A RAPARIGA DINAMARQUESA
Não sou definitivamente um entusiasta do estilo de Tom
Hooper, o super laureado realizador que nos deu “Maldito United” (2009), “O
Discurso do Rei” (2010), “Os Miseráveis” (2012), e agora “A Rapariga
Dinamarquesa”. Não posso dizer que deteste. Todos os seus títulos são
interessantes, o homem tem definitivamente jeito para casting e direcção de
actores, os temas são ambiciosos e estimulantes, mas o tratamento visual dado
aos seus filmes não me convence de maneira nenhuma. Muito rodriguinho
desnecessário, muito efeito só para encher o olho, muita grande angular, muita
profundidade de campo, mas sem grande justificação. Tudo mais decorativo que
eficaz.
Posto isto, “A Rapariga Dinamarquesa” é um filme
obviamente de assinalar por vários motivos e desde logo pela magnifica representação
de Alicia Vikander e Eddie Redmayne que interpretam as figuras de Gerda Wegener
e Einar Wegener (depois Lili Elbe), um casal de pintores dinamarqueses que
existiu na realidade na década de 20 e que viveu uma experiência extraordinária
e percursora de muitas outras que vieram depois.
O filme baseia-se no romance homónimo de David Ebershoff
e este tem como ponto de partida a vida de Gerda Wegener, casada com Einar
Wegener. Parece, todavia, que há muito (ou algum) romance excessivo na
biografia literária e também no filme, tendo em conta algumas críticas lidas sobre
esta pesquisa. O certo é que o casal vivia feliz em Copenhague dos loucos anos
vinte quando, um dia, Gerda pede a Einar para vestir uma roupa feminina a fim
de servir de modelo para um quadro que estava a acabar pintar. Einar veste
essas roupas e elas colam-se-lhe ao corpo. Abrem a caixa de pandora até aí
esquecida no seu íntimo. Einar sente-se mulher, e a partir daí vai reivindicar
essa sua natureza enclausurada num comportamento de homem. Ele será Lili. As peripécias
sucedem-se até o casal aceitar a intervenção cirúrgica, experimental, na Alemanha,
na altura absolutamente invulgar.
Um dos aspectos mais curiosos desta história é a relação
de completa (e complexa) cumplicidade que se mantem no casal. O que permite inclusive
a Alicia Vikander e Eddie Redmayne dois desempenhos notáveis, ela mais discreta
e contida, ele mais exuberante na sua transformação, mas sempre com um rigor e exigência
grandes. Alicia Vikander já a tínhamos visto muito bem num filme de época,
histórico, bastante curioso, “Um Caso Real” (e também em “Anna Karenina”).
Quanto a Redmayne, depois de “A Teoria de Tudo”, onde revivia o cientista
Stephen Hawking, volta a um trabalho de composição, daqueles que parecem
destinados a arrebatar todos os prémios. Com “The Theory of Everything” (2014)
levou para casa Oscar, Globo, Bafta e outros. Leonardo De Caprio não estará
pelos ajustes para que ele repita a dose este ano.
A
RAPARIGA DINAMARQUESA
Título
original: The Danish Girl
Realização: Tom
Hooper (Inglaterra, EUA, Dinamarca, Bélgica, Alemanha, 2015); Argumento:
Lucinda Coxon, segundo romance de David Ebershoff; Produção: Tim Bevan, Liza
Chasin, Eric Fellner, Nina Gold, Anne Harrison, Tom Hooper, Ben Howarth, Ulf
Israel, Deborah Bayer Marlow, Kathy Morgan, Gail Mutrux, Linda Reisman, Jane
Robertson, Tore Schmidt; Música: Alexandre Desplat; Fotografia (cor): Danny
Cohen; Montagem: Melanie Oliver; Casting: Nina Gold; Design de produção: Eve
Stewart; Direcção artística: Grant Armstrong, Céline De Streel, Tom Weaving;
Decoração: Kristy Parnham, Michael Standish; Guarda-roupa: Paco Delgado; Maquilhagem:
Jan Sewel; Direcção de Produção: Dorothée Baert, Tania Blunden, Laurent Hanon,
Deborah Bayer Marlow, Faye Morgan, Jo Wallett, Claus Willadsen; Assistentes de
realização: Baudouin du Bois, Ben Howarth, Charlotte Nichol, Vaughn Stein,
Harriet Worth; Departamento de arte: Chester Carr, Darren Hayward, Megan Jones,
Rebecca Pilkington; Som: Martin Beresford, Mike Prestwood Smith, Matthew
Skelding, etc.; Efeitos especiais: Simon Davey, Paul Dimmer, Johannes
Sverrisson; Efeitos visuais: Helen McAvoy; Companhias de produção: Working
Title Films, Artémis Productions, Kvinde Films, Shelter Prod, Pretty Pictures,
ReVision Pictures, Taxshelter. Be, Le Tax Shelter du Gouvernement Fédéral de
Belgique, Copenhagen Film Fund, Senator Global Productions; Intérpretes: Alicia Vikander (Gerda
Wegener), Eddie Redmayne (Einar Wegener / Lili Elbe), Tusse Silberg (velha
senhora), Adrian Schiller (Rasmussen), Amber Heard (Ulla), Emerald Fennell (Elsa),
Henry Pettigrew (Niels), Claus Bue, Peter Krag, Angela Curran, Pixie, Richard
Dixon, Ben Whishaw, Pip Torrens, Paul Bigley, Nancy Crane, Nicola Sloane, Sonya
Cullingford, Matthias Schoenaerts, Clare Fettarappa, Jake Graf, Victoria Emslie,
Raphael Acloque, Alexander Devrient, Nicholas Woodeson, Philip Arditti, Miltos
Yerolemou, Sebastian Koch, Cosima Shaw, Sophie Kennedy Clark, Rebecca Root,
etc. Duração: 119 minutos;
Distribuição em Portugal: NOS Audiovisuais; Classificação etária: M/ 12 anos;
Data de estreia em Portugal: 31 de Dezembro de 2015.
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