sexta-feira, julho 21, 2006

PRÉMIO NACIONAL

DO AMBIENTE:

CINE ECO

(Festival Internacional

de Cinema e Vídeo do Ambiente

da Serra da Estrela, Seia, Portugal)

PRÉMIO CARREIRA:

PROF. DR. FERNANDO CATARINO


Sobre o Prof Dr. Fernando Catarino, que já tivemos a honra de o ter a presidir ao Júri Internacional de uma das anteriores edições do Cine Eco, transcrevemos um texto, com a devida vénia ao seu autor, que nos parece exemplar sobre a personalidade e a obra deste autêntico mestre:
Prof. Fernando Catarino
O Professor

Quantos professores nos marcam ao longo de uma vida? Poucos, muito poucos. Mas há alguns que não esquecemos, nunca. [...] Da passagem pela faculdade, onde já cheguei tarde depois de um atribulado e kafkiano percurso para desistir do curso de Medicina e abraçar o de Biologia, ficou-me, entre muitos, a recordação de um professor. Das suas aulas. Das vezes que com ele saí para o campo. E da cumplicidade que nos permitiu voltar a trabalhar juntos mais tarde, já eu era jornalista a tempo inteiro e ele apresentador de televisão por uns dias.

Para mim, não foi apenas um professor. Foi, talvez, "o" professor. O que era capaz de manter em silêncio, como que hipnotizada pelas suas palavras, a assembleia de alunos que enchia o velho anfiteatro de Botânica da Faculdade, nas instalações meio ardidas, meio recuperadas, da Rua da Escola Politécnica. O que nos apresentava a taxonomia levando-nos pelos caminhos da ecologia - ainda hoje guardo, em lugar de honra da biblioteca, o compêndio que seguia, "Botany: An Ecological Approach" - e fazendo-nos ver como e porquê as espécies tinham evoluído. O que nos levava ao Jardim Botânico, mostrando-nos o segredo de cada planta, revelando o mistério de cada árvore, entusiasmando-se em cada aula como se fosse a primeira que dava na vida, transmitindo-nos o calor com que vivia cada descoberta - e por mais de mil vezes que percorresse o secular jardim, havia sempre algo de novo que ele descobria, algo que não estava lá na véspera, algo que quase o distraía do que estava ali a fazer, à frente de um bando de alunos com um bloco na mão

Mais tarde, quando o voltei a ter como professor em anos adiantados do curso, foi a Arrábida que nos levou a conhecer como poucos conhecem. Fora das estradas. Pelo meio das matas onde tínhamos de abrir caminho para seguir as regras do trabalho prático. Na sombra acolhedora, cativante, misteriosa, da Mata Coberta. Ou trepando pela "cascalheira", ele sempre à frente, impondo um ritmo que poucos eram capazes de seguir. Essa energia contagiante, ao mesmo tempo física e intelectual, a capacidade de comunicar, de encontrar o exemplo certo para explicar o fenómeno mais complexo, de partilhar com os alunos o seu entusiasmo, de impor uma disciplina serena a par com uma exigência firme, tudo isso faz de Fernando Mangas Catarino, o Catarino para os alunos, o Mangas, para os amigos, o paradigma do professor.

A lei impõe que se jubile, mas a última vez que estive com ele percebi como se mantêm intactas todas as suas qualidades. Não sei, nem lhe perguntei, se gostaria de continuar. Mas sei - sei mesmo - que ao deixar de dar aulas deixa a Universidade de Lisboa, todas as Universidades, mais pobres. Porque são raros os grandes professores. Como ele sempre foi.

JOSÉ MANUEL FERNANDES, in Jornal Público Domingo, 10 de Novembro de 2002

3 comentários:

teresa sá disse...

parabens pelo premio atribuido ao cine eco!
beijinho

Matilda Penna disse...

Parabéns pelo Prêmio Nacional do Ambiente que o Cine Eco ganhou.
Beijos, :).

Shara disse...

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