segunda-feira, julho 07, 2008

NO BRASIL, III


TROPA DE ELITE
Há uma nova geração de cineastas no Brasil que traz um olhar novo sobre a realidade do seu país. Nem todos alinham pelo mesmo diapasão, mas pode dizer-se que alguns não temem enveredar pelas favelas e focar os desgraçados que ali vivem, os gangs que controlam os movimentos, os polícias que ganham com o esquema montado, os governos que tentam passar incólumes entre os pingos da chuva, ou as balas dos tiroteios, dando-nos o outro lado do Brasil que o turista vê. Ainda há dias escrevi sobre a Cinelândia, os cinemas e os cafés, a confeitaria Colombo, e obviamente não reportei as colinas que descem pesadamente sobre a cidade, essas favelas de pesadelo que lá do cima parecem controlar os movimentos de quem se passeia no Centro ou na Avenida Atlântica. Não há um Brasil, há vários. Há também o das favelas, do crime organizado, da droga controlada e difundida, da polícia que coopera, que protege mediante um tanto, que vende armas ao assaltante, do coronel que recebe por baixo da mesa o “mensalão” recolhido pelo subalterno, do burguês que consome droga, sem imaginar quantas crianças é preciso morrerem para o diletante chutar uns momentos de paraíso artificial. Há esse Brasil, que passou em várias obras, como “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles, ou a recente “Tropa de Elite”, de José Padilha. Não conheço o documentário “Ônibus 174” (que dizem ser sensacional!) com que o cineasta se estreou no cinema de longa-metragem. Vi agora no Brasil “Tropa de Elite” que provocou várias ondas de choque de diverso significado, antes e depois da sua estreia. Antes, porque precedendo a sua estreia nas salas do Brasil de dois meses, o filme vendeu DVD pirata “p’ra caramba” em todas as ruas das cidades brasileiras, rendendo bons reais aos “camelôs” que os anunciavam clandestinamente (mas pouco, há todos os DVDs de momento à venda nas ruas do Rio ou de São Paulo). Dizem que mais de 3 ou 4 milhões de brasileiros viram o filme antes da estreia oficial nos cinemas (e na estreia ainda se conseguiu colocar entre os filmes brasileiros mais vistos de sempre no Brasil). É obra. Espíritos mal intencionados insinuaram mesmo e puseram a correr o boato de que este lançamento clandestino do filme fora manobra de marketing da própria produtora, mas a verdade é que acabou por saber-se, no tribunal, que foram funcionários sem escrúpulos de uma empresa de legendagem (que preparava cópias da obra, legendadas em inglês) quem pirateou o filme e inundou de reproduções o mercado. A polémica estoirou mesmo antes do filme estrear até porque a polícia se sentiu “insultada” e resolveu interpor providência cautelar, tentando impedir a sua exibição. Uma juíza da 1ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, de seu nome Flávia de Almeida Viveiros de Castro, negou porém o pedido dos autores, destacando: “Não existem críticas às instituições. As críticas feitas são ao sistema”. As produtoras e distribuidoras Zazen Produções e Paramount Pictures do Brasil puderam portanto exibir o filme, passando por cima da denúncia de que este “violava a honra, a dignidade e até mesmo a integridade física dos integrantes do BOPE”.
Aproxima-nos do âmago de uma das questões: o BOPE (por extenso: Batalhão de Operações Policiais Especiais). Diz quem viu (não consegui ainda ver, nem em DVD) que, em 1999, os cineastas João Moreira Salles e Kátia Lund rodaram um documentário, “Notícias de uma Guerra Particular” (vendido clandestinamente, com o título – inventado! - “Tropa de Elite, nº 2”, ao que me contam também, o que não deixa de ser pirataria a dobrar!) onde um capitão do BOPE, Rodrigo Pimentel, confessava estar “cansado” da batalha diária que travava contra o tráfico, já que nenhum resultado efectivo parecia estar sendo alcançado e os governantes não demonstravam o menor interesse em fazer algo que pudesse representar uma solução eventual para a criminalidade.” Saiu entretanto uma obra, "Elite da Tropa", escrita por André Batista, Luiz Eduardo Soares e o mesmo capitão Rodrigo Pimentel (julgo que agora é ex-capitão) que denunciava muito do que se passava no interior daquela força policial. Oito anos depois da entrevista concedida a João Moreira Salles e Kátia Lund, Rodrigo Pimentel assina, ao lado de Bráulio Mantovani (argumentista de “Cidade de Deus”) e de José Padilha, o argumento de “Tropa de Elite”, que, inicialmente o realizador queria transformar num documentário. Pensou, porém, que não viveria muitos dias depois da estreia do documentário com as acusações que o mesmo encerraria, visando factos e personalidades reais, e resolveu ter um pouco de amor à (sua) vida e à dos seus mais próximos colaboradores, optando por construir uma ficção. Que não será menos contundente.
“Tropa de Elite” situa-se no ano de 1997, algum tempo antes da anunciada visita do Papa João Paulo II ao Rio de Janeiro. Sempre que alguma personalidade importante visita a cidade, a segurança é duplicada. Com o Papa, foi um pouco diferente. Nenhum político quer ser acusado de ver o Sumo Pontífice alvejado no seu país. Logo, a segurança é triplicada. Com meses de antecedência preparam-se os “festejos.” Prendem-se os “suspeitos do costume”, invadem-se os morros e vasculham-se as favelas, intimida-se meio mundo, tortura-se, mata-se ou deixa-se ali à mão de semear os denunciantes que pactuaram, para o gang do lado se encarregar deles. Agora mesmo, nesses dias ainda de início de Junho de 2008, uns militares em acção numa favela do Rio entregaram, como vingança, três rapazolas “dealers” a um grupo rival de traficantes que os torturou durante horas, cortou pernas e braços, e depois despejou nos caixotes do lixo. Percebe-se, pois, de que tipo são as relações entre os fora da lei e os agentes da autoridade.
Mas voltemos ao filme. Este tem como protagonista o Capitão Nascimento, um dos comandantes do Batalhão de Operações Especiais, a quem foi atribuída a missão de garantir a segurança do Papa. Nascimento está cansado das suas tarefas, stressado com o ritmo e a violência do dia a dia, farto do desgaste físico e psicológico, toma drageias para sobreviver, e a sua ambição máxima é ver nascer o filho que se anuncia. Tem de arranjar um substituto para o seu cargo se quer uma trégua, está empenhado em várias frentes, uma delas são as aulas de recruta que ministra aos novos aspirantes. Para se pertencer ao BOPE tem de se possuir uma têmpera invulgar, passar por provas de tortura, de humilhação, de resistência, de esforço desmedido. É o que fazem Matias e Neto, os outros dois protagonistas desta obra. Assiste-se ao seu comportamento nas aulas, ao seu trabalho nas ruas, e, no caso de Matias, ainda ao seu estudo na Universidade de Direito, onde procura tirar um curso, passando ignorado junto dos colegas quanto à sua actividade policial. Descobre como alguns alunos, vindos das boas famílias do Rio Sul, consomem droga e entra na negociata, penetra no morro atrás de uma namorada que trabalha numa ONG, dá de cara com o chefe do gang, e é um dia descoberto, quando uma fotografia sua, em acção, é colocada na primeira página de um jornal. Quando quer enviar uns óculos a um miúdo da favela, provoca uma tragédia, que ira desencadear outra tragédia, que irá desembocar numa espiral de fogo e dor.
Que nos diz a obra? Que os traficantes matam e morrem, que os policias morrem e matam, que ambos negoceiam entre si, que os poderes sabem e pactuam, que a corrupção passa do mais alto nível ao mais baixo, que quem não pactua no morro ou no quartel é linchado, o agente da autoridade é enviado ao morro pelos superiores hierárquicos para ser abatido, o puto delator é libertado para ser abatido, o polícia que passa na hora errada é abatido, neste universo de uma brutalidade asfixiante não há quase rapazes bons. Quase, porque fica o exemplo de Neto e Matias, de Nascimento e de alguns mais que, apesar de não figurarem entre os protagonistas, o filme deixa a esperança de, quiçá, existirem. Há quem acuse a obra de criar heróis, falsos heróis, porque ainda há polícias honestos. Querem então proclamar que “todos os agentes de segurança”, todos os “representantes do Poder instituído” são bandidos corruptos? Se for esse o vosso desejo, o melhor é desistir já. Mas há mais acusações. Que os processos de mafiosos das favelas e policiais de giro são idênticos. Todos torturam e matam. Pois, essa é uma das acusações do filme, parece-me, com uma ressalva. “Tropa de Elite” não é ingénua ao ponto de propor a história do pobrezinho desgraçadinho desde criança, e do polícia mauzinho desde o banco da escola, e do burguesinho de esquerda, intelectual consumidor de haxixe, que é a voz da consciência desta maldita sociedade destruída pelo dinheiro. Em “Tropa de Elite” há maus para todos os gostos. Nada é límpido e o “homem novo” está muito longe de existir. Há uns puros que se vão adaptando à realidade, como é o caso de Matias. Aliás, nesse aspecto, “Tropa de Elite” é mesmo o trajecto de uma iniciação, de uma aprendizagem, com aulas teóricas e práticas a toda a hora que, no quartel e cá fora, na vida quotidiana, em lugar de encaminharem para a honra e a dignidade, se encarregam de deformar o que de melhor existe dentro do homem. Essa viagem que acompanha o rosto de Matias, desde a sua promissora e entusiástica entrada no “corpo” da polícia até ao entrosamento final na “filosofia” do mesmo, é um dos elementos brilhantes desta obra. O plano final de “Tropa de Elite” é elucidativo desse percurso. É esclarecedor da forma como se destroem homens, como se fabricam “matadores”, como se limpa da face da terra a ternura, o amor, a bondade. Padilha oferece o retrato do polícia, e do seu ponto de vista (por exemplo, um deles pergunta: “Acha que vou subir o morro e arriscar minha vida por 500 reais - cerca de 200 euros - por mês?”). Não me parece justo que sejam só os marginais a serem “compreendidos”. “Compreender” os polícias, mesmo quando eles também se assemelham a marginais, é um bom ponto de partida para se tentar alterar, um pouco que seja, este estado de coisas, que é um “estado de sítio”, sem grandes esperanças de se ver modificado.
O filme é ainda muito bom pela sua textura estética e a sua factura técnica. A fotografia, de um colorido denso e garrido, saturado, é algo obsessiva, claustrofóbica. A montagem é excelente, com um ritmo nervoso, inquieto, a câmara oscilando, mudando de enquadramento, viajando pelo espaço, procurando o centro da acção, o rosto, o olhar, o fugitivo, a bala perdida ou achada. A narrativa inicia-se num determinado ponto da história, recua ao passado, e retoma a marcha depois de explicado o que ficou para trás. É uma forma brilhante de agarrar o espectador, sem todavia tornar falsa ou rebuscada a descrição. Muito bons são os actores, na sua totalidade, desde o mais batido em representação (bom exemplo, Wagner Moura, um dos mais completos actores brasileiros da actualidade) ao neófito (André Ramiro, que interpreta Matias, era bilheteiro de cinema do shopping “Fashion Mall”, no Rio de Janeiro). A violência do clima geral alimenta-se muito destas convulsões de caracteres em fúria, em tortura psicológica, em stress continuado. Por falar em stress continuado, as sequências do treino da tropa de elite são do melhor que o cinema mundial nos deu até hoje, e já nos deram muitos exemplos de casos semelhantes (sobretudo os cineastas americanos). Terminando, refira-se a escrita do guião que é igualmente excelentemente trabalhada, os diálogos são rigorosos e eficazes, o monólogo do capitão Nascimento muito bem doseado e colocado nos espaços e tempos certos.
De resto, Padilha e a sua equipa, filmando nas favelas, e introduzindo-se em espaços, no mínimo “difíceis”, demonstraram grande coragem. Como curiosidade, conte-se que, em Novembro de 2006, ainda em rodagem em cenários naturais, alguns traficantes do morro Chapéu Mangueira, na Zona Sul do Rio, onde as filmagens eram feitas, sequestraram parte da equipa que trabalhava no filme e roubaram as armas utilizadas nas filmagens. 59 eram réplicas, mas 31 eram verdadeiras, adaptadas para balas de efeitos especiais. As filmagens foram suspensas durante cerca de duas semanas. Quer dizer: neste país, sobretudo nesta “cidade maravilhosa” (que o é mesmo!) ninguém deixa de pagar tributo a este sistema que se quer inexpugnável. Qualquer estranho que aí penetre, e que não seja traficante ou polícia, é olhado como suspeito ou vítima preferencial. O que um turista de passagem, olhando o morro cá de baixo, de Copacabana, não descobre. Mas intui.

TROPA DE ELITE
Título original: Tropa de Elite
Realização: José Padilha (Brasil, 2007); Argumento: Bráulio Mantovani, José Padilha, Rodrigo Pimentel, segundo "Elite da Tropa", obra de André Batista, Rodrigo Pimentel, Luiz Eduardo Soares; Produção: Bia Castro, Eduardo Costantini, James D'Arcy, José Padilha, Marcos Prado, Eliana Soárez, Genna Terranova; Música: Pedro Bromfman; Fotografia (cor): Lula Carvalho; Montagem: Daniel Rezende; Design de produção: Tulé Peak; Decoração: Odair Zani; Guarda-roupa: Claudia Kopke; Maquilhagem: Martin Macias, Ignácio Posadas, Sandro Valério; Direcção de produção: Robert Bella, Maria Clara Ferreira, Lili Nogueira, Edu Pacheco, Fernando Zagallo; Assistentes de Realização: Laura Flaksman, Laura C. Grant, Daniel Lentini, Clara Linhart, Malu Miranda, Phil Neilson, Pedro Peregrino, Rafael Salgado; Departamento de arte: Cristina Cirne, Dejair dos Santos, Thiago Marques; Som: Alessandro Laroca, Eduardo Virmond Lima, Leandro Lima, Fernando Lobo; Efeitos especiais: Marc Banich, Mauricio Couto Bevilaqua, Mike Edmonson, Sergio Farjalla Jr., Bruno Van Zeebroeck; Companhias de produção: Zazen Produções, Posto 9, Feijão Filmes, The Weinstein Company, Estúdios Mega, Quanta Centro de Produções Cinematográficas, Universal Pictures do Brasil, Costantini Films.
Intérpretes: Wagner Moura (Capitão Nascimento), Caio Junqueira (Neto), André Ramiro (André Matias), Maria Ribeiro (Rosane), Fernanda Machado (Maria), Fernanda de Freitas (Roberta), Paulo Vilela (Edu), Milhem Cortaz (Capitão Fábio), Marcelo Valle (Capitão Oliveira), Fábio Lago (Claudio Mendes de Lima 'Baiano'), Luiz Gonzaga de Almeida, Bruno Delia (Capitão Azevedo), Marcelo Escorel (Coronel Otávio), André Felipe (Rodrigues), Thelmo Fernandes (Sargento Alves), Emerson Gomes (Xaveco), Paulo Hamilton (Soldado Paulo), Bernardo Jablonsky, Daniel Lentini, Thiago Mendonça, Alexandre Mofatti, Erick Oliveira Otto Jr., André Santinho, Patrick Santos, Ricardo Sodré, Thogun, etc.
Duração: 115 minutos; Classificação etária: M/18 anos; Distribuição em Portugal: Lusomundo; Locais de Filmagem: Rio de Janeiro, Brasil; Data de estreia: 10 de Julho de 2008 (Portugal).

3 comentários:

Lóri disse...

Ai, meu querido Mr Movie,
Não me deixas mesmo dormir. Estou há dias para escrever um comentário sobre este post. É que é texto a mais e informação a mais e Rio a mais para se falar em um humilde e escasso comentário.

Muito do que pensei escrever na primeira leitura, agora, na quarta, escapa-me e/ou está mais complexo. Há alguns fatos/infos que gostaria de retificar, mas não vou, o texto é, por si só, muito bom para ser retificado. Por outro lado, ou talvez por isso mesmo, fizeste uma pesquisa monstro para contextualizar todas essas coisas ao longo do tempo e através dos diferentes pontos de vista, o que, como dizes, "é obra".

Lembraste, inclusive, do livro/entrevista que quase jogou na fogueira dos cineastas-persona-non-grata o adorável João Salles que, btw, é professor na PUC e um doce de pessoa. Mas ele colocou-se sim no centro de uma polêmica, na época, pois todos queriam saber COMO (e por quanto) teria ele conseguido as entrevistas. Enfim, folclore. Há que dar voz ao indizível e ao inconfessável, o problema é qd o inconfessável atinge os militares.

Neste país onde, desde a proclamação da república, eles vivem infiltrados no poder (flirt é muito pouco para tantos anos de ditaduras de diferentes "calibres", sempre orquestradas por militares) eles, os militares, ainda detêm poder, nem que seja o de assustar e fazer tremer boa parte da população. Seja de medo ou de nojo, ou por ambas as causas.

Enfim, o post tem duas partes bem distintas, a linguagem e a metalinguagem, e a metalinguagem da metalinguagem. Não vou fazer mais nenhuma "meta", pois já seria palavrório a mais, vai ver é por isso que ainda não comentaram. Ou pq estavam a espera que o filme estreasse por aí, para começarem as falas.

Só uma coisa, assim como o Brasil são muitos países, o Rio são muitas cidades diferentes em um mesmo espaço geográfico, ou em espaços contíguos. Viste como uma das minhas visitantes achou um absurdo irmos de passeio pela Cinelândia?

Acho que o grande problema é que, como dizia a Elis, "O Brasil não conhece o Brazil; o Brazil nunca foi ao Brasil". Por conta da ignorância - no sentido mais lato e sem preconceito da palavra - fica-se muitas vezes nos estereótipos, é o que me preocupa sempre em filmes como "Cidade de Deus", que conheço bem e do qual não gosto. E as imagens são sempre traiçoeiras, mesmo quando se querem portadoras da verdade.

Fico com a observação da minha irmã, ouvida ainda esta semana, há sempre, pelo menos, três versões de um fato: a minha, a tua e a verdadeira. E eu acrescentaria, a da ficção vendida nas livrarias e nos cinemas. O caso é que no teu texto, elas todas se misturam.

Beijos de inverno, pós-Flip cheia de lusófonos de todas as vertentes, e com saudades de conversa ao vivo.

Sony Hari disse...

Vi ontem “Tropa de Elite” e não sei por quantos dias terei aquelas imagens na primeira linha dos pesadelos.
Relia o seu texto sobre o filme e, a certo momento, diz que houve quem acusasse esta obra de criar heróis, falsos heróis. Na minha memória, asseguro, não ficaram heróis, mas uma violência extraordinária, imagens de gente muito má, sem escrúpulos, sem razão, que se alimenta do sistema instalado. É, sem dúvida, um sistema vergonhoso, perverso, mas é também um exemplo (horroroso) de equilíbrio. Um equilíbrio periclitante, é verdade, mas que conta, para se manter "saudável", com os esforços da polícia corrupta e dos traficantes do morro, que matam na medida certa, uma “limpeza” controlada, estratégica, talvez. Mata-se para manter o número certo de quem trafica e de quem se deixa corromper.

Lauro António disse...

Iori, obrigado pela excelente "leitura" e pelas carinhosas palavras. As tuas "metas" foram atingidas. Beijos lisboetas com sabor a samba.
Sony Hari: a ideia do equilíbrio é muito boa. O filme parece mostrar precisamente isso, ou tender para a sua demonstração: o equilíbrio no caos. Algo monstruoso, com a sua perversa lógica.
Beijo, com favela ao longe e sem "tira" por perto.