segunda-feira, julho 24, 2006

ALIDA VALLI

Uma bonita referência no "Divas" recordou-me que uma das mais belas e sedutoras actrizes do cinema italiano tinha desaparecido há pouco, perante uma quase indiferença da cinéfilia portuguesa. No entanto, a sua interpretação da Condessa Serpieri, no "Sentimento", de Luchino Visconti, bastaria para lhe assegurar um lugar de destaque na História do Cinema. Mais do que isso, um lugar de destaque no coração e na memória de quem gosta de cinema, de quem tem o prazer de parar perante a beleza esfíngica e solar desta mulher, aristocrata por nascimento, mas sobretudo aristocrata pela postura e a sensibilidade do olhar.
Mas Alida Valli passou ainda por filmes de Antonioni (O Grito), Hitchcock ("O Caso Paradine"), de Carol Reed ("O Terceiro Homem"), de Bernardo Bertolucci ("A Estratégia da Aranha", "1900"), tudo obras míticas que as novas gerações não deviam esquecer.

O futuro só se constrói com a memória do passado. É isso o que se chama "Cultura". É cultura que vai faltando, quando a barbárie avança. Cultura é a recordação da sensibilidade de Visconti, do seu olhar de aristocrata marxista, do seu distanciamento apaixonado desta história de amor louco ("alienado", se dizia na época, segundo a cartilha de George Lukacs) de uma aristocrata italiana, casada, por um oficial do exército invasor austriaco. No alto do sotão onde os amantes se reuniam, por entre quinquilharia vária, das galerias da Ópera donde caíam panfltetos revolucionários, apelando à revolta e a Garibaldi, Visconti traça um painel notável da história de Itália.

Alida Valli é o retrato sempre presente dessa mulher que a paixão perdeu, mas que o amor redimiu, apesar da condenação dos homens. Atravessando os corredores do seu palacete, acolhendo no leito o fingido austríaco, abraçando no canapé donde escorre uma coberta vermelha como o sangue, investigando o ciúme que a leva perseguir o oficial sem honra, ou despojada de tudo, oferendo-se sobre palha ao homem que ama, Alida Valli é um rosto de mulher e uma presença de paixão que nunca mais se esquece. Honra de Visconti também, mas momento de génio e fulgor de uma actriz admirável.

MAIS ALIDA VALLI:

Alida Maria Laura Altenburger,
Baronesa de Marckenstein e Frauenberg,
nasceu a 31 de Maio de 1921,
em Pola, Istria, Itália,
e morreu em Roma, a 22 de Abril de 2006.







4 comentários:

Hugo Alves disse...

Já para não falar da participação noutro grande filme: "il grido" de Michelangelo Antonioni.

Abraço!

Anónimo disse...

Lapso lamentável que vou rectificar. Obrigado. LA

Hugo Alves disse...

Qual lapso, qual quê! :-)

Claudia Sousa Dias disse...

Sem comentários LA!

Simplesmente...DIVA!


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