, nem por isso deixamos de o ver – também – como alguém que se está a tornar pleno, conhecendo, percebendo, superando-se.

Com uma banda sonora a cargo de trechos de Verdi, que confere ao filme um tom trágico, “Manhã Submersa” é um filme muito interessante sobre a infância, o crescimento e a forma como somos condicionados e como ousamos procurar uma forma de romper com as limitações que nos são impostas.
(e foi também uma forma de recordar a Serra, na boa companhia da Rita e do Miguel)
escrito por H. pelas 12:00 AM
Comentário escrito por H. no Blogue "
As Imagens Primeiro."

11 comentários:

isabel victor disse...

Hummmmmmm

É bom rever ...

Se bem me lembro ... vi este Laurofilme pela primeira vez no Festival da Figueira da Foz (de BOA memória )

Um beijo* de estrelas

H. disse...

Caro Lauro,
Que surpresa (boa) vir reencontrar as minhas pequenas impressões sobre o seu filme por aqui!
Obrigada pela referência :)

Lauro António disse...

H: Bom é saber que uma jovem como você, 27 anos depois da estreia, acha o filme interessante. Quer dizer que o tempo não terá passado muito por cima do filme. Por outro lado, é curioso que alguns blogues falem da reposição do filme, e a comunicação social silencie.
Isabel: Bom festival, esse da Figueira de 198. Um beijo.

Ana Paula disse...

Um belo filme! Tenho que o rever com calma... :)
Parabéns mais que devidos ao realizador!

Lauro António disse...

Ana: que tal ver antes de rever? lol

Ana Paula disse...

L.A., já o vi mas sem a calma com que aprecio ver. Quem me emprestou o dvd, tinha pressa que eu o devolvesse. :(
Mas está na minha agenda! :)

inominável disse...

oh, a Sofia da Aparição... ou o eterno feminino de Em nome da Terra, Para Sempre, ...

BlueAngel disse...

Vi há tantos anos que não me lembro. Era muito gaiata e não me interessei muito pelo filme, há que ser verdadeira. Tenho vontade de o (re)ver e quiçá não será desta. De qualquer forma, devo dizer que este meu nick e este filme associados já me ofereceram um momento muito interessante. :-) Vou procurar o DVD concerteza!

Lauro António disse...

BlueAngel: deixa-me mortinho de curiosidade. Eu não dei por nada! Beijos.

BlueAngel disse...

Com uma vida tão preenchida não se pode lembrar de tudo, compreendo. ;-) Cuidado que a curiosidade matou o gato.... O meu baú das memórias não me engana. ;-)

belinha disse...

E quando eu vi este filme no Festival da Figueira da Foz?!Lembra-se de cá ter passado?