sexta-feira, janeiro 13, 2012

CINEMA: SHERLOCK HOLMES: JOGO DE SOMBRAS

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SHERLOCK HOLMES: JOGO DE SOMBRAS
 
Devo dizer que o anterior Sherlock Holmes, já com a assinatura de Guy Ritchie me tinha divertido. Sou um admirador incondicional de Arthur Conan Doyle, sobretudo dessa fascinante criação que é Sherlock Holmes, mas não me repugnou a sua “actualização” de personagens e situações. Não sei obviamente o que diria Arthur Conan Doyle se tivesse visto as muitas adaptações que o seu genial detective já justificou ao longo dos tempos, não sei quantas voltas já deu, ou daria, na tumba, se fosse um actual espectador de cinema, mas também gostaria muito de saber como seria o seu Sherlock Holmes, escrito hoje. Nada disso saberei, porque há mistérios insondáveis, mas sei de certeza que não gostei quase nada deste “Sherlock Holmes: Jogo de Sombras” que, à força de ser tão agitado, tão explosivo, tão turbulento, me aborreceu de morte. Na primeira hora já não sabia onde por as pernas, o corpo doía-me na cadeira (que é o pior que pode acontecer quando se vai assistir a um espectáculo), e já me parecia mais interessante olhar para o tecto do que para o ecrã, o que numa sala de cinema é sempre sintomático.
Na verdade até simpatizo com Guy Ritchie e com alguns filmes seus anteriores. Mas esta ânsia de criar uma aventura truculenta, onde tudo mexe até á exaustão, e o diálogo é quase incompreensível, tal o tratamento que lhe é dado, onde a história avança aos repelões, onde a pirotecnia desafia qualquer lógica de narrativa, enfim, custa muito a suportar este tormento. Um filme em que a montagem é de tal forma movimentada que nem se consegue analisar o trabalho dos actores, pois não há tempo para olhar o que quer que seja que não esteja a explodir, a correr, mesmo de burro, a disparar, a cair, enfim.
Diga-se porque me parece de justiça, que a segunda parte é melhor que a primeira, que vi com algum agrado uma sequência altamente explosiva durante uma fuga numa floresta, com alguns efeitos realmente interessantes, e que o confronto final entre Sherlock Holmes e Moriarte tem alguma graça com o seu tabuleiro de xadrez de permeio. Mas é muito pouco para tanto escarcéu inútil, e, mais do que isso, contraproducente. 


SHERLOCK HOLMES: JOGO DE SOMBRAS
Título original: Sherlock Holmes: A Game of Shadows
Realização: Guy Ritchie (EUA, 2011); Argumento: Michele Mulroney, Kieran Mulroney, segundo personagens criadas por Arthur Conan Doyle; Produção: Steve Clark-Hall, Susan Downey, Peter Eskelsen, Dan Lin, Joel Silver, Lionel Wigram, Bruce Berman; Música: Hans Zimmer; Fotografia (cor): Philippe Rousselot; Montagem: James Herbert; Casting: Reg Poerscout-Edgerton; Design de produção: Sarah Greenwood; Direcção artística: Netty Chapman, James Foster, Nick Gottschalk, Matthew Gray, Niall Moroney; Decoração: Alison Harvey, Katie Spencer; Guarda-roupa: Jenny Beavan; Maquilhagem: Christine Blundell; Direcção de Produção: Mark Mostyn; Assistentes de realização: Sarah Brand, Nicole Chapman, Barney Hughes, Paul Jennings, Max Keene, Paviel Raymont, Chad Stahelski; Departamento de arte: Shurouq Algusane, Netty Chapman; Som: James Harrison, Oliver Tarney, Mark Taylor; Efeitos especiais: Mark Holt; Efeitos visuais: Charlotte Adams, Laya Armian, Chas Jarrett, Natalie Lovatt, Sirio Quintavalle; Companhias de produção: Warner Bros. Pictures, Village Roadshow Pictures, Silver Pictures, Wigram Productions, Lin Pictures; Intérpretes: Robert Downey Jr. (Sherlock Holmes), Jude Law (Dr. John Watson), Noomi Rapace (Madam Simza Heron), Rachel McAdams (Irene Adler), Jared Harris (Professor James Moriarty), Stephen Fry (Mycroft Holmes), Paul Anderson (Coronel Sebastian Moran), Kelly Reilly (Mary Watson), Geraldine James (Mrs. Hudson), Eddie Marsan (Inspector Lestrade), William Houston (Constable Clark), Wolf Kahler (Doutor Hoffmanstahl), Iain Mitchell, Jack Laskey, Patricia Slater, Karima Adebibe, Richard Cunningham, Marcus Shakesheff, Mark Sheals, George Taylor, Michael Webber, Mike Grady, Alexandre Carril, Victor Carril, Thorston Manderlay, Affif Ben Badra, Daniel Naprous, Lancelot Weaver, Vladimir 'Furdo' Furdik, Thierry Neuvic, Martin Nelson, Mark Llewelyn-Evans, etc. Duração: 129 minutos; Distribuição em Portugal: Columbia TriStar Warner Filmes de Portugal; Classificação etária: M/ 12 anos; Estreia em Portugal: 5 de Janeiro de 2012.

1 comentário:

António Nunes de Almeida disse...

Dizer que não vi ainda esta versão do Sherlock Holmes, pode suscitar comentários do tipo "não viu e já está a dizer mal". O que se passa comigo não tem a ver como o filme mas com a personagem entrevista nos trailers e apoios publicitários ao filme. Acho que os autores criaram os seus personagens e os meteram em certos ambientes. Para mim há que respeitar essa génese. Um Maigret vive num certo Paris (que já tive o prazer de ir visitar propositadamente) e tem a cara de Jean Richard. Poirot é o David Suchett e o seu bigodinho, células cinzentas e a forma peculiar de se vestir a andar, Sherlock é e será sempre Jeremy Brett, tiques e ambientes incluídos.
Logo o que vi nos apoios publicitários ao filme, não é nem pode ser do meu agrado. A história será boa, a realização um primor, os artistas futuros oscarizados, mas não são nem nunca serão Sherlock. Aceitaria provavelmente o filme se as personagens se chamassem outra coisa qualquer, não tenho dúvidas. Mas Sherlock Holmes é que não.