quarta-feira, julho 08, 2009

FESTIVAL DE TEATRO DE ALMADA, 4

:
CORTAMOSONDULAMOS
(CORTAMOS E FRISAMOS),
de Inés Saavedra
(segundo contos de Silvina Ocampo)
A “coisa” ia até agora tão bem, que não havia necessidade. Na verdade, com um programa exemplar até hoje, este espectáculo argentino deslustra no cômputo geral desta 26ª edição do Festival de Teatro de Almada. Chama-se “Cortamos e Frisamos” e é um trabalho de uma actriz, encenadora, autora, Inés Saavedra, que há anos transformou a sua própria casa numa sala de teatro, a que deu o nome de “La Maravillosa”, “destinando-a à investigação, estudo e criação de textos dramáticos”. Tudo bem, mas o texto dramático (por acaso uma pretensa comédia) que nos apresentou, com base em contos da escritora argentina Silvina Ocampo, deixa muito a desejar.
No palco, um salão de cabeleireiro, duas irmãs, proprietárias, Mabel e Marta, que comentam a vida das suas clientes e amigos enquanto vão trabalhando. Pequenos “fait divers”, festas, casamentos, divórcios, o fotografo atrasado, o loiro não apresentado, tudo serve para uma má-língua sem outra intenção que não seja a frivolidade do “corte na casaca”, por onde vão perpassando ciúmes e invejas, pequenas vinganças e mesquinhices semelhantes. Nada de particularmente bem escrito, nada de intencional, um texto de corta e cola ao sabor da inspiração de momento. Que, como se pressente, não foi muita.
Para comédia falta-lhe graça, o que seria a única atenuante. Assim, fica o mérito de ser curta, uma hora, e demonstrar alguma qualidade das duas actrizes em palco, Inés Saavedra e Maria Marta Guitart, que mereciam talvez melhor matéria-prima. Mas se não a tiveram, a culpa é também delas.
Melhores dias virão, certamente. E melhores noites de teatro, com menos frio (o que em inícios de Julho, não deixa de ser igualmente patético).

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