quinta-feira, outubro 25, 2007

A 11º HORA NO CINE ECO


Anteestreia no Cine Eco
“A 11ª HORA”

Ante-estreou no Cine Eco o último filme de Leonardo DiCaprio, “The 11th Hour”, uma realização de Nadia Conners e Leila Conners Petersen, com argumento, apresentação e co-produção do actor norte-americano, que assim se junta ao grupo de celebridades ambientalistas que oferecem a sua mediatização para chamar a atenção para os problemas com que o planeta Terra se depara. Depois de Al Gore que, com “A Verdade Inconveniente” conseguiu sensibilizar milhões para a causa ambientalista, promover a sua carreira política, ganhar o Oscar para o melhor documentário do ano e ainda arrecadar o Nobel da Paz, muitos serão seguramente os seguidores desta política que a todos diz respeito e que tão bons resultados então colheu. Nesta mesma edição do Cine Eco, dois outros filmes o atestam, com participações de Joanne Woodward e Meryl Streep.
Quanto a “The 11th Hour”, deve dizer-se que é obra que não oferece grandes novidades ao mundo, quer cinematográficas, quer no plano da defesa dos valores ambientalistas. Mas tem a enorme vantagem de trazer para o grande público a discussão de variadíssimos temas, alicerçando a conversa em opiniões de alguns dos mais reputados especialistas de todo o mundo. Na verdade, esta obra que Leonardo DiCaprio ajudou a criar e a projectar internacionalmente funciona com um vasto puzzle de opiniões de dezenas e dezenas de “opinions makers” dos cinco continentes, com especial enfoque nos EUA e Europa, que abordam as mais variadas questões que ameaçam o planeta, da poluição à crise da àgua, do terrorismo e das guerras ao equilibrio dos ecosistemas, do aquecimento global aos detritos, da sensibilização para a educação ambiental à desigualdade ricos-pobres, etc. Nenhum tema é deixado de lado, todos são sumarizados por vezes de forma brilhante numa única frase de alguém que sabe do que fala e o faz com eficácia, ajudado por imagens que ilustram com propriedade o que se diz. Houve quem criticasse o lado demasiado palavroso do filme, que a mim me agrada, por definir uma proposta coral, uma voz colectiva que se ergue em defesa do Homem e da Natureza. Há mesmo quem afirme de início que o grande problemas das sociedades actuais, altamente industrializadas e consumistas, é o facto de se pensar que existe uma dualidade a harmonizar: o Homem e a Natureza, quando na verdade o Homem “é”, “faz parte” da Natureza. Foi esse princípio de integração que se perdeu, e que leva outro interveniente a dizer: “Não se preocupem com o planeta Terra, esse vai continuar a existir, nós é que já cá não estaremos para ver os campos que voltarão a ser verdes e as águas límpidas.”
Creio que a intenção da equipa que Leonardo DiCaprio capitaneou esteve interessada sobretudo em realizar um filme que fosse um alerta mais ao mundo, e que, depois de estreado nas salas de todo o mundo, continuasse por muitos anos a abrir debates sobe o ambiente em universidades e associações ambentalistas. Creio que cumpriu a proposta. Não temos uma obra-prima sobre o ambiente, não irá ganhar o Nobel, mas vai servir para muito de futuro.

in "Conversas de Café", do dia 26 de Outubro de 2007

3 comentários:

Klatuu o embuçado disse...

A causa pode ser nobre - mas duvido que o filme não seja uma perda de tempo.

Klatuu o embuçado disse...

P. S. Se precisar de uma transfusão de sangue para concretizar o «Drácula em Lisboa»... diga.
Diário de um Vampiro (a meio da página).

Fragmentos Culturais disse...

Confesso que não sendo eu fã do actor Leonardo DiCaprio, estou bastante expectante em relação ao seu 'The 11th Hour'!

Independentemente dos ícones que tenha juntado para o fazer, suponho que será mais uma 'pedrada' para abrir bem os olhos dos que se preocupam com os problemas do Ambiente e na sequência de 'Uma Verdade Inconveniente', um alerta para as novas gerações!

Boa semana!